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O Vaticano não participará do “Conselho da Paz”, o organismo internacional promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou nesta terça-feira o secretário de Estado da Santa Sé.
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A junta, presidida por Trump, foi concebida inicialmente para supervisionar a trégua em Gaza e a reconstrução do território após a guerra entre o Hamas e Israel. Mas seu propósito evoluiu desde então para a resolução de todo tipo de conflitos internacionais, o que despertou temores de que o presidente americano queira criar um rival das Nações Unidas.
O cardeal Pietro Parolin, número dois do Vaticano, afirmou que o Vaticano não estará envolvido no “Conselho da Paz” de Trump e insistiu no papel da ONU.
— Para nós, há algumas questões críticas que deveriam ser resolvidas — afirmou.
Parolin não especificou quais são essas questões, mas ressaltou que — em nível internacional, acima de tudo — é a ONU que administra essas situações de crise.
Desde que Trump lançou seu “Conselho da Paz” no Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, pelo menos 19 países assinaram sua carta fundadora. Os membros permanentes devem aportar um bilhão de dólares para integrar o organismo, o que, segundo críticos, poderia transformá-lo em uma versão “paga” do Conselho de Segurança da ONU.
Uma juíza federal decidiu nesta terça-feira que Kilmar Abrego Garcia, salvadorenho que foi deportado por engano para seu país de origem no ano passado, não pode voltar a ser detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), ao concluir que o prazo de detenção de 90 dias expirou e que o governo não apresentou um plano viável para deportá-lo.
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O caso de Garcia tornou-se um ponto central no debate sobre imigração nos Estados Unidos em 2025. Desde que retornou ao território americano, ele vem contestando na Justiça uma segunda tentativa de deportação, desta vez para uma série de países africanos proposta por autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS).
“O governo fez uma ameaça vazia atrás da outra de removê-lo para países da África sem nenhuma chance real de sucesso”, escreveu a juíza distrital dos EUA Paula Xinis, em Maryland, na decisão. “Diante disso, o tribunal conclui facilmente que não há bons motivos para acreditar que a remoção seja provável em um futuro razoavelmente previsível”.
A secretária-assistente do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, criticou a decisão em um e-mail: “Se esta questão realmente fosse sobre a lei ou o devido processo legal, Kilmar Abrego Garcia já teria sido deportado e nunca mais pisaria neste país; a juíza Xinis não ficará satisfeita até que ele seja autorizado a viver nos EUA para sempre”.
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Em sua decisão, a juíza Paula Xinis observou que o governo “propositalmente — e sem motivo — ignorou o único país que consistentemente se ofereceu para aceitar Abrego Garcia como refugiado e para o qual ele concorda em ir”. Esse país é a Costa Rica.
O advogado do salvadorenho, Simon Sandoval-Moshenberg, argumentou em tribunal que a detenção migratória não deve funcionar como punição, considerando que imigrantes só podem ser detidos como forma de viabilizar sua deportação e não podem permanecer presos indefinidamente sem um plano viável de remoção.
“Desde que a juíza Xinis ordenou a libertação de Garcia em meados de dezembro, o governo tentou um truque após o outro para tentar colocá-lo novamente sob custódia”, escreveu o advogado em um e-mail enviado à Associated Press nesta terça-feira. “Em sua decisão de hoje, ela reconheceu que, se o governo estivesse realmente tentando remover Garcia dos EUA, já o teria enviado para a Costa Rica muito antes.”
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Agora, acrescentou o advogado, o governo Trump deve se empenhar de boa-fé para acertar os detalhes da remoção de Garcia para a Costa Rica.
Relembre o caso
Garcia imigrou ilegalmente para os EUA na adolescência, mas vivia no país com status legal protegido desde outubro de 2019. Sua esposa e seu filho de 5 anos são cidadãos americanos. Ainda assim, em 12 de março ele foi parado por agentes de imigração que, erroneamente, lhe disseram que seu status havia mudado, segundo documentos judiciais.
Três dias depois, ele foi colocado em um dos três voos para El Salvador. Na época, o governo Trump acelerava o uso de um estatuto raramente invocado, conhecido como Alien Enemies Act, para deportar dezenas de migrantes venezuelanos acusados de integrar a gangue Tren de Aragua. Apesar de reconhecer o erro, a administração Trump inicialmente disse que não havia nada que pudesse fazer para reparar o ocorrido, alegando que o salvadorenho não estava mais sob custódia dos EUA.
Jennifer Vasquez Sura, esposa de salvadorenho Kilmar Abrego Garcia, ouve o advogado após audiência em Maryland, nos EUA
Haiyun Jiang/The New York Times
Sob pressão pública e por ordem judicial, o presidente americano, Donald Trump, autorizou seu retorno em junho, mas apenas após o governo obter uma denúncia formal acusando-o de contrabando de pessoas no Tennessee. Ele se declarou inocente. Autoridades do governo Trump afirmaram que ele não pode permanecer nos Estados Unidos e, em documentos apresentados à Justiça, disseram que pretendiam deportá-lo para Uganda, Eswatini, Gana e Libéria.
Em julho, advogados do salvadorenho alegaram em um processo judicial que ele foi espancado e sofreu tortura psicológica durante sua detenção na prisão de segurança máxima. Segundo a defesa, ele foi “submetido a graves maus-tratos (…), incluindo fortes espancamentos, privação severa de sono, nutrição inadequada e tortura psicológica”. Ao chegar na prisão, Garcia e outros detentos teriam ouvido de um funcionário:
— Bem-vindos. Quem entra aqui, não sai.
Funcionários o obrigaram a se despir, “chutaram suas pernas com botas e o espancaram na cabeça e nos braços”, escreveram os advogados. Eles rasparam sua cabeça e o espancaram com varas de madeira enquanto o arrastavam para uma cela, deixando hematomas por todo o corpo. Garcia e outros 20 salvadorenhos “foram forçados a se ajoelhar das 21h às 6h, e os guardas espancavam qualquer um que caísse de exaustão”.
Os prisioneiros eram confinados em beliches de metal sem colchões em uma cela lotada, sem janelas e com luzes brilhantes acesas 24 horas por dia. Seus advogados alegaram ainda que García perdeu 14 quilos durante suas duas primeiras semanas na prisão.
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira o presidente interino José Jerí por má conduta e inadequação para o cargo, após um processo de impeachment. Jerí, o sétimo chefe de Estado peruano em 10 anos, foi destituído do cargo que assumiu como presidente do Congresso em outubro de 2025.
“Os presidentes das casas legislativas declaram vago o cargo de presidente da República”, anunciou o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi.
O Parlamento elegerá um novo presidente na quarta-feira, que assumirá automaticamente a Presidência interina do Peru até 28 de julho.
Em atualização.
Várias ONGs israelenses alertaram para um plano do governo de Israel que, segundo afirmam, pode expandir as fronteiras de Jerusalém em direção à Cisjordânia pela primeira vez desde 1967, ano da ocupação desse território palestino. As organizações sustentam que a proposta representaria uma ampliação territorial com impacto direto sobre a configuração da cidade.
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Israel ocupou Jerusalém Oriental em 1967 e posteriormente anexou a área, medida que não é reconhecida pela comunidade internacional. Os palestinos consideram Jerusalém Oriental como a possível capital de um futuro Estado palestino. A situação da cidade é um dos pontos centrais do conflito entre israelenses e palestinos.
O plano foi publicado no início de fevereiro e coincide com uma série de medidas que buscam ampliar o controle de Israel na Cisjordânia. Críticos avaliam que essas iniciativas apontam para uma anexação de fato do território palestino, embora o governo israelense não tenha anunciado formalmente tal medida.
O projeto foi anunciado pelo Ministério da Construção e Habitação de Israel e prevê a expansão para o leste do assentamento de Geva Binyamin, também chamado Adam, localizado ao nordeste de Jerusalém, na Cisjordânia. A área integra o Conselho Regional de Binyamin, que representa assentamentos ao norte de Ramallah.
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Em nota, o ministério informou que o plano inclui a construção de 2.780 unidades habitacionais no assentamento, com investimento estimado em 120 milhões de shekels, o equivalente a cerca de R$ 202 milhões. O projeto ainda precisa passar por etapas formais de aprovação.
Segundo a ONG israelense Paz Agora, a iniciativa equivaleria a uma extensão de Jerusalém para dentro da Cisjordânia, algo que, de acordo com a entidade, não ocorre desde 1967. Para o diretor da organização, Lior Amihai, o plano altera o status da área, tornando o novo bairro uma parte integral da cidade de Jerusalém.
Aviv Tatarsky, pesquisador da ONG Ir Amim, que estuda Jerusalém no contexto do conflito, também avalia que a medida representa, na prática, uma expansão da cidade. Segundo ele, a mudança não se limita à ampliação de um assentamento.
— Se há construções, se as pessoas vivem lá, as pessoas que viverem serão jerosolimitas — declarou à AFP. — Em termos práticos, não é o assentamento que se expande, é a expansão da cidade.
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O acordo para a construção foi assinado pelo Ministério da Construção e Habitação, pelo Ministério das Finanças e pelo Conselho Regional de Binyamin. O projeto ainda precisa receber o aval do Comitê Superior de Planejamento da Administração Civil, processo que pode levar meses.
Excluindo Jerusalém Oriental, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, considerados ilegais segundo o direito internacional. No mesmo território, residem cerca de três milhões de palestinos.
Relatório da ONU
Em relatório de janeiro, as Nações Unidas acusaram Israel de ter intensificado a discriminação e a segregação contra os palestinos na Cisjordânia e pediram ao país que ponha fim ao que descreve como um “sistema de apartheid”. Em comunicado, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, escreveu:
“Há uma asfixia sistemática dos direitos dos palestinos na Cisjordânia. Seja para acessar água, ir à escola, buscar atendimento hospitalar, visitar familiares ou amigos, ou colher azeitonas, cada aspecto da vida dos palestinos na Cisjordânia é controlado e restringido por leis, políticas e práticas discriminatórias de Israel”.
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O relatório afirma que as autoridades israelenses submetem colonos israelenses e palestinos que vivem na Cisjordânia a dois regimes jurídicos e políticas distintos, resultando em tratamento desigual. Os palestinos, diz o texto, continuam sofrendo confiscações massivas de terras, privação de acesso a recursos e processos em tribunais militares que “violam sistematicamente o direito ao devido processo”.
A violência se intensificou após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. Desde o início do conflito, mais de mil palestinos morreram na Cisjordânia em ações de tropas israelenses e de colonos, segundo levantamento da AFP com base em dados do Ministério da Saúde palestino. Pelas cifras oficiais do Estado judeu, ao menos 44 israelenses morreram em ataques palestinos ou em operações militares no mesmo período.
O relatório afirma ainda que, desde o começo da guerra em Gaza, as autoridades israelenses ampliaram o uso de força ilegal, detenções arbitrárias e tortura, além de haver expansão dos assentamentos e mortes de palestinos com “quase total impunidade”. O texto diz ter encontrado “motivos razoáveis” para crer que essa segregação e subordinação têm intenção de ser permanentes.
O pai de um adolescente que matou quatro pessoas em uma escola de ensino médio nos EUA foi a julgamento no estado da Geórgia, no sul do país. Trata-se de um caso raro em que um pai enfrenta acusações por um ataque a tiros cometido por seu filho. Colin Gray, de 55 anos, comparecerá ao tribunal a partir de segunda-feira, acusado de homicídio doloso e culposo pelo ataque ocorrido em 4 de setembro de 2024 na Apalachee High School, cometido por seu filho Colt.
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Dois estudantes de 14 anos e dois professores foram mortos, e outras nove pessoas ficaram feridas em um ataque a tiros em Winder, Geórgia. Colt Gray, que tinha 14 anos na época e agora tem 16, foi acusado como adulto e aguarda julgamento.
Durante as alegações iniciais, os promotores afirmaram que o pai deu ao filho o fuzil AR-15 utilizado na ocasião como presente de Natal de 2023, apesar dos avisos de que ele havia ameaçado realizar um ataque a tiros em uma escola.
Segundo o FBI, as autoridades locais entrevistaram Colt e seu pai em maio de 2023, após receberem denúncias anônimas sobre ameaças feitas pelo jovem na internet.
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— Este caso diz respeito a este réu e às suas ações, ao permitir que um menor sob sua custódia tivesse acesso a uma arma de fogo e munição após ter sido avisado de que o menor poderia ferir outras pessoas — disse Brad Smith, promotor do condado de Barrow.
O advogado de defesa Brian Hobbs disse ao júri que Colin Gray desconhecia as intenções do filho e havia procurado ajuda para seu estado de saúde mental debilitado.
Os ataque a tiros em escolas são um fenômeno comum nos Estados Unidos, onde o número de armas supera o de habitantes e as regulamentações para a aquisição até mesmo de rifles potentes de estilo militar são frouxas.
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A responsabilidade dos pais em ataque a tiros tem sido alvo de crescente escrutínio nos últimos anos.
Em abril de 2024, os pais de um adolescente condenado à prisão perpétua por matar quatro estudantes em sua escola de ensino médio em Michigan, em 2021, com uma arma que lhe haviam dado, foram condenados a penas de 10 a 15 anos por homicídio culposo, a primeira sentença desse tipo nos Estados Unidos.
O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA (SouthCom, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira que três novos ataques lançados contra lanchas rápidas supostamente utilizadas por traficantes de drogas no Caribe e no Pacífico resultaram na morte de 11 suspeitos — elevando para 140 o total de mortos na operação ordenada pelo presidente americano, Donald Trump, à título de contenção de rotas de tráfico em direção ao país, mas contestada por autoridades internacionais como uma violação de regras e princípios de direito internacional.
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Imagens das três ações foram compartilhadas pelo SouthCom no perfil oficial do comando no X. As gravações mostram que duas embarcações estavam paradas quando foram bombardeadas, e uma terceira navegava em alta velocidade. Nos vídeos, é possível ver pessoas se movimentando dentro de duas das lanchas antes dos ataques. Todos os ataques aconteceram na segunda-feira.
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Ainda de acordo com as informações oficiais, os ataques deixaram um saldo de “quatro mortos na primeira embarcação” e “quatro na segunda embarcação” — essas duas atacadas no Pacífico oriental — e três na terceira embarcação, que trafegava pelo Caribe.
A campanha americana já realizou cerca de 40 ataques como os apresentados nesta terça-feira. Em poucas oportunidades houve sobreviventes, e há pelo menos um caso em que se tem notícia de que houve um duplo bombardeio, após a identificação de que o ataque inicial deixou sobreviventes.
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O governo de Donald Trump insiste que está em guerra contra “narcoterroristas” — assim designados após a equiparação de organizações criminosas e organizações terroristas internacionais pelos EUA no começo do mandato Trump. O Pentágono, porém, não se preocupou em apresentar provas conclusivas de que as embarcações atingidas tinham envolvimento com qualquer grupo.
O modus operandi gerou um acalorado debate sobre a legalidade das operações. Especialistas em direito internacional e grupos de direitos humanos afirmam que os ataques constituem execuções extrajudiciais, já que aparentemente tiveram como alvo civis que não representavam qualquer ameaça imediata aos EUA.
O governo recorda as operações realizadas durante décadas contra supostos jihadistas em países como Iêmen, Somália ou Síria, nas quais os alvos também eram atacados sem representar uma ameaça iminente. (Com AFP)
Delegações da Rússia e da Ucrânia iniciaram nesta terça-feira, em Genebra, uma nova rodada de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos, a uma semana do quarto aniversário da invasão em larga escala lançada por Moscou em fevereiro de 2022. As conversas, previstas para durar dois dias, ocorrem na Suíça com a participação de representantes americanos e em meio à continuidade dos combates no front e de ataques aéreos contra cidades ucranianas.
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O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, divulgou imagens das três equipes reunidas em uma mesa em formato de ferradura, com russos e ucranianos sentados frente a frente. À cabeceira estavam o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, diante das bandeiras dos EUA, Rússia, Ucrânia e Suíça. Segundo Umerov, a pauta inclui questões de segurança e humanitárias.
— Os ucranianos trabalharão sem expectativas excessivas — disse.
As perspectivas de avanços são consideradas baixas. De acordo com uma pessoa familiarizada com as negociações que falou à agência Associated Press sob condição de anonimato, nenhuma das partes parece disposta a ceder em questões centrais, como o futuro dos territórios ocupados pela Rússia e as garantias de segurança exigidas por Kiev. Os Estados Unidos estabeleceram junho como prazo para um possível acordo.
Entre os pontos mais sensíveis está o destino de cerca de 20% do território ucraniano que a Rússia ocupa ou reivindica, incluindo a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, e áreas do leste e sul do país. A Rússia insiste que a Ucrânia ceda o controle da região oriental do Donbass e que suas tropas se retirem das áreas ainda sob domínio de Kiev na região de Donetsk. A Ucrânia rejeita a exigência.
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Chefes militares dos EUA, Rússia e Ucrânia também estão em Genebra para discutir como funcionaria o monitoramento de um eventual cessar-fogo e quais mecanismos seriam necessários para implementá-lo. Em rodadas anteriores realizadas em Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, comandantes analisaram a criação de uma zona desmilitarizada e canais de comunicação entre as forças armadas envolvidas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, advertiu contra a expectativa de resultados imediatos no primeiro dia de conversas, afirmando que as negociações devem continuar na quarta-feira. Moscou divulgou poucos detalhes sobre os encontros anteriores, e o Kremlin voltou a designar como chefe da delegação o assessor presidencial Vladimir Medinsky, que liderou as negociações diretas com a Ucrânia em Istambul em 2022.
— Bem, temos grandes conversas. Vai ser muito fácil. Quero dizer, vejam, até agora, a Ucrânia é melhor que se sente à mesa rapidamente. É tudo o que digo — disse Trump a bordo do Air Force One na segunda-feira.
Combates continuam
Enquanto as delegações se reuniam, os combates prosseguiam ao longo da linha de frente de aproximadamente 1.250 quilômetros. Durante a madrugada, a Rússia lançou quase 400 drones de longo alcance e 29 mísseis contra 12 regiões da Ucrânia, segundo o presidente Volodymyr Zelensky. Nove pessoas ficaram feridas, entre elas crianças.
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Zelensky afirmou que dezenas de milhares de moradores ficaram sem aquecimento e água encanada na cidade portuária de Odessa, no sul do país, após os ataques. Em publicação nas redes sociais, escreveu: “Quanto mais esse mal vier da Rússia, mais difícil será para todos chegar a qualquer acordo com eles. Os parceiros precisam entender isso. Antes de tudo, isso diz respeito aos Estados Unidos.” O presidente também declarou que Moscou deve ser “responsabilizada” pelos ataques, que, segundo ele, minam os esforços americanos por um acordo de paz.
“Concordamos com todas as propostas realistas dos Estados Unidos, começando pela proposta de um cessar-fogo incondicional e de longo prazo”, publicou Zelensky em outra mensagem. Já o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Adrii Sibiga, escreveu: “O alcance do desprezo da Rússia pelos esforços de paz: um ataque massivo com mísseis e drones contra a Ucrânia justamente antes da próxima rodada de negociações”.
A Rússia, por sua vez, afirmou ter destruído mais de 150 drones ucranianos em regiões do sul do país e na Crimeia, ocupada por forças de Moscou desde 2014. Também à Associated Press, uma autoridade de segurança ucraniana disse, sob condição de anonimato, que o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) utilizou drones de longo alcance para atingir o terminal de petróleo Tamanneftegaz, na região russa de Krasnodar, e a fábrica Metafrax Chemicals, na região de Perm, a mais de 1.600 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
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Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, o conflito se tornou o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e extensas áreas do leste e do sul da Ucrânia devastadas pelos combates. (Com AFP)
O governo da Colômbia anunciou nesta terça-feira que retomará as negociações de paz com o Clã do Golfo, suspensas pelo cartel há duas semanas em protesto contra acordos do presidente Gustavo Petro com seu homólogo americano, Donald Trump.
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O mandatário acertou, em uma visita à Casa Branca em 3 de fevereiro, realizar ações conjuntas para localizar “Chiquito Malo”, o principal comandante do grupo. O acordo levou o Clã do Golfo a interromper os diálogos com o governo, que vinham sendo realizados desde setembro no Catar.
Nesta terça, o escritório de paz do governo informou que os negociadores se reuniram em Bogotá em 9 de fevereiro e deram por “superada” a suspensão das negociações. O processo de paz “continua avançando”, afirmou o órgão em um comunicado.
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Petro entregou a Trump uma lista dos principais narcotraficantes da Colômbia com o objetivo de receber apoio dos serviços de inteligência dos Estados Unidos para detê-los.
Entre eles estavam Chiquito Malo e Iván Mordisco, líder da maior dissidência das Farc, o grupo armado que assinou a paz com o governo em 2016, e Pablito, um dos principais líderes da guerrilha ELN na fronteira com a Venezuela.
Os dirigentes do Clã do Golfo consideraram que esses acordos representavam um “atentado” contra sua “boa-fé” e abandonaram a mesa de negociações em Doha.
“O presidente Petro colocou seus interesses pessoais acima do bem maior, que é a paz nos territórios”, afirmou o cartel naquele momento.
O governo e o Clã do Golfo negociam com vistas a um desarmamento em troca de benefícios legais. Até o momento, chegaram a alguns acordos, como reduzir a intensidade do conflito em localidades castigadas pela violência no noroeste do país.
Após meses de confrontos nas redes sociais, Petro e Trump uniram esforços para combater o narcotráfico na Colômbia, o país que mais produz cocaína no mundo.

Um prédio localizado em uma base militar russa próxima a São Petersburgo, no noroeste do país, desabou nesta terça-feira, segundo informaram autoridades locais. As causas do incidente ainda não foram esclarecidas.
O governador da região de Leningrado, Alexandre Drozdenko, afirmou em publicação no Telegram que determinou apoio das forças de segurança às equipes militares para a retirada dos escombros e o resgate de possíveis vítimas no local.
— Ordenei que as forças de segurança auxiliem o Exército na remoção dos destroços e no resgate das vítimas do desabamento de um edifício da polícia militar na base de Sertolovo — declarou.
Sertolovo fica a poucos quilômetros ao norte de São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia.
Veículos de imprensa locais divulgaram imagens — ainda não verificadas oficialmente — que mostram parte da estrutura colapsada. Segundo esses relatos, ao menos duas pessoas teriam morrido, mas o número não foi confirmado pelas autoridades até o momento.
O governo regional afirmou que investigações estão em andamento para determinar o que provocou o desabamento.
Desabamentos acidentais de prédios não são incomuns na Rússia, especialmente em casos relacionados a vazamentos de gás. Desde o início da ofensiva militar russa em larga escala contra a Ucrânia, em 2022, instalações militares também passaram a ser alvo de ataques ucranianos em diversas regiões do país.
Enquanto delegações diplomáticas de Irã e EUA participavam de uma nova rodada de negociações, em Genebra, para discutir termos de um possível acordo nuclear, o regime de Teerã anunciou que partes do Estreito de Ormuz seriam fechadas nesta terça-feira por motivos de “segurança”, em razão dos exercícios militares da Guarda Revolucionária iraniana. As negociações acontecem em meio a um cenário de preparativos militares, após a grande mobilização de navios de combate e porta-aviões de Washington para a região, e de elevadas tensões — com o presidente americano, Donald Trump, afirmando que a nação persa não está preparada para as “consequências” de um não acordo, e o aiatolá Ali Khamenei ameaçando afundar a frota enviada para o Golfo Pérsico.
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Enquanto diplomatas conversam sobre acordo nuclear: Pentágono se prepara para uma possível guerra com o Irã
O anúncio do fechamento parcial do Estreito de Ormuz — principal via de escoamento das produções de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico — foi feito pela televisão estatal iraniana. A justificativa apresentada na rede oficial foi o respeito aos “princípios de segurança e navegação”, uma vez que as forças navais da Guarda Revolucionária iniciaram treinamentos de prontidão na segunda-feira, com o objetivo anunciado de preparar uma resposta rápida em caso de agressões.
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“As principais rotas de trânsito do Estreito de Ormuz estão sob o controle da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, e o Irã não tem linhas vermelhas quando se trata de salvaguardar a segurança nesta região”, informou a TV estatal.
A tensão militar entre os países rivais acontece em meio a um delicado processo diplomático, que ocorre por meio de diálogos indiretos mediados por representantes de Omã. A primeira rodada de negociações aconteceu na capital do país do Oriente Médio, Mascate, e terminou com avaliações positivas das duas partes — embora não tenha dissipado a escalada bélica.
Na noite de segunda-feira, quando a representação iraniana liderada pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, já estava em Genebra, Trump voltou a fazer ameaças veladas ao regime — que horas antes havia dito que não se dobraria a ameaças.
— Eles querem chegar a um acordo. Não acho que queiram as consequências de não alcançar um acordo — afirmou o republicano, que em uma declaração recente já havia dito que o tempo para a diplomacia estava se encerrando.
Mapa mostra onde fica localizado o Estreito de Ormuz
Arte O GLOBO
As declarações de Trump foram rebatidas por Teerã. Em um discurso na capital iraniana, o aiatolá Ali Khamenei direcionou comentários ao presidente americano, e afirmou que Washington não destruiria a República Islâmica, apesar da escalada militar.
— Em um de seus discursos recentes, o presidente dos EUA disse que, em 47 anos, os EUA não conseguiram destruir a República Islâmica… Eu lhes digo: vocês também não conseguirão — disse o aiatolá em um discurso, ameaçando ainda afundar a frota americana enviada para a região. — Ouvimos constantemente que eles enviaram um navio de guerra em direção ao Irã. Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo.
Trump anunciou recentemente o envio do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, para o Golfo Pérsico, reforçando o que foi descrito pelo próprio como uma “Armada” que já contava com um porta-aviões, o USS Abraham Lincoln. Os dois navios contam servem de ponto de partida para alguns dos jatos de caça mais poderosos e versáteis do mundo, como os F-18 e os F-35 — que poderiam ser acionado para bombardeios contra o território iraniano.
Meios militares dos EUA mobilizados no Oriente Médio, para além do porta-aviões USS Gerald R. Ford
Arte/ O GLOBO
Mesa de negociações
Retórica militar à parte, delegações diplomáticas de Irã e EUA participaram de uma negociação indireta em Genebra. A expectativa era de que ao menos o escopo dos termos em discussão fossem definidos, uma vez que Teerã afirmou que apenas o programa nuclear deve ser discutido, enquanto Washington e aliados pretendiam, ao menos inicialmente, impor limitações ao programa de mísseis balísticos iraniano e à rede de milícias e grupos armados conhecido como “Eixo da Resistência”.
Autoridades iranianas apresentaram expectativas distintas ao longo dos últimos dias. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse na segunda-feira que a avaliação de momento era de que a posição dos EUA sobre a questão nuclear iraniana “se tornou mais realista” após a primeira negociação em Mascate. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, colocou o “levantamento das sanções” como fundamental para um acordo. Khamenei expressou ceticismo.
O enviado especial americano, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, representaram o governo Trump em Genebra. Fontes confirmaram que a conversa foi encerrada, mas sem nenhum anúncio público imediatamente após a conclusão. (Com AFP)

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