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Um caça F-16 turco caiu logo após a decolagem na madrugada desta quarta-feira, matando o piloto, informou a mídia estatal, citando o Ministério da Defesa. Internautas compartilharam vídeo que supostamente mostra o momento da queda.
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A aeronave, que decolou da cidade de Balikesir à 00h56 (horário local), perdeu contato via rádio e dados de rastreamento logo após a decolagem, disse a agência governamental à agência oficial Anadolu.
Os destroços foram localizados após uma operação de busca e resgate.
“Nosso piloto faleceu. A causa do acidente será determinada após uma investigação”, disse o ministério, expressando condolências à família do piloto.
Caça F-16 dos EUA cai durante demonstração, e piloto ejeta instantes antes de impacto; veja
Imagens flagram visão do piloto durante voo rasante de caça F-16 em Buenos Aires; assista
Em novembro, a Turquia suspendeu os voos de seus aviões de carga C-130 depois que um deles caiu na vizinha Geórgia, quando retornava do Azerbaijão, matando todas as 20 pessoas a bordo.
Outros F-16, fabricados pela empresa americana Lockheed Martin, caíram nos últimos meses.
Em janeiro, um F-16 taiwanês caiu no mar durante uma missão de rotina. Seu piloto, que se ejetou no mar, foi dado como desaparecido.
Na Polônia, um F-16 caiu em agosto enquanto ensaiava para uma demonstração aérea. Seu piloto também morreu.
O presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu nessa terça-feira (24) que o Irã busca desenvolver mísseis que poderiam alcançar os Estados Unidos, uma tecnologia de armamento de longo alcance que apenas um número limitado de países possui. A acusação surge como justificativa para a nova ação militar no Oriente Médio. Há 23 anos, o então presidente George W. Bush usou a mesma estratégia, quando acusou o Iraque de possuir armas de destruição em massa, resultando na derrubada do regime do ditador Saddam Hussein. As armas, no entanto, nunca foram apresentadas.
Mas Trump insiste: – Os iranianos já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando para construir mísseis que, em breve, alcançarão os Estados Unidos – declarou Trump em seu discurso sobre o Estado da União.
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Em 2025, a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos indicou que o Irã poderia desenvolver um míssil balístico intercontinental viável do ponto de vista militar até 2035, “se Teerã decidisse buscar essa capacidade”, mas não indicou se o país asiático havia tomado tal decisão.
Washington e Teerã concluíram duas rodadas de negociações destinadas a alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano que substitua o pacto firmado em 2015, que Trump rompeu durante o seu primeiro mandato no cargo.
Durante o seu discurso à nação, Trump também disse que queria resolver a disputa com o Irã “através da diplomacia”, mas advertiu que jamais permitirá que Teerã desenvolva armas nucleares.
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– Estamos em negociação com eles, querem chegar a um acordo, mas ainda não ouvimos estas palavras secretas: “Nunca teremos uma arma nuclear” – disse Trump no discurso.
Os Estados Unidos têm reiteradamente instado o Irã a manter o enriquecimento de urânio em zero, mas também têm buscado discutir seu programa de mísseis balísticos e seu apoio a grupos armados no Oriente Médio.
A escalada de tensões com o Irã está causando incômodos no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após o principal negociador de assuntos internacionais de Trump, Steve Witkoff, deixar escapar em uma entrevista no fim de semana que o republicano estava “curioso” com a resistência do regime iraniano em ceder a suas exigências, apesar do cerco militar posicionado por Washington nos entornos do país, fontes ouvidas em anonimato pela CBS News nesta terça-feira disseram que o presidente está “frustrado” com as limitações encontradas por sua abordagem de pressão militar — um sinal de que os cálculos estratégicos da Casa Branca não estão alcançando os resultados esperados.
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A estratégia de Trump para forçar o Irã a assinar um novo acordo nuclear é comparável àquela adotada na Venezuela. O presidente americano enviou um poderio naval e aéreo para o Oriente Médio somente superado pelo contingente deslocado na guerra do Iraque, em 2003, prometendo consequências duras ao regime dos aiatolás em caso de desacordo. Em Caracas, a pressão por si só não foi suficiente para atingir o objetivo específico — o livre acesso às reservas de petróleo do país, como admitido por Trump —, fazendo-se necessária a “ação cinética” de 3 de janeiro, que o governo americano caracterizou como uma operação policial, a fim de evitar problemas com o Congresso, único autorizado a declarar guerra a uma nação estrangeira.
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A frustração de Trump indica que ele esperava desfecho diferente ao usar da mesma tática contra o Irã. É possível que o republicano esperasse que o exemplo da queda de Maduro fosse suficiente para forçar o rival a ceder. O alvo neste caso era o Irã, mas a expectativa de que o efeito dissuasor fosse amplo chegou a ser exposto pela Casa Branca.
Em breve participação na entrevista coletiva oficial convocada pela Casa Branca após a captura do líder chavista, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ofereceu um vislumbre do raciocínio que levou à operação contra o território venezuelano. Ele disse que Maduro poderia estar “vivendo a vida” em outro lugar, afirmando que o destino de Maduro foi selado por tentar “bancar o valentão”. Também advertiu que o caso guardava uma mensagem ao resto do mundo: “Não brinquem com este presidente [Trump] enquanto ele estiver no cargo, porque não vai acabar bem.”
Se as palavras de Rubio foram verdadeiras e a intenção de Washington era realmente de criar o que poderia ser chamado de “efeito de dissuasão erga omnes” — com repercussão geral, para além das partes envolvidas, naquele caso EUA e Venezuela —, o Irã parece demonstrar que a tentativa falhou. Aliados europeus já haviam mostrado isso anteriormente, durante a mobilização sobre a Groenlândia — embora ninguém imaginasse um confronto militar entre americanos e europeus no Ártico, apesar das ameaças do presidente dos EUA.
Uma marcha em Teerã neste mês marcou o aniversário da revolução islâmica. O Irã enfrenta uma crise econômica e um grande aumento da presença militar dos EUA no Golfo Pérsico
Arash Khamooshi / New York Times
Analistas apontam que o regime teocrático vê risco existencial maior em ceder à pressão americana, por abalar as bases ideológicas e de defesa da soberania em que fincaram sua fundação, do que em um enfrentamento militar direto. A realidade específica da nação persa é o que parece ter sido ignorado por Trump — e provocado, em última instância, sua frustração, se bem descrita pelos interlocutores americanos.
Agora, Trump está diante de uma encruzilhada. Na quinta-feira, uma nova rodada de negociação indireta com o Irã será realizada, com Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, à frente da delegação americana. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sugeriu que os termos do novo acordo nuclear poderiam ser apresentados durante a reunião. Fontes americanas ouvidas pelo jornal The Guardian afirmam que os negociadores americanos teriam a incumbência de avaliar, após a reunião, se Teerã está realmente disposto a negociar o fim de seu programa nuclear ou se as negociações são somente protelatórias.
Essa análise, disseram as fontes, seria decisiva para Trump autorizar ou não um ataque contra o país do Golfo Pérsico — algo que já foi desaconselhado por aliados na região e mesmo por militares dos EUA, que fizeram ressalvas sobre possíveis baixas americanas e da ação se converter em uma guerra prolongada.
Trump sempre se disse avesso a iniciar guerras, e analistas políticos afirmam que o republicano quer evitar a todo custo ter associado ao seu mandato cenas como as vistas durante as guerras no Oriente Médio no começo do século, com caixões de soldados americanos voltando para casa. O erro de cálculo sobre a abordagem da força pode acabar forçando o presidente a lançar um ataque de fato — desta vez, ao contrário da Venezuela, sem um prêmio à vista para oferecer (como a prisão de Maduro), e sem um desfecho previsível para nenhuma das partes.
No segundo discurso ao Congresso dos EUA em seu atual mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “os Estados Unidos estão de volta”, repetindo um jargão de campanha e de governo: “essa é a Era de Ouro”. Ao contrário do ano passado, quando discursou ainda em meio à euforia da vitória nas urnas e a um tratoraço de ordens executivas, Trump voltou ao Capitólio com a popularidade abaixo dos 40%, fissuras na base de apoio e uma derrota do tarifaço na Suprema Corte ainda não digerida. Por isso, a fala era considerada uma tábua de salvação para os governistas, que correm o risco de perderem o controle do Congresso nas eleições de novembro
— Esta noite, após apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançamos uma transformação como nunca se viu antes, uma reviravolta histórica. Nunca mais voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo — disse o presidente, sob aplausos da metade republicana do plenário e eventuais gritos de “USA”, sigla para Estados Unidos em inglês.
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No plenário, chamou a atenção a presença da equipe masculina de hóquei no gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão-Cortina. A equipe feminina, que também conquistou o ouro, foi convidada, mas alegou “problemas de agenda”. Trump disse que elas “em breve estarão na Casa Branca”.
Em tom de prestação de contas, Trump mirou em aspectos positivos de seu governo. A começar pela economia. Antes do discurso, sua porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que o republicano “tirou nosso país da beira do desastre e, com razão, declarará que o estado da nossa união é forte, próspero e respeitado”. Em entrevistas recentes, Trump diz que as finanças dos EUA “jamais estiveram tão fortes”, e usa o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York como troféu: no começo do mês, o patamar de 50 mil pontos foi superado pela primeira vez.
— Quando falei pela última vez nesta Casa, há 12 meses, tinha acabado de herdar uma nação em crise, com uma economia estagnada — afirmou, ignorando que o crescimento do PIB no último de seu antecessor, Joe Biden, em 2024, havia sido de 2,8%.
Outros indicadores ajudam na narrativa. Em 2025, o PIB avançou 2,5%, o ritmo de geração de vagas em janeiro surpreendeu economistas e a inflação está em 2,4% ao ano — mesmo assim, especialistas dizem que o Federal Reserve, o Banco Central americano, não deve atender aos desejos presidenciais de um corte na taxa básica de juros, hoje entre 3,5% e 3,75%, na reunião do mês que vem. No discurso, ele voltou a cobrar o corte para acelerar o crescimento, e disse que os preços estão “despencando”.
O tom oficial positivo contrasta com a percepção dos americanos sobre o estado de seus bolsos. Uma pesquisa realizada pelo jornal Washington Post, pela rede ABC News e pelo instituto Ipsos mostra que 57% desaprovam a maneira como Trump conduz a economia, e 65% não concordam com suas políticas de controle da inflação.
Outra sondagem, das redes públicas NPR e PBS, ao lado da Universidade Marist, aponta que 60% dos entrevistados (incluindo quase 70% dos eleitores independentes) acreditam que o país está pior do que há um ano. No discurso, citou medidas para reduzir os preços, como o corte de preços de medicamentos, o incentivo ao uso de carros movidos a combustíveis fósseis e à exploração de petróleo (para baratear a gasolina), se dirigindo a esse trabalhador insatisfeito com seu governo.
— Juntos, estamos construindo uma nação onde toda criança tenha a chance de almejar mais e ir mais longe, onde o governo responde ao povo, não aos poderosos, e onde os interesses dos cidadãos americanos trabalhadores sejam sempre nossa primeira e principal preocupação — declarou. — Esta é a Era de Ouro da América.
Para o republicano, mais do que prestar contas à nação, o discurso desta terça-feira passou a ser visto como uma tábua de salvação para interromper a sequência negativa antes das eleições de novembro. Na média das pesquisas, a desaprovação do governo está em 56%. Projeções para as eleições de novembro mostram que a oposição democrata é favorita para conquistar a Câmara, e muitos parlamentares do partido boicotaram o discurso.
Aprovação do presidente dos EUA, Donald Trump
Editoria de Arte
O pessimismo é palpável em outra bandeira de campanha: a imigração. A violência das operações da agência anti-imigração de Trump, o ICE, em cidades como Minneapolis acirraram as críticas à Casa Branca e fizeram seus índices despencarem. Uma pesquisa da agência Reuters e do instituto Ipsos, da semana passada, mostrou que 38% dos americanos aprovam a política migratória de Trump — no ano passado, quando o presidente falou ao Congresso, o índice era de 50%. Os números são similares aos do Washington Post e da ABC News, com 57% de desaprovação.
Na fala, Trump tentou mudar o foco da violência dos agentes do ICE, que deixou dois cidadãos americanos mortos e levou milhares de estrangeiros em situação regular à prisão, para a fronteira com o México. Em janeiro, ocorreram 6,1 mil travessias irregulares, o menor número desde julho do ano passado. Em dezembro de 2023, no ápice da crise migratória, foram mais de 243 mil travessias. Números explorados à exaustão diante dos congressistas, convidados e das câmeras, carregando consigo o habitual exagero.
Ao Congresso, Trump declarou que “nos últimos 9 meses, nenhum imigrante ilegal foi admitido nos Estados Unidos.”, algo que os próprios números do Departamento de Segurança Interna desmentem. Ele defendeu a retomada do financiamento ao Departamento de Segurança Interna, em meio a um duelo entre governistas e a oposição no Congresso ligado ao debate eleitoral sobre a imigração.
— Enquanto falamos, os democratas nesta Casa cortaram todo o financiamento do Departamento de Segurança Interna — afirmou. —Eles fecharam a agência responsável por proteger os americanos de terroristas e assassinos. Esta noite, exijo a restauração total e imediata de todo o financiamento para a Segurança de Fronteiras e a Segurança Interna dos Estados Unidos.
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Mas o presidente que se apresenta diante do mesmo Congresso invadido por seus apoiadores há cinco anos — mais de 1,5 mil deles foram perdoados pelo republicano mesmo após condenações judiciais — é um líder que comprovou que seus poderes não são infinitos.
Na semana passada, a Suprema Corte, de maioria conservadora, derrubou o principal pilar do tarifaço global, anunciado no ano passado e que causou uma tempestade na economia do planeta. Para os magistrados, o presidente excedeu sua autoridade legal ao anunciar as taxas, sob alegação de que os EUA estavam sendo prejudicados no comércio internacional. Trump disse que a decisão era “errada, mas poupou de ataques os magistrados que votaram contra a tarifa — três deles estavam no plenário.
Durante o primeiro ano de governo, Trump usou as tarifas para obter vantagens estratégicas, como ferramenta diplomática (a pressão por acordos de fato levou governos à mesa de negociações) e como arma de pressão política. Em julho passado, a Casa Branca anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, citando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após longas negociações e dois encontros entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas alíquotas foram reduzidas, e os dois líderes devem se reunir novamente em março, em Washington.
Trump criticou os juízes — que lhe garantiram vitórias importantes em seu primeiro ano de mandato — e anunciou uma nova tarifa global, de 15%, embora a alíquota atualmente em vigor seja de 10%. Apesar do presidente defender as tarifas como uma ferramenta para ajudar a economia americana, o déficit comercial dos EUA deu um salto, chegando a US$ 70,3 bilhões em dezembro passado. As importações aumentaram 3,8%, enquanto as exportações caíram 2,9%. Segundo a pesquisa do Washington Post e da ABC News, 64% dos entrevistados desaprovam sua política tarifária.
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Mas um dos principais temas da eleição de novembro será ocultado na fala de Trump. A divulgação de milhões de documentos do processo do financista Jeffrey Epstein, acusado de liderar uma rede de abuso de menores e tráfico humano, mostrou as ligações do milionário com a elite política e econômica dos EUA e Europa, com numerosas menções a Trump.
Por anos, o republicano surfou nas teorias da conspiração envolvendo uma suposta lista de clientes de Epstein, e prometeu divulgá-la caso fosse eleito em 2024. A vitória veio, assim como a pressão para que documentos do caso fossem tornados públicos (o que Trump não queria fazer). No ano passado, o governo esteve perto de perder votações importantes por dissidências na base, e foi obrigado a ceder. As revelações ainda não produziram efeitos palpáveis nos EUA — no Reino Unido, o chefe de Gabinete do premier, Keir Starmer, deixou o cargo, e o ex-príncipe Andrew chegou a ser preso —, mas a oposição democrata promete explorar o tema à exaustão.
Análise: Para o Irã, rejeitar as exigências dos EUA para acordo nuclear é um risco que vale a pena correr
Depois de bombardear sete países em 12 meses, e se autodeclarar o “presidente da paz”, Trump chega ao púlpito pressionado por uma decisão uma guerra contra o Irã, cujos objetivos não são claros nem para o governo.
— Como presidente, buscarei a paz onde quer que eu possa, mas jamais hesitarei em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário —o presidente planeja dizer.
Segundo a imprensa americana, o comando do Pentágono advertiu para os riscos de uma operação de grande porte. Trump posicionou uma grande força, ou armada, como gosta de dizer, no Oriente Médio, e pode lançar um ataque a qualquer momento caso os iranianos não aceitem um acordo em seus termos. A principal exigência pública do presidente a Teerã é o desmantelamento de seu programa nuclear.
Há 23 anos, outro republicano, George W. Bush, usou o discurso sobre o Estado da União para justificar a guerra que lançaria contra o Iraque, em março de 2003. Na época, mais de 70% dos americanos apoiavam a intervenção. Hoje, de acordo com números do YouGov, 49% são contra o uso de força militar no Irã, e apenas 27% a defendem— entre os republicanos, 58% são a favor.
Segundo os trechos antecipados, ele louvará a guinada estratégica americana para a América Latina, inspirada na Doutrina Monroe e que levou à maior mobilização militar na região em décadas, teoricamente focada no combate ao narcotráfico, e a uma operação que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. Apesar das caras no regime serem praticamente as mesmas, Trump chamou o governo venezuelano de “nosso novo amigo e parceiro”, afirmando que os EUA receberam “mais de 80 milhões de barris de petróleo” do país, sem explicar quando ou como.
— Também estamos restaurando a segurança e a dominância americanas no hemisfério ocidental, agindo para garantir nossos interesses nacionais e defender nosso país da violência, das drogas, do terrorismo e da interferência estrangeira. Durante anos, vastas áreas de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, foram controladas por cartéis de drogas assassinos — dirá Trump.
Meses depois de afirmar, repetidamente, que os bombardeios americanos haviam “obliterado” o programa nuclear do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, volta a sinalizar a possibilidade de uma nova ofensiva militar contra o país, agora sob o argumento de que Teerã estaria próximo de obter material para fabricar armas atômicas. Segundo uma análise da CNN, a mudança de ênfase levanta questionamentos sobre o real impacto dos ataques de junho do ano passado e sobre a coerência das justificativas apresentadas por Washington. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ciclone-bomba e nevascas históricas afetam Nova York e outras cidades do Leste dos Estados Unidos. Recordes de temperaturas negativas congelam Suécia, Finlândia e outros países da Europa. O inverno deste ano no Hemisfério Norte dá a sensação de que o mundo esfria. Engano. Ocorre o contrário. Extremos de frio são parte dos distúrbios causados pelas mudanças do clima deflagradas pelas emissões de gases do efeito estufa associadas à ação humana, ressaltam cientistas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No segundo discurso ao Congresso dos EUA em seu atual mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “os Estados Unidos estão de volta”, repetindo um jargão de campanha e de governo: “essa é a Era de Ouro”. Ao contrário do ano passado, quando discursou ainda em meio à euforia da vitória nas urnas e a um tratoraço de ordens executivas, Trump voltou ao Capitólio com a popularidade abaixo dos 40%, fissuras na base de apoio e uma derrota do tarifaço na Suprema Corte ainda não digerida. Por isso, a fala era considerada uma tábua de salvação para os governistas, que correm o risco de perderem o controle do Congresso nas eleições de novembro
— Esta noite, após apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançamos uma transformação como nunca se viu antes, uma reviravolta histórica. Nunca mais voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo — disse o presidente, sob aplausos da metade republicana do plenário e eventuais gritos de “USA”, sigla para Estados Unidos em inglês.
Efeito colateral: Ameaças de Trump travam comércio bilateral dos EUA pelo mundo e abrem espaço à China
Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA removeu arquivos relacionados a Trump sobre abuso de menor, diz Rádio Pública Nacional
Em tom de prestação de contas, Trump mirou em aspectos positivos de seu governo. A começar pela economia. Antes do discurso, sua porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que o republicano “tirou nosso país da beira do desastre e, com razão, declarará que o estado da nossa união é forte, próspero e respeitado”. Em entrevistas recentes, Trump diz que as finanças dos EUA “jamais estiveram tão fortes”, e usa o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York como troféu: no começo do mês, o patamar de 50 mil pontos foi superado pela primeira vez.
— Quando falei pela última vez nesta Casa, há 12 meses, tinha acabado de herdar uma nação em crise, com uma economia estagnada — afirmou, ignorando que o crescimento do PIB no último de seu antecessor, Joe Biden, em 2024, havia sido de 2,8%.
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O tom oficial positivo contrasta com a percepção dos americanos sobre o estado de seus bolsos. Uma pesquisa realizada pelo jornal Washington Post, pela rede ABC News e pelo instituto Ipsos mostra que 57% desaprovam a maneira como Trump conduz a economia, e 65% não concordam com suas políticas de controle da inflação.
Outra sondagem, das redes públicas NPR e PBS, ao lado da Universidade Marist, aponta que 60% dos entrevistados (incluindo quase 70% dos eleitores independentes) acreditam que o país está pior do que há um ano. No discurso, citou medidas para reduzir os preços, como o corte de preços de medicamentos, o incentivo ao uso de carros movidos a combustíveis fósseis e à exploração de petróleo (para baratear a gasolina), se dirigindo a esse trabalhador insatisfeito.
— Juntos, estamos construindo uma nação onde toda criança tenha a chance de almejar mais e ir mais longe, onde o governo responde ao povo, não aos poderosos, e onde os interesses dos cidadãos americanos trabalhadores sejam sempre nossa primeira e principal preocupação — declarou, culpando os democratas pela alta nos preços. — Esta é a Era de Ouro da América.
Para o republicano, mais do que prestar contas à nação, o discurso desta terça-feira passou a ser visto como uma tábua de salvação para interromper a sequência negativa antes das eleições de novembro. Na média das pesquisas, a desaprovação do governo está em 56%. Projeções para as eleições de novembro mostram que a oposição democrata é favorita para conquistar a Câmara, e muitos parlamentares do partido boicotaram o discurso.
No plenário, chamou a atenção a presença da equipe masculina de hóquei no gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão-Cortina. A equipe feminina, que também conquistou o ouro, foi convidada, mas alegou “problemas de agenda”. Trump disse que elas “em breve estarão na Casa Branca”.
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O pessimismo é palpável em outra bandeira de campanha: a imigração. A violência das operações da agência anti-imigração de Trump, o ICE, em cidades como Minneapolis acirraram as críticas à Casa Branca e fizeram seus índices despencarem. Uma pesquisa da agência Reuters e do instituto Ipsos, da semana passada, mostrou que 38% dos americanos aprovam a política migratória de Trump — no ano passado, quando o presidente falou ao Congresso, o índice era de 50%. Os números são similares aos do Washington Post e da ABC News, com 57% de desaprovação.
Trump tentou mudar o foco da violência dos agentes do ICE, que deixou dois cidadãos americanos mortos e levou milhares de estrangeiros em situação regular à prisão, para a fronteira com o México. Em janeiro, ocorreram 6,1 mil travessias irregulares, o menor número desde julho do ano passado. Em dezembro de 2023, no ápice da crise migratória, foram mais de 243 mil travessias. Números explorados à exaustão diante dos congressistas, convidados e das câmeras, carregando consigo o habitual exagero .
— Após quatro anos, nos quais milhões e milhões de imigrantes ilegais cruzaram nossas fronteiras sem qualquer verificação ou controle, agora temos a fronteira mais forte e segura da história americana, de longe. Nos últimos nove meses, nenhum imigrante ilegal foi admitido nos Estados Unidos — afirmou Trump, citando um número que não condiz com os dados oficiais. — Mas sempre permitiremos a entrada legal de pessoas. Pessoas que amarão nosso país e trabalharão arduamente para mantê-lo
Criança foi ‘usada como isca’ por agentes: Menino de cinco anos detido pelo ICE nos EUA ‘tem pesadelos e acorda chorando’, diz pai
Estimativas do Censo: Repressão à imigração derruba ritmo de crescimento populacional dos EUA sob Trump, e avanço é o menor desde a pandemia
Mas o presidente que se apresenta diante do mesmo Congresso invadido por seus apoiadores há cinco anos — mais de 1,5 mil deles foram perdoados pelo republicano mesmo após condenações judiciais — é um líder que comprovou que seus poderes não são infinitos.
Na semana passada, a Suprema Corte, de maioria conservadora, derrubou o principal pilar do tarifaço global, anunciado no ano passado e que causou uma tempestade na economia do planeta. Para os magistrados, o presidente excedeu sua autoridade legal ao anunciar as taxas, sob alegação de que os EUA estavam sendo prejudicados no comércio internacional. Trump disse que a decisão era “errada, mas poupou de ataques os magistrados que votaram contra a tarifa — três deles estavam no plenário.
Durante o primeiro ano de governo, Trump usou as tarifas para obter vantagens estratégicas, como ferramenta diplomática (a pressão por acordos de fato levou governos à mesa de negociações) e como arma de pressão política. Em julho passado, a Casa Branca anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, citando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após longas negociações e dois encontros entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas alíquotas foram reduzidas, e os dois líderes devem se reunir novamente em março, em Washington.
Após a derrubada na Justiça, ele anunciou uma nova tarifa global, de 15%, mas a alíquota atualmente em vigor seja de 10%. Apesar do presidente defender as tarifas como uma ferramenta para ajudar a economia americana, o déficit comercial dos EUA deu um salto, chegando a US$ 70,3 bilhões em dezembro passado. As importações aumentaram 3,8%, enquanto as exportações caíram 2,9%. Segundo a pesquisa do Washington Post e da ABC News, 64% desaprovam sua política tarifária.
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Mas um dos principais temas da eleição de novembro será ocultado na fala de Trump. A divulgação de milhões de documentos do processo do financista Jeffrey Epstein, acusado de liderar uma rede de abuso de menores e tráfico humano, mostrou as ligações do milionário com a elite política e econômica dos EUA e Europa, com numerosas menções a Trump.
Por anos, o republicano surfou nas teorias da conspiração envolvendo uma suposta lista de clientes de Epstein, e prometeu divulgá-la caso fosse eleito em 2024. A vitória veio, assim como a pressão para que documentos do caso fossem tornados públicos (o que Trump não queria fazer). No ano passado, o governo esteve perto de perder votações importantes por dissidências na base, e foi obrigado a ceder. As revelações ainda não produziram efeitos palpáveis nos EUA — no Reino Unido, o chefe de Gabinete do premier, Keir Starmer, deixou o cargo, e o ex-príncipe Andrew chegou a ser preso —, mas a oposição democrata promete explorar o tema à exaustão.
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Depois de bombardear sete países em 12 meses, e se autodeclarar o “presidente da paz”, Trump chega ao púlpito pressionado por uma decisão uma guerra contra o Irã, cujos objetivos não são claros nem para o governo.
Segundo a imprensa americana, o comando do Pentágono advertiu para os riscos de uma operação de grande porte. Trump posicionou uma grande força, ou armada, como gosta de dizer, no Oriente Médio, e pode lançar um ataque a qualquer momento caso os iranianos não aceitem um acordo em seus termos. A principal exigência pública do presidente a Teerã é o desmantelamento de seu programa nuclear.
Há 23 anos, outro republicano, George W. Bush, usou o discurso sobre o Estado da União para justificar a guerra que lançaria contra o Iraque, em março de 2003. Na época, mais de 70% dos americanos apoiavam a intervenção. Hoje, de acordo com números do YouGov, 49% são contra o uso de força militar no Irã, e apenas 27% a defendem— entre os republicanos, 58% são a favor.
Ele ainda louvou a guinada estratégica americana para a América Latina, inspirada na Doutrina Monroe e que levou à maior mobilização militar na região em décadas, teoricamente focada no combate ao narcotráfico, e a uma operação que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. Apesar das caras no regime serem praticamente as mesmas, Trump chamou o governo venezuelano de “nosso novo amigo e parceiro”, afirmando que os EUA receberam “mais de 80 milhões de barris de petróleo” do país, sem explicar quando ou como.
Em março de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, se dirigia ao Congresso semanas depois de ser eleito pela segunda vez, em meio a um tratoraço de ordens executivas, promessas de reforma no Estado, ameaças a aliados e diante de uma oposição ainda grogue pela derrota nas eleições. Depois de uma “presidência imperial”, na qual testou os limites de seu poder dentro e fora dos EUA, Trump volta ao Capitólio, mas sem a mesma aura: sua popularidade está abaixo dos 40%, sua base de apoio dá sinais de fadiga e a derrota do tarifaço na Suprema Corte ainda não foi digerida.
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“Não comparecerei ao discurso sobre o Estado da União esta noite”, disse a deputada Katherine Clark, número dois dos democratas na Câmara, em comunicado. “Em vez de ouvir Donald Trump mentir para o povo americano, ouvirei o que o povo do meu distrito tem a dizer.”
Aprovação do presidente dos EUA, Donald Trump
Editoria de Arte
Como em 2025, uma fala longa, destinada a enumerar seus feitos à frente da Casa Branca e suas bandeiras de campanha. A começar pela economia. Antes do discurso, sua porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que o republicano “tirou nosso país da beira do desastre e, com razão, declarará que o estado da nossa união é forte, próspero e respeitado”. Em entrevistas recentes, Trump diz que as finanças dos EUA “jamais estiveram tão fortes”, e usa o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York como troféu: no começo do mês, o patamar de 50 mil pontos foi superado pela primeira vez.
— Então, temos um país que agora está indo bem. Temos a melhor economia que já tivemos. Temos a maior atividade que já tivemos — disse Trump na véspera do discurso.
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Outros indicadores ajudam na narrativa. Em 2025, o PIB avançou 2,5%, o ritmo de geração de vagas em janeiro surpreendeu economistas e a inflação está em 2,4% ao ano — mesmo assim, especialistas dizem que o Federal Reserve, o Banco Central americano, não deve atender aos desejos presidenciais de um corte na taxa básica de juros, hoje entre 3,5% e 3,75%, na reunião do mês que vem.
O tom oficial positivo contrasta com a percepção dos americanos sobre o estado de seus bolsos. Uma pesquisa realizada pelo jornal Washington Post, pela rede ABC News e pelo instituto Ipsos mostra que 57% desaprovam a maneira como Trump conduz a economia, e 65% não concordam com suas políticas de controle da inflação. Outra sondagem, das redes públicas NPR e PBS, ao lado da Universidade Marist, aponta que 60% dos entrevistados (incluindo quase 70% dos eleitores independentes) acreditam que o país está pior do que há um ano.
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O pessimismo é palpável em outra bandeira de campanha: a imigração. A violência das operações da agência anti-imigração de Trump, o ICE, em cidades como Minneapolis acirraram as críticas à Casa Branca e fizeram seus índices despencarem. Uma pesquisa da agência Reuters e do instituto Ipsos, da semana passada, mostrou que 38% dos americanos aprovam a política migratória de Trump — no ano passado, quando o presidente falou ao Congresso, o índice era de 50%. Os números são similares aos do Washington Post e da ABC News, com 57% de desaprovação.
Trump tenta mudar o foco da violência dos agentes do ICE, que deixou dois cidadãos americanos mortos e levou milhares de estrangeiros em situação regular à prisão, para a fronteira com o México. Em janeiro, ocorreram 6,1 mil travessias irregulares, o menor número desde julho do ano passado. Em dezembro de 2023, no ápice da crise migratória, foram mais de 243 mil travessias. Números explorados à exaustão diante dos congressistas, convidados e das câmeras, carregando consigo o habitual exagero. Na segunda-feira, ele disse que a fronteira “está 100% fechada”, algo que os próprios números do Departamento de Segurança Interna desmentem.
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Mas o presidente que se apresenta diante do mesmo Congresso invadido por seus apoiadores há cinco anos — mais de 1,5 mil deles foram perdoados pelo republicano mesmo após condenações judiciais — é um líder que comprovou que seus poderes não são infinitos.
Na semana passada, a Suprema Corte, de maioria conservadora, derrubou o principal pilar do tarifaço global, anunciado no ano passado e que causou uma tempestade na economia do planeta. Para os magistrados, o presidente excedeu sua autoridade legal ao anunciar as taxas, sob alegação de que os EUA estavam sendo prejudicados no comércio internacional.
Durante o primeiro ano de governo, Trump usou as tarifas para obter vantagens estratégicas, como ferramenta diplomática (a pressão por acordos de fato levou governos à mesa de negociações) e como arma de pressão política. Em julho passado, a Casa Branca anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, citando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após longas negociações e dois encontros entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas alíquotas foram reduzidas, e os dois líderes devem se reunir novamente em março, em Washington.
Trump criticou os juízes — que lhe garantiram vitórias importantes em seu primeiro ano de mandato — e anunciou uma nova tarifa global, de 15%, embora a alíquota atualmente em vigor seja de 10%. Apesar do presidente defender as tarifas como uma ferramenta para ajudar a economia americana, o déficit comercial dos EUA deu um salto, chegando a US$ 70,3 bilhões em dezembro passado. As importações aumentaram 3,8%, enquanto as exportações caíram 2,9%. Segundo a pesquisa do Washington Post e da ABC News, 64% dos entrevistados desaprovam sua política tarifária.
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Mas um dos principais temas da eleição de novembro será ocultado na fala de Trump. A divulgação de milhões de documentos do processo do financista Jeffrey Epstein, acusado de liderar uma rede de abuso de menores e tráfico humano, mostrou as ligações do milionário com a elite política e econômica dos EUA e Europa, com numerosas menções a Trump.
Por anos, o republicano surfou nas teorias da conspiração envolvendo uma suposta lista de clientes de Epstein, e prometeu divulgá-la caso fosse eleito em 2024. A vitória veio, assim como a pressão para que documentos do caso fossem tornados públicos (o que Trump não queria fazer). No ano passado, o governo esteve perto de perder votações importantes por dissidências na base, e foi obrigado a ceder. As revelações ainda não produziram efeitos palpáveis nos EUA — no Reino Unido, o chefe de Gabinete do premier, Keir Starmer, deixou o cargo, e o ex-príncipe Andrew chegou a ser preso —, mas a oposição democrata promete explorar o tema à exaustão.
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Depois de bombardear sete países em 12 meses, e se autodeclarar o “presidente da paz”, Trump chega ao púlpito pressionado por uma decisão uma guerra contra o Irã, cujos objetivos não são claros nem para o governo. Segundo a imprensa americana, o comando do Pentágono advertiu para os riscos de uma operação de grande porte. Trump posicionou uma grande força, ou armada, como gosta de dizer, no Oriente Médio, e pode lançar um ataque a qualquer momento caso os iranianos não aceitem um acordo em seus termos. A principal exigência pública do presidente a Teerã é o desmantelamento de seu programa nuclear.
Há 23 anos, outro republicano, George W. Bush, usou o discurso sobre o Estado da União para justificar a guerra que lançaria contra o Iraque, em março de 2003. Na época, mais de 70% dos americanos apoiavam a intervenção. Hoje, de acordo com números do YouGov, 49% são contra o uso de força militar no Irã, e apenas 27% a defendem— entre os republicanos, 58% são a favor.
Os Estados Unidos interceptaram no oceano Índico um terceiro petroleiro acusado de violar o bloqueio contra navios submetidos a sanções no Caribe e que havia fugido da região, anunciou o Pentágono nesta terça-feira.
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“Do Caribe ao oceano Índico, nós o perseguimos e o interceptamos”, declarou o Pentágono em mensagem publicada no X, acompanhada de um vídeo que mostra soldados descendo de rapel de um helicóptero até o convés do petroleiro Bertha.
“O navio operava apesar do bloqueio estabelecido pelo presidente Trump contra embarcações sancionadas no Caribe e tentava escapar”, acrescentou o órgão sobre a operação realizada durante a noite.
O Departamento de Defesa “privará os atores ilícitos e seus intermediários de qualquer liberdade de manobra no mar”, afirmou ainda.
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Trata-se do terceiro navio interceptado pelas forças americanas no oceano Índico neste mês e do décimo no total desde que Donald Trump ordenou, em dezembro, um bloqueio contra embarcações sancionadas que partem da Venezuela ou se dirigem ao país.
Todos esses navios apreendidos nos últimos meses representam apenas uma fração ínfima do total de embarcações sancionadas que operam no mundo.
Esse número pode chegar a 800 barcos, estimou um alto funcionário da Guarda Costeira dos EUA durante uma audiência no Congresso no início de fevereiro.
A montadora japonesa Honda informou, nesta terça-feira (24), que suspendeu as operações em sua fábrica em Guadalajara, a segunda maior cidade do México, devido à violência desencadeada após a morte, em uma operação militar, de um poderoso líder do narcotráfico.
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A Honda disse em um comunicado que está “avaliando as condições” de segurança depois que homens armados do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) incendiaram veículos e bloquearam estradas em 20 dos 32 estados do país no domingo, em represália pela morte de seu líder, Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”.
Essas ações violentas ocorreram especialmente em Guadalajara, capital do estado de Jalisco, e em sua região metropolitana, onde fica uma das duas fábricas da Honda no México.
“Como medida de precaução, nossas operações em nossas instalações de Guadalajara foram temporariamente suspensas na segunda-feira, 23 de fevereiro”, informou à AFP uma porta-voz da montadora. As atividades serão retomadas “quando for apropriado”, acrescentou.
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A operação militar para capturar o chefe do cartel, de 59 anos, foi realizada no domingo, no estado de Jalisco, oeste do país. Durante e após os confrontos, pelo menos 27 agentes de segurança, 46 supostos criminosos e uma civil morreram, informaram as autoridades nacionais. Oseguera foi ferido e morreu quando era levado a um hospital.
O governo estadual informou nesta terça-feira que o sistema de transporte público opera a 70% de sua capacidade em Guadalajara e anunciou que as aulas nas escolas serão retomadas na quarta-feira.
A Honda tem duas fábricas no México, uma em El Salto, Jalisco, e outra em Celaya, no estado de Guanajuato.
O México abriga fábricas das principais empresas automotivas do mundo, como Honda, Ford, General Motors, BMW e Audi. O setor representa 3,6% do PIB do país.
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