Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Uma adolescente de 17 anos foi presa após um acidente de trânsito que resultou na morte do próprio filho, de seis meses, em Fort Worth. O caso ocorreu na manhã de 7 de março, quando o bebê foi arremessado para fora do veículo durante a colisão, segundo a polícia local.
Quem é Kouri Richins, autora de livro sobre luto condenada por matar o marido
Turistas britânicos ficam feridos após balão atingir rede elétrica e cair em campo de futebol no México
De acordo com as autoridades, o acidente aconteceu no cruzamento das ruas Rock Island e Azle Avenue, pouco depois das 7h. Investigadores apontam que a motorista, identificada como Karla Lopez, teria desrespeitado um sinal de parada antes de atingir outro carro.
Bebê não estava preso à cadeirinha
O menino, Sebastian Reyes, não utilizava cinto de segurança no momento do impacto e sofreu ferimentos graves. Ele foi socorrido e levado ao Cook Children’s Medical Center, onde permaneceu internado na unidade de terapia intensiva pediátrica, mas não resistiu e morreu dois dias depois, conforme registros do Gabinete do Médico Legista do Condado de Tarrant.
Familiares relataram, em publicação nas redes sociais, que a criança sofreu lesões cerebrais, inchaço e hemorragia. Uma autópsia deve determinar a causa exata da morte.
Lopez foi atendida com ferimentos leves e, posteriormente, detida. Ela responde por lesão corporal culposa contra uma criança com resultado grave e foi liberada após pagamento de fiança de US$ 30 mil, segundo registros judiciais.
A promotoria ainda avalia se irá agravar as acusações, podendo enquadrar o caso como homicídio culposo ou homicídio por negligência criminosa. Se condenada, a adolescente pode enfrentar pena de até 20 anos de prisão, além de multa.
Não há informações sobre feridos no outro veículo envolvido. O acidente segue sob investigação.
Uma campanha de arrecadação foi criada para ajudar a família com os custos do funeral. Até a manhã desta terça-feira, mais de US$ 2,1 mil haviam sido doados, segundo os organizadores.

Veja outras postagens

Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo que suas defesas aéreas abateram diversos drones, que não resultaram em feridos. Os EAU, por sua vez, afirmaram que o Irã é responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico pegou fogo após ser atingido por drones de origem desconhecida, em um ataque que o ministério das Relações Exteriores do país classificou como “uma escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
Em atualização
Irã enviou resposta à proposta dos EUA por meio do Paquistão, segundo mídia estatal
Pelo menos 15 policiais morreram e outros três ficaram feridos após um grupo de militantes detonar um carro-bomba contra um posto de controle e, em seguida, abrir fogo contra agentes no noroeste do Paquistão, informaram autoridades neste domingo.
Flotilha: Israel deporta brasileiro Thiago Ávila e ativista espanhol detidos em em águas internacionais rumo a Gaza
Excursionistas mortos: Resgate encontra últimos corpos das última vítimas em erupção de vulcão na Indonésia
O ataque ocorreu durante a noite na área de Fateh Khel, em Bannu, na província de Khyber Pakhtunkhwa, região fronteiriça com o Afeganistão marcada por uma escalada recente de violência.
— Na noite passada, na área de Fateh Khel, em Bannu, um homem-bomba lançou um veículo carregado de explosivos contra um posto de controle policial, após o que vários militantes entraram no posto — disse à AFP Muhammad Sajjad Khan, funcionário da polícia de Bannu.
Segundo ele, 15 mortes foram confirmadas no ataque.
As autoridades afirmam que, após a explosão, homens armados invadiram o posto policial, abriram fogo e também usaram pequenos drones durante a ofensiva.
— Durante a ofensiva, os militantes usaram quadricópteros junto com armamento pesado — afirmou à AFP um alto funcionário administrativo de Bannu, sob condição de anonimato.
Segundo esse funcionário, mais de 100 militantes participaram da ação.
— Além disso, ao recuarem, os atacantes levaram agentes policiais e armas da delegacia — acrescentou.
O ataque é o mais recente episódio de uma série de ofensivas militantes em Khyber Pakhtunkhwa, que elevaram a tensão entre Islamabad e Cabul.
O governo talibã no Afeganistão nega acusações do Paquistão de que seu território sirva de abrigo para grupos armados. Ainda assim, nos últimos meses, a deterioração nas relações entre os dois países avançou para confrontos armados, incluindo bombardeios aéreos paquistaneses sobre cidades afegãs.

O chamado Projeto de Lei da Misoginia se transformou em alvo de uma ofensiva de desinformação nas redes sociais, coordenada por políticos de direita, segundo levantamento do Observatório Lupa. O estudo identificou narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos produzidos com inteligência artificial para atacar o PL aprovado pelo Senado em março deste ano.

Entre os dias 24 de março e 30 de abril de 2026, os pesquisadores coletaram mais de 289 mil publicações no X sobre o tema. Também foram analisados 6,3 mil posts no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads.

Notícias relacionadas:

A partir desse conjunto de dados, o observatório identificou “picos de desinformação, tendências narrativas e padrões de comportamento” nas plataformas digitais. O projeto em discussão no Congresso é o PL 896/2023, que define misoginia como “a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres”.

Caso seja aprovado pela Câmara sem alterações, o texto passará a incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), prevendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para práticas enquadradas como misóginas.

Segundo a Lupa, o principal pico de engajamento da campanha de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação da proposta no Senado, impulsionado por um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O parlamentar associou ao PL da Misoginia trechos de outro projeto de lei, o PL 4224/2024, da senadora Ana Paula Lobato, que tratava da Política Nacional de Combate à Misoginia, mas que não fazia parte do texto aprovado no Senado.

De acordo com o levantamento, a publicação alcançou ao menos 751 mil visualizações em apenas 24 horas. Posteriormente, o vídeo foi apagado e republicado sem o trecho relacionado ao outro projeto.

O estudo também aponta que uma das principais narrativas disseminadas nas redes foi a de que o projeto restringiria a liberdade de expressão e poderia ser utilizado para “perseguir a direita”.

Outra linha recorrente de desinformação afirmava que perguntar a uma mulher se ela estava com TPM poderia levar alguém à prisão.

“As publicações mais virais sobre o PL da Misoginia têm explorado, sobretudo, o medo como motor de engajamento”, afirma o relatório.

 Segundo os pesquisadores, conteúdos falsos sugeriam ainda que a proposta provocaria “demissões em massa” de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia. A pesquisa identificou o uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre supostas consequências da proposta. Um dos exemplos citados envolve publicações alegando que empresários teriam começado a demitir mulheres para evitar processos relacionados à futura legislação.

Entre os atores mais influentes na circulação desses conteúdos aparecem, além de Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), o comentarista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório destaca o crescimento de termos associados à cultura misógina “redpill”, que retrata o projeto como uma ameaça aos homens.

Também foram identificadas menções recorrentes a aplicativos de transporte, em tom irônico, sugerindo medo de acusações falsas em interações cotidianas.

Para os pesquisadores, as postagens ignoram um ponto central do projeto: a misoginia, no escopo da proposta, está relacionada a práticas discriminatórias que gerem “constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida” em razão do gênero.

“Ao ignorar esse contexto, as postagens distorcem o debate e ampliam a desinformação”, conclui o estudo.

As equipes de resgate da Indonésia recuperaram neste domingo os dois últimos corpos dos três excursionistas que morreram durante a erupção do vulcão Dukono, no leste do país, encerrando oficialmente as buscas na região.
O monte Dukono, localizado na ilha de Halmahera, nas Molucas, entrou em erupção na sexta-feira, provocando a morte de dois cidadãos de Singapura e de uma indonésia.
As vítimas faziam parte de um grupo de 20 pessoas acompanhado por um guia. Os outros 17 alpinistas, entre eles sete singapurenses, conseguiram ser evacuados sãos e salvos.
Os corpos dos dois excursionistas de Singapura foram localizados neste domingo perto da área onde, no sábado, os socorristas haviam recuperado os restos mortais da terceira vítima, informou Abdul Muhari, porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres.
Segundo ele, as operações de busca foram oficialmente encerradas.
Initial plugin text
A retirada dos corpos exigiu uma operação complexa. Eles estavam “sepultados sob materiais vulcânicos de espessura considerável”, explicou Muhari.
No sábado, socorristas já haviam informado que os dois corpos estavam entre 20 e 30 metros da borda da cratera.
O Dukono é um dos vulcões mais ativos da Indonésia e permanece no nível dois do sistema nacional de alerta vulcânico, que tem quatro níveis, desde 2008.
Desde dezembro de 2024, as autoridades mantêm uma zona de exclusão de quatro quilômetros ao redor da cratera.
Segundo a polícia, os excursionistas ignoraram avisos divulgados nas redes sociais e placas de advertência instaladas na entrada da trilha para mantê-los afastados da área de risco.
Pelo menos quatro trabalhadores ficaram presos após uma explosão em uma mina de carvão no centro da Colômbia, em mais um acidente grave em uma região marcada por recorrentes tragédias na atividade mineradora.
A explosão ocorreu no fim da tarde de sábado na mina Las Quintas, localizada no povoado de Pueblo Viejo, no município de Cucunubá, no departamento de Cundinamarca, cuja capital é Bogotá.
“Por enquanto, há o registro de quatro trabalhadores presos”, informou Jorge Emilio Rey, governador de Cundinamarca, na rede social X, por volta da meia-noite de sábado para domingo.
O escritório de Gestão de Risco de Cundinamarca também confirmou a emergência.
“Estamos atendendo a emergência”, informou o órgão, acrescentando que “preliminarmente há o registro de quatro pessoas presas”.
Segundo a imprensa local, os trabalhadores estariam a cerca de 500 metros de profundidade.
Região acumula tragédias em minas
Acidentes em minas são frequentes nessa área da Colômbia, muitas vezes associados à má ventilação nos túneis subterrâneos — problema comum sobretudo em explorações ilegais ou artesanais.
Há apenas uma semana, uma explosão em outra mina subterrânea de carvão, no município de Sutatausa, também em Cundinamarca, deixou nove mortos e seis sobreviventes resgatados.
Em fevereiro, outro acidente em uma mina ilegal de carvão em Guachetá, no mesmo município, matou seis trabalhadores.
Além das operações regularizadas, Cundinamarca também concentra minas sem licença, frequentemente alvo de denúncias por descumprimento de normas básicas de segurança.
Pallegama Hemarathana Thero, descrito como um dos monges budistas de mais alta hierarquia do Sri Lanka e uma das figuras religiosas mais reverenciadas do país, foi preso e colocado em prisão preventiva sob acusação de estupro e abuso sexual contra uma adolescente de 15 anos.
Guardião de oito locais sagrados no Sri Lanka, Hemarathana ocupa uma das posições de maior prestígio no budismo do país. Sua prisão representa um episódio raro e de grande repercussão em uma sociedade onde monges budistas exercem influência religiosa, social e política significativa.
A detenção ocorreu após uma representação da autoridade de proteção à criança do Sri Lanka, que criticou a polícia por não ter prendido anteriormente o religioso, apesar de ele já ter sido citado como suspeito no caso.
Segundo reportagem da BBC, Pallegama Hemarathana não comentou publicamente as acusações.
No momento da prisão, realizada no sábado, o monge recebia tratamento em um hospital privado em Colombo. Após audiência inicial, um magistrado determinou sua transferência para o hospital da prisão de Colombo e expediu uma ordem às autoridades de imigração para impedir qualquer tentativa de saída do país.
A mãe da suposta vítima também foi presa e colocada em custódia preventiva. Segundo o conteúdo, ela é acusada de auxiliar e facilitar o abuso.
Pallegama Hemarathana deverá comparecer ao tribunal em 12 de maio.
O caso provoca forte comoção no Sri Lanka não apenas pela gravidade das acusações, mas pelo peso simbólico da queda de uma autoridade religiosa de altíssima hierarquia em um país onde o budismo ocupa lugar central na vida pública.
Israel deportou neste domingo dois ativistas estrangeiros — o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek — que haviam sido detidos ao tentar chegar à Faixa de Gaza a bordo de uma flotilha humanitária com o objetivo de romper o bloqueio israelense ao território palestino.
Aliança em desgaste: Arábia Saudita barra operação de Trump no Estreito de Ormuz ao negar uso de bases e espaço aéreo
‘Conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, ativista de origem palestina com nacionalidade espanhola, estavam entre dezenas de participantes da chamada Flotilha Global Sumud, interceptada pelo Exército israelense em 30 de abril, em águas internacionais diante da costa da Grécia.
Os dois foram detidos pelas forças israelenses e levados a Israel para interrogatório. Os demais ativistas foram conduzidos à ilha grega de Creta, onde acabaram libertados.
“Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha da provocação, foram deportados hoje de Israel” após investigação, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel na rede X.
Israel “não permitirá nenhuma violação” do bloqueio sobre Gaza, acrescentou a chancelaria israelense.
Críticas à detenção
A prisão dos ativistas provocou reação internacional. Espanha, Brasil e Nações Unidas haviam pedido a libertação rápida da dupla.
Na quarta-feira, no entanto, um tribunal israelense rejeitou um recurso apresentado contra a detenção.
Após a deportação, a ONG israelense Adalah, que representou legalmente os dois ativistas, acusou Israel de agir de forma arbitrária.
“Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”, afirmou a organização.
“O uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, acrescentou.
Missão buscava romper bloqueio
A flotilha havia partido da França, da Espanha e da Itália com a proposta de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio imposto por Israel ao enclave palestino.
Não foi a primeira tentativa.
No ano passado, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud também foi interceptada por forças israelenses diante das costas do Egito e de Gaza.
Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, território submetido a bloqueio desde 2007.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a crise humanitária se agravou fortemente, com escassez severa de alimentos, medicamentos e combustíveis. Em alguns momentos do conflito, Israel interrompeu completamente a entrada de ajuda humanitária no território.
O último voo de repatriação para passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, afetado pelo surto de hantavírus, partirá na segunda-feira (11), anunciou a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, no porto de Granadilla, na ilha espanhola de Tenerife, onde o navio atracou.
“O último voo de todo o processo está previsto para amanhã, que é o voo da Austrália”, disse García em uma coletiva de imprensa no porto onde ocorrerá o desembarque dos mais de 100 passageiros e tripulantes do Hondius.
A ministra indicou que, após a operação de ancoragem do navio, que foi “um sucesso”, a equipe médica está avaliando os passageiros. “O que nos informaram é que todos os passageiros permanecem assintomáticos”, disse a ministra. O primeiro grupo a desembarcar é o dos quatorze cidadãos espanhóis, explicou ela.
Os passageiros desembarcarão do navio em barcos que os levarão ao porto, e de lá seguirão em ônibus seguros até o Aeroporto de Tenerife Sul, a 10 minutos de distância, diretamente para os aviões que os levarão de volta aos seus países de origem, sem passar por nenhum outro espaço fechado.
“O próximo país a ser evacuado será a Holanda, que receberá cidadãos da Alemanha, Bélgica, Grécia e parte da tripulação”, e então os diversos voos programados para hoje, domingo (11), começarão a partir, indicou ele.
Os voos seguirão para o Canadá, Turquia, França, Grã-Bretanha, Irlanda e Estados Unidos, antes do voo para a Austrália, que partirá na segunda-feira, acrescentou García.
Edith Eva Eger, psicóloga clínica e autora best-seller cujas experiências traumáticas como prisioneira em campos de concentração nazistas — incluindo ter sido forçada a dançar para Josef Mengele, o notório médico conhecido como o “Anjo da Morte” — permitiram que ela se identificasse com pacientes emocionalmente perturbados e os tratasse, morreu em em sua casa, em San Diego. Ela tinha 98 anos. Sua filha, Audrey Thompson, confirmou a morte.
Saiba mais: Líbano diz que ataque aéreo israelense no sul do país matou oito pessoas
Anitta: ‘Antigamente, eu não tinha dinheiro para nada, só investia no trabalho. Hoje, eu ganho dinheiro para poder ser feliz’
Eger tornou-se psicóloga já na casa dos 50 anos, depois de imigrar para Baltimore, trabalhar em uma fábrica de roupas, criar os filhos e voltar à faculdade. Sua recuperação emocional levou tempo: durante duas décadas após a guerra, ela não falou sobre as privações que sofreu nem sobre as atrocidades que testemunhou. As memórias enterradas assombravam seus pesadelos.
Ela aprendeu que precisava perdoar a si mesma por ter sobrevivido — algo que quase não aconteceu. Quando soldados americanos libertaram Gunskirchen, um subcampo de Mauthausen, na Áustria, em maio de 1945, ela estava quase imóvel em meio a uma pilha de cadáveres, pesando pouco mais de 30 quilos e sofrendo de pneumonia, febre tifoide e pleurisia.
— Eu os liberto — disse ela à Fundação Shoah da USC nos anos 1990, referindo-se a seus captores nazistas. — Não se trata de eu perdoá-los pelo que fizeram comigo. Acho que é principalmente libertar a mim mesma, para investir minha energia no futuro.
Um passo decisivo em sua capacidade de seguir em frente foi ler “Man’s Search for Meaning”, memórias de 1946 do psiquiatra austríaco e sobrevivente de campo de concentração Viktor Frankl. Ele escreveu sobre as escolhas feitas por alguns prisioneiros.
“Nós que vivemos em campos de concentração conseguimos nos lembrar dos homens que caminhavam pelos barracões confortando os outros, entregando seu último pedaço de pão”, escreveu ele. “Talvez fossem poucos, mas oferecem prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher sua atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho.”
Edith Eva Eger nos anos 1950, em El Paso
Acervo da família Eger/via The New York Times
Edith Eva Eger
Acervo da família Eger/via The New York Times
‘A liberdade é uma escolha’
Eger descrevia seu próprio estilo de terapia — para pacientes que incluíam pessoas com câncer e militares com transtorno de estresse pós-traumático e lesões cerebrais traumáticas — como uma escolha de encontrar liberdade em relação ao sofrimento, uma jornada psicológica em que compaixão, humor, otimismo, curiosidade e autoexpressão eram fundamentais.
“Essas são as ferramentas que meus pacientes usam para se libertar das expectativas impostas pelos papéis sociais, para serem pais gentis e amorosos consigo mesmos, para parar de transmitir crenças e comportamentos aprisionadores, para descobrir que o amor surge como resposta no fim”, escreveu ela em sua autobiografia, “The Choice: Embrace the Possible” (2017, com Esmé Schwall Weigand), best-seller de bolso do New York Times sobre o qual ela foi entrevistada por Oprah Winfrey. No Brasil, o livro ganhou o título “A liberdade é uma escolha: Lições práticas e inspiradoras para ajudar você a se libertar de suas prisões mentais”.
No livro, ela descreveu o tratamento de um garoto de 14 anos que fazia comentários preconceituosos. “Eu lutava contra a inclinação de apontar o dedo, cerrar o punho, fazê-lo sentir-se responsável por seu ódio — sem assumir responsabilidade pelo meu próprio”, escreveu ela. “Esse garoto não matou meus pais. Negar meu amor a ele não venceria seu preconceito.”
Entenda: Irã confirma presença na Copa do Mundo, mas faz 10 exigências aos anfitriões
Gradualmente, ao longo da primeira sessão entre eles, “ele já não falava mais sobre matar”, escreveu. “Ele me mostrou seu sorriso gentil. E eu assumi a responsabilidade de não perpetuar hostilidade e culpa, de não me curvar ao ódio e dizer: ‘Você é demais para mim.’”
A história de Edith
Edith Eva Eger nasceu Edith Eva Elefánt em 29 de setembro de 1927, em Kosice, Tchecoslováquia — atualmente parte da Eslováquia e anteriormente integrante do Império Austro-Húngaro. Seu pai, Lajos, era alfaiate e estilista de alta-costura, e sua mãe, Ilona (Klein) Elefánt, cuidava da casa.
A jovem Edith era bailarina e ginasta. À medida que o antissemitismo crescia na Hungria, ela foi expulsa da equipe húngara de treinamento olímpico por ser judia. (Os Jogos Olímpicos de Verão de 1940 e 1944 já haviam sido cancelados por causa da Segunda Guerra Mundial, mas ainda havia esperança de competir nos Jogos de 1948.)
Mas seu treinador insistiu para que ela treinasse sua substituta, o que ela fez, determinada a tornar a outra garota o melhor possível.
Logo depois de a Alemanha invadir a Hungria em março de 1944, a casa da família Elefánt foi invadida. Edith, sua irmã Magda e seus pais foram enviados para Auschwitz; Lajos e Ilona foram para as câmaras de gás no mesmo dia em que chegaram. A irmã de Edith, Klara, uma violinista prodígio ainda criança, sobreviveu à guerra escondida na casa de sua professora em Budapeste.
Naquela noite, depois que Josef Mengele soube que Edith era bailarina, exigiu que ela dançasse para ele. Enquanto se apresentava nos barracões ao som da valsa “Blue Danube”, tocada por uma orquestra de prisioneiros, ela imaginava estar se apresentando na casa de ópera de Budapeste, embora, como escreveu mais tarde, soubesse que estava “dançando no inferno”.
Como recompensa, Mengele jogou para ela um pão, que dividiu com a irmã e os outros prisioneiros. Ao longo do ano seguinte, ela, a irmã e outros prisioneiros deixaram Auschwitz foram forçados a viajar sobre vagões de trem usando vestidos listrados para desencorajar bombardeios aliados e trabalharam em fábricas. Depois de algum tempo em Mauthausen, foram obrigados a marchar 27 milhas até Gunskirchen, libertado pelo Exército dos EUA no início de maio de 1945.
Durante sua recuperação, Eger conheceu Albert Bela Eger, combatente da resistência cuja família possuía um negócio atacadista de alimentos em um hospital para tuberculose. (Ele tinha a infecção; ela sofria com líquido nos pulmões.)
Eles se casaram em novembro de 1946; a primeira filha do casal, Marianne, nasceu no ano seguinte. A família imigrou para os Estados Unidos em 1949, vivendo primeiro em Baltimore e depois em El Paso, onde morava um primo dele.
A psicologia
Albert tornou-se contador público certificado. Edith acabou retornando à faculdade, obtendo um diploma de bacharel em 1969 e um mestrado em 1974, ambos em psicologia, pela University of Texas at El Paso, além de ter lecionado psicologia no ensino médio por alguns anos.
Saiba mais: Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita
Ela treinou no departamento de psiquiatria do William Beaumont Army Medical Center, em El Paso, localizado nas instalações de Fort Bliss, e obteve seu doutorado em psicologia clínica pela Saybrook University, em Oakland, Califórnia, em 1978. Atendeu pacientes em consultório particular em El Paso antes de se mudar para San Diego em 1987.
Ela estudou psicologia porque “gostava de conversar com as pessoas sobre suas vidas emocionais”, disse sua filha Marianne Engle, psicóloga clínica e esportiva, em entrevista:
— Ela queria que você conversasse com ela para poder descobrir algo em si mesmo que ainda não tinha percebido.
Edith e Esmé Schwall Weigand também escreveram “The Gift: 14 Lessons to Save Your Life” (2020) e “The Ballerina of Auschwitz” (2024), uma versão para jovens adultos de “The Choice: Embrace the Possible”.
Além das filhas, Engle e Audrey Thompson, Eger também deixa um filho, John; cinco netos; e 12 bisnetos. Albert, de quem Edith se divorciou em 1969 e com quem voltou a se casar em 1971, morreu em 1993. Um breve casamento com Mort Winski terminou com a morte dele, em 2003.
O retorno à Auschwitz
Em 1981, Edith foi convidada para falar a um grupo de 600 capelães do Exército em um local que havia sido ponto de encontro de oficiais da SS em Berchtesgaden, refúgio de Hitler nos Alpes da Baviera.
Ela já havia falado para públicos militares antes, mas aquilo era diferente. Perguntava-se se a viagem desencadearia flashbacks. Depois de inicialmente decidir que não queria ir, seu então marido lhe disse:
— Se você não for para a Alemanha, então Hitler venceu a guerra.
Ela fez a viagem — durante a qual ela e o marido dormiram em um quarto que havia sido destinado a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler — e depois seguiu para Auschwitz.
— Ela estava caminhando por lá e viu um homem de uniforme, então começou a entrar em pânico — disse a filha Engle. — Então percebeu que estava com uma bolsa Prada e um passaporte americano, e que era livre para ir embora, enquanto o homem que trabalhava ali não podia. Meu pai dizia que o mais incrível é que ela saiu de Auschwitz chutando e dançando. Ela estava feliz.
Ela acrescentou:
— Minha mãe era linda, mas sempre havia tristeza em seus olhos. Quando voltou dessa viagem, toda a tristeza tinha desaparecido.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress