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Em Nuuk, capital da Groenlândia, a decepção, a frustração e a raiva são evidentes um dia após o anúncio de um projeto de acordo sobre o futuro da ilha, negociado sem a participação deles por Donald Trump e pelo Secretário-Geral da Otan. Com duas xícaras pequenas de cappuccino de uma famosa marca de café americana nas mãos, Niels Berthelsen parou para conversar apesar do frio glacial que cobre as ruas de Nuuk.
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“Se quisermos chegar a um acordo sobre a Groenlândia, é necessário convidar a Groenlândia para a mesa de negociações”, disse o capitão de navio à AFP. “Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia”, repete ele.
As conversas desta quarta-feira em Davos, na Suíça, entre Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, levaram a um “acordo-quadro”, segundo o presidente americano, que insiste na anexação deste território autônomo dinamarquês. Trata-se de um projeto sobre o qual pouco se sabe, mas que irrita os habitantes da Groenlândia, preocupados com seu direito à autodeterminação.
“É obviamente positivo que a ameaça militar esteja diminuindo”, observou Berthelsen. “Mas um acordo poderia ter sido alcançado convidando a Groenlândia para a mesa de negociações, em vez de Rutte negociar um acordo com Trump sozinho”, disse ele. “Acho que é uma falta de respeito com Rutte”, disse ele.
Por sua vez, Esther Jensen disse estar “muito desapontada com o fato de a Otan ter concluído qualquer tipo de acordo com Trump sem a Dinamarca ou a Groenlândia”.
“Se houver decisões a serem tomadas, elas devem ser tomadas em consulta com a Groenlândia”, disse.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, observou que Rutte coordenou as negociações com ela e com o governo da Groenlândia, embora o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, tenha salientado que “Rutte, obviamente, não pode negociar um acordo em nome da Dinamarca ou da Groenlândia”.
Um tempo “antes de Trump”
Com ou sem coordenação, o vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, reafirmou nesta quinta-feira o direito de aproximadamente 57 mil groenlandeses de decidirem seu futuro.
“Independentemente da pressão exercida por outros, nosso país não será cedido, nem nosso futuro estará sujeito a negociações”, escreveu Egede no Facebook. “É inaceitável tentar entregar nosso país a outros. Este é o nosso país, somos nós que moldamos o seu futuro”, insistiu ele.
Nuuk, capital da Groenlândia
AFP
Em Nuuk, os habitantes da Groenlândia questionam o que realmente aconteceu em Davos, a estância de esqui suíça onde Trump e Rutte participam no Fórum Econômico Mundial.
“Sabemos muito bem que Trump tende a interpretar certas coisas de forma exagerada”, comentou Arkalo Abelsen, um aposentado de 80 anos. “Quando Rutte […] confirmar que discutiram algumas soluções possíveis, então, na cabeça de Trump, isso se torna um acordo. Mas não é um acordo. Não há acordo nenhum”, diz ele, apoiando-se em uma muleta.
A turbulência dos atuais acontecimentos internacionais e o crescente interesse em seu território estão testando a calma dos groenlandeses.
“Desde que Trump foi reeleito presidente, nunca se sabe o que pode acontecer de um dia para o outro. Especialmente quando ele ataca nosso país, como se fosse um pedaço de gelo à deriva no mar. É muito desestabilizador. Você se sente impotente”, observou Abelsen. “Minha mulher e eu conversamos sobre isso todos os dias. Dizemos um ao outro que gostaríamos de poder voltar no tempo, para antes de Trump. Naquela época, era possível prever o que ia acontecer.”
Susan Gudmundsdottir Johnsen, de 52 anos, que trabalha para uma agência de viagens, também anseia por manhãs menos agitadas. “De agora em diante, precisamos de calma e serenidade”, disse ela.
No que se desenha como a preparação para um ataque contra o Irã, assim como fez durante meses no Caribe antes de invadir a Venezuela, os Estados Unidos deslocaram 10 aviões de reabastecimento aéreo KC-135 para a Europa, rumo a bases no Oriente Médio. A movimentação, que durou entre a noite da última terça-feira e a madrugada de quarta, acontece uma semana depois do deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque, que saíram do Mar da China Meridional em direção ao Oriente Médio, mas ainda não chegou ao destino final, o Golfo Pérsico. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Enquanto a formalização do Conselho da Paz — lançado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de representantes de 19 países em Davos nesta quinta-feira — cumpre um ponto central para a sequência do cessar-fogo em fases assinado por Israel e Hamas, palestinos na Faixa de Gaza seguem à espera de que os termos acordados no ano passado se convertam em pacificação e normalização da vida cotidiana. Em meio às tratativas políticas, fontes palestinas e organizações internacionais denunciam agressões reiteradas ao enclave, enquanto militares israelenses estabelecem novas bases e alteram a realidade no terreno — o que ativistas temem ser o indício de uma ocupação permanente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A Casa Branca publicou na quinta-feira em suas redes sociais uma foto de uma manifestante presa no estado de Minnesota (norte dos Estados Unidos) na qual ela aparece com o rosto contraído pelo choro, sem informar que a imagem havia sido alterada digitalmente.
Na manhã de quinta-feira, a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, publicou no X uma imagem que mostrava o rosto sereno e sem expressão de Nekima Levy Armstrong, que foi presa junto com outras duas pessoas por supostamente perturbar um culto religioso ao protestar contra a ofensiva migratória do governo federal.
Cerca de 30 minutos depois, a Casa Branca publicou a mesma imagem na plataforma, mas agora modificada para mostrar Armstrong soluçando, com a boca aberta, a testa franzida e lágrimas escorrendo pelo rosto.
Um texto sobreposto à imagem dizia “presa” e classificava Armstrong como “agitadora da extrema esquerda”. A publicação da Casa Branca não mencionava que a imagem havia sido editada. Também não ficou claro de imediato se a alteração foi feita com uma ferramenta de inteligência artificial ou com outro software de edição de imagens.
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Questionada pela AFP, a Casa Branca remeteu a uma publicação no X de seu subdiretor de Comunicações, Kaelan Dorr, na qual ele admitia implicitamente a alteração.
— NOVAMENTE, às pessoas que sentem a necessidade de defender de forma reflexa os autores de crimes atrozes em nosso país, compartilho esta mensagem. A aplicação da lei continuará. Os memes continuarão. Obrigado pela atenção a este assunto — escreveu Dorr no X, ao republicar o post da Casa Branca com a foto modificada.
Na era dos deepfakes e da inteligência artificial, esse tipo de imagem tornou-se comum na política, afirma Walter Scheirer, professor da Universidade de Notre Dame.
— Elas podem ser consideradas a versão contemporânea das caricaturas políticas dos jornais, mas há uma notável falta de decoro quando são divulgadas por canais oficiais do governo — disse Scheirer à AFP.
Trump e a Casa Branca já compartilharam outras imagens feitas com IA que mostram o presidente vestido como papa, rugindo ao lado de um leão e regendo uma orquestra no Kennedy Center, o principal complexo de artes de Washington.
Seu governo mobilizou numerosos agentes federais no estado de Minnesota, governado pela oposição democrata, como parte de sua política anti-imigração.
A tensão aumentou após o assassinato da manifestante Renee Good por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Os líderes da União Europeia consideraram “positiva” a mudança de posição do presidente dos EUA, Donald Trump, após ele ter ameaçado impor tarifas aos países europeus por causa da Groenlândia, disse o chefe da UE, António Costa, após as negociações da cúpula na quinta-feira, pedindo que o acordo comercial firmado com Washington no ano passado seja totalmente implementado. Costa também afirmou que a UE vai continuar defendendo os próprios interesses “contra qualquer forma de coerção”, e acrescentou que o bloco europeu tem “sérias dúvidas” sobre o Conselho de Paz de Trump, lançado formalmente nesta quinta-feira em Davos, Suíça.
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— A imposição de tarifas adicionais teria sido incompatível com o acordo comercial entre a UE e os EUA. Nosso foco agora deve ser avançar na implementação desse acordo — disse o presidente do Conselho Europeu em uma coletiva de imprensa. — O objetivo continua sendo a estabilização efetiva das relações comerciais entre a União Europeia e os EUA.
Segundo Costa, a relutância da União Europeia acerca do “Conselho da Paz” promovido por Trump se dá particularmente por sua incompatibilidade com as Nações Unidas.
— Temos sérias dúvidas sobre vários elementos da carta do Conselho de Paz, no que diz respeito ao seu âmbito de atuação, à sua governança e à sua compatibilidade com a Carta das Nações Unidas — declarou Costa no final de uma cúpula de líderes europeus em Bruxelas.
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O presidente dos EUA lançou seu novo “Conselho da Paz” na quinta-feira em Davos, ao lado de 19 líderes de países que aderiram a este órgão colocado sob seu controle. Apesar da clara tentativa de remodelação da ordem mundial por parte de Trump, países aliados de longa data dos EUA — como Reino Unido e França — estão relutantes sobre o arranjo e já rejeitaram a proposta, sobretudo após o convite ter sido estendido a líderes antidemocráticos como o presidente russo, Vladimir Putin.
— Este é um tratado jurídico que levanta questões muito mais amplas, e também nos preocupa que o presidente Putin faça parte de um órgão que fala sobre paz quando ainda não vimos nenhum indício de que se comprometerá com a paz na Ucrânia — disse a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.
*Em atualização.
O enviado americano Steve Witkoff se reuniu na noite desta quinta-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, para tratar do plano esboçado por Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia. O encontro ocorreu após a breve reunião do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Em um contexto de intensa agitação diplomática, Witkoff, acompanhado por Jared Kushner, genro do presidente americano, aterrissou em Moscou durante a noite. A Presidência russa anunciou posteriormente o início da reunião.
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Witkoff já se encontrou várias vezes com o presidente russo ao longo do último ano. Desde Davos, ele mencionou os “progressos significativos” alcançados em seu encontro no último fim de semana, em Miami, com negociadores ucranianos.
— Acho que reduzimos o problema a um único ponto — declarou na ocasião.
Após a reunião com Trump em Davos, Zelensky assegurou que a questão dos territórios do leste da Ucrânia continua sem solução, mas anunciou um acordo sobre as garantias de segurança que os EUA ofereceriam em um eventual pós-guerra.
— Tudo gira em torno da parte oriental do nosso país. Tudo gira em torno da terra. Esse é o problema que ainda não resolvemos — afirmou o líder ucraniano a jornalistas na Suíça.
Desde que chegou à Casa Branca há um ano, Trump tem tentado encerrar o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado em fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
Os esforços diplomáticos esbarram nas divergências entre Rússia e Ucrânia sobre a delimitação de fronteiras em um cenário de paz. A Rússia, que ocupa 20% do território ucraniano, reivindica o controle total da região oriental do Donbass, parcialmente sob seu domínio.
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Zelensky reconheceu que o apoio de Trump é “indispensável”, sobretudo porque a Europa, “em vez de se tornar uma verdadeira potência global, continua sendo um belo, porém fragmentado, caleidoscópio de pequenas e médias potências”.
— A Europa parece perdida tentando convencer o presidente americano a mudar — acrescentou o presidente ucraniano, e sugeriu que haverá uma reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos ainda nesta semana.
Enquanto isso, quando jornalistas perguntaram a Trump que mensagem queria transmitir ao seu par russo, ele respondeu:
— A guerra deve acabar.
O Canadá “não existe por causa dos Estados Unidos”, disse o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, nesta quinta-feira, em resposta aos ataques do presidente americano, Donald Trump, no dia anterior em Davos, na Suíça.
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— O Canadá e os Estados Unidos forjaram uma parceria extraordinária — declarou Carney em um discurso à nação a partir de Quebec. — O Canadá não existe por causa dos Estados Unidos. O Canadá prospera porque somos canadenses. Nosso país é nosso, é o nosso país, é o nosso futuro — acrescentou.
Desde que retornou à Casa Branca no ano passado, Trump tem insinuado repetidamente seu desejo de anexar o Canadá aos Estados Unidos. Na quarta-feira, Carney fez um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos que lhe rendeu uma ovação de pé. Sem mencionar o presidente americano nominalmente, Carney disse que o sistema de governança global liderado pelos EUA está passando por um “colapso”.
Ele disse que as potências médias, como o Canadá, que prosperaram durante a era da “hegemonia americana”, precisam perceber que uma nova realidade se instaurou. Carney acrescentou em seu discurso que essas potências precisam traçar um novo rumo e se unir para defender valores internacionais fundamentais.
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Na quinta-feira, o primeiro-ministro reafirmou que o Canadá deve servir de modelo em uma era de “declínio democrático”. Trump, por sua vez, respondeu a Carney, também em Davos, e declarou que o líder canadense não havia sido “muito grato”.
— O Canadá recebe muitas regalias da gente. [O país] vive graças aos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações — disse o presidente americano.
Um ataque com faca deixou seis pessoas feridas, duas delas em estado crítico, na noite desta quinta-feira em Antuérpia, uma das principais cidades da Bélgica. O crime ocorreu pouco depois das 19h, (15h, no horário de Brasília) nas proximidades da Operaplein, área central e de grande circulação. A polícia prendeu dois suspeitos e abriu uma investigação.
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Segundo o tabloide britânico The Sun, autoridades informaram que quatro vítimas foram encontradas na própria praça, enquanto a quinta e a sexta foram localizadas nas imediações, nas ruas Rooseveltplaats e Sint-Elisabethstraat. Todas apresentavam ferimentos provocados por faca.
— Todas as vítimas foram esfaqueadas, e duas estão atualmente em condição crítica — informou um porta-voz da polícia ao site.
Equipes de emergência foram acionadas para prestar os primeiros socorros no local antes de encaminhar os feridos a hospitais da região. Um vídeo do momento circula nas redes sociais.
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Relatos iniciais indicam que os suspeitos teriam se misturado a manifestantes que participavam de um ato curdo realizado na praça pouco antes do ataque. Uma testemunha afirmou que a manifestação transcorria de forma pacífica e já estava sendo encerrada quando a violência começou.
A polícia isolou a área e iniciou perícias forenses, além de pedir que a população evite a Operaplein e os arredores enquanto as investigações seguem em andamento. Até o momento, as autoridades não divulgaram a motivação do ataque nem a identidade dos suspeitos.
A polícia chilena anunciou nesta quinta-feira (22) a prisão de um terceiro suspeito de iniciar intencionalmente incêndios florestais na região de Biobío, a área mais afetada pelos incêndios que devastam o sul do Chile e que causaram a morte de 21 pessoas.
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Desde sábado (17), os bombeiros combatem o incêndio em Biobío, a cerca de 500 km ao sul de Santiago, onde se concentra a grande maioria das vítimas. As regiões de Ñuble e Araucanía também foram afetadas pelas chamas. Segundo o governo, 20 mil pessoas foram atingidas. Atualmente, há 19 incêndios ativos, de acordo com a agência estadual de assistência em desastres (Senapred).
Na madrugada de hoje, as autoridades prenderam um homem supostamente envolvido nos incêndios em Punta de Parra, município de Biobío, durante o toque de recolher. O suspeito, juntamente com outros, estava ateando fogo à mata quando a polícia chegou após receber uma denúncia de vizinhos. “O indivíduo portava um isqueiro, um bastão retrátil e crack”, informou a Polícia de Investigação em um comunicado.
Outros dois suspeitos foram presos entre segunda e quarta-feira em Biobío e Araucanía; um deles já foi liberado.
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Punta de Parra é uma cidade com cerca de 3 mil habitantes, cercada por florestas de eucalipto. Após os incêndios, apenas algumas casas permaneceram de pé. As autoridades suspeitam que tenham sido provocados intencionalmente.
— É pura maldade, só para causar dano, não há outra explicação — disse Felicia Lara, de 68 anos, que conseguiu escapar apenas com a roupa do corpo.
As altas temperaturas do verão no Hemisfério Sul e os fortes ventos propagaram as chamas que começaram no sábado.
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As áreas mais afetadas são as cidades de Lirquén e Penco, em Biobío.
Em fevereiro de 2024, vários incêndios deflagraram nas proximidades da cidade de Viña del Mar, a 110 km de Santiago, deixando 138 mortos.
Investigações posteriores determinaram que bombeiros e membros da brigada florestal iniciaram o incêndio intencionalmente, que se alastrou rapidamente devido também às altas temperaturas do verão.
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A nova líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, está abrindo as portas do país para investidores do setor petrolífero, com um amplo conjunto de propostas que reduziriam drasticamente os impostos, abririam mão do controle estatal sobre as operações de extração e comercialização de petróleo e simplificariam as regulamentações. As propostas, agora em análise no Legislativo, visam revitalizar a indústria petrolífera estatal venezuelana para estabilizar a economia após a deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro. Com sua ex-número dois e agora presidente interina no comando, a Venezuela está efetivamente renunciando às suas raízes nacionalistas e ao protecionismo chavista, cedendo espaço ao setor privado após décadas de declínio econômico. Entre as mudanças realizadas por Delcy que divergem da linha adotada por seus antecessores estão as trocas de comandantes militares pelo país realizadas nos últimos dias.
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O debate sobre as propostas começou nesta quinta-feira e a expectativa é que elas avancem rapidamente rumo à aprovação. No entanto, especialistas afirmam que a Venezuela ainda precisa de um apoio mais robusto dos Estados Unidos para atrair investimentos em larga escala. Na Assembleia Nacional, a reforma foi aprovada em primeira leitura sem o voto da oposição, que alegou não ter tido acesso ao projeto para revisão, mas ainda espera-se uma segunda leitura no Parlamento, de maioria governista, para a aprovação final.
— Este projeto de reforma é um passo rumo à modernização do setor energético. A verdadeira soberania reside não apenas no controle dos recursos, mas também em transformá-los em ativos para o povo venezuelano — disse o deputado Orlando Camacho, presidente da Comissão de Energia e Petróleo.
Embora Delcy classifique as mudanças como uma “reforma parcial”, elas alterariam profundamente a Lei de Hidrocarbonetos, uma legislação de 2001 promulgada durante o governo do falecido líder socialista Hugo Chávez, que equivaleu a uma nacionalização do setor. Essa lei exige que a Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), petrolífera estatal, detenha uma participação majoritária em joint ventures com parceiros privados ou estrangeiros, ao mesmo tempo em que concede à empresa estatal o monopólio da produção e venda de petróleo.
A proposta de reforma da Lei de Hidrocarbonetos expande um modelo contratual inovador, firmado no final de 2022 pela gigante petrolífera americana Chevron, principal investidora do país e a única empresa petrolífera atualmente autorizada pelos EUA a extrair petróleo venezuelano. A reforma afrouxaria o controle da estatal PDVSA, preservando, ao mesmo tempo, a propriedade que o Estado venezuelano tem sobre as reservas.
Se as mudanças forem aprovadas, empresas petrolíferas privadas teriam permissão para comercializar sua própria produção, pagando impostos menores e, principalmente, resolvendo quaisquer disputas contratuais por meio de arbitragem internacional, em vez de exclusivamente nos tribunais venezuelanos.
Sob um modelo de contrato de prestação de serviços, conhecido pela sigla CPP, empresas privadas poderiam operar campos de petróleo por conta e risco do cliente, por meio de contratos com a PDVSA, enquanto as joint ventures continuariam exigindo participação majoritária do Estado.
As propostas oferecem “uma base jurídica razoavelmente sólida para investimentos atuais e futuros”, afirmou David Goldwyn, chefe do grupo de consultoria em energia do Atlantic Council, um think tank em Washington, D.C. Ele acrescentou que a reforma é essencial porque o investimento a curto prazo provavelmente se limitará à revitalização de operações existentes e àquelas que envolvam empresas não americanas focadas na recuperação de poços sob o modelo CPP.
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Mantendo uma taxa básica de royalties de 30%, a proposta permitiria reduções para projetos considerados antieconômicos, juntamente com reduções temporárias nos impostos sobre a extração. As mudanças visam direcionar capital para campos subdesenvolvidos, incluindo áreas com pouca infraestrutura existente.
Mesmo com os novos termos, os EUA mantêm as sanções petrolíferas contra a Venezuela, portanto, qualquer envolvimento exigiria licenças do Departamento do Tesouro americano. Algumas empresas, incluindo Repsol SA, Eni SpA, Maurel et Prom e Shell PLC, possuíam isenções que o governo Trump revogou no início deste ano, numa tentativa de pressionar Maduro a renunciar.
A atual Lei de Hidrocarbonetos da Venezuela foi reformada em 2006 para impor um forte controle estatal. A Exxon Mobil Corp. e a ConocoPhillips rejeitaram os novos termos impostos na época e seus ativos foram expropriados pelo Estado no ano seguinte.
Quase duas décadas depois, o CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou em uma reunião recente na Casa Branca que a Venezuela era “inviável para investimentos” sem reformas significativas e transparentes, do tipo que as novas propostas parecem visar.
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Advogados estão agora analisando minuciosamente os detalhes da reforma, que aborda questões políticas sensíveis em um país que nacionalizou sua indústria petrolífera na década de 1970. Uma breve abertura ao investimento privado na década de 1990 chegou ao fim com a ascensão de Chávez ao poder em 1999.
— Uma reforma mais ampla da Lei de Hidrocarbonetos, como a reavaliação do papel do Estado e a possível conversão das joint ventures, precisa de um amplo consenso político. E isso levará tempo, incluindo a plena participação da oposição — afirmou Goldwyn. — Também é apropriado que pelo menos as reformas incrementais atuais sejam amplamente debatidas na Assembleia e não pareçam estar sendo impostas à força pelo governo Rodríguez.
Por anos, parlamentares, economistas e analistas venezuelanos, e mais recentemente até mesmo membros do partido socialista no poder, têm debatido a necessidade de reformar a lei. Mas as propostas foram paralisadas por serem consideradas contrárias à Constituição venezuelana de 1999, que proíbe empresas de executarem ações judiciais em tribunais internacionais e restringe a atividade petrolífera ao Estado e à PDVSA.
Os parlamentares também devem debater um projeto de lei que visa a simplificar a burocracia. A proposta autoriza o presidente a suspender, modificar ou eliminar procedimentos, licenças e exigências considerados “burocráticos, desnecessários, inúteis, irrelevantes ou complexos” por meio de decretos executivos. Também prevê a digitalização, unificação e padronização de procedimentos e a suspensão temporária de disposições legais afetadas por tais decretos até que sejam reformadas pela Assembleia Nacional.
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Um dia antes das discussões sobre as reformas propostas por Delcy serem realizadas na Assembleia Nacional, a presidente interina liderou uma reorganização das Forças Armadas da Venezuela. Na quarta-feira, a nova líder do país nomeou 12 oficiais de alta patente para comandos regionais, mas já havia nomeado um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin) como o novo comandante da guarda presidencial e como diretor da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), a agência de contraespionagem do país.
Um documento contendo cópias das nomeações — assinado pelo Ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, que comanda a pasta da Defesa há mais de dez anos, e sempre foi considerado um aliado incondicional de Maduro — está circulando na mídia local, embora o governo não tenha confirmado sua autenticidade. No entanto, o chefe do Comando Operacional Estratégico das Forças Armadas, general Domingo Hernández Lares, parabenizou cada um dos generais nomeados para comandar 12 das 28 zonas operacionais de defesa (ZODI) em vários estados do país, em sua conta no Telegram.
Na mensagem, ele elogiou cada comandante, descrevendo um como “soldado de temperança, repleto de princípios e valores” e destacando, de outro, a “capacidade de liderança e a conduta exemplar no cumprimento de missões”.
“Um soldado honrado que, com espírito inabalável, manteve acesa a chama sagrada dos libertadores”, escreveu ele, sobre o novo comandante da Zona Operacional de Defesa no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia. Padrino López e Hernández Lares permanecem em seus cargos, por enquanto.

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