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O presidente americano, Donald Trump, disse que a operação coordenada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode ‘durar muito’ ou terminar ‘em dois ou três dias’. Segundo o republicano, existem várias opções de “saída” para a desescalada do conflito após os ataques que tiveram início na manhã deste sábado.
— Posso prolongar o processo e assumir o controle total, ou encerrar tudo em dois ou três dias e dizer aos iranianos: “Nos vemos daqui a alguns anos, se vocês começarem a reconstruir (seu programa nuclear)” — afirmou numa entrevista por telefone à Axios em sua primeira declaração desde os ataques.
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Trump disse ainda que, de qualquer forma, os iranianos “levarão vários anos para se recuperar desse ataque”.
O presidente americano afirmou ter tomado a decisão de autorizar a operação devido à falta de progresso nas negociações nucleares desta semana, lideradas por seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner:
— Os iranianos se aproximaram e depois recuaram, se aproximaram e depois recuaram. Entendi, portanto, que eles não querem realmente um acordo.
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Uma segunda razão para dar o aval ao ataque, disse Trump, foi a conduta do Irã nas últimas décadas. Segundo o presidente, após pedir à sua equipe para compilar todos os ataques conduzidos pelo país nos últimos 25 anos, ele constatou que “todos os meses eles faziam algo ruim, explodiam ou mataram alguém”.
O chefe do Executivo americano também afirmou que o Irã começou a reconstruir algumas das instalações nucleares que os EUA e Israel atingiram durante junho do ano passado. Segundo a Axios, analistas independentes constataram a construção de atividades em algumas das instalações, mas não concluíram que o Irã tenha de fato retomado a atividade nuclear.
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Trump disse ainda ter tido “uma ótima conversa” com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e que ambos estão “no mesmo comprimento de onda” sobre os ataques.
Mais cedo, os dois líderes anunciaram que os ataques deste sábado tinham por objetivo não apenas a destruição dos programas nuclear e de mísseis iraniano, mas também a mudança de regime no país — em um momento em que a Revolução Islâmica enfrenta a maior crise interna de seus 47 anos.
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Entre centenas de alvos no Irã, estava o complexo residencial do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Imagens de satélite mostram a destruição do local. Netanyahu afirmou haver “muitos indícios” de que Khamenei foi morto no ataque.
Em entrevista à ABC News, porém, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Khamenei e Masoud Pezeshkian, presidente do país, estão “sãos e salvos”.
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Testemunhas relatam que gritos de alegria ecoaram por partes de Teerã e que moradores foram às janelas para aplaudir e tocar músicas comemorativas após a notícia da morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. As comemorações começaram pouco depois das 23h (17h no Brasil), de acordo com diversas testemunhas e gravações de áudio. Ainda não há informações confirmadas.
Mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em um pronunciamento televisionado neste sábado que há “fortes indícios” de que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morreu durante o ataque conjunto realizado por Israel e Estados Unidos contra a nação persa. Paralelamente, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que não “poderia confirmar” a situação de Khamenei.
Veja: Imagens de satélite mostram destruição em residência do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
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— Esta manhã destruímos, em um ataque surpresa, o complexo do tirano Khamenei no coração de Teerã (…) e há muitos indícios de que esse tirano já não esteja vivo — declarou.
Duas redes de televisão israelenses informaram na noite deste sábado que o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viram uma “foto do corpo” de Khamenei.
“Altos funcionários israelenses foram informados sobre a eliminação de Khamenei. Seu corpo foi retirado dos escombros de seu complexo” residencial, indicou a TV pública KAN. Segundo a emissora Channel 12, “uma foto do corpo foi mostrada para Netanyahu e Trump”.
Em seu pronunciamento, Netanyahu afirmou que os ataques mataram comandantes da Guarda Revolucionária, a força de elite do Irã, assim como autoridades graduadas do regime iraniano e funcionários nucleares. Segundo o premier israelense, a operação contra o Irã “continuará enquanto for necessário”, afirmando que, nos próximos dias, “atingiremos milhares de alvos” do regime.
Afirmando que o presidente dos EUA, Donald Trump, é um “líder que mantém sua palavra”, Netanyahu agradeceu o líder americano por sua “liderança histórica”, afirmando que Israel entrou na guerra para “mudar fundamentalmente” a possibilidade de o país persa desenvolver uma arma nuclear e, assim, drasticamente aumentar sua ameaça contra os vizinhos.
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Netanyahu também afirmou que Israel criará condições para a população iraniana “se libertar das algemas da ditadura”, também pedindo aos iranianos que se unam e se levantem contra o regime da República Islâmica.
— Não percam a oportunidade. Essa é uma oportunidade única em uma geração — disse em hebraico no vídeo. — Em breve chegará o momento em que vocês sairão às ruas em massa, tomarão as ruas para completar o trabalho de derrubar o regime de horror que amarga suas vidas.
Em inglês, Netanyahu completou: “A ajuda chegou.”
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Perguntado sobre como está o líder supremo em uma entrevista à ABC, o porta-voz da Chancelaria iraniana afirmou que “não poderia confirmar nada”, acrescentando: “O importante é que o nosso povo, toda a nação, estejam concentrados em defender nossa soberania e nossa integridade territorial”.
Segundo as Forças Armadas israelenses, o ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, na manhã deste sábado, teve centenas de instalações militares e lideranças do regime iraniano entre seus alvos, incluindo o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian.
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O presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram que a ação tinha por objetivo não apenas a destruição dos programas nuclear e de mísseis iraniano, mas também a mudança de regime — em um momento em que a Revolução Islâmica enfrenta a maior crise interna de seus 47 anos.
Quais comandantes teriam morrido
Até o momento, ao menos duas autoridades do Irã teriam sido mortas, segundo duas fontes familiarizadas com as operações militares israelenses e uma fonte regional ouvidas pela agência de notícias Reuters. São elas:
O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh;
O comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour.
O ministro de Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh (ao centro), na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Qingdao
Pedro Pardo / AFP
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou à NBC News a morte de “alguns comandantes”, mas não especificou se Nasirzadeh e Pakpour estariam entre as vítimas e não divulgou um balanço oficial sobre as causalidades.
Em entrevista à ABC News, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Khamenei e Pezeshkian, embora tenham sido alvos dos ataques, estão “sãos e salvos”.
Ao mesmo tempo, porém, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou haver “muitos indícios” de que o líder supremo do Irã, Khamenei, foi, sim, morto no ataque.
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Netanyahu disse ainda que o país eliminou “altos responsáveis do regime” e do programa nuclear do Irã. Segundo a emissora israelense Channel 12, cerca de 30 líderes importantes iranianos e comandantes militares foram alvos dos ataques.
Entre eles, o chefe do Exército iraniano, Sayyid Abdolrahim Mousavi, um dos principais potenciais sucessores de Khamenei e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, e o o secretário do recém-estabelecido Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani.
Também teriam sido alvos Esmail Qaani, chefe da Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, e o comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, responsável por supervisionar os ataques com mísseis balísticos do Irã.
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Alvos militares da ação dos EUA e Israel
De acordo com as Forças Armadas israelenses, foram atingidos cerca de 500 alvos no Irã, entre sedes do governo e instalações militares, incluindo lançadores de mísseis no Oeste do país.
O porta-voz do Crescente Vermelho no Irã, Mojtaba Khaledi, afirmou que 20 das 31 províncias foram afetadas. Entre as principais cidades, estão a capital Teerã, Tabriz e Isfahã — essa última, onde fica uma das principais centrais nucleares do programa iraniano.
Complexo residencial de Ali Khamenei
Um dos alvos foi o complexo da residência oficial de Khamenei, na capital Teerã, principal local para receber autoridades de alto escalão do governo iraniano. Imagens de satélite mostram a destruição, com uma coluna negra de fumaça, edifícios colapsados e danos estruturais graves.
Segundo a mídia israelense, o complexo residencial foi atingido por ’30 bombas’. As autoridades iranianas dizem, porém, que Khamenei está vivo. A mídia estatal do Irã, citando autoridades de alto escalão do país, afirmou que o líder não estava na cidade e foi levado para um local seguro.
Israel, no entanto, disse investigar se o aiatolá foi atingido nos ataques. O jornalista da emissora israelense Channel 12 Amit Segal, conhecido por ser próximo do primeiro-ministro do país sugeriu que “Ali Khamenei estava no subsolo, mas provavelmente não em seu bunker”, e Netanyahu afirmou haver “muitos indícios” de sua morte.
A imagem, capturada pela Airbus, mostra diversas estruturas destruídas ou seriamente danificadas dentro do complexo residencial do líder supremo do Irã, em Teerã
Airbus/Soar Atlas
Sede presidencial do Irã
A sede presidencial do Irã, em Teerã, também foi alvo dos ataques deste sábado, confirmaram autoridades iranianas. O chanceler do país afirma, porém, que o presidente, Pezeshkian, está em segurança.
Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã
Vídeos verificados pelo The New York Times mostraram ataques em uma área de Teerã que abriga o palácio presidencial e o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, entre outros importantes prédios do governo. Outro vídeo mostrou um ataque nas proximidades do Ministério da Inteligência do Irã.
Unidade de Mísseis Superfície-Superfície do Irã, em Tabriz
De acordo com as Forças Armadas israelenses, outro alvo foi uma instalação em Tabriz, no Oeste do Irã, utilizada pela Unidade de Mísseis Superfície-Superfície do país. O exército de Israel alega que o Irã “planejava lançar dezenas de mísseis contra civis israelenses” a partir do local.
Unidade de Mísseis Superfície-Superfície do Irã, em Tabriz
Forças Armadas de Israel
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Sistema de defesa aérea SA-65, em Kermanshah
Também segundo as Forças Armadas de Israel, outro alvo dos ataques foi um avançado sistema de defesa aérea SA-65 localizado na região de Kermanshah, no Oeste do Irã.
Sistema de defesa aérea SA-65, em Kermanshah.
Forças Armadas de Israel
Instalações militares em Isfahán
Já na noite deste sábado, no Irã, as Forças Armadas de Israel emitiram um comunicado pedindo que moradores de uma área industrial de Isfahán, no centro do país, deixem a região. “Nos próximos minutos, o Exército israelense atacará infraestruturas militares situadas nesta zona”, disse.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em um pronunciamento televisionado neste sábado que há “fortes indícios” de que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morreu durante o ataque conjunto realizado por Israel e Estados Unidos contra a nação persa. Paralelamente, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que não “poderia confirmar” a situação de Khamenei.
Veja: Imagens de satélite mostram destruição em residência do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Ataques contra o Irã: Veja cobertura completa
Em seu pronunciamento, Netanyahu afirmou que os ataques mataram comandantes da Guarda Revolucionária, a força de elite do Irã, assim como autoridades graduadas do regime iraniano e funcionários nucleares. Segundo o premier israelense, a operação contra o Irã “continuará enquanto for necessário”, afirmando que, nos próximos dias, “atingiremos milhares de alvos” do regime.
Afirmando que o presidente dos EUA, Donald Trump, é um “líder que mantém sua palavra”, Netanyahu agradeceu o líder americano por sua “liderança histórica”, afirmando que Israel entrou na guerra para “mudar fundamentalmente” a possibilidade de o país persa desenvolver uma arma nuclear e, assim, drasticamente aumentar sua ameaça contra os vizinhos.
Entenda: O Irã tem uma bomba atômica? Como a República Islâmica montou programa nuclear alvo de ataque de EUA e Israel
Netanyahu também afirmou que Israel criará condições para a população iraniana “se libertar das algemas da ditadura”, também pedindo aos iranianos que se unam e se levantem contra o regime da República Islâmica.
— Não percam a oportunidade. Essa é uma oportunidade única em uma geração — disse em hebraico no vídeo. — Em breve chegará o momento em que vocês sairão às ruas em massa, tomarão as ruas para completar o trabalho de derrubar o regime de horror que amarga suas vidas.
Em inglês, Netanyahu completou: “A ajuda chegou.”
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Perguntado sobre como está o líder supremo em uma entrevista à ABC, o porta-voz da Chancelaria iraniana afirmou que “não poderia confirmar nada”, acrescentando: “O importante é que o nosso povo, toda a nação, estejam concentrados em defender nossa soberania e nossa integridade territorial”.
Muitos iranianos deixaram a capital Teerã após os ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel na manhã deste sábado. As autoridades da República Islâmica chegaram a enviar mensagens de texto à população incentivando cidadãos a deixarem a capital iraniana. A insegurança e o medo se espalharam para outros países da região, atingidos por ataques do Irã em retaliação.
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“Em vista das operações conjuntas lançadas pelos Estados Unidos e o regime sionista contra Teerã e outras cidades importantes, se possível e mantendo a calma, dirijam-se a outras cidades”, dizem as mensagens de texto recebidas pelos residentes e vistas por jornalistas da AFP.
Num vídeo publicado pela rede Al Jazeera, um repórter anda pelas ruas de Teerãm mostrando a situação da capital iraniana durante os bombardeios. Ao fundo, é possível ouvir barulhos sequenciais de explosões. Enquanto imagens de edifícios em chamas pela cidade aparecem na tela, o jornalista descreve a situação como “muito crítica” e conta que iranianos temem uma escalada maior dos ataques pelo país.
Motoristas ficam presos em engarrafamento ao sairem de Teerã após ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra a capital
AFP
Todas as universidades do país foram fechadas por ordem do governo. Imagens da AFP mostram milhares de iranianos reunidos nas rodovias para deixar Teerã, formando grandes congestionamentos nas vias que servem como rotas de saída da cidade. A emissora estatal IRIB informou que algumas rotas ao norte e ao sul da capital foram transformadas em vias de sentido único devido ao tráfego intenso, enquanto outras foram completamente bloqueadas.
Enquanto isso, dezenas de apoiadores do governo iraniano, em motocicletas, desfilaram no sábado por uma avenida de Teerã, tocando música marcial e agitando a bandeira da República Islâmica, informaram jornalistas da AFP. O comboio de cerca de 50 pessoas percorreu a extensa Avenida Valiasr, normalmente movimentada, mas praticamente deserta neste sábado após a sequência de ataques aéreos contra o país persa.
Manifestantes se reúnem com bandeiras nacionais iranianas durante um protesto em apoio ao governo e contra os ataques dos EUA e de Israel em frente a uma mesquita em Teerã, em 28 de fevereiro de 2026.
ATTA KENARE / AFP
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o transporte de petróleo e gás, está inseguro devido aos ataques dos EUA e de Israel e, portanto, foi fechado para navios no sábado, informou a mídia local.
“A Guarda Revolucionária alertou vários navios de que, devido à atmosfera de insegurança ao redor do estreito por causa da agressão militar dos EUA e de Israel e das respostas do Irã, não é seguro passar pelo estreito neste momento”, informou a agência de notícias Tasnim. “Com a suspensão da passagem de navios e petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o estreito foi basicamente fechado.”
Figuras políticas linha-dura iranianas ameaçaram fechar o estreito em caso de um ataque dos EUA, mas nenhuma decisão oficial foi tomada até o momento.
Relatos de moradores publicados pelo Wall Street Journal mostram que ainda há muitos iranianos divididos sobre o que fazer diante dos novos ataques. Algumas esperavam que a diplomacia fosse amenizar a crise, com as negociações que vinham sendo realizadas entre EUA e Irã para firmar um novo acordo nuclear.
— As pessoas têm sentimentos contraditórios. Algumas estão felizes porque acham que será curto, como a guerra de 12 dias, e não veem outra maneira de confrontar o governo. Outras estão preocupadas — disse um morador de Teerã ao WSJ.
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Israelenses seguem protocolos
Em Israel, o silêncio que fazia parte do cotidiano desde o início do cessar-fogo na Faixa de Gaza, assinado em outubro do ano passado, foi interrompido pelas sirenes de alerta pouco depois das 8h (horário local). O barulho que prepara as pessoas para um possível ataque fez com que israelenses pulassem da cama e corressem para abrigos.
Apesar do aviso, segundo a imprensa israelense, o estabelecimento de Defesa de Israel havia ativado as sirenes para alertar as pessoas sobre o início da campanha de ataques contra o Irã e a fim de prepará-las para a ameaça esperada de mísseis — como fez no início da guerra de 12 dias de junho de 2025.
O Times of Israel publicou que o serviço de ambulância Magen David Adom disse que um homem na casa dos 50 anos ficou levemente ferido no norte de Israel durante os ataques depois de cair em um buraco criado por fragmentos de mísseis. Outras pessoas também receberam tratamento por terem se machucado ao cair enquanto corriam para se abrigar ou por ansiedade aguda com a situação.
O Comando da Frente Doméstica — uma unidade das Forças Armadas israelenses responsável por proteger a população civil, gerenciar emergências e coordenar buscas e resgates — anunciou que grandes reuniões de pessoas foram proibidas no país.
Enquanto alguns israelenses se amontoavam em diversos abrigos pelo país, moradores de várias cidades, incluindo Givatayim, Herziliya, Holon, Hadera e Givat Olga, reclamaram de abrigos antibombas públicos trancados, de acordo com relatos divulgados pela imprensa israelense.
Segundo as autoridades locais, a instrução do Comando da Frente Interna para abrir os abrigos só chegou na manhã deste sábado, o que impediu que muitos municípios tivessem tempo de abri-los antes que os alarmes soassem.
O Aeroporto Ben Gurion, principal aeroporto internacional do país, também anunciou que interromperia as operações até pelo menos segunda-feira, deixando inúmeros israelenses presos no exterior e estrangeiros presos em Israel, já que a situação do espaço aéreo permanece incerta. Hospitais e unidades de saúde entraram no modo de emergência, movendo pacientes para complexos subterrâneos.
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Insegurança regional
Uma série de ataques iranianos — em resposta aos EUA e Israel — também provocou caos em outros países no Golfo Pérsico, destruindo a imagem de tranquilidade tão valorizada pelos governantes ricos desta região petrolífera. Mísseis riscaram o céu límpido do deserto enquanto colunas de fumaça subiam das bases americanas em Manama, capital do Bahrein, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), e poderosas explosões sacudiam as janelas dos arranha-céus de Dubai.
Duas testemunhas viram uma explosão na famosa ilha artificial de Dubai, The Palm, onde as autoridades relataram quatro feridos. Uma testemunha disse ter visto uma coluna de fumaça preta subindo de um hotel na ilha e ouvido ambulâncias correndo para o local. No Catar, dezenas de pessoas fugiram em pânico quando um míssil caiu em um bairro residencial, explodindo em uma bola de fogo ao atingir a rua.
Em Abu Dhabi, capital dos EAU, jogadores de golfe que desfrutavam de uma partida tranquila ficaram atônitos ao ver dezenas de projéteis riscando o céu. As monarquias do Golfo têm se esforçado para se manterem fora dos conflitos do Oriente Médio, confiando em sua estabilidade para atrair negócios, comércio e turismo.
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Esses aliados fiéis dos EUA também cultivam cuidadosamente seu relacionamento com o Irã, seu poderoso vizinho xiita. A Arábia Saudita, uma potência rival, restabeleceu relações com Teerã em 2023, após uma ruptura de sete anos.
Dada a sua reputação de calma, os ataques repentinos de sábado contra bases militares americanas causaram grande comoção entre as diversas populações do Golfo, em grande parte compostas por expatriados.
Na capital do Bahrein, Manama, os moradores foram evacuados às pressas do distrito de Juffair, onde fica a base da Quinta Frota da Marinha dos EUA, atingida durante o ataque.
— Quando ouvimos os sons, gritamos de medo — disse Jana Hassan, uma estudante de 15 anos que visitava uma amiga na região. — Não sabíamos o que fazer… Nunca vou esquecer o som daquelas explosões.
Em Dubai, o centro comercial do Oriente Médio, lar do arranha-céu mais alto do mundo, o Burj Khalifa, os moradores olhavam fixamente para o céu enquanto mísseis o cruzavam.
— Foi um estrondo alto e depois uma explosão — disse à AFP um morador, que pediu para não ser identificado.
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Caos em Teerã
O caos e a incerteza se instalaram na capital iraniana à medida que detonações atingiam a cidade densamente povoada, segundo relatos de testemunhas ouvidas pelo The New York Times.
Ali, um empresário que vive na capital iraniana, contou por mensagem de texto que estava no escritório com diversos funcionários quando ouviram duas explosões, seguidas pelo sobrevoo de caças. Segundo ele, empregados saíram correndo e gritando do prédio. Ele, assim como outros moradores, pediu para não ter o nome completo divulgado por temer pela própria segurança.
No bairro arborizado e de alto padrão de Mirdamad, o morador Hamidreza Zand relatou ter visto ao menos dez caças sobrevoando a região enquanto pessoas corriam para as ruas e alguns motoristas abandonavam carros em meio ao trânsito congestionado. Ao fundo, sirenes de ambulâncias ecoavam enquanto outros residentes tentavam buscar seus filhos nas escolas.
“Corri para a escola para buscar minha filha no ensino fundamental. As meninas estavam escondidas debaixo da escada e chorando”, disse Ali Zeinalipoor, contatado por um repórter por meio da rede social Clubhouse. “A diretora não sabia o que tinha acontecido — todos estavam com muito medo.”
Do telhado de seu apartamento no bairro de Velenjak, no norte de Teerã, Golshan Fathi afirmou ter visto uma segunda leva de aviões de combate.
“As pessoas estão no telhado olhando para o céu e apontando para baixo. É possível ouvir mulheres gritando. Alguns dos meus vizinhos estão correndo para seus carros”, disse. “Parece que estamos em um filme.”
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Na região de Pasdaran, onde fica um grande complexo da Guarda Revolucionária iraniana, moradores relataram múltiplas explosões que chegaram a estremecer janelas.
“Meus filhos estão chorando e assustados, estamos todos encolhidos no banheiro, não sabemos o que fazer. Isso é aterrorizante”, escreveu por mensagem Esfandiar, engenheiro que vive na área.
À medida que surgiam relatos de explosões em outras cidades do país, as comunicações começaram a falhar. Uma moradora chamada Mahsa disse que deixava Pasdaran sem conseguir avisar familiares para onde estava indo.
Quando Israel lançou ataques surpresa contra o Irã em junho passado, os alvos foram principalmente instalações militares e nucleares, além de operações em Teerã que resultaram na morte de integrantes do alto comando militar. Já os bombardeios deste sábado pareceram muito mais amplos, incluindo alvos políticos como o Ministério da Inteligência, o Judiciário e o complexo fechado de Pasteur, onde normalmente residem o presidente e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo moradores e veículos locais.
Os ataques ocorrem em um momento delicado para o país, cujo governo promoveu no mês passado uma repressão violenta para conter protestos nacionais que exigiam o fim do regime clerical.
Nem todos os iranianos, porém, reagiram com indignação às colunas de fumaça que se erguiam após as explosões. Arian, morador do distrito de Ekteban, a oeste da capital, afirmou que alguns parentes comemoraram os bombardeios. Segundo ele, era possível ouvir pessoas do lado de fora do prédio gritando “Vida longa ao xá”, em referência ao monarca deposto na revolução de 1979 que levou a República Islâmica ao poder.
Enquanto aviões de guerra lançavam ataques pelo país, o presidente Donald Trump divulgou um vídeo dirigido aos iranianos afirmando que “a hora da sua liberdade está próxima” e pedindo que se levantassem contra o governo assim que os bombardeios cessassem. Alguns iranianos ironizaram o apelo.
“A única coisa em que estamos pensando agora é em chegar a um lugar seguro”, afirmou Laleh, advogada e mãe de dois filhos, em entrevista por telefone. “Ninguém está pensando em protestar neste momento.”
(Com AFP e NYT)
Imagens de satélite capturadas pela Airbus mostram a destruição no complexo da residência oficial do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, na capital Teerã, principal local para receber autoridades de alto escalão, após ataques militares dos Estados Unidos e de Israel realizados nas primeiras horas da manhã deste sábado.
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Entenda: EUA e Israel fazem ataque coordenado contra o Irã com promessa de fim do regime dos aiatolás e da ameaça nuclear
Os registros revelam uma coluna negra de fumaça, edifícios colapsados e danos estruturais graves. Em entrevista à NBC News, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que, “pelo que ele sabe”, Khamenei está vivo.
O ataque coordenado de EUA e Israel contra o Irã teve lideranças do regime teocrático entre seus alvos, incluindo Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian, anunciaram as Forças Armadas israelenses.
Teocracia em baixa: EUA atacam Irã em seu momento de maior fragilidade; veja como funciona a República Islâmica
Horas antes, o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram que a ação tinha por objetivo não apenas a destruição dos programas nuclear e de mísseis iraniano, mas também a mudança de regime — em um momento em que a Revolução Islâmica enfrenta a maior crise interna de seus 47 anos.
A imagem, capturada pela Airbus, mostra diversas estruturas destruídas ou seriamente danificadas dentro do complexo residencial do líder supremo do Irã, em Teerã
Airbus/Soar Atlas
As autoridades em Teerã confirmaram bombardeios à sede da Presidência e ao bairro onde fica a residência oficial de Khamenei. O chanceler iraniano confirmou a morte de “alguns comandantes”, mas ainda não há um balanço oficial sobre vítimas. Israel investiga se o próprio aiatolá foi atingido nos ataques.
TV estatal Iraniana mostra destruição após ataque dos EUA e Israel
O que pode acontecer? Da sobrevivência do regime ao retorno da monarquia: entenda os possíveis cenários para o Irã após ataque dos EUA
A operação conjunta — que nos EUA recebeu o nome “Operação Fúria Épica”, e em Israel foi chamada de “Rugido do Leão” — atingiu uma extensa área do território do Irã. O porta-voz do Crescente Vermelho no país, Mojtaba Khaledi, afirmou que 20 das 31 províncias do país foram afetadas.
Entre as principais cidades atingidas estão Teerã, Tabriz e Isfahã — essa última, onde fica uma das principais centrais nucleares do programa iraniano. O Exército israelense afirmou que vários locais de Teerã “onde altos funcionários políticos e de segurança estavam reunidos” foram atacados de forma simultânea, e que vários “funcionários graduados” foram eliminados.
Os principais centros financeiros dos Emirados Árabes Unidos, Dubai e Abu Dhabi, assim como Doha, capital do Catar, transformaram-se em centros financeiros globais, construídos sobre uma base sólida de segurança, estabilidade e proximidade a grandes reservas de capital. Os ataques do Irã em resposta a bombardeios americanos-israelenses neste sábado serviram como um lembrete perturbador do peso da geografia local.
Horas depois de os EUA e Israel atacarem o Irã, Teerã retaliou atingindo bases militares americanas no Golfo Pérsico. Projéteis foram vistos cruzando o céu do centro financeiro de Abu Dhabi, enquanto moradores da vizinha Dubai relataram ter ouvido explosõe. Mísseis foram interceptados em Riade, Doha e Abu Dhabi, onde pelo menos uma pessoa morreu.
Os acontecimentos colocam em risco tanto a ascensão de Dubai como um polo de atração de fundos de hedge quanto a emergência de Abu Dhabi como uma potência em gestão de riqueza soberana , conquistas que se baseavam em uma imagem cuidadosamente cultivada de isolamento das turbulências regionais. Assim como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Catar também têm atraído empresas financeiras em seus esforços para diversificar suas economias e reduzir a dependência do petróleo.
Mesmo com o conflito se intensificando no verão passado, profissionais do setor financeiro continuaram a chegar em grande número. Na época, as preocupações com possíveis repercussões aumentaram quando o Irã atacou uma base americana no Catar. O ataque foi considerado orquestrado e as empresas financeiras rapidamente se afastaram, já que o impacto mais amplo foi mínimo. Desta vez, os riscos são maiores.
Este é o primeiro caso em que a República Islâmica lança ataques contra tantos alvos americanos na região. No passado, geralmente recorria ao que descrevia como ataques retaliatórios “limitados” contra os EUA durante períodos de tensões elevadas.
Os Emirados Árabes Unidos abrigam a Base Aérea de Al Dhafra, enquanto a Força Aérea dos EUA mantém uma presença e recursos significativos na Base Aérea Príncipe Sultan, nos arredores de Riade. O Catar também possui uma grande base americana na região, e o Bahrein abriga a Quinta Frota da Marinha dos EUA.
O recente aumento de tensões representará um desafio aos esforços da região, particularmente dos Emirados Árabes Unidos, dada a sua posição como um porto seguro em tempos de crise. O país atraiu capital durante a Primavera Árabe, abriu-se rapidamente durante a pandemia e atraiu investimentos russos após a invasão da Ucrânia por Moscou.
Nos últimos anos, o país também atraiu bilionários internacionais em busca de proteger seu patrimônio, bem como bancos de Wall Street e fundos de hedge interessados ​​em expandir seus negócios. Abu Dhabi tem realizado uma série de fusões e aquisições com sua riqueza soberana de quase US$ 2 trilhões, enquanto os preços dos imóveis em Dubai subiram 70% em quatro anos, impulsionados por compradores de todo o mundo.
Após os ataques, Abu Dhabi apelou à moderação e ao regresso a soluções diplomáticas e a um diálogo sério. Os acontecimentos suscitaram uma demonstração de apoio por parte da Arábia Saudita, cujo príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, telefonou para o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed bin Zayed, para expressar a disponibilidade do reino em prestar todo o apoio possível.
O gabinete de imprensa de Dubai afirmou que a cidade está operando normalmente, embora a Emirates — a maior companhia aérea internacional do mundo — tenha suspendido temporariamente suas operações, uma medida que provavelmente terá impactos em toda a indústria de viagens.
Os Emirados Árabes Unidos emitiram um comunicado imediato, afirmando que seus sistemas de defesa aérea neutralizaram os mísseis e acrescentando que a segurança de cidadãos, residentes e visitantes é prioridade máxima. O governo declarou que não permitirá que seu espaço aéreo, território ou águas sejam usados ​​em quaisquer ações militares hostis contra o Irã e que não fornecerá nenhum apoio logístico.
Países, incluindo os EUA, agiram rapidamente para emitir alertas para cidadãos residentes no Oriente Médio, onde expatriados representam grande parte da população em países como os Emirados Árabes Unidos. “Devido a relatos de ataques com mísseis, cidadãos britânicos no Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos devem se abrigar imediatamente em suas casas”, declarou o Reino Unido.
Isso ocorreu após um período de crescente tensão entre as duas maiores economias do Golfo, que culminou em dezembro, quando caças sauditas atacaram um carregamento de armas que estava sendo enviado dos Emirados Árabes Unidos para o Iêmen.
As autoridades de Dubai confirmaram que ocorreu um incidente em um prédio em Palm Jumeirah, bairro de alto padrão formado por ilhas artificiais em formato de palmeira. Equipes de resposta a emergências foram imediatamente acionadas e o local foi isolado.
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A Defesa Civil de Dubai confirmou que o incêndio resultante já está sob controle. Quatro pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para hospitais.
Confira:
Incêndio em Dubai
“A segurança e o bem-estar dos residentes e visitantes continuam sendo a maior prioridade. As autoridades continuam tomando todas as medidas necessárias para proteger o público”, informou o órgão em um comunicado.
“A população é aconselhada a manter a calma, a confiar apenas em informações verificadas de fontes oficiais e a abster-se de divulgar vídeos ou imagens nas redes sociais. Mais informações serão fornecidas assim que estiverem disponíveis”, concluiu.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Donald Trump prometeu se destacar como um pacificador, mas no caso do Irã, adotou a linha-dura. No ano passado, forças americanas apoiaram Israel em sua guerra contra a república islâmica, bombardeando várias instalações nucleares.
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Durante os protestos que sacudiram o Irã em janeiro, Trump advertiu que responderia “muito fortemente” se as autoridades “começassem a matar gente, como fizeram no passado”.
Em seu primeiro mandato, Trump foi o artífice da doutrina de “pressão máxima”, que buscava fragilizar o Irã econômica e diplomaticamente.
Em 2018, o americano retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, que previa uma suspensão gradual das sanções impostas ao Irã em troca de garantias de que Teerã não desenvolvesse a bomba atômica.
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica, mas Teerã insiste que seu programa unicamente tem fins civis.
Em fevereiro, Irã e Estados Unidos retomaram as conversas indiretas, mas Trump continuou com suas ameaças.
Aiatolá Ali Khamenei
O líder supremo iraniano, de 86 anos, personificou durante muito tempo a atitude desafiadora da república islâmica em relação a seus inimigos, a começar por Estados Unidos e Israel.
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No poder desde 1989, Khamenei tem a última palavra sobre todos os assuntos importantes e supervisiona o avanço do programa nuclear iraniano. Ele defende que o enriquecimento de urânio é um direito soberano.
Expandir a influência regional do Irã ao Líbano, à Síria, ao Iraque e ao Iêmen tem sido um ponto-chave de sua política externa.
Khamenei tem insistido que o Irã “nunca se renderá” aos Estados Unidos e é cético em relação à diplomacia.
Durante os diálogos sobre o programa nuclear de 2025, disse que duvidava que um acordo pudesse “conduzir a algum resultado” e argumentou que os problemas do Irã deveriam ser resolvidos internamente.
Quando foram retomados os diálogos, advertiu que o Irã era capaz de atingir os navios de guerra americanos destacados no Golfo.
“Os americanos deveriam saber que se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, advertiu.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Equipes de segurança chegam ao lugar aonde caíram pedaços de mísseis iranianos interceptados pelo sistema de defesa de Israel
AFP
Durante décadas, o primeiro-ministro israelense denunciou as ambições nucleares do Irã, seu arsenal de mísseis e seu apoio a grupos armados, vendo em tudo isso uma ameaça existencial.
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A pressão de Netanayhu para que fosse lançada uma ação militar se materializou com a guerra de 12 dias contra o Irã em junho passado. Ele afirma que Israel agirá novamente para evitar que o Irã reforce suas capacidades de ataque.
Netanyahu instou reiteradamente o povo iraniano a derrubar seus governantes e restaurar os laços que os dois países tinham antes da Revolução Islâmica de 1979.
Este mês, advertiu que “se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, vão experimentar uma resposta que não podem nem imaginar”.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã
O filho mais velho do último xá do Irã se posicionou como um líder em potencial em uma eventual transição democrática no Irã, um país ao qual não voltou desde a revolução.
O príncipe Reza Pahlavi, herdeiro do xá do Irã e crítico do regime dos aiatolás: sem consenso na oposição
AFP
O príncipe herdeiro voltou a ficar sob os holofotes depois que muitos manifestantes gritaram “Pahlavi voltará” nas recentes manifestações no Irã.
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O homem de 65 anos convocou os iranianos a se manifestarem e a realizarem protestos em todo o nundo.
Radicado nos Estados Unidos, pediu que Washington interviesse diretamente em apoio aos iranianos para derrubar o regime.
“Estou aqui para garantir uma transição para uma futura democracia secular”, disse Pahlavi à imprensa em Munique em fevereiro.
“Chegou a hora de pôr fim à república islâmica”, acrescentou, voltando a pedir ajuda a Trump.
Ele é uma figura divisiva, sobretudo dentro da oposição iraniana.
Pahlavi tem sido criticado por seu apoio a Israel, para onde fez uma viagem muito noticiada em 2023.
Ele é crítico feroz da repressão cometida pela república islâmica, mas nunca se distanciou dos abusos cometidos durante a época de seu pai no poder.
Mohamed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita e governante de fato do país Mohamed bin Salman compartilha a visão de outros Estados do Golfo: estão felizes de que o Irã seja fragilizado, mas temem que isto gere instabilidade e caos na região.
A Arábia Saudita, cuja população é majoritariamente sunita, é o principal exportador mundial de petróleo e mantém tradicionalmente relações tensas com o Irã, seu rival xiita do outro lado do Golfo.
Meses depois de se tornar príncipe herdeiro em 2017, Mohamed bin Salman causou irritação no Irã ao descrever Khamenei como o “Hitler” do Oriente Médio.
Mas Riad e Teerã restauraram suas relações em 2023, numa aproximação promovida pela China.
A estabilidade regional se tornou o principal objetivo da Arábia Saudita, imersa em um processo de transformação centrado nos setores do turismo e dos negócios, com a ideia de reduzir sua dependência do petróleo.
Em janeiro, a Arábia Saudita e outros países do Golfo pediram a Washington que se mantivesse prudente em relação ao Irã, disseram à AFP fontes da região naquele momento.
Mohamed bin Salman prometeu que não permitiria que fossem realizados ataques contra o Irã a partir do território saudita, onde os Estados Unidos têm uma base militar.
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou neste sábado o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que lançou mísseis e drones contra o território israelense e bases americanas em outros países da região. Segundo a ministra, a ofensiva é uma “ameaça à paz e estabilidade do mundo”.
“Nada justifica a ofensiva militar contra populações civis, principalmente quando havia negociações diplomáticas em curso. É mais um ataque irresponsável e autoritário que merece condenação e repúdio, como já se manifestou o governo do presidente Lula por meio do Itamaraty”, escreveu a ministra na rede X, reproduzindo a opinião da gestão Lula sobre o assunto.
Em um comunicado divulgado hoje de manhã, o Itamaraty classificou o ataque como fator de agravamento da instabilidade no Oriente Médio e de risco à paz regional.
“Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, diz a nota. “O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”.
As embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. A recomendação do Ministério das Relações Exteriores é para que os brasileiros estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.
O ataque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado que a ação tem como objetivos a devastação das Forças Armadas iranianas, do programa nuclear do país e a queda do regime teocrático.
Explosões atingiram Teerã e outras cidades da nação persa, com mísseis lançados a partir de bombardeiros americanos e de Israel, que se somou à ofensiva batizada por Washington como “Operação Fúria Épica”.
As forças iranianas confirmaram uma primeira onda de retaliações por toda a região em países onde há bases americanas, com impactos confirmados em Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes e Kuwait.
— O Irã é o maior patrocinador do terror no mundo e recentemente matou dezenas de milhares de seus próprios cidadãos enquanto eles protestavam nas ruas. Sempre foi a política dos EUA, em particular na minha administração, que esse regime terrorista nunca possa ter uma arma nuclear — afirmou Trump, acrescentando que a operação também pretende “eliminar os mísseis” e “obliterar a Marinha” do Irã.
— Nós minimizamos os riscos para a equipe dos EUA na região. Ainda assim, e não falo isso de forma leviana, o regime iraniano busca matar. As vidas de heróis americanos podem ser perdidas e podemos ter baixas, que frequentemente acontecem em guerra, mas estamos fazendo isso pelo futuro.
Há confirmação de bombardeios em várias cidades iranianas, incluindo Teerã, Tabriz, Kermanshah e Isfahã — esta última, que abriga uma das principais centrais nucleares do país. Na capital, um alvo atingido foi o Gabinete do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que, segundo a agência de notícias Mehr, não ficou ferido.
Testemunhas ouvidas pela agência francesa AFP afirmaram que ao menos três explosões foram ouvidas perto da residência oficial do aiatolá Ali Khamenei. Fontes iranianas ouvidas pela agência Reuters afirmam que altos comandantes militares e funcionários do governo foram mortos nos ataques, mas que Khamenei estaria em um local seguro.

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