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Três anos após a popularização da inteligência artificial (IA) generativa, a tecnologia chegou aos campos de batalha. O conflito no Oriente Médio ficará marcado como o primeiro grande evento militar com papel fundamental dos grandes modelos de linguagem (LLM), o mesmo tipo de tecnologia que alimenta chatbots comerciais, como o ChatGPT. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) na Guerra do Iraque, iniciada em 2003. Cerca de 4 mil militares americanos morreram no conflito e outros 30 mil se suicidaram depois de voltar aos EUA, segundo levantamento da Universidade Brown (o número inclui veteranos do Iraque e Afeganistão). Centenas de milhares de iraquianos também foram mortos como resultado da violência após a invasão americana. O país foi destruído. Mais de uma década depois da queda de Saddam Hussein, o antes inexistente grupo terrorista Estado Islâmico chegou a controlar enormes porções do território, incluindo Mossul, segunda maior cidade iraquiana. Quem é o principal parceiro comercial de Bagdá? Não são os EUA. É a China. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A comissão de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira a favor da intimação da secretária de Justiça, Pam Bondi, para depor sobre a atuação do Departamento de Justiça no caso contra Jeffrey Epstein e a polêmica divulgação de seus arquivos. A intimação ocorre em meio à crescente pressão de republicanos e democratas sobre a condução da investigação e a divulgação desorganizada de documentos pelo Departamento de Justiça, marcada pela ocultação de nomes de suspeitos de cumplicidade e pela exposição de nomes, fotos e dados pessoais de vítimas do criminoso sexual.
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A votação, com 24 votos a favor e 19 contra, incluindo cinco republicanos e todos os democratas, representou um caso raro em que uma comissão liderada por republicanos obrigou um membro do Gabinete do presidente a depor. A moção foi apresentada pela deputada Nancy Mace, republicana da Carolina do Sul.
Quando compareceu perante uma comissão do Congresso pela última vez, em fevereiro, Bondi obstruiu os democratas por cinco horas, ironizando os parlamentares democratas e se esquivando das acusações, além de exigir que os democratas pedissem desculpas ao presidente Donald Trump. Uma estratégia similar foi usada na primeira vez, em outubro, num depoimento que durou mais de quatro horas.
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Durante seu discurso de abertura, Bondi disse se estar “profundamente arrependida” pelo sofrimento das vítimas de Epstein, algumas das quais presentes na sessão. Sem pedir desculpas explicitamente pelos erros na divulgação dos arquivos, afirmou que o Departamento de Justiça retirou os documentos ao identificar o problema e que a equipe agiu “dentro do prazo legal”.
Uma lei de transparência, aprovada pelo Congresso e promulgada pelo presidente Trump após pressões do Partido Republicano, obrigou o Departamento de Justiça a publicar todos os documentos do caso Epstein. A legislação exigia manter sob sigilo os nomes ou outras informações pessoais identificáveis das vítimas de Epstein, que somavam mais de 1.000 segundo o FBI. Mas as figuras poderosas — incluindo políticos como Trump e vários magnatas empresariais — que eram próximas de Epstein não podiam ser protegidas, segundo a lei.
Para os republicanos, o fiasco interminável de Epstein definiu o mandato da secretária. Entre as fileiras do Partido Democrata, também causa incômodo a forma com que a secretária apenas executa ordens de Trump — levando a frente casos duvidosos contra seus adversários, e agindo com menos energia quando se trata de medidas que desagradam o presidente, como nos casos de cidadãos americanos mortos durante protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).
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A atuação do Departamento de Justiça dos EUA a partir da obtenção dos documentos na investigação é alvo de críticas por parte de figuras de ambos os partidos, de ativistas e das vítimas por não ter levado ao indiciamento de nenhum suspeito de ter colaborado ou se beneficiado da suposta rede de tráfico sexual montada por Epstein — a exceção da principal cúmplice do magnata, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena. Teorias sobre acobertamento se tornaram populares, sobretudo pelo perfil das pessoas citadas nos documentos.
Com NYT.
A maioria do Senado dos Estados Unidos aprovou, na noite desta quarta-feira, a campanha militar do presidente Donald Trump contra o Irã. Os parlamentares votaram para bloquear uma resolução bipartidária que visava interromper a guerra no Oriente Médio e exigir que quaisquer hostilidades contra Teerã fossem autorizadas pelo Congresso. O resultado da votação foi de 52 a 47 contra o avanço da resolução sobre os poderes de guerra.
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Mesmo que a medida tivesse avançado, enfrentaria uma batalha árdua no Capitólio, porque precisaria passar por um processo completo de emendas no Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados, e então por um provável veto presidencial que exige dois terços dos votos no Legislativo para ser derrubado.
A decisão dos senadores republicanos de proteger o presidente ocorre depois que Trump criticou duramente os cinco membros do partido que votaram a favor de uma resolução anterior sobre poderes de guerra para uma ação militar na Venezuela. Desses cinco, apenas um votou novamente para limitar os poderes do presidente. A Câmara dos Deputados deve votar sobre o mesmo assunto na quinta-feira.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que 43% dos americanos desaprovam os ataques, enquanto apenas cerca de um em cada quatro entrevistados disse apoiar as ações conjuntas dos EUA e de Israel. A pesquisa entrevistou mais de 1.200 adultos americanos e foi realizada durante o fim de semana, nos dois primeiros dias de ataques à República Islâmica.
Uma pesquisa separada da CNN, conduzida pela SSRS entre 28 de fevereiro e 1º de março, constatou uma oposição ainda maior, com quase seis em cada dez americanos desaprovando a decisão de realizar uma ação militar no Irã. Quarenta e um por cento disseram aprová-la.
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A pesquisa da CNN também revelou que cerca de seis em cada dez entrevistados não acreditam que Trump tenha um plano claro para lidar com a situação, enquanto 39% disseram que os EUA não fizeram esforços diplomáticos suficientes antes de usar a força militar.
A pesquisa mostrou uma forte divisão partidária: 82% dos democratas e 68% dos independentes desaprovaram os ataques, em comparação com 23% dos republicanos.
*Em atualização
O governo equatoriano expulsou o embaixador de Cuba em Quito, Basilio Gutiérrez, na quarta-feira, e deu a ele 48 horas para deixar o país juntamente com toda a sua missão diplomática, informou o Ministério das Relações Exteriores. O presidente Daniel Noboa é um aliado próximo na região do presidente dos EUA, Donald Trump, cuja administração endureceu as sanções contra Cuba. No dia anterior, o Equador ordenou a destituição do embaixador José María Borja de suas funções em Havana.
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Sem especificar os motivos, o Ministério das Relações Exteriores do Equador declarou Gutiérrez persona non grata e concedeu “um prazo de 48 horas (…) para que o embaixador e todos os funcionários da missão diplomática deixem o território nacional”, segundo um comunicado.
A expulsão ocorre dias antes do encontro de Trump com os líderes da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras em Miami, no dia 7 de março. Um jornalista da AFP observou vários soldados e policiais fortemente armados caminhando do lado de fora da embaixada cubana em Quito.
Segundo o comunicado, o Equador justifica sua decisão com base na Convenção de Viena, que permite a um Estado declarar um membro de seu corpo diplomático persona non grata “a qualquer momento e sem ter que explicar os motivos da sua decisão”. A relação entre Washington e Quito se fortaleceu desde 2023, quando Noboa assumiu o poder. Os dois países mantêm cooperação em questões de segurança e inteligência no combate ao narcotráfico.
Trump afirmou no final de fevereiro que considera uma “aquisição amigável” de Cuba, enquanto no início do ano impôs um embargo energético à ilha comunista, localizada a apenas 150 km da costa da Flórida. O presidente dos EUA considera Cuba uma “ameaça excepcional” à segurança nacional americana.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, determinou que seu Gabinete desenhe um plano de defesa contra drones iranianos destinado aos países do Golfo Pérsico, alvos de retaliações do Irã desde o início da ofensiva militar de Israel e EUA no sábado passado, citando a experiência de suas Forças Armadas. Grande parte dos drones lançados pela Rússia contra cidades ucranianas são fabricados ou projetados no Irã, e Zelensky enxerga uma chance de ampliar seus laços com as monarquias árabes e obter vantagens para suas tropas.
“A Ucrânia pode ajudar a proteger vidas e estabilizar a situação”, afirmou Zelensky, em publicação no Telegram nesta quarta-feira, após conversas com representantes dos Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia e Bahrein. “Nossas forças armadas possuem as capacidades necessárias. Especialistas ucranianos trabalharão no local, e as equipes já estão em acordo sobre isso.”
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De acordo com o ucraniano, o Ministro das Relações Exteriores, os serviços de inteligência, o Ministério da Defesa, o comando militar e o Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional irão “apresentar opções de apoio aos países relevantes e a fornecer assistência de forma que não enfraqueça nossa própria defesa aqui na Ucrânia”.
“Todos eles enfrentam um sério desafio e falam abertamente sobre isso: os drones de ataque iranianos são os mesmos Shahed que vêm atacando nossas cidades e vilarejos, nossa infraestrutura ucraniana durante os anos desta guerra”, escreveu o presidente, se referindo à mais conhecida família de drones iranianos, os Shahed, “Testemunha” em persa.
Os Shahed se tornaram uma arma preferencial das tropas russas na guerra imposta pelo presidente Vladimir Putin. De fácil operação, baixo custo e com alto potencial destrutivo, eles passaram a ser replicados em instalações industriais russas, e especialistas dizem que Moscou hoje pode construir centenas de aeronaves todos os dias. Segundo Zelensky, foram lançados 57 mil deles contra seu país nos últimos quatro anos
Drone iraniano Shahed-136 da Rússia interceptado pelo exército ucraniano
Reprodução: Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia
Como estratégia de sobrevivência, os ucranianos desenvolveram novas tecnologias de defesa, que incluem o uso de drones de interceptação— nesta terça-feira, o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrsky, afirmou que esse sistema é responsável por derrubar 70% de todos os Shahed lançados contra Kiev. Hoje, a Ucrânia é um centro global de inovação e desenvolvimento de drones, um mercado que o país já explora e que pretende ampliar depois do fim do conflito.
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Desde o anúncio da guerra contra Teerã, Zelensky anunciou seu apoio aos EUA e Israel, afirmando que “embora os ucranianos nunca tenham ameaçado o Irã, o regime optou por se tornar cúmplice de Putin e lhe forneceu drones ‘Shahed’” e a tecnologia para fabricá-los.
“Outras nações também sofreram com o terrorismo apoiado pelo Irã. Portanto, é justo dar ao povo iraniano a oportunidade de se livrar de um regime terrorista e garantir a segurança de todas as nações que sofreram com o terrorismo originário do Irã”, escreveu no sabado, na rede social X.
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Além de prestar apoio e potencialmente abrir mercados para seus drones, Zelensky enxerga na guerra no Oriente Médio uma oportunidade para incrementar suas posições militares na Ucrânia.
— A questão principal é como proteger o espaço aéreo deles (países do Golfo). Nós mesmos convivemos com essa questão. Então vamos falar sobre as armas que nos faltam: mísseis do sistema PAC-3, se eles nos fornecerem, nós forneceremos interceptores — disse o presidente ucraniano a jornalistas em Kiev, na terça. — Essa é uma troca justa. Certamente faremos isso. E se as equipes começarem a trabalhar agora, veremos qual será o resultado.
Sistema de defesa aérea Patriot durante um treinamento nos arredores de Constanta, na Romênia
Daniel MIHAILESCU / AFP)
Zelensky se referia aos mísseis do sistema antiaéreo Patriot, considerado por Kiev essencial para proteger instalações como centrais elétricas e linhas de transmissão dos bombardeios russos.
Na conversa com os jornalistas, ele afirmou que o Patriot não é eficaz contra os lançamentos simultâneos de dezenas de drones, os “enxames”,. Contudo, o sistema é capaz de interceptar outros armamentos iranianos em suas retaliações — segundo o governo americano, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Jordânia têm baterias operacionais no Oriente Médio.
Mas a oferta de Zelensky reflete uma preocupação. Caso a guerra no Golfo se estenda, drenando mais recursos de defesa dos EUA, Israel e países da região, as demandas ucranianas por armamentos podem ficar em segundo plano.
A maioria dos Patriots cedidos a Kiev vem de seus parceiros europeus, e em meados de fevereiro eles se comprometeram a enviar 37 mísseis PAC-3, um cronograma que pode ser afetado por uma guerra mais longa no Golfo. Um cenário de risco, diante do aumento da capacidade russa de produção de armamentos mais poderosos, como mísseis balísticos.
— Estou profundamente preocupado com a Ucrânia — disse o senador democrata Richard Blumenthal, em entrevista à revista Time. — Por uma questão de bom senso, nossos recursos e suprimentos são limitados, e acho que, em algum momento, nós seremos muito pressionados a contar para a Ucrânia o que está pela frente.
O governo congolês informou na quarta-feira que mais de 200 pessoas morreram em um deslizamento de terra na mina de Rubaya, controlada pelo movimento M23 e onde as autoridades do país não têm presença desde 2024. A mina de Rubaya, que abrange várias dezenas de quilômetros quadrados, está localizada a cerca de 70 quilômetros a oeste de Goma, capital da instável província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC).
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Um deslizamento de terra ocorreu na tarde desta terça-feira, segundo testemunhas.
“O balanço provisório indica que mais de 200 de nossos compatriotas perderam a vida, incluindo cerca de 70 menores, com inúmeras pessoas feridas e evacuadas para centros de saúde em Goma”, de acordo com um comunicado do Ministério de Minas da RDC.
Mais de 200 pessoas morrem após desabamento de mina na República Democrática do Congo
Reprodução
Na terça-feira, testemunhas haviam relatado seis mortes. Esses números não puderam ser confirmados pela AFP com fontes independentes nesta região remota, inacessível a organizações humanitárias e grandes centros de saúde, e onde as telecomunicações são frequentemente interrompidas.
Desde seu ressurgimento no final de 2021, o grupo antigovernamental M23 (sigla para “Movimento 23 de Março”), com o apoio de Kigali e do exército ruandês, tomou o controle de vastas áreas do leste da República Democrática do Congo (RDC), uma região rica em recursos naturais e devastada por conflitos há três décadas.
A cidade mineradora de Rubaya responde por entre 15% e 30% da produção mundial de coltan, um mineral estratégico para a indústria eletrônica, amplamente presente na RDC, país que detém pelo menos 60% das reservas mundiais.
A cidade passou para o controle do M23 em abril de 2024. O grupo armado obtém uma renda significativa por meio de um imposto cobrado sobre a produção e o comércio de minerais, segundo especialistas da ONU.
Com a escalada retaliatória do Irã após os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel, países europeus e asiáticos passaram a mobilizar recursos militares em caráter defensivo no Oriente Médio. A ampliação dos ataques iranianos contra alvos ligados aos EUA em territórios vizinhos levou aliados a reforçarem bases, enviarem navios de guerra e sistemas de defesa aérea e antidrone, em um esforço para proteger instalações estratégicas.
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Depois do ataque à base aérea da RAF em Akrotiri, no Chipre, o Reino Unido anunciou o envio de helicópteros com capacidade antidrone, da Marinha Real Britânica, além do destróier HMS Dragon, para reforçar a segurança de sua instalação na região. Embora o país não tenha participado dos ataques, aviões britânicos estão participando do que o governo descreveu como “operações defensivas” para proteger cidadãos e aliados do Reino Unido no Oriente Médio.
HMS Dragon é um dos seis contratorpedeiros de defesa aérea Tipo 45 da Marinha Real Britânica
AFP
Em pronunciamento à nação, o presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou que uma fragata francesa, a Languedoc, chegaria ao Chipre na noite de terça-feira, acrescentando que também estava enviando “recursos adicionais de defesa aérea para lá”. Horas depois, Macron afirmou que a França enviaria seu único porta-aviões, o Charles de Gaulle, para o Mediterrâneo em resposta ao agravamento da crise.
— O Chipre foi alvo de ataques nos últimos dias e precisa do nosso apoio — disse o presidente.
Presidente francês, Emmanuel Macron, fez um pronunciamento televisionado sobre a guerra no Oriente Médio
Sébastien Bozon/AFP
Na última segunda-feira, a Grécia anunciou que enviaria quatro caças F-16 e duas fragatas, incluindo uma equipada com o sistema de interferência antidrone, ao Chipre. Em visita a Nicósia na terça-feira, o ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, prometeu que “a Grécia continuará presente para auxiliar de todas as formas na defesa da República de Chipre”.
Os aliados, que planejam a retirada de seus cidadãos da região, esperam que esses recursos militares possam impedir novas incursões de drones e evitar baixas que poderiam arrastar o Reino Unido e a União Europeia para um conflito do qual até agora tentaram se manter afastados. Alemanha, França e Reino Unido não chegaram a endossar ou condenar explicitamente os ataques americanos-israelenses em uma declaração conjunta. Em vez disso, condenaram a retaliação do Irã, reiteraram suas críticas ao regime do país, pediram a “retomada das negociações” e afirmaram que permanecem em “estreito contato com nossos parceiros internacionais”.
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Ainda assim, mesmo tendo apresentado seu envolvimento como defensivo, correm o risco de serem arrastados para uma guerra regional em espiral. Esses perigos ficaram ainda mais evidentes nesta quarta-feira, quando os sistemas de defesa aérea da Otan, a aliança militar liderada por Washington, abateram um míssil iraniano que se dirigia para o espaço aéreo da Turquia, naquele que se acredita ser o primeiro caso em que as forças da aliança foram acionadas diante de um ataque ao espaço aéreo de um país membro.
“Uma munição balística lançada do Irã, que foi detectada atravessando o espaço aéreo iraquiano e sírio e seguindo em direção ao espaço aéreo turco, foi interceptada em tempo hábil pelos sistemas de defesa aérea e antimíssil da Otan posicionados no Mediterrâneo Oriental e neutralizada”, afirmou o Ministério da Defesa da Turquia, em comunicado.
A porta-voz da Otan, Allison Hart, por sua vez, condenou os ataques do Irã que passaram pela Turquia, acrescentando que a aliança “está firme ao lado de todos os aliados, incluindo a Turquia”.
— Nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimíssil — disse Hart.
Enquanto a maioria dos países europeus tenta, pelo menos, apoiar os EUA defensivamente, o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, emergiu como o crítico mais veemente de Trump no continente, recusando-se a envolver seu país na guerra, mesmo após as ameaças comerciais do presidente americano.
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— Não seremos cúmplices de algo que seja ruim para o mundo, nem contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente para evitar represálias de alguém — disse Sánchez, durante um pronunciamento televisionado, nesta quarta-feira.
Paquistão e China
A Arábia Saudita também foi alvo do Irã durante sua onda de ataques retaliatórios. Na terça-feira, o Irã lançou ataques em Riad e na Província Oriental, mas, segundo o Ministério da Defesa saudita, os drones foram interceptados com sucesso. Horas depois, o vice-primeiro-ministro do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que Islamabad lembrou o Irã de seu pacto estratégico de defesa mútua com a Arábia Saudita.
— Assinamos um Acordo Estratégico de Defesa Mútua com a Arábia Saudita e o mundo inteiro sabe disso. É um acordo soberano. Estamos vinculados a ele — disse Dar durante um discurso no Senado paquistanês, relembrando que o acordo é claro: um ataque à Arábia Saudita é um ataque ao Paquistão. — Tendo isso em vista, alertei imediatamente nossos irmãos na liderança do Irã e pedi que, por favor, levassem isso em consideração.
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A China, por sua vez, mandará um enviado especial ao Oriente Médio para mediar o conflito, informou o ministro das Relações Exteriores Wang Yi, nesta quarta-feira, a seus homólogos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Para o ministro, a China aprecia a contenção da Arábia Saudita e sua insistência em resolver as diferenças por meios pacíficos.
Em uma conversa telefônica separada com o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan, Wang disse que a “linha vermelha” da proteção de civis em conflitos não deve ser cruzada e que alvos não militares, incluindo aqueles relacionados à energia, não devem ser atacados. Wang, que também pediu a proteção da segurança das rotas marítimas, disse que a propagação e a escalada do conflito para a Arábia Saudita e outros estados do Golfo não são algo que a China deseja.
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— A China insta veementemente todas as partes a cessarem as operações militares, retomarem o diálogo e as negociações o mais breve possível e evitarem uma maior escalada das tensões — afirmou o ministro.
No início desta semana, Pequim instou todos os lados envolvidos na guerra com o Irã a garantirem a passagem segura de navioss pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental para o abastecimento mundial de petróleo, que foi fechado pela República Islâmica depois da campanha de bombardeios. Sendo o maior importador mundial de petróleo e gás, a China está entre as nações mais expostas, embora possua amplas reservas. Quase metade de suas importações de petróleo bruto transitou pelo estreito em dezembro do ano passado.
— O uso indiscriminado da força é inaceitável, independentemente da justificativa — concluiu o ministro chinês.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump tem quatro objetivos em relação ao Irã. Leavitt acrescentou que “a vitória será determinada” quando esses objetivos forem “plenamente alcançados”, sem fornecer um cronograma ou mais detalhes sobre a operação militar.
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Segundo a porta-voz, os objetivos do presidente americano incluem “destruir a marinha iraniana, destruir a capacidade de mísseis balísticos do Irã, garantir que os aliados do Irã na região ‘não possam mais prejudicar os americanos’ e garantir que o Irã ‘nunca consiga obter uma arma nuclear'”. Em um pronunciamento anterior, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o governo Trump manteria “essa luta pelo tempo que fosse necessário”.
Na sequência, Leavitt foi pressionada sobre o motivo pelo qual nenhum membro do governo conseguiu articular qual ameaça iminente os Estados Unidos enfrentavam do Irã que justificasse o lançamento de ataques contra o país persa.
Ela contestou a pergunta e afirmou que o presidente Trump “não toma essas decisões isoladamente” e que a decisão de lançar esta operação “foi baseada no efeito cumulativo de várias ameaças diretas que o Irã representava para os Estados Unidos da América”. Na terça-feira, durante uma aparição no Salão Oval com o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump sugeriu que foi guiado pelo instinto
— Estávamos negociando com esses lunáticos, e eu tinha a impressão de que eles atacariam primeiro — declarou Trump. — Se não fizéssemos isso, eles atacariam primeiro. Eu tinha essa convicção.
Durante sua longa defesa da decisão do presidente americano, a secretária de imprensa da Casa Branca afirmou que o presidente “tinha uma sensação, baseada em fatos, de que o Irã atacaria os Estados Unidos” e seus ativos no Oriente Médio.
— Ele tomou a decisão de lançar a Operação Epic Fury com base em todos esses motivos, e eu gostaria que a mídia realmente os relatasse, em vez de apenas selecionar trechos de declarações de pessoas do governo e dizer: “Ah, eles estão se contradizendo” — argumentou Leavitt. — Essas decisões não são tomadas no vácuo. O presidente iria atacar primeiro, juntamente com Israel, e essa decisão provou ser a correta e eficaz.
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Com relação ao envio de tropas terrestres americanas, a porta-voz reiterou as declarações de Trump e Hegseth — que se recusaram a descartar qualquer opção militar nos últimos dias — ao afirmar que isso não faz parte dos planos atuais das Forças Armadas dos EUA para o Irã. Em seguida, ela acrescentou que não descartaria nenhuma opção que esteja atualmente “em análise” para o presidente americano.
— Elas não fazem parte do plano para esta operação neste momento, mas certamente eu jamais descartarei as opções militares em nome do Presidente dos Estados Unidos ou do comandante-em-chefe, e ele, sabiamente, não faz o mesmo por si próprio — destacou.
(Com New York Times)
Um submarino dos EUA afundou uma embarcação militar iraniana no Oceano Índico, em águas internacionais, em um episódio que marca a expansão do conflito iniciado no sábado pelo presidente Donald Trump e pelo premier de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. No quinto dia da guerra, novos ataques atingiram o país, e o secretário de Defesa dos EUA afirmou que “o regime está frito”, prometendo bombardeios mais intensos.
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A fragata Dena 75 foi atingida na madrugada desta quarta-feira (noite de terça-feira no Brasil) em águas internacionais, perto da costa do Sri Lanka. As autoridades locais afirmam ter recebido um chamado de socorro e lançaram uma operação de resgate. A bordo havia 180 tripulantes, e as equipes recuperaram 87 corpos.
Ao amanhecer, os Estados Unidos confirmaram que a embarcação havia sido afundada por um torpedo americano.
— Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano que se achava seguro em águas internacionais. Ele foi afundado por um torpedo, uma morte silenciosa, o primeiro afundamento de um navio inimigo por torpedo desde a Segunda Guerra Mundial — afirmou o secretário da Guerra, Pete Hegseth, em entrevista coletiva, omitindo que, desde 1945, outros dois navios militares foram afundados por torpedos, em 1971 e 1982. — Eles (regime iraniano) estão fritos, e sabem disso.
Submarino americano afunda navio de guerra iraniano perto do Sri Lanka
O IRIS (sigla usada para navios iranianos) Dena 75 estava em serviço desde 2015, e era equipado com mísseis terra-ar, armas de combate naval, canhões, metralhadoras e lançadores de torpedo. No fim de fevereiro, a embarcação participou de um evento naval organizado pela Índia — os EUA, também convidados, cancelaram a participação na última hora, alegando “demandas emergentes”.
Ataques contra o Irã: Saiba quais comandantes teriam morrido e quais foram os alvos de ação dos EUA e Israel
Dentro da guerra de grande porte lançada no sábado, o componente naval caminha ao lado dos ataques aéreos contra o Irã. Segundo o o chefe do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, responsável por ações no Oriente Médio, 20 embarcações da Marinha local foram destruídas.
— Em termos simples, estamos focados em atirar em tudo que possa atirar em nós — disse Cooper, em mensagem divulgada pelas redes sociais.
Israel realiza nova série de ataques aéreos nos subúrbios do sul de Beirute
Ao atacar um navio de guerra fora do cenário principal de combate, a alguns milhares de quilômetros da costa iraniana, os EUA sinalizam que não estão preocupados com a expansão territorial da guerra. E que o apetite do Pentágono contra um regime que antagoniza desde 1979 não está perto do fim.
— Esta nunca foi a intenção que fosse uma luta justa, e não é uma luta justa. Estamos atacando quando estão vulneráveis, que é exatamente como deve ser — disse Hegseth, adiantando que a próxima fase da guerra será “o controle total dos céus iranianos”, o que deve ocorrer, em seus planos, “dentro de uma semana. — Como disse o presidente Trump, ondas maiores e mais numerosas [de ataque] estão a caminho. Estamos apenas começando. Estamos acelerando, não desacelerando.
‘Está cada vez pior’: Sob bombardeios, iranianos e libaneses relatam medo, exaustão e incerteza sobre o rumo da guerra
Nas últimas horas, os ataques dos EUA se concentraram nas capacidades de lançamento de mísseis e sistemas de defesa aérea ainda em operação. Segundo Hegseth, bombardeiros estratégicos B-1 e B-2 “realizaram ataques cirúrgicos contra muitas instalações de mísseis”, e um bombardeiro B-52, que tem grande capacidade de levar bombas, atacou “postos de comando e controle”.
— [Os ataques] ocorrerão, de maneira progressiva, em lugares mais profundos do território iraniano e criarão uma liberdade adicional de manobra para as forças americanas — disse, ao lado de Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine.
Veja destruição em Teerã após quatro dias de ataques dos EUA e de Israel
Os israelenses também intensificaram os bombardeios, com seus caças trafegando livremente sobre os céus de Teerã, como alegam os comandantes locais e moradores. Nesta quarta-feira, as Forças Armadas de Israel afirmaram ter lançado mais de 5 mil explosivos sobre o Irã, contra instalações do governo e sistemas de defesa aérea da capital. Em outra frente, o país ampliou as operações por terra no Líbano, em resposta a ações do Hezbollah, aliado de Teerã — segundo as autoridades libanesas, 72 pessoas morreram desde segunda.
Até o momento, nem EUA nem Israel mencionaram com grande fanfarra ações contra as instalações nucleares iranianas, onde, de acordo com os dois países, o regime busca obter uma bomba atômica. Na terça-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica disse não ter evidências de militarização das atividades nucleares locais.
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Mesmo enfraquecido, o Irã mantém sua ampla série de retaliações voltadas aos americanos e israelenses, e também a outros países da região. Centenas de projéteis foram lançados nas últimas horas, intensificando os protestos contra Teerã.
Em telefonema com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o premier do Catar, Mohammad al-Thani, exigiu o fim dos ataques, e disse que eles demonstram “apenas a intenção de ferir seus vizinhos e arrastá-los para uma guerra que não é deles”. O chanceler do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que seu país tem um pacto de defesa mútua com a Arábia Saudita — atingida por drones — e que os iranianos “devem ter isso em mente”.
A Turquia convocou o representante do Irã após sistemas de defesa da Otan — aliança militar ocidental liderada pelos EUA e da qual Ancara faz parte — interceptarem um míssil balístico lançado em direção ao seu território. Em comunicado, uma porta-voz da organização disse que “nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimíssil”.
— Estamos tomando todas as medidas necessárias em estreito contato com nossos aliados da Otan. Para evitar que incidentes semelhantes se repitam, estamos emitindo nossos alertas nos termos mais claros possíveis — disse o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, em uma reunião com militares.
Os turcos têm buscado a neutralidade na guerra, vetando o uso de seu espaço aéreo pelos americanos, mas um ataque, mesmo que não intencional, poderia mudar esse cálculo: o pilar da Otan é o pacto de defesa mútua entre seus membros, o Artigo 5º, invocado apenas uma vez, após os ataques de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Mísseis iranianos são interceptados no Catar
Em mensagem na rede social X dirigida aos “líderes de países amigos e vizinhos”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirma que tentou “evitar a guerra com a ajuda de vocês e por meio da diplomacia, mas o ataque americano-sionista não nos deixou outra escolha a não ser nos defender”.
“Respeitamos a soberania de vocês e continuamos acreditando que a paz regional deve ser garantida pelos países da região”, completou.
No Iraque, bases de grupos curdos foram bombardeadas, e tropas da Guarda Revolucionária deslocadas para a fronteira. Segundo a rede CNN, os EUA planejam armar milícias curdas no país vizinho para fomentar um levante popular contra o regime no Irã.
EUA afirmam ter destruído todos os navios iranianos perto do Estreito de Ormuz
Reprodução / X / @centcom
A resposta iraniana também é voltada ao Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e que está virtualmente fechado pela Guarda Revolucionária. Na terça, Trump disse que poderia usar navios da Marinha para escoltar petroleiros, mas poucos querem se arriscar. Gigantes do setor, como a MSC e a Maersk, suspenderam viagens pela área, e a empresa de inteligência naval Kpler disse que o tráfego na área caiu 90% em relação ao período antes da guerra.
Expansão da guerra: Escalada no Oriente Médio leva Europa a reforçar presença no Estreito de Ormuz
Mas não está claro por quanto tempo o Irã conseguirá suportar os bombardeios e manter os atuais níveis de retaliação. Fontes ouvidas pelo New York Times garantem que o país tem capacidade para atacar “por mais alguns dias”, mas Dan Caine afirmou que os disparos de mísseis “diminuíram 86% em relação ao primeiro dia de combates, com uma redução de 23% apenas nas últimas 24 horas”, e os de drones “diminuíram 73% em relação aos primeiros dias”.
— Nós definimos o tom e o ritmo desta luta — concluiu Hegseth.

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