Primeira vítima: Jovem italiano de 16 anos está entre os mortos em tragédia nos Alpes suíços
Entenda: Fogos de artifício podem ter causado incêndio em festa de Ano Novo nos Alpes Suíços, que deixou 40 mortos e 100 feridos
— Tudo nos leva a crer que o incêndio começou a partir de sinalizadores afixados em garrafas de champanhe, que ficaram muito perto do teto. A partir disso, as chamas começaram [a se espalhar] rapidamente — disse a procuradora durante a coletiva de imprensa. — Para chegar a essa conclusão inicial, há vídeos que foram analisados, entrevistas com várias pessoas e relatos de testemunhas.
Initial plugin text
Ainda de acordo com a procuradora, a investigação está analisando a espuma acústica usada no teto do porão do local do evento, a fim de verificar se ela estava em conformidade com as diretrizes de segurança. Ela também afirmou que a possibilidade de abertura de processos criminais relacionados a incêndio culposo, homicídio culposo e danos materiais causados por negligência será avaliada com o avançar da apuração sobre responsabilidade.
Questionada ao fim da introdução inicial feita pelas autoridades sobre a necessidade de autorização para as velas utilizadas no interior do bar, a procuradora pontuou que os dispositivos pirotécnicos eram “velas de aniversário que se compram numa loja”, ressaltando que “qualquer pessoa pode ter acesso a elas”.
Ao abrir a coletiva, o presidente do governo regional de Valais, Mathias Reynard, afirmou que o número confirmado de mortos no incidente é de 40 — número inferior ao anunciado mais cedo por autoridades italianas em depoimento à imprensa, que confirmaram que 47 corpos tinham sido retirados do local do incêndio. As autoridades suíças destacaram que, por se tratar de uma situação de em andamento, as informações ainda não são definitivas.
O chefe da polícia local, Frédéric Gisler, afirmou que 119 pessoas ficaram feridas, incluindo 71 suíço, 14 franceses e 11 italianos. As outras nacionalidades incluem pessoas da Bélgica, Polônia, Portugal e Luxemburgo, Sérvia e Bósnia. Catorze pessoas seguem sem identificação — o que ele disse ser uma prioridade neste momento.
Autoridades ainda trabalhavam no local do incêndio na manhã desta sexta-feira, enquanto se dava início ao processo de identificação dos corpos — que políticos e técnicos afirmaram que deve ser demorado, em razão da condição em que parte dos corpos foram encontrados. A agência de notícias francesa AFP noticiou que corpos começaram a ser transportados para um centro funerário na cidade de Sion por volta das 11h (07h em Brasília).
O chefe da polícia criminal de Valais, Pierre Antoine Lengen, afirmou que policiais estiveram no local do incêndio para examinar os corpos das vítimas e ajudar na identificação. O departamento está reunindo dados como registros dentários, amostras de DNA e informações como as roupas que as vítimas estavam vestindo.
— Isso é complexo e precisa ser muito meticuloso. Nós não podemos cometer erros nesta área, mesmo que a espera seja uma experiência muito difícil — disse o oficial.
Mais cedo, a primeira vítima da tragédia foi identificada como Emanuele Galeppini, um jovem atleta de 16 anos, filiado à Federação Italiana de Golfe. A morte de Galeppini foi confirmada pela entidade em uma publicação nas redes sociais, por meio da qual expressaram solidariedade à família do jovem.
Um gabinete de crise foi instalada no centro de convenções de Crans-Montana para receber e orientar as famílias, à medida que sobreviventes foram distribuídos entre vários hospitais em Lausanne, Genebra e Zurique. Há confirmação de que algumas das vítimas foram transferidas para França e Itália. Governos de diferentes países estão em cooperação direta para prestar apoio aos sobreviventes.
As paredes dos edifícios adjacentes ao bar não apresentavam marcas nesta sexta-feira, e mesmo a placa do bar parecia intacta, assim como a estrutura de madeira da varanda — o que leva a crer que o incêndio se concentrou sobretudo no subsolo. Testemunhas descreveram cenas de horror, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar, enquanto outras, cobertas de queimaduras, corriam para a rua.
O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo na quinta-feira, classificou o incidente como “uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes”, e anunciou que as bandeiras permanecerão hasteadas a meio mastro por cinco dias. O Papa Leão XIV enviou uma mensagem ao bispo de Sion, expressando compaixão e solidariedade às famílias das vítimas.
‘Atmosfera pesada’
Nas ruas do centro da localidade, algumas famílias com crianças vestidas com roupas de esqui se preparavam para um dia na neve nesta sexta-feira. Enquanto isso, em frente ao bar, várias pessoas depositaram flores, e familiares e amigos tentam usar as redes sociais para tentar encontrar pessoas desaparecidas.
— Tentamos localizar os nossos amigos. Tiramos muitas fotos e postamos no Instagram, no Facebook e em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los — afirmou Eleonore, uma jovem de 17 anos. — Mas não há nada. Sem resposta. Ligamos para os pais, nada, nem mesmo os pais sabem de nada.
Pessoas levam flores ao local onde ocorreu incêndio que matou mais de 40 pessoas na Suíça
MAXIME SCHMID / AFP
Nos poucos cafés abertos no início da manhã, a tragédia era o assunto de todas as conversas.
— A atmosfera está pesada — disse Dejan Bajic, um turista de 56 anos de Genebra, que frequenta a estação de esqui desde 1974. — É como um pequeno vilarejo, todos nós conhecemos alguém que conhece alguém afetado.
A procuradora-geral do cantão de Valais, no sudoeste da Suíça, Béatrice Pilloud, disse que foram mobilizados grandes recursos para identificar as vítimas e devolver seus corpos às famílias o mais rápido possível. (Com AFP)



