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Nas regiões geladas do Ártico e da Antártida, onde o solo permanece congelado por milênios, o aquecimento global vem provocando uma mudança silenciosa, mas profunda. Uma revisão internacional liderada pela Universidade McGill indica que o degelo está ativando comunidades microbianas antes inativas, acelerando a liberação de carbono e intensificando as mudanças climáticas.
Publicado em novembro de 2025 na Nature Reviews Microbiology, o estudo — financiado pelo Conselho de Ciências Naturais e Engenharia do Canadá, pelo Programa de Cátedras de Pesquisa do Canadá e pela Agência Espacial Canadense — reúne dados de ambientes árticos, antárticos, alpinos e subárticos. A análise mostra que micróbios presentes em geleiras, permafrost e gelo marinho exibem atividade sem precedentes à medida que as temperaturas sobem.
Degelo ativa metabolismo e libera gases
Segundo os autores, o aquecimento acelera o metabolismo microbiano e a decomposição da matéria orgânica armazenada no solo congelado, liberando dióxido de carbono e metano, dois dos principais gases de efeito estufa. “Sabemos que essas mudanças terão consequências significativas não apenas para o ciclo global do carbono, mas também para as comunidades humanas, a segurança alimentar e econômica e a liberação de toxinas”, afirmou Scott Sugden, coautor do estudo e pesquisador do Laboratório de Microbiologia Polar da Universidade McGill.
A revisão identifica um padrão comum: em solos congelados, a atividade microbiana é limitada pela baixa temperatura e pela escassez de nutrientes. Com o degelo, essas restrições diminuem e o ciclo do carbono se acelera. Além disso, o descongelamento do permafrost pode liberar poluentes acumulados por séculos, como o mercúrio, que podem se espalhar por rios e cadeias alimentares, ultrapassando as fronteiras polares.
Os pesquisadores também destacam que fatores como oxigênio e umidade do solo após o degelo influenciam fortemente o comportamento microbiano. Mudanças nessas condições podem alterar, de forma imprevisível, os ritmos de liberação de carbono.
Apesar dos avanços, a microbiologia polar ainda enfrenta limites de dados históricos. “Nossos registros mais antigos começam no início dos anos 2000”, observou Sugden, o que dificulta projeções de longo prazo. Para superar barreiras logísticas e financeiras, os autores defendem maior coordenação internacional e o uso de ferramentas simples. “Dados consistentes, mesmo básicos, podem fazer uma grande diferença”, disse Christina Davis, coautora e especialista em astrobiologia.
“A atividade microbiana nos polos está mudando mais rápido do que imaginávamos”, alertou Sugden. A revisão conclui que ampliar a coleta de dados e a colaboração global será decisivo para antecipar os impactos desses microrganismos no clima do planeta.
O Telescópio Espacial James Webb confirmou a existência de uma galáxia que já emitia luz apenas 280 milhões de anos após o Big Bang, estabelecendo um novo marco na observação do universo primitivo. Batizada de MoM-z14, a galáxia foi identificada por meio de análises espectroscópicas com o instrumento NIRSpec, o espectrógrafo de infravermelho próximo do Webb, e revela condições físicas muito diferentes das previstas pelos modelos teóricos atuais.
A equipe liderada por Rohan Naidu, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), determinou que a MoM-z14 possui um desvio para o vermelho de 14,44, o que indica que sua luz levou cerca de 13,5 bilhões de anos para alcançar a Terra. Os resultados foram divulgados no servidor de pré-publicações arXiv e descritos no Open Journal of Astrophysics. Segundo Naidu, “com o Webb, podemos ver mais longe do que nunca, e é completamente diferente do que previmos”, avaliação que sintetiza o impacto da descoberta para a cosmologia.
Uma galáxia brilhante demais para seu tempo
A confirmação espectroscópica, ressaltada por Pascal Oesch, da Universidade de Genebra, é considerada essencial para garantir a distância e a natureza do objeto observado. A MoM-z14 integra um grupo crescente de galáxias inesperadamente brilhantes para uma época tão remota do universo, chegando a superar em até 100 vezes o brilho estimado pelos modelos atuais. Para o pesquisador Jacob Shen, pós-doutorando do MIT, esse descompasso “levanta questões instigantes que precisam ser exploradas no futuro”.
Outro aspecto que chama atenção é o alto teor de nitrogênio presente na MoM-z14. Elementos semelhantes são encontrados em estrelas muito antigas da Via Láctea, sugerindo um paralelo entre fósseis galácticos próximos e galáxias observadas a distâncias extremas. Naidu compara o processo a uma arqueologia cósmica, em que o Webb permite observar diretamente características químicas do universo primordial.
A idade da galáxia impõe um desafio adicional aos modelos de evolução química, já que o curto intervalo entre o Big Bang e sua formação parece insuficiente para que várias gerações de estrelas enriquecessem o ambiente com tanto nitrogênio. Os pesquisadores levantam a hipótese de que estrelas supermassivas, comuns em regiões densas do universo primitivo, tenham desempenhado papel central nesse processo.
Além da composição química, a MoM-z14 oferece pistas sobre a reionização, fase em que a luz das primeiras estrelas dissipou a névoa de hidrogênio primordial, permitindo que a radiação se propagasse livremente. A confirmação de galáxias tão antigas ajuda a refinar a cronologia desse período-chave da história cósmica, algo inviável antes do Webb.
Antes dele, o Telescópio Espacial Hubble havia identificado a galáxia GN-z11, formada cerca de 400 milhões de anos após o Big Bang. O Webb confirmou essa medição e avançou ainda mais no passado, revelando que galáxias brilhantes nos primeiros 500 milhões de anos do universo talvez não sejam exceções. Como resumiu Yijia Li, da Universidade Estadual da Pensilvânia, “este é um momento incrivelmente empolgante”, que evidencia o quanto o universo primitivo ainda reserva surpresas.
O Telescópio Espacial James Webb confirmou a existência de uma galáxia que já emitia luz apenas 280 milhões de anos após o Big Bang, estabelecendo um novo marco na observação do universo primitivo. Batizada de MoM-z14, a galáxia foi identificada por meio de análises espectroscópicas com o instrumento NIRSpec, o espectrógrafo de infravermelho próximo do Webb, e revela condições físicas muito diferentes das previstas pelos modelos teóricos atuais.
A equipe liderada por Rohan Naidu, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), determinou que a MoM-z14 possui um desvio para o vermelho de 14,44, o que indica que sua luz levou cerca de 13,5 bilhões de anos para alcançar a Terra. Os resultados foram divulgados no servidor de pré-publicações arXiv e descritos no Open Journal of Astrophysics. Segundo Naidu, “com o Webb, podemos ver mais longe do que nunca, e é completamente diferente do que previmos”, avaliação que sintetiza o impacto da descoberta para a cosmologia.
Uma galáxia brilhante demais para seu tempo
A confirmação espectroscópica, ressaltada por Pascal Oesch, da Universidade de Genebra, é considerada essencial para garantir a distância e a natureza do objeto observado. A MoM-z14 integra um grupo crescente de galáxias inesperadamente brilhantes para uma época tão remota do universo, chegando a superar em até 100 vezes o brilho estimado pelos modelos atuais. Para o pesquisador Jacob Shen, pós-doutorando do MIT, esse descompasso “levanta questões instigantes que precisam ser exploradas no futuro”.
Outro aspecto que chama atenção é o alto teor de nitrogênio presente na MoM-z14. Elementos semelhantes são encontrados em estrelas muito antigas da Via Láctea, sugerindo um paralelo entre fósseis galácticos próximos e galáxias observadas a distâncias extremas. Naidu compara o processo a uma arqueologia cósmica, em que o Webb permite observar diretamente características químicas do universo primordial.
A idade da galáxia impõe um desafio adicional aos modelos de evolução química, já que o curto intervalo entre o Big Bang e sua formação parece insuficiente para que várias gerações de estrelas enriquecessem o ambiente com tanto nitrogênio. Os pesquisadores levantam a hipótese de que estrelas supermassivas, comuns em regiões densas do universo primitivo, tenham desempenhado papel central nesse processo.
Além da composição química, a MoM-z14 oferece pistas sobre a reionização, fase em que a luz das primeiras estrelas dissipou a névoa de hidrogênio primordial, permitindo que a radiação se propagasse livremente. A confirmação de galáxias tão antigas ajuda a refinar a cronologia desse período-chave da história cósmica, algo inviável antes do Webb.
Antes dele, o Telescópio Espacial Hubble havia identificado a galáxia GN-z11, formada cerca de 400 milhões de anos após o Big Bang. O Webb confirmou essa medição e avançou ainda mais no passado, revelando que galáxias brilhantes nos primeiros 500 milhões de anos do universo talvez não sejam exceções. Como resumiu Yijia Li, da Universidade Estadual da Pensilvânia, “este é um momento incrivelmente empolgante”, que evidencia o quanto o universo primitivo ainda reserva surpresas.
Pelos próximos dias, cientistas estão prestes a perfurar a região mais frágil, inacessível e menos compreendida da geleira Thwaites, na Antártida Ocidental — uma das maiores e mais instáveis do planeta. Com área semelhante à da Grã-Bretanha, a geleira é considerada crucial para o equilíbrio climático global e ganhou o apelido de “Geleira do Juízo Final” devido ao potencial impacto de seu colapso sobre o nível dos oceanos.
Pesquisas indicam que, se a Thwaites desabar sozinha, o nível global do mar pode subir cerca de 65 centímetros, o suficiente para submergir comunidades costeiras inteiras. O risco é ainda maior porque a geleira funciona como uma espécie de barreira: sua ruptura poderia acelerar o derretimento de toda a Calota de Gelo da Antártida Ocidental, elevando os mares entre um e dois metros, ou mais.
O que acontece sob o gelo
Apesar de sua importância, os processos oceânicos que provocam o derretimento da geleira por baixo ainda são pouco conhecidos. Para tentar preencher essa lacuna, pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS) iniciaram uma missão inédita: usar água quente para perfurar até mil metros de gelo próximo à linha de aterramento — o ponto crítico onde a geleira deixa de estar apoiada no solo e passa a flutuar sobre o oceano.
“Esta é uma das geleiras mais importantes e instáveis do planeta, e finalmente podemos ver o que está acontecendo onde mais importa”, afirmou o oceanógrafo físico Peter Davis, do BAS. Segundo ele, a perfuração permitirá observar, quase em tempo real, como a água quente do oceano interage com o gelo a grandes profundidades.
A expedição, que conta também com o Instituto Coreano de Pesquisa Polar (KOPRI), partiu da Nova Zelândia a bordo do navio RV Araon e levou três semanas até alcançar a região da Thwaites. Antes de qualquer deslocamento sobre o gelo, um veículo controlado remotamente foi enviado para mapear fendas ocultas. Após a identificação de um ponto seguro, equipamentos foram transportados por helicóptero em mais de 40 viagens ao longo de 29 quilômetros.
“Isso é ciência polar em seu extremo”, disse Won Sang Lee, líder da expedição pelo KOPRI. “Chegar até aqui já foi um desafio sem garantias, e estar pronto para instalar esses instrumentos é um testemunho da experiência das equipes envolvidas.”
Uma corrida contra o tempo
Os cientistas têm apenas duas semanas para concluir a perfuração e instalar os instrumentos. A técnica desenvolvida pelo BAS utiliza água aquecida a cerca de 90 °C, bombeada sob alta pressão, para abrir um orifício de aproximadamente 30 centímetros de largura. As condições extremas fazem com que o buraco volte a congelar em um ou dois dias, exigindo perfurações repetidas.
Além de medir temperatura e correntes oceânicas sob a plataforma de gelo, a equipe coletará amostras de sedimentos e água para entender o comportamento passado e atual da geleira. “Pela primeira vez, receberemos dados diários de debaixo da plataforma de gelo, perto da linha de aterramento”, explicou Davis. “Isso é fundamental para estimar a rapidez com que o nível do mar pode subir.”
Embora a missão envolva riscos elevados, os pesquisadores afirmam que os dados obtidos podem ser decisivos para aprimorar previsões climáticas e dar mais tempo para que governos e populações costeiras se preparem. “Milhões de pessoas vivem em áreas que dependem da estabilidade da Thwaites”, afirmou a equipe. “Com melhores informações, será possível planejar e se adaptar antes que seja tarde demais.”
Quem eram os “moradores” da Nova Zelândia muito antes de qualquer presença humana — e o que aconteceu com eles ao longo do tempo? Uma descoberta paleontológica em uma caverna da Ilha Norte ajuda a responder a essas perguntas e ainda muda o que se sabia sobre a evolução da fauna local. Fósseis de vertebrados terrestres com cerca de 1 milhão de anos revelam que extinções e substituições de espécies já ocorriam de forma intensa, impulsionadas por forças naturais, muito antes da chegada do homem.
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Os achados foram descritos em um estudo publicado nesta segunda-feira (26) na revista Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology. Trata-se do primeiro conjunto de fósseis de animais terrestres do Pleistoceno Inferior — período entre 2,6 milhões e 780 mil anos atrás — encontrado em uma caverna na Nova Zelândia, o que permite reconstruir como era a vida na região em um passado remoto.
Uma fauna que desapareceu e deu lugar a outra
Os fósseis foram encontrados na chamada Caverna da Casca de Ovo de Moa, próxima às cavernas de Waitomo, e incluem restos de quatro espécies de rãs do gênero Leiopelma e de doze espécies de aves. Pelo menos quatro — e possivelmente seis — dessas aves não aparecem em registros fósseis mais recentes, indicando uma profunda renovação da fauna ao longo do último milhão de anos. Segundo o estudo, a fauna anterior a uma grande erupção vulcânica mostra uma substituição de 33% a 50% das espécies de aves nesse intervalo.
Entre os achados mais relevantes estão duas espécies até então desconhecidas: Strigops insulaborealis, um parente ancestral do papagaio kākāpō, e Porphyrio claytongreenei, ligado ao takahē moderno. O estudo também registra, pela primeira vez, a presença de um tipo antigo de pombo do grupo dos phabines na Nova Zelândia pré-histórica.
A idade dos fósseis foi determinada com precisão graças à presença de duas camadas de cinzas vulcânicas, conhecidas como tefra. A mais antiga data de uma erupção ocorrida há 1,55 milhão de anos, enquanto a superior corresponde à supererupção de Kidnappers, de cerca de 1 milhão de anos atrás. Um espeleotema com 535 mil anos, encontrado sobre os sedimentos, reforçou a cronologia do local, hoje considerado a caverna fossilífera mais antiga conhecida na Ilha Norte.
De acordo com Trevor Worthy, autor principal do estudo, os fósseis “fornecem uma base fundamental que faltava na história natural do país”, ao estabelecer um ponto de referência para entender como a fauna evoluiu. A pesquisa foi conduzida por uma equipe multidisciplinar da Universidade Flinders e do Museu de Canterbury, com apoio de vulcanólogos das universidades de Auckland e Victoria de Wellington.
Os resultados desafiam a visão de que as grandes extinções na Nova Zelândia estariam ligadas exclusivamente à chegada dos humanos, há cerca de 750 anos. Segundo Worthy, forças naturais como mudanças climáticas rápidas e erupções vulcânicas de grande escala já moldavam a biodiversidade local muito antes disso. Além de preencher uma lacuna no registro fóssil, a descoberta oferece novas pistas sobre como espécies chegam, se adaptam — ou desaparecem — em ilhas oceânicas diante de crises ambientais extremas.
Um carteiro do Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) foi suspenso e ameaçado de demissão após publicar um vídeo, nesta semana, denunciando as condições de trabalho enfrentadas durante uma forte onda de frio em Ohio. Jason Thompson, funcionário da unidade dos Correios de Fairfield, afirma ter sido afastado sem remuneração ou explicações formais depois que a gravação, na qual relata riscos à segurança, ganhou grande repercussão nas redes sociais.
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No vídeo, Thompson descreve que ele e colegas foram obrigados a se deslocar de estados vizinhos, como Kentucky e Indiana, mesmo sob condições consideradas perigosas. Segundo o carteiro, ao chegarem ao local de trabalho, não havia correspondências nem encomendas para entregar. “Estamos vindo de longe, arriscando nossas vidas, e não há um plano nem trabalho a ser feito”, escreveu na postagem.
Tempestade, falta de planejamento e denúncia pública
A gravação foi feita após uma tempestade de inverno que atingiu a região metropolitana de Cincinnati entre os dias 24 e 25 de janeiro. Thompson relata que o pátio onde ficam os caminhões dos Correios não havia sido adequadamente limpo, com veículos cobertos por até quase um metro de neve. De acordo com ele, os funcionários precisaram cavar para retirar os caminhões e, caso quisessem voltar para casa mais cedo, eram orientados a usar dias de férias ou licença médica.
O carteiro também questionou a ausência de um protocolo claro para emergências climáticas mais severas. “Não temos correspondência, não temos encomendas, não temos plano. Por que não existe um plano para emergências de neve de nível dois ou três?”, afirmou. No vídeo, Thompson chegou a pedir ajuda a autoridades políticas e administrativas, alegando que a situação se repetia em outras regiões do país.
A publicação ultrapassou 750 mil visualizações e gerou centenas de comentários críticos à atuação do USPS. Pouco depois, Thompson afirmou ter sido pressionado a retirar o conteúdo do ar, sob ameaça de perder o emprego. Apesar disso, o vídeo permanece disponível. Em declarações à emissora Fox19, ele disse sentir-se encorajado pelo apoio recebido e informou que foi colocado em regime de trabalho emergencial sem remuneração, enquanto busca uma reunião com representantes do sindicato e da empresa.
Procurado, o Serviço Postal dos Estados Unidos afirmou, em nota enviada à Fox19, que a segurança dos funcionários é sua principal prioridade. O USPS declarou que monitora continuamente as condições meteorológicas, possui planos de emergência em vigor e adota medidas como pausas para aquecimento, uso de vestuário adequado e adaptação das práticas de trabalho durante períodos de frio extremo. Segundo o comunicado, essas ações visam garantir tanto a proteção dos empregados quanto a manutenção de serviços essenciais, como a entrega de medicamentos e correspondências governamentais.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na quinta-feira uma ordem executiva ameaçando impor tarifas a países que vendam petróleo para Cuba, uma medida que ele considera necessária para a “segurança nacional”, mas que Havana denunciou como um “ato brutal de agressão”.
A decisão aumenta a pressão sobre o regime cubano, que mal consegue suprir metade de suas demandas por energia elétrica.
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A ordem executiva foi apresentada pela Casa Branca como resposta a “uma emergência nacional”, que permite iniciar “um processo para impor tarifas sobre produtos de países que vendam ou forneçam petróleo para Cuba, protegendo assim a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos”.
O texto não especifica quais países ou qual seria a porcentagem dessas tarifas.
“Uma tarifa adicional ad valorem poderá ser imposta sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que venda ou forneça, direta ou indiretamente, qualquer tipo de petróleo a Cuba”, afirma o documento divulgado pela Casa Branca.
“O presidente poderá modificar a ordem se Cuba ou os países afetados tomarem medidas significativas para lidar com a ameaça ou se alinharem aos objetivos de segurança nacional e política externa dos EUA”, acrescenta a nota explicativa.
Na noite de quinta-feira, o governo cubano denunciou a ordem executiva republicana como um “ato brutal de agressão”.
“Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos está sujeito ao bloqueio econômico mais longo e cruel já aplicado contra uma nação inteira”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, nas redes sociais.
O ministro acrescentou que o documento apresentado pela Casa Branca foi justificado por “uma longa lista de mentiras que tentam retratar Cuba como uma ameaça que ela não é”.
‘Uma resposta imediata’
Após a operação militar que depôs o presidente venezuelano Nicolás Maduro, Trump alertou que Cuba deveria negociar “antes que seja tarde demais”.
Washington reitera as críticas que vem fazendo a Havana há décadas: “alinhar-se e apoiar inúmeros países, organizações terroristas internacionais e atores hostis aos Estados Unidos”, incluindo Rússia, China, Irã, Hamas e Hezbollah.
Cuba também é acusada na ordem executiva de “desestabilizar a região por meio da imigração e da violência”, enquanto “espalha suas ideias, programas e práticas comunistas”.
Após a captura de Maduro, Trump colocou o setor petrolífero da Venezuela, principal fornecedor de petróleo de Cuba desde os anos 2000, sob controle dos EUA.
A nova ameaça do líder republicano surge em um momento em que a ilha já enfrenta uma situação energética precária.
Cuba, sujeita a um embargo dos EUA desde 1962, sofre com a escassez de combustível há três anos, o que impacta diretamente sua produção de eletricidade.
O México também estava fornecendo petróleo bruto essencial para a ilha, mas recentemente recuou, sob pressão da Casa Branca.
Entre janeiro e setembro do ano passado, a estatal mexicana de petróleo Pemex exportou 17,2 mil barris de petróleo bruto e 2 mil barris de derivados de petróleo por dia para Cuba, totalizando US$ 400 milhões, segundo dados oficiais.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reiterou na quinta-feira que seu governo continuará solidário a Cuba, em meio a notícias de que a pressão dos EUA está aumentando.
Trump e Sheinbaum conversaram por telefone na quinta-feira e ambos descreveram a conversa como “produtiva”.
Cuba “persegue e tortura opositores políticos, nega a liberdade de expressão e de imprensa e lucra corruptamente com as dificuldades do povo cubano”, afirma o texto divulgado na quinta-feira pela Casa Branca.
“Essas ações constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, exigindo uma resposta imediata”, acrescentou a Casa Branca.
Uma nova paralisação do governo dos EUA se aproxima, depois que senadores democratas bloquearam uma votação crucial para manter o financiamento de departamentos, intensificando o impasse com a Casa Branca sobre a política de imigração linha-dura do presidente Donald Trump, após o assassinato de dois manifestantes.
A votação fracassada paralisou um pacote de gastos de seis projetos de lei que financiaria mais de três quartos do governo federal, e uma paralisação parcial está prevista para começar após a meia-noite de sábado.
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Esperava-se que os senadores realizassem uma segunda votação sobre a revisão de um pacote de projetos, mas mesmo um resultado positivo ainda exigiria a aprovação pelos deputados na Câmara dos Representantes, que só retorna do recesso na segunda-feira — mais de dois dias após o prazo da noite de sexta-feira.
De acordo com as regras do Congresso, projetos de lei idênticos precisam ser aprovados tanto pela Câmara quanto pelo Senado para se tornarem lei.
Esta será a segunda paralisação do governo desde que Trump assumiu o cargo há um ano, embora houvesse grandes expectativas de que ela pudesse ser limitada ao fim de semana, ao contrário da paralisação recorde de 43 dias do verão passado.
Os democratas deixaram claro que pretendiam bloquear o pacote de seis projetos de lei, a menos que o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) fosse separado e renegociado para impor novas salvaguardas ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), a agência federal de aplicação da lei com maior financiamento.
– O que o ICE está fazendo é violência sancionada pelo Estado e isso precisa parar. E o Congresso tem a autoridade — e a obrigação moral — de agir – disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.
Schumer anunciou posteriormente que a Casa Branca havia concordado com uma estrutura temporária que atendia às demandas dos democratas sobre o projeto de lei do DHS, embora a mídia americana tenha relatado que a votação sobre o acordo havia sido adiada para sexta-feira.
Trump instou legisladores de ambos os partidos a apoiarem o acordo, apelando a um “voto bipartidário ‘SIM’, tão necessário”, numa publicação nas redes sociais em que apoiava a proposta.
Uma paralisação prolongada provavelmente colocaria centenas de milhares de funcionários federais em licença ou os forçaria a trabalhar sem receber, com a perturbação econômica a se espalhar muito além de Washington.
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O confronto foi alimentado pela indignação com a aplicação das leis de imigração, uma disputa com implicações políticas especialmente elevadas num ano de eleições, em que toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado estão em disputa.
Repressão agressiva à imigração
O ponto de ignição imediato ocorreu no sábado, em Minneapolis, onde Alex Pretti, um enfermeiro de cuidados intensivos que monitorizava e registava a operação de deportação de Trump, foi morto a tiro por agentes federais da fronteira.
O assassinato ocorreu apenas algumas semanas depois de outra ativista, Renee Good, ter sido morta a tiro por agentes de imigração a poucos quarteirões de distância.
As mortes destruíram o que parecia ser uma frágil trégua bipartidária de financiamento, redirecionando o debate no Congresso para a conduta dos agentes de imigração que atuam sob a repressão de Trump.
Os democratas afirmam estar preparados para aprovar imediatamente os cinco projetos de lei de gastos restantes, que abrangem diversos departamentos, incluindo defesa, saúde, educação, transporte e serviços financeiros.
Mas eles estão pedindo uma reformulação do projeto de lei do Departamento de Segurança Interna (DHS) para obrigar o fim das patrulhas itinerantes do ICE, requisitos mais rigorosos para mandados judiciais, um código universal de uso da força, a proibição do uso de máscaras por agentes, câmeras corporais obrigatórias e identificação visível.
Nenhum desses requisitos é abordado no acordo da Casa Branca, que, em vez disso, concede aos parlamentares duas semanas para reformular o projeto de lei de financiamento do Departamento de Segurança Interna antes que o próprio departamento enfrente uma paralisação.
Parlamentares de ambos os partidos alertaram que a interrupção do financiamento do DHS pode ter sérias consequências para agências como a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), enquanto o rigoroso inverno atinge grandes áreas do país.
O “czar da fronteira” de Donald Trump, Tom Homan, disse nessa quinta-feira que alguns agentes federais poderiam ser retirados de Minneapolis, a cidade do norte dos EUA que se tornou o ponto crítico da repressão à imigração promovida pelo presidente.
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O governo Trump, enfrentando uma reação pública negativa devido às mortes a tiros de dois americanos por agentes federais em Minneapolis, também flexibilizou as operações de imigração no estado do Maine, no nordeste do país.
Tom Homan, czar da fronteira do governo Trump
COTT OLSON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Tom Homan prometeu em uma coletiva de imprensa em Minneapolis continuar com a repressão à imigração na cidade, mas disse que mais cooperação poderia levar a uma redução no número de agentes federais no local.
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– Não estamos abandonando nossa missão. Estamos apenas fazendo isso de forma mais inteligente – disse Homan. – O presidente Trump quer que isso seja resolvido. E eu vou resolver.
Minneapolis tem sido palco de semanas de protestos contra a detenção de imigrantes por agentes federais mascarados e fortemente armados.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, falando em uma conferência de prefeitos dos EUA em Washington na quinta-feira, comparou a situação a uma “invasão”.
– Os direitos constitucionais das pessoas foram violados – disse ele. – A discriminação ocorre apenas com base em perguntas como ‘Você é somali?’, ‘Você é latino?’ ou ‘Você é do Sudeste Asiático?’. Não é assim que funcionamos na América.
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Trump realizou uma reunião de gabinete na quinta-feira, mas os distúrbios em Minnesota não foram mencionados enquanto os repórteres estavam presentes, e ele não convocou a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ao pedir que alguns funcionários se pronunciassem.
Trump enviou Homan a Minnesota para assumir o controle das operações de imigração no estado, com ordens para que se reportasse diretamente a ele, deixando Noem à margem, na prática.
Senado
A batalha política chegou ao Congresso, com uma possível paralisação do financiamento do governo no horizonte, depois que os democratas do Senado rejeitaram uma votação processual para expressar indignação com o assassinato dos dois manifestantes em Minnesota.
Os democratas prometeram bloquear a medida, a menos que o financiamento do Departamento de Segurança Interna seja renegociado para incluir salvaguardas para o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).
‘Melhorias’ necessárias
Homan adotou um tom conciliatório em sua primeira coletiva de imprensa, dizendo que “certas melhorias poderiam e deveriam ser feitas”, uma diferença marcante em relação ao comandante da Patrulha da Fronteira que chefiava a missão anteriormente e foi removido do cargo.
O chefe da fronteira pediu aos moradores de Minnesota que evitassem “discursos de ódio” contra agentes federais de imigração.
Homan afirmou que sua equipe estava “trabalhando em um plano de redução” do efetivo de alguns dos mais de 3 mil agentes federais que participam da “Operação Metro Surge”.
Uma dessas medidas, por exemplo, seria notificar os agentes do ICE sobre as datas de soltura de imigrantes detidos considerados “riscos criminais à segurança pública”, para que possam ser detidos pela agência, disse ele.
– Essa é uma cooperação de bom senso que nos permite reduzir o número de pessoas que temos aqui.
Steven Gagner, um designer de joias de 41 anos e “observador cidadão” em Minneapolis, mostrou-se cético quanto à redução do efetivo.
– Esta administração provou repetidamente que simplesmente mente para nós e não se responsabiliza, nem responsabiliza ninguém – disse ele à AFP.
Aviso de conduta
Os dois agentes envolvidos no tiroteio de sábado foram afastados de suas funções, e Homan afirmou que qualquer agente federal que violar os padrões de conduta “será punido”.
Trump se esforçou para conter a indignação causada pelos assassinatos de Good e Pretti, afirmando no início desta semana que queria “diminuir um pouco a tensão” em Minneapolis.
Mas o presidente republicano não diminuiu seus ataques à congressista Ilhan Omar, nascida na Somália e naturalizada de Minnesota, chegando ao ponto de sugerir que ela pode ter forjado um ataque na terça-feira, quando um homem a atingiu com um líquido enquanto ela discursava.
O homem, Anthony Kazmierczak, enfrenta acusações de agressão nos âmbitos estadual e federal por usar uma seringa para borrifar o que parecia ser vinagre de maçã na representante democrata.
Três ladrões roubaram malas contendo US$ 2,7 milhões em dinheiro, em uma rua movimentada no centro de Tóquio, informaram a polícia e a mídia local nesta sexta-feira. O crime é considerado incomum na capital japonesa, famosa por sua segurança.
No roubo, os ladrões usaram spray de pimenta para se apoderarem do dinheiro, por volta das 21h30 (hora local) da quinta-feira, perto da Estação Ueno, uma área muito popular entre os turistas, disse uma porta-voz da polícia da capital à AFP, sob condição de anonimato.
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A porta-voz se recusou a fornecer mais detalhes, mas a mídia japonesa relata que as vítimas eram cinco cidadãos chineses e japoneses que tentavam colocar malas contendo aproximadamente 420 milhões de ienes (US$ 2,7 milhões) em um veículo.
Ainda não está claro por que o grupo carregava uma quantia tão grande de dinheiro.
A Fuji Television informou que as vítimas disseram aos investigadores que o dinheiro era destinado a casas de câmbio.
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Em um incidente separado, um homem que carregava 190 milhões de ienes (US$ 1,2 milhão) em dinheiro também foi atacado com spray de pimenta por três homens na madrugada de sexta-feira, em um estacionamento do Aeroporto de Haneda, em Tóquio, segundo relatos da mídia.
A polícia está investigando a ligação entre os dois ataques, informou a TBS.

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