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O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, criticou a postura dos Estados Unidos nas negociações que vêm acontecendo desde o a anúncio do cessar-fogo, feito no dia 7 de abril, entre os dois países. Em uma reunião com altos funcionários do governo, neste domingo (19), Aref teria chamado a posição americana de infantil e contraditória. Ele justificou, afirmando que os americanos teriam “implorado” por um cessar-fogo, quando estariam “sob pressão”, mas adotaram uma postura inflexível posteriormente. As declarações foram divulgadas pela agência estatal de notícias Irna.
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A três dias do fim do período estipulado para o cessar-fogo na região, o futuro ainda segue incerto no Oriente Médio. Enquanto enviados americanos viajam ao Paquistão para negociações com o Irã, o presidente Donald Trump ameaça ataques a centrais elétricas, caso não haja acordo. Já os iranianos mantém o Estreito de Ormuz fechado, contrariando o que seria uma exigência americana para o fim dos ataques.
Na mesma reunião citada, o vice-presidente Aref disse ainda que o Irã manterá suas conquistas de guerra, referindo-se ao Estreito de Ormuz e sua posição como rota estratégica, chamando ainda as sanções econômicas ao Irã de ineficazes. Aref ainda pediu apoio da população durante o conflito e elogiou os negociadores iranianos.
Neste domingo, o Irã também aprovou um pacote de apoio às indústrias danificadas na guerra, junto com medidas para aumentar as reservas agrícolas do país.

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A descoberta de uma estátua de cerca de dois metros da deusa Atena no sítio arqueológico da antiga Laodiceia, no sudoeste da Turquia, levou pesquisadores a revisitar o papel dos teatros na Antiguidade, ampliando a compreensão sobre o uso desses espaços além das apresentações artísticas. O achado, anunciado na quinta-feira (23) pelo ministro da Cultura e do Turismo, Mehmet Nuri Ersoy, indica que estruturas como o Teatro Ocidental da cidade funcionavam como centros de produção simbólica e cultural.
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Localizada em uma das regiões mais ricas da antiga Frígia, Laodiceia foi, há cerca de dois mil anos, um importante polo econômico e urbano. O teatro onde a escultura foi encontrada integra um complexo que, segundo arqueólogos, reunia não apenas atividades cênicas, mas também elementos decorativos e narrativos ligados à mitologia e à tradição literária.
Espaços de espetáculo e construção simbólica
A presença da estátua em uma área externa da estrutura teatral reforça a hipótese de que esses ambientes funcionavam como vitrines de valores culturais e religiosos. Em vez de servirem exclusivamente a encenações, os teatros também abrigavam esculturas posicionadas entre colunas, compondo cenários que dialogavam com o público mesmo fora das apresentações.
— Os trabalhos que conduzimos no Teatro Ocidental de Laodiceia continuam a trazer à luz vestígios do passado — afirmou Ersoy, em publicação na rede X.
Segundo as equipes responsáveis pelas escavações, as representações encontradas no local incluem divindades e episódios associados às epopeias atribuídas a Homero, o que aponta para a circulação dessas narrativas no cotidiano urbano. O espaço teria funcionado, assim, como ponto de encontro entre entretenimento, memória coletiva e expressão simbólica.
A escolha de Atena como figura representada também é considerada significativa. Associada à sabedoria, à estratégia e à guerra, a deusa ocupava posição central no imaginário greco-romano, sendo frequentemente vinculada a contextos de poder e conhecimento. Sua presença em um teatro sugere uma articulação entre arte e valores cívicos, típica das cidades da época.
A escultura, feita em mármore branco e atribuída ao estilo clássico do Período Augustano, entre 27 a.C. e 14 d.C., reforça essa leitura. O período marcou a consolidação do Império Romano sob o imperador Augusto, quando a arte e a arquitetura passaram a desempenhar papel estratégico na afirmação de identidade e autoridade.
— Essa estrutura, que serviu de palco para as epopeias de Homero, revela-se também o centro da narrativa cultural da antiguidade, enquanto a obra chama a atenção por sua alta qualidade artística — declarou o ministro.
Achados recentes na mesma área já haviam identificado outras esculturas relacionadas à tradição literária antiga, incluindo cenas da jornada de Odisseu, como os encontros com o ciclope Polifemo e com a criatura marinha Cila.
O conjunto de evidências reforça a interpretação de que o teatro de Laodiceia operava como um espaço multifuncional, onde arquitetura, escultura e narrativa se integravam na construção de significados coletivos. A continuidade das escavações e o estado de preservação das peças indicam potencial para novas descobertas, aprofundando o entendimento sobre a dinâmica cultural das cidades antigas.
— Com nossa visão de legado para o futuro, continuamos a preservar esse patrimônio único e a transmiti-lo às gerações futuras — afirmou Ersoy.
A China está avançando em uma tecnologia que já foi um dos projetos mais ambiciosos da NASA: um robô capaz de construir grandes estruturas diretamente no espaço, como se fosse uma aranha tecendo sua própria teia. O conceito, conhecido como SpiderFab, funciona como uma espécie de impressora 3D espacial, projetada para montar antenas, painéis solares e outras estruturas a partir de carretéis de fibra de carbono.
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A ideia original foi desenvolvida pela NASA em parceria com a empresa Tethers Unlimited, mas nunca chegou a ser testada em órbita. Agora, pesquisadores do Instituto de Automação de Shenyang, no norte da China, afirmam ter recuperado o conceito e dado novos passos para torná-lo viável.
Hoje, qualquer equipamento enviado ao espaço precisa ser construído na Terra, dobrado para caber dentro de uma nave ou foguete e, depois, aberto ou implantado já em órbita. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os espelhos do Telescópio Espacial James Webb. Embora esse modelo tenha se mostrado eficiente, ele impõe limites rígidos de tamanho e peso, além de exigir que as peças suportem a violência de um lançamento.
Simulação do SpiderFab em funcionamento
Reprodução: Nasa
Robôs como o SpiderFab poderiam mudar essa lógica. Em vez de levar estruturas prontas ao espaço, a ideia é transportar apenas matérias-primas, como carretéis de fibra de carbono, e permitir que a montagem aconteça já em baixa ou quase nenhuma gravidade. Na prática, isso poderia viabilizar, no futuro, estruturas grandes demais para caber em foguetes, como antenas de um quilômetro de largura ou enormes painéis solares.
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Segundo os pesquisadores chineses, o projeto conseguiu enfrentar dois dos principais problemas encontrados pela NASA: o encaixe das peças no espaço e a resistência das estruturas fabricadas. Para isso, a equipe passou a usar compostos de fibra de carbono, em vez de fibra de carbono pura. Esses materiais podem ser moldados em tubos ocos, longos, leves e resistentes, características consideradas ideais para estruturas espaciais.
Outra mudança está na forma de conexão das peças. O robô chinês é capaz de fabricar juntas de montagem em 3D, dispensando parafusos ou cola. Quando necessário, os componentes também podem ser unidos por laser, em um processo semelhante a uma soldagem, o que resultaria em conexões mais fortes, montagens mais limpas e maior facilidade de automação.
Por enquanto, os testes ainda são modestos e acontecem em laboratório, na Terra. A equipe já conseguiu construir uma estrutura reduzida de antena, em uma prova de conceito considerada promissora. O próximo desafio será testar a montagem autônoma em condições de microgravidade, além de verificar a precisão do alinhamento em grandes distâncias e a durabilidade dos materiais diante de radiação e outras condições extremas do espaço.
“Construir estruturas em órbita elimina a necessidade de dobrá-las dentro de foguetes ou se preocupar com limites de tamanho. As peças podem ser feitas, unidas e montadas diretamente no espaço — potencialmente uma tecnologia central para os sistemas espaciais da próxima geração”, afirmou o instituto, segundo o jornal South China Morning Post.
Apesar do avanço, os cientistas ainda estão longe de uma aplicação prática em órbita. Antes de qualquer comemoração, será necessário provar que o robô consegue operar no ambiente espacial real, resistir às intempéries do espaço e realizar montagens complexas de forma autônoma. Ainda assim, o projeto reforça a ambição chinesa de disputar com os Estados Unidos não apenas missões à Lua ou estações espaciais, mas também tecnologias capazes de redefinir a forma como estruturas serão construídas fora da Terra.
Uma organização austríaca de defesa da privacidade anunciou nesta terça-feira que entrou com uma ação contra o LinkedIn, a rede social profissional, por vender os dados digitais de seus milhões de usuários. A ONG Noyb — abreviação de “None of Your Business” (“Não é da sua conta”, em tradução livre) — afirmou em um comunicado à imprensa que apresentou a queixa à Autoridade Austríaca de Proteção de Dados em nome de um usuário do LinkedIn que deseja acessar as informações que a plataforma possui sobre ele.
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Este usuário exige “uma resposta completa à sua solicitação de acesso”, disse a organização, acrescentando que também busca uma multa contra a rede social, subsidiária da Microsoft. De acordo com a Noyb, o LinkedIn alega preocupações com a proteção de dados como motivo para não processar as solicitações de acesso.
Mas, ao mesmo tempo, a empresa exige que os usuários paguem pelo plano Premium se quiserem saber em detalhes quem visualizou seus perfis, destaca a associação austríaca.
“As pessoas têm o direito de receber seus próprios dados gratuitamente”, argumenta Martin Baumann, advogado da Noyb.
As ilhas de independência tecnológica
Segundo a organização sediada em Viena, a legalidade do rastreamento de usuários pela rede social “carece de clareza”, visto que a empresa não solicita consentimento explícito. A Noyb se consolidou como uma das principais organizações na defesa do direito à privacidade online.
A ONG iniciou diversas ações judiciais contra gigantes da tecnologia, levando os órgãos reguladores a tomar medidas contra violações do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) na União Europeia.
James Kamau Ndungu contou a poucos amigos que estava indo para a Rússia, dizendo ter recebido uma proposta de trabalho como diarista. Ele tinha 32 anos, estava desempregado no Quênia e precisava do emprego. Em junho do ano passado, Kamau enviou uma foto aos amigos do aeroporto de Istambul, afirmando estar em trânsito, segundo um deles. Algumas semanas depois, mandou outra imagem — desta vez, vestindo uniforme militar e segurando uma arma. Em agosto, escreveu que estava em uma trincheira na Ucrânia, dizendo que a situação era ruim e pedindo orações. Essa foi a última vez que alguém no Quênia teve notícias dele. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os acordes se insinuam aos poucos, até tomarem conta do auditório. O toque do piano soa tão natural que parece inconfundível até para quem ouve pela primeira vez — neste caso, a maioria do público. Ivan Lins começa o show em Xangai com “Abre Alas”, e o refrão avisa: “Já está chegando a hora”. Em 1974, quando a música foi gravada, a China estava mergulhada nos excessos da Revolução Cultural e a economia patinava, com um PIB que se igualava ao do Brasil. Isolado, o país mantinha-se preso ao passado. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, determinou a seus assessores e comandantes que se preparem para um bloqueio prolongado ao Irã, o regime contabiliza seus efeitos econômicos. A inflação superou os 70% em março, milhões de pessoas podem perder os empregos e as autoridades buscam alternativas para evitar um colapso social. Um cenário que pode render concessões aos americanos nas negociações, mas que não traz a garantia de uma rendição incondicional, como sonham Trump e seus aliados.
— O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sufocando como um porco recheado. E vai piorar para eles — disse Trump, na semana passada, em entrevista ao portal Axios, pouco depois de rejeitar uma proposta enviada por Teerã. — Eu não quero [suspender o bloqueio], porque não quero que eles tenham uma arma nuclear.
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Em vigor há quase um mês, o bloqueio naval fez com que praticamente todas as embarcações de bandeira do Irã, ou que tentem sair ou chegar aos portos iranianos, sejam barradas. Até sexta-feira passada, os militares americanos declararam que 45 navios foram interceptados, e o presidente americano se comparou a um pirata diante de jornalistas.
A empresa de análise de riscos Vortexa afirmou à agência Reuters que apenas 4 milhões de barris de petróleo deixaram o Golfo de Omã (onde estão os navios americanos) entre os dias 13 e 25 de abril. No mesmo período de março, quando o Irã ainda controlava o tráfego pelo Estreito de Ormuz, transitaram 23,5 milhões de barris por dia.
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Além da queda nas exportações de petróleo e gás, responsáveis por até 45% do caixa do governo iraniano, as unidades de armazenamento estão no limite, forçando cortes de produção que podem chegar a 1,5 milhão de barris por dia até maio, segundo projeções da Kpler, consultoria que atua no setor de inteligência comercial. Mas o impacto no setor de energia pode demorar até ser sentido, devido a práticas do mercado e ao volume de petroleiros carregados em alto mar, longe do Golfo Pérsico e à disposição de seus clientes, especialmente a China.
“Como resultado, o bloqueio afetaria as receitas petrolíferas do Irã apenas daqui a 3 a 4 meses, limitando sua eficácia”, escreveu Homayoun Falakshahi, analista da Kpler, em artigo recente, estimando perdas futuras de até US$ 250 milhões por dia e alertando que, por causa das sanções, também turbinadas por Trump, nem todo dinheiro das exportações chega aos cofres iranianos.
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Em seu artigo, Falakshahi lembra que nem só de petróleo e gás se fazem os portos. De acordo com o serviço alfandegário, o total de importações e exportações, excluindo o setor de óleo e gás, somou US$ 109 bilhões no último ano fiscal, encerrado no final de março, queda de 16% em relação ao ano anterior. Entre fevereiro e março, o volume foi de US$ 6,49 bilhões, redução mensal de 30% e de 50% em comparação com o mesmo período de 2025.
“O bloqueio exerce uma pressão significativa sobre o Irã, que vai além do aspecto simbólico”, acrescenta o analista. “O Irã é um grande importador de grãos, milho e arroz. A diminuição das importações desses produtos agrícolas impulsionará a inflação interna.”
O Irã enfrenta um persistente cenário de estagflação (estagnação econômica e alta inflação), resultado de décadas de sanções, problemas estruturais e questões ligadas à gestão da máquina pública e à concentração econômica. Nos últimos anos, a população foi às ruas pedir melhores condições de vida (como em janeiro, quando dezenas de milhares de pessoas foram mortas pela repressão), e pouco foi feito. Em um país em crise profunda, com 36% da população abaixo da linha da pobreza, a guerra de EUA e Israel foi um empurrão em direção ao abismo econômico.
A inflação anual chegou a 73,5% em março, de acordo com o Centro de Estatísticas do Irã, com números ainda maiores em categorias como alimentos e bebidas (115%), carnes vermelhas e brancas (140%) e óleos e gorduras (230%). Na semana passada, o rial atingiu a marca histórica de 1,81 milhão por US$ 1 — há um ano, a cotação era de 800 mil por cada US$ 1. Segundo Hadi Kahalzadeh, ex-economista da Organização de Seguridade Social do Irã, metade dos empregos no Irã está ameaçada, resultado da estagnação, da inflação e da destruição de indústrias, instalações civis e cadeias de produção e suprimentos.
“Se esta guerra tinha um alvo oculto, não era a projeção do poderio militar do Irã; era o mercado de trabalho que sustenta o modo de vida dos cidadãos comuns”, escreveu Kahalzadeh, em publicação para a Fundação Bourse & Bazaar, dedicada ao estudo da economia do Irã.
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No fim do ano passado, o Orçamento apresentado pelo presidente Masoud Pezeshkian destinava parte dos rendimentos com petróleo para a importação de bens essenciais (alimentos e medicamentos), a uma cotação bem abaixo da oficial. As autoridades prometeram dobrar o valor dos cupons de auxílio alimentar, hoje equivalentes a US$ 10 por mês, e usarão US$ 1 bilhão do fundo soberano para comprar açúcar, arroz, cevada, milho, farelo de soja, carne vermelha e carne de frango. O Paquistão, mediador das conversas com os EUA, designou seis corredores para o escoamento de produtos iranianos e à importação de arroz e carne, e rotas terrestres por outros países vizinhos ajudam a incrementar a oferta de itens como medicamentos e manufaturados.
Publicamente, o regime não cedeu à pressão econômica e às ameaças de Trump, mas nas entrelinhas, reconhece os impactos do bloqueio. Nos últimos contatos mediados pelo Paquistão, os negociadores estabeleceram a reabertura dos portos como prioridade, e sugeriram congelar suas atividades nucleares por até 15 anos, de acordo com documentos obtidos pela rede al-Jazeera.
“O fato de Teerã ter exigido o fim do bloqueio como condição para retomar as negociações evidencia que o país está sofrendo onde mais dói”, explica Falakshahi.
Fissuras internas começam a dar lugar a um discurso público de apoio às negociações. Embora a ala mais radical ainda tenha voz — alguns defendem que o retorno aos combates sairia mais barato do que o fechamento dos portos e as capturas de navios—, ela está cada vez mais isolada.
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Mas é importante notar que, mesmo com concessões, o regime não está perto de fazer todas as vontades de Trump, como gostariam o americano e seu principal aliado, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu. Teerã se planejou por décadas para essa guerra, e a resiliência à pressão externa se tornou uma das bandeiras do país, desde os tempos do conflito com o Iraque, nos anos 1980. E há outro aspecto em pauta: um bloqueio de longo prazo também impõe custos aos Estados Unidos, a poucos meses de uma eleição complicada para Trump, marcada pela impopularidade da guerra.
“O bloqueio prejudica o futuro econômico do Irã, mas pode levar a uma guerra mais longa e custosa para os Estados Unidos, danos graves e duradouros aos mercados americanos e globais e mais prejuízos políticos internos para Trump”, escreveu Jennifer Kavanagh, diretora de análise militar no centro de estudos Defense Priorities, em artigo no New York Times. “Em uma disputa de intenções, Teerã tem a vantagem e uma maior tolerância à dor.”
O suspeito de ter iniciado deliberadamente um incêndio mortal que devastou no ano passado um bairro de Los Angeles nutria ressentimento contra os ricos e admirava Luigi Mangione, acusado de ter assassinado o diretor-executivo de uma companhia de seguros, informaram os promotores. Jonathan Rinderknecht deve enfrentar julgamento em 8 de junho por iniciar o incêndio em Palisades, que causou a morte de 12 das 31 vítimas fatais das chamas que atingiram Los Angeles em janeiro de 2025.
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Em documentos judiciais apresentados na semana passada, os promotores o descrevem como um motorista da Uber furioso com o capitalismo, que deliberadamente e como ato de vingança incendiou o bairro de Pacific Palisades, um enclave com vista para o oceano onde vivem celebridades e cujas propriedades valem milhões de dólares.
Duas semanas após o ato, o histórico de buscas do suspeito mostrava entradas como “vamos derrubar os bilionários”. Ele também fez buscas com o slogan “Liberdade para Luigi Mangione”, o homem que promotores federais afirmam ter assassinado o diretor-executivo da empresa United Healthcare.
“Vários dos passageiros de Uber do acusado entre 31 de dezembro de 2024 e 1º de janeiro de 2025 o descreveram como irritado, intenso, dirigindo de forma errática e reclamando de estar ‘irritado com o mundo’, além de falar sobre Luigi Mangione, capitalismo e ações vigilantes”, relataram os documentos. Rinderknecht rejeita as acusações.
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Os documentos da promotoria afirmam que, durante um interrogatório no fim de janeiro de 2025, os investigadores lhe perguntaram por que alguém iniciaria um incêndio em Pacific Palisades. O suspeito teria respondido que um potencial incendiário poderia ser motivado por ressentimento contra os ricos, já que “basicamente nos escravizam”.
Rinderknecht foi preso na Flórida em outubro. Ele, que cresceu na França e residia em Pacific Palisades, é acusado de iniciar um incêndio na véspera de Ano Novo de 2025 nas montanhas que dão para o bairro de luxo. Foi esse incêndio, que os bombeiros acreditavam ter sido apagado, que voltou a se intensificar em 7 de janeiro. Desde então, devastou o bairro e partes da cidade de Malibu, segundo promotores federais.
O Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos abriu uma investigação para apurar possíveis violações às regras de concorrência na indústria de processamento de carne. A decisão, anunciada pela Casa Branca, foi tomada em meio à disparada dos preços da carne bovina no país e à redução do rebanho.
O procurador-geral interino, Todd Blanche, não deu detalhes adicionais sobre a apuração, mas afirmou que o órgão pretende avançar rapidamente. Estão no alvo os principais frigoríficos que atuam no país, como a brasileira JBS e a National Beef, que é subsidiária da brasileira Marfrig, que uniu-se no ano passado à BRF para formar a MBRF. Também estão neste grupo as americanas Tyson e Cargill.
Juntas, essas quatro grandes empresas de carnes controlam cerca de 85% das compras de gado nos EUA. Os acordos entre elas e os criadores são alvo de escrutínio das autoridades americanas.
A investigação foi anunciada em uma coletiva de imprensa realizada hoje na Casa Branca, Blanche e Peter Navarro, conselheiro sênior da Casa Branca para Comércio e Indústria.
— Há muito trabalho que já foi feito e muito ainda a fazer — disse Blanche, que assumiu o comando do Departamento de Justiça após o presidente Donald Trump demitir seu primeiro procurador-geral no mês passado. — Estamos avançando o mais rápido possível.
A agência Bloomberg informou no fim do mês passado que o Departamento de Justiça havia aberto uma investigação criminal sobre como frigoríficos, incluindo JBS e Tyson Foods, compram gado de pecuaristas.
Essa investigação, que também envolve uma apuração paralela conduzida pela área civil do órgão, veio após Trump determinar, em novembro passado, que o Departamento analisasse o setor diante dos preços recordes da carne bovina.
Procuradas pela agência Bloomberg, JBS, Tyson, Cargill e National Beef não se manifestaram até agora.
Acordos de comercialização no alvo
Blanche se recusou a responder perguntas sobre como a investigação atual difere de outra iniciada durante o primeiro governo Trump e encerrada pelo Departamento de Justiça no ano passado.
O uso dos chamados acordos alternativos de comercialização entre criadores de gado em confinamento e os frigoríficos que processam a carne — em vez de leilões abertos — há muito tempo desperta escrutínio.
Esses contratos são baseados em preços de mercado à vista, mas a concentração do setor nessas quatro empresas já gerou preocupações entre pecuaristas de que esses preços de referência possam estar distorcidos, segundo o Departamento de Agricultura.
Mas a gravidade da atual escassez de gado nos EUA elevou tanto os preços que os frigoríficos estão tendo prejuízo em cada animal processado, de acordo com dados da HedgersEdge. Os contratos futuros de gado em Chicago atingiram nível recorde na semana passada, e as importações de carne bovina dos EUA aumentaram para atender à demanda interna.
Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, uma associação do setor, afirmou que os frigoríficos vêm registrando perdas enquanto “continuam pagando aos confinadores e produtores de gado preços recordes, porque não há animais suficientes para atender à forte demanda dos consumidores por carne bovina”. A entidade disse não ter comentários sobre a investigação do Departamento de Justiça.
Investigação encerrada
Em uma coletiva de imprensa realizada hoje na Casa Branca, Blanche e Peter Navarro, conselheiro sênior da Casa Branca para Comércio e Indústria, também informaram que o Departamento de Justiça chegou separadamente a um acordo para encerrar uma ação antitruste contra a empresa de dados Agri Stats, com sede em Indiana.
O Departamento processou a Agri Stats em 2023 por supostamente ajudar processadoras de aves e suínos a coordenar preços no atacado nas vendas para grandes redes de supermercados. O caso estava previsto para julgamento ainda neste mês. A Agri Stats não comentou.
Um homem armado foi baleado por agentes do Serviço Secreto dos EUA no centro de Washington nesta segunda-feira, informaram autoridades americanas. O indivíduo abriu fogo no National Mall, a poucas quadras da Casa Branca, o que levou ao isolamento temporário do complexo. De acordo com a imprensa local, o suspeito — cuja identidade não foi divulgada — foi atingido por volta das 15h30 (16h30 em Brasília), nas proximidades do Monumento a Washington, pouco depois da passagem do vice-presidente JD Vance em uma comitiva. Caso ocorre poucos dias após um homem armado ter tentado invadir um hotel em Washington onde o presidente Donald Trump participava de um evento.
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O vice-diretor do Serviço Secreto, Matthew Quinn, disse aos repórteres que não acreditava que o vice-presidente fosse um alvo pretendido e afirmou que não poderia especular se o ataque estava relacionado às recentes tentativas de assassinato do presidente Trump.
— Não vou especular sobre isso — disse ele. — Se era direcionado ao presidente ou não, eu não sei, mas descobriremos.
Quinn afirmou também que a troca de tiros ocorreu depois que agentes do Serviço Secreto identificaram um “indivíduo suspeito” que parecia estar armado. O homem fugiu a pé depois que os policiais se aproximaram, sacou a arma e abriu fogo, explicou o oficial.
Ele foi levado para o hospital após ser baleado, e seu estado de saúde não foi divulgado até então.
Segundo Quinn, um pedestre, um menor de idade, ficou levemente ferido.
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Caso recente
O incidente ocorre pouco mais de uma semana depois de um homem armado ter tentado invadir um hotel em Washington onde Trump participava de um evento. Cole Allen, de 31 anos, foi acusado de tentar assassinar o presidente.
Na ocasião, Trump, Vance, e vários membros do Gabinete, além da primeira-dama, Melania, participavam do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, que reúne jornalistas que cobrem o cotidiano presidencial e que é marcado pelo tom relativamente descontraído, em comparação a outros eventos na capital americana. Mas o salão do hotel Washington Hilton ganhou tons de caos quando tiros foram ouvidos do lado de fora: Trump, Vance e seus secretários foram arrastados pelos agentes do Serviço Secreto, enquanto os convidados ouviam ordens para que se jogassem para baixo das mesas.
Imagens do sistema de segurança do hotel — o mesmo onde, em 1981, o então presidente Ronald Reagan foi vítima de um atentado que quase lhe custou a vida — mostraram Allen correndo em direção ao bloqueio montado pelo Serviço Secreto, portando uma arma que se assemelhava a uma espingarda, quando os tiros foram efetuados. Um agente foi baleado, mas o projétil parou em seu colete balístico.
Suspeito do ataque foi detido no jantar
Reprodução / Redes sociais
Segundo o Departamento de Justiça, os agentes do Serviço Secreto realizaram cinco disparos, sem atingir o atirador. Allen, que estava hospedado no hotel, foi jogado no chão e algemado, e as armas apreendidas. O homem fez uso do direito de permanecer calado.
Allen, que pode ser condenado à prisão perpétua, é um engenheiro mecânico residente na Califórnia e conhecido mais pelas invenções, como o protótipo de um freio de emergência para cadeiras de rodas, por seu histórico como professor, quando chegou a receber um prêmio em 2024, do que por sua atuação política.
Ouvidos pela imprensa americana, seus colegas demonstraram espanto com as notícias de Washington, e o classificaram como uma pessoas gentil e inteligente. Também trabalhava como desenvolvedor de jogos, de acordo com seu perfil em uma rede social, e tinha um mestrado.
Com agências internacionais.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira que o país adotará um cessar-fogo próprio entre os dias 5 e 6 de maio, após a Rússia anunciar uma trégua unilateral para 8 e 9 de maio, durante as celebrações do fim da Segunda Guerra Mundial, e advertir que poderá lançar “um ataque maciço com mísseis” caso não haja cumprimento por parte ucraniana.
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Em publicação na rede X, Zelensky disse que Kiev não recebeu nenhuma proposta formal de Moscou sobre “as modalidades de uma cessação das hostilidades” e, por isso, decidiu estabelecer um cessar-fogo “a partir da meia-noite entre 5 e 6 de maio”.

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