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Uma investigação foi aberta depois que vídeos das chamadas “punições” aplicadas aos novos aviadores passaram a circular, no ano passado, em um grupo de WhatsApp do regimento. As imagens mostraram recrutas sendo arrancados de seus alojamentos durante a noite, arrastados até uma sala escura e submetidos a um encenação descrita no tribunal como um “tribunal de fachada”.
Ritual exposto em vídeos
Segundo o relato apresentado ao Tribunal Militar de Catterick, no norte da Inglaterra, cantos gregorianos e uma chamada islâmica para a oração eram reproduzidos em alto volume enquanto os jovens eram informados de que estavam sendo julgados por um “conselho” formado por cinco aviadores mais antigos. Um dos recrutas implorou para que o ritual fosse interrompido, mas teve as mãos chicoteadas com faixas de borracha de resistência.
Ainda de acordo com o The Telegraph, um dos condenados colocou uma faixa em volta do pescoço de um recruta e o conduziu como um cachorro. As vítimas também foram obrigadas a rastejar pelo chão, ajoelhar-se diante dos superiores e cantar músicas infantis, incluindo “Baby Shark”, acompanhando gestos. Houve ainda relatos de recrutas forçados a se curvar, andar como um macaco e receber golpes com um cinto. Uma das vítimas afirmou que o episódio a deixou “mais reclusa” e a fez questionar sua confiança na RAF e no próprio regimento.
O juiz-advogado-geral adjunto Edward Legard condenou Byron Coy, de 20 anos, Corey Cross, de 19, e Connor McCulloch, de 23, a 18 semanas de prisão por conduta vergonhosa de natureza cruel. Tomos Windridge, de 20, e Alfie Holcombe, de 23, receberam penas de seis semanas por conduta prejudicial à boa ordem e à disciplina militar; Holcombe também foi condenado a duas semanas adicionais por agressão. Apesar das sentenças, os cinco foram informados de que poderão continuar servindo na RAF após o cumprimento das penas.
O caso reacende questionamentos sobre a segurança na base de Honington e ocorre quatro anos depois de outro episódio grave no mesmo local, quando um recruta foi filmado sendo despido e agredido sexualmente com um tubo de morteiro. Após a audiência, o Centre for Military Justice pediu ao Ministério da Defesa britânico a adoção de mecanismos mais rigorosos para erradicar castigos físicos e cerimônias de iniciação. Para Lucy Baston, representante da entidade, a política oficial de “tolerância zero” não tem sido suficiente para impedir novos abusos.
Embora o contexto seja militar, a lógica do episódio lembra práticas de trotes universitários que ainda ocorrem no Brasil, muitas vezes justificadas como “brincadeiras” ou rituais de integração, mas que podem envolver humilhação pública, violência física e danos emocionais.








