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A Rússia intensificou sua cooperação militar com o Irã ao passar a fornecer imagens de satélite e aprimoramentos tecnológicos para drones usados em operações no Oriente Médio, segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal. O apoio inclui também compartilhamento de inteligência e orientação tática para ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a seus aliados na região. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quando criança, Carolyn Chester ouvia histórias sobre os 32 hectares de terra e as joias ornamentadas que seus pais perderam durante a revolução de Fidel Castro, em 1959. Agora com 67 anos, seus pais faleceram e Chester tornou-se uma das quase 6.000 pessoas e empresas dos Estados Unidos que tentam reaver estimados US$ 9 bilhões (R$ 47 bilhões) em propriedades expropriadas décadas atrás em um país que ela mal conhece. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um ataque de drone ucraniano em Sebastopol, na península da Crimeia, anexada pela Rússia, matou um homem e feriu outros dois, informou o governador da região portuária nesta quinta-feira.
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“As forças de defesa aérea e nossa Frota do Mar Negro repeliram o ataque das forças armadas ucranianas. Um total de 27 drones foram abatidos”, publicou o governador Mikhail Razvozhayev no Telegram.
“Um homem que estava em uma casa em uma área residencial […] morreu em decorrência do ataque das forças armadas ucranianas em Sebastopol”, afirmou o governador.
Ele acrescentou que outras duas pessoas sofreram ferimentos leves. Enquanto isso, o governador da região de Stavropol, no sul da Rússia, Vladimir Vladimirov, publicou no Telegram que as defesas aéreas locais estavam repelindo um ataque de drone a uma área industrial.
Paralelamente, as autoridades ucranianas relataram um ataque russo à cidade portuária de Odessa, onde três pessoas ficaram feridas.
Os Estados Unidos têm pressionado a Rússia e a Ucrânia para que cheguem a um acordo de paz, mas as negociações foram interrompidas pela guerra no Oriente Médio.
Um influente grupo armado pró-Irã no Iraque anunciou, na madrugada desta quinta-feira (horário local), a suspensão dos ataques à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá por um período de cinco dias. A medida foi condicionada à interrupção de bombardeios na região.
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O Kata’ib Hezbollah informou que seu secretário-geral “emitiu ordens para suspender as operações que tinham como alvo a embaixada dos EUA em Bagdá”, mas estabeleceu exigências para manter a trégua. Entre elas, está a interrupção de ataques israelenses em um bairro do sul de Beirute.
O grupo também cobrou “o compromisso de não bombardear áreas residenciais em Bagdá e em outras províncias” do Iraque.
Até o momento, não houve registro de ataques com drones ou foguetes contra a embaixada americana na capital iraquiana entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, segundo a AFP.
(Matéria em atualização)
A Costa Rica fechou nesta quarta-feira sua embaixada em Havana e expulsou os diplomatas cubanos do país, ao afirmar que é preciso “limpar o hemisfério de comunistas”. O país é um aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mantém um cerco energético sobre a ilha e tem intensificado suas ameaças de assumir o controle do país.
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O presidente Rodrigo Chaves declarou à imprensa que, a partir de agora, a Costa Rica “não reconhece a legitimidade do regime comunista de Cuba, diante dos maus-tratos, da repressão e das condições indignas em que mantêm os habitantes dessa ilha bonita”.
— É preciso limpar o hemisfério de comunistas (…), não vamos dar legitimidade ao regime que oprime e tortura quase dez milhões de cubanos hoje — afirmou o mandatário de direita, que será sucedido por sua correligionária Laura Fernández em 8 de maio.
Ao ser questionado se a decisão significa uma ruptura de relações, o presidente respondeu que “neste momento, Costa Rica e o regime comunista cubano não têm relações diplomáticas”.
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Chaves indicou que, se desejar, Havana poderá manter seu pessoal consular no país para atender cerca de 10 mil residentes cubanos, enquanto a Costa Rica prestará assistência a seus cidadãos a partir do Panamá. A embaixada costarriquenha já estava sem pessoal diplomático desde 5 de fevereiro.
— Tomamos a decisão de proceder (…) com o fechamento da embaixada da Costa Rica na República de Cuba. Da mesma forma, solicitamos à chancelaria de Cuba a retirada de seu pessoal diplomático da embaixada em San José, exceto os funcionários consulares — disse anteriormente o chanceler costarriquenho, Arnoldo André Tinoco.
Sob pressão de Trump
A Costa Rica segue assim os passos de outro aliado de Trump, o Equador, que em 4 de março expulsou o embaixador de Cuba em Quito, acusando-o de ingerência em assuntos internos e em “atividades violentas”.
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O chanceler costarriquenho citou uma “profunda preocupação” com o “deterioro contínuo da situação dos direitos humanos na ilha, bem como o aumento de atos de repressão contra cidadãos, ativistas e opositores”.
Costa Rica e Equador fazem parte de um grupo de países latino-americanos que recentemente formaram uma aliança com Trump para combater o narcotráfico com uso de força militar.
Cuba enfrenta uma forte crise econômica, agravada pela suspensão, em janeiro, do fornecimento de petróleo pela Venezuela após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar dos Estados Unidos, além do bloqueio petrolífero de fato imposto por Washington.
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Nas últimas semanas, Trump intensificou as ameaças contra Havana e seus dirigentes, ao mesmo tempo em que afirma que a ilha, que está em negociações com Washington, deseja “concluir um acordo” com os Estados Unidos.
Na segunda-feira, o magnata republicano declarou que espera ter “a honra de tomar Cuba, de alguma maneira”.
Cuba, sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, confirmou recentemente que está em negociações com seu poderoso vizinho e libertou presos políticos no âmbito de um acordo com o Vaticano, mediador histórico entre os dois países.
A cúpula do Irã sofreu um novo golpe nesta quarta-feira (18), com a morte do ministro da Inteligência em um bombardeio de Israel. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, alertou que os responsáveis vão pagar pelo sangue derramado, após uma série de assassinatos de autoridades.
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Israel matou hoje o ministro da Inteligência Esmail Khatib, um dia após anunciar a morte do chefe do Conselho Superior de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani. Segundo o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, Khatib foi “eliminado” em um bombardeio noturno.
O ministro iraniano da inteligência, Esmail Khatib, ao centro
ATTA KENARE / AFP
Katz anunciou que seu governo deu carta branca ao Exército para abater qualquer líder da república islâmica que esteja na mira. Já o regime iraniano advertiu que ninguém escapará das consequências da guerra, que tem forte impacto no setor energético do Irã e dos países do Golfo e que fez os preços do petróleo dispararem novamente.
O presidente americano, Donald Trump, está em uma queda-de-braço com aliados para que o ajudem em uma missão militar para reabrir o Estreito de Ormuz.
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Mojtaba Khamenei, que não apareceu em público desde que assumiu o cargo, ressaltou que “cada gota de sangue derramada tem seu preço e os assassinos criminosos desses mártires terão que pagá-lo em breve”.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, alertou hoje que os ataques à infraestrutura energética poderiam ter “consequências incontroláveis”, após o campo de gás South Pars-North Dome ser alvo de um ataque.
Repercussão mundial
Uma multidão se reuniu hoje no centro de Teerã para o funeral de Larijani e de Gholamerza Soleimani, líder de uma força paramilitar, no qual também foram homenageados os mais de 80 marinheiros da fragata afundada há duas semanas por um submarino dos Estados Unidos na costa do Sri Lanka.
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Os caixões foram cobertos com bandeiras iranianas em uma procissão, enquanto pessoas enlutadas caminhavam ao lado, exibindo fotos do falecido Khamenei e batendo no próprio peito, um gesto tradicional de luto na cultura xiita.
Funeral de Ali Larijani e de Gholamerza Soleimani em Teerã
ATTA KENARE / AFP
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no X que “a onda de repercussões está apenas começando e atingirá todo o mundo, sem distinção de riqueza, crenças ou raça”.
A Guarda Revolucionária reivindicou bombardeios que deixaram pelo menos dois mortos na região de Tel Aviv, nesta quarta-feira, e prometeu “vingar o sangue” dos dirigentes iranianos assassinados.
Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, disse que o governo iraniano sofreu duros golpes e ficou fragilizado, embora siga “intacto”.
Nova escalada do petróleo
O Irã bombardeia diariamente instalações de petróleo e gás no Golfo, o que fez os preços do petróleo superarem os US$ 100. Um ataque israelense-americano à jazida de South Pars-North Dome, maior reserva de gás do mundo, reforçou essa tendência, que causa preocupação devido às possíveis repercussões na economia mundial.
O presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, declarou que, diante dos bombardeios contra instalações de energia, “um novo nível de confronto se inicia”.
Sobre o Estreito de Ormuz, o presidente americano afirmou hoje que seu país não precisa dele e disse que poderia “deixar que os países que o usam” encontrem uma solução para o bloqueio dessa via.
Para conter o aumento do preço da gasolina provocado pela guerra, Washington anunciou uma suspensão por 60 dias da Lei Jones, com o objetivo de permitir que navios com bandeira estrangeira possam transportar carga entre portos americanos. Também emitiu uma licença para autorizar algumas transações entre entidades americanas e a empresa de petróleo estatal da Venezuela.
‘De partir o coração’
Em outra frente da guerra, Israel voltou a bombardear Beirute, um ataque que deixou uma dúzia de mortos. Desde que o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para vingar a morte de Khamenei, o Líbano registrou 968 mortos.
No centro de Beirute, o barulho dos bombardeios “foi assustador”, disse Saleh, uma mulher de 29 anos, deslocada da periferia sul para a capital. As crianças “começaram a chorar e a entrar em pânico, é de partir o coração”, lamentou. No sul, um congestionamento se estendeu pela costa das áreas bombardeadas.
Nidal Ahmad Chokr, 55 anos, fugiu ontem de sua casa em Jibchit, quando os bombardeios se intensificaram. “Padeiros morreram enquanto trabalhavam” na praça da cidade, e funcionários municipais “foram martirizados” enquanto operavam escavadeiras.
A inteligência dos Estados Unidos concluiu nesta quarta-feira que o Irã não estava reconstruindo suas capacidades de enriquecimento nuclear destruídas em um ataque conjunto dos EUA e Israel em junho de 2025, contradizendo as justificativas do presidente Donald Trump para a guerra. Tulsi Gabbard, uma aliada de Trump e diretora de Inteligência Nacional, compartilhou esta conclusão por escrito em uma análise anual de ameaças, mas não a repetiu ao se dirigir a senadores americanos.
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— Como resultado da Operação Martelo da Meia-Noite (“Midnight Hammer”, em inglês), o programa nuclear do Irã foi aniquilado. Desde então, não houve esforços para tentar reconstruir sua capacidade de enriquecimento — afirmou Gabbard à Comissão de Inteligência do Senado dos EUA.
Ao ser questionada por um senador democrata sobre por que não repetiu esta conclusão diante das câmeras, Gabbard respondeu que não teve tempo suficiente para ler o relatório completo durante a audiência, embora não tenha negado a validade da análise.
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Trump afirmou reiteradamente que ordenou o ataque contra o Irã — em colaboração com Israel — em 28 de fevereiro devido a uma “ameaça iminente”. Após o bombardeio de junho de 2025, o presidente americano declarou que os Estados Unidos haviam destruído completamente as instalações nucleares do Irã.
No entanto, desde o início do seu conflito bélico mais recente, sustenta que Teerã estava a poucas semanas de obter uma bomba atômica, uma ideia não compartilhada pela maioria dos observadores e alegada apesar das conversas em andamento sobre um acordo nuclear.
Um assessor de alto escalão de Gabbard — que, em sua época como deputada, liderou a oposição a uma guerra com o Irã — renunciou ao cargo na terça-feira, argumentando que não havia “ameaça iminente” e que Trump foi induzido ao erro por Israel e pela imprensa.
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Gabbard destacou aos senadores que o Irã havia sofrido duros golpes durante os ataques dos últimos dias — incluindo o assassinato do líder supremo Ali Khamenei —, mas que a República Islâmica continuava em operação.
A comunidade de inteligência americana “avalia que o regime do Irã permanece intacto, embora consideravelmente enfraquecido devido aos ataques contra sua liderança e suas capacidades militares”, declarou.
— Se um regime hostil conseguir sobreviver, é provável que empreenda um esforço de vários anos para reconstruir suas forças militares, seus arsenais de mísseis e suas unidades de veículos aéreos não tripulados — acrescentou.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy declarou nesta quarta-feira (18) que não cometeu “nenhum dos atos” pelos quais foi condenado, durante o julgamento de seu recurso sobre o suposto pedido de financiamento líbio para sua campanha eleitoral de 2007.
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Sarkozy tornou-se no ano passado o primeiro presidente francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o primeiro de um país da União Europeia. Ele saiu da prisão 20 dias depois, em liberdade condicional.
— Recorri porque não cometi nenhum dos atos pelos quais fui condenado. Reunirei todas as minhas forças para defender esta verdade, que está profundamente enraizada em mim —disse Sarkozy no terceiro dia de seu julgamento de apelação.
O político conservador de 71 anos, que governou a França de 2007 a 2012, sempre negou qualquer irregularidade e reiterou sua inocência ao tribunal na terça-feira.
Em setembro, um tribunal de primeira instância o condenou a cinco anos de prisão por permitir que pessoas de seu entorno viajassem à Líbia de Muammar Kadhafi, falecido em 2011, para obter fundos para financiar ilegalmente sua vitoriosa campanha presidencial de 2007.
No sistema jurídico francês, o recurso de apelação equivale a um novo julgamento, no qual o tribunal reexamina todas as provas e depoimentos, e, portanto, Sarkozy é novamente considerado inocente.
Espera-se que siga até 3 de junho, com o veredicto previsto para o outono (do hemisfério norte).
Se considerado culpado, Sarkozy pode pegar até 10 anos de prisão. Sarkozy tem enfrentado uma série de problemas legais desde que deixou o cargo e já foi condenado duas vezes em outros casos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na noite de sexta-feira para Bogotá, onde participará no sábado da 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em um cenário de baixa presença de líderes na reunião. Com base em dados repassados pelo governo colombiano ao Ministério das Relações Exteriores, dos 33 países membros, apenas quatro presidentes da região confirmaram participação até agora: Lula, o anfitrião Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves.
Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, além dos quatro presidentes, 20 chanceleres estarão presentes.
— As delegações vão, há um engajamento bastante grande, mas muitos irão em nível de chanceler — afirmou a diplomata.
O esvaziamento da reunião ocorre em um momento de avanço de governos de direita em vários países latino-americanos. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump reuniu na Flórida líderes da região alinhados politicamente à sua agenda, sem a presença de Brasil, Colômbia e México, o que reforçou a leitura diplomática de um ambiente regional mais dividido.
Apesar disso, o governo brasileiro tenta preservar a relevância política do encontro. Segundo Gisela, a presença de Lula reafirma uma linha constante de política externa.
— A presença do presidente Lula na Celac apenas confirma o compromisso do Brasil, inclusive constitucional, com a integração da América Latina e do Caribe.
Ela lembrou que Lula participou de todas as reuniões de cúpula do bloco desde o retorno do Brasil à Celac, em 2023, e destacou que, mesmo em agendas internacionais apertadas, o presidente tem mantido presença nos encontros regionais.
— Esse é o tamanho do compromisso de acreditar que a integração regional é fundamental, ainda mais num mundo como o de hoje, onde proliferam unilateralismos, medidas coercitivas e atos unilaterais.
Na avaliação do Itamaraty, a baixa presença presidencial não elimina o peso estratégico da região. A secretária ressaltou que os 33 países da Celac somam cerca de 650 milhões de habitantes, 20 milhões de quilômetros quadrados e movimentam aproximadamente US$ 100 bilhões em comércio com o Brasil, com superávit brasileiro de cerca de US$ 20 bilhões.
— A América Latina e o Caribe são o destino de 40% das nossas exportações de manufaturados — afirmou, destacando o peso da região para a indústria brasileira.
Ela também insistiu no papel geopolítico regional em temas como segurança alimentar, energia limpa, biodiversidade e preservação ambiental.
— Todos esses elementos que ninguém presta atenção — água, energia limpa, biodiversidade, comércio de bens industrializados — mostram o que essa região aporta. Daí a importância dela para o Brasil.
A reunião terá como temas principais desenvolvimento econômico, combate à pobreza, mudança do clima, segurança alimentar e crime organizado. A expectativa é de uma declaração final, embora o próprio Itamaraty reconheça dificuldades de consenso político.
— A declaração sempre é fechada na undécima hora. O atual contexto político permite antever algumas dificuldades, mas só no final saberemos como ela ficará.
Um dos pontos já acordados, segundo Gisela, é a reafirmação da América Latina e do Caribe como zona de paz.
Na sequência da cúpula, ocorrerá o primeiro Fórum Celac-África. O diretor do departamento de África do Itamaraty, Ricardo Duarte, afirmou que a iniciativa busca recuperar um diálogo político estruturado entre as duas regiões.
— A Celac busca, com esse primeiro fórum de alto nível, recuperar um diálogo com a África que já existiu de maneira mais estruturada no passado.
Segundo ele, o encontro ocorre em um contexto de crescente aproximação política entre Brasil e África e terá como eixos cooperação Sul-Sul, reparação histórica e justiça étnico-racial, além de comércio e investimentos.
Duarte destacou que a África representa hoje um espaço estratégico em expansão econômica.
— A África, pelo seu tamanho, pelas suas potencialidades e pela população em ascensão, oferece oportunidades claras. O Brasil pode ampliar vendas, mas também investir para produzir lá, especialmente em agricultura.
Hoje, o comércio entre Brasil e África soma cerca de US$ 24 bilhões, com superávit brasileiro, e o Itamaraty considera que a aproximação pode abrir uma nova frente econômica para o país.
Em um sinal de intensificação da ofensiva militar de Israel no Líbano, as forças do Estado judeu realizaram uma série de ataques aéreos que atingiram não apenas os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah, mas também áreas centrais da capital antes consideradas seguras. Os bombardeios, realizados ao longo desta quarta-feira, destruíram edifícios, deixaram pelo menos 20 mortos e mais de 40 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês, e forçaram o deslocamento de moradores em meio à ampliação da ofensiva. Ao mesmo tempo, apesar da forte pressão, o grupo conseguiu manter uma resistência significativa na linha de frente do sul do Líbano, utilizando uma combinação de mísseis antitanque guiados, drones e artilharia.
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A maior parte dos bombardeios israelenses teve como alvo Dahiya, uma área densamente povoada nos subúrbios ao sul de Beirute onde o Hezbollah exerce influência, além de regiões no leste e no sul do país. No entanto, Israel passou a também atingir o centro da capital, muitas vezes sem emitir aviso prévio, como vinha fazendo antes de outros ataques. Autoridades israelenses afirmam que os alvos são infraestrutura e integrantes do grupo xiita, apoiado pelo Irã.
Nas primeiras horas desta quarta, ataques aéreos atingiram pelo menos quatro prédios no centro da capital, provocando o colapso de um deles. Foi a primeira vez desde o início da guerra que Israel destruiu completamente um edifício na região central da cidade. A ofensiva foi feita horas após o Estado judeu emitir um alerta aos moradores do sul do Líbano informando que realizaria ataques massivos contra alvos do Hezbollah, marcando a mais ampla ordem de evacuação na região desde a guerra entre Israel e o grupo em 2006.
— Você viu o que aconteceu em Gaza? Vai ser o mesmo aqui — disse Hassan Jawad, 40, que mora em um apartamento próximo ao prédio que desabou, no bairro de Bachoura, no centro de Beirute. — Acho que esta guerra vai durar mais do que a anterior. Meu pai [e] meu avô viveram tempos assim. Nada muda, isso acontece repetidamente.
Um bombardeio sem aviso prévio no bairro central de Zuqaq al-Blat, também na madrugada desta quarta, incendiou os andares superiores de um prédio, lançando densas colunas de fumaça no céu. Ambulâncias correram ao local para retirar e socorrer feridos. Já em Fathallah, na capital, membros do Hezbollah isolaram a rua onde outro edifício havia sido atingido. Carros esmagados e queimados estavam à beira da via, ao lado de pedaços de colchões, pneus de bicicleta e fragmentos de roupas.
— Fiquei com muito medo, aconteceu bem na nossa frente — disse Abu Hussein, 67, explicando que acordou durante a madrugada com o estrondo do ataque. — É diferente de lugar na rua, o perigo vem de repente, do céu. Beirute não é mais segura de jeito nenhum.
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A emissora al-Manar, afiliada ao Hezbollah, anunciou nesta quarta-feira que o diretor de seus programas políticos foi morto junto da esposa em um ataque israelense na capital. Em nota, o canal afirmou que “Mohammad Shari e sua esposa” morreram “no ataque sionista”. Os filhos e netos de Shari ficaram feridos e foram hospitalizados após a ofensiva, condenada pelo ministro da Informação do Líbano, Paul Marcos, como “uma flagrante violação do direito internacional”. O Hezbollah, por sua vez, descreveu o ataque como “deliberado”.
‘Combates intensificados’
Grande parte dos combates também foi concentrada na estratégica cidade montanhosa de Khiam, com o Exército Israel conduzindo uma campanha aérea e de artilharia contra membros do Hezbollah entrincheirados na cidade. Os confrontos se intensificaram após dias de enfrentamentos, com um porta-voz do grupo xiita reconhecendo “combates intensificados” nas periferias leste e norte da cidade. Ao mesmo tempo, tropas israelenses tentavam avançar sobre cidades fronteiriças nos setores central e oeste do sul do Líbano.
Ao jornal britânico The Guardian, um morador da vila fronteiriça de Aita al-Chaab afirmou que os combates eram intensos entre soldados israelenses e membros do Hezbollah no local. Uma fonte de segurança libanesa disse que a vila era uma entre “várias” cidades de fronteira que se tornaram palco de combates pesados, enquanto Israel tentava infiltrar o sul do Líbano por diversos pontos ao longo da fronteira compartilhada.
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Os confrontos ocorrem enquanto o Estado judeu concentra suas tropas ao longo da fronteira, mobilizando quatro brigadas e colunas de tanques antes da expansão da invasão terrestre. Em nota, o Exército de Israel afirmou ter iniciado uma “operação terrestre limitada” enquanto o escalão político discutia a ampliação da campanha. Nesse meio tempo, avaliam especialistas, os combates terrestres se concentram em eixos estratégicos, especialmente em Khiam, que pode determinar a capacidade do Hezbollah de resistir à invasão israelense.
— Khiam está situada em um planalto elevado com vista para o vale de Hula e ao longo de rotas-chave que levam a oeste, em direção à fronteira israelense — disse Ahmad Beydoun, especialista em investigação de conflitos armados com base em fontes abertas, ao Guardian, indicando que o controle da cidade cortaria as linhas de suprimento do Hezbollah no sul do país. — Controlar Khiam divide os setores central e oriental ao sul do Litani [rio], interrompendo a conexão com o Vale do Bekaa.
Ao mesmo tempo, Israel estaria explorando as colinas sob seu controle do lado israelense para bombardear o território libanês, enquanto seus soldados tentavam cercar os combatentes. O objetivo imediato da campanha militar, segundo ex-oficiais das Forças Armadas de Israel, é criar uma zona-tampão no sul do Líbano que afaste o Hezbollah da fronteira. O Estado judeu estaria criando “zonas seguras” na fronteira libanesa, onde moradores poderiam permanecer desde que se responsabilizassem por impedir a infiltração do Hezbollah.
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Um morador de Kafr Shouba, cuja casa fica na região fronteiriça, disse que, na noite de segunda-feira, forças israelenses invadiram sua residência e outras três casas na região. Ele afirmou ter sido encostado contra a parede por soldados enquanto eles procuravam por armas. Ao deixarem o local, disse, levaram um morador para interrogatório.
Se Israel conseguir empurrar o Hezbollah para longe do Litani, passará então a focar na presença do grupo ao norte do rio. A maior parte dos foguetes e drones disparados pelo Hezbollah contra Israel parte dessa região, enquanto seus combatentes ao sul concentram esforços em enfrentar soldados israelenses. No entanto, analistas alertam que a criação de uma zona-tampão no sul do Líbano exigiria uma ocupação de longo prazo, o que poderia reacender o apoio popular ao Hezbollah.
Não está claro como o grupo conseguiu preservar sua presença ao sul do Litani, apesar de mais de um ano de tentativas do Exército libanês de desarmá-lo, além de ataques quase diários de Israel contra combatentes e depósitos de armas. Apesar da pressão, o Hezbollah conseguiu manter uma resistência significativa na linha de frente do sul do Líbano, utilizando mísseis antitanque guiados, drones e artilharia.
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Em meio a escalada, aviões de guerra israelenses atingiram pontes sobre o rio Litani — que conecta o sul do Líbano ao restante do país — destruindo ao menos duas delas, segundo a mídia estatal libanesa. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou os ataques às pontes, enquanto o Exército israelense disse ter as construções como alvo para “impedir que o Hezbollah transfira combatentes e armas”. O órgão reiterou o alerta para que moradores deixem a área.
Vista como uma importante linha de referência diplomática, a região ao norte do rio Litani teve papel central nas operações de Israel no Líbano há 20 anos. Ao Wall Street Journal, Orna Mizrahi, pesquisadora do Instituto de Estudos de Segurança da Universidade de Tel Aviv, disse que esta representa a maior área de atuação do Exército israelense desde então. Ela relembrou que houve incursões na região em 2024, mas disse que “não houve uma manobra terrestre ali desde 2006”.
Situação ‘preocupante’
Diante da intensificação dos ataques israelenses e do aumento do deslocamento de civis em todo o país, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, convocou uma reunião de alto nível de segurança nesta quarta-feira. A Presidência informou que, no encontro, foram analisadas a situação de segurança em nível nacional, incluindo o aumento de vítimas e o deslocamento da população. Ao todo, segundo autoridades libanesas, ao menos 968 pessoas morreram, 2,4 mil ficaram feridas e mais de um milhão foram forçadas a deixar suas casas desde 2 de março.
Israel expande ordem de retirada no Líbano
Editoria de Arte/O Globo
Na terça-feira, segundo a al-Jazeera, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, apresentou condições para o fim da guerra, incluindo a interrupção dos ataques por Israel, o retorno dos deslocados às suas casas, a libertação de pessoas detidas por Israel nos últimos dois anos e a retirada do Exército israelense. Já nesta quarta, o enviado especial da França para o Líbano disse que seria “irracional” esperar que o governo libanês desarme o Hezbollah enquanto o país está sendo bombardeado por Israel, citando negociações como solução.
— Israel ocupou o Líbano por muito tempo e não conseguiu erradicar a capacidade militar do Hezbollah. Portanto, não pode agora pedir ao governo libanês que faça esse trabalho em três dias sob bombardeio — disse Jean-Yves Le Drian à rádio France Info.
A Espanha, por sua vez, condenou o apelo de Israel para que a população evacue todas as áreas no sul do Líbano ao sul do rio Zahrani, afirmando que a situação no país é “extremamente preocupante”. O chanceler alemão Friedrich Merz, aliado de Israel, também expressou preocupação crescente, advertindo que a ofensiva terrestre israelense no Líbano é um “erro” que pode agravar uma situação humanitária já considerada crítica.
A guerra no Líbano começou em 2 de março, quando o Hezbollah lançou mísseis contra Israel em apoio ao Irã no atual conflito regional. Israel respondeu com bombardeios e, em seguida, com o envio de tropas ao sul do Líbano. O Estado judeu afirma que tem como alvo não apenas combatentes e líderes do Hezbollah, mas também empresas que, segundo o país, estão ligadas ao grupo e ajudam a financiar suas operações militares. (Com AFP e New York Times)

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