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O número de mortos no incêndio em um shopping center na maior cidade do Paquistão subiu para 55, disse um funcionário de Karachi nesta quinta-feira.
– Um total de 55 corpos foram recuperados desde a noite de sábado, quando a emergência ocorreu – disse Javed Nabi Khoso, vice-comissário do distrito sul.
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Parentes dos desaparecidos criticaram a lentidão das operações no Gul Plaza, um prédio de três andares com 1.200 lojas, onde equipes de resgate procuram por restos mortais nos escombros. Um vídeo postado no X compara imagens do shopping antes e depois do incêndio (veja abaixo).
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Mais de 50 famílias forneceram amostras de DNA, disse a oficial de saúde Summaiya Syed.
Em Karachi, uma megacidade com mais de 20 milhões de habitantes, incêndios são comuns em mercados e fábricas devido à infraestrutura precária, mas nenhum havia atingido a escala do incêndio no shopping center afetado.
Faraz Ali, cujo pai e irmão estavam dentro do shopping, disse à AFP que quer “os corpos recuperados e devolvidos às suas famílias”. Uma comissão governamental iniciou uma investigação, mas a causa do incêndio ainda não foi revelada.
O incêndio também deixou cerca de 30 pessoas feridas.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, liderou uma reorganização das Forças Armadas, nomeando nessa quarta-feira 12 oficiais de alta patente para comandos regionais, logo após a queda de Nicolás Maduro.
As mudanças ocorreram um dia antes de a Assembleia Nacional da Venezuela discutir reformas no setor petrolífero que, se implementadas, vão desmontar o monopólio estatal do setor. As propostas na lei de hidrocarbonetos feitas por Delcy Rodríguez visam atrair novamente as companhias petrolíferas internacionais para o país.
Rodríguez já havia nomeado um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin), como o novo comandante da guarda presidencial e como diretor da agência de contraespionagem, DGCIM.
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Um documento contendo cópias das nomeações, assinado pelo Ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, está circulando na mídia local, embora o governo não tenha confirmado sua autenticidade.
No entanto, o chefe do Comando Operacional Estratégico das Forças Armadas parabenizou cada um dos generais nomeados para comandar 12 das 28 zonas operacionais de defesa (ZODI) em vários estados do país, em sua conta no Telegram.
O general Domingo Hernández Lares elogiou cada comandante, descrevendo um como “soldado de temperança, repleto de princípios e valores” e destacando. de outro, a “capacidade de liderança e a conduta exemplar no cumprimento de missões”.
“Um soldado honrado que, com espírito inabalável, manteve acesa a chama sagrada dos libertadores”, escreveu ele, sobre o novo comandante da Zona Operacional de Defesa no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia.
Padrino López e Hernández Lares permanecem em seus cargos, por enquanto.
Várias pessoas foram dadas como desaparecidas, nesta quinta-feira, após um deslizamento de terra atingir um acampamento no norte da Nova Zelândia, região castigada por fortes chuvas, informaram a polícia e equipes de resgate.
A lama soterrou um bloco de chuveiros em um acampamento localizado aos pés do vulcão extinto Monte Maunganui, como mostram vídeos e fotos divulgados pela mídia local.
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Os serviços de emergência disseram ter ouvido vozes vindas de baixo dos escombros.
– Enquanto o solo continuar se movendo, eles estarão em missão de resgate – disse o vice-comissário de polícia Tim Anderson a repórteres.
– Não posso dar números. O que posso dizer é que é um número pequeno – acrescentou.
Equipes de resgate relataram terem ouvido vozes embaixo dos escombros
Reprodução / redes sociais
O deslizamento de terra afetou vários trailers e o prédio com banheiros do acampamento, localizado na Ilha Norte, em uma área atingida por fortes chuvas.
Acampamento atingido por deslizamento de terra fica aos pés do vulcão extinto Monte Maunganui
Reprodução / redes sociais
Pessoas no local tentaram cavar entre os escombros e ouviram vozes, relatou o comandante do Corpo de Bombeiros e Emergências, William Pike.
– Nossa primeira equipe de bombeiros chegou e ouviu a mesma coisa – afirmou.
No entanto, as equipes de resgate tiveram que evacuar todo seu pessoal devido ao risco de novos deslizamentos de terra.
Uma jornalista filipina que passou quase seis anos na prisão foi condenada nesta quinta-feira (22), acusada de financiar o terrorismo, um caso que ONGs e uma relatora da ONU classificaram como uma “farsa da Justiça”.
A repórter comunitária e locutora Frenchie Cumpio, 26, e sua ex-colega de quarto Marielle Domequil choraram e se abraçaram após a leitura do veredito. A juíza impôs uma pena de até 18 anos de prisão.
As duas foram detidas, em fevereiro de 2020, por crimes relacionados a armas, acusadas de posse de uma pistola e uma granada. Mais de um ano depois, foram acusadas de financiamento do terrorismo, o que poderia resultar em até 40 anos de prisão.
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O caso foi acompanhado com atenção por órgãos de defesa dos direitos humanos, entre eles a Fundação Clooney para a Justiça, de George e Amal Clooney, que questionou em outubro passado a prisão prolongada, os “repetidos adiamentos e a lentidão do processo”.
A relatora especial da ONU Irene Khan advertiu que as acusações contra Frenchie pareciam ser “uma retaliação por seu trabalho como jornalista”.
As autoridades do Irã intensificaram a repressão às manifestações em massa que vinham mobilizando o país desde o mês passado, mas arrefeceram diante da violenta reação do governo dos aiatolás. Segundo o jornal Financial Times, prisões, confisco de bens e fechamento de empresas ligadas a figuras proeminentes passaram a compor a resposta do regime. Iniciados em meio à crise econômica e transformados na mais grave onda de instabilidade interna desde a Revolução Islâmica de 1979, os protestos foram duramente reprimidos e a estimativa é de, ao menos, 4 mil mortos.
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Como parte da ofensiva, o gabinete do procurador-geral de Teerã informou que abriu processos contra 25 pessoas ligadas ao meio artístico e esportivo, entre elas atletas, atores e signatários de uma nota divulgada pela Cinema House, principal associação da indústria cinematográfica do país. Segundo as autoridades, os investigados teriam atuado na incitação aos protestos.
O órgão afirmou ainda que bens pertencentes aos acusados poderão ser usados para ressarcir danos causados a propriedades públicas e privadas, caso haja condenação. Parte desses ativos já foi confiscada. A televisão estatal informou também que cerca de 60 cafés foram identificados como apoiadores, de forma “direta ou indireta”, de atos classificados pelo governo como “terroristas”.
A agência Tasnim informou que o empresário Mohammad Saedinia, dono de uma conhecida rede de cafeterias, de um grande shopping center e de outros negócios, foi preso e teve todos os seus bens confiscados. Segundo a agência, o valor dos ativos apreendidos se aproxima do montante estimado pela prefeitura de Teerã para os prejuízos causados durante os protestos: cerca de 30 trilhões de riais iranianos (aproximadamente R$ 148 milhões).
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A repressão se estendeu à imprensa. Na segunda-feira, o Judiciário determinou o fechamento do Ham-Mihan, um dos principais jornais reformistas do país, após reportagens sobre a situação dos hospitais durante os protestos. Segundo a Justiça, o veículo teria desrespeitado uma advertência anterior.
De acordo com o jornal britânico, separadamente, a mídia estatal informou que uma agência de notícias e um site jornalístico passaram a responder por acusações de “divulgação de notícias falsas”.
Aumento da instabilidade interna
As manifestações, que começaram no mês passado, deixaram de se concentrar em demandas econômicas e passaram a incluir pedidos pela queda da República Islâmica e pela saída do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, antes de serem sufocadas por uma repressão violenta.
Desde então, um bloqueio da internet imposto pelas autoridades permanece em vigor em grande parte do país, dificultando a circulação de informações independentes. Ainda assim, a mídia estatal reconhece que milhares de prisões foram realizadas em todo o território nacional.
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Autoridades afirmam que grupos armados mataram centenas de integrantes das forças de segurança e incendiaram prédios públicos, lojas e mesquitas. O governo sustenta que as manifestações foram infiltradas por “terroristas” financiados por Israel e pelos Estados Unidos.
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O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, declarou que parte dos jovens envolvidos nos distúrbios pode ter sido “enganada”. Segundo ele, participantes diretos dos protestos enfrentarão punições severas, mas aqueles que teriam atuado como “soldados rasos”, influenciados por serviços de inteligência estrangeiros, teriam três dias para se entregar em troca de penas reduzidas.
Conforme informações divulgadas pelo jornal, a repressão também passou a mirar uma suposta colaboração com emissoras de TV por satélite ligadas à oposição, que seguiram acessíveis no país apesar do bloqueio da internet.
O procurador-geral anunciou que qualquer contato ou compartilhamento de informações com a emissora Iran International, sediada em Londres, será tratado como crime.
Paralelamente, o governo do presidente Masoud Pezeshkian prometeu restabelecer o acesso à internet nos próximos dias e anunciou medidas para tentar conter a insatisfação social. Mais de dois terços dos mortos nos protestos deverão ser classificados como “mártires”, o que garante às famílias benefícios financeiros e vantagens nas áreas de educação e emprego.
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Ainda segundo o Financial Times, famílias de vítimas relatam ter sido procuradas por autoridades com a oferta desse reconhecimento, mesmo em casos em que não havia histórico de participação em manifestações.
O governo também anunciou a entrega de 120 mil moradias a famílias de baixa renda e o pagamento de bônus a professores, no valor de 20 trilhões de riais (cerca de R$ 99 milhões), com novos repasses previstos para o próximo ano iraniano, que começa em março.
Registros da violência
Fotos vazadas à BBC Verify revelam os rostos de ao menos 326 pessoas mortas durante a repressão violenta do regime iraniano aos protestos antigovernamentais.
As imagens, consideradas fortes demais para exibição sem desfoque, mostram vítimas com sinais evidentes de agressões, como rostos ensanguentados, inchados e com hematomas profundos. Entre os mortos identificados estão 18 mulheres.
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As fotografias, feitas em um necrotério no sul de Teerã, se tornaram uma das poucas formas encontradas por familiares para reconhecer seus parentes, diante do bloqueio quase total da internet imposto pelas autoridades. Muitas vítimas estavam desfiguradas a ponto de não poderem ser identificadas e dezenas foram registradas como desconhecidas, sem nome.
A BBC Verify analisou 392 imagens e conseguiu identificar 326 pessoas, algumas fotografadas de diferentes ângulos. Segundo fontes ouvidas pela emissora, o número real de corpos que passaram pelo necrotério pode chegar a milhares.
Uma das noites mais letais ocorreu em 9 de janeiro, data registrada em mais de 100 etiquetas encontradas junto aos corpos.
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Relatos indicam que familiares passaram horas diante de telas exibindo imagens dos mortos, tentando reconhecê-los. Em alguns casos, as famílias precisaram ampliar as fotos para confirmar identidades; em outros, o reconhecimento foi imediato e provocou cenas de desespero.
Em certas situações, o único objeto que permitia a identificação era um cartão bancário colocado sobre o saco mortuário.
Embora o governo iraniano reconheça milhares de mortos, atribuindo a responsabilidade a grupos estrangeiros, organizações independentes enfrentam dificuldades para documentar a violência devido ao apagão da internet. Ainda assim, a Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, estima que o número de mortos nos protestos já ultrapasse 4 mil.
Em um discurso no Fórum Econômico Mundial na Suíça nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, repreendeu os aliados europeus e reafirmou suas ambições de anexar a Groenlândia. Trump também distorceu a História da Groenlândia, atacou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual os EUA fazem parte, e repetiu distorções já conhecidas sobre a economia e seu próprio histórico. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A guerra na Ucrânia nem terminou, e a Europa já procura uma resposta a outro perigo. Além da Rússia, agora os líderes europeus precisam responder às ameaças dos Estados Unidos. Desta vez, o perigo vem de dentro da própria Otan, a aliança militar ocidental liderada por Washington, que parece cada dia mais próxima de desaparecer. Convocados pelo presidente do Conselho Europeu, os 27 países do bloco se reúnem hoje em Bruxelas para discutir “os recentes acontecimentos nas relações transatlânticas e suas implicações para a União Europeia”, segundo convite enviado por António Costa. O continente se vê na mira de duas potências que avançam às custas de fronteiras estabelecidas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O governo da Groenlândia aconselhou, na quarta-feira, que moradores tenham suprimentos suficientes para cinco dias em caso de crise, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, declarava aos líderes europeus que não usaria a força militar para tomar o território semiautônomo dinamarquês. A Groenlândia afirmou ter publicado as orientações de preparação para crises, que não menciona Trump, em resposta aos repetidos cortes de energia e com o objetivo de “reforçar a segurança da população e garantir que a preparação geral da sociedade seja ainda maior”. Tentando transmitir calma após o anúncio, o governo da ilha ártica esclareceu que começou a preparar o documento no ano passado. Apesar disso, groenlandeses já articulam opções em caso de um ataque americano ao território. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos deve votar, nesta quarta-feira, a abertura de um processo contra Bill e Hillary Clinton por desacato ao Congresso, por se recusarem a depor na investigação sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
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A Comissão de Supervisão da Câmara, liderada pelos republicanos, está analisando duas resoluções que acusam o ex-presidente e a ex-secretária de Estado democrata de desobedecerem intimações emitidas há uma semana para comparecerem pessoalmente perante os investigadores.
Se aprovadas, as medidas seguirão para a Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, que decidirá se citará formalmente os Clinton por desacato e os encaminhará ao Departamento de Justiça para um possível processo criminal.
Congressistas estão analisando como as autoridades administraram investigações anteriores sobre Epstein, cuja morte em 2019 na prisão, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual de menores, foi considerada suicídio.
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Os Clinton alegam que a investigação está sendo usada para atacar adversários políticos do presidente Donald Trump, que foi amigo de Epstein anos atrás e não foi convocado para depor.
Trump passou meses tentando impedir a divulgação de arquivos relacionados a Epstein. O presidente e seus funcionários do Departamento de Justiça são acusados pelos democratas de acobertamento por terem divulgado apenas uma parte dos arquivos do caso que uma lei exigia que fossem tornados públicos há mais de um mês.
Nem Trump, nem os Clinton foram acusados de conduta criminosa relacionada a Epstein. Mas os republicanos argumentam que os laços passados do casal democrata com Epstein, incluindo o uso do avião particular de Epstein por Bill Clinton no início dos anos 2000, justificam um depoimento presencial sob juramento.
Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, se apresentará em 9 de fevereiro à Comissão de Supervisão da Câmara, anunciou nesta quarta-feira seu presidente, o republicano James Comer.
Maxwell, que atualmente cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de pessoas para exploração sexual, exercerá seu direito de permanecer em silêncio, acrescentou Comer, citando seus advogados.
Com o restabelecimento gradual das comunicações no Irã, após dias de bloqueio da internet durante os protestos contra o regime, começam a vir à tona os perfis de algumas das vítimas da repressão conduzida pelas autoridades. De acordo com a mídia estatal iraniana, 3.117 pessoas morreram desde o início das manifestações, deflagradas no mês passado em meio à crise econômica e reprimidas com violência letal, segundo ativistas.
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Um comunicado da Fundação de Veteranos e Mártires do Irã, citado pela televisão estatal, afirmou que 2.427 pessoas do total de mortos, incluindo integrantes das forças de segurança, são consideradas “mártires” segundo o islamismo e descritos como vítimas “inocentes”.
As autoridades iranianas classificaram o movimento de contestação como um incidente “terrorista”, marcado por “distúrbios” supostamente incentivados pelos Estados Unidos.
Por outro lado, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que milhares de manifestantes foram mortos a tiros pelas forças de segurança.
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, diz ter verificado a morte de 3.428 manifestantes pelas mãos das forças de segurança, mas alerta que o número real pode ser maior. Segundo a entidade, algumas estimativas indicam que “entre 5 mil e 20 mil manifestantes podem ter sido assassinados”.
De acordo com a instituição, a maioria dos mortos era formada por homens jovens, embora mulheres e menores de idade também estejam entre as vítimas.
As organizações que monitoram o número de vítimas afirmam que os esforços para determinar uma cifra precisa foram seriamente prejudicados pelo bloqueio da internet imposto pelas autoridades iranianas.
A Netblocks, organização especializada em cibersegurança, afirma que essa obstrução das comunicações já dura mais de 300 horas.
A Fundação de Veteranos e Mártires, organização financiada pelo Estado, afirma ainda que muitos dos mortos “eram transeuntes” que morreram baleados durante os protestos.
O texto também sustenta que “alguns eram manifestantes que foram atingidos por tiros disparados por elementos terroristas organizados infiltrados na multidão”, sem apresentar provas ou detalhes.
Perfil das vítimas
Com a suspensão parcial do bloqueio da internet no país, histórias individuais começam a circular, revelando a diversidade de perfis atingidos pela repressão: profissionais liberais, artistas, trabalhadores autônomos e estudantes.
Uma dessas vítimas é Negin Ghadimi, de 28 anos, formada em engenharia biotecnológica. Segundo relato de uma fonte próxima da família à IHR, Negin participava de uma manifestação em Tonekabon, na província de Mazandaran, quando foi baleada pelas forças de segurança.
Durante a dispersão do protesto, após o uso de gás lacrimogêneo, ela se separou do pai, que tentou convencê-la a deixar o local. “Por que deveríamos voltar? Do que você tem medo?”, teria respondido antes de ser atingida por um disparo. Ferida no lado do corpo, morreu antes de conseguir chegar a um hospital.
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Outro caso é o de Reza Eskandarpour, carpinteiro de 37 anos e dono de uma oficina em Teerã. Segundo a IHR, ele foi morto no dia 8 de janeiro, no oeste da capital, ao tentar socorrer um amigo baleado durante um protesto. Reza foi atingido por seis tiros disparados por um atirador posicionado no topo de um prédio próximo.
No enterro, realizado no cemitério Behesht Zahra, familiares entoaram slogans contra o governo. De acordo com uma fonte, agentes de segurança apagaram imagens da cerimônia dos celulares da família.
Entre as mulheres mortas, está Sara Behboodi, de 45 anos, montanhista experiente que havia escalado alguns dos principais picos do Irã. Ela morreu baleada na cidade de Rasht, uma das regiões que concentraram protestos mais intensos, segundo a IHR.
Imagens divulgadas pelo site IranWire mostram Sara sorrindo no topo do monte Kamal, no noroeste do país, dias antes de sua morte.
Na cidade vizinha de Lahijan, Sanam Pourbabayi, professora de violino, também foi morta durante a repressão, de acordo com a ONG Hengaw, igualmente sediada na Noruega. Após sua morte, um vídeo em que ela aparece tocando violino ao lado de um guitarrista passou a circular nas redes sociais.
A ONG Hengaw afirma que ao menos 33 mulheres foram mortas desde o início das manifestações, entre elas uma mulher grávida e mães de crianças pequenas.
Apesar dos números divulgados oficialmente, entidades de direitos humanos alertam que a dimensão real da repressão pode ser significativamente maior, dificultada pelo controle estatal da informação e pelo bloqueio prolongado da internet no país.
(Com AFP)

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