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Cinco passageiros de cidadania norte-americana foram presos em um navio de cruzeiro nas Bahamas após se envolverem em mais de um episódio de brigas. Três mulheres e dois homens foram detidos na última segunda-feira (8) “por várias infrações após um incidente no Porto de Cruzeiros de Nassau”, informou a Força Policial Real das Bahamas em comunicado emitido no dia seguinte.
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O navio seguiu viagem dos Estados Unidos para as Bahamas no início desta semana. A bordo, os cinco acusados se envolveram em uma briga com vários passageiros. Ao atracar no porto de Nassau, capital das Bahamas, a polícia foi acionada na noite de segunda-feira.
Levados para a delegacia, os cinco americanos se envolveram em uma “luta violenta” após os policiais se prepararem para revistá-los, relataram as autoridades locais em comunicado. Ainda segundo a nota divulgada, uma das mulheres foi acusada de atirar uma cadeira contra uma porta de vidro. Um homem teria chutado os cacos de vidro e tentado fugir.
Na briga, quatro policiais ficaram feridos, um deles com ferimentos graves no ombro esquerdo, tendo sido levado para o hospital, segundo as autoridades. Dois foram atingidos no corpo, e outro sofreu um corte na boca.
“Unidades policiais adicionais foram solicitadas para ajudar a restaurar a ordem”, diz um trecho da nota.
Os cinco americanos permanecem sob custódia e estão sendo investigados por briga em local público, resistência à prisão, agressão a policial, danos maliciosos e comportamento desordeiro em delegacia, destacou o site People.
Não foram divulgadas informações como as identidades dos envolvidos, em qual navio de cruzeiro estavam e qual a companhia responsável pela viagem.
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O Papa Leão XIV denunciou, nesta quinta-feira, a “indiferença” com os imigrantes que são explorados ou morrem no mar tentando chegar à Europa, em uma comovente homenagem no porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, um símbolo da crise migratória. Na etapa final e politicamente significativa de sua visita à Espanha, o Pontífice lançou um buquê de flores ao mar em memória dos milhares que morreram na perigosa rota atlântica para as Canárias, um arquipélago espanhol localizado na costa noroeste da África.
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O Papa Leão XIV, acompanhado por dois migrantes, lança uma coroa de flores ao mar em homenagem a todos os migrantes que morreram durante suas jornadas, no porto de Arguineguín, na ilha de Gran Canaria, no arquipélago das Canárias, local acostumado à chegada de migrantes, em 11 de junho de 2026
STEFANO RELLANDINI / AFP
— Hoje existem monstros que espreitam esses mares: máfias que traficam o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento — disse o Papa, de 70 anos, em seu discurso.
Defensor do acolhimento dos imigrantes, Leão XIV enviou uma mensagem à Europa.
— Não pode proclamar a dignidade humana e se acostumar com o Mediterrâneo e o Atlântico sendo cemitérios sem lápides.
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Mas ele também pediu “reflexão por parte dos países de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento”, e por parte dos “países de trânsito, que são chamados a proteger e não abandonar os vulneráveis às redes criminosas”.
No ano passado, quase 1.200 migrantes morreram ou desapareceram na rota para as Ilhas Canárias, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
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Desejo de Francisco
Em Arguineguín, porto de entrada para migrantes que chegam em suas embarcações precárias à ilha de Gran Canaria, Leão XIV realizou o desejo de seu antecessor, o Papa Francisco, o Pontífice argentino que morreu sem conseguir fazer a travessia até o arquipélago, um dos principais pontos de entrada para a Europa.
— Eu tinha que escolher. Viver sofrendo ou atravessar e arriscar tudo. Morrer tentando ou ficar e não ter nada. Escolhi atravessar (…) Durante a travessia, engravidei de um mafioso. Quando cheguei à Espanha, tiraram meu bebê de mim para me obrigar à prostituição — foi um dos testemunhos que o Papa ouviu, neste caso de uma nigeriana vítima de tráfico humano.
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Mohamed Amjahdi, que chegou há 20 anos procedente do Marrocos e atualmente é membro da Comissão Islâmica Espanhola, disse à AFP que o trabalho da Igreja Católica com os imigrantes é “sem distinção, sejam cristãos, brancos, todos recebem o mesmo”.
— Aqui estão pessoas resgatadas do mar e corpos sem vida retirados das águas — continuou Leão XIV, acompanhado pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, entre outros 1.800 convidados, em sua maioria imigrantes e socorristas.
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Os imigrantes podem ser “despojados de quase tudo, mas nunca de sua dignidade”, e possuem “sonhos que ninguém tem o direito de desprezar”, prosseguiu o líder espiritual de 1,4 bilhão de católicos em todo o mundo.
“Doca da esperança”
Em 2024, um ano recorde, mais de 46 mil pessoas enfrentaram o mar em barcaças precárias e chegaram a estas ilhas.
Desde então, as chegadas diminuíram (17.788 em 2025), em grande parte devido à cooperação de Espanha e da União Europeia com os países de onde partem os migrantes.
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Arguineguín era conhecido como o “porto da vergonha” devido à superlotação de milhares de imigrantes no auge de suas chegadas. O evento com o Papa procurou rebatizá-lo de “doca da esperança”, segundo os organizadores.
O Papa Leão XIV (2º à direita) ouve o discurso de um capitão do serviço espanhol de Salvamento Marítimo durante um encontro com organizações que trabalham com migrantes no porto de Arguineguín, na ilha de Gran Canaria, no arquipélago das Canárias, local acostumado à chegada de embarcações de migrantes, em 11 de junho de 2026
STEFANO RELLANDINI / AFP
Em um momento de endurecimento das políticas de acolhimento de imigrantes em muitos países, com poucas exceções como Espanha, Leão XIV já se referiu a esta questão na segunda-feira no seu discurso perante o Parlamento em Madri.
— É essencial uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração (aos imigrantes) — afirmou.
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A quinta-feira é o penúltimo dia da viagem do Papa à Espanha, uma visita que desde sábado o levou a Madri, Barcelona e Gran Canaria. Termina na sexta-feira em outra ilha do arquipélago, Tenerife, onde também visitará um centro de imigrantes.
Um possível incidente envolvendo material perigoso levou o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a isolar vários andares e corredores do edifício nesta quinta-feira. Algumas áreas também passaram por evacuação parcial enquanto equipes especializadas atuavam para identificar a natureza do problema.
As primeiras informações sobre o caso foram divulgadas por três fontes com conhecimento da ocorrência e pelo Corpo de Bombeiros local. Até o momento, não há registro de vítimas.
Segundo Sean Parnell, porta-voz do Pentágono, sistemas internos do complexo detectaram uma alteração relacionada à qualidade do ar, o que motivou a adoção de protocolos preventivos.
“Os sistemas do Pentágono detectaram um problema na qualidade do ar que exige medidas preventivas até que possamos determinar sua relevância” confirmou à CNN.
De acordo com Parnell, o Departamento de Defesa ativou medidas padrão de proteção para preservar a segurança dos ocupantes do edifício.
“O Departamento está executando protocolos padrão de proteção, incluindo uma ordem para que as pessoas permaneçam nos locais onde estão na área afetada. Equipes de resposta estão posicionadas e prontas para apoiar os ocupantes do edifício”, disse.
Andares e corredores foram isolados
Segundo duas das fontes ouvidas pela imprensa americana, as restrições atingiram do segundo ao quinto pavimento do Pentágono, além dos corredores quatro a sete do complexo. Uma terceira fonte relatou à CNN que agentes de segurança que atuavam dentro do edifício utilizavam máscaras de gás e equipamentos completos de proteção química durante a resposta à ocorrência.
A equipe especializada em materiais perigosos da Agência de Proteção do Pentágono assumiu a condução dos trabalhos, com apoio do Corpo de Bombeiros do Condado de Arlington. Jamie Jill, capitão e porta-voz da corporação, confirmou que os bombeiros estavam auxiliando as equipes do Departamento de Defesa.
Em publicação nas redes sociais, o serviço de bombeiros e emergência de Arlington informou que sua unidade especializada em materiais perigosos atuava no Pentágono “durante um incidente com materiais perigosos”.
Testes adicionais devem durar horas
Em comunicado, a equipe de segurança do Pentágono informou que novos exames seriam necessários para determinar a extensão do problema identificado.
“Esses testes adicionais podem levar de uma a duas horas. As equipes de resposta estão posicionadas e prontas para apoiar os ocupantes do edifício, se necessário. Vocês poderão observar profissionais de resposta de diversas agências e medidas preventivas sendo adotadas no pátio central. Pedimos que não interpretem erroneamente essas atividades”, informou a mensagem.
Segundo o comunicado, a presença ampliada de equipes de emergência no complexo faz parte dos protocolos de segurança adotados em situações dessa natureza.
Até o momento, as autoridades americanas não divulgaram qual substância ou material pode estar relacionado ao incidente.
As geleiras da Groenlândia liberam quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos devido à mudança climática, um fenômeno que afeta o tráfego marítimo e os ecossistemas marinhos, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pela Universidade Técnica da Dinamarca (DTU).
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Os icebergs tranportam grandes quantidades de rochas e sedimentos ao longo de várias centenas de quilômetros mar adentro, antes de afundarem e transformarem a vida no fundo do mar.
Além disso, à medida que a diminuição do gelo marinho abre novas rotas marítimas, aumenta o risco de navios se depararem com icebergs com mais frequência em suas travessias.
“Nossos resultados indicam uma relação direta, provocada pelo clima, entre as mudanças na superfície das geleiras, a intensificação do deslocamento de icebergs e o aumento da disponibilidade de substratos duros no fundo das águas profundas”, aponta o estudo publicado pela revista científica Nature.
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O desprendimento acelerado das geleiras afeta os ambientes costeiros, mas tem repercussões em todo o sistema, para além do Ártico.
“Sabemos, graças às medições e observações por satélite, que as grandes geleiras do nordeste da Groenlândia perderam estabilidade nas últimas décadas”, explicou Shfaqat Abbas Khan, um dos autores do relatório, citado em um comunicado da DTU.
No Estreito de Fram, entre o nordeste da Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard, “a presença de icebergs quadruplicou desde o ano 2000”, detalha a nota.
Enquanto isso, a proporção de grupos de blocos de gelo – originários da Groenlândia, mas também do Ártico russo, e que compreendem mais de cinco icebergs individuais – aumentou 4,5% por década desde o início do século.
“As consequências não se limitam ao aumento do nível do mar, mas afetam diretamente os ecossistemas das águas profundas, longe das geleiras”, ressalta Khan.
Ataques realizados na madrugada de quarta-feira destruíram o que parece ser uma instalação de abastecimento de água potável na costa sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz, segundo uma análise do New York Times. Por volta do horário dos bombardeios, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou em uma publicação na rede social X que havia conduzido ataques perto do estreito “com munições de precisão lançadas por caças da Força Aérea e da Marinha dos EUA”.
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A mídia estatal iraniana informou que os EUA atingiram estruturas de armazenamento de água, e uma autoridade local afirmou que o fornecimento foi interrompido para mais de 20 mil pessoas que vivem em uma cidade e em vilarejos próximos. As temperaturas na região ultrapassaram os 38°C nesta semana.
Uma imagem de satélite comercial registrada na manhã de 9 de junho mostra duas pequenas estruturas de abastecimento de água no vilarejo de Bemani. Ambas possuem tubulações azul-claro, típicas de sistemas de distribuição de água, assim como sua localização — em uma colina fora da área habitada. As construções correspondem à descrição dos dois reservatórios que, de acordo com Abdolhamid Hamzehpour, chefe da autoridade provincial de água, foram destruídos.
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Segundo Hamzehpour, os dois reservatórios de concreto tinham capacidade para armazenar 500 e 2.000 metros cúbicos de água, respectivamente, e abasteciam a cidade de Kuhestak e dez vilarejos do distrito de Bemani. Além dos tanques, equipamentos mecânicos do sistema de distribuição também ficaram completamente fora de operação após serem atingidos.
Vídeos divulgados na quarta-feira por veículos de imprensa iranianos, incluindo a mídia estatal e a autoridade provincial de água, mostram que o telhado da menor das construções desabou.
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A instalação maior ao lado continua de pé, mas imagens mostram um pequeno buraco de impacto no centro do telhado. O New York Times confirmou a autenticidade das imagens comparando os elementos visíveis ao redor com imagens de referência do local.
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Uma foto de fragmentos que, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, foram recuperados no local mostrou restos identificados por pesquisadores do Open Source Munitions Portal — um banco de dados de fragmentos de armamentos documentados em zonas de conflito — como pertencentes a uma bomba GBU-39.
A imagem, divulgada pela agência iraniana Mehr, mostra o telhado do reservatório de água potável desabado após ter sido fortemente danificado
Reprodução / X
Uma análise da CNN também apontou que os fragmentos divulgados pela agência semioficial iraniana Mehr parecem ser de uma bomba da série GBU-39, segundo especialistas em armamentos ouvidos pela emissora.
A GBU-39, uma pequena bomba planadora guiada de precisão da classe de 250 libras (cerca de 113 quilos), é compatível com os danos observados nas imagens do edifício atingido: um buraco limpo perfurando o telhado e danos limitados da explosão ao redor.
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As duas construções ficam fora do vilarejo, e não há outras infraestruturas nas proximidades imediatas. Atingir edifícios isolados e acertar o centro de um telhado são considerados fortes indícios de um ataque de precisão. Em mensagem de texto, um porta-voz do Comando Central afirmou estar ciente dos relatos de danos à instalação, mas não forneceu mais informações.
À CNN, o especialista em armamentos Trevor Ball afirmou que a localização isolada da instalação torna improvável uma falha de guiagem da munição.
— É possível que tenha havido um erro na escolha deste edifício como alvo específico, mas uma falha da munição é muito improvável — afirma.
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Não está claro se os EUA atingiram deliberadamente as instalações de água ou se sabiam o que havia nos edifícios.
Atacar intencionalmente infraestrutura civil pode constituir crime de guerra sob o direito internacional. As Convenções de Genebra também protegem instalações de abastecimento de água e outras estruturas indispensáveis à sobrevivência da população civil.
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Embora os EUA tenham afirmado que os ataques tiveram como alvo instalações militares, incluindo sistemas de defesa aérea e radares próximos ao Estreito de Ormuz, autoridades iranianas sustentam que estruturas civis de abastecimento de água foram atingidas diretamente.
Hamzehpour disse que caminhões-pipa móveis foram enviados para abastecer os moradores enquanto equipes construíam uma linha emergencial de distribuição que contornasse os reservatórios danificados. Segundo ele, essa alternativa provisória foi concluída em menos de 12 horas.
(Com New York Times)
Um pescador norte-americano viralizou nas redes sociais após capturar acidentalmente um tubarão-branco em uma praia da ilha de Nantucket, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. As imagens mostram o momento em que ele monta sobre o animal para retirar o anzol e, em seguida, o arrasta de volta ao mar.
O responsável pela captura é Elliot Sudal, pescador experiente que atua há 13 anos na região. Segundo ele, o tubarão-branco, estimado entre 2,1 e 2,4 metros de comprimento e cerca de 136 quilos, mordeu a isca enquanto ele pescava na costa sul de Nantucket no último domingo.
As gravações mostram Sudal puxando o animal para a faixa de areia, removendo rapidamente o anzol e devolvendo-o ao oceano. De acordo com o pescador, todo o procedimento levou aproximadamente 15 segundos. Veja o vídeo do momento:
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Pescador monta em tubarão-branco para tirar anzol e devolvê-lo ao mar após tê-lo pescado
Reprodução | Instagram
Sudal afirmou que já capturou mais de mil tubarões-das-areias e centenas de tubarões-escuros ao longo dos anos, mas nunca havia fisgado um tubarão-branco.
— De forma alguma eu estava tentando capturar esse tubarão-branco. Você não controla o que pega sua isca — declarou ao site local Nantucket Current.
Ao perceber a nadadeira peitoral do animal durante o recolhimento da linha, o pescador identificou que se tratava de um tubarão-branco e disse ter compreendido imediatamente a gravidade da situação.
— Precisava soltá-la de forma rápida e segura. É uma criatura incrível. Fiquei honrado por ter a oportunidade de interagir com ela — afirmou.
Segundo autoridades e veículos locais, a pesca de tubarões a partir da praia ainda é permitida em Nantucket, uma das poucas localidades da região onde a prática continua autorizada. No entanto, a captura intencional de tubarões-brancos é ilegal em Massachusetts, já que a espécie é protegida. Quando ocorre uma captura acidental, o animal deve ser libertado imediatamente.
O caso chamou atenção também porque, segundo Sudal, foi a primeira vez que ele fisgou um tubarão-branco após enfrentar cerca de 2 mil tubarões durante sua trajetória como pescador de costa. O animal foi visto nadando normalmente em direção a águas mais profundas após a soltura.
Raros eventos de alcance global hoje em dia não contam com a China num papel de protagonista. Dos poucos, talvez o mais proeminente deles seja a Copa do Mundo de futebol, que dá a largada hoje. Incapaz de classificar sua seleção para um Mundial desde 2002, a China tem que se contentar em ser um fator de peso econômico fora das quatro linhas, figurando entre os grandes patrocinadores do evento. Isso se repete este ano, com algumas diferenças.
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Na Copa do Catar, em 2022, havia quatro empresas chinesas entre os maiores patrocinadores. Neste Mundial 2026, o número caiu para três. O montante total investido é mais ou menos o mesmo da última edição, US$ 1,4 bilhão. A mudança é na atuação chinesa, que não se limita a anúncios e patrocínio. Num movimento natural de sua evolução como potência industrial, o domínio chinês se faz presente na tecnologia do torneio. Um exemplo é a Hisense, líder na fabricação de TVs, que fornece os equipamentos de checagem do VAR.
Outra foi a escolha da Lenovo como parceira principal da Fifa nas operações de inteligência artificial do torneio. Cada um dos 1.248 atletas inscritos no mundial terá um avatar hiperrealista feito pela empresa de computação chinesa, que servirá para auxiliar as decisões do VAR. Durante as partidas, os avatares estarão sincronizados com câmeras e sensores da Lenovo. Quando o VAR produzir um veredicto para o árbitro, o sistema poderá gerar uma reconstrução em 3D da jogada.
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Sede da Copa junto com o México e o Canadá, os Estados Unidos impõem restrições à entrada de várias firmas de tecnologia chinesas em suas fronteiras. Só não tiveram como anular a operação da Hisense e da Lenovo no VAR. Ambas já estiveram sob investigação nos EUA por suspeitas variadas, mas ainda não foram alvo de acusações mais sérias, como as surgidas esta semana. O Departamento de Defesa divulgou uma lista de firmas chinesas que teriam ligações com as Forças Armadas do país. Ela inclui gigantes do setor privado, como a empresa de comércio eletrônico Alibaba e a fabricante de veículos elétricos BYD. O governo chinês negou qualquer vínculo militar com elas.
O anúncio do Pentágono confirmou como é frágil a trégua entre EUA e China estabelecida na recente visita do presidente Donald Trump a Pequim. Pelo menos não há o risco de um mal-estar como o que tem cercado a seleção do Irã, que tem sua estreia marcada para o dia 15 na Califórnia, mas que foi vetada de ficar concentrada nos EUA e vai dormir no México. Sem poder ver seu time nacional na competição, os fãs chineses também tem menos incentivo para ir à Copa, principalmente para partidas nos EUA, devido ao temor de hostilidades.
A diferença no horário tampouco ajuda. A maioria das partidas da Copa será disputadas quando na China o relógio estiver marcando entre duas e dez da manhã. Este foi um dos argumentos da estatal CCTV para vencer a queda de braço com a Fifa na negociação pelo pagamento dos direitos de transmissão dos jogos. No fim das contas, a estatal fechou um pacote que inclui também a Copa de 2030 e as Copas femininas de 2027 e 2031 pela bagatela de US$ 60 milhões (R$ 310 milhões), um desconto de 80% em relação à pedida inicial.
A dificuldade em montar uma seleção competitiva capaz de emplacar um Mundial é motivo de frustração permanente para os torcedores chineses, em meio a problemas dentro e fora de campo. Há três semanas, uma nova onda de punições baixou sobre profissionais ligados ao esporte acusados de corrupção e manipulação de resultados. Um total de 65 pessoas levaram suspensões, sendo que 17 foram banidas do futebol. Está longe de ser novidade. Não faz muito tempo, caíram em escândalos semelhantes o técnico da seleção principal e o presidente da Associação de Futebol.
O sonho de ter uma equipe nacional competitiva já levou o time nacional a ter mais de cinco brasileiros na escalação, que trocaram seu passaporte pelo chinês para poderem representar o país. Hoje, só um brasileiro joga na seleção chinesa, o atacante Serginho Soler, do Beijing Guoan, maior clube da capital. Há alguns dias, ‘Sai Erjiniao’, como ele é conhecido no país, marcou seu primeiro gol com a camisa chinesa num amistoso em que a China derrotou Cingapura por 2 a 1.
Na falta de jogadores com a camisa do país, o principal representante da China nos gramados da Copa 2026 será um juiz. Ma Ning, 46, conhecido como “o rei dos cartões” pelo estilo rigoroso no apito, virou celebridade, com milhares de seguidores nas redes sociais do país. As redes se encheram de comentários de torcedores frustrados, muitos sem perder a ironia ao dizer que Ma estará como o resto dos chineses, apenas assistindo ao Mundial.
Alguns buscaram resignação em metáforas geopolíticas. Afinal, ter uma marca chinesa nos equipamentos do VAR e um árbitro durão no apito se encaixa na imagem de fiador da estabilidade como potência responsável, num mundo em estado de turbulência e desordem. Pode funcionar como discurso político. Mas é um prêmio de consolação chocho para os desiludidos torcedores do país, órfãos de uma representação competitiva na Copa desde 2002.
Pesquisadores descobriram no oceano Índico o maior cemitério de baleias já identificado no mundo, com cerca de 500 esqueletos, alguns deles com até 5,3 milhões de anos de antiguidade, segundo um estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (10).
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Corredor de fósseis
Distribuídas ao longo de um corredor de 1.200 milhas a oeste da Austrália, essas carcaças de cetáceos sustentam todo um ecossistema, no qual muitos organismos podem ser desconhecidos para a ciência, de acordo com o estudo.
Os cientistas acreditam que tantas baleias morreram nessa área porque ela é uma importante zona de alimentação. Além disso, trata-se de uma fossa em forma de V que canaliza as carcaças para as profundezas marinhas.
Trata-se de uma “descoberta realmente única”, afirma o paleontólogo americano Stephen Godfrey, que a compara à identificação, em 1977, de fontes hidrotermais repletas de vida no fundo dos oceanos.
Uma nova espécie de baleia, embora extinta, também foi identificada entre os quase 500 esqueletos encontrados a até 7.000 metros de profundidade ao longo de um corredor de ossos de 1.200 quilômetros no Oceano Índico, a oeste da Austrália
DIVULGAÇÃO / TENDÊNCIA GLOBAL, IDSSE / AFP
“O fóssil mais antigo, assim como muitos crânios mais recentes, mostra que as ‘quedas de baleias’ se acumularam neste local de forma ininterrupta durante pelo menos cinco milhões de anos”, escreveu ele em um artigo publicado juntamente com o estudo da Nature.
Já se sabia que, quando as baleias morrem, seus corpos afundam até o fundo dos oceanos e alimentam a fauna das profundezas, em um fenômeno conhecido como “queda de baleias”.
Descoberta surpreendente
Mas os cientistas ficaram “estupefatos” ao compreender a dimensão da descoberta, disse à AFP o principal autor do estudo, Xiaotong Peng, da Academia Chinesa de Ciências, que acessou o local a bordo de um pequeno submarino.
“Descobrir uma necrópole de tal magnitude foi totalmente inesperado. A extensão da distribuição, a profundidade e a variedade de idades superam tudo o que imaginávamos”, explicou o pesquisador.
Em 2023, os cientistas chineses realizaram 32 imersões a bordo do submersível Fendouzhe nessa região do oceano Índico, denominada Diamantina.
Osso de baleia no maior cemitério de baleias conhecido do mundo, descoberto pelo submersível chinês Fendouzhe
DIVULGAÇÃO / TENDÊNCIA GLOBAL, IDSSE / AFP
“Os ecossistemas florescentes que vimos nos deram uma perspectiva completamente diferente do ambiente ao redor”, disse Peng Zhou, coautor do estudo.
Ao redor dos esqueletos, foram encontrados organismos como medusas, ofiúros, parentes das estrelas-do-mar, vermes-zumbis e moluscos bivalves.
A maioria dos 485 fósseis de cetáceos registrados pertence à família das baleias-de-bico, incluindo uma espécie até então desconhecida e atualmente extinta.
Com base no número de fósseis encontrados, os autores estimam que mais de 10 milhões de esqueletos possam estar espalhados pelo fundo do oceano na região de Diamantina.
O El Niño já está em curso e pode se tornar um dos mais intensos já registrados. A confirmação foi feita nesta quinta-feira pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), que alertou para a possibilidade de o fenômeno atingir força histórica nos próximos meses e agravar eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta.
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Previsões: Centro europeu teme que o retorno do El Niño faça de 2027 o ano mais quente já registrado
Caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador, o El Niño altera padrões climáticos em escala global. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de que o episódio alcance intensidade suficiente entre o fim do outono e o início do inverno do Hemisfério Norte — entre novembro e dezembro no Brasil — para figurar entre os maiores eventos observados desde o início dos registros modernos, em 1950.
Meteorologistas afirmam que o fenômeno deverá elevar ainda mais as temperaturas de um planeta já aquecido pelas emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis. As projeções indicam que este El Niño poderá rivalizar ou até superar o episódio de 1997, que esteve associado a bilhões de dólares em prejuízos causados por ondas de calor, enchentes, secas, tornados e incêndios florestais.
— As águas profundas e quentes associadas ao El Niño trazem muito calor adicional para a superfície, alimentando uma série de eventos extremos em várias regiões do mundo — afirmou Abby Frazier, cientista do clima da Universidade Clark, à Associated Press, acrescentando que os impactos podem se tornar graves em pouco tempo.
Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o fenômeno como um “alerta climático urgente”.
— As condições de El Niño vão jogar mais combustível no fogo de um mundo em aquecimento — disse Guterres em uma mensagem em vídeo.
Efeitos por região
Os efeitos do fenômeno variam de acordo com a região. No Atlântico, o El Niño costuma reduzir, embora não eliminar, a atividade da temporada de furacões. No Pacífico, ocorre o contrário: a atividade tende a aumentar. Com isso, a costa leste dos Estados Unidos e os estados banhados pelo Golfo do México podem enfrentar uma temporada menos intensa, enquanto o Havaí e outras ilhas ficam mais expostos a riscos.
Em algumas regiões, o fenômeno pode trazer benefícios. Cientistas afirmam que áreas do Oriente Médio afetadas por secas prolongadas poderão receber mais chuva. Em outros lugares, porém, os riscos aumentam.
Partes da costa oeste da América do Sul, onde os primeiros episódios de El Niño foram identificados há décadas, costumam registrar chuvas intensas, enchentes e verões excepcionalmente quentes durante o fenômeno. Na Índia, especialistas projetam ondas de calor mais severas, enquanto a Austrália pode enfrentar condições favoráveis a secas, incêndios florestais e temperaturas elevadas.
No nordeste da África, a expectativa é de uma mudança brusca nas condições climáticas, com a transição de períodos de seca intensa para chuvas potencialmente perigosas, segundo Muhammad Azhar Ehsan, cientista do clima da Universidade Columbia e especialista em El Niño. Nos Estados Unidos, o fenômeno costuma provocar tempestades mais intensas e volumes maiores de chuva no Sul do país. Ao mesmo tempo, tende a favorecer parte da produção agrícola, afirmou Jon Gottschalck, chefe de operações do Centro de Previsão Climática da NOAA.
Sinais monitorados
Apesar de alguns impactos positivos localizados, cientistas alertam que as temperaturas mais elevadas associadas ao fenômeno podem afetar a economia. Marshall Burke, economista climático da Universidade Stanford, afirmou que há evidências de que o crescimento econômico dos Estados Unidos desacelera em períodos com temperaturas acima da média. Diversos pesquisadores projetam que 2027 poderá se tornar o ano mais quente já registrado, em razão dos efeitos retardados deste El Niño.
— Temos evidências bastante claras de que a economia americana cresce mais lentamente quando as temperaturas ficam acima do normal — disse Burke.
Somado a isso, a escassez de fertilizantes causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz está afetando agricultores, e o aumento dos preços da energia por causa das guerras na Ucrânia e no Irã está corroendo os orçamentos dos países.
— Poderíamos ver um aumento da pobreza, da desnutrição, dos conflitos, do endividamento e de todos os efeitos em cascata — disse Laurie Laybourn, que lidera a Strategic Climate Risks Initiative, um centro de estudos com sede no Reino Unido.
A intensidade dos impactos também depende da velocidade com que o fenômeno se desenvolve. Em geral, episódios de El Niño se formam durante o verão, atingem seu pico no fim do outono ou início do inverno e enfraquecem na primavera seguinte. No entanto, a equipe de Ehsan prevê que este episódio poderá alcançar seu pico um ou dois meses antes do habitual, com base nos sinais observados nas últimas semanas. Gabriel Vecchi, cientista do clima da Universidade Princeton, afirmou que episódios muito fortes também tendem a durar mais tempo.
Entre os sinais monitorados pelos especialistas está o avanço de águas mais quentes em direção à superfície do Pacífico. Segundo Vecchi, os indicadores têm sido tão consistentes que diferentes centros de previsão vêm apontando para um El Niño excepcionalmente intenso, algo incomum para esta época do ano, quando as projeções costumam apresentar maior divergência.
Frazier e outros cientistas afirmam que o aquecimento global favorece a ocorrência de episódios mais fortes de El Niño. Ainda assim, ela ressalta que é cedo para afirmar se este evento específico está diretamente relacionado às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Mesmo antes de sua confirmação oficial, o fenômeno já vinha recebendo apelidos como “super El Niño” e “Godzilla”.
— Em vez de sentir medo, podemos pedir às pessoas que se preparem — afirmou Ehsan.
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Reprodução
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Lições da história
Se a História oferece alguma lição, é a de que eventos intensos de El Niño, como o que começou em 1877, impactam fragilidades preexistentes. O daquele ano provocou condições de seca extrema em várias partes do mundo, incluindo Brasil, sul da África e China. Poucos lugares foram tão atingidos quanto o sul da Índia, com relatos da época descrevendo pessoas extremamente magras tentando sobreviver comendo raízes e até vendendo filhos que não conseguiam sustentar.
Porém, apesar de todo o poder da natureza, fatores criados pelo homem provavelmente elevaram o número de mortos, que acabou chegando à casa das dezenas de milhões. Na época, a Índia estava sob domínio colonial britânico, e o historiador Mike Davis, em seu livro de 2001, “Holocaustos do final da Era Vitoriana”, retrata o Império Britânico priorizando seus interesses ao manter enormes exportações de grãos da Índia, mesmo enquanto a população morria de fome.
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Naquele tempo, ninguém fazia ideia de por que as chuvas das monções haviam falhado. Cientistas do século XIX teorizavam uma ligação com a redução da atividade das manchas solares.
Um quadro muito mais claro surgiu na década de 1960, quando Jacob Bjerknes, meteorologista da Universidade da Califórnia em Los Angeles, reuniu as peças do quebra-cabeça das consequências globais da interação entre oceano e atmosfera no Pacífico. Séculos antes, peruanos haviam percebido que, às vezes, peixes tropicais apareciam inesperadamente em suas costas por volta do Natal, um fenômeno que acabou recebendo o nome de “El Niño”, ou “o menino Jesus” em espanhol. Bjerknes fez a conexão: o aquecimento do Pacífico observado pelos peruanos estava, na verdade, alterando padrões climáticos no mundo inteiro.
Navios perto do porte El Callao, em Lima, em 2023
Ernesto Benavides/AFP
— Aquela foi uma revelação revolucionária — disse Michael McPhaden, cientista sênior da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). — Ele [Bjerknes] abriu um novo universo de estudos.
Na década de 1980, cientistas já estavam em embarcações no meio do Pacífico ancorando boias que permitiam um monitoramento mais preciso da temperatura do oceano. Paralelamente, pesquisadores procuravam pistas sobre o papel do El Niño na história humana, estudando amostras de anéis de árvores, recifes de coral e diários de bordo de marinheiros, criando uma linha do tempo rudimentar de seus episódios mais intensos.
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Quebra-cabeças sem peças
Os registros não eram precisos o suficiente para medir eventos passados com certeza. Ainda assim, eles levaram a especulações sobre o papel do El Niño ao longo da História, incluindo a hipótese de que um evento no fim do século XVIII possa ter contribuído para as falhas nas colheitas que ajudaram a desencadear levantes na Revolução Francesa. No caso de 1877, que atingiu a Índia de forma severa, a documentação é melhor, mas ainda envolve muitas conjecturas.
“Trabalhar com dados da temperatura da superfície do mar do século XIX é como montar um quebra-cabeça com muitas peças faltando”, escreveu Boyin Huang, oceanógrafo da NOAA.
Os eventos são medidos observando-se os níveis de temperatura em uma vasta área retangular do Pacífico central. Em um fenômeno moderado, as temperaturas podem subir cerca de 1°C acima da média de longo prazo. Mas, nos maiores eventos dos últimos 50 anos — os que começaram em 1982, 1997 e 2015 — as temperaturas ultrapassaram em mais de 2°C o padrão normal. Cada um desses episódios teve impacto econômico global.
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Neste ano, muitas previsões indicam que a temperatura pode subir inéditos 3°C. Mesmo o El Niño de 1877, segundo as melhores estimativas, não alcançou essa magnitude.
— Vários modelos agora mostram uma chance real de um evento recorde — disse Zeke Hausfather, pesquisador da Berkeley Earth. — Mas ainda é cedo para ter certeza.
Escolas na Índia usam sino para lembrar crianças de beberem água durante onda de calor
Arun Sankar/AFP
Na Índia, que tende a ficar mais seca, o governo já realizou reuniões preparatórias. Vimal Mishra, professor do Instituto Indiano de Tecnologia de Gandhinagar, afirmou que seu país não enfrenta riscos na mesma escala de mais de um século atrás.
— Se em um ano as monções falharem, não veremos fome — disse Mishra, citando o sistema público de distribuição da Índia, que garante acesso a produtos básicos a preços subsidiados.
Mishra estudou as grandes fomes da Índia e traça uma linha direta entre a fome da década de 1870 e as medidas preventivas que a Índia toma hoje.
— Isso nos dá uma ideia de como estar mais bem preparados — disse ele. — Mostra qual é o pior cenário possível.
(Com New York Times)
O governo britânico condenou nesta quinta-feira uma segunda noite de violência anti-imigração na Irlanda do Norte, marcada por confrontos entre manifestantes e a polícia, incêndios e ataques contra pessoas de minorias étnicas. Segundo as autoridades, 12 policiais ficaram feridos e 16 pessoas foram presas durante os episódios de distúrbios. Os confrontos ocorreram após um ataque a faca registrado na segunda-feira em Belfast, a capital, ter deixado um homem gravemente ferido.
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Um vídeo do incidente circulou amplamente nas redes sociais e mostra um homem golpeando repetidamente outro que está caído no chão. A vítima, identificada como Stephen Ogilvie, perdeu um olho e permanece hospitalizada em condição estável. Diante de manifestações violentas que se seguiram na região, o ministro britânico responsável pela Irlanda do Norte, Hilary Benn, classificou os acontecimentos como “violência racista” e denunciou um “clima de medo” imposto a pessoas que foram intimidadas e expulsas de suas casas por causa da cor da pele.
— Se você está atacando pessoas com base na cor da pele, como mais isso poderia ser descrito? Isso é banditismo racista, não há nenhuma dúvida sobre isso — afirmou Benn à emissora Sky News.
A família da vítima, por sua vez, divulgou um comunicado pedindo privacidade e agradecendo às pessoas que prestaram socorro durante o ataque. Os familiares afirmaram que a rápida intervenção de moradores ajudou a salvar a vida de Ogilvy e agradeceram aos profissionais dos serviços de emergência e aos médicos e enfermeiros envolvidos. E pediram, por fim, que a população rejeite a violência:
“Estamos cientes das tensões e das discussões sobre protestos após este incidente. Queremos deixar absolutamente claro que os distúrbios ocorridos durante a noite não são bem-vindos, e que o protesto pacífico é o único caminho a seguir”, escreveram. “Temos muitos migrantes que dão uma contribuição valiosa ao nosso país. (…) Não queremos que esta tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade”.
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O suspeito, identificado como Hadi Alodid, foi acusado de tentativa de homicídio, porte de faca em local público e ameaças de morte contra um funcionário do sistema público de saúde britânico. Em audiência na quarta-feira no Tribunal de Magistrados de Belfast, ele teve a prisão preventiva mantida por quatro semanas. Alodid participou da sessão por videoconferência e contou com a assistência de um intérprete de árabe. A polícia local informou que as motivações do ataque ainda não são conhecidas, mas descartou a hipótese de terrorismo.
‘Comportamento violento’
Na noite de quarta-feira, dezenas de manifestantes encapuzados enfrentaram a tropa de choque em Glengormley, ao norte de Belfast. Tijolos, pedras e coquetéis molotov foram lançados contra as forças de segurança, que responderam com canhões de água.
Um veículo do Departamento de Infraestrutura foi incendiado perto da rotatória de Sandyknowes. Manifestantes também tentaram incendiar um imóvel abandonado e atearam fogo a contêineres de lixo. Em Derry, a polícia informou que objetos foram incendiados na Ardmore Road. Outro grupo tentou chegar ao Chimney Corner, hotel que já foi utilizado para abrigar solicitantes de asilo, mas foi impedido pela polícia.
— Esse comportamento violento de uma minoria de arruaceiros não será tolerado — disse o vice-chefe da Polícia da Irlanda do Norte, Ryan Henderson, repudiando os responsáveis pelos confrontos. — Pelo contrário, estavam determinados a praticar violência. Vamos levá-los à Justiça, e sei que o Judiciário da Irlanda do Norte está pronto para aplicar longas penas àqueles que levam desordem às nossas ruas.
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Na quarta-feira, diversas famílias precisaram deixar suas casas sob proteção policial. O chefe da polícia local, Jon Boutcher, afirmou que entre os resgatados havia um bebê de apenas dois meses. Policiais retiraram famílias de diferentes comunidades para levá-las a locais seguros, disse, ressaltando que “não há justificativa” para os episódios registrados e que os responsáveis serão tratados de acordo com a lei.
— Resgatamos muitas famílias. E, alías, não eram apenas famílias de comunidades étnicas minoritárias; [mas] de diversas comunidades que acabaram envolvidas nesse comportamento repugnante da noite passada — disse, antes de ser questionado sobre este ser o terceiro ano consecutivo de episódios de violência no país. — Isso vai passar.
Autoridades britânicas atribuem parte da mobilização online a figuras da extrema direita, como o ativista Tommy Robinson e o proprietário da rede social X, Elon Musk, que compartilharam conteúdos relacionados ao ataque. Figuras de partidos de extrema direita, como o Reform UK, de Nigel Farage, e o Restore Britain, de Rupert Lowe, atribuíram os acontecimentos às políticas migratórias do governo trabalhista.
‘Terror e medo’
Benn informou que a polícia da Irlanda do Norte receberá reforços da polícia da Escócia, incluindo equipes com cães para auxiliar no controle da ordem pública. Segundo ele, os distúrbios deixaram pessoas de minorias étnicas vivendo em “terror e medo”.
— Recebemos relatos de pessoas sendo paradas em seus carros para que lhes perguntassem qual era sua nacionalidade a caminho do trabalho, e isso é completamente inaceitável.
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Uma enfermeira foi perseguida e intimidada enquanto se dirigia ao Hospital Ulster para trabalhar na noite de quarta-feira, segundo a entidade responsável pela unidade. A instituição informou que ela insistiu em cumprir seu turno apesar das ameaças. A principal mesquita do país também fechou as portas pela primeira vez desde sua fundação, em 1978. Seu presidente, Mohammed Arshed, afirmou que a comunidade nunca havia enfrentado problemas semelhantes.
As manifestações violentas ocorreram principalmente em bairros unionistas, predominantemente protestantes e favoráveis à permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido. Alguns participantes dos protestos afirmaram que suas preocupações estão relacionadas ao aumento da imigração. Brendan, encanador de 50 anos que participou de uma manifestação, disse à AFP ser contrário à violência, mas justificou os protestos pela gravidade do ataque.
— Já tivemos violência suficiente aqui durante 30 ou 40 anos, com bombas e assassinatos.
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Ainda na quarta, a ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, condenou os ataques contra famílias que nada tinham a ver com o caso, destacando que crianças e jovens famílias ficaram sem casa após os episódios. Além disso, denunciou o “racismo” por trás da violência e acusou aqueles que, nas redes sociais, “instrumentalizaram o medo legítimo que as pessoas sentem diante dos acontecimentos”.
Long também declarou que o debate sobre o status migratório do suspeito era irrelevante para a avaliação do crime e afirmou que o homem possuía situação migratória regularizada e autorização para permanecer no Reino Unido por cinco anos. Enquanto isso, a vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Emma Little-Pengelly, afirmou que grupos envolvidos nos confrontos estão tentando explorar preocupações legítimas da população.
— O que alguns desses grupos que querem criar esse tipo de desordem e violência estão tentando fazer é manipular uma preocupação genuína de muitas pessoas, assim como a frustração de muitas pessoas.
‘Holofote perigoso’
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, classificou os ataques contra residências como “covardia repugnante” e afirmou que não existe justificativa para os episódios. Ela também descreveu o ataque a faca como “hediondo e errado”, mas alertou para tentativas de usar o caso para atacar pessoas inocentes que vivem e trabalham na região.
Já o premier britânico, Keir Starmer, afirmou que as cenas registradas em Belfast foram “chocantes e completamente inaceitáveis”. No X, ele disse que estava claro que pessoas foram alvo por causa de sua origem e afirmou que os responsáveis pelos atos de violência sentirão “todo o peso da lei”. Starmer acrescentou que conversou com líderes locais, além de representantes da polícia e dos serviços de emergência.
A deputada Claire Hanna, líder do Partido Social-Democrata e Trabalhista, comparou os acontecimentos a uma “perseguição baseada em raça”. Segundo ela, houve relatos de homens percorrendo bairros para identificar e expulsar estrangeiros. A parlamentar do Sinn Féin Deirdre Hargey afirmou que mensagens divulgadas nas redes sociais incentivaram protestos e ajudaram a mobilizar pessoas para as ruas.
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A polícia enfrentou críticas após inicialmente informar que o suspeito seria originário da Somália. Posteriormente, as autoridades corrigiram a informação e esclareceram que ele é sudanês. Suleiman Abdulahi, líder comunitário que trabalha com refugiados na Irlanda do Norte, afirmou que o erro colocou a comunidade somali sob um “holofote muito perigoso” e contribuiu para alimentar a violência contra inocentes.
Entre 19h e 23h59 de quarta-feira, o Serviço de Bombeiros e Resgate da Irlanda do Norte recebeu 82 chamadas de emergência. As equipes atenderam 33 ocorrências em Belfast, Mallusk, Glengormley e Portadown, incluindo incêndios em veículos, caminhões, residências, prédios abandonados e contêineres industriais de lixo.
(Com AFP, Bloomberg e New York Times)

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