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Um antigo laboratório do Ministério da Defesa do Reino Unido, onde foram conduzidas as primeiras pesquisas que levaram à bomba atômica britânica, começou a ser demolido para dar lugar a um grande empreendimento habitacional. Localizado em Fort Halstead, no condado de Kent, o complexo passa por um processo de limpeza e reurbanização que deve se estender por mais de seis anos e abrir caminho para a construção de 635 novas casas.
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Segundo o site Kent Online, as escavadeiras já entraram em ação após anos de planejamento para a revitalização da área, que abrigou instalações do Ministério da Defesa e da empresa de tecnologia QinetiQ. Apesar do início das obras, a demolição do vasto conjunto de prédios ainda não foi concluída.
De fortificação militar a centro científico estratégico
Criado no fim do século XIX, o Fort Halstead ganhou relevância nacional no início do século XX, quando passou a sediar laboratórios dedicados à análise de munições e ao desenvolvimento de armamentos cada vez mais sofisticados. Na década de 1930, esteve envolvido em pesquisas sobre foguetes e mísseis antiaéreos e, no pós-guerra, contribuiu para os primeiros estudos britânicos sobre armas nucleares, no final dos anos 1940.
Nas décadas mais recentes, o local funcionou como um centro de ciência e tecnologia de defesa altamente protegido, conhecido por sua atuação em explosivos forenses. Especialistas do Fort Halstead analisaram evidências de grandes atentados, como o ataque ao voo 103 da Pan Am, em Lockerbie, em 1988, e os ataques ao metrô de Londres, em 2005.
Em seu auge, o complexo chegou a empregar mais de 1.300 pessoas. Agora, após anos de pesquisa mantida sob sigilo, inicia uma transição gradual para um novo uso civil.
William Walsh, diretor-geral da construtora Barratt David Wilson Kent, afirmou que não há motivo para preocupação por parte dos futuros moradores. Segundo ele, a empresa trabalha em conjunto com autoridades e prestadores de serviços para garantir que a área tenha infraestrutura adequada. Walsh disse ainda que o projeto buscará preservar a memória do local. “Estamos tentando incorporar a história daquilo que estamos herdando”, afirmou, citando a criação de roteiros históricos, a preservação de alguns edifícios e a instalação de um centro histórico.
A transformação de Fort Halstead ocorre em paralelo a outras reconversões de áreas militares no Reino Unido. A antiga base aérea da RAF Scampton, ligada aos Dambusters, também passa por demolições e deve receber habitações e usos comerciais. Em Bordon Garrison, grande parte da antiga cidade militar já foi substituída por milhares de novas casas, enquanto Catterick Garrison avança em planos de regeneração de longo prazo, com a remoção de terrenos e edifícios excedentes.
Jasmin, 36 anos, e Elizabeth Ramos, 38, foram encontradas vivas e bem em agosto de 2024 no Condado de Ventura, Califórnia, vivendo sob nomes diferentes. As irmãs haviam sido acolhidas por pais adotivos que não tinham conhecimento do desaparecimento, após serem abandonadas em um parque em Oxnard dois dias depois da morte da mãe, Marina Ramos.
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Marina Ramos foi assassinada em 12 de dezembro de 1989, esfaqueada e deixada nua no deserto do Condado de Mohave, cerca de 80 quilômetros ao sul de Las Vegas. Na época, os esforços para identificar a vítima ou localizar suspeitos foram infrutíferos. Em fevereiro de 2022, a Unidade de Investigações Especiais (SIU) recuperou impressões digitais da vítima e as enviou ao NamUs e ao FBI, que confirmaram a correspondência com Maria Ortiz, um pseudônimo usado por Marina.
Após identificar a mãe, os detetives iniciaram a busca pelas filhas, que estavam sob sua guarda no momento do crime. Durante dois anos, a SIU divulgou comunicados de imprensa, postagens em redes sociais e entrevistas em televisão pedindo informações sobre as meninas desaparecidas. Familiares forneceram amostras de DNA que foram inseridas no CODIS e analisadas por genealogistas forenses.
Abandono e adoção das meninas
Investigadores descobriram que Jasmin e Elizabeth foram deixadas em um banheiro feminino de um parque em Oxnard em 14 de dezembro de 1989. Uma testemunha ouviu crianças chorando e alertou outra mulher, que encontrou as meninas deitadas no chão molhado, sem nenhum adulto por perto. As crianças foram levadas à delegacia e colocadas sob a custódia do Serviço de Proteção à Criança, antes de serem adotadas por um casal no Condado de Ventura.
Em 27 de agosto de 2025, a análise de DNA confirmou que as mulheres localizadas eram, de fato, Jasmin e Elizabeth. Durante conversas com os investigadores, as irmãs detalharam que foram abandonadas no parque e compartilharam artigos de jornal e fotos do incidente, corroborando a história.
Embora as filhas tenham sido localizadas, a investigação sobre os suspeitos do homicídio de Marina continua. Testemunhas relataram ter visto uma mulher e dois homens com as crianças no parque, dirigindo uma mini caminhonete preta. O Gabinete do Xerife do Condado de Mohave reforça que qualquer informação relevante deve ser comunicada.
O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira fotografias inéditas que mostram o corpo de Jeffrey Epstein sem camisa, vestido apenas com calças laranja de presidiário, com a mandíbula amarrada após a morte e sinais visíveis de ferimentos no pescoço.
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Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça contêm mais de 20 fotos do corpo do financista acusado de tráfico sexual e pedofilia, encontrado em sua cela em uma prisão de Nova York. O tribunal considerou a morte um suicídio, mas, mesmo assim, proliferaram teorias da conspiração em torno dela.
As imagens são chocantes e mostram Epstein deitado em uma maca enquanto outra pessoa usando luvas cirúrgicas pressiona seu peito numa aparente tentativa de reanimá-lo.
Essas imagens estão entre os milhões de documentos divulgados na última sexta-feira pelo Departamento de Justiça dos EUA, na mais recente liberação dos arquivos de Epstein.
Entre os arquivos está o documento contendo o último testamento do ex-financista, assinado dois dias antes de sua morte. Epstein queria que toda a sua fortuna, aproximadamente US$ 100 milhões, fosse para sua então namorada, Karyna Shuliak, a quem ele também planejava dar um diamante de 33 quilates.
O arquivo, chamado “1953 Trust”, em referência ao seu ano de nascimento, menciona outras 40 pessoas como possíveis beneficiárias de sua fortuna.
Tentativa de ressuscitar Epstein
Reprodução/BBC
O milionário condenado por crimes sexuais foi encontrado morto em sua cela em 10 de agosto de 2019. Ele estava detido no Centro Correcional Metropolitano de Nova York, acusado de tráfico sexual e conspiração para julgamento.
O relatório recém-divulgado pelo FBI, intitulado “Investigação sobre a Morte de Jeffrey Epstein “, parece ser uma investigação conduzida pelo escritório da agência em Nova York. O relatório de 23 páginas está marcado como “não classificado” em todas as páginas.
Os documentos sem censura, analisados ​​pela BBC Verify, que optou por não exibir as fotos em detalhes, mostram closes do pescoço de Epstein e sinais visíveis de ferimentos. Eles também contêm dados da autópsia e um relatório psicológico sobre sua saúde mental nos dias que antecederam seu suicídio.
Diversas fotos mostram Epstein deitado em uma maca enquanto paramédicos tentam reanimá-lo. Elas são datadas de 10 de agosto de 2019 e correspondem às 6h49 da manhã, horário local, cerca de 16 minutos depois de ele ter sido encontrado inconsciente em sua cela. O local onde as fotos foram tiradas é desconhecido, mas Epstein foi levado a um hospital próximo às 6h39 da manhã, onde foi declarado morto, o que sugere que as fotos foram tiradas lá.
Outras três fotos contêm anotações indicando que foram tiradas em um hospital. Elas mostram um close de seu rosto e uma lesão visível em seu pescoço. O nome de Epstein aparece em todas as fotos, mas seu primeiro nome está grafado incorretamente como “Jeffery” em vez de “Jeffrey” em algumas imagens.
A BBC Verify realizou buscas reversas de imagens das fotos recentemente divulgadas do corpo de Epstein e não encontrou nenhuma versão anterior publicada online antes de 30 de janeiro. Material adicional corroborando o caso também foi encontrado nos arquivos, incluindo um relatório de autópsia de 89 páginas sobre Epstein, arquivado pelo Departamento de Justiça e pelo Gabinete do Médico Legista Chefe (OCME) em Nova York, e e-mails do escritório do FBI em Nova York contendo as mesmas imagens editadas.
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Partes do relatório da autópsia de Epstein, elaborado pelo OCME (Escritório do Médico Legista Chefe), também constam no relatório, incluindo exames de imagem que mostram duas fraturas na cartilagem tireoide do pescoço de Epstein.
O relatório do FBI inclui um cronograma de seis páginas sobre a detenção de Epstein no Centro Correcional Metropolitano de Nova York, desde sua prisão por acusações federais de tráfico sexual em 6 de julho de 2019 até sua morte.
O documento revela que Epstein foi colocado sob vigilância para prevenção de suicídio após uma tentativa de suicídio em 23 de julho de 2019. Epstein acusou seu companheiro de cela, Nicholas Tartaglione, um ex-policial acusado de assassinato, de tentar matá-lo naquela ocasião.
Em uma consulta com um psicólogo no dia seguinte, Epstein afirmou que não tinha interesse em cometer suicídio e que seria uma loucura tirar a própria vida, segundo o documento. Em 25 de julho, ele declarou que estava “muito empenhado em lutar pelo meu caso; tenho uma vida e quero vivê-la novamente”, de acordo com o relatório do psicólogo.
Outros documentos divulgados pelo Departamento de Justiça mostram que o diretor da prisão havia desaconselhado manter Epstein sozinho e enfatizado a necessidade de “verificações a cada 30 minutos” em sua cela e “rondas sem aviso prévio”.
O companheiro de cela de Epstein foi liberto um dia antes de sua morte. Na noite de 9 de agosto, os guardas prisionais também não realizaram as rondas programadas para as 3h e 5h da manhã, de acordo com os registros da prisão, e o sistema de câmeras da unidade também estava fora de serviço. Seu corpo foi descoberto durante uma ronda matinal realizada por funcionários.
Uma segunda versão, editada do mesmo relatório do FBI, com apenas 17 páginas, também foi divulgada como parte dos arquivos de Epstein. Ela não inclui o relatório do psicólogo nem a cronologia da prisão, e as imagens no arquivo foram censuradas. Não está claro por que ambas as versões, editada e não editada, do relatório foram incluídas nos arquivos.
O líder chinês Xi Jinping afirmou que Taiwan é “a questão mais importante” nas relações entre a China e os Estados Unidos durante uma conversa telefônica com o presidente americano Donald Trump, realizada neste quarta-feira. Segundo a mídia estatal chinesa, Xi pediu que Washington aja com “prudência” no fornecimento de armas à ilha autogovernada.
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De acordo com os relatos oficiais, o presidente chinês disse atribuir “grande importância” aos laços com os EUA e manifestou a expectativa de que os dois países encontrem caminhos para administrar suas divergências. Trump classificou a ligação como “excelente”, “longa e minuciosa”, em publicação nas redes sociais.
A conversa ocorre após uma série de visitas de líderes ocidentais à China nos últimos meses, em meio a esforços para redefinir a relação com a segunda maior economia do mundo. O próprio Trump afirmou que deve viajar a Peququim em abril, visita que disse “aguardar com muita expectativa”.
No plano comercial, o presidente americano afirmou que Pequim avalia comprar 20 milhões de toneladas de soja dos EUA, acima das atuais 12 milhões. “A relação com a China, e a minha relação pessoal com o presidente Xi, é extremamente boa, e ambos reconhecemos a importância de mantê-la assim”, escreveu Trump.
Além de Taiwan, os dois líderes discutiram a guerra da Rússia na Ucrânia, a situação no Irã e a compra de petróleo e gás americanos pela China, segundo Trump.
Sobre Taiwan, Xi reiterou a posição de Pequim de que a ilha é “território da China” e que o país “deve salvaguardar a soberania e a integridade territorial”. “Os Estados Unidos devem lidar com a questão da venda de armas para Taiwan com prudência”, alertou. A China promete há décadas a “reunificação” com a ilha e não descarta o uso da força.
Os EUA mantêm relações diplomáticas formais com Pequim, e não com Taiwan, mas seguem como principal aliado e maior fornecedor de armas da ilha. Em dezembro, o governo Trump anunciou uma venda de armamentos a Taiwan estimada em US$ 11 bilhões, incluindo lançadores de foguetes avançados, obuses autopropulsados e mísseis. À época, Pequim afirmou que a medida “aceleraria a escalada rumo a uma situação perigosa e violenta no Estreito de Taiwan”.
“Assim como os Estados Unidos têm suas preocupações, a China também tem as suas”, disse Xi a Trump. “Se ambos os lados trabalharem na mesma direção, com espírito de igualdade, respeito e benefício mútuo, certamente encontraremos maneiras de abordar as preocupações um do outro.”
Em Taipé, o líder taiwanês Lai Ching-te afirmou na quinta-feira que as relações com os EUA permanecem “sólidas como uma rocha” e que “todos os projetos de cooperação em andamento continuam”.
A polícia de Queensland, na Austrália, investiga um homem de 27 anos suspeito de cometer uma série de crimes de abuso infantil no ambiente digital. Segundo os investigadores, ele “visava ativamente” crianças por meio de redes sociais e plataformas de jogos online, numa atuação descrita como deliberada para localizar vítimas.
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As autoridades afirmam que o suspeito responde por centenas de crimes ligados ao abuso infantil envolvendo 459 vítimas na Austrália e em outros 15 países. Preso desde fevereiro do ano passado, ele teve dispositivos eletrônicos analisados pela polícia, que encontrou mais de 23 mil imagens e vídeos relacionados ao suposto abuso. O material embasou a formalização de 596 acusações criminais.
O conjunto de arquivos tornou o trabalho de identificação das vítimas mais demorado, exigindo “tempo, habilidade e dedicação”, explicou o detetive superintendente interino Denzil Clark à rede BBC. Até o ponto mais recente citado na investigação, 360 vítimas haviam sido identificadas, mais de 200 delas na Austrália. As demais estão sobretudo em países de língua inglesa. A maioria das vítimas é formada por meninos com idades entre 7 e 15 anos.
A polícia mantém cooperação com autoridades estrangeiras para localizar todas as vítimas e “garantir que recebam o apoio adequado”. O detetive Clark também chamou atenção para uma “crescente prevalência de crianças sendo aliciadas, coagidas ou ameaçadas a tirar e enviar imagens sexuais de si mesmas, muitas vezes por meio de aplicativos populares, jogos e redes sociais”.
— O trauma que isso causa a uma criança é significativo — explica.
Plataformas ‘populares’
Ao falar com jornalistas, o agente não divulgou os nomes das plataformas usadas pelo suspeito, afirmando apenas que eram “muito populares”. Segundo ele, todos os crimes ocorreram exclusivamente online, e outras pessoas também são investigadas.
De acordo com a polícia, o homem teria atuado entre 2018 e 2025, criando múltiplos perfis falsos e se passando por homens e mulheres para enganar as vítimas. Ele registrava as interações e recorria a “aliciamento e coerção” para forçar o envio de material sexual explícito, armazenado depois de forma organizada, “meticulosamente”, em “pastas nomeadas”.
Entre as acusações formais estão crimes relacionados ao uso de serviços de telecomunicações, como produção de material de abuso infantil, atração de menores de 16 anos e envolvimento em atividade sexual com criança por meios digitais, somando centenas de ocorrências em cada categoria.
O acusado deveria comparecer ao tribunal na quinta-feira, etapa inicial do processo que vai definir o andamento das acusações.
Um grupo de japoneses sobreviventes ao lançamento da bomba atômica afirmou, nesta quinta-feira, temer que o mundo caminhe rumo a uma guerra nuclear após a expiração do tratado de não proliferação entre Estados Unidos e Rússia.
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O tratado Novo Start expirou às 00h00 GMT de 5 de fevereiro, depois que o presidente americano, Donald Trump, não deu seguimento à proposta de seu homólogo russo, Vladimir Putin, de prorrogar por um ano os termos do acordo.
Terumi Tanaka, copresidente da Nihon Hidankyo — organização que reúne sobreviventes dos bombardeios nucleares de 1945 contra Hiroshima e Nagasaki —, afirmou que o mundo não tem consciência de quão urgente é o tema. O grupo pacifista ao qual Tanaka pertence recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2024.
— Dada a situação atual, tenho a impressão de que, em um futuro não muito distante, teremos uma guerra nuclear e avançaremos rumo à destruição — declarou Tanaka em entrevista coletiva, ao lado de outros ativistas.
O homem, de 93 anos, disse temer que os habitantes dos países com armas nucleares talvez não estejam refletindo o suficiente sobre o arsenal que suas nações possuem.
— Talvez até vejam isso como uma prova de que têm grande poder. Isso é um enorme erro — advertiu.
Os Estados Unidos lançaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, onde Tanaka vivia, em agosto de 1945. Pouco depois, o Japão capitulou, encerrando a Segunda Guerra Mundial.
Cerca de 140 mil pessoas morreram em Hiroshima e outras 74 mil em Nagasaki, muitas delas em decorrência da exposição à radiação nuclear. Foi a única vez em que armas atômicas foram utilizadas em um conflito armado.
Ativistas de diferentes países alertam que o fim do tratado Novo Start pode resultar em uma nova corrida armamentista entre as principais potências nucleares e incentivar a China a expandir seu arsenal. Washington sustenta que qualquer novo acordo deveria incluir Pequim.
O cientista indiano-americano Veerabhadran Ramanathan, um dos nomes centrais da climatologia moderna, foi escolhido pela Real Academia Sueca de Ciências como vencedor do Prêmio Crafoord, uma das mais altas distinções científicas do mundo. A honraria reconhece pesquisas que ampliaram de forma decisiva a compreensão sobre o aquecimento global e a composição da atmosfera, segundo informou a instituição nesta quinta-feira. O prêmio é acompanhado de 8 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 900 mil.
Ramanathan ganhou projeção internacional ainda na década de 1970, quando, como jovem pesquisador visitante da Nasa, identificou que os clorofluorcarbonos (CFCs), amplamente usados à época em refrigeradores, aparelhos de ar-condicionado e aerossóis, tinham um efeito estufa extremamente potente. Seus cálculos indicavam que uma única molécula de CFC poderia aquecer a atmosfera tanto quanto até 10 mil moléculas de dióxido de carbono. O estudo foi publicado na revista Science e ganhou destaque no The New York Times em 1975, abrindo uma nova frente na ciência climática.
Um cientista “acidental” do clima
Formado em engenharia na Índia e doutor pela Universidade Estadual de Nova York, Ramanathan afirma que sua trajetória foi marcada por “acidentes felizes” que o levaram a conectar áreas distintas do conhecimento. Antes de se dedicar à climatologia, trabalhou em uma empresa de refrigeração e estudou o efeito estufa em Vênus, experiências que mais tarde se mostrariam decisivas para suas descobertas na Terra.
Ao longo dos anos 1980, ele ajudou a demonstrar que gases-traço, como metano e óxido nitroso, eram tão relevantes quanto o CO₂ para o aquecimento global de longo prazo. Esse entendimento foi fundamental para embasar políticas climáticas, como o Protocolo de Montreal, que baniu os CFCs em 1987. Um estudo publicado na revista Nature em 2021 estimou que, sem essa proibição, o planeta poderia ter aquecido até 1 grau Celsius adicional.
Professor da Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, Ramanathan também liderou pesquisas com satélites, balões e drones, confirmando observações diretas sobre o papel das nuvens, do vapor d’água e da poluição atmosférica no clima. Segundo Ilona Riipinen, integrante do comitê do Crafoord, seu trabalho “ampliou nossa visão de como a humanidade afeta a atmosfera, o clima e a qualidade do ar, e de como esses fatores interagem”.
Aos 81 anos, Ramanathan segue ativo no debate público e científico. Membro da Pontifícia Academia das Ciências desde 2012, ele assessorou três papas em questões climáticas e costuma enfatizar que a crise ambiental atinge de forma desproporcional os mais pobres. Em declarações recentes, disse que prefere estimular o engajamento político e a defesa de decisões baseadas em dados científicos, mais do que focar apenas em ações individuais.
Pelo menos cinco erupções solares de grande porte foram registradas em um intervalo inferior a três dias por satélites da Nasa, num episódio considerado incomum pela intensidade e frequência. As explosões, todas classificadas como classe X — o nível mais alto na escala de erupções solares — tiveram origem na região ativa AR 4366, uma extensa mancha solar que segue em intensa atividade.
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Desde o domingo (1º), foram observados cinco grandes clarões: o primeiro de classe X1.0, seguido por um evento mais intenso, classificado como X8.1, além de erupções X2.8 e X1.6. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), a explosão X8.1 provocou a ejeção de material solar que deve alcançar a Terra entre quinta-feira (5) e sexta-feira (6), com impactos previstos como leves.
Imagem da Nasa mostra a região ativa 4366, mancha no Sol onde ocorreram as erupções
Divulgação/Nasa
Mancha solar segue ativa e sob monitoramento
Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a mancha solar AR 4366 tem cerca de dez vezes o tamanho da Terra e é a responsável por todas as erupções recentes. Desde que surgiu, em 30 de janeiro, a região já produziu 21 erupções de classe C, 38 de classe M e cinco de classe X, o que reforça o estado elevado de atividade.
A Nasa alerta que erupções solares podem afetar comunicações de rádio, redes elétricas, sistemas de navegação e representar riscos para astronautas em missão. Entre os efeitos visíveis na Terra, também estão auroras boreais mais intensas, especialmente em latitudes elevadas.
As erupções solares fazem parte do comportamento natural do Sol, que passa por ciclos de atividade magnética com duração média de 11 anos. Durante os períodos mais ativos, tornam-se mais frequentes fenômenos como manchas solares e explosões energéticas. Embora comuns ao longo do ano, sequências de erupções fortes da classe X em poucos dias são raramente observadas.
Na classificação usada pelos cientistas, as erupções variam das classes A e B, de menor intensidade, passando pelas classes C e M, até a classe X, a mais severa. Essas últimas têm maior potencial de interferência em satélites em órbita da Terra e em sistemas tecnológicos sensíveis, razão pela qual episódios como o atual são acompanhados de perto por agências espaciais e centros de monitoramento climático espacial.
Quem nunca sonhou em voar — e quem não temeu a queda? No início do século XX, quando a aviação engatinhava entre recordes e funerais, até onde iria a obstinação de um inventor para salvar vidas? E o que separa coragem de imprudência quando a ciência ainda aprende a medir o ar? Essas perguntas atravessam a curta e marcante trajetória de Franz Reichelt, o alfaiate que saltou da Torre Eiffel certo de que seu traje abriria asas.
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Reichelt buscava evitar mortes de aviadores em acidentes, comuns numa era em que balões, dirigíveis e os primeiros aviões disputavam espaço nas manchetes com suas tragédias. Alfaiate de formação, nascido em 1878 na então Boêmia e radicado em Paris desde 1898, ele construiu uma carreira estável na Rue Gaillon antes de se lançar a uma missão improvável: criar um paraquedas vestível a partir de tecidos, hastes e borracha. Naturalizado francês em 1909, passou a assinar François Reichelt e a dedicar-se quase exclusivamente ao projeto.
O traje de paraquedas
Em 1910, surgiram os primeiros testes do chamado traje-paraquedas. Manequins lançados de pequenas alturas pareciam descer com alguma suavidade, mas a integração do sistema a uma roupa completa revelou falhas: peso excessivo, área de tecido insuficiente e abertura instável. Técnicos da Ligue Aérienne, ligada ao Aéro-Club de France, analisaram o projeto e foram taxativos ao apontar a fragilidade do conjunto e a falta de segurança, recomendando o abandono da ideia. Reichelt discordou, especialmente diante de um prêmio então oferecido para um paraquedas de emergência leve — meta que ele acreditava poder alcançar.
Entre 1908 e 1912, enquanto acidentes fatais se acumulavam e nomes como o do militar Thomas Selfridge chocavam o público, Reichelt persistiu sozinho, testando manequins e atribuindo os fracassos à baixa altura. Em 1911, chegou a experimentar o dispositivo em si mesmo a poucos metros do solo, ferindo-se, mas manteve a convicção de que faltava apenas altura suficiente.
A autorização veio em 1912. A Prefeitura de Polícia de Paris permitiu testes na Torre Eiffel — tradicional laboratório de alta altitude — com uma condição explícita: apenas manequins. O próprio prefeito, Louis Lépine, afirmou depois que um salto humano jamais seria autorizado. Reichelt aceitou formalmente, mas, ao chegar ao local, decidiu testar o traje no próprio corpo.
Na manhã gelada de 4 de fevereiro de 1912, diante de jornalistas, curiosos e cinegrafistas, ele vestiu o traje e assegurou que o sistema se abriria ao estender os braços. Alertado por amigos e técnicos de que a altura da primeira plataforma não permitiria a abertura adequada, recusou medidas adicionais. Às 8h22, a 57 metros do chão, saltou. O traje não abriu. Reichelt morreu no impacto, e o episódio foi filmado e publicado nos jornais no dia seguinte.
A repercussão dividiu opiniões: houve quem o chamasse de gênio incompreendido e quem o visse como inventor imprudente. Não se falou em suicídio; mencionaram-se, sim, a pressão por resultados, investidores e patentes prestes a vencer. Após o acidente, as autoridades endureceram as regras para experimentos na Torre Eiffel, restringindo-os por anos a manequins. Reichelt entrou para a história não como pioneiro celebrado da aviação, mas como símbolo de uma fé absoluta na invenção — a linha tênue entre salvar vidas e arriscar a própria.
O que restou da maior erupção vulcânica já registrada? Até onde seus efeitos alcançaram? E por quanto tempo o planeta carrega essas marcas? Durante milhões de anos, as respostas ficaram soterradas no fundo do Oceano Pacífico. Agora, cientistas mostram que o evento foi capaz de alterar profundamente a placa oceânica sob o Planalto de Ontong Java, revelando impactos em escala global que vão além da superfície.
Formado entre 110 e 120 milhões de anos atrás, o Planalto de Ontong Java surgiu a partir de erupções submarinas tão intensas que liberaram volumes gigantescos de magma, alteraram o equilíbrio ambiental do planeta e estão associados a episódios de extinção em massa. O novo estudo indica que esse vulcanismo extremo não apenas construiu uma das maiores estruturas oceânicas do mundo, como também modificou a estrutura e a composição da placa oceânica subjacente.
Uma placa com cicatrizes profundas
“As placas oceânicas podem sofrer modificações físico-químicas significativas devido à atividade vulcânica em larga escala”, afirma a professora Azusa Shito, da Universidade de Ciências de Okayama, que liderou a pesquisa ao lado de Akira Ishikawa, do Instituto de Ciências de Tóquio, e Masako Yoshikawa, da Universidade de Hiroshima. Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters, em setembro de 2025.
A descoberta veio da análise de ondas sísmicas de alta frequência, conhecidas como ondas Po e So, registradas por sismógrafos instalados no fundo do oceano e em ilhas próximas. Enquanto as ondas Po se propagaram normalmente, as ondas So apresentaram uma atenuação incomum sob o planalto, sinalizando alterações estruturais na placa oceânica, segundo a equipe.
Modelos sísmicos revelaram uma arquitetura interna formada por camadas horizontais cortadas por enxames de diques intrusivos. Essas estruturas se originaram quando magma ascendeu a partir de uma pluma termoquímica no manto profundo, forçando sua passagem pela litosfera e alterando suas propriedades físicas e químicas. O processo levou à chamada “refertilização” da placa, com a reintrodução de componentes fundidos em um manto anteriormente empobrecido.
Os cientistas também identificaram velocidades sísmicas significativamente menores sob o planalto em comparação com outras regiões oceânicas, outro indício de modificação profunda. Para os autores, o achado redefine a história do Ontong Java e oferece um novo modelo para entender como grandes eventos vulcânicos podem remodelar a crosta terrestre. “Nossos resultados aprimoram a compreensão da formação e da alteração da litosfera sob o impacto de vulcanismo em grande escala”, conclui Shito.

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