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O Parlamento israelense aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei que busca fortalecer a autoridade dos rabinos ultraortodoxos sobre o Muro das Lamentações e que pode levar à eliminação da área de oração mista. O Muro das Lamentações está localizado na Cidade Velha de Jerusalém, área ocupada por Israel em 1967 e é o último vestígio remanescente do Segundo Templo, destruído pelos romanos, e o local mais sagrado onde o rabinato permite a oração judaica.
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O local possui três áreas de oração: a maior, destinada aos homens; outra, às mulheres; e uma terceira, mista, mas que não possui a aprovação do rabinato israelense, dominado pelos ultraortodoxos. O projeto de lei passou por sua primeira leitura parlamentar nesta quarta-feira, com 56 votos a favor e 47 contra. A iniciativa, apresentada pelo parlamentar de extrema-direita Avi Maoz, busca conceder ao Rabinato Chefe plena autoridade sobre todas as seções do Muro das Lamentações.
De acordo com essa legislação, qualquer atividade contrária às diretrizes do rabinato, incluindo formas não ortodoxas de culto, seria definida como “profanação”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não estava presente na votação. No centro da disputa está a área de oração criada para acomodar o culto misto.
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Diversos movimentos judaicos não ortodoxos — predominantes entre as comunidades judaicas nos Estados Unidos, mas minoria em Israel — praticam o culto nessa área, mas reclamam que o acesso é difícil e o layout é inadequado.
Na tentativa de apaziguar a comunidade judaica americana, o governo anterior de Netanyahu votou em 2016 pela criação da área mista, mas voltou atrás no ano seguinte sob pressão de seus aliados ultraortodoxos. Isso significou que a área de uso misto foi criada, mas não desenvolvida. O projeto de lei apresentado nesta quarta-feira é a mais recente reviravolta no impasse entre o governo de coalizão de Netanyahu, um dos mais direitistas da história de Israel, e a Suprema Corte, cujos poderes o governo tenta restringir.
Na semana passada, a Suprema Corte ordenou ao governo e à prefeitura de Jerusalém que implementassem planos, há muito atrasados, ​​para desenvolver e melhorar a área de uso misto, incluindo a emissão de alvarás de construção que estavam paralisados ​​há quase uma década.
O astronauta que enfrentou um problema de saúde na Estação Espacial Internacional (EEI) em janeiro, o que levou à sua evacuação do laboratório orbital, afirmou estar “muito bem”, em comunicado divulgado na quarta-feira pela agência espacial dos Estados Unidos.
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Mike Fincke, de 58 anos, disse estar “muito bem” e acrescentou que “sigo com a reabilitação padrão pós-voo” na sede da NASA, em Houston, no Texas. Anteriormente, a agência havia se recusado a identificar o astronauta que havia sofrido um “evento médico”, deixando uma aura de curiosidade sobre o que motivou o retorno antecipado. A de Fincke foi a primeira evacuação médica a partir da EEI.
Em razão da situação, a NASA encurtou a missão Crew-11, composta pelos astronautas americanos Fincke e Zena Cardman, pelo japonês Kimiya Yui e pelo cosmonauta russo Oleg Platonov. Fincke explicou que, em 7 de janeiro, passou por uma situação médica — sem dar detalhes — que exigiu “atenção imediata dos meus incríveis companheiros de tripulação”.
— Graças à resposta rápida deles e à orientação dos nossos médicos de voo da NASA, meu estado se estabilizou rapidamente — afirmou.
Ele insistiu que o retorno antecipado não ocorreu por uma emergência, mas para “aproveitar técnicas avançadas de imagem médica que não estão disponíveis na estação espacial”. A tripulação amerissou em frente à costa da Califórnia em 15 de janeiro.
Os familiares do narcotraficante mexicano Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, solicitaram a entrega de seu corpo, informou nesta quarta-feira a Procuradoria-Geral.
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Oseguera morreu no domingo durante uma operação militar no estado de Jalisco (oeste). A morte desencadeou uma onda de violência, com incêndio de estabelecimentos comerciais e bloqueios de estradas em 20 dos 32 estados do país.
A procuradoria mexicana “recebeu um documento, entregue por quem se apresentou como representante jurídico de familiares” de Oseguera, “no qual se solicita a entrega de seus restos mortais”, afirmou a instituição em comunicado.
“El Mencho”, de 59 anos, liderava o Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG) e era até então o narcotraficante mais procurado pelo governo dos Estados Unidos, que oferecia recompensa de 15 milhões de dólares. O corpo foi transferido para instalações da procuradoria na Cidade do México.
Na operação e em confrontos posteriores, morreram ao menos 27 agentes de segurança, 46 supostos criminosos e uma civil.
Ainda não se sabe qual será o destino final dos restos do chefe do tráfico, nascido em Aguililla, um remoto povoado nas montanhas de Michoacán (oeste). Oseguera também poderá ser enterrado no vizinho estado de Jalisco, onde fundou e fortaleceu o CJNG.
A procuradoria informou que dois supostos seguranças de “El Mencho”, detidos durante a operação, foram transferidos para um presídio de segurança máxima no estado do México, na região central do país.
Os Estados Unidos autorizaram a revenda de petróleo e gás para Cuba, desde que as empresas garantam que o combustível seja destinado a cidadãos e empresas do setor privado, anunciou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira.
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“O gás e outros produtos petrolíferos exportados e reexportados para entidades ou indivíduos do setor privado cubano para uso pessoal podem ser autorizados ao abrigo da Exceção de Licença SCP”, explica a nota do Departamento do Tesouro.
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Em atualização.
Desde sábado, estudantes iniciaram uma nova onda de manifestações contra o regime do líder supremo Ali Khamenei em universidades no Irã, mais de 40 dias após a violenta repressão que marcou os protestos de janeiro no país. Vídeos verificados por veículos internacionais mostram atos em ao menos 13 instituições, incluindo os campi em Teerã e Mashhad. O governo iraniano respondeu rapidamente, mobilizando um forte aparato de segurança e presença armada nos arredores das universidades.
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Segundo o jornal britânico The Guardian, policiais à paisana e integrantes da milícia Basij, ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), ocuparam universidades ainda abertas. Em alguns campi, confrontos físicos foram registrados. Imagens mostram brigas entre estudantes e membros da milícia na Iran University of Science and Technology, enquanto caminhonetes com metralhadoras foram fotografadas do lado de fora da Universidade de Teerã.
De acordo com a BBC, estudantes entoaram palavras de ordem contra a Basij no pátio principal da Sajjad University of Technology, em Mashhad, a segunda maior cidade do país. Também houve manifestações no Shandiz Institute of Higher Education e na Khajeh Nasir University, na capital. Em frente à Escola de Engenharia Mecânica, manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram verbalmente.
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Os estudantes contrários ao regime gritaram slogans como “Morte a Khamenei” e “Vida longa ao xá”, além de exibirem a antiga bandeira nacional, substituída após a Revolução de 1979. Em vídeos gravados na Universidade de Arte de Teerã, ouvem-se frases como “Lutamos, morremos, retomamos o Irã” e “Presos políticos devem ser libertados”.
Por outro lado, na Shahid Beheshti University, também em Teerã, um grande grupo de contra-manifestantes marchou pelo campus com bandeiras da República Islâmica e gritos de “Deus é grande”, segundo o The Wall Street Journal.
Muitos dos apoiadores do regime parecem ser estudantes ligados à Basij, milícia voluntária que teve papel central na repressão à onda anterior de protestos. Em alguns campi, integrantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, acusando ambos os países de fomentar a instabilidade.
Universidades sob vigilância
Administradores anunciaram a suspensão de aulas presenciais em diversas instituições. Estudantes identificados como participantes de protestos anteriores também foram impedidos de entrar nos campi. Atualmente, quase 80% das universidades iranianas operam em regime virtual, medida vista por analistas como forma de evitar novas concentrações.
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O ministro da Ciência, Hossein Simaei-Sarraf, afirmou em vídeo divulgado pela mídia estatal iraniana que não tolerará “distúrbios” nas universidades. Já o procurador-geral Mohammad Mohebi Azad exigiu punições rápidas contra os envolvidos.
— Sempre que o sistema esteve no caminho das negociações, certos grupos, sob orientação do inimigo, tentaram inflamar o ambiente interno — declarou.
As manifestações foram retomadas com a reabertura do semestre letivo, após atos organizados em memória de estudantes mortos na repressão de janeiro. A onda anterior de protestos, que começou no fim do ano passado em meio ao colapso econômico e se espalhou pelo país, representou o maior desafio aos líderes clericais do Irã em décadas.
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No início de janeiro, o regime cortou o acesso à internet e promoveu uma repressão violenta para conter os atos. Segundo a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, 7.070 pessoas tiveram as mortes confirmadas nos protestos anteriores, de acordo com relatório intitulado “Red Winter”. O governo iraniano reconhece 3.117 mortos.
Pressão externa e risco de escalada
A nova onda de agitação ocorre em um momento delicado. Na quinta-feira, está prevista em Genebra a terceira rodada de negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano entre o chanceler Abbas Araghchi e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, com mediação de Omã.
Enquanto isso, o presidente americano Donald Trump intensificou a presença militar na região, posicionando navios de guerra e aeronaves após ameaçar “punir” o regime caso não haja acordo. Trump afirmou que, se Teerã não firmar um entendimento, será “um dia muito ruim para aquele país e, infelizmente, para seu povo”.
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Analistas avaliam que o discurso de Khamenei também endureceu. Segundo Ali Hashem, pesquisador do Center for Islamic and West Asian Studies, da Royal Holloway, University of London, o líder supremo passou a adotar uma retórica inspirada em Karbala, símbolo central da tradição xiita que exalta o martírio diante da injustiça.
Por ora, os protestos permanecem restritos ao ambiente universitário e ainda não ganharam tração ampla nas ruas. Mas sua persistência, mesmo após a repressão que matou milhares de pessoas há poucas semanas, evidencia que o regime enfrenta um novo desafio, agora sob o olhar atento da comunidade internacional e em meio ao risco de uma crise externa.
Bill Gates admitiu ter cometido “um grave erro” ao se relacionar com Jeffrey Epstein, e disse aos funcionários de sua fundação filantrópica que de fato teve casos com duas mulheres russas, mas negou qualquer ligação com os crimes do financista e condenado por crimes sexuais.
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O cofundador da Microsoft é uma das figuras mais proeminentes que aparecem nos documentos do arquivo Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, nos quais são reveladas amizades próximas, acordos financeiros ilícitos e fotos privadas.
Em uma assembleia geral com funcionários da Fundação Gates realizada na terça-feira, cuja gravação foi analisada pelo The Wall Street Journal, Gates lamentou que sua relação com Epstein tivesse afetado o trabalho de sua organização filantrópica.
“Foi um grande erro passar tempo com Epstein” e organizar reuniões entre executivos da fundação e o financista, disse Gates.
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Em um rascunho divulgado pelo Departamento de Justiça, Epstein afirmou que Gates manteve relações extraconjugais. Ele escreveu que sua relação com Gates ia desde “ajudar Bill a conseguir drogas para lidar com as consequências de ter feito sexo com garotas russas, até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas”.
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Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
Gates, de 70 anos, reconheceu na assembleia dois casos. “Sim, tive casos amorosos; um com uma jogadora russa de bridge, que conheci em eventos de bridge, e outro com uma física nuclear russa, que conheci em atividades de negócios”, afirmou.
Mas negou qualquer relação com vítimas de Epstein, que foi encontrado morto em uma prisão de Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores de idade.
— Não fiz nada ilícito. Não vi nada ilícito — disse Gates na assembleia.
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O empresário de tecnologia disse que sua relação com Epstein começou em 2011, três anos depois de o financista ter se declarado culpado de solicitar uma menor para prostituição.
— Saber o que sei agora torna isso, sabem, 100 vezes pior, não apenas em termos de seus crimes no passado, mas agora está claro que havia uma conduta imprópria contínua — disse Gates à equipe.
“Bill falou com franqueza, respondeu a várias perguntas em detalhes e assumiu a responsabilidade por suas ações”, declarou a Fundação Gates em um comunicado enviado à AFP.
O Senegal está intensificando a repressão à homossexualidade, com um número crescente de detenções, discursos de ódio e um projeto de lei para duplicar as penas, uma situação que está empurrando o coletivo LGBT+ para o exílio.
O tema da homossexualidade costuma vir à tona neste país da África Ocidental, de maioria muçulmana e de prática religiosa muito intensa.
Mas, nas últimas semanas, o assuntou se tornou especialmente quente após a detenção, no início de fevereiro, de 12 homens -incluindo duas celebridades locais- por “atos contra a natureza”, um termo que designa as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
Desde então, praticamente todos os dias têm sido reportadas novas detenções, com base em denúncias e na inspeção de celulares. Além disso, os nomes dos detidos são divulgados publicamente. Alguns dos detidos são acusados de terem transmitido voluntariamente a aids, o que alimenta debates acirrados contra a homossexalidade.
Estas detenções são altamente midiáticas e o CORED, órgão de regulação deontológica dos meios de comunicação no Senegal, teve que publicar um comunicado em que lembra que é preciso respeitar a “dignidade humana e a vida privada dos indivíduos”.
“Grande batida contra homossexuais”, “Bissexuais, perigoso ambulantes”, “A perseguição se intensifica” … foram algumas das manchetes mais recentes sobre o tema.
O assunto também tem sido muito comentado nas redes sociais, onde proliferam publicações incendiárias e vídeos de pessoas sendo agredidas após serem acusadas de serem homossexuais. Em um deles, que não pôde ser verificado pela AFP, é possível ver um grupo de pessoas espancando um homem acusado de ser homossexual.
Neste contexto, o governo aprovou um projeto de lei para duplicar as penas que punem as relações homossexuais, que passarão a ser de cinco a dez anos de prisão, se o texto for adiante. Além disso, a mesma lei prevê punir com entre três a sete anos de prisão “toda pessoa que faça apologia da homossexualidade”.
No Senegal, a homossexualidade é considera por muitos como um desvio, e associações religiosas muito influentes vêm há anos reivindicando sua “criminalização”. Um clima geral que se tornou insuportável para pessoas LGBT+, indicaram vários ativistas contatados à AFP.
Linchamento público
“Mesmo no Senegal, isto nunca tinha sido visto. O que estão fazendo é um linchamento público”, disse um ativista de direitos humanos, que pediu anonimato, à AFP.
“As pessoas [LGTB+] se escondem (…) muito mais do que antes” em decorrência desta onda de detenções, que provocou um “trauma” no coletivo, segundo o ativista.
“Estamos ajudando as pessoas a fugir para Gâmbia”, um país vizinho, dada a “situação dramática” que se vive no Senegal, afirmou.
É difícil quantificar quantas pessoas abandonaram o país neste contexto, já que fazem na clandestinidade, mas a associação STOP Homophobie afirma que recebeu 18 pedidos de pessoas para que as ajudassem a sair do Senegal nos últimos dias.
Segundo esta associação, que tem sede em Paris e presta assistência a senegaleses vítimas de discriminação em seu país, o número de pedidos vindos do país africano aumentou.
“Alguns mencionam violências, ameaças e expulsões familiares. Todos têm medo de ser presos e muitos temem que sua vida privada seja violada”, explicou Terrence Khatchadourian, secretário-geral da STOP Homophobie.
Além disso, Khatchadourian alertou que “o uso de elementos relacionados a presença do HIV como prova de acusação tem graves consequências para a saúde pública, por desencorajar a realização de testes de detecção e o acesso aos cuidados de saúde”.
No Senegal, são poucos os organismos que denunciam a situação, pois a defesa dos direitos das pessoas homossexuais é percebida como um valor ocidental incompatível com as tradições locais.
Em uma entrevista ao jornal senegalês L’Observateur, Denis Ndour, novo presidente da Liga Senegalesa dos Direitos Humanos, declarou apoiar o endurecimento das penas e qualificou os homossexuais como “doentes”.
Boubacar [nome modificado] é uma das pessoas que tiveram que deixar o país. Saiu há cinco meses, quando sua família descobriu sua homossexualidade e o expulsou de casa.
Segundo contou à AFP, ele tem alguns amigos que também estão tentando sair do Senegal. E, os que não têm meios para fazê-lo, “a única coisa que podem fazer é ver a morte se aproximar e esperar”.
O desaparecimento de quase 2,5 mil peças estratégicas de aeronaves militares abalou a Itália e levou o Ministério Público de Roma e a Procuradoria Militar a abrirem uma ampla investigação. O material, avaliado em mais de 17 milhões de euros (o equivalente a R$ 102 milhões ), era destinado aos caças-bombardeiros Panavia Tornado e AMX International AMX, além do avião de transporte tático Lockheed C-130 Hercules.
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Segundo revelado pela Euronews, não se trata de peças menores, mas de módulos e sistemas eletrônicos críticos, essenciais para o funcionamento seguro e certificado das aeronaves. Cada componente deveria estar vinculado a códigos de inventário, histórico de manutenção e certificações obrigatórias, inclusive sob normas da OTAN. No entanto, além do sumiço físico, os registros oficiais também desapareceram, o que afasta a hipótese de mera desorganização administrativa.
O material estava armazenado na base de Brindisi, onde a empresa Ge Avio — multinacional americana do grupo General Electric, especializada em sistemas e módulos para motores aeronáuticos civis e militares — mantinha contrato de manutenção. Cerca de uma dúzia de suspeitos, entre altos responsáveis da logística da Aeronáutica, generais e executivos da companhia, foram inscritos no registro de investigados sob a acusação de peculato, ou seja, apropriação ou desvio de bens públicos confiados em razão do cargo.
Os magistrados Antonio Clemente e Antonella Masala tentam reconstruir o destino das peças, que teriam desaparecido entre 2021 e 2023. “Um buraco negro nos céus da Defesa. Quase 2.500 peças de aviões militares desapareceram no nada: componentes aviônicos dos caças-bombardeiros Tornado e AMX e do C-130, o avião de transporte tático da Aeronáutica. Valor estimado, 17 milhões de euros. Não são parafusos quaisquer, mas partes estratégicas, o coração tecnológico dos meios”, destaca a imprensa italiana.
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Um dos eixos da investigação, mantido sob sigilo, analisa a hipótese de que parte do material possa ter tido como destino a América do Sul, especialmente o Brasil, onde alguns desses modelos continuam ou continuaram em operação. O AMX, por exemplo, foi desenvolvido em parceria ítalo-brasileira e integrou a frota da Força Aérea Brasileira. Até o momento, trata-se apenas de um cenário em apuração, com cruzamento de documentos, registros de entrada e saída e certificações técnicas.
Outro ponto considerado central pelos investigadores é a certificação posterior de determinadas peças como estando “fora de uso”. Em tese, seriam componentes desgastados, destinados ao descarte. Na prática, porém, a certificação foi apresentada quando o material já não estava mais fisicamente nos armazéns. “Primeiro o desaparecimento, depois o carimbo que atesta a inutilização”, descreve a investigação, levantando a suspeita de possível manobra para eliminar a rastreabilidade oficial.
As procuradorias determinaram uma perícia técnica para avaliar o estado real dos componentes e confirmar se estavam de fato inutilizáveis ou ainda plenamente operacionais. A conclusão poderá alterar substancialmente o enquadramento jurídico do caso. Se as peças ainda eram aptas ao uso, ganha força a hipótese de desvio estruturado e eventual inserção em mercado paralelo internacional de componentes militares certificados — um setor altamente regulado justamente para evitar que sistemas críticos caiam em circuitos não autorizados.
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Até o momento, as autoridades italianas não divulgaram detalhes sobre as categorias exatas de peças desaparecidas nem sobre medidas preventivas adotadas. A investigação busca responder se o episódio decorreu de falha administrativa grave ou de um esquema organizado de apropriação de material estratégico, com potenciais implicações para a segurança nacional italiana.
A campanha anticorrupção conduzida pelo presidente da China, Xi Jinping, atingiu o mais alto escalão das Forças Armadas e já afastou mais de 100 oficiais desde 2022, segundo dois importantes centros de pesquisa internacionais. A dimensão da ofensiva levanta dúvidas sobre a prontidão operacional do Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês), especialmente em cenários complexos como um eventual conflito envolvendo Taiwan.
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Um relatório publicado nesta semana pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS), com sede em Washington, aponta que 36 generais e tenentes-generais foram oficialmente expurgados desde 2022, enquanto outros 65 oficiais aparecem como desaparecidos ou potencialmente afastados. Ao considerar cargos atingidos mais de uma vez, 52% das 176 principais posições de liderança do PLA foram afetadas.
“Esse número é impressionante e extraordinário, demonstrando a profundidade da campanha de Xi e a rotatividade sem precedentes na liderança do PLA”, escreveu M. Taylor Fravel, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos autores do estudo.
Já o relatório anual Military Balance, do International Institute for Strategic Studies (IISS), sediado em Londres, afirma que os expurgos deixaram “deficiências sérias” na estrutura de comando e provavelmente afetaram a prontidão das forças em processo acelerado de modernização.
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“Do ponto de vista organizacional, até que as vagas sejam preenchidas, o PLA está operando com deficiências sérias em sua estrutura de comando”, diz o IISS. De acordo com o instituto, a ofensiva atingiu a cúpula da Comissão Militar Central, comandos regionais, setores de aquisição de armamentos e até a academia militar.
A reestruturação ganhou força após investigações contra dois dos mais graduados generais do país. Zhang Youxia, aliado próximo de Xi, foi colocado sob investigação em janeiro. Antes dele, He Weidong foi expulso do cargo em outubro do ano passado. A ofensiva reduziu o comando militar supremo de sete integrantes a apenas dois: o próprio Xi e o vice-presidente da Comissão, Zhang Shengmin.
Embora o combate à corrupção seja uma marca do governo Xi desde que assumiu o poder, há mais de uma década, a nova onda de expurgos atingiu inclusive aliados próximos e oficiais nomeados por ele.
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Segundo informações divulgadas pela CNN e pela Reuters, os comunicados oficiais geralmente citam violações da “disciplina e da lei”, mas analistas destacam a dificuldade de avaliar os reais motivos das decisões em uma instituição historicamente opaca.
Impacto operacional
Segundo o CSIS, a extensão das punições a escalões intermediários pode obrigar o governo a promover oficiais com menos experiência de comando e nenhuma vivência real em combate. Entre os cinco comandos de teatro do PLA, o expurgo de 56 vice-comandantes reduziu em mais de 33% o grupo de oficiais aptos a assumir essas posições.
A analista Bonny Lin, coautora do estudo, observa que exercícios militares conduzidos pelo PLA ao redor de Taiwan demoraram mais a ser implementados em 2025 — 19 e 12 dias — em comparação com apenas quatro dias no ano anterior. Para ela, os expurgos podem ter impacto direto na prontidão.
O IISS também alerta que, caso promoções anteriores tenham ocorrido por conexões pessoais e contratos militares tenham gerado falhas em armamentos, o efeito de curto prazo pode ser significativo. Ainda assim, o instituto descreve o impacto como “temporário” e avalia que a modernização das Forças Armadas deve continuar em ritmo acelerado.
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O relatório ainda destaca que os gastos militares chineses vêm crescendo acima da média asiática, elevando a participação da China no total regional para quase 44% em 2025, ante uma média de 37% na década anterior.
Taiwan no centro das preocupações
De acordo com o estudo do CSIS, a escala da reorganização militar levanta questionamentos sobre a capacidade do PLA de conduzir uma invasão “incrivelmente complicada e arriscada” de Taiwan nos próximos anos, especialmente diante de esforços de dissuasão por parte dos Estados Unidos e do Japão.
O Partido Comunista Chinês reivindica Taiwan como parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha.
Para John Culver, pesquisador sênior da Brookings Institution, a aparente falta de confiança de Xi em seus comandantes pode ter efeito dissuasório.
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“A demonstrada falta de fé no Exército é positiva, sob a perspectiva dos Estados Unidos e de Taiwan, para evitar uma invasão”, escreveu.
Ainda assim, os relatórios ressaltam que o PLA mantém capacidade significativa. Operações menos complexas, como um bloqueio naval, poderiam ser executadas sem exigir coordenação altamente sofisticada.
Analistas também alertam para outro risco: o ambiente de medo pode levar oficiais recém-promovidos a evitar transmitir más notícias à liderança.
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“Isso é perigoso para a gestão de crises, pois pode tornar Xi irrealisticamente confiante nas capacidades militares em futuras contingências”, escreveu Thomas Christensen, do CSIS.
Apesar das incertezas de curto prazo, especialistas apontam que, até o fim da década, novos comandantes podem ganhar experiência com equipamentos modernos e consolidar maior coesão interna. Nesse cenário, a campanha de “limpeza” promovida por Xi poderia resultar em um aparato militar mais alinhado ao líder e potencialmente mais confiante.
Em discurso recente às Forças Armadas, Xi classificou o último ano como “incomum e extraordinário” e afirmou que o Exército passou por uma “forja revolucionária” na luta contra a corrupção, sinal de que a ofensiva, longe de arrefecer, segue no centro da estratégia política e militar de Pequim.
Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra funcionários de uma unidade da rede americana de fast-food Whataburger, no Texas, agredindo um cliente com uma lixeira e um cesto metálico de fritura após um suposto ataque dentro do restaurante.
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Segundo a emissora local WFAA, a confusão ocorreu na cidade de Paris, a cerca de 160 quilômetros a nordeste de Dallas. O suspeito, identificado como Anthony William Newhuis, de 41 anos, teria sido expulso do estabelecimento após discutir com funcionários. De acordo com as informações, ele deixou o local prometendo retornar mais tarde para agredir o gerente quando a polícia não estivesse mais presente.
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Ainda conforme a reportagem, Newhuis teria voltado ao restaurante supostamente embriagado e iniciado um ataque violento contra o gerente. Imagens mostram o momento em que o responsável pela unidade balança repetidamente uma lixeira contra o cliente enquanto outros funcionários gritam para que alguém aperte o botão de pânico.
O cliente que filmou a briga, Billy Jones, afirmou à Fox 4 News que outro funcionário atingiu Newhuis na cabeça com um cesto de fritura de arame logo no início da agressão, fazendo com que ele caísse no chão.
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A polícia de Paris encontrou o suspeito com sangramento na cabeça no estacionamento dos fundos do restaurante. Ele foi preso sob acusação de agressão com lesão corporal, embriaguez em público e dano criminal.
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De acordo com as autoridades, mesmo após a detenção, Newhuis teria continuado a causar problemas na cadeia, alagando celas e acumulando uma nova acusação de dano criminal inferior a US$ 750 (o equivalente a R$ 3,8 mil).
Em nota enviada à imprensa, um porta-voz do Whataburger afirmou que a segurança de clientes e funcionários é prioridade. “Levamos incidentes como este a sério e estamos cooperando plenamente com as autoridades”, declarou.
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O caso ocorre em meio a outros episódios recentes envolvendo funcionários de restaurantes reagindo a clientes agressivos.
Em dezembro, uma briga generalizada entre trabalhadores da rede Chipotle e um cliente ocorreu em Connecticut, após imagens mostrarem um homem no caixa arremessando um objeto contra um funcionário. Quando o empregado revidou, o cliente teria invadido a área atrás do balcão, empurrado trabalhadores e jogado o funcionário ao chão, desencadeando uma grande confusão dentro do restaurante.

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