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O Parlamento da Venezuela adiou novamente nesta quinta-feira a votação da Lei de Anistia para a Convivência Democrática, que prevê a libertação de presos políticos em massa, detidos ao longo dos últimos 27 anos, desde que o chavismo assumiu o poder no país. O adiamento foi provocado pela falta de consenso sobre um dos artigos do projeto de lei.
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— Continuaremos a discussão na próxima sessão ordinária, na semana que vem — disse o líder parlamentar Jorge Rodríguez, após os deputados decidirem adiar o segundo e último debate.
Na semana passada, os deputados aprovaram o projeto no primeiro dos dois debates previstos. A segunda discussão estava marcada para terça-feira, mas foi suspensa em meio à consulta pública pela qual passam os projetos de lei. Participaram juristas, líderes da oposição e familiares de presos políticos. O procurador-geral Tarek William Saab também compareceu, ao lado de outros membros do Poder Judiciário.
A proposta foi impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, durante uma incursão militar dos EUA no país sul-americano. Delcy governa sob pressão de Washington e do presidente americano, Donald Trump, a quem cedeu o controle do petróleo venezuelano.
Poucos dias depois de assumir o cargo, ela anunciou um processo de libertações que concedeu liberdade condicional a mais de 400 presos políticos. Especialistas estimam que a anistia poderá levar à soltura de um número ainda maior de prisioneiros, sem imposição de condições. Enquanto o projeto de lei era discutido na Assembleia Legislativa, organizações de direitos humanos apontavam que ainda não havia divulgação detalhada dos critérios que seriam adotados para conceder o benefício, o que alimentou a desconfiança entre a oposição.
A lei de anistia proposta excluiria aqueles que cometeram graves violações de direitos humanos, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, homicídio doloso, tráfico de drogas “com pena mínima aplicável superior a nove anos de prisão” e “crimes contra o patrimônio público”. O texto em discussão vinha sendo descrito por interlocutores do governo como “ambicioso” e capaz de marcar “um ponto de virada”.
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Protestos pelo país
O debate de hoje ocorreu em meio às celebrações pelo Dia da Juventude, data em que tradicionalmente são convocadas manifestações no país. Estudantes da Universidade Central da Venezuela, a maior do país e crítica do chavismo, convocaram uma concentração no campus, e protestos reuniram milhares de pessoas na capital e em outras cidades do país, na primeira manifestação da oposição desde a queda de Maduro.
A manifestação faz parte de uma ação nacional que abrange pelo menos 17 estados e reivindica a libertação de todos os presos políticos, mais transparência no país e garantias de que prisões por motivação política não se repetirão. O movimento chavista também convocou uma manifestação no centro de Caracas, que reuniu milhares de pessoas.
Gritando “Não temos medo!”, milhares se reuniram com faixas e bandeiras ao redor da principal universidade do país, em Caracas, atendendo a um chamado do movimento estudantil para comemorar o Dia Internacional da Juventude, informaram jornalistas da AFP. O movimento chavista também convocou uma manifestação no centro de Caracas, que reuniu milhares de pessoas.
Estudantes universitários, opositores do governo, marcham durante o Dia da Juventude em Caracas
JUAN BARRETO/AFP
Estudantes da Universidade Central da Venezuela (UCV) e familiares de presos políticos se reuniram na Praça da Reitoria da universidade, em Caracas, para exigir a libertação imediata de todos os presos políticos e a aprovação da lei de anistia na Assembleia Nacional.
Centenas de estudantes universitários chegaram cedo pela manhã com faixas, slogans e bandeiras venezuelanas para pedir transparência, fiscalização independente do processo legislativo e garantias de que prisões por motivação política não se repetirão.
“Anistia já!”, dizia uma faixa exibida na entrada da Universidade Central da Venezuela (UCV), onde os manifestantes gritavam “Nem um, nem dois, que todos sejam soltos!”, exigindo a libertação total das centenas de presos políticos que ainda estão atrás das grades. A ONG Foro Penal contabiliza mais de 600 presos políticos ainda aguardando libertação em um processo de indultos iniciado em 8 de janeiro.
Líderes estudantis denunciam que mais de 200 jovens e vários professores permanecem detidos por motivos políticos e exigiem que a anistia abranja todos os afetados pelo regime chavista desde 1999, quando Hugo Chávez assumiu o poder, até o presente. O movimento estudantil venezuelano ganhou destaque novamente após os eventos de 3 de janeiro, que incluíram a prisão de Maduro e sua esposa, Cília Flores, e reacenderam os protestos nas ruas.
Nove pessoas foram detidas como suspeitas de fraude relativa aos ingressos do Louvre e do Palácio de Versalhes, informou nesta quinta-feira o Ministério Público de Paris, que estima um prejuízo de mais de “10 milhões de euros” (R$ 61,4 milhões) para o museu.
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Entre os presos estão dois agentes do Louvre, guias turísticos e uma pessoa “suspeita de ter organizado a rede”, detalhou o MP parisiense.
O Louvre, o museu mais visitado do mundo, está no olho do furacão desde o roubo de joias da Coroa avaliadas em mais de 100 milhões de dólares (R$ 518,3 milhões, na cotação atual) em outubro. Um mês depois, o estabelecimento fechou uma galeria devido à deterioração do edifício.
A operação foi realizada após “um alerta do Museu do Louvre”, disse uma porta-voz do estabelecimento.
“A partir dos elementos de que o museu dispõe, suspeitamos da existência de uma rede que organiza uma fraude em grande escala”, acrescentou.
De acordo com o Ministério Público de Paris, vários guias, alguns deles chineses, “reutilizavam os ingressos várias vezes para pessoas diferentes”.
Desde meados de dezembro, funcionários convocaram múltiplas greves para exigir melhorias nas condições de trabalho no local, que recebeu nove milhões de visitantes em 2025.
Dois recém-nascidos foram encontrados mortos dentro de um freezer em uma residência no vilarejo de Aillevillers-et-Lyaumont, no leste da França. A descoberta motivou a detenção de uma mulher de cerca de cinquenta anos, suspeita de envolvimento no crime, informou a polícia francesa nesta sexta-feira.
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De acordo com fontes policiais próximas ao caso, um homem encontrou o primeiro corpo na manhã de terça-feira e chamou as autoridades. Ao chegarem ao local, agentes localizaram o segundo bebê no mesmo eletrodoméstico. A suspeita, que teria deixado a casa sem avisar familiares, foi capturada na quarta-feira na periferia parisiense, no subúrbio de Boulogne-Billancourt.
Investigadores acreditam que a mulher é mãe de nove filhos de dois relacionamentos distintos. As circunstâncias em torno dos óbitos ainda são objeto de apuração, e não foram divulgados detalhes sobre possíveis causas da morte ou motivação.
O episódio deixou a pequena comunidade, com cerca de 1,5 mil habitantes, em estado de choque. O prefeito Jean-Claude Tramesel disse estar “estupefato” com o ocorrido e afirmou que os moradores nunca imaginaram que algo assim pudesse acontecer ali.
Casos semelhantes já ocorreram na França nos últimos anos. Em 2022, dois recém-nascidos foram também encontrados em um freezer no sul do país, e em 2015 cinco corpos foram descobertos em um caso que resultou em prisão. Autoridades apontam que tais episódios compõem uma série de infanticídios que vêm sendo investigados pelas autoridades judiciais.
A investigação segue em andamento, com exames forenses em curso e interrogatórios programados para reunir mais informações sobre os eventos que levaram às mortes dos bebês.
Dois navios do México atracaram nesta quinta-feira no porto de Havana com mais de 800 toneladas de ajuda humanitária para Cuba, mergulhada em profunda crise econômica agravada por pressões de Washington, enquanto Rússia e Chile prometeram enviar assistência ao país caribenho.
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A chegada dos navios Papaloapan e Isla Holbox, enviados pelo governo da presidente esquerdista Claudia Sheinbaum, ocorre enquanto o México negocia um eventual fornecimento de petróleo à ilha sem ser sancionado pelos Estados Unidos, que ameaçaram impor tarifas ao país que lhe forneça hidrocarbonetos.
Segundo o governo mexicano, as embarcações transportaram 814 toneladas de leite líquido e em pó, produtos cárneos, biscoitos, feijão, arroz e itens de higiene pessoal. No México ainda restam “mais de 1.500 toneladas de leite em pó e feijão pendentes de envio” à ilha, informaram autoridades mexicanas.
“O México sempre foi um país solidário com Cuba”, declarou à AFP a cubana Marila García, de 52 anos. A mulher, que caminhava pela orla do Malecón de Havana, lembrou que o México “foi o único país” que manteve relações quando Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1962.
O pescador Eliécer Rodríguez, de 34 anos, destacou, por sua vez, que, diante das pressões de Washington, “o único” país “que está respondendo agora é o México”. “Sempre foi fiel”, afirmou.
Navio da Marinha do México ARM Papaloapan chega à Baía de Havana com ajuda humanitária, em Havana
YAMIL LAGE / AFP
Sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, Havana acusa o presidente Donald Trump de querer “asfixiar” a economia da ilha, onde desde segunda-feira entrou em vigor um pacote de medidas de emergência, como o racionamento de gasolina, a semana de trabalho de quatro dias nas administrações públicas, o teletrabalho e as aulas universitárias a distância.
A escassez de combustível também levou “à redução do pessoal presencial em hospitais e policlínicas”, assim como “da atividade cirúrgica”, explicou na segunda-feira o ministro da Saúde, José Ángel Portal.
Assistência de outros países
No Chile, o governo do presidente Gabriel Boric confirmou nesta quinta-feira que pretende enviar ajuda humanitária a Cuba, “levando em conta a dramática situação que está vivendo” e “independentemente das características políticas que possa ter seu regime”.
“É uma ajuda de caráter monetário, que realmente ninguém poderia questionar”, declarou à imprensa o chanceler Alberto Van Klaveren, sem detalhar o valor.
Enquanto isso, o jornal russo Izvestia informou nesta quinta-feira que a Rússia poderia fornecer petróleo a Cuba, seu aliado estratégico no Caribe, como parte de sua assistência “humanitária”. “Até onde sabemos, espera-se que a Rússia em breve forneça petróleo e derivados de petróleo a Cuba como ajuda humanitária”, afirmou o Ministério do Desenvolvimento Econômico de Moscou, citado pelo jornal.
Na segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, denunciou as “medidas asfixiantes” dos Estados Unidos contra a ilha, que enfrenta uma situação “realmente crítica”.
Nesta quarta-feira, o GLOBO revelou que o governo brasileiro estuda a possibilidade de também fazer aportes a Cuba, com foco na área humanitária, especialmente no envio de alimentos e remédios. Segundo interlocutores que acompanham o tema em Brasília, a situação da ilha caribenha deve ser tratada na conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para o próximo mês, em Washington.
Situação em Cuba
Cuba enfrenta há seis anos uma grave crise econômica, com forte inflação, apagões prolongados e escassez de alimentos e medicamentos, devido aos efeitos combinados do endurecimento das sanções americanas, da baixa produtividade de sua economia centralizada e do colapso do turismo.
A situação se agravou com a brusca suspensão do fornecimento de petróleo da Venezuela, seu principal provedor de combustível nos últimos 25 anos, após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar americana em 3 de janeiro.
Em comunicado divulgado em Genebra, um grupo de relatores especiais em direitos humanos condenou a ordem executiva pela qual Trump ameaça impor tarifas aos países que forneçam petróleo à ilha, alegando que Havana representa uma “ameaça excepcional” aos Estados Unidos.
“Interferir nas importações de combustível poderia provocar uma grave crise humanitária com efeitos em cadeia sobre os serviços essenciais”, advertiram os especialistas que trabalham para as Nações Unidas, embora não falem em nome da organização.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda a possibilidade de fazer um aporte a Cuba, com foco na área humanitária, especialmente no envio de alimentos e remédios. A avaliação interna é que a situação na ilha se agravou nos últimos meses e pode se tornar ainda mais delicada.
Segundo interlocutores que acompanham o tema em Brasília, a situação de Cuba deve ser tratada na conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para o próximo mês, em Washington. Eles observam que a forma como o assunto será levado dependerá da evolução do quadro na ilha caribenha.
A administração do presidente dos EUA tem bloqueado o fornecimento de petróleo à ilha e ameaçado aplicar tarifas a países que continuem a fornecer óleo a Cuba. A medida tem agravado a escassez de combustível, provocado racionamentos de energia e levado ao cancelamento de voos por falta de jet fuel no país.
A situação de desabastecimento de comida e remédios em Cuba se soma à crise energética — o país enfrenta dificuldades para manter o fornecimento de petróleo e combustíveis essenciais, impactando transporte, serviços básicos e a vida cotidiana de seus cerca de 11 milhões de habitantes. A Embaixada do Brasil em Havana acompanha diariamente relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela população. Existem cerca de 150 brasileiros residindo na ilha caribenha.
O governo brasileiro avalia que, a exemplo do que fez o México, pode ser necessário um esforço para mitigar os efeitos mais imediatos da crise, sobretudo nas áreas de saúde e abastecimento alimentar. Ainda não há definição sobre o formato, o volume ou o momento de eventual apoio, e qualquer anúncio é considerado prematuro. A possibilidade, no entanto, está em análise.
Interlocutores a par do assunto afirmam que o governo cubano informou não ter condições de manter o fornecimento de combustível para determinadas operações, o que afeta não apenas o turismo e o transporte de passageiros, mas principalmente o transporte de mercadorias, realizado em grande parte por navios. A escassez de combustível impacta diretamente a distribuição de bens essenciais.
Integrantes do governo brasileiro destacam que a preocupação central é humanitária. Cuba, que já enfrenta há décadas restrições econômicas e dificuldades de abastecimento, tem visto a situação relacionada à produção e ao fornecimento de alimentos e medicamentos se agravar nos últimos meses. A interrupção de fluxos energéticos, especialmente da Venezuela, somada ao anúncio de sanções tarifárias contra países que mantenham relações com a ilha, tende a intensificar esse quadro.
Em sua primeira entrevista a um veículo de imprensa internacional desde que assumiu o cargo, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um alerta à líder da oposição, María Corina Machado. As declarações de Delcy à emissora americana NBC News, que foram ao ar nesta quinta-feira, levantam preocupações sobre a segurança de María Corina no país caso ela decida retornar.
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— Em relação à vida pessoal dela, não entendo por que há tanto alvoroço — disse Delcy à NBC. — Quanto ao seu retorno ao país, ela terá que prestar contas à Venezuela. Por que ela pediu uma intervenção militar? Por que ela pediu sanções contra a Venezuela e por que ela comemorou os eventos que ocorreram no início de janeiro?
A líder opositora, que está nos Estados Unidos há algumas semanas após receber o Prêmio Nobel da Paz na Noruega no início de dezembro, expressou o desejo de retornar à Venezuela, mas sem definir um prazo.
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Esta é a segunda entrevista que o regime chavista concede a veículos de comunicação dos EUA. A primeira foi dada pelo irmão do presidente e líder da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, à emissora Newmax.
Delcy também falou sobre a possibilidade de ir aos EUA, o que a tornaria a primeira líder chavista a fazer uma visita oficial a Washington em quase 30 anos.
— Fui convidada para os Estados Unidos e estamos considerando ir assim que estabelecermos cooperação e pudermos avançar com tudo — afirmou a presidente interina na quarta-feira, mesmo dia em que recebeu o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em Caracas.
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Ela também defendeu a legitimidade de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela, apesar de os resultados das eleições de julho de 2024 terem mostrado uma vitória esmagadora para Edmundo González, o candidato apoiado por María Corina Machado. Desde que foi capturado em uma megaoperação americana no início do ano, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, aguardam julgamento em Nova York por acusações de tráfico de drogas.
— Posso afirmar isso como advogada, que é o que sou. O presidente Maduro e Cilia Flores, a primeira-dama, são inocentes — acrescentou Delcy.
“O verão já embica para a metade, graças a Deus as moças já estão nas praias exatamente como a música previra – mas e as cigarras? Você ouviu alguma zinindo neste verão 2026?” A pergunta feita por Joaquim Ferreira dos Santos em uma de suas crônicas repercutiu entre os leitores do GLOBO, que enviaram cartas comentando também sentirem falta do canto das cigarras no Rio nos últimos tempos.
A leitora Maria Inês Escosteguy relembra a infância repleta do barulho dos insetos, com a avó dizendo que o canto das cigarras anunciava o calor, naquela época bem mais ameno que hoje. E aventa a possibilidade de elas terem sido expulsas das cidades por conta do atual clima “tórrido, um purgatório”.
A jornalista do GLOBO Ana Lucia Azevedo, especializada em Ciência e Meio Ambiente, correu atrás de possíveis respostas para a leitora conversando com o professor de entomologia José Antônio Marin Fernandes, da Universidade Federal do Pará. Confira no vídeo abaixo.
Carta dos leitores: Para onde foram as cigarras?
Leia a carta completa:
“Que coisa tão linda a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos! Suas palavras gentis, falando das suas lembranças também gentis sobre o canto das cigarras, são tocantes pela singeleza. E me ensinaram que as cigarras zinem, verbo desconhecido até então. Mas bem me lembro ainda delas por aqui no bairro, zinindo e dizendo como minha avó ao ouvi-las: vai fazer calor. O que fazia na época de Machado de Assis para nós seria quase inverno. Hoje o mundo é tórrido, o calor, um purgatório. As cigarras perderam parte de seu habitat nas cidades e provavelmente cantam pelas matas, cumprindo seu destino. As bundinhas de fora ainda estão por aí. As cigarras se foram porque a cidade as expulsou. As formigas também… me dei conta de que também não vejo mais formigas carregando folhas, o que encantava meus filhos há alguns anos… Felizmente as maritacas ainda não se foram. Outro dia três matraqueavam em cima do ar-condicionado. Talvez porque gritem alto. Quem sabe um grito de alerta pelas cigarras? E por nós também? Estamos precisando estar atentos e fortes…” Por Maria Inês Escosteguy Carneiro (Rio)
Entenda o contexto:
Embora muitos lamentem ouvir menos, ou até mesmo não ouvir cigarras na cidade, isso não significa que elas foram extintas. Na verdade, não existem estudos populacionais sobre elas no Brasil. A maioria das pesquisas sobre cigarras diz respeito ao registro de espécies. Já foram descritas mais de 150 no país, e a mais comum é a Carineta fasciculata.
Ela se adaptou a áreas rurais e urbanas. Seu canto pode chegar a centenas de metros de distância, mas ela mede apenas 3,5 cm de comprimento, aproximadamente. Tem corpo amarelado marcado por linhas ou manchas pretas irregulares, olhos bem grandes e as características asas transparentes das cigarras.
Ainda não existem dados amplos e consistentes sobre as espécies, até mesmo na cidade do Rio. Muitas cigarras são menores e nem todas têm tanta potência sonora. Assim, como não se conhece exatamente a quantidade de espécies e, menos ainda, o tamanho da população anterior, não é possível afirmar que o número de insetos caiu.
Mas podemos levantar hipóteses, destaca o especialista José Antônio Marin Fernandes, professor de entomologia da Universidade Federal do Pará, ouvido pela jornalista Ana Lucia Azevedo.
A primeira hipótese é que seja apenas uma sensação e as cigarras ainda estejam por aí. A segunda é que seja um fenômeno restrito a algumas partes da cidade. Na Zona Oeste e na Floresta da Tijuca, por exemplo, elas seguem a cantar. A terceira é que a população de cigarras tenha de fato sido reduzida.
As possíveis causas para essa redução são todas hipotéticas. A primeira é ambiental e complexa. Os insetos estão mundialmente em declínio (pragas, como mosquitos, são exceções). As causas incluem perda de habitat, poluição e mudança climática.
É fato que as mudanças no clima reduziram drasticamente a população de insetos em geral em todo o mundo, frisa o professor José Antônio. O calor afeta todos os animais. E os invertebrados, como os insetos, são altamente vulneráveis a mudanças sutis de temperatura, que podem ser letais para criaturas tão pequenas. Os insetos tropicais, ao contrário do que se poderia imaginar, não são resilientes ao calor extremo. Há limites de calor até para eles.
As cigarras podem passar anos se desenvolvendo sob o solo. Algumas das espécies que ocorrem no Brasil chegam a passar 15 anos nessa vida subterrânea. Até que, por mecanismos ainda pouco conhecidos, emergem aladas e alçam voo para sua breve vida adulta, que dura de uma semana a dois meses.
Em boa parte do Brasil, o auge da emergência dos adultos coincide com o período quente e chuvoso (primavera/verão). A umidade e a temperatura favorecem a metamorfose. É por isso que associamos o canto ao verão e às chuvas da estação.
A fase adulta é o período reprodutivo. Elas se reproduzem e morrem. O canto é o chamado sexual das cigarras, sobretudo dos machos. Se estiver muito quente ou houver alterações no regime de chuvas, para mais ou para menos, isso pode afetar as cigarras.
Embora chova neste fevereiro de 2026, a estação chuvosa segue no déficit. E o déficit de chuva tem sido progressivo em todo o Centro-Sul do Brasil nas últimas quatro décadas, mostrou estudo do Cemaden. Quase um mês a menos de chuva por ano.
Outro fator extremamente importante é a impermeabilização do solo. Mesmo que as árvores urbanas persistam em alguns bairros, canteiros minúsculos, calçadas sepultando o entorno das árvores podem impedir que as fêmeas cavem o solo para enterrar seus ovos. Resultado: o desaparecimento das cigarras.
Mais um inimigo é a poluição luminosa. O professor José Antônio diz que estudos mostraram que o excesso de luz urbana interfere no ciclo de vidas das mariposas e o mesmo, em tese, poderia acontecer com as cigarras.
A poluição sonora também atrapalha. O barulho das cidades pode se contrapor à cantoria das cigarras. Elas até cantam, mas são abafadas. As cigarras produzem som em estruturas no abdome chamadas timbais, que vibram e amplificam.
E ainda há os predadores naturais, como as formigas, que têm proliferado nas cidades e comem as larvas de cigarra. Quem também faz a cigarra de alimento são os muitos morcegos urbanos, que existem em grande quantidade. Eles comem os insetos adultos.
Densidade populacional é outro fator hipotético para a redução das cigarras: há limites para os animais se adaptarem à agitação das cidades.
A primeira grande manifestação da oposição na Venezuela desde a deposição do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA há pouco mais de um mês atraiu milhares de pessoas à capital venezuelana nesta quinta-feira, às vésperas da aprovação de uma lei de anistia histórica. A manifestação faz parte de uma ação nacional que abrange pelo menos 17 estados. Em outras regiões, como Bolívar, Mérida, Táchira e Carabobo, estudantes universitários reivindicam a libertação de todos os presos políticos e mais transparência no país.
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Gritando “Não temos medo!”, milhares se reuniram com faixas e bandeiras ao redor da principal universidade do país, em Caracas, atendendo a um chamado do movimento estudantil para comemorar o Dia Internacional da Juventude, informaram jornalistas da AFP.
O movimento chavista também convocou uma manifestação no centro de Caracas. O Parlamento venezuelano deve iniciar nesta quinta-feira o debate final para a aprovação de uma lei de anistia geral que levaria à libertação em massa de presos políticos.
Estudantes da Universidade Central da Venezuela (UCV) e familiares de presos políticos se reuniram na Praça da Reitoria da universidade, em Caracas, para exigir a libertação imediata de todos os presos políticos e a aprovação da legislação.
Centenas de estudantes universitários chegaram cedo pela manhã com faixas, slogans e bandeiras venezuelanas para pedir transparência, fiscalização independente do processo legislativo e garantias de que prisões por motivação política não se repetirão.
O movimento estudantil venezuelano ganhou destaque novamente após os eventos de 3 de janeiro, que incluíram a prisão de Maduro e sua esposa, Cília Flores, e reacenderam os protestos nas ruas.
(Com AFP)
*Em atualização
O criminoso sexual Jeffrey Epstein, falecido em 2019 enquanto aguardava julgamento pelo caso que envolve acusações de exploração sexual de menores de idade e tráfico humano, tem um CPF regular junto à Receita Federal do Brasil. O documento expedido em nome de Epstein foi citado em uma lista de bens apreendidos pelas autoridades americanas, divulgada na última leva de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Vivi para contar: ‘Quero que todos os homens mencionados nos arquivos de Epstein sejam levados à Justiça’, diz Marina Lacerda, brasileira que sobreviveu aos abusos
Repercussão nos EUA: Em audiência, democratas acusam secretária de Justiça dos EUA de ‘acobertamento’ do caso Epstein
Em um dos arquivos colocados para consulta pública pelas autoridades americanas, envolvendo a investigação de Epstein, que parece ser um inventário de documentos apreendidos pela polícia, as autoridades americanas apontam a existência de um “CPF brasileiro” junto com uma procuração. Por se tratar de uma lista descritiva, não há informações sobre qualquer possível uso dado pelo magnata ao documento.
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Em consulta ao sistema da Receita Federal nesta quinta-feira, um CPF emitido em nome de Jeffrey Edward Epstein aparece em “situação regular”. As informações da indicam que o registro foi feito no dia 23 de abril de 2023. A data de nascimento no documento confere com a do magnata americano.
Os documentos do caso Epstein mostraram alguns vínculos e interesses do criminoso com o Brasil e com cidadãos brasileiros. Em e-mails e trocas de mensagem com uma série de interlocutores, Epstein mencionou políticos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, empresários como Eike Batista. Não há confirmação sobre contato direto com nenhum deles. O bilionário enviou valores para ao menos um brasileiro, Reinaldo da Silva, casado com o ex-embaixador do Reino Unido em Washington, Peter Mandelson (o que abriu uma crise no governo trabalhista liderado por Keir Starmer, que o indicou ao cargo) e negociou a compra de uma agência de modelos brasileira para “ter acesso a garotas”.
CPF no nome de Jeffrey Epstein em situação regular no Brasil
Reprodução
Em uma troca de e-mails com a empresária alemã Nicole Junkermann — com quem tinha importantes laços comerciais —, Epstein chega a tratar sobre a ideia de tirar cidadania brasileira. Em um e-mail de 5 de outubro de 2011, Nicole pergunta ao americano o que ele acha de “tirar a cidadania brasileira?”. No mesmo dia, o financista responde que considera a ideia “interessante”, mas acrescenta: “vistos podem ser um problema, quando viajar para outros países”. As mensagens não oferecem qualquer contexto quanto à discussão.
E-mail trocado entre Epstein e empresária alemã Nicole Junkermann sobre possibilidade de naturalização no Brasil
Reprodução/Departamento de Justiça dos EUA
Embora seja possível para qualquer estrangeiro registrar um CPF no Brasil, a prática é incomum para quem busca apenas visitar ao país. A documentação indica que o empresário pode ter tido interesse em expandir seus negócios em território nacional. Outras comunicações mostram que Epstein tentou se aproximar de figuras importantes dos setores financeiro e empresarial do Brasil.
Em uma resposta a reportagem do G1, a Receita Federal infirmou que qualquer medida relacionada ao CPF de uma pessoa estrangeira falecida só pode ser solicitada por inventariante, cônjuge, beneficiário de pensão por morte, companheiro, parente ou sucessor legal — sendo cada um destes condicionado a haver ou não bens a inventariar no Brasil.
Repórter conta bastidores da entrevista com brasileira que sobreviveu a abusos de Epstein
Após a divulgação dos milhões de arquivos sobre o caso Jeffrey Epstein, contas nas redes sociais favoráveis ao governo russo divulgaram a ideia de que os documentos revelariam que a Ucrânia era um centro mundial de tráfico sexual. Segundo algumas das contas, os arquivos mostram que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria tentado salvar crianças ucranianas de uma rede ligada ao falecido criminoso sexual. Os perfis aproveitaram o real envolvimento de figuras importantes de todo o mundo para propagar acusações contra Kiev, segundo investigações da AFP e um relatório do Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD) publicado nesta quinta-feira.
Veja: Epstein construiu laços com autoridades e empresários russos e tentou marcar encontro com Putin, mostram arquivos
Caso Epstein: o que se sabe sobre escândalo que causou crise política e atingiu elites na Europa e nos EUA?
Uma publicação recente no X, que teve mais de 3 milhões de visualizações, afirmou que os arquivos do caso Epstein “confirmam que Putin não havia sequestrado crianças na Ucrânia, mas que as havia retirado para protegê-las de serem vendidas no tráfico sexual infantil”.
As afirmações dispararam nas redes sociais, após a divulgação mais recente dos documentos, com mais de 15 mil publicações no X em dois dias, segundo o ISD, que tem sede em Londres.
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Embora não exista nenhuma prova de que o governo russo esteja ligado a estas publicações, a divulgação dos documentos do caso Epstein “serve aos seus interesses”, estima uma das autoras do relatório do ISD, Liana Sendetska.
— Simplesmente tentam saturar o espaço informativo com tudo isto para ver se pega — disse Olga Tokariuk, outra autora do relatório.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia deportou ou deslocou à força cerca de 20 mil crianças ucranianas, segundo o governo de Kiev. No entanto, Moscou afirma que os transportou para protegê-los dos combates. Em 2023, por exemplo, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra Putin pela “deportação ilegal” de crianças das zonas ocupadas da Ucrânia para a Rússia.
Laços com empresários russos e encontro com Putin
Os documentos, divulgados pelo Departamento de Justiça no dia 30 de janeiro, indicam que Epstein manteve relações com autoridades e empresários russos e buscou, por anos, organizar um encontro com Putin. O material amplia o alcance internacional dos contatos do financista, morto em 2019, e detalha trocas de mensagens, convites para eventos oficiais e pedidos de intermediação política e pessoal.
Segundo os arquivos, Epstein manteve correspondências diretas com russos de alto escalão e recorreu a intermediários para tentar viabilizar uma reunião com Putin ao longo da década de 2010. Não há, porém, evidência de que esse encontro tenha ocorrido. O nome do presidente russo aparece mais de mil vezes nos documentos, em sua maioria em recortes de imprensa e boletins informativos recebidos por Epstein.
Em e-mails privados, Epstein tentou repetidamente obter uma audiência com Putin, muitas vezes por meio do ex-primeiro-ministro da Noruega Thorbjørn Jagland (1996-1997). Em uma mensagem de 2013 ao ex-premier de Israel Ehud Barak (1999-2001), Epstein afirmou ter sido convidado para o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, evento anual que conta com a presença de Putin, mas disse ter recusado. Sobre o presidente russo, escreveu: “Se ele quiser se encontrar, terá de reservar tempo real e privacidade”.
Lesões, mandíbula e possível homicídio: O que revelam fotos do cadáver e documentos inéditos sobre a morte de Epstein?
Correspondências com Jagland mostram Epstein pedindo que a possibilidade de um encontro fosse mencionada em visitas a Moscou: “Sei que você vai se encontrar com Putin no dia 20. Ele está desesperado para atrair investimento ocidental para o país… eu tenho a solução dele”, escreveu Epstein. E-mails posteriores indicam que não houve avanço. Mais tarde, Epstein reclamou que não recebeu resposta.
O Kremlin, por sua vez, reagiu minimizando o caso.
— As alegações de laços entre Epstein e a inteligência russa não merecem nada além de piadas — disse um porta-voz, acrescentando que o tema não justificava comentários sérios.

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