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Um lobo de dois anos chamado Neukgu segue sumido há cerca de uma semana após escapar do zoológico O-World, em Daejeon, na Coreia do Sul, depois de cavar por baixo de uma cerca. Desde então, o animal é procurado por uma força-tarefa com mais de 300 pessoas, entre bombeiros, policiais e militares.
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Apesar da mobilização, as autoridades ainda não conseguiram capturá-lo. Um dia após a fuga, Neukgu foi identificado por câmeras térmicas como uma mancha em movimento nas proximidades do zoológico, mas o rastro foi perdido durante a troca de bateria de um drone usado na operação.
Na noite de segunda-feira, houve um novo possível avistamento após o corpo de bombeiros receber a informação de que o animal estava em uma montanha a cerca de 2 km do local de origem. Um vídeo que mostra o lobo correndo por uma estrada escura, iluminado por faróis, passou a circular nas redes sociais.
A partir dessas pistas, uma nova operação foi iniciada com drones militares e dezenas de policiais, mas, sempre que parecia próximo da captura, o animal voltava a desaparecer.
Relatos imprecisos e mobilização da população
O caso ganhou atenção nacional e mobilizou moradores, que passaram a enviar relatos de avistamentos às autoridades. Parte dessas informações, no entanto, se mostrou imprecisa. Crianças chegaram a confundir cães com o lobo, e um morador tentou colaborar levando um cão-lobo próprio, sem coordenação com as equipes oficiais.
Uma imagem que supostamente mostrava Neukgu também circulou amplamente e levou à ampliação das buscas, mas depois foi identificada como gerada por inteligência artificial.
O episódio reacendeu preocupações por causa de um caso anterior no mesmo local. Em 2018, um puma chamado Porongi, que também escapou do zoológico, foi morto a tiros pela polícia.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, afirmou: “Espero que não haja vítimas humanas e rezo para que Neukgu também volte para casa em segurança”.
Já o grupo Animal Freedom Solidarity declarou: “O local deste incidente é o mesmo O-World de onde Porongi escapou e foi morto em 2018” e acrescentou: “O mesmo acidente ocorreu novamente. Esperamos que Neukgu seja capturado com segurança sem repetir o destino de Porongi… a realidade de que a vida de um animal pode estar em risco devido a um acidente causado por má gestão e falhas estruturais da instalação é claramente injusta”.
Impacto cultural, econômico e incerteza sobre sobrevivência
O caso também teve repercussão cultural e econômica. Neukgu passou a ser descrito como “símbolo de independência” e “lobo que não quis permanecer enjaulado” por criadores de uma criptomoeda inspirada no animal. A chamada meme coin Neukgu registrou cerca de US$ 150.000 em volume de negociação nas últimas 24 horas.
Nascido em 2024, Neukgu integra um programa do zoológico voltado à restauração do lobo coreano, espécie considerada extinta na natureza. Um jornal americano descreveu o animal em 1916 como tendo “olhos penetrantes” e “agilidade extraordinária”, e relatou: “Ao atacar um homem, ele o seguirá por um tempo e ocasionalmente saltará sobre sua cabeça, buscando desestabilizá-lo e fazê-lo cair no chão, quando então atacará imediatamente e matará.”
Após a fuga, uma escola primária próxima foi fechada como medida preventiva. Ainda há incerteza sobre a capacidade de sobrevivência de Neukgu fora do cativeiro, já que não se sabe quanto de seus instintos selvagens foi preservado. Na natureza, lobos caçam animais com cascos, como cervos, vacas e porcos, e podem passar dias ou semanas sem se alimentar. A última refeição conhecida do animal foi duas galinhas, na noite anterior à fuga.
Como parte da estratégia de recaptura, o zoológico foi fechado ao público, e alto-falantes passaram a transmitir uivos de lobo e anúncios do parque, sons familiares ao animal.
Imagens divulgadas pelas autoridades mostram Neukgu deitado sobre folhas na floresta antes de se levantar e caminhar. A legenda do vídeo pede: “Por favor, desejem uma captura segura de Neukgu”.

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O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira a suspensão da operação militar americana de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz, após apenas um dia, numa tentativa de chegar a um acordo com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio. O chamado “Projeto Liberdade” de Trump, para ajudar os navios a deixarem o Estreito de Ormuz, a passagem do Golfo que o Irã assumiu o controle em resposta ao ataque dos EUA e de Israel, começou na segunda-feira.
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Mas o líder americano afirmou em sua rede social Truth Social que está suspendendo as negociações após um pedido do mediador Paquistão e de outros países, já que “grandes progressos foram feitos rumo a um acordo completo e definitivo” com Teerã.
“Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, o Projeto Liberdade (…) será suspenso por um curto período de tempo para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, disse Trump.
Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos numa tentativa de pressionar o Irã a chegar a um acordo para pôr fim à guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro. As tensões aumentaram após a operação em Ormuz, com os Estados Unidos alegando ter afundado sete embarcações iranianas, enquanto vários navios civis foram atacados, supostamente pelo Irã.
Mais cedo, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que o “Projeto Liberdade” é uma iniciativa temporária e defensiva, separada da Operação Fúria Épica — como foi batizada a ofensiva contra o Irã, em parceria com Israel.
— O Projeto Liberdade tem natureza defensiva, escopo focado e duração temporária, com uma única missão: proteger a navegação comercial inocente da agressão iraniana — afirmou Hegseth. — Forças americanas não vão precisar entrar em águas territoriais iranianas ou no espaço aéreo. Não é necessário. Não estamos buscando briga, mas o Irã também não pode ser autorizado a bloquear países inocentes e seus bens em águas internacionais.
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O início da operação na segunda-feira levou à maior escalada de tensões na região desde o início da trégua entre os dois países. O Irã confirmou ter feito disparos de alerta com mísseis, foguetes e drones contra navios de guerra americanos que desafiaram o bloqueio estabelecido por Ormuz, enquanto os EUA afirmaram ter afundado seis lanchas rápidas iranianas, que supostamente ameaçavam barcos mercantes. Ataques também voltaram a atingir a região, incluindo um porto e um navio dos Emirados Árabes Unidos.
A troca de hostilidades na véspera foi considerada “insuficiente” pelas autoridades americanas para ameaçar o cessar-fogo temporário. Ao lado de Hegseth, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou que desde a entrada em vigor da trégua, Teerã atacou as forças americanas mais de 10 vezes. Classificou, porém, as ações como “abaixo do limiar necessário para o reinício de grandes operações de combate neste momento”.
Hegseth, por sua vez, afirmou que as forças do país permanecem de prontidão, “carregados e com a mira travada”, para responder em caso de ameaça imediata. Ele também desaconselhou a liderança em Teerã a autorizar ataques em resposta à missão.
— Se vocês [Irã] atacarem tropas americanas ou embarcações comerciais inocentes, vocês vão enfrentar o poder de fogo esmagador e devastador americano.
Em entrevista coletiva, horas depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, repetiu o discurso de Hegseth, declarando que “esta não é uma operação ofensiva”, mas sim” uma operação defensiva”.
— O que isso significa é muito simples: não haverá disparos a menos que sejamos alvejados primeiro — disse Rubio. — Muitas nações, em privado e algumas publicamente, já pediram aos Estados Unidos que ajudem a libertar seus navios e a restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e nesta artéria crucial do comércio global.
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã
Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
Ele confirmou que, ao menos na visão da Casa Branca, a “Operação Furia Épica” chegou ao fim, uma manobra jurídica anunciada na semana passada por Trump antes do fim do prazo legal para que obtivesse o aval do Congresso para seguir com a mobilização militar no Oriente Médio.
— A operação terminou. A “Fúria Épica”, como o presidente notificou ao Congresso, nós concluímos essa etapa. Alcançamos os objetivos dessa operação — disse Rubio. — Agora estamos focados no “Projeto Liberdade”. O que isso pode acarretar no futuro é especulação.
No fim de semana, o presidente rejeitou uma proposta apresentada pelos iranianos, que, segundo detalhes obtidos pela rede al-Jazeera, oferecia o congelamento do programa nuclear por até 15 anos, mas exigia a liberação dos portos iranianos e navios de bandeira do país.
Controle de Ormuz
As lideranças do Pentágono apresentaram o início do Projeto Liberdade como uma prova de que o Irã não detém o controle de Ormuz, conforme alardeado pelas autoridades em Teerã. Duas embarcações mercantes americanas cruzaram a rota navegável na segunda-feira e, segundo Hegseth, centenas já estão à espera para seguir o mesmo caminho.
Em uma disputa de narrativas, autoridades iranianas afirmam que ainda mantêm capacidades e que o bloqueio naval permanece. A TV estatal iraniana afirmou nesta terça-feira que o controle sobre a região se “intensificou”, e que navios aguardavam a autorização das autoridades do país para seguirem pela passagem.
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Especialistas apontam que ainda há um impasse na região. Enquanto a Marinha do Irã foi duramente comprometida, minas navais ainda ameaçam a navegação civil na rota, que também fica ao alcance das capacidades iranianas — incluindo uma série de projéteis, que põem em risco sobretudo ativos civis. Embora os EUA aleguem ter iniciado uma operação de garantia de segurança, a percepção é de que parte dos obstáculos permanece.
— Uma operação naval e aérea realmente sofisticada teria que ser implementada de forma quase constante para fornecer proteção aos navios que transitam pelo estreito — afirmou o diretor de segurança marítima da consultoria Control Risks, Cormac McGarry, a um programa da cadeia britânica BBC, apontando que a circulação confirmada é uma fração mínima do tráfego normal. — A triste realidade para os americanos é que o Estreito de Ormuz é um pesadelo tático para eles.
No período anterior à guerra, cerca de 130 navios faziam a travessia diariamente.
Missão global
A instabilidade em Ormuz desde o início da guerra reacendeu um questionamento global sobre a rota naval e seu status legal. Teerã se apresenta como detentor do estreito, apresentando-o como uma questão de soberania. Nações ao redor do mundo afirmam que o país viola a lei marítima internacional ao bloquear a livre navegação conforme seus interesses.
Em Washington, Hegseth afirmou que embora os EUA estivessem assumindo a dianteira na iniciativa para liberar o tráfego de navios — o que apresentou como um “presente ao mundo”, embora a guerra tenha dado início a disrrupção atual —, outros países deveriam se apresentar para garantir a aplicação da lei internacional.
— Nós estamos estabilizando a situação para que o comércio possa ser retomado, mas nós esperamos que o mundo se apresente — disse o secretário. — No momento apropriado, e logo, nós entregaremos a responsabilidade de volta para vocês. (Com NYT e AFP)
Um ex-motorista de entregas que se declarou culpado pelo assassinato da menina Athena Strand, de 7 anos, foi condenado à morte por um júri nesta terça-feira (5), nos Estados Unidos. O caso ocorreu em 2022 no Texas. O julgamento de Tanner Lynn Horner, atualmente com 34 anos, teve início no mês passado, e ele se declarou culpado, em 7 de abril, por homicídio qualificado e sequestro agravado.
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Ele fez a declaração de culpa pouco antes do início do julgamento, que prosseguiu para que os jurados pudessem decidir entre prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, e pena de morte. O júri chegou ao veredito após cerca de 3 horas de deliberações, segundo o site People.
Tanner Horner, que trabalhava como entregador, admitiu ter sequestrado e matado a criança após realizar uma entrega na casa da família. Inicialmente, o motorista afirmou ter atropelado acidentalmente a menina, colocando-a dentro do veículo e decidindo matá-la para evitar que o caso fosse denunciado. Essa versão foi desmentida no curso da investigação.
A vítima foi estrangulada e teve o corpo abandonado próximo a um rio, que fica a cerca de dez quilômetros da casa de seu pai, segundo o advogado que representa a mãe da menina. O corpo da criança foi encontrado dois dias depois do relato de seu desaparecimento.
Instantes antes de a menina ser levada, Horner fez uma entrega na casa dela. No dia do sequestro ele entregou uma caixa de Barbies com a frase “Você pode ser tudo o que quiser”, que era um presente de Natal para Athena, lembra o jornal The New York Times.
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Em suas alegações finais nesta terça-feira, Steven Goble, advogado de Horner, disse ao júri que a promotoria deveria ter havaliado se seu cliente continuaria representando uma ameaça à sociedade para a decisão da pena. Ele sustentou que não houve apresentação de provas que sustentassem a decisão nesse sentido. Segundo Goble, o ex-motorista havia cooperado, levando os policiais até o corpo de Athena.
— Você não recebe pena de morte por mentir — disse o advogado, referindo-se à alegação inicial de Horner de que ele havia atropelado Athena com seu caminhão, destaca o New York Times. A defesa argumentou que o réu sofre de problemas mentais.
Durante o julgamento, a promotoria apresentou provas consideradas perturbadoras, incluindo imagens da criança ainda viva dentro da van, visivelmente assustada momentos antes da morte.
Os promotores também afirmam que há indícios de premeditação e possível violência sexual, com base em evidências de DNA e no comportamento do acusado antes do crime. Técnicos do Departamento de Segurança do Texas afirmaram que DNA masculino foi encontrado no corpo de Athena, enquanto sêmen e sangue também foram encontrados em várias peças de roupa pertencentes a Horner.
A Equal Employment Opportunity Commission (Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego) entrou com uma ação federal de direitos civis contra o The New York Times, acusando o veículo de adotar “práticas ilegais de emprego” e discriminar um funcionário branco que não obteve uma promoção disputada. O processo foi apresentado nesta terça-feira no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York.
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Segundo a ação, as “metas declaradas de representação baseadas em raça e sexo” do jornal “influenciaram a decisão de não avançar” a candidatura do funcionário para o cargo de editor adjunto de imóveis em 2025.
“O New York Times rejeita categoricamente as alegações politicamente motivadas apresentadas pela E.E.O.C. da administração Trump”, afirmou Danielle Rhoades Ha, porta-voz do jornal. “Nossas práticas de emprego são baseadas em mérito e focadas em recrutar e promover os melhores talentos do mundo. Vamos nos defender vigorosamente.”
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O processo é resultado de uma rápida escalada de uma investigação iniciada no ano passado, quando o funcionário apresentou uma queixa à comissão em Nova York. De acordo com a ação, o trabalhador, que não foi identificado, atuava como editor desde 2014 e se candidatou à vaga em 2025.
A denúncia cita relatórios recentes de diversidade e inclusão do jornal, incluindo um “Chamado à Ação” de 2021 que estabelecia metas para aumentar o número de funcionários negros e latinos. Segundo o documento, esses relatórios “detalhavam os esforços explícitos do NYT para tomar decisões de emprego com base em raça e sexo para alcançar seus objetivos demográficos desejados”. “Uma diminuição na porcentagem de homens brancos (seja entre novas contratações, funcionários atuais ou cargos de liderança, conforme apropriado) foi uma consequência necessária para que o NYT alcançasse esses resultados.”
A ação também menciona trocas de mensagens na plataforma Slack entre líderes da redação sobre tendências de diversidade nas contratações, além de comunicações internas relacionadas ao processo seletivo. Segundo a denúncia, o funcionário foi entrevistado, mas não avançou para a etapa de painel.
“Os quatro candidatos que avançaram para a fase de entrevista em painel correspondiam às características de raça e/ou sexo que o NYT buscava aumentar em sua liderança”, afirma o processo. Ainda de acordo com o texto, o grupo final era composto por “uma mulher branca, um homem negro, uma mulher asiática e uma mulher multirracial”. A denúncia sustenta que o funcionário branco era mais qualificado do que a pessoa escolhida.
A porta-voz do jornal afirmou que a investigação da comissão “se desviou de sua prática padrão”. “A alegação se concentra em uma única decisão de pessoal entre mais de 100 cargos de adjunto na redação, mas o processo da E.E.O.C. faz afirmações amplas que ignoram os fatos para se encaixar em uma narrativa predeterminada”, disse. “Nem raça nem gênero desempenharam papel nessa decisão — contratamos a candidata mais qualificada, e ela é uma excelente editora.”
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A E.E.O.C., responsável por aplicar as leis federais de direitos civis no ambiente de trabalho, tem atuado, sob a nova gestão do presidente Donald Trump, em casos alinhados às prioridades políticas do governo, incluindo questionamentos a programas de diversidade que, segundo seus dirigentes, podem discriminar homens brancos.
Após meses de investigação, a comissão iniciou em abril um processo de “conciliação”, descrito como uma mediação voluntária. Em 21 de abril, porém, interrompeu as negociações e encaminhou o caso para possível ação judicial. Segundo a denúncia, o jornal não apresentou uma solução aceitável.
O processo pede indenização, incluindo pagamento retroativo ao funcionário, e solicita que o New York Times deixe de “discriminar funcionários com base em raça ou sexo” e “elimine os efeitos de suas práticas ilegais de emprego, passadas e presentes”.
A ação ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra organizações que considera hostis, incluindo empresas de mídia. Na semana passada, reguladores determinaram a revisão de licenças de emissoras da ABC após investigação sobre políticas de diversidade da rede.
O governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação de direitos civis contra o Smith College para apurar se a admissão de estudantes transgênero viola leis federais antidiscriminação. A apuração foi anunciada pelo Departamento de Educação e marca a primeira vez que a política de admissões de uma faculdade feminina entra na mira da atual gestão.
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A investigação é conduzida pelo Escritório de Direitos Civis do Departamento e questiona se permitir a matrícula de mulheres trans — bem como o acesso a espaços exclusivos, como dormitórios, banheiros e vestiários — fere proteções legais destinadas a mulheres. Até então, as ações do governo vinham se concentrando principalmente em políticas ligadas à participação de atletas trans em esportes femininos e ao uso de banheiros.
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Em nota, a secretária assistente interina para direitos civis, Kimberly Richey, afirmou que “uma faculdade exclusivamente feminina perde seu significado se admitir homens biológicos” e que a presença dessas pessoas em espaços destinados a mulheres levanta preocupações sobre privacidade, equidade e conformidade com a legislação federal. “O governo Trump continuará a aplicar a lei e a restaurar o bom senso”, disse.
O Smith College, localizado em Northampton, Massachusetts, declarou que está ciente da investigação e reiterou seu compromisso com seus valores institucionais e com o cumprimento das leis de direitos civis.
A apuração foi aberta após uma denúncia apresentada pela Defending Education, grupo fundado em 2021 e ligado ao movimento de “direitos dos pais”, que tem pressionado por maior controle sobre políticas educacionais. Nos últimos meses, outras queixas da organização também motivaram investigações federais.
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Com cerca de 2.500 estudantes, o Smith College aceita estudantes transgênero desde 2015, assim como outras faculdades femininas de prestígio. A mudança ocorreu após um caso de 2013, quando uma candidata trans foi rejeitada porque sua identidade de gênero não correspondia aos documentos financeiros apresentados.
Desde então, a maioria das instituições desse tipo atualizou suas políticas para incluir pessoas trans. Uma exceção é o Sweet Briar College, que não admite estudantes trans e orienta transferências durante processos de transição.
Segundo dados da Society for Evidence-Based Gender Medicine, cerca de 4,7% dos estudantes universitários se identificam como transgênero.
A investigação faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra políticas de proteção a estudantes trans. Em 2025, a atual administração resolveu 30% menos denúncias de direitos civis em escolas em comparação com o ano anterior, durante o governo Joe Biden — a maior queda anual em pelo menos três décadas. Ao mesmo tempo, abriu mais de 40 investigações contra instituições educacionais que adotam medidas inclusivas.
O Departamento de Educação também tem revertido acordos firmados por gestões anteriores para proteger estudantes trans e moveu ações judiciais contra estados como Califórnia e Minnesota por permitirem a participação de atletas trans em competições escolares.
O capitão Johant “Pottie” Potgieter ficou conhecido nesta semana depois de descer içado por um cabo a partir de um helicóptero em um operação complexa para resgatar um crocodilo suspeito de ter devorado um empresário, em um rio na África do Sul. Embora a operação tenha sido bem sucedida e a equipe demostrar profissionalismo, a situação foi muito particular e envolveu muitas incertezas. O policial detalhou como foi o planejamento e o momento das buscas em entrevista ao site britânico BBC.
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— Esta foi definitivamente a primeira vez e espero que seja a última. Não há como se preparar para isso — afirmou ele, ressaltando que nunca havia feito nada parecido com esta operação.
O caso ocorreu às margens do rio Komati, uma região próxima ao Parque Nacional Kruger, após o desaparecimento do empresário, cujo veículo ficou preso enquanto ele tentava atravessar uma ponte baixa alagada na semana passada. Imagens da ação circulam nas redes sociais e mostram o momento em que o agente é descido por cordas até a água para alcançar o réptil.
Potgieter é comandante de uma unidade de mergulho da polícia e foi selecionado para buscar o animal. Ele contou que sua família ficou feliz em vê-lo retornar vivo, embora não soubessem o quão perigosa a operação havia sido até verem o vídeo online.
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O crocodilo suspeito de ter devorado o homem foi abatido pelos colegas do policial, antes que ele descesse até o ponto onde ele estava. No entanto, Potgieter contou que só quando se aproximou do animal, deve certeza de que ele já estava morto.
— Só então eu soube que estava 100% morto. Porque se não estivesse, com certeza teria me atacado — afirmou ele, sem esconder o medo e o frio na barriga para realizar a operação, e lembrando que o animal levou um tempo para morrer: — Ele virou de costas e eles pensaram que estava morto. Mas quando voltamos, ele já estava de volta ao lado direito e tinha nadado um pouco rio acima.
Outra dificuldade na operação era a presença de outros crocodilos no rio. No entanto, ele contou que o helicóptero afugentou os animais por conta do barulho e do vento que a hélice fez no momento, o que o tranquilizou.
— Quando eu estava pendurado lá, não havia como me comunicar com o piloto. Então, independentemente de eu mudar de ideia e decidir não fazer aquilo, não havia como isso acontecer. Eu tinha que seguir o plano e fazer como havíamos planejado. Caso contrário, as coisas teriam dado errado — completou.
Segundo a imprensa local, quando os policiais chegaram à área, encontraram apenas o carro vazio. A principal hipótese inicial era de que o homem tivesse sido arrastado pela forte correnteza ao tentar deixar o automóvel.
Diante disso, a polícia mobilizou mergulhadores, helicópteros e drones para uma ampla operação de busca. Restos mortais foram encontrados dentro do animal, que tinha 4,5 metros de comprimento e 500 kg. Agora, testes de DNA serão realizados para confirmar a identidade da vítima. O homem tentava atravessa o rio Komati com o carro, que ficou preso, na semana passada. Quando a polícia chegou ao local, o carro estava vazio, o que levou à suspeita de que ele havia sido levado pela correnteza. O comportamento do animal fez com que a polícia suspeitasse de que ele que havia devorado o homem.
— Temos muita empatia pelas famílias das vítimas. Elas estão sofrendo a perda de um ente querido. Nunca é fácil perder alguém que amamos e é ainda pior quando não sabemos onde essa pessoa está ou o que aconteceu com ela. Então, essa é uma das nossas principais motivações: dar a essas famílias um desfecho para que possam seguir em frente com suas vidas — ressaltou o capitão Potgieter, que foi elogiado pela bravura.
Um caso de briga entra passageiros chamou a atenção nesta terça-feira (5). Duas mulheres discutiram sobre o espaço que estavam ocupando para as bagagens de mão em um voo que cruzou a Rússia, da cidade de Kazan, no sudoeste do país, para Novosibirsk, na Sibéria, extremo leste. Segundo o portal britânico The Sun, a briga aconteceu logo após o embarque dos passageiros em um voo de três horas na classe econômica.
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Um homem teria acusado uma mulher de ocupar espaço demais com a sua bagagem de mão, até que ele jogou a mala dela para fora do compartimento, o que desencadeou a briga na aeronave.
“Outra mulher então interveio ao lado do homem e deu um soco no queixo da oponente”, afirmaram testemunhas ouvidas pelo site.
Passageiros brigam e trocam agressões em voo na Rússia
Reprodução/Telegram
Depois do soco certeiro, a briga escalou, quando a mulher atingida revidou e segurou a outra pelos cabelo, momento em que um homem tenta separar a briga. Durante todo o momento, dois comissários de bordo acompanharam o momento e tentaram retirar os passageiros.
Ainda segundo o site, a equipe de solo e a polícia foram obrigadas a intervir. No entanto, a publicação não informou quantas pessoas realmente precisaram ser retiradas do voo. Já o site russo Mash Siberia, que publicou as imagens no Telegram, afirmou que duas pessoas foram retiradas da aeronave e que os demais passageiros fizeram a viagem em segurança.

O Brasil dispõe dos instrumentos jurídicos necessários para controlar as riquezas minerais, mas falha ao não transformá-los em desenvolvimento industrial. A opinião é da especialista em justiça e direito climático Luciana Bauer.

Ex-juíza federal e fundadora do Instituto Jusclima, Luciana considera que a falta de um plano estratégico, com metas de longo prazo que estimulem o desenvolvimento tecnológico e industrial brasileiro, impede que o Brasil aproveite todo o seu potencial geológico.

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Para a especialista, o que ela classifica como um “vazio estratégico” ameaça inclusive a soberania nacional. Sobretudo em um contexto no qual potências globais como a China e os Estados Unidos disputam o controle das jazidas de minerais críticos e terras raras – insumos indispensáveis para as indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e para a concretização da transição energética.

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“O Brasil já conta com um ordenamento jurídico, principalmente o texto constitucional, que estabelece sua soberania sobre o subsolo e as commodities minerais”, afirmou Luciana à Agência Brasil.

“O que precisamos é pegar os princípios constitucionais basilares e densificar [especificar] isto em estratégias de como usar não só as terras raras e os minerais críticos, mas todos os recursos minerais de que dispomos para beneficiar a população” acrescentou, referindo-se a fundamentos constitucionais como o de que os recursos minerais pertencem à União e só podem ser explorados com autorização desta, de acordo com o interesse nacional.

“Só possuir recursos minerais não assegura vantagem estratégica”, alerta a especialista, repetindo uma das conclusões do estudo que elaborou com o cientista político Pedro Costa, a pedido da Rede Soberania, coletivo formado por representantes de organizações sociais do campo progressista, comunicadores populares, ambientalistas e militantes sociais.

A partir das conclusões de Luciana e Costa, a Rede Soberania elencou um conjunto de recomendações que apresentou ao deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator do Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Como Jardim apresentou o parecer sobre a proposta nesta segunda-feira (4), a expectativa é que o relatório seja lido e votado em plenário ainda nesta terça-feira (5).

Segundo o relator, o parecer leva em conta sugestões apresentadas por entidades, órgãos e especialistas do setor de mineração, da indústria e do Poder Público. E busca garantir que o Brasil aproveite as reservas de minerais estratégicos para desenvolver uma cadeia industrial interna, de produtos com valor agregado.

“Não é apenas sobre extrair recursos. É sobre decidir qual papel o Brasil quer ocupar nessa nova economia: ser fornecedor de matéria-prima ou protagonista na geração de valor, tecnologia e desenvolvimento”, acrescentou o deputado.

Para Luciana, o projeto de lei, conforme referendado pelo relator, tem aspectos positivos, mas é um “marco regulatório mínimo” que, se aprovado na Câmara dos Deputados, precisará ser mais debatido e aperfeiçoado no Senado, onde será apreciado na sequência. Sem prejuízo de futuros aprimoramentos.

“[O PL nº 2.780/2024] é bom para esta fase [dos debates]. Porque institui o modelo híbrido que defendemos [afastando a hipótese de criar, por ora, uma estatal para o setor], mas ele ainda fica devendo a densificação dos princípios constitucionais que trariam a necessária segurança territorial e da exploração dos recursos”, argumentou Luciana, alegando que, a seu ver, o projeto ainda deixa a desejar em termos de planejamento estratégico e de medidas práticas para a defesa da soberania nacional sobre os recursos minerais.

Propostas

Segundo a Rede Soberania, as propostas elaboradas a partir do estudo encomendado a Luciana e Costa e apresentadas a Jardim reforçam não só importância da soberania nacional, mas também da proteção ao meio ambiente e ao regime democrático brasileiro.

A exemplo dos autores do estudo, a entidade defende o “modelo híbrido de gestão” dos recursos minerais estratégicos, por entender que, neste campo, o elemento decisivo não é a posse dos recursos em si, mas o controle das cadeias de valor (refino, processamento e aplicação tecnológica).

“No modelo híbrido, não é [determinante] criar uma empresa estatal de exploração, com monopólio, a exemplo da Petrobras. O país pode até criá-la, mas permite que atores privados atuem”, explicou a proposta Luciana. Segundo ela, este é o modelo chinês, que articula coordenação e controle regulatório estatal à atuação particular, incluindo de várias pequenas mineradoras.

“É uma falácia dizer que só grandes players [grupos empresariais] vão fazer mineração de terras raras e minerais críticos. Um argumento desmentido pelas várias pequenas mineradoras que atuam na China, na Austrália e no Canadá, por exemplo”, complementou Luciana.

A Rede Soberania também sugere que a União adote uma política de estoques estratégicos; condicionantes para a exportação de minério bruto ou concentrado; obrigatoriedade da consulta a comunidades indígenas e tradicionais, entre outras recomendações.

Entenda

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, só cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

Conhecidos pelo potencial para impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), os minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países, importantes por serem imprescindíveis para produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Já os chamados elementos terras raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que a prisão do brasileiro Thiago Ávila é uma “ação injustificável do governo de Israel”. A justiça do país decidiu prolongar até domingo a detenção de Ávila e do ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek, presos após participarem de uma flotilha que tentava chegar à Faixa de Gaza.
Os dois são acusados pelas autoridades israelenses de ligação com o Hamas — o que negam —, enquanto Brasil e Espanha pedem a libertação imediata e contestam a legalidade da detenção.
“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha “Global Sumud”, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu Lula nas redes sociais.
O presidente ressaltou que a detenção de ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional.
“Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”.
A decisão pela detenção foi tomada por um tribunal na cidade de Ashkelon, a cerca de 60 km de Tel Aviv. Esta foi a segunda vez que os ativistas compareceram à Justiça desde que foram levados ao país. Segundo um jornalista da AFP presente à audiência, ambos chegaram ao tribunal com os pés algemados.
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram detidos na semana passada após serem interceptados em alto-mar, nas proximidades da Grécia, enquanto estavam a bordo da flotilha Global Sumud. A embarcação fazia parte de uma mobilização internacional que pretendia romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.
“O tribunal aprovou a detenção deles até a manhã de domingo”, afirmou à AFP Miriam Azem, coordenadora internacional da ONG israelense Adalah, que acompanha o caso.
No domingo anterior, a Justiça israelense já havia autorizado uma primeira prorrogação da prisão preventiva por dois dias. Desde então, a ONG Adalah afirma ter tido acesso aos ativistas e denunciou supostos “maus-tratos” durante a detenção — acusações que foram negadas pelas autoridades de Israel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (5), que a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila em Israel é injustificável.

No dia 30 de abril, ele foi preso a bordo da Flotilha Global Sumud, com destino à Faixa de Gaza, que foi interceptada pelas forças israelenses em águas internacionais perto da Grécia.

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Além de Ávila, o ativista espanhol Saif Abu Keshek também foi detido e levado para Israel, enquanto mais de 100 outros ativistas pró-palestinos, a bordo de cerca de 20 barcos, foram levados para a ilha grega de Creta.

“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos. A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional”, escreveu Lula em publicação nas redes sociais.

“Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”, acrescentou o presidente.

A prisão preventiva de Ávila e de Abu Keshek foi prorrogada até esta terça-feira.

Os ativistas faziam parte de uma segunda flotilha da Global Sumud, lançada em uma tentativa de romper o bloqueio israelense a Gaza por meio da entrega de assistência humanitária. Os navios haviam zarpado de Barcelona em 12 de abril.

As autoridades israelenses justificaram a prisão por suspeita de crimes que incluem assistência ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro, associação e prestação de serviços a uma organização terrorista e transferência de propriedade para uma organização terrorista.

Em outubro do ano passado, os militares israelenses já haviam abordado uma flotilha da organização e prenderam mais de 450 participantes, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.

A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), ligada à ONU, alertou para uma crise humanitária “sem precedentes” devido à permanência de cerca de 20 mil marinheiros no Golfo Pérsico, presos em embarcações desde o início da escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro. Com o tráfego praticamente paralisado no Estreito de Ormuz, as tripulações seguem sem previsão de retorno para casa, muitas sem acesso regular a água potável e, em alguns casos, sem receber salários há meses, segundo a rede CNN.
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Sem poder atracar em portos iranianos, considerados áreas de risco, e diante de restrições logísticas e de visto nos países árabes vizinhos, milhares de trabalhadores do mar — muitos vindos de nações em desenvolvimento — ficaram encurralados em alto-mar. A principal rota de saída, o Estreito de Ormuz, permanece praticamente fechada.
— Temos cerca de 20 mil marinheiros no Golfo há quase oito semanas. É uma crise humanitária. Nunca enfrentamos algo assim — afirma Damien Chevallier, diretor de segurança marítima da IMO. — É uma situação sem precedentes.
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No domingo, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma operação, batizada de “Projeto Liberdade”, para guiar as embarcações presas para fora da região. Segundo ele, a medida tem caráter “humanitário” e busca ajudar embarcações bloqueadas que enfrentam escassez de alimentos e suprimentos essenciais. A operação prevê o uso de destróieres com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e cerca de 15 mil militares, de acordo com o Comando Central dos EUA. No entanto, até o momento, milhares de marinheiros e centenas de embarcações permanecem presas no estreito.
O bloqueio da passagem é resultado de medidas conflitantes adotadas pelo Irã e pelos EUA. De um lado, a República Islâmica passou a restringir a navegação, permitindo a passagem apenas de embarcações de países considerados “amigáveis” mediante pagamento de taxas. De outro, o governo Trump impôs um bloqueio naval e ameaça sancionar empresas que aceitem essas condições.
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O impasse reduziu drasticamente o fluxo no estreito, de mais de cem navios por dia, em condições normais, para apenas algumas embarcações. Centenas de navios agora tentam deixar a região.
— Entre 800 e 1.000 embarcações gostariam de atravessar o Estreito de Ormuz para evacuar a área — diz Chevallier.
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Enquanto isso, as condições a bordo se deterioram. Relatos de tripulações apontam escassez de alimentos e água potável, além de jornadas prolongadas sem perspectiva de substituição.
O caso do petroleiro Auroura ilustra a gravidade da situação. Vinculado à chamada “frota fantasma” iraniana, o navio permaneceu semanas parado após o início da guerra. Tripulantes indianos relataram ter sido pressionados pelo armador a seguir viagem até o Irã para carregar petróleo, apesar dos riscos.
— A tripulação enfrenta escassez de suprimentos básicos. Eles querem voltar para casa — afirma Manoj Yadav, representante sindical.
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Segundo a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), casos como esse se repetem em toda a região.
— Não é apenas repatriação, é abandono — destaca Mohamed Arrachedi, da entidade. — Alguns marinheiros não recebem há meses.
Além das dificuldades materiais, há denúncias de intimidação por parte de armadores, que ameaçam reter salários ou impor punições a trabalhadores que se recusam a navegar em áreas de risco.
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Em alguns casos, o perigo já se concretizou. Desde o início do conflito, ao menos 10 marinheiros morreram em ataques a embarcações, segundo a IMO. Tripulantes relatam dormir vestidos, prontos para evacuar em caso de emergência.
O Auroura chegou a ser atingido por drones enquanto estava ancorado próximo aos Emirados Árabes Unidos. Imagens mostram danos à embarcação e a destruição parcial de equipamentos de segurança.
— De repente houve uma explosão. Depois, vimos destroços espalhados — conta um tripulante.
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Após semanas no mar, parte da tripulação conseguiu deixar o navio em Omã, onde foi substituída. Mas, para muitos, a saída ainda está distante.
Em outras embarcações, as condições são ainda mais precárias. Há relatos de tripulações reutilizando água de sistemas de ar-condicionado para lavar roupas e até preparar alimentos.
— Não conseguimos tomar banho. Estamos usando água dos drenos do ar-condicionado para sobreviver — diz o capitão Istique Alam, que trabalha na região.
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O sentimento entre os marinheiros é de abandono.
— Ninguém se importa conosco. O cessar-fogo não é para nós. É para as pessoas comuns — afirma Alam.
Embora acostumado a condições adversas, o capitão ressalta que o cenário atual é diferente.
— Não sou um guerreiro. Sou um marinheiro. Não tenho medo do mar, tenho medo de mísseis — diz.

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