Trata-se de uma guinada na postura de Trump, que acontece após o gesto da opositora de presenteá-lo com a medalha do prêmio Nobel da Paz, que ela recebeu em dezembro passado.
Em carta à Noruega, Trump relaciona ambição pela Groenlândia à rejeição ao Nobel da Paz: ‘Não me sinto obrigado a pensar só na paz’
‘Patético’, ‘insólito’ e ‘ridículo’: noruegueses criticam María Corina por entregar Nobel da Paz a Trump
– É uma mulher incrivelmente gentil que fez algo realmente incrível. Estamos conversando com ela, talvez possamos envolvê-la de alguma forma, eu adoraria – disse o mandatário a jornalistas.
Até agora, María Corina havia sido deixada de lado dos planos de Trump, que cultivou nos últimos dias uma relação com Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela que assumiu a liderança do país pós-Maduro.
Temores de caos e relação desgastada: Por que Trump não apoiou María Corina após retirada de Maduro na Venezuela
Delcy firmou acordos energéticos com os Estados Unidos, comprometeu-se a libertar presos políticos e iniciou aproximações para retomar as relações, rompidas desde 2019.
A presidente interina informou o recebimento dos primeiros US$ 300 milhões provenientes da venda de petróleo venezuelano por parte dos Estados Unidos. Essa receita será injetada no mercado cambial para estabilizar a moeda volátil.
Ela também nomeou um novo czar para a captação de investimentos internacionais, ao mesmo tempo em que faz acenos a petroleiras americanas para que invistam no país.
Trump também falou por telefone com Delcy Rodríguez, a quem qualificou como “formidável”.
‘Caminho rumo à democracia’
Maduro foi deposto em 3 de janeiro durante ataque e invasão americana na Venezuela, que incluiu bombardeios em Caracas e regiões próximas.
O governante chavista foi detido e transferido, junto com sua esposa, Cilia Flores, para Nova York para enfrentar um julgamento, acusado de narcotráfico.
María Corina estava fora da Venezuela no dia do ataque. Depois de passar mais de um ano na clandestinidade, ela havia fugido do país em uma operação hollywoodiana para receber o prêmio Nobel em Oslo no dia 10 de dezembro.
Chegou atrasada, mas conseguiu saudar apoiadores e iniciar uma agenda internacional, que incluiu a visita a Trump em 15 de janeiro, na Casa Branca.
Foi nesse encontro que ela presenteou o mandatário americano com sua medalha do Nobel – atitude não reconhecida como válida pelo comitê que a elegeu ao prêmio.
Análise: Trump tem uma saída pacífica para a Groenlândia, mas não parece disposto a usá-la
María Corina também se reuniu com congressistas americanos e, nessa terça-feira, com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin.
– Todos os países que são Estados-membros da OEA devem ouvir seu povo, porque eu sei que os povos deste hemisfério estão conosco – declarou Corina a jornalistas após o encontro com Ramdin.
A OEA tem se mostrado dividida sobre a crise venezuelana.
– Estamos nessa situação em que há um processo, um caminho à frente rumo à reinstitucionalização e à democracia – acrescentou Corina.
‘Onde estão?’
A libertação de presos políticos prometida por Delcy Rodríguez avança muito mais lentamente que outros compromissos com Trump.
Familiares denunciaram, de fato, que cerca de 200 pessoas estão em condição de “desaparecimento forçado” na Venezuela e exigiram do Ministério Público uma prova de vida.
“Onde estão?”, “Chega de desaparecimentos forçados”, lia-se em cartazes em frente à sede do Ministério Público, onde havia um concentração com cerca de 100 pessoas. Uma comissão entregou um documento.
Até agora, estima-se que cerca de 150 pessoas foram libertadas dentro de um universo que supera os 800 detidos, segundo o balanço de ONGs.
Em Washington, após sua reunião com congressistas republicanos, María Corina exaltou esse protesto em Caracas.
– Isso era impensável antes de 3 de janeiro – declarou a líder opositora. – Há um país que sabe que não está sozinho – disse.
– Meu objetivo principal é voltar à Venezuela o mais rápido possível – acrescentou.








