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O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou na noite de sexta-feira a aprovação do orçamento nacional para 2026, uma iniciativa do governo que representou um importante êxito político para o partido do governo. A proposta em geral foi aprovada por 46 votos a favor, 25 contra e a abstenção da senadora cordobesa Alejandra Vigo, do partido Provincias Unidas.
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O mandatário postou na sua conta no X após conhecer o resultado da votação, e acompanhou a mensagem com uma foto do painel de votação.
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Minutos depois, o mandatário voltou a fazer uma publicação na qual, por meio de uma mensagem mais extensa, comentou a votação e afirmou que a aprovação do projeto é “um fato histórico”. “Não há registro da aprovação de um orçamento com equilíbrio fiscal por um espaço não peronista com esses números. O único comparável foi o orçamento de 2017, mas, infelizmente, tinha déficit fiscal”, destacou.
Em seguida, agradeceu à chefe da bancada libertária no Senado, Patricia Bullrich, ao ministro do Interior, Diego Santilli, e a todos os que votaram a favor do projeto, sobre os quais afirmou que deram um “exemplo de patriotismo e responsabilidade”.
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Por outro lado, Milei também comemorou a aprovação do projeto denominado “Inocência Fiscal”:
“Esta lei é revolucionária. Estamos blindando as economias dos argentinos para sempre. Nenhum governo que venha depois de nós poderá roubar as economias dos argentinos de bem”, postou o presidente.
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E acrescentou:
“Ela vem reparar o golpe que o Estado aplicou aos argentinos durante 40 anos, devolvendo-lhes a liberdade de usar suas economias e protegendo-as para que nenhum político do futuro possa tirá-las deles”.
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“Estamos modificando os limites a partir dos quais o Estado podia perseguir os argentinos diante de uma eventual evasão de impostos. Até hoje, na Argentina, alguém podia ser investigado como evasor simples por diferenças de 1,5 milhão de pesos. O limite de evasão simples sobe para 100 milhões de pesos, e o de evasão agravada para 1 bilhão”, afirmou.
As reações
Este é o primeiro orçamento redigido de próprio punho pela governo de Milei. Nos dois últimos exercícios, a administração nacional governou com orçamentos reconduzidos, sem a aprovação do Congresso.
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Rapidamente, outros funcionários também comemoraram a vitória do governo e se manifestaram nas redes sociais.
Uma delas foi a agora senadora Patricia Bullrich, que escreveu:
“Felizes pela conquista de um Orçamento histórico. E muito contentes com os senadores que votaram a favor da Argentina e com a equipe que trabalhou para alcançar o objetivo”.
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O presidente da Câmara dos Deputados, Martín Menem, publicou uma foto com sua equipe após conhecer o resultado favorável ao governo e afirmou:
“Com Milei, ordem e equilíbrio fiscal”.
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Por sua vez, o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, escreveu no X:
“Senhores, temos Orçamento 2026. Além disso, como deve ser: temos um sem déficit fiscal. Que Deus abençoe a República Argentina”.
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Também Luis Petri, ex-ministro da Defesa e recém-empossado deputado, manifestou-se no X:
“Vamos!!! A Argentina tem Orçamento 2026 e, sobretudo, tem futuro!!! Em 2025 nos atacaram com tudo, tentaram quebrar o plano econômico e derrubar o governo, e não conseguiram! Agora, com outro Congresso, graças a milhões de argentinos que não afrouxam, não querem voltar atrás e se animam com o futuro, com a liderança do presidente Javier Milei, estamos tornando a Argentina grande novamente!”.
O ministro do Interior, Diego Santilli, um dos responsáveis pelas negociações com governadores e parlamentares, destacou a aprovação do orçamento “com equilíbrio fiscal e aumentos de verbas acima da inflação em áreas prioritárias” e o definiu como “um passo transcendental”.
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—Quero ressaltar a responsabilidade e a coragem dos deputados, senadores e governadores que entenderam que o país mudou. Não há mais espaço para o desperdício nem para a mentira do ‘Estado presente’, que só gerou pobreza e informalidade. Lamentamos que ainda exista uma minoria kirchnerista que sente falta do gasto público para se enriquecer às custas dos trabalhadores. A Argentina vai voltar a ser grande! — expressou.
O projeto de orçamento enviado pelo Poder Executivo reuniu apoio em geral de quase todas as forças políticas com representação na Câmara Alta, com exceção da maioria kirchnerista do interbloco Popular, um conglomerado que reúne diferentes expressões do peronismo.
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Uma menina de quase 2 anos morreu após ser atropelada em uma praia da Flórida, nos Estados Unidos, onde a circulação de veículos é autorizada em determinadas áreas. O caso aconteceu no sábado (23), durante o feriado de Memorial Day, em New Smyrna Beach, no condado de Volusia.
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Segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Volusia, Avery Lynn Sexton estava na praia com a família quando correu em direção à via e acabou atingida por um carro. A criança foi socorrida e levada para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.
As autoridades afirmaram que, até o momento, não há indícios de excesso de velocidade ou embriaguez por parte do motorista, que permaneceu no local até a chegada das equipes de emergência. Em algumas faixas da praia, a circulação de veículos é permitida.
Testemunhas relataram momentos de desespero logo após o acidente. À emissora WESH 2, Mia Lepore descreveu a reação das pessoas que estavam no local.
— Houve gritos, choro. Obviamente foi um evento muito traumático — afirmou.
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Família pede mudanças nas regras da praia
Abalado, o pai da menina, Dante Sexton, lembrou da filha como uma criança alegre e carinhosa. Em entrevista à Fox 35 Orlando, ele disse que a família jamais imaginou enfrentar uma tragédia semelhante e passou a defender o fim da circulação de carros na praia.
— Ela era a luz do dia de qualquer pessoa que a conhecesse. A garotinha mais feliz que você poderia encontrar — declarou.
A tia da criança, Alyssa Jasmine, também sugeriu mudanças nas regras de tráfego no local, como a criação de faixas de mão única e a redução do limite de velocidade de 10 para 5 milhas por hora.
— Não há espaço suficiente para dois carros seguirem em direções opostas — disse à WESH 2.
Familiares afirmaram que Avery gostava da praia, da água e da cor rosa. Um memorial improvisado foi montado próximo ao local do atropelamento, com flores, um laço rosa e uma fotografia da menina.
Uma campanha de arrecadação criada na plataforma GoFundMe ultrapassou US$ 16 mil. O valor será utilizado para custear o funeral e a cerimônia em homenagem à criança. Segundo a mãe de Avery, Felicity Dionisi, a menina será cremada, e uma cerimônia privada está prevista para este domingo.
A Itália anunciou nesta quinta-feira o confisco de bens avaliados em mais de 200 milhões de euros ligados ao já falecido chefe mafioso Matteo Messina Denaro, em uma operação que alcançou diversos territórios fora do país.
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Segundo comunicado da polícia italiana, os ativos haviam sido acumulados desde a década de 1980 “em benefício de Matteo Messina Denaro”, capturado em 2023 após três décadas foragido e morto na prisão no mesmo ano.
A apreensão ocorreu em Andorra, Ilhas Cayman, Gibraltar, Líbano, Luxemburgo, Mônaco, Espanha e Suíça, além da própria Itália. Três pessoas também foram presas durante a investigação.
Chefão da Cosa Nostra ficou 30 anos foragido
Messina Denaro foi um dos chefes mais implacáveis da Cosa Nostra, a máfia siciliana retratada nos filmes da saga O Poderoso Chefão.
Ele foi condenado por participação no assassinato dos juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992, e pelos atentados a bomba realizados em Roma, Florença e Milão, em 1993.
Uma de suas seis penas de prisão perpétua estava ligada ao sequestro e assassinato do filho de 12 anos de uma testemunha no caso Falcone.
O mafioso desapareceu em 1993 e passou os 30 anos seguintes foragido, enquanto o Estado italiano ampliava a ofensiva contra a máfia siciliana.
Durante esse período, permaneceu no topo da lista dos criminosos mais procurados do país e se transformou em uma figura cercada de notoriedade.
Tratamento contra câncer levou à captura
A longa fuga terminou por causa da busca por tratamento médico.
Messina Denaro foi preso em 16 de janeiro de 2023 ao comparecer a uma clínica de saúde em Palermo, na Sicília, para tratar um câncer.
As investigações revelaram depois que ele vivia perto de sua cidade natal, Castelvetrano, no oeste da ilha.
Após a prisão, o mafioso foi interrogado sob custódia e chegou a negar ligação com a Cosa Nostra.
Ele cumpriu pena inicialmente em uma penitenciária na cidade de L’Aquila, onde continuou o tratamento contra o câncer, mas acabou transferido para um hospital em agosto daquele ano sob forte esquema de segurança.
Messina Denaro morreu meses depois, ainda sob custódia do Estado italiano.
As autoridades dos Estados Unidos prenderam David Rush, descrito em documentos judiciais como ex-alto funcionário de uma agência do governo americano com acesso a informações ultrassecretas, após agentes do FBI encontrarem lingotes de ouro avaliados em mais de US$ 40 milhões em sua residência, no estado da Virgínia.
Segundo o jornal The New York Times, que cita pessoas ligadas à investigação, Rush era um ex-alto funcionário da CIA.
Durante a operação, agentes apreenderam cerca de 303 lingotes de ouro, além de US$ 2 milhões em dinheiro vivo e aproximadamente 35 relógios de luxo.
Rush foi preso em 19 de maio e acusado de roubo de recursos governamentais. Um advogado do investigado se recusou a comentar o caso ao New York Times.
Investigação aponta fraudes e desaparecimento de ouro
Segundo a declaração juramentada apresentada pelo FBI, Rush teria mentido sobre sua formação acadêmica e experiência militar ao se candidatar ao cargo.
A investigação concluiu que ele forneceu informações falsas sobre diplomas universitários e alegou, indevidamente, ter atuado como piloto da Marinha americana.
Os investigadores também afirmam que Rush fraudou registros de horas trabalhadas e recebeu cerca de US$ 77 mil relacionados a licenças militares ao declarar falsamente ser integrante da reserva da Marinha.
O documento descreve o acusado como um ex-funcionário com autorização de segurança de nível ultrassecreto e acesso a informações classificadas.
Entre novembro do ano passado e março deste ano, segundo a investigação, Rush apresentou pedidos ao empregador para receber “uma quantidade significativa de moeda estrangeira e dezenas de milhões de dólares em lingotes de ouro para despesas relacionadas ao trabalho”.
A declaração afirma que ele recebeu o dinheiro e o ouro, embora não detalhe quais atividades justificariam a solicitação.
Posteriormente, as autoridades descobriram que o ouro e a maior parte do dinheiro haviam desaparecido de um depósito ligado ao local de trabalho do funcionário.
A suspeita levou agentes federais a realizarem buscas na residência de Rush, onde foram encontrados os lingotes avaliados em mais de US$ 40 milhões, além do dinheiro em espécie e dos itens de luxo apreendidos.
Pelo menos 16 pessoas, a maioria estudantes, morreram e outras 73 ficaram feridas após um incêndio atingir o dormitório de um internato feminino no Quênia, comunicou nesta quinta-feira uma fonte policial à Agência France-Presse (AFP).
Até o momento, as autoridades não divulgaram balanço oficial nem detalhes sobre a idade das meninas alojadas na instituição.
O incêndio começou por volta das 3h30 da madrugada desta quinta-feira (21h30 da noite de quinta-feira, no Brasil), na escola feminina Utumishi, em Gilgil, cidade localizada a cerca de 100 quilômetros ao norte de Nairóbi.
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A Cruz Vermelha informou ter mobilizado equipes de emergência para o local, mas não apresentou números próprios de vítimas.
Gilgil abriga um importante quartel do Exército queniano.
Segundo um correspondente que acompanhava a situação, pais chegaram em estado de desespero à escola em busca de informações sobre as filhas e se concentraram no pátio da instituição.
O ministro do Interior do Quênia, Kipchumba Murkomen, e o vice-chefe da polícia, Eliud Lagat, estiveram no local, segundo a polícia queniana em publicação na rede X.
O chefe do Departamento de Investigações Criminais (DCI), Mohammed Amin, supervisiona em Gilgil os trabalhos iniciais para apurar as causas do incêndio.
Quênia acumula histórico de incêndios fatais em escolas
Internatos femininos e masculinos são comuns no sistema educacional queniano, e incêndios em dormitórios escolares já provocaram tragédias no país nos últimos anos.
Em setembro de 2024, um incêndio destruiu durante a noite o dormitório de uma escola próxima à cidade de Nyeri, cerca de 160 quilômetros ao norte de Nairóbi, deixando 21 estudantes mortos.
O episódio mais fatal ocorreu em 2001, quando 67 alunos do ensino médio morreram em um incêndio em uma escola no distrito de Machakos, no sul do Quênia.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, elogiou a resistência de Cuba à pressão dos EUA durante uma reunião com seu homólogo, Bruno Rodríguez Parrilla, em Nova York, informou seu gabinete na quinta-feira.
Cuba, sob embargo dos EUA desde 1962, tem enfrentado pressão adicional do governo Trump nos últimos meses.
Washington impôs um embargo total ao petróleo em janeiro e, em 1º de maio, o presidente republicano assinou uma ordem executiva endurecendo as sanções contra a ilha caribenha, que ele alega representar “uma ameaça extraordinária” à segurança dos EUA.
O Departamento de Justiça dos EUA também indiciou o ex-presidente Raúl Castro, irmão mais novo do falecido Fidel Castro, em maio, pelo assassinato de americanos em 1996, quando dois aviões pertencentes a um grupo anticastrista foram abatidos, resultando na morte de quatro cidadãos americanos.
O povo cubano “conquistou o respeito da comunidade internacional ao demonstrar uma vontade inabalável de resistir ao bloqueio e à interferência externa”, disse Wang a seu homólogo nas Nações Unidas na quarta-feira. Ele reafirmou o compromisso da China com um sistema internacional centrado na ONU e sua oposição a “qualquer forma de política de poder e intimidação”.
O gigante asiático demonstra frequentemente seu apoio à ilha latino-americana. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou no fim de semana o recebimento de um carregamento inicial de 15 mil toneladas de arroz enviado por Pequim, que, segundo ele, prometeu um total de 60 mil toneladas.
“A China continuará a defender a justiça e a se manifestar em favor de Cuba, apoiando a justa causa do povo cubano e contribuindo para o desenvolvimento da economia cubana, bem como para a melhoria das condições de vida de seu povo”, acrescentou Wang.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na quarta-feira (27), sanções contra a agência recém-criada pelo Irã para controlar o fluxo pelo Estreito de Ormuz.
“A mais recente tentativa das forças armadas iranianas de extorquir o comércio marítimo global é prova de que [a operação] Fúria Econômica deixou o regime desesperado por dinheiro em espécie”, disse em comunicado o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Teerã criou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para cobrar taxas pela passagem por esse estratégico corredor marítimo. O comunicado estendeu a ameaça de sanções a qualquer um que pagar, porque “poderia estar oferecendo apoio e recebendo serviços” da Guarda Revolucionária do Irã.
Na televisão, em murais de rua, em cartazes de obras em andamento e até em brinquedos distribuídos em bairros pobres. O rosto de Nicolás Maduro reinou na Venezuela por anos. Mas agora, meses depois de sua queda, o novo governo o apaga pouco a pouco. “O início de uma nova etapa” foi o sugestivo slogan escolhido pela máquina de propaganda da presidente interina, Delcy Rodríguez, para celebrar, em abril, seus primeiros 100 dias de gestão. Ficaram para trás os apelos pela libertação de Maduro lançados imediatamente depois de ser capturado, em 3 de janeiro, por forças americanas junto com sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram transferidos para uma prisão em Nova York, acusados de narcotráfico. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No final de fevereiro, quando anunciou o início da “Operação Fúria Épica” e lançou, ao lado de Israel, toneladas de bombas sobre o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, garantia que seria um conflito rápido, e que deixaria a República Islâmica de joelhos. Três meses depois, e em meio a um tenso cessar-fogo anunciado em abril, a “vitória completa” não se concretizou. O regime, embora ferido, segue em pé, pode conseguir um acordo favorável. O Estreito de Ormuz está praticamente fechado, e o status de outras passagens marítimas é reavaliado. E o Oriente Médio, que Trump prometeu remodelar, traça caminhos não necessariamente benéficos aos americanos.
— Trump se colocou em uma situação de xeque porque ele chamou para jogar xadrez um adversário, o Irã, que tem menos a perder. E eles aprenderam a gostar do conflito — explica ao GLOBO Gustavo Macedo, professor de Economia do Insper. — Depois dos primeiros dias, com a perda das lideranças políticas, os iranianos entenderam que a extensão de um conflito controlado joga a favor deles.
Diálogo em curso: Trump reúne gabinete em Washington em meio a negociações com o Irã e disputa sobre Ormuz
Retórica bélica: Líder supremo do Irã afirma que países do Golfo não serão mais ‘escudo’ para os EUA enquanto ataques pressionam negociações
Nos primeiros atos da guerra, as perdas nos altos escalões em Teerã foram elevadas, a começar pelo líder supremo, Ali Khamenei. Mas um dos objetivos velados do republicano, a mudança de regime, sequer soou como uma possibilidade real. Como o próprio Trump reconheceu em seu discurso no dia 28 de fevereiro, essa era uma guerra para a qual Teerã se preparava desde 1979, quando a Revolução Islâmica afastou o governo pró-Washington do xá Reza Pahlevi.
A tática descentralizada de comando foi eficaz para superar as baixas nos altos escalões, e o uso de foguetes e drones de baixo custo foi crucial para manter o Estreito de Ormuz praticamente fechado. A passagem que dá acesso ao Golfo Pérsico se tornou arma estratégica contra a maior potência militar do planeta. As ameaças de “obliteração civilizacional” até hoje não passaram de retórica.
— Para os iranianos, o poder de dissuasão dos EUA e de Israel acabou. O regime sobreviveu aos ataques, e isso torna a liderança iraniana que emerge desse conflito muito mais radical, e muito mais disposta a assumir riscos — afirmou ao GLOBO o professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme) Sandro Teixeira Moita.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Nas negociações com os EUA, a reabertura do estreito, por onde passavam 25% das exportações globais de petróleo e gás, é a principal meta. Mas o retorno a algo parecido ao status quo pré-conflito não virá de graça: os iranianos querem mais tempo para discutir o futuro do programa nuclear, não aceitam falar sobre seus mísseis ou milícias aliadas na região — o Eixo da Resistência — e exigem o fim do bloqueio econômico e o desbloqueio dos fundos congelados no exterior.
Com uma economia dilacerada, o dinheiro ajudaria na reconstrução e, em um ponto criticado por Israel, a reerguer as capacidades militares. Como demonstrado em alto-mar, os americanos não conseguiram reabrir Ormuz, e outros países — em especial os da Otan — tampouco querem assumir o risco.
Diz jornal: EUA subestimaram eficiência militar do Irã, que atingiu 228 bases e equipamentos americanos na região
Neste cenário, a discussão sobre o futuro dos estreitos marítimos — que inclui a cobrança de pedágio, tal como quer o Irã — se pôs à mesa. Em abril, o ministro das Finanças da Indonésia levantou a ideia de cobrar pelo trânsito de navios pelo Estreito de Malaca, principal rota entre os oceanos Pacífico e Índico, sob críticas de outras duas nações da área, Malásia e Cingapura. A Somália e os houthis no Iêmen não raro ameaçam e barram embarcações que transitam pelo Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho. Um comentarista britânico afirmou recentemente que se cada navio que passar pelo Canal da Mancha pagar £ 1 milhão, geraria £ 288 bilhões anuais a Londres.
— Ficou evidente que os países continuam sendo reféns da geografia. É uma expressão clássica das relações internacionais, em um mundo hiperconectado e com uma cadeia de valor que depende da ligação entre os países. E essa cadeia de produção é mais sensível e vulnerável do que alguns atores econômicos gostariam de reconhecer — opina Macedo.
O caos em Ormuz não estava entre os desfechos apresentados pelo premier de Israel, Benjamin Netanyahu, quando tentou convencer Trump a atacar o Irã. Ele alegou que o regime estava em seu estado mais frágil desde 1979, e que era hora de agir. As mortes das lideranças nos primeiros dias pareciam confirmar os argumentos, mas a resiliência iraniana e as retaliações regionais soaram como surpresa. Especialmente para as monarquias árabes do Golfo, que desde o início tentam evitar confusão.
— Esse conflito trouxe uma insegurança estrutural na região, envolvendo países relativamente seguros e protegidos, e que recebiam um elevado fluxo de investimento de empresas estrangeiras, especialmente dos EUA — afirma Macedo.
O desmantelamento da imagem de ilhas de prosperidade impôs a países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos um custo difícil de estimar em termos econômicos e políticos. Segundo Moita, as monarquias começam a questionar se valia a pena abrigar bases americanas em troca de uma suposta segurança prometida por Washington — durante os 40 dias de conflito aberto, alvos como instalações civis e de energia sofreram danos.
— O que fica para alguns é que talvez a aliança não seja a melhor situação. Talvez seja hora de trabalhar em outros acordos de segurança e em outros arranjos — explica Moita.
Os Emirados Árabes Unidos ampliaram sua parceria com Israel, e foram o primeiro país a receber baterias do sistema de defesa aérea Domo de Ferro. Os sauditas, embora restritos por compromissos duradouros com Washington, dão passos consistentes rumo à China, país que, em 2023, mediou o processo de reaproximação entre Riad e Teerã. Catar e Omã, ambos atingidos durante a guerra, abrem conversas com os iranianos — nos últimos dias, os catarianos assumiram o papel de mediação nas conversas para o desbloqueio de fundos pelos EUA. E outros atores, como Ucrânia e Coreia do Sul, querem aproveitar o mal-estar local com os americanos para ampliar a venda de armamentos a uma região que deve ampliar os gastos com Defesa no futuro próximo.
— Esse conflito vai gerar uma reconfiguração de toda a arquitetura de poder da região — afirma Moita.
Na segunda-feira, Trump disse que qualquer acerto diplomático deveria prever a adesão de países como Jordânia, Paquistão e Catar aos Acordos de Abraão, destinados à normalização dos laços com o Estado israelense. No Oriente Médio e regiões próximas, apenas os Emirados e o Bahrein aderiram — os demais alegam já terem acordos próprios ou condicionam a assinatura à criação de um Estado palestino. A menção foi um aceno a Israel, no momento em que Netanyahu está insatisfeito com um potencial acordo com Teerã para cuja elaboração não foi chamado.
O premier usa a ofensiva no Líbano para atacar o Hezbollah, aliado de Teerã, e manter uma frente de guerra ativa, em paralelo a ataques na Faixa de Gaza e ao incentivo à violência de colonos na Cisjordânia. A retomada unilateral dos bombardeios contra o Irã não foi descartada, nem pela oposição, e é tratada sob uma das óticas favoritas de Netanyahu: a da ameaça existencial. Mesmo sem o aval da Casa Branca.
— Netanyahu tentará de diversas maneiras manter um estado de inimizade com o Irã, porque há uma percepção de que o momento do confronto é agora, quando o tabu de um ataque direto ao Irã foi rompido — aponta Moita. — Para Israel, o Irã é um problema que tem que ser resolvido logo. Senão, avaliam que poderá chegar o momento em que os iranianos conseguirão uma certa paridade em capacidades militares.
O próximo domingo será palco de um fenômeno astronômico raro e cercado de curiosidade popular: a chamada “Lua Azul”. O evento poderá ser observado a olho nu em diversas partes do mundo, desde que as condições climáticas sejam favoráveis, incluindo no Brasil.
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Apesar do nome, a Lua não ficará azul. Trata-se, na verdade, da segunda lua cheia registrada dentro de um mesmo mês do calendário — algo incomum, mas perfeitamente explicado pelo ciclo lunar.
Uma vez a cada Lua Azul
Isso acontece porque a Lua leva cerca de 29,5 dias para completar um ciclo completo de fases. Quando uma lua cheia ocorre logo nos primeiros dias do mês, sobra tempo suficiente para que outra aconteça antes do encerramento daquele mesmo período. É exatamente o que ocorrerá em maio.
O fenômeno costuma chamar atenção justamente pelo caráter raro. Em média, a chamada Lua Azul aparece a cada dois ou três anos, o que ajudou a popularizar expressões como “uma vez a cada Lua Azul”, usada em inglês para se referir a acontecimentos incomuns.
Segundo especialistas, o evento poderá ser observado sem necessidade de telescópios ou equipamentos específicos. O ideal é procurar locais com pouca poluição luminosa, céu limpo e baixa nebulosidade, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
O fenômeno encerra um mês movimentado para os observadores do céu. No início de maio, astrônomos e curiosos já haviam acompanhado a chuva de meteoros Eta Aquáridas, associada aos fragmentos deixados pelo famoso Cometa Halley.
Enquanto a Rússia não consegue avançar na guerra na Ucrânia, o presidente Vladimir Putin parece estar buscando um conflito mais amplo na Europa, visando cada vez mais infraestruturas críticas e cadeias de suprimentos, afirmou uma das mais altas autoridades de inteligência britânicas em um discurso preparado. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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