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A cidade futurista idealizada por Akon ficou no passado, ao menos é o que confirmou o próprio cantor durante sua participação num podcast. A “Akon City” foi anunciada em 2018 com promessas de inovação urbana e tecnológica e seria erguida no Senegal. O artista afirmou que foi estratégico parar de promover o empreendimento, avaliado em de US$ 6 bilhões, pois o projeto se tornava, cada vez mais, alvo de ataques e de campanhas de desinformação, à medida em que ganhava visibilidade.
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Akon participou do podcast de Kid L, num episódio publicado no canal do YouTube em 24 de fevereiro, com cerca de 53 minutos de duração, em que falou sobre diferentes temas. O cantor foi perguntado de forma direta pelo apresentador sobre como o projeto está se desenvolvendo.
— Parei de o promover porque percebi que quanto mais eu o promovia, mais popular ele ficava, e começou a se tornar um alvo — disse. — A África é um daqueles lugares onde o sistema foi projetado para reprimir o desenvolvimento por causa de todos os recursos disponíveis e de como eles poderiam explorá-los. Projetos como este só precisam inspirar confiança nas pessoas.
O assunto sobre a cidade foi aos poucos desaparecendo das entrevistas concedidas por Akon. Em julho do ano passado, o governo senegalês confirmou o abandono do local e a suspensão do projeto, que previa arranha-céus e criptomoeda própria, que seria batizada de Akoin.
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No podcast Akon explicou que preferiu adotar o silêncio quanto ao empreendimento quando passou a perceber um aumento na quantidade de “fake news” sobre o projeto e na atividade de bots nas redes sociais.
— Eu meio que já tinha percebido para onde isso estava indo, então pensei: “OK, vou diminuir o ritmo da divulgação e deixar o projeto seguir seu curso” — disse o cantor, e prosseguiu. — Percebi que quanto mais as pessoas sabiam o que eu estava fazendo, mais sabotagens aconteciam. Comecei a ver muitas notícias falsas e bots online.
(Veja o trecho do podcast sobre o assunto no vídeo abaixo.)
Akon disse que manchetes como “a cidade não vai acontecer” e “terras estão sendo tomadas” estavam ficando “maiores e mais profundas”. Esse cenário chegou num ponto em que ele não conseguiu mais se defender das acusações, contou.
O podcaster ainda fez uma intervenção falando sobre o crescimento de páginas e portais que acabam por criar ou propagar notícias falsas e a repercussão que acabam gerando.
Com investimentos estimados em US$ 6 bilhões, a Akon City previa hospitais, escolas, centros comerciais, sistema de resíduos, uma usina solar e uma rede de transporte urbano de ponta, tudo alimentado por energia limpa. O modelo econômico seria baseado na Akoin, criptomoeda desenvolvida por Akon. O projeto chegou a ser comparado à fictícia Wakanda, do universo Pantera Negra da Marvel, devido à estética arrojada e ao ideal pan-africanista.
No entanto, passados cinco anos da cerimônia de lançamento, o terreno de 800 hectares em Mbodiène, a cerca de 100 km de Dacar, seguia praticamente intocado. Não havia ruas, redes elétricas ou moradias construídas. A Akoin enfrentou dificuldades para se manter financeiramente viável.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu, nesta terça-feira, 3, que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou porque falta coragem ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, para assumir o fato de que precisará ceder territórios. O brasileiro defende há anos que a solução para o conflito passa pela via diplomática e ouviu do próprio Zelensky, a portas fechadas, que ele descarta um acordo que envolva a cessão de regiões de fronteira, ocupadas atualmente pelos russos.
— Por que vocês acham que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou? A situação está dada. O Putin sabe que ele vai ficar com o que ele já ocupou e o Zelensky sabe que ele não vai ficar com o que ele já perdeu. Acontece que é preciso ter coragem para assumir esse fato — declarou Lula.
A fala ocorreu em sua participação na 2ª Conferência Nacional do Trabalho, evento que reúne esta semana representantes de sindicatos de trabalhadores, empresários e do governo no centro de convenções do Anhembi, em São Paulo. O assunto surgiu em meio a uma analogia com as negociações entre patrões e empregados e como forma de defender um projeto de lei negociado que reduza a jornada de trabalho semanal com regulamentação diferenciada para as categorias.
— Quem é sindicalista sabe o acordo que é possível, mas, muitas vezes, não se tem coragem de falar na assembleia — comparou. — O que estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao país, para dar mais comodidade nesse mundo nervoso e as pessoas tenham mais tempo de estudar, de ficar com a família e de descansar.
Lula e Zelensky apresentaram uma relação conturbada desde que a guerra irrompeu no Leste da Europa. Declarações públicas anteriores do presidente brasileiro de que os dois países são responsáveis pelo conflito, iniciado pela invasão dos militares comandados por Vladimir Putin, gerou reação internacional e acusações de que o Brasil estaria alinhado com a Rússia, o que o Itamaraty nega.
Em setembro do ano passado, os dois se encontraram durante a assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula reiterou que não acredita em uma solução militar para o conflito, e sim pela negociação entre os dois países, enquanto Zelensky agradeceu ao brasileiro por sua “posição clara” em direção à paz na região. As negociações têm ocorrido com mediação dos Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, adotou postura ambígua sobre as etapas necessárias a um acordo de paz. Ao mesmo tempo em que pressionou Zelensky para uma maior abertura às condições colocadas por Putin, declarou publicamente que acreditava em um contra-ataque eficiente. “Com tempo, paciência e o apoio financeiro da Europa, e em particular da Otan, as fronteiras originais, de onde esta guerra começou, são uma opção viável”, escreveu em setembro.
Um míssil balístico lançado pelo Irã foi abatido por defesas aéreas e antimísseis da Otan no leste do Mediterrâneo enquanto se dirigia ao espaço aéreo da Turquia, informou o Ministério da Defesa turco nesta quarta-feira. Segundo um oficial turco ouvido pela AFP, o país “não era o alvo” do míssil.
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— Acreditamos que o alvo era uma base no Chipre grego, mas o míssil desviou-se da rota — disse o oficial, que preferiu permanecer anônimo.
Segundo comunicado divulgado nas redes sociais pelo ministério, o míssil sobrevoou o Iraque e a Síria. Fragmentos do míssil caíram no distrito de Dortyol, na província meridional de Hatay, no centro-sul da Turquia, próxima à fronteira com a Síria e a pouco mais de cem quilômetros da ilha de Chipre, sem deixar feridos.
O Reino Unido possui no Chipre uma grande base aérea, Akrotiri, atingida recentemente por um drone iraniano no contexto do conflito com os Estados Unidos e Israel, e uma base terrestre, Dhekelia.
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O Irã tem lançado mísseis e drones contra países vizinhos que abrigam bases e militares dos Estados Unidos, em retaliação à campanha aérea americana e israelense contra Teerã. A Base Aérea de Incirlik, na Turquia, abriga um contingente significativo da Força Aérea dos EUA, mas o governo turco afirma que não permitirá que seu espaço aéreo seja usado para ataques contra o Irã.
Um ataque contra a Turquia, país-membro da Otan que compartilha cerca de 480 quilômetros de fronteira com o Irã, representaria uma grande escalada e poderia acionar a cláusula de defesa mútua da aliança, envolvendo potencialmente os 32 Estados-membros na guerra.
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Em nota, a porta-voz da Otan, Allison Hart, afirmou que a aliança condena o fato de a Turquia ter sido alvo.
“A Otan permanece firmemente ao lado de todos os aliados, incluindo a Turquia, enquanto o Irã continua seus ataques indiscriminados pela região”, diz o comunicado. “Nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimísseis.”
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Um ataque à Turquia também poderia alterar a relação do país com o Irã. As duas nações mantêm relações diplomáticas e comerciais de longa data, e Ancara esteve fortemente envolvida em recentes esforços diplomáticos para evitar a guerra atual.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, conversou por telefone com seu homólogo iraniano sobre o míssil e afirmou que qualquer ação que possa ampliar o conflito deve ser evitada, informou o Ministério das Relações Exteriores turco.
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O Ministério da Defesa da Turquia declarou que consultará seus aliados da Otan e protegerá o país de quaisquer ataques.
“Todas as medidas necessárias para defender nosso território e espaço aéreo serão tomadas de forma resoluta e sem hesitação”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira a proposta do presidente dos Estados Índios, Donald Trump, para reconstruir Gaza após a ofensiva de Israel contra o enclave.
— Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres que mataram, crianças, para agora aparecerem, com pompa, criando um conselho para dizer, vamos reconstruir Gaza? Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para melhorar e passar as férias no lugar que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram — discursou Lula, durante abertura de conferência regional para a América Latina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
Em janeiro, Trump convidou Lula para integrar o Conselho de Paz para Gaza. No mesmo mês, o presidente americano apresentou a sua visão de uma “nova Gaza” que, em três anos, transformaria o devastado território palestino em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.
Em outro momento, Lula criticou o fato de Trump exaltar a capacidade militar dos Estados Unidos e não a de ajudar o mundo a acabar com a fome.
— Vocês acham normal o presidente Trump ficar dizendo eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo? Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Não era muito mais simples e soaria melhor aos nossos ouvidos?
Sem citar diretamente o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, Lula criticou a atuação da ONU na solução de conflitos.
— A ONU está ficando desacreditada, não está cumprindo o que está escrito na sua carta de criação. Está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutrir esses conflitos? Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos quando todo mundo já sabe o que vai dar? O (presidente da Rússia, Vladimir) Putin vai ficar com o que já conquistou e (o presidente da Ucrânia, Volodymyr) Zelensky vai se contentar com o que perdeu. E vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?
Durante o evento, a primeira-dama Janja da Silva recebeu um prêmio da FAO denominado “campeã da boa vontade contra a fome”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira a proposta do presidente dos Estados Índios, Donald Trump, para reconstruir Gaza após a ofensiva de Israel contra o enclave.
— Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres que mataram, crianças, para agora aparecerem, com pompa, criando um conselho para dizer, vamos reconstruir Gaza? Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para melhorar e passar as férias no lugar que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram — discursou Lula, durante abertura de conferência regional para a América Latina da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
Em janeiro, Trump convidou Lula para integrar o Conselho de Paz para Gaza. No mesmo mês, o presidente americano apresentou a sua visão de uma “nova Gaza” que, em três anos, transformaria o devastado território palestino em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.
Em outro momento, Lula criticou o fato de Trump exaltar a capacidade militar dos Estados Unidos e não a de ajudar o mundo a acabar com a fome.
— Vocês acham normal o presidente Trump ficar dizendo eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo? Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Não era muito mais simples e soaria melhor aos nossos ouvidos?
Sem citar diretamente o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, Lula criticou a atuação da ONU na solução de conflitos.
— A ONU está ficando desacreditada, não está cumprindo o que está escrito na sua carta de criação. Está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutrir esses conflitos? Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos quando todo mundo já sabe o que vai dar? O (presidente da Rússia, Vladimir) Putin vai ficar com o que já conquistou e (o presidente da Ucrânia, Volodymyr) Zelensky vai se contentar com o que perdeu. E vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?
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Um novo estudo indica que a maioria das pesquisas feitas para prever o impacto do aumento do nível do mar em locais costeiros específicos está subestimando o perigo desse fenômeno, causado pela mudança climática.
Em um artigo nesta quarta-feira (4) na revista Nature, uma dupla de cientistas da Universidade de Wageningen (Holanda), avaliou 385 pesquisas feitas sobre diversas locações do mundo, e apontam que 90% delas possuem um problema técnico que distorce suas previsões.
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Segundo os pesquisadores, o erro não está na estimativa de quanto os oceanos vão se elevar no futuro, mas em adotar valores corretos da linha d’água no presente.
Essas distorções acontecem porque a maioria dos estudos que buscam prever quanta área costeira a subida do nível do mar vai cobrir não usam medições reais sobre os oceanos. Os estudos onde se verificou problema se baseiam em modelos de “geoide”: aproximações matemáticas do nível do mar que incluem variáveis como a gravidade e a rotação da Terra.
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Essas simulações, porém, não consideram fatores circunstanciais importantes, como ventos, correntes oceânicas e temperatura da água, que alteram a linha d’água em escala regional e local.
Ao avaliar os estudos, quando compararam os trabalhos com medições de satélite atualizadas sobre o nível do mar em diversos pontos, surgiu a revelação de que a maioria deles tinha essa distorção.
Uma distorção de 25 cm em previsões de elevação do nível do mar não é pouca coisa. Para efeito de comparação, a média global adotada como consenso pelo painel de cientistas do clima da ONU (IPCC), por exemplo, é de 44 cm para um cenário de aquecimento de 2°C em 2100.
Nas pesquisas globais sobre o tema, cada centímetro é relevante, porque representa um volume enorme de água a mais que fica à disposição de furacões, tempestades e ressacas para ser levado litoral adentro nesses eventos extremos.
“Nossos resultados realçam a necessidade de reavaliação de estimativas existentes de impacto costeiro e de aprimoramento de padrões da comunidade de pesquisa, com potenciais implicações para formuladores de política, financiamento climático e adaptação costeira”, afirmam no artigo da Nature os pesquisadores Katharina Seeger e Philip Minderhoud.
Uma outra maneira de entender a raiz do problema dizem os pesquisadores, é que os tipos de satélite que medem a altitude da superfície do mar e de locais em terra firme são diferentes. O modo com que as simulações de computador integram os dados nos geoides é que dá origem ao problema apontado.
‘Ponto cego’
Uma das preocupações apontadas no trabalho da Nature é que o problema das pesquisas se distribui de forma desigual no mundo. Em média, as pesquisas sobre elevação do nível do mar feitas no hemisfério sul estão mais distorcidas, porque há menos dados concretos de medição local da gravidade para alimentar modelos de geoides ali.
Seeger e Minderhoud não apontam trabalhos específicos que tenham distorcido pesquisas brasileiras, por exemplo, mas afirmam que 13 dos estudos avaliados tratam da América do Sul, e que na linha costeira do continente o problema é maior do que no resto do planeta, em média. As maiores distorções, porém, foram encontradas em costas de países no Índico e no Pacífico-Leste onde alguns estudos subestimavam elevação presente do nível do mar em mais de um metro.
Apesar de apontar necessidades de correção em muitos trabalhos, Minderhoud evitou adotar na entrevista coletiva sobre o trabalho um tom de “caça as bruxas” para condenar os estudos que apresentam distorções.
— O que nosso estudo revela é, de certa forma, um ponto cego metodológico situado entre duas disciplinas científicas tradicionalmente desconectadas. De um lado, temos a oceanografi— O que nosso estudo revela é, de certa forma, um ponto cego metodológico situado entre duas disciplinas científicas tradicionalmente desconectadas. De um lado, temos a oceanografia, que lida com o nível do mar, e, do outro, áreas como geomorfologia e riscos costeiros, que tratam da elevação costeira e dos impactos desses riscos — explicou o cientista — Nossa pesquisa demonstra que o conhecimento e as práticas comuns em uma disciplina, na verdade, foram disseminados de modo muito esparso na outra.
Tarefa para o IPCC
Uma notícia ruim que se soma ao recado que o pesquisador deu à comuidade acadêmica, é que mesmo entre os 10% que não apresentaram distorções grandes, a abordagem de cálculo não está sendo feita da maneira correta para integrar os dados. Só 1% das pesquisa, diz, tem metodologia boa o suficiente para prevenir eventuais erros.
Minderhoud sugeriu que a correção dessas medidas seja uma das missões importantes para o próximo relatório de avaliação do IPCC, que começa a ser feito neste ano. Para governos que fazem seus projetos de adaptação climática, ele diz, também é importante levar em conta potenciais diferenças em suas previsões.
Se o nível do mar subir em média 1 metro, aponta seu estudo, as pesquisa com dados distorcidos estão deixando de prever impacto sobre uma área habitada por mais de 100 milhões de pessoas no mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Em termos de território alagado, isso representa uma área 37% maior que ficaria sob os oceanos dentro desse cenário.
No Irã, alvo de ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel desde o último sábado, a população civil enfrenta explosões, cortes de eletricidade, interrupção dos serviços de internet e destruição de infraestruturas. Desde o início dos ataques, que desencadearam em uma guerra regional que levou Teerã a lançar ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio, mais de mil pessoas morreram no país, entre civis e militares, segundo a agência oficial iraniana Irna.
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Nesta quarta-feira, as Forças Armadas de Israel deram início à 10ª onda de bombardeios contra o Irã, após a confirmação de ataques noturnos contra centrais militares do regime iraniano. A nova leva de ataques aéreos acontece simultaneamente ao aprofundamento da incursão por terra de tropas israelenses contra o sul do Líbano, em posições controladas pelo grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã no “Eixo da Resistência”, que entrou na guerra com ataques retaliatórios à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
De Teerã, o jornalista Mohamed Vall, da rede catari Al Jazeera, relatou que os ataques desta quarta causaram, pelo menos, cinco mortes e que os bombardeios atingiram escolas.
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À BBC News Persa, Omid, de 20 anos, disse que as pessoas em Teerã estão começando a ficar preocupadas sobre quanto tempo irá durar esta situação.
— Eu imaginava que eles atacariam certas autoridades, como Khamenei, e que, a esta altura, já teriam terminado — contou o jovem. — Há mais presença policial nas ruas, mas elas estão vazias. Algumas lojas fecharam, principalmente as que ficam perto das regiões afetadas.
Clérigos iranianos e voluntários da Guarda Revolucionária Islâmica oram ao lado dos escombros no centro de Teerã
AFP
Além do medo de morrer, os moradores também estão preocupados com a falta de alimentos e o aumento dos preços, à medida que a guerra escala.
— Precisamos nos abastecer, porque não sabemos quanto tempo isso irá durar — afirmou Nasrin, morador de Teerã, à BBC. — Nossa preocupação é ficarmos sem produtos básicos, se não nos precavermos.
Maryam, outra moradora de Teerã, disse que os “ataques da noite passada (terça-feira) foram terríveis”.
— Nossa casa balançava. Algumas pessoas saíram de Teerã, mas nós ficamos em casa — disse Maryam, de 20 anos, que mora no norte da capital iraniana. — Se não nos matarem, ficaremos aqui. Enquanto houver convocações de protestos nas ruas, sairei com minha família para participar. Fico muito feliz ao ver que essas autoridades são o alvo. Aguentaremos os ataques até todos eles morrerem.
Perto de escolher líder supremo: Irã confirma que filho de Khamenei está vivo; Israel ameaça matar qualquer eleito
Um homem de 30 anos, que preferiu não revelar seu nome, afirmou estar “cansado e confuso sobre o que pode acontecer”.
— Ainda consigo ouvir as explosões. Não sei se elas ainda estão acontecendo ou se agora estão apenas na minha cabeça. Não estou mais feliz [com a possibilidade de mudança de regime], não. Apenas cansado — afirmou.
Homem limpa destroços de posto policial atingido por bombardeio em Teerã
AFP
Outro homem, na faixa dos 20 anos, disse que contou “30 explosões” na terça-feira.
— Está ficando cada vez pior a cada dia. Hoje, a fumaça entrou na nossa casa. Eu só quero paz para todos nós. É muito assustador. Espero que isso não acabe voltando contra nós e nossas vidas por causa deles (as autoridades iranianas) — relatou o jovem.
Em Beirute, mais explosões
No Líbano, dezenas de pessoas foram mortas, segundo o Ministério da Saúde, em decorrência dos ataques retaliatórios israelenses contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em diversas áreas do país. Muitos moradores do sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel, fugiram de suas casas.
Libaneses deslocados se reuniram ao longo da costa do Mediterrâneo, em Beirute, após fugirem de suas casas
Diego Ibarra Sanchez / The New York Times
Sem abrigos adequados para os acolher, os recém-desabrigados espalharam-se por estacionamentos, escolas e mesquitas em Beirute.
— Este país é lindo, mas precisamos de paz — disse Musa Hashem, de 50 anos, um funcionário municipal que fugiu de Dahiya com o irmão gêmeo e seus oito filhos. — Só queremos que esta guerra acabe.
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Com o aumento das preocupações sobre uma guerra mais ampla, muitas pessoas — tanto libanesas quanto sírias — começaram a se dirigir para a fronteira com a Síria, na esperança de deixar o país. Nos últimos dias, muitos fugiram não apenas com medo, mas também em profunda descrença, forçados a deixar suas casas pouco mais de um ano após um cessar-fogo que deveria ter silenciado as armas. Israel e o Hezbollah assinaram essa trégua em novembro de 2024, embora ataques israelenses quase diários tenham abalado o Líbano desde então.
— Estamos vivendo em guerra diariamente há mais de dois anos — disse Shadia Shahla, que trabalha em uma escola na vila de Tallouseh, no sul do Líbano, de onde fugiu. — Agora, uma nova guerra começou, e estamos cansados.
(Com New York Times)
Desde que os bombardeios americanos e israelenses foram lançados sobre o Irã, e as represálias de Teerã incendiaram a região, uma guerra paralela no campo da informação surgiu. Ambos os lados e seus apoiadores inundam as redes sociais com desinformação e conteúdos falsos gerados por IA ou tirados de contexto.
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A agência de notícias AFP encontrou uma série de alegações de contas pró-Irã que publicavam vídeos antigos para aumentar os danos dos ataques com mísseis de Teerã contra Israel e estados do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Segundo Moustafa Ayad, membro da ONG Instituto para o Diálogo Estratégico, dedicada ao combate à desinformação, há uma verdadeira disputa nas redes para construir narrativas sobre o conflito.
— Definitivamente, há uma guerra de narrativas online. Seja para justificar os ataques no Golfo ou para exaltar o poderio militar iraniano frente aos ataques israelenses e americanos, os objetivos parecem ser desgastar os inimigos — declarou Ayad.
Mojtaba Khamenei: quem é o filho cotado para assumir a liderança do Irã após morte de Ali Khamenei?
De acordo com investigadores, membros da oposição iraniana difundiram em redes como o X e o Telegram, relatos que atribuíam um ataque contra uma escola de meninas no Irã ao próprio governo iraniano. Teerã acusa os EUA e Israel de serem autores do ataque, que deixou mais de 175 mortos.
A ONG também chamou a atenção para o crescimento de contas falsas que se passam por lideranças iranianas, com declarações que não são as oficiais, mas que se camuflam pelo uso de identidades que podem enganar quem consome o conteúdo.
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Inteligência artificial também vem sendo usada para gerar imagens que mostram navios de guerra dos Estados Unidos afundados, que — entre eles, o porta-aviões USS Abraham Lincoln. Os vídeos acumularam milhões de visualizações. Há relatos, até mesmo, de cenas de jogos de videogame recicladas para se parecerem com ataques de mísseis.
Táticas de desinformação semelhantes também foram registradas em outros conflitos globais, como os da Ucrânia e também em Gaza. Segundo o órgão de controle de desinformação NewsGuard, os materiais visuais fake somam no total mais de 21,9 milhões de visualizações apenas no X.
Respostas das redes
O X anunciou na última terça-feira que suspenderá por 90 dias o programa de distribuição de receita para os criadores que publicarem, sem especificar, vídeos de conflitos armados gerados por IA.
— Em tempos de guerra, é fundamental que as pessoas tenham acesso a informações autênticas sobre o terreno — declarou Nikita Bier, chefe de produto do X.
A mudança por parte da rede social é notável para uma plataforma cuja política de moderação de conteúdo tem sido objeto de fortes críticas desde que o bilionário Elon Musk adquiriu a empresa, em outubro de 2022 por US$ 44 bilhões.
Um estudo da NewsGuard mostrou que a ferramenta de busca reversa de imagens do Google forneceu resumos imprecisos gerados por IA de materiais fabricados e enganosos relacionados ao conflito no Oriente Médio. A organização revela que este comportamento gera uma “fraqueza significativa” de um sistema amplamente utilizado para verificar a autenticidade das imagens.
Consultado pela AFP, o Google não se manifestou.
A Emirates Airline retomou nesta terça-feira suas operações regulares para o Brasil, após quase uma semana de suspensão provocada pelo fechamento do espaço aéreo no Golfo Pérsico em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O voo EK261, na rota Dubai a Guarulhos, foi confirmado pela companhia e aparece nos sistemas da GRU Airport e da plataforma de monitoramento FlightRadar24.
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Desde o último dia 28 de fevereiro, a empresa não operava voos para o Brasil. A escalada do conflito levou ao fechamento do espaço aéreo em toda a região do Golfo, afetando diretamente o hub da companhia no Aeroporto Internacional de Dubai.
Voo de Dubai está em rota para Guarulhos
Reprodução | FlightRadar
Com a interrupção, um Airbus A380 que havia partido do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Dubai precisou retornar ao Brasil. A aeronave se somou a outro A380 que já estava em rota para São Paulo, resultando na permanência simultânea dos dois superjumbos no país.
A retomada ocorre após a criação de corredores aéreos considerados seguros pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, o que permitiu a reabertura gradual das operações. A expectativa é que a companhia normalize progressivamente sua malha internacional, à medida que as condições de segurança na região sejam mantidas.
Um grupo de cerca de 30 brasileiros ligados ao movimento Legendários, que participava de um evento de imersão denominado “TOP de Dubai”, que aconteceu entre 25 e 28 de fevereiro, ficou retido nos Emirados Árabes Unidos após o fechamento dos aeroportos. Segundo um dos participantes do retiro religioso, alguns dos integrantes conseguiram embarcar no voo UAE261 para retornar ao Brasil.

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