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O suspeito de realizar um tiroteio em um jantar de gala com a presença do presidente americano Donald Trump comparecerá ao tribunal nesta segunda-feira para responder pelo ataque, o mais recente episódio de violência política em um país profundamente dividido. Autoridades do governo disseram que o suspeito, um homem da Califórnia, aparentemente pretendia matar Trump e outras autoridades importantes no evento de imprensa realizado no sábado à noite em um hotel de Washington, naquele que teria sido o terceiro atentado contra a vida do presidente em dois anos.
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O suspeito, cuja identidade não foi oficialmente divulgada, não ficou ferido. Diversos veículos de imprensa dos EUA o identificaram como Cole Tomas Allen, de 31 anos, de Torrance, no estado americano da Califórnia. Trump, que foi rapidamente evacuado do local por agentes do Serviço Secreto, publicou imagens de câmeras de segurança mostrando o atirador tentando passar correndo por um posto de segurança um andar acima do salão onde o jantar de gala estava sendo realizado.
Após uma breve troca de tiros com os policiais, ele foi preso no local. Trump publicou fotos do suspeito algemado no carpete do hotel, sem camisa e deitado de bruços. Em uma entrevista exibida no domingo à noite no programa “60 Minutes” da CBS, Trump foi questionado se temia que pudesse haver vítimas diante da cena caótica.
“Eu não estava preocupado. Eu entendo a vida. Vivemos em um mundo louco”, disse Trump.
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Mais cedo, o procurador-geral interino dos EUA, Tom Blanche, disse à CBS que o suspeito não estava “cooperando ativamente”.
“Espero que as acusações sejam formalmente apresentadas contra ele amanhã de manhã em um tribunal federal em Washington”, disse Blanche. “Acreditamos, com base apenas em um entendimento muito preliminar do que aconteceu, que ele estava visando membros do governo.”
Blanche acrescentou que nenhum outro motivo para o ataque é conhecido e confirmou que o suspeito — que, segundo as autoridades, estava armado com uma espingarda, uma pistola e uma faca — estava hospedado no Washington Hilton, onde acontecia o jantar de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca.
Escondido debaixo das mesas
Sem fornecer detalhes, Trump indicou que o suspeito havia escrito um manifesto “anticristão”.
“O cara é doente”, disse Trump à Fox News. “Na verdade, a irmã ou o irmão dele estavam reclamando. Eles chegaram a registrar queixas junto às autoridades.”
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O New York Post noticiou que o suspeito escreveu em uma mensagem que compartilhou com sua família pouco antes do ataque que seus alvos seriam “priorizados do nível mais alto ao mais baixo”. Trump, a primeira-dama Melania Trump, o vice-presidente JD Vance, vários membros do gabinete e parlamentares proeminentes estavam entre os convidados do jantar de gala, juntamente com centenas de outros participantes.
Em uma coletiva de imprensa improvisada na Casa Branca, no final da noite, Trump disse que inicialmente pensou que o barulho fosse de uma bandeja caindo, antes de perceber que eram tiros.
“Parece que eles acham que eu agi como um lobo solitário, e eu também acho isso”, disse o presidente.
Um policial foi baleado à queima-roupa enquanto usava colete à prova de balas e aparentemente não ficou gravemente ferido. Trump acrescentou que o hotel não era “uma instalação particularmente segura”, enquanto aumentavam as dúvidas sobre os protocolos de segurança do presidente.
Múltiplas tentativas de assassinato contra Trump
O Washington Hilton, onde o evento de gala de sábado foi realizado, é o local onde o presidente republicano Ronald Reagan foi assassinado em 1981. Trump afirmou ne domingo que o tiroteio reforça os motivos de segurança que ele citou para o planejamento de um novo e enorme salão de baile ao lado da Casa Branca, um projeto que enfrenta contestações judiciais. O incidente ocorreu menos de 48 horas antes do início da visita de Estado de quatro dias do Rei Charles III e da Rainha Camilla a Washington.
O Washington Hilton, onde o evento de gala de sábado foi realizado, é o local onde o presidente republicano Ronald Reagan foi assassinado em 1981. Trump afirmou neste domingo que o tiroteio reforça os motivos de segurança que ele citou para o planejamento de um novo e enorme salão de baile ao lado da Casa Branca, um projeto que enfrenta contestações judiciais. O incidente ocorreu menos de 48 horas antes do início da visita de Estado de quatro dias do Rei Charles III e da Rainha Camilla a Washington.
A Nasa deu mais um passo no seu plano de retorno humano à Lua ao apresentar o estágio central do foguete que será utilizado na missão Artemis III, parte do programa Artemis. A divulgação marca a revelação de um dos principais componentes do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), considerado a base estrutural da missão.
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A agência espacial também revelou a aparência da estrutura, que corresponde à maior e mais potente seção do foguete. Segundo o site 20 minutos, esse estágio central é frequentemente descrito como a “espinha dorsal” do sistema de lançamento.
O estágio central do SLS concentra a maior parte da estrutura do veículo e é essencial para o impulso inicial durante a decolagem.
De acordo com a Nasa, o componente inclui tanques de hidrogênio líquido e oxigênio líquido, além do tanque intermediário e da estrutura frontal, todos fundamentais para o funcionamento do sistema.
A peça foi transportada do Centro de Montagem Michoud, em Nova Orleans, para o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, onde será integrada ao restante do foguete.
Missão prevista para 2027
A missão Artemis III tem lançamento previsto para meados de 2027 e será uma etapa decisiva do programa lunar. Nessa fase, a cápsula tripulada Orion realizará uma manobra de acoplamento em órbita da Terra antes da viagem rumo à Lua.
Estágio central do foguete Artemis III
Nasa/Michael DeMocker
Segundo informações da BBC, o plano também inclui o uso de um ou dois módulos de pouso para viabilizar a descida até a superfície lunar.
O marco representa o encerramento de uma série de testes preliminares. A complexidade da missão está na sincronização entre diferentes espaçonaves desenvolvidas por fornecedores distintos. O cronograma oficial prevê a data-alvo, mas sua execução depende da superação de desafios técnicos relacionados aos sistemas de propulsão e transporte.
Testes e contexto do programa Artemis
A revelação ocorre em meio ao avanço das etapas preparatórias do programa. A missão Artemis II, por exemplo, foi lançada em 1º de abril de 2026, a partir do Complexo de Lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em uma fase anterior do projeto.
A Nasa delegou o desenvolvimento dos módulos de pouso lunar a duas empresas privadas do setor aeroespacial.
A SpaceX, de Elon Musk, trabalha em uma versão lunar da Starship, uma estrutura que pode atingir cerca de 35 metros de altura.
Já a Blue Origin, de Jeff Bezos, desenvolve o módulo Blue Moon Mark 2, com um design mais compacto em comparação ao concorrente, mas com ambições técnicas semelhantes para missões de exploração lunar.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou na noite deste domingo à ilha caribenha de Barbados para sua segunda visita internacional desde que assumiu o cargo. Em 9 de abril, Delcy visitou a ilha de Granada em sua primeira viagem internacional como presidente interina, após a deposição de Nicolás Maduro, capturado em janeiro pelas forças americanas.
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O canal de televisão estatal Venezolana de Televisión (VTV) transmitiu imagens da chegada de Rodríguez ao Aeroporto Internacional Grantley Adams em Barbados, um pequeno país de língua inglesa localizado no sudeste do Mar do Caribe. As autoridades da ilha, membro da Commonwealth, receberam Rodríguez com honras.
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Barbados, com pouco menos de 300 mil habitantes, é famosa por suas praias paradisíacas e por ser um porto de cruzeiros. A presidente interina cumprirá uma agenda de trabalho estratégica na segunda-feira. A visita ocorre em meio a “expectativas de cooperação e desenvolvimento”, informou a televisão estatal venezuelana, sem fornecer detalhes.
Durante sua recente viagem a Granada, Rodríguez afirmou que atualizaram o “roteiro” para os acordos assinados em 2025 entre as autoridades da ilha e Maduro, que agora enfrenta acusações de narcotráfico nos Estados Unidos.
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As duas viagens internacionais de Rodríguez, que governa sob intensa pressão do presidente Donald Trump, acontecem após os Estados Unidos suspenderem as sanções contra ele em 1º de abril. Trump alega estar no comando da Venezuela e da venda de seu petróleo após a queda de Maduro.
The show must go on. O espetáculo não pode parar. Esta foi uma das primeiras reações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a confirmação do ataque no tradicional jantar dos Correspondentes da Casa Branca na noite do último sábado (26/4). Sua disposição de seguir o evento, apesar do perigo de vida, o que acabou não ocorrendo por orientação do serviço secreto americano, sublinha a urgência, para o republicano, de demonstrar força em momento de fragilidade ímpar do trumpismo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O mundo destinou cerca de US$ 2,9 trilhões de dólares (R$ 14,5 trilhões) aos gastos militares em 2025, marcando o 11º ano consecutivo de crescimento em um contexto de multiplicação de conflitos e tensões, segundo um relatório de referência publicado nesta segunda-feira (27, data local). Os três maiores contribuintes — Estados Unidos, China e Rússia — representam pouco mais de metade do total, com US$ 1,48 trilhão (R$ 7,4 trilhões).
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O aumento foi de 2,9% em comparação com o ano anterior, e apesar da diminuição do gasto militar americano, segundo o relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês).
Essa queda foi amplamente compensada pelos aumentos na Europa e na Ásia, em “um novo ano marcado por guerras e intensificação das tensões”, explicou Lorenzo Scarazzato, especialista do Sipri, à AFP. O “ônus militar”, ou seja, a proporção do PIB mundial destinada ao gasto militar, é o mais alto desde 2009.
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Os Estados Unidos gastaram US$ 954 bilhões (R$ 4,7 trilhões), 7,5% menos que em 2024, fundamentalmente devido à suspensão da ajuda à Ucrânia. O principal motor do crescimento global foi a Europa — que inclui Rússia e Ucrânia –, onde os gastos foram 14% maiores, somando US$ 864 bilhões (R$ 4,3 trilhões).
Forte aumento na Ásia/Oceania
“Isto se explica pela guerra em curso na Ucrânia e pela retirada dos Estados Unidos da Europa”, declarou Scarazzato. Os Estados Unidos “estão pressionando a Europa para assumir maior responsabilidade em sua própria defesa”.
A Alemanha, o quarto país do mundo em termos de gasto militar, o aumentou em 24% em 2025, para US$ 114 bilhões (R$ 570 bilhões). A Espanha também aumentou consideravelmente os seus gastos, em 50%, para US$ 40,2 bilhões (R$ 201 bilhões), superando pela primeira vez, desde 1994, a marca de 2% do PIB.
O gasto da Rússia cresceu 5,9%, para US$ 190 bilhões (R$ 951 bilhões), o equivalente a 7,5% do PIB. A Ucrânia, por sua vez, expandiu seus gastos em 20%, para US$ 84,1 bilhões (R$ 421 bilhões), o que representa 40% de seu PIB. Apesar das tensões persistentes no Oriente Médio, os gastos na região apenas aumentaram 0,1%, para US$ 218 bilhões (pouco mais de R$ 1 trilhão).
Enquanto a maioria dos países da região aumentou seus gastos, Israel e Irã, na realidade, os reduziram. No Irã, o gasto caiu 5,6%, para US$ 7,4 bilhões (R$ 37 bilhões), mas isso se explica principalmente por uma inflação anual elevada, de 42%. Em termos nominais, o gasto sim aumentou.
No caso de Israel, a redução de 4,9%, para US$ 48,3 bilhões (R$ 241 bilhões), deve-se ao arrefecimento da guerra em Gaza, após um primeiro cessar-fogo com o Hamas no início de 2025, e outro desde outubro, explicaram os pesquisadores, que, no entanto, apontaram que os gastos continuavam sendo 97% superiores aos de 2022.
Na região da Ásia-Oceania, o gasto totalizou US$ 681 bilhões (R$ 3,41 trilhões), um aumento de 8,5% em relação a 2024, o maior crescimento anual desde 2009. O “principal ator” da região é a China, que aumentou seus gastos todos os anos nas últimas três décadas e destinou aproximadamente US$ 336 bilhões (R$ 1,68 trilhão) em 2025, destacou o pesquisador do Sipri.
“Mas o verdadeiro interesse provavelmente reside na reação de outros países, como a Coreia do Sul, o Japão e Taiwan, diante da percepção de ameaça”, afirmou.
Alta também na América do Sul
O relatório indica que o gasto militar na América Central e no Caribe caiu 27% em 2025, para US$ 17,1 bilhões (R$ 85,6 bilhões), mas “cresceu 64% durante a década 2016-2025”.
“As tendências na sub-região estão fortemente influenciadas pelo gasto militar do México, que foi reduzido em um terço em 2025, para 13,6 bilhões de dólares [R$ 68 bilhões]”, diz o relatório. Em 2024, o México, no entanto, havia aumentado o seu investimento militar em 71%.
Por outro lado, na América do Sul, o gasto militar “ascendeu para 56,3 bilhões de dólares [R$ 282 bilhões] em 2025, um aumento de 3,4% em relação a 2024, e de 5,7% em comparação com 2016”. O Brasil é o país sul-americano que mais gasta, e aumentou suas despesas em 13% em 2025, para US$ 23,9 bilhões (R$ 119,6 bilhões), segundo o relatório.
O gasto militar da Guiana cresceu 16%, para US$ 248 milhões (R$ 1,24 bilhão) em 2025, “impulsionado pelas tensões crescentes com a Venezuela pela região petrolífera de Essequibo”. Entre os 40 maiores gastadores em nível global, o Brasil aparece na 21ª colocação, com a Colômbia na 29ª posição e o México na 30ª.
Menos de um dia após um homem armado invadir o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a jornalista Norah O’Donnell, da CBS, de “vergonhosa”. A declaração, feita durante entrevista exibida na noite deste domingo no programa 60 Minutes, ocorreu após O’Donnell ler trechos de um manifesto escrito pelo suspeito — que parecia referir-se a Trump como “estuprador” e “pedófilo” —, e questionar a reação do republicano.
— Eu estava esperando você ler isso, porque sabia que você leria, porque vocês são pessoas horríveis. Pessoas horríveis — disse o presidente, que, até então, vinha respondendo de forma relativamente contida. — Sim, ele escreveu isso. Eu não sou um estuprador. Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo. Com licença, com licença. Você lê esse lixo de uma pessoa doente? Eu fui associado a todo tipo de coisa que não tem nada a ver comigo. Fui totalmente inocentado.
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No trecho citado pela jornalista, o suposto atirador, Cole Allen, de 31 anos, teria escrito: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”. Após a reação de Trump, O’Donnell tentou interromper o presidente para questionar se achava que o texto fazia referência a ele, mas foi ignorada pelo republicano, que continuou declarando:
— Os seus amigos do outro lado são os que estavam envolvidos com, digamos, Epstein ou outras coisas. Mas eu disse a mim mesmo: “Sabe de uma coisa? Vou dar essa entrevista a eles”. Eu li o manifesto. Você sabe, ele é uma pessoa doente. Mas você deveria se envergonhar por ler isso, porque eu não sou nenhuma dessas coisas. Você não deveria estar lendo isso no 60 Minutes. Você é uma vergonha. Mas vá em frente. Vamos terminar a entrevista. Você é vergonhosa.
Trump reagiu com irritação ao que pareceu interpretar como uma insinuação sobre sua relação com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais — algo que não foi citado nominalmente nem no manifesto nem pela jornalista. O presidente continuou a criticar O’Donnell ao longo do restante da conversa. Depois que ela mencionou que Allen, o suspeito, teria participado de um protesto “No Kings” (Sem Reis), contra o governo do republicano, Trump respondeu:
— A razão de você ter pessoas assim é que há gente fazendo “No Kings”. Eu não sou um rei. Se eu fosse um rei, não estaria lidando com você.
Em atualização.
A Suprema Corte de Israel ordenou, neste domingo, que o Estado suspenda os benefícios econômicos concedidos a judeus ultraortodoxos que se recusam a atender às convocações para o serviço militar obrigatório.
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O serviço militar é obrigatório no país para homens e mulheres, mas os judeus ultraortodoxos podem evitá-lo ao se dedicarem ao estudo de textos sagrados, em razão de uma isenção criada em 1948.
A medida foi instaurada por David Ben-Gurion, fundador do Estado de Israel, com o objetivo de preservar tradições religiosas ameaçadas após o Holocausto.
Nos últimos anos, no entanto, a Suprema Corte tem questionado essa exceção. Em 2024, o tribunal determinou que estudantes ultraortodoxos de escolas talmúdicas devem ser recrutados para o Exército.
— Dado que não foram propostas medidas concretas que indiquem a intenção de fazer cumprir a obrigação de alistamento não resta outra alternativa senão ordenar medidas práticas — destacou o tribunal na decisão deste domingo.
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O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, depende do apoio de partidos ultraortodoxos para manter sua coalizão de governo e, por isso, tem resistido a iniciativas para encerrar a isenção.
Com a nova decisão, o tribunal determinou a eliminação de subsídios que garantem a esse grupo acesso a tarifas reduzidas em impostos locais, transporte público e serviços de cuidados infantis.
O juiz Noam Solberg afirmou que a medida não constitui uma “sanção”, mas sim uma “perda de benefícios”, ao considerar que a promoção do serviço militar é um objetivo “legítimo” e deve ser levada em conta na definição das condições de acesso a benefícios públicos.
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A comunidade ortodoxa conhecida como “haredim”, termo usado para designar judeus ultraortodoxos, representava uma pequena parcela da população, mas cresceu nas últimas décadas e hoje corresponde a cerca de 14% dos judeus israelenses.
Esse avanço demográfico, somado às longas mobilizações de milhares de israelenses em guerras recentes, tem ampliado o ressentimento em relação à isenção, inclusive entre setores religiosos da sociedade.
Apenas horas depois de um homem armado invadir o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca na noite de domingo, o presidente americano, Donald Trump, disse enxergar seus repetidos encontros com a violência como um sinal de sua importância histórica; afirmou que o episódio evidencia a necessidade da construção de seu planejado salão de baile na residência oficial da Presidência e adotou um tom incomumente conciliador ao pedir unidade e reconciliação entre partidos.
— Estudei assassinatos e devo dizer que as pessoas mais impactantes, aquelas que fazem mais, são as que acabam sendo alvo — disse ele a repórteres na Casa Branca pouco depois da prisão do suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, californiano de 31 anos. — É uma profissão perigosa, mas não vejo dessa forma. Estou aqui para fazer um trabalho. Não consigo imaginar uma profissão mais perigosa, mas amo o país e tenho muito orgulho.
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Trump argumentou que o tumulto evidenciava a necessidade de um novo salão de baile na Casa Branca. O projeto é prioridade para o governo desde outubro, mas tem sido alvo de disputas judiciais que vêm atrasando seu avanço. Para o presidente e dezenas de apoiadores, o incidente ajudou a ilustrar o motivo pelo qual a ação judicial que tenta barrar a construção do salão deveria ser rejeitada. Advogados de Trump já argumentaram em tribunal que o projeto melhoraria a segurança e permitiria eventos maiores no complexo presidencial.
Há pouco mais de uma semana, um juiz federal intensificou o impasse jurídico ao ordenar a suspensão das obras acima do solo, afirmando que o presidente parecia tentar contornar uma decisão anterior ao redefinir o projeto como uma melhoria de segurança nacional. Na decisão, Richard J. Leon afirmou que a inclusão de elementos como janelas à provas de balas e outros recursos de segurança comuns na Casa Branca não isentava o projeto de suas determinações:
“A segurança nacional não é um cheque em branco para avançar com atividades que, de outra forma, seriam ilegais”, escreveu, indicando que Trump não tinha autoridade para reconstruir unilateralmente a Casa Branca sem aprovação do Congresso. Um tribunal de apelações, no entanto, permitiu que a construção continue enquanto analisa a decisão.
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Os planos do presidente preveem uma estrutura de cerca de 8,3 mil metros quadrados no local da antiga Ala Leste. Ele afirma que o projeto será financiado por US$ 400 milhões em doações privadas, mas se recusa a divulgar os nomes dos doadores. Trump tem reclamado constantemente da falta de espaço interno para eventos na Casa Branca e propôs o salão como solução para receber encontros maiores. Neste domingo, ele criticou o processo judicial que tenta barrar o projeto, classificando-o como uma “campanha ridícula”.
“Este evento nunca teria acontecido com o Salão de Baile Militar de Máximo Sigilo atualmente em construção na Casa Branca”, escreveu o presidente nas redes sociais na manhã de domingo, pouco antes de reforçar a mensagem em entrevista à Fox News.
O esforço de Trump para vincular a segurança do jantar à disputa em torno do salão, no entanto, ignora as características do evento e as circunstâncias da falha de segurança. A Associação de Correspondentes da Casa Branca, que organiza o jantar anual desde 1921, é uma entidade independente cujos membros são jornalistas que cobrem a Presidência. O grupo enfrentou críticas neste ano por convidar o presidente — como normalmente faz há anos — diante das iniciativas de Trump de investigar jornalistas e processar veículos de imprensa. Não está claro se a organização aceitaria realizar o evento dentro da Casa Branca.
Mudança de tom
Ao mesmo tempo, o presidente americano também buscou adotar um tom sóbrio ao comentar o ocorrido. O suspeito, munido de armas de fogo e facas, tentou ultrapassar o perímetro de segurança dentro do hotel em Washington onde o republicano estava prestes a discursar. Dentro do salão, onde mais de 2 mil pessoas estavam reunidas, imagens mostram Trump e a primeira-dama sentados em um palco na parte frontal, conversando com outros convidados, quando sons altos foram ouvidos à distância. Na sequência, eles são rapidamente retirados do palco por seguranças, enquanto alguns convidados se abaixam para se proteger.
— É sempre chocante quando algo assim acontece. Aconteceu comigo, e isso nunca muda. Nenhum país está imune [à violência] — disse ele em entrevista coletiva horas mais tarde. — Temos que resolver nossas diferenças. Havia republicanos, democratas, independentes, conservadores, liberais e progressistas [no evento]. Havia um enorme sentimento de união e de aproximação. Eu observei isso e fiquei muito impressionado.
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O presidente repetiu o tom em entrevista neste domingo, ao descrever o jantar como “uma noite em que muitas pessoas se reuniram”. Trump afirmou que democratas, “que normalmente são hostis”, estavam acenando para ele, compondo um ambiente “unido”. Ele também disse que inicialmente pretendia fazer um discurso duro contra a imprensa, mas que, após o incidente, quando ainda havia a possibilidade de o evento continuar, declarou que queria mudar a mensagem para algo “muito diferente, um discurso de amor”.
— Mas não tive a chance de fazer isso. Talvez tenha sido melhor assim, não sei.
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O episódio de sábado é mais um capítulo da violência política nos Estados Unidos, que, segundo pesquisas, está em alta. Em 2024, houve uma tentativa de assassinato contra Trump na Pensilvânia, quando um tiro de raspão atingiu a sua orelha. Apenas 64 dias depois, ele voltou a ser alvo de um possível assassinato enquanto jogava golfe em seu campo na Flórida. O assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk em Utah no ano passado expôs ainda mais as profundas divisões políticas do país.
Meses antes, a deputada estadual de Minnesota Melissa Hortman, democrata, e seu marido, Mark, foram mortos a tiros, enquanto Paul Pelosi, marido da ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi, foi atacado com um martelo e hospitalizado com uma fratura no crânio. Em 2023, a Polícia do Capitólio investigou mais de 8 mil ameaças — um aumento de 50% em relação a 2018. Quando questionado sobre se este seria custo de se fazer política nos Estados Unidos hoje, Trump disse:
— Se eu decidisse simplesmente não fazer muita coisa, se deixasse todo mundo nos explorar e tirar vantagem de nós… Estamos liderando o mundo no comércio [e] no setor militar. Não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. [Conseguimos coisas] que diziam que não conseguiríamos. Então, quando você faz coisas assim, você se torna um alvo. Se eu não estivesse fazendo isso, acho que seria muito menos. Mas me sinto honrado por isso. (Com New York Times)
Os governantes militares do Mali, país da África Ocidental governado por uma junta desde 2020, enfrentaram uma crise de segurança neste domingo após ataques coordenados em todo o território por combatentes jihadistas, ligados a grupos extremistas islâmicos, e rebeldes separatistas neste fim de semana, que mataram o ministro da Defesa e, segundo relatos, deixaram uma importante cidade do norte sob controle rebelde.
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Não houve pronunciamento do líder da junta, o general Assimi Goita, atual chefe de Estado que chegou ao poder por meio de golpes militares. Ele não é visto desde o início dos ataques ao amanhecer de sábado. As tropas do governo ainda combatiam em algumas partes do país, mas a morte do ministro da Defesa, Sadio Camara, uma das principais figuras da junta militar, no sábado, representou um duro golpe para a administração.
A ofensiva, sincronizada por rebeldes tuaregues, grupo étnico nômade do deserto do Saara, da coalizão Frente de Libertação do Azawad (FLA) e pelo grupo jihadista Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), afiliado à Al-Qaeda, teve como alvo várias regiões do vasto e árido país.
Analistas afirmaram que os ataques coordenados foram o desafio mais sério aos governantes do país desde a ofensiva de março de 2012, quando rebeldes tomaram o norte do Mali, que foi repelida pela intervenção de forças francesas, que desde então deixaram o território após anos de atuação militar.
Camara, sua segunda esposa e dois de seus netos morreram após um ataque com carro-bomba à sua residência no reduto da junta em Kati, base militar estratégica nos arredores da capital Bamako, segundo familiares e uma autoridade.
Ainda havia combates neste domingo em várias áreas, incluindo Kati, Kidal, Gao e Sévaré, cidades-chave em diferentes regiões do país.
Rebeldes dizem controlar Kidal
Rebeldes tuaregues disseram à AFP que chegaram a um acordo, permitindo às forças do Corpo Africano da Rússia, contingente ligado ao Ministério da Defesa russo, que apoiam o Exército do Mali, de se retirarem da cidade de Kidal, no norte, reduto histórico dos tuaregues, que, segundo eles, está “totalmente” sob seu controle.
— Vimos um comboio militar sair, mas não sabemos os detalhes do que está acontecendo. Combatentes de movimentos armados agora tomaram as ruas — disse um morador.
O Exército do Mali havia retomado Kidal, um reduto tuaregue, em novembro de 2023 com a ajuda do grupo paramilitar russo Wagner, empresa militar privada que atuou em conflitos internacionais, encerrando mais de uma década de controle rebelde.
A FLA, composta principalmente por grupos tuaregues que defendem a independência de Azawad, território reivindicado no norte do Mali, também afirmou ter assumido posições na região de Gao, no norte.
O Mali vem sendo devastado há mais de uma década por conflitos e violência jihadista, frequentes na região do Sahel, mas os ataques de sábado foram os piores desde 2020, quando a junta tomou o poder após um golpe.
A situação em Sévaré, no centro do Mali, onde ainda era possível ouvir tiros, permanecia “confusa”, disse uma autoridade local.
Embora não haja informações ou aparições do chefe da junta, Goita, uma fonte de segurança do Mali disse à AFP que ele está em um local seguro.
Lobo solitário’, agente baleado e reação internacional: o que se sabe sobre disparos no jantar dos correspondentes da Casa Branca
Moradores em alerta
Neste domingo, a calma havia retornado a Kati, onde o ministro da Defesa foi morto um dia antes.
— Os jihadistas deixaram a área, mas estamos vivendo com medo — disse um morador à AFP.
O aeroporto internacional, nos arredores de Bamako, capital do país, voltou a operar após intensos combates no sábado no distrito periférico de Senou.
— Ainda ouço as explosões ecoando nos meus ouvidos. É traumatizante — disse um morador.
Na capital, tropas bloquearam o acesso a instalações militares com barreiras e pneus nas ruas, disse um jornalista da AFP.
Os combates deixaram 16 civis e soldados feridos, causando “danos materiais limitados”, informou o governo em comunicado na noite de sábado, acrescentando que “a situação está totalmente sob controle em todas as localidades”.
A oposição, reunida na Coalizão de Forças pela República (CFR), aliança de partidos contrários à junta, afirmou em nota que o Mali está “em perigo”.
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A junta havia “prometido aos malineses segurança, estabilidade e o retorno do Estado”, disse. Após a ofensiva do fim de semana, ninguém pode afirmar seriamente que o Mali esteja pacificado ou seguro, acrescentou.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, chefe da organização internacional, condenou os “atos de violência” no Mali, disse seu porta-voz em comunicado.
— O secretário-geral pede apoio internacional coordenado para enfrentar a crescente ameaça do extremismo violento e do terrorismo no Sahel, faixa semiárida ao sul do deserto do Saara, e atender às necessidades humanitárias urgentes — acrescentou o porta-voz Stephane Dujarric.
A União Europeia, bloco político e econômico do continente europeu, condenou neste domingo os “ataques terroristas” no Mali.
O Corpo Africano da Rússia, organização sob controle direto do Ministério da Defesa russo, substituiu o grupo mercenário Wagner no apoio às forças do Mali no combate aos jihadistas.
O Mali possui recursos como ouro e outros minerais valiosos, que são estratégicos para sua economia.
Os governantes do país, assim como seus homólogos militares nos vizinhos Níger e Burkina Faso, também governados por juntas, romperam laços com a antiga potência colonial França e com vários países ocidentais, aproximando-se da Rússia.
O jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca é um evento anual que os jornalistas que trabalham em Washington sempre esperam com ansiedade. Mas esse tinha algo de especial. Pela primeira vez, Donald Trump havia confirmado presença. Até o primeiro mandato de Trump, a ida do presidente americano ao jantar era uma tradição centenária praticamente incontornável. Desde 1924, todos os presidentes compareceram pelo menos uma vez ao longo do mandato; a maioria não perdeu um único ano. Ausências foram sempre pontuais por motivo de saúde ou compromissos políticos inadiáveis.
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Mas Donald Trump, um presidente de relação conflituosa com a imprensa, esnobou o evento durante todo o primeiro mandato. Por isso, foi uma surpresa para toda a imprensa quando, desta vez, no primeiro ano de seu segundo mandato, Trump disse que compareceria. Havia outra novidade importante prevista para a noite deste sábado em Washington. Há 40 anos, na década de 80, nascera uma tradição dentro da tradição: um humorista passou a fazer parte do programa do jantar, convidado a satirizar o presidente na presença dele – para deleite dos jornalistas. Com Trump, dessa vez, o humorista seria substituído por um “mentalista”, alguém que “leria a mente” do presidente americano diante de todos nós. O resultado desta ousadia, por enquanto, nós vamos ficar sem saber.
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O jantar deste sábado também foi o primeiro ao qual eu, que não faço parte da Associação de Correspondentes da Casa Branca, pude ir. A coincidência entre a data do jantar e uma viagem pessoal aos Estados Unidos combinada à gentileza de um convite da Agência de Notícias Reuters permitiram que eu pontualmente, às 19h, passasse pela recepção do Washington Hilton com um pequeno convite na mão para a checagem de ninguém. Esse foi o primeiro espanto. O Hilton é um hotel de mil quartos. O evento da associação de correspondentes previa 2500 convidados. No subsolo do hotel, agências de notícias e outros órgãos da imprensa americana organizavam badaladas festas de “aquecimento” para o jantar. À exceção de uma breve espiada de um guarda metropolitano ainda na parte externa do hotel, não foi necessário apresentar o convite. Também não houve detector de metal ou revista até a antessala do International Ballroom, o imenso salão onde ocorreria o jantar. Foi só ao chegar a este ponto que Cole Tomas Allen sentiria necessidade de acelerar o passo, atravessar correndo armado a barreira de segurança, para então ser alvejado e detido.
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Antes disso, no interior do International Ballroom tudo seguia o script. A presidente da Associação dos Correspondentes da Casa Banca Weijia Jiang, da CBS News, abriu o evento celebrando a Primeira Emenda da Constituição e a presença inédita de Donald Trump. O Presidente e o vice, JD Vance, tomaram seus lugares em um palco armado à frente das mesas. Uma banda performou o hino americano. Uma salada de burrata com pepino foi servida.
Lideranças do governo Trump e jornalistas se misturavam em centenas de mesas justapostas no salão. Meus colegas da Globo Nova York Raquel Krahenbuhl, Deni Navarro e Anna Camanducaia estavam numa mesa com outros colegas estrangeiros que cobrem a Casa Branca. Mark Rubio, Scot Bessent, Pete Hegseth e outros integrantes do gabinete de Trump espalhados por mesas com estrelas do jornalismo americano. Na mesma mesa em que eu estava, o senador democrata por Rhode Island, Sheldon Whitehouse. Era com ele e com o diretor-executivo da Reuters, Alphonse Hardel, que eu começava a conversar sobre as eleições parlamentares americanas de novembro e a presidencial brasileira de outubro quando algo estranho aconteceu. Foi uma sequência de estampidos secos, que depois eu entenderia serem os tiros, mas que no ato me pareceram ruídos produzidos pela queda de objetos muito pesados em chão de madeira.
Correria após tiros serem disparados durante jantar de correspondentes da Casa Branca em Washington
Danny KEMP and AFPTV teams / AFP
A dúvida de que algo grave estava acontecendo se dissipou quando dezenas de soldados armados com fuzis entraram pelo salão. Fomos todos para debaixo das mesas. Houve gritaria, mas não pânico. É ruim ver soldados de roupa camuflada apontando rifles num salão. Trump e JD Vance foram retirados do palco rapidamente. E todas as autoridades nas mesas também. O serviço secreto sabia onde estava cada um deles. Um ou mais agentes iam até a mesa, pegavam sem delicadeza no braço da autoridade e a conduziam para fora.
Por cerca de meia hora ficamos apenas nós lá. Dois mil e quinhentos jornalistas. Sem saber o que tinha se passado do lado de fora do salão. Um frenesi de apuração por telefone com internet ruim. Muitos repórteres para pouca informação. Soube-se em sequência que era apenas um atirador; que era da California; que estava preso; que não havia vítimas; que talvez o evento continuasse como programado. Era a determinação do presidente.
Agentes do serviço secreto fazem buscas após disparos em jantar de correspondentes
Yuri Gripas/Abaca/Bloomberg
Mas não deu. Àquela altura, a disrupção era grande demais para seguir o script. Foram as autoridades policiais que decretaram que o evento estava encerrado sem os discursos, sem a leitura da mente de Trump pelo mentalista, sem a palavra do Presidente, com a salada de burrata com pepino mal servida nas mesas. A presidente da Associação voltou ao palco e repetiu uma máxima do jornalismo: “Quando há uma emergência, a gente corre em direção à crise, não para longe dela.” É isso que distingue os jornalistas das outras pessoas. Do lado de fora do Hilton, depois de tudo, uma demonstração. Repórteres ainda no black-tie mandatório para o encontro, no frio de 10 graus, informando ao vivo para câmeras, microfones e telefones, um ao lado do outro, o que tinham acabado de testemunhar. Ninguém ali correu da notícia.
* Ricardo Villela é diretor de jornalismo da TV Globo

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