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María Corina, que deixou a Venezuela em sigilo em dezembro para receber o Nobel, e cujo paradeiro é desconhecido desde então, comemorou as libertações.
“Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!”, publicou a opositora em sua conta na rede social X.
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Em 8 de janeiro, o governo interino da Venezuela anunciou um processo para libertar um “número significativo” de presos políticos, em meio à pressão exercida pelo governo de Donald Trump nos EUA. Desde então, familiares e ONGs têm denunciado que as solturas estão ocorrendo a conta-gotas.
Ainda há outros colaboradores de Corina Machado presos, entre eles Freddy Superlano, detido durante a contestada reeleição de Maduro em 2024 para um terceiro mandato consecutivo. O ex-embaixador e ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que reivindica sua vitória no pleito de 2024, exigiu neste domingo “a liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas”.
“Estas solturas não equivalem à liberdade plena. Enquanto os casos seguirem abertos, e persistirem medidas restritivas, ameaças e vigilância, a perseguição continua. A justiça não se satisfaz com saídas parciais nem condicionadas”, declarou no X González Urrutia, que vive exilado na Espanha.
A ONG Foro Penal, que defende presos políticos, informou ter verificado hoje 30 novas libertações. Segundo seus dados, cerca de 400 pessoas presas por motivos políticos foram soltas desde 8 de janeiro.
Juan Pablo Guanipa, ex-vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, ao lado da líder da oposição no país, María Corina Machado
Pedro MATTEY / AFP
Juan Pablo Guanipa, que chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do Parlamento, foi preso em 23 de maio de 2025, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento. Sua libertação foi anunciada por seu filho Ramón Guanipa e, pouco depois, o próprio dirigente postou um vídeo no X, no qual mostra o que parece ser seu alvará de soltura.
— Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio — diz o opositor. — Dez meses escondidos, quase nove meses aqui detido. Hoje estamos livres. Muito o que falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro lugar.
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Guanipa passou meses foragido, e sua última aparição pública tinha ocorrido em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou Corina Machado em um ato contra a posse de Maduro após as eleições de 28 de julho de 2024, que a oposição denunciou como fraudulentas. Foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.
Em 2017, o opositor foi eleito governador do estado petroleiro de Zulia, mas se negou a tomar posse perante a Assembleia Nacional Constituinte, alinhada a Maduro, por considerá-la ilegítima. Guanipa foi destituído, e novas eleições foram convocadas.
A prisão El Helicoide, em Caracas, na Venezuela
Yuri Cortez / AFP
Perkins Rocha, assessor jurídico de Corina Machado e delegado da maior coalizão opositora do país, também se juntou ao grupo de presos políticos libertados neste domingo, confirmaram sua família e a Foro Penal. A imprensa local divulgou fotografias de uma viatura policial estacionada em frente ao edifício onde Rocha reside em Caracas.
O opositor, que é advogado e professor universitário, foi liberado com medidas cautelares “muito rígidas”, publicou sua esposa, María Constanza Cipriani, em seu perfil na rede X, @MaCostanzaCR, sem detalhar as restrições.
“Agora vamos buscar a liberdade plena”, acrescentou, junto com uma fotografia de ambos.
Rocha estava preso há um ano e meio. Ele foi detido em 27 de agosto de 2024, em meio à onda de prisões realizadas após a questionada reeleição de Maduro em 28 de julho de 2024.
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A oposição denunciou fraude após o órgão eleitoral venezuelano proclamar a vitória de Maduro sem divulgar os resultados detalhados, como exige a lei, alegando um ataque cibernético aos seus sistemas. Após a reeleição, protestos irromperam, deixando 28 mortos e mais de 2,4 mil detidos, classificados pelas autoridades chavistas como “terroristas”






