Entenda o caso: China lança manobras militares com munição real ao redor de Taiwan em alerta a movimentos pró-independência e forças estrangeiras
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— Eu não acredito que ele vá fazer isso [invadir Taiwan] — afirmou Trump na segunda-feira, após o início dos exercícios militares, batizados por Pequim de “Missão Justiça 2025”, referindo-se ao líder chinês, Xi Jinping, com quem disse ter “uma grande relação” e afirmou não ter sido avisado sobre nada neste sentido.
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A China anunciou os exercícios como parte de um alerta a forças pró-independência, que acusa de ameaçar a soberania chinesa sobre o território. A mobilização militar, porém, acontece em meio a uma escalada de tensões com atores estrangeiros, incluindo Japão e EUA, que nos últimos meses fizeram declarações e gestos considerados hostis por Pequim — incluindo declarações de Tóquio sobre apoiar forças de Taipé em caso de um avanço militar chinês, e um pacote bilionário de venda de armas de Washington.
O Exército de Libertação Popular da China (ELP) informou em comunicado que realizou exercícios de fogo real de longo alcance nas águas ao norte da ilha de Taiwan neste segundo dia de mobilização, e que “alcançou os efeitos desejados”. Autoridades chinesas confirmaram que o deslocamento militar incluiu equipamentos como contratorpedeiros, fragatas, caças e bombardeiros, em exercícios com foco em identificação e ataque, bem como operações antiaéreas e antissubmarinas.
Autoridades taiwanesas contabilizaram 27 foguetes disparados pelas forças chinesas, enquanto jornalistas com base na ilha de Pingtan — ponto mais próximo entre a China e a principal ilha de Taiwan — relataram que os disparos começaram por volta das 09h00 (22h de segunda-feira em Brasília), em rápida sucessão e provocando um som estrondoso. Rastros de fumaça branca marcaram o céu.
China lança foguetes em segundo dia de exercícios militares ao redor de Taiwan
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, expressou sua “mais forte condenação” aos exercícios chineses, e disse que Pequim tenta minar “a estabilidade regional através da intimidação militar”. Em um post no Facebook, Lai classificou a mobilização como uma “provocação flagrante”, acrescentando que Taipé não iria escalar a situação.
Apesar da condenação aos exercícios, qualificados como “altamente provocativos e imprudentes”, as autoridades em Taipé afirmaram que a manobra falhou em impor um bloqueio à ilha. Um alto oficial militar afirmou nesta terça que a China não conseguiu realizar o bloqueio total pretendido — segundo a TV estatal CCTV, um tema central dos exercícios seria um bloqueio dos principais portos taiwaneses, incluindo Keelung, no norte, e Kaohsiung, no sul.
— Quanto à intenção de impor um bloqueio, acredito que nossa Guarda Costeira já deixou claro que esse bloqueio, na essência, não ocorreu — disse Hsieh Jih-sheng, vice-chefe do Estado-Maior de Inteligência do Ministério da Defesa de Taiwan.
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O Ministério da Defesa de Taiwan relatou nesta terça-feira ter detectado pelo menos 130 aeronaves militares chinesas perto da ilha, bem como mais de 50 embarcações, incluindo 27 navios de guerra, ao longo do exercício. A guarda costeira taiwanesa informou ter mobilizado 14 navios para monitorar a atividade naval, “empregando uma abordagem de monitoramento individual (um para um) para dissuadir as embarcações com força”.
Taiwan afirmou que as zonas, algumas das quais ficam a menos de 12 milhas náuticas de sua costa, afetaram rotas internacionais de navegação e aviação. Centenas de voos foram cancelados ou atrasados, de acordo com a Administração de Aviação Civil da ilha.
Disputa mais abrangente
Em meio aos exercícios militares, autoridades chinesas subiram o tom contra movimentos de atores estrangeiros, vistos como hostis à China e favoráveis a forças independentistas. O principal diplomata da China, Wang Yi, disse nesta terça-feira que Pequim iria “contra-atacar com força” a venda de armas em larga escala dos EUA para Taiwan, acrescentando que qualquer tentativa de obstruir a unificação da China com a ilha “terminará inevitavelmente em fracasso”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, chamou os exercícios de uma “resposta punitiva às forças separatistas de independência de Taiwan e uma ação necessária para defender a soberania nacional”.
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No arquipélago, muitos habitantes reagiram de forma estoica, e minimizaram a chance real de uma ocupação chinesa total.
— Guerra? Impossível. São apenas ameaças — disse Tseng Chang-chih, um vendedor de frutas de 80 anos, ouvido pela AFP.
Em um mercado de Taipé, o peixeiro Chiang Sheng-ming, de 24 anos, também disse não ver motivos para grande comoção.
— Houve tantos exercícios como este ao longo dos anos que já estamos acostumados — afirmou.







