Em retaliação aos bombardeios americanos contra a Ilha de Kharg, terminal estratégico responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica alertou neste sábado que portos, docas e instalações militares ligadas aos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos passaram a ser “alvos legítimos”, acusando Washington de usá-los para realizar ataques contra a República. Apesar do bombardeio, Teerã afirmou que as exportações de petróleo da Ilha estão “em pleno andamento”. O aviso foi acompanhado por novos episódios de ataques pontuais em diversos países do Golfo, além de relatos sobre um incêndio no porto de Fujairah, uma das maiores instalações de armazenamento de petróleo do Oriente Médio.
Contexto: Trump diz que EUA atacaram ‘todos os alvos militares’ na ilha de Kharg, responsável por 90% da exportação de petróleo bruto do Irã
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Em comunicado divulgado pela agência semioficial iraniana Mehr, um representante do quartel-general central Khatam al-Anbiya, responsável por coordenar as operações do Exército iraniano e da Guarda Revolucionária, orientou civis nos Emirados a se manterem afastados de áreas portuárias e bases militares americanas, que classificaram como “esconderijos” dos EUA, para “evitar qualquer dano”. O Irã tem atacado alvos nos Emirados desde o início da guerra, incluindo o aeroporto de Dubai.
“Declaramos aos líderes dos Emirados que a República Islâmica do Irã considera seu direito legítimo, em defesa de sua soberania e território, atacar a origem dos lançamentos de mísseis inimigos americanos”, afirmou o comunicado. Segundo o texto, instalações utilizadas pelos EUA no país, incluindo portos, docas e centros logísticos, poderiam ser atingidas caso continuem sendo usadas para ataques contra território iraniano.
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Horas depois da ameaça de retaliação iraniana, imagens divulgadas nas redes sociais mostraram grandes colunas de fumaça no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes, uma das maiores instalações de armazenamento de petróleo do Oriente Médio. As autoridades locais disseram que o incêndio foi provocado por destroços de um drone interceptado pela defesa aérea, e afirmaram que “não houve vítimas”.
Também neste sábado, na Arábia Saudita, autoridades afirmaram ter interceptado 11 drones, enquanto no Bahrein sirenes de alerta foram acionadas e moradores foram orientados a buscar abrigo.
Já no Catar, moradores do distrito central de Musheireb receberam alertas em seus celulares durante a madrugada pedindo evacuação imediata para áreas seguras como “medida de precaução”. Em Musheireb estão localizados os escritórios do Google e da American Express, assim como alguns escritórios do governo do Catar. Testemunhas relataram fortes explosões após a interceptação de um míssil.
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Segundo o Wall Street Journal, um ataque com mísseis iraniano também atingiu a base aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, danificando cinco aviões-tanques de reabastecimento da Força Aérea americana, embora as aeronaves não tenham sido destruídas.
Ataque à Ilha de Kharg
A ameaça ocorre após os EUA realizarem um dos maiores bombardeios da campanha militar contra o Irã na noite de sexta-feira, quando atingiram “todos os alvos militares” na Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os ataques “obliteraram completamente todos os alvos militares” na ilha, mas disse ter decidido não destruir a infraestrutura petrolífera, pelo menos por enquanto.
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“Por razões de decência, optei por não destruir a infraestrutura petrolífera da ilha. Mas, se o Irã interferir na livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, reconsiderarei imediatamente essa decisão”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
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Teerã respondeu imediatamente. Um porta-voz do comando militar Khatam al-Anbiya advertiu que qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana poderia levar à destruição de instalações petrolíferas ligadas aos EUA na região.
“Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas”, afirmou o comunicado.
Neste sábado, as agências de notícias iranianas, citando fontes e autoridades locais, informaram que as exportações de petróleo da ilha de Kharg continuam normalmente, apesar do ataque americano, que, segundo Trump, “destruíram” alvos militares. A agência de notícias semioficial Tasnim afirmou que o terminal de petróleo está “totalmente operacional” e que as atividades “continuam sem interrupção”, acrescentando que não houve relatos de vítimas.
Ilha estratégica
O ataque americano à Ilha de Kharg marca uma escalada significativa na guerra. Localizada a cerca de 25 quilômetros da costa iraniana, Kharg é considerada a “joia da coroa” da indústria petrolífera do país, responsável por escoar a maior parte do petróleo exportado por Teerã.
Com capacidade para carregar até 7 milhões de barris de petróleo por dia, Kharg é considerada o coração da infraestrutura petrolífera do Irã. Um bombardeio ou tentativa de tomada da ilha, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times, tende a provocar um choque imediato no mercado global e elevar drasticamente o risco de uma forte escalada da guerra, diante de uma retaliação de Teerã contra polos de produção do óleo negro nos países do Golfo.
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Construída na década de 1960 pela petroleira americana Amoco, Kharg tornou-se o principal terminal de escoamento da produção do país graças ao desenho geográfico da costa iraniana: grande parte do litoral é rasa demais para receber superpetroleiros, o que transformou a ilha em um dos poucos pontos capazes de acomodar navios de grande porte. Essa centralização, porém, também transforma Kharg em um ponto de extrema vulnerabilidade em caso de conflito.
Há muito tempo, Washington trata Kharg como um alvo sensível, que também foi cuidadosamente evitado durante uma guerra que durou 12 dias entre Israel e Irã no ano passado. Embora um ataque ao terminal possa atingir diretamente as receitas do regime iraniano, o cálculo estratégico de uma ofensiva envolve riscos amplos, para além da possibilidade de disparada do preço do petróleo e de uma escalada militar sem precedentes. Destruir ou incapacitar a principal rota de exportação do país poderia também enfraquecer qualquer futuro governo.
Autoridades americanas indicam que o petróleo iraniano continua no centro do cálculo estratégico dos EUA. Funcionários do governo Trump disseram ao Financial Times que a estratégia de longo prazo poderia envolver garantir que as vastas reservas do país estejam sob controle de um governo mais alinhado ao Ocidente — um cenário que também ajuda a explicar a cautela em relação a ataques que possam destruir permanentemente a infraestrutura de exportação.
A visão também foi expressa publicamente por integrantes da administração americana. Em entrevista à Fox Business, Jarrod Agen, diretor executivo do Conselho Nacional de Domínio Energético da Casa Branca, afirmou que, no longo prazo, Washington pretende retirar o controle das reservas iranianas do atual regime:
— No fim das contas, não precisaremos nos preocupar com essas questões no Estreito de Ormuz, porque vamos tirar todo o petróleo das mãos dos terroristas — disse.
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“Declaramos aos líderes dos Emirados que a República Islâmica do Irã considera seu direito legítimo, em defesa de sua soberania e território, atacar a origem dos lançamentos de mísseis inimigos americanos”, afirmou o comunicado. Segundo o texto, instalações utilizadas pelos EUA no país, incluindo portos, docas e centros logísticos, poderiam ser atingidas caso continuem sendo usadas para ataques contra território iraniano.
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Horas depois da ameaça de retaliação iraniana, imagens divulgadas nas redes sociais mostraram grandes colunas de fumaça no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes, uma das maiores instalações de armazenamento de petróleo do Oriente Médio. As autoridades locais disseram que o incêndio foi provocado por destroços de um drone interceptado pela defesa aérea, e afirmaram que “não houve vítimas”.
Também neste sábado, na Arábia Saudita, autoridades afirmaram ter interceptado 11 drones, enquanto no Bahrein sirenes de alerta foram acionadas e moradores foram orientados a buscar abrigo.
Já no Catar, moradores do distrito central de Musheireb receberam alertas em seus celulares durante a madrugada pedindo evacuação imediata para áreas seguras como “medida de precaução”. Em Musheireb estão localizados os escritórios do Google e da American Express, assim como alguns escritórios do governo do Catar. Testemunhas relataram fortes explosões após a interceptação de um míssil.
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Segundo o Wall Street Journal, um ataque com mísseis iraniano também atingiu a base aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, danificando cinco aviões-tanques de reabastecimento da Força Aérea americana, embora as aeronaves não tenham sido destruídas.
Ataque à Ilha de Kharg
A ameaça ocorre após os EUA realizarem um dos maiores bombardeios da campanha militar contra o Irã na noite de sexta-feira, quando atingiram “todos os alvos militares” na Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os ataques “obliteraram completamente todos os alvos militares” na ilha, mas disse ter decidido não destruir a infraestrutura petrolífera, pelo menos por enquanto.
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“Por razões de decência, optei por não destruir a infraestrutura petrolífera da ilha. Mas, se o Irã interferir na livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, reconsiderarei imediatamente essa decisão”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
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Teerã respondeu imediatamente. Um porta-voz do comando militar Khatam al-Anbiya advertiu que qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana poderia levar à destruição de instalações petrolíferas ligadas aos EUA na região.
“Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas”, afirmou o comunicado.
Neste sábado, as agências de notícias iranianas, citando fontes e autoridades locais, informaram que as exportações de petróleo da ilha de Kharg continuam normalmente, apesar do ataque americano, que, segundo Trump, “destruíram” alvos militares. A agência de notícias semioficial Tasnim afirmou que o terminal de petróleo está “totalmente operacional” e que as atividades “continuam sem interrupção”, acrescentando que não houve relatos de vítimas.
Ilha estratégica
O ataque americano à Ilha de Kharg marca uma escalada significativa na guerra. Localizada a cerca de 25 quilômetros da costa iraniana, Kharg é considerada a “joia da coroa” da indústria petrolífera do país, responsável por escoar a maior parte do petróleo exportado por Teerã.
Com capacidade para carregar até 7 milhões de barris de petróleo por dia, Kharg é considerada o coração da infraestrutura petrolífera do Irã. Um bombardeio ou tentativa de tomada da ilha, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times, tende a provocar um choque imediato no mercado global e elevar drasticamente o risco de uma forte escalada da guerra, diante de uma retaliação de Teerã contra polos de produção do óleo negro nos países do Golfo.
Secretário de Defesa dos EUA: Novo líder supremo do Irã está ‘ferido e provavelmente desfigurado’
Construída na década de 1960 pela petroleira americana Amoco, Kharg tornou-se o principal terminal de escoamento da produção do país graças ao desenho geográfico da costa iraniana: grande parte do litoral é rasa demais para receber superpetroleiros, o que transformou a ilha em um dos poucos pontos capazes de acomodar navios de grande porte. Essa centralização, porém, também transforma Kharg em um ponto de extrema vulnerabilidade em caso de conflito.
Há muito tempo, Washington trata Kharg como um alvo sensível, que também foi cuidadosamente evitado durante uma guerra que durou 12 dias entre Israel e Irã no ano passado. Embora um ataque ao terminal possa atingir diretamente as receitas do regime iraniano, o cálculo estratégico de uma ofensiva envolve riscos amplos, para além da possibilidade de disparada do preço do petróleo e de uma escalada militar sem precedentes. Destruir ou incapacitar a principal rota de exportação do país poderia também enfraquecer qualquer futuro governo.
Autoridades americanas indicam que o petróleo iraniano continua no centro do cálculo estratégico dos EUA. Funcionários do governo Trump disseram ao Financial Times que a estratégia de longo prazo poderia envolver garantir que as vastas reservas do país estejam sob controle de um governo mais alinhado ao Ocidente — um cenário que também ajuda a explicar a cautela em relação a ataques que possam destruir permanentemente a infraestrutura de exportação.
A visão também foi expressa publicamente por integrantes da administração americana. Em entrevista à Fox Business, Jarrod Agen, diretor executivo do Conselho Nacional de Domínio Energético da Casa Branca, afirmou que, no longo prazo, Washington pretende retirar o controle das reservas iranianas do atual regime:
— No fim das contas, não precisaremos nos preocupar com essas questões no Estreito de Ormuz, porque vamos tirar todo o petróleo das mãos dos terroristas — disse.










