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— A situação está tensa e emocional, e as pessoas estão sofrendo — disse o bispo Dwayne Royster, diretor executivo da organização Faith in Action, que ajudou nos esforços de organização.
Os moradores de Minnesota, disse ele, estão demonstrando “uma resiliência profunda e uma disposição para se unirem de maneiras que eu não via há muito tempo”. O dia da greve, que incluiu manifestações ao ar livre, amanheceu com grande parte da região do Meio-Oeste, incluindo todo o estado de Minnesota, sob um alerta de frio extremo emitido pelo Serviço Nacional de Meteorologia. O frio era particularmente intenso em Minneapolis, com temperaturas previstas para até -20°C durante boa parte do dia, e sensação térmica ainda mais baixa. Mas isso não parou os manifestantes, que marcharam em um protesto no centro da cidade, apesar das temperaturas congelantes.
Além disso, centenas de pessoas também protestaram no Aeroporto de Minneapolis-St. Paul, algumas vindas de tão longe quanto Nova York, entrando e saindo de um dos terminais, tentando se aquecer. Segundo a rede americana CNN, “várias pessoas” foram detidas, citando a polícia aeroportuária, mas sem especificar quantas. Também há relatos de detenções no centro da cidade, ainda sem números oficiais.
A notícia da greve e dos protestos se espalhou “como fogo em palha seca”, disse Jake Anderson, membro do conselho executivo da Federação de Educadores de St. Paul, um sindicato que representa professores e profissionais de apoio à educação.
— Há um momento certo para defender nossas convicções, e este é o momento — disse Alison Kirwin, proprietária do Al’s Breakfast, um restaurante em Minneapolis que fechou na sexta-feira. — Se isso significar perder um dia de renda, já vale a pena.
A greve ocorre em meio a semanas de confrontos entre moradores de Minnesota e agentes federais, principalmente nas áreas de Minneapolis e St. Paul. A operação de imigração, iniciada no final do ano passado com a mobilização de mais de 3 mil agentes, resultou em cerca de 3 mil prisões, pelo menos dois tiroteios em Minneapolis e cenas caóticas nas ruas.
Manifestantes protestam em Minneapolis, em dia marcado por atos e greve geral contra operações de fiscalização da imigração
Stephen Maturen / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
‘Falta de cooperação’
Nas últimas semanas, cresceram os apelos pela expulsão de agentes federais por parte de moradores e autoridades locais, especialmente após um agente do ICE ter matado a tiros Good, cidadã americana, em Minneapolis, no dia 7 de janeiro. Manifestantes e autoridades estaduais também entraram com ações judiciais para restringir a conduta dos agentes em relação aos manifestantes e para impedir o aumento do número de agentes de imigração no estado.
Mas as autoridades federais afirmaram que a repressão é necessária para erradicar a fraude no sistema de assistência social do estado e defenderam as ações do agente do ICE que matou Good. O policial que disparou o tiro, Jonathan Ross, não foi suspenso nem acusado de qualquer crime.
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Na quinta-feira, o vice-presidente JD Vance afirmou que o governo Trump queria “acalmar os ânimos” em Minneapolis após semanas de confrontos. Vance, que disse ter viajado à cidade para entender as tensões, chamou os manifestantes de Minneapolis de “agitadores de extrema esquerda” que haviam assediado agentes federais.
Vance também confirmou que Liam Conejo Ramos, de 5 anos, foi detido em uma dessas operações do ICE, mas afirmou que os agentes tentaram protegê-lo depois que o pai do menino “fugiu” durante a ação.
— O que acham que deveria acontecer? Deveriam deixar um menino de cinco anos morrendo de frio? — questionou Vance, acrescentando que “a falta de cooperação” das autoridades locais dificulta os esforços do ICE e aumenta as tensões.
Liam Conejo Ramos, de 5 anos, foi detido por um agente do ICE em Minneapolis, Minnesota
Divulgação / Escolas Públicas de Columbia Heights / AFP
Em um e-mail enviado na quinta-feira, um funcionário do Departamento de Segurança Interna classificou a greve como “completamente insana”, questionando: “Por que esses chefes sindicais não querem essas ameaças à segurança pública fora de suas comunidades?” O funcionário então incluiu uma lista de imigrantes sem documentos que aparentemente haviam sido condenados por crimes graves.
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‘Não podemos ficar de braços cruzados’
Minnesota é um polo para sedes corporativas, com 17 empresas da lista Fortune 500 sediadas no estado. Mas essas organizações não se pronunciaram publicamente sobre a atividade federal de imigração, e nenhum dos 15 maiores empregadores de Minnesota, incluindo Target, UnitedHealth Group e Xcel Energy, respondeu aos pedidos de comentários na quinta-feira.
Ainda assim, a sexta-feira pode ter sido a maior manifestação operária da História do estado, afirmou Christa Sarrack, presidente de um sindicato que representa cerca de 6 mil trabalhadores do setor de hotelaria e alimentação de Minnesota. Sarrack disse que alguns dos empregadores dos membros do sindicato decidiram fechar as portas, enquanto outros permitiram que os funcionários não comparecessem ao trabalho.
Ativista é preso durante protesto “ICE fora de Minnesota” em Minneapolis, após tentativa de bloqueio de rua,
ROBERTO SCHMIDT / AFP
— Não podemos simplesmente ficar de braços cruzados e deixar isso continuar — disse Sarrack. — Precisamos usar todas as ferramentas que temos para lutar contra isso.
Mas nem todos os empregadores aderiram à greve. Para alguns, a decisão de participar ou não não foi fácil, pois simplesmente não podem se dar ao luxo de perder um dia de faturamento.
Andrew Schoenzeit, proprietário da Zipps Liquors em Minneapolis, disse que seu estabelecimento permaneceria aberto na sexta-feira. Ele afirmou, porém, que apoiava a greve e não tinha problemas com o único funcionário que, segundo ele, pediu folga para participar do protesto.
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Mike Logan, presidente da Câmara de Comércio Regional de Minneapolis, disse que também apoiava o fechamento de empresas em protesto, mas não as incentivaria a fazê-lo.
— A última coisa que precisamos é de uma desaceleração do comércio — afirmou.
Para alguns líderes de sindicatos locais e estaduais, a decisão de incentivar ou não seus membros a participar da greve geral foi difícil, pois ela não estava organizada de acordo com as leis estaduais e federais sobre greves e não era considerada um “dia de paralisação” oficial. Mas a pressão pelo boicote se espalhou tanto que se tornou difícil ignorá-la.
Chris Rubesch, presidente da Associação de Enfermeiros de Minnesota, um sindicato que representa mais de 22 mil enfermeiros e outros profissionais de saúde em todo o estado, disse que ele e outros líderes estavam desencorajando seus membros a faltarem ao trabalho devido às cláusulas de “não greve” em seu contrato. Mas ele afirmou que o sindicato estava incentivando os membros a participarem de outras maneiras, inclusive abstendo-se de qualquer atividade econômica.
Anderson, membro do conselho da Federação de Educadores de St. Paul, disse que seu sindicato aderiu ao dia de ação após muito debate e enviou cartas aos membros pedindo-lhes que “decidam o que esse chamado à ação significa para eles”.
— Decidimos que era hora de tomar uma posição — disse. — Era hora de declarar com ousadia que basta. Não vamos mais tolerar isso.
Com agências internacionais.









