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Crítico dos pensadores que resistem a classificar movimentos autoritários da extrema direita contemporânea como fascistas, o filósofo Vladimir Safatle defende que é preciso perder o medo de nomear esse fenômeno. E, mais do que isso, considerar que seus apoiadores fazem um cálculo racional:

“É mais ou menos o seguinte: ‘não tem mais sociedade para todo mundo, não tem mais espaço para todo mundo, alguém vai ter que sair e alguém vai ficar. E é melhor que esse alguém que vai ficar seja eu'”, descreve em entrevista exclusiva à Agência Brasil o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

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Autor de A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais, ele participa do debate Novos Fascismos Globais, no próximo sábado (6), a partir das 11h40, dentro da programação d’A Feira do Livro, em São Paulo. 

Segundo Safatle, formas de violência típicas de estruturas fascistas foram naturalizadas em democracias liberais, quando acontecem em determinados territórios e são cometidas contra certos grupos. Ele defende ainda que haja reflexão no ambiente acadêmico em relação à evolução do conceito de fascismo, em vez de reduzi-lo ao contexto do autoritarismo na Itália, na década de 1930.

“Uma boa parte dos intelectuais que hoje se recusam a sequer pensar na possibilidade de que há mesmo um fascismo que é um elemento constituinte da nossa história, da nossa realidade, eles acabam sendo cúmplices desse processo”, disse Safatle.

Confira os principais trechos da entrevista.

Agência Brasil: Gostaria que você falasse sobre a evolução e aplicação do conceito de fascismo.

Vladimir Safatle: Eu sou daqueles que acham que o uso do termo fascismo é adequado para dar conta das formas de autoritarismo contemporâneo. Na verdade, a gente teve um uso muito restrito que tentava circunscrever o fascismo a um fenômeno histórico preciso dos anos 1930 que não se repetiria mais.

Eu acho que isso é fruto de uma decisão política, antes de qualquer outra coisa, que é de tentar impedir que se perceba como as nossas democracias liberais sempre naturalizaram, em certos territórios, para certos grupos, em certos contextos, práticas e formas de violência que são tipicamente utilizadas dentro de estruturas fascistas.

Por isso que eu sou daqueles que acham que, melhor do que falar de uma democracia liberal como uma forma natural da nossa estrutura política, seria mais interessante falar de fascismos restritos, que, em situação de crise, se generalizam, como o que está acontecendo agora. Restrito porque são formas de violência fascista que estão sendo aplicadas de maneira sistemática contra certos grupos sociais, em certos territórios, em certas circunstâncias, e elas são práticas normais dentro das nossas sociedades.

 


São Paulo - 03/06/2026 - Vladimir Safatle é professor  do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP . Foto: Cecília Bastos/USP

Vladimir Safatle é professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP . Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Agência Brasil: O que o conceito de fascismo significou historicamente e como pode ser caracterizado no período mais recente no Brasil?

Vladimir Safatle: A estrutura de violência do fascismo histórico já é uma derivação, ela não é uma coisa que aparece lá [na década de 1930]. Ela é uma derivação da violência colonial. Todos os dispositivos de tecnologia de violência do fascismo foram desenvolvidos inicialmente dentro de contextos coloniais. Guerra de raça, supremacismo, desaparecimento forçado, extermínio, massacres administrativos, indiferença a genocídio, estruturas de estado dual, ou seja, tudo isso estava presente dentro do colonialismo.

Mais do que isso, países que têm forte matriz colonialista, como no caso brasileiro, vão à sua maneira perpetuar essas formas de violência na relação do Estado com certas populações. Eu tendo a dizer, basicamente, que é impossível falar em democracia se você não coloca uma questão posterior que é: democracia na perspectiva de quem?

Na perspectiva de alguém que habita onde eu habito, Higienópolis [bairro nobre de São Paulo], e que está na classe em que eu estou, é possível falar em democracia no Brasil, por exemplo, porque eu tenho integridade pessoal, sei que a polícia não vai bater aqui na minha casa sem um mandado colocando uma metralhadora na minha cabeça do nada.

Mas, se você mora no Complexo do Alemão, onde é possível matar 122 pessoas e depois essas pessoas continuarem sem nome, sem história, sem dolo, sem comoção pública, sem indiciamento das pessoas responsáveis, falar de democracia nesse caso é uma obscenidade. Dessa perspectiva, [a democracia] ela simplesmente nunca existiu.

Agência Brasil: Essas seriam as feições específicas do fascismo brasileiro? Quais os aspectos e manifestações mais imediatas e perceptíveis na rotina democrática do país?

Vladimir Safatle: Tem estruturas de permanência de violência, segregação muito explícita da forma de proteção do Estado, o Estado protege certos setores e preda outros. Em países como o Brasil, isso é uma norma muito explícita, é muito fácil perceber. Mesmo em países europeus, por exemplo, que normalmente são vistos como exemplos do que seria a democracia liberal, é sempre bom lembrar que esses países foram países coloniais até o final dos anos 1960, pelo menos. Ou seja, essa lógica estava presente no território deles, uma distinção territorial entre metrópole e colônia.

Só que, posteriormente, com o acirramento das crises estruturais do capitalismo, a tendência é que eles voltem a praticar níveis de violência nesse sentido, de maneira cada vez mais sistemática, contra as populações precarizadas que agora habitam os seus próprios territórios metropolitanos. Então, toda a dinâmica própria [em relação] aos imigrantes, desde centros de detenção até deportação forçada. Então, é claro o fascismo, a violência fascista.

Eu acho que a gente tem que descrever o fascismo principalmente como uma forma de violência, ela tem gradações, isso já desde o fascismo histórico. E essas gradações vão se fortalecendo, ou seja, você vai aumentando a gradação de acordo com a dinâmica interna do processo e a lógica de crise à qual vai ter que se confrontar.

Agência Brasil: O fascismo está ligado necessariamente à extrema direita?

Vladimir Safatle: Sim. Você pode falar “mas tem violências também na esquerda e todo esse tipo de coisa”. Sim, claro. Só que eu não sou daqueles que, por exemplo, como a Hannah Arendt, trabalharia com conceito similar de violência num caso e no outro. Ela utiliza, por exemplo, o conceito de totalitarismo para criar um amálgama entre a violência fascista e a violência stalinista, por exemplo. Eu acho que são duas formas de violência que estão longe de serem realmente o espectro da luta por emancipação, independentemente do que a gente possa entender por isso, mas elas são formas diferentes de violência.

Eu tentei trabalhar isso no meu livro, a violência fascista tem uma grande diferença em relação à violência do stalinismo. A violência do stalinismo é uma violência de preservação do Estado, é uma violência clássica, é um Estado que mobiliza sua violência contra setores descontentes ou em sedição na sociedade. A violência fascista é outra coisa, é um tipo de violência suicidária, ou seja, ela desenvolve uma lógica auto-sacrificial de natureza tal que até mesmo o próprio Estado começa a entrar em colapso.

Ou seja, ela [a violência fascista] não para na preservação do Estado, ela é uma violência de transformação da sociedade em uma dinâmica de guerra permanente. Nessa dinâmica de guerra permanente, para sustentá-la, é necessário que se sustente uma espécie de mobilização permanente para a guerra, e chamados contínuos ao sacrifício de si. Eu diria que essa é uma tendência que vai se aprofundando.

Você pode falar “mas isso é só numa situação de guerra explícita”. O que a gente vê hoje, mais ou menos dessa maneira, é a forma com que os Estados que são atualmente governados pela extrema de direita têm uma lógica [de gestão] que, diante das catástrofes climáticas, das catástrofes ecológicas, das catástrofes sanitárias e das catástrofes humanitárias, é importante que se acomode a sociedade a aceitar isso como algo normal. Ou seja, como se a sociedade aceitasse, afinal de contas, um nível cada vez maior de destruição dentro do seu próprio seio.

Agência Brasil: Então, o conceito de fascismo permanece pertinente para compreender especialmente a realidade brasileira?

Vladimir Safatle: A gente tem cada vez mais crises ecológicas brutais no nosso presente e no nosso futuro. Diante delas, você tem duas opções a fazer: gerenciá-las, ou seja, tratar as causas dessas crises para que elas não voltem a ocorrer, ou simplesmente não fazer nada e tratar como se elas fossem casos normais a partir de agora. Você pode até tentar reconstruir aquilo que uma enchente destruiu, remontar aquilo que o incêndio queimou, mas, no fundo, se nenhuma das causas são modificadas, você sabe que isso vai acontecer de novo.

Eu lembraria que esse segundo paradigma, que é uma espécie de lógica da contra gestão, é o mais utilizado hoje em dia. É quase como se estivesse acomodando a sociedade a admitir que ela vai ser destruída.

Agência Brasil: A gestão da pandemia no Brasil é um exemplo de situação que foi atravessada pelo fascismo?

Vladimir Safatle: Sim, foi. Eu diria que foi aí, inclusive, que eu comecei a escrever esse livro. Quando, diante daquilo, para mim, estava muito claro que era alguma coisa de uma natureza completamente diferente. Não era nada parecido com o que a gente tinha visto antes.

Agência Brasil: A quais esferas de gestão você se refere?

Vladimir Safatle: Teve uma dinâmica de contraposição, de fato, teve esferas estaduais que agiram de maneira, entre aspas, mais tradicional, que é tentar respeitar certos protocolos de autopreservação da população. Só que a dinâmica federal desestabilizou tudo. Ela funcionava de um jeito que a gente nunca tinha visto, que era naturalizar para a sociedade a ideia de que agora ia se confrontar com o nível mais elevado de, digamos, exposição à morte violenta, isso para todo mundo. É quase uma lógica do sacrifício.

Quando você via aquela massa de pessoas indo fazer manifestações diante de hospitais para criticar a ação dos médicos e dos enfermeiros, ou seja, para se expor a um nível mais elevado de morte, como se fosse um ato de coragem, isso tem uma matriz muito clara do tipo de auto sacrifício que é próprio do fascismo, que modifica radicalmente as subjetividades naquele momento.

E você pode falar “ah, mas isso aconteceu só no Brasil”. Por isso que eu insisto: não, na verdade, o que a gente viu no Brasil é uma coisa que a gente deve chamar de lógica da contra gestão de crise.

Seja uma crise sanitária, seja uma crise ecológica, seja uma crise econômica, o que você vê é cada vez mais o Estado fazendo menos. E esse “fazer menos” implica em cada vez mais deixar a sociedade à mercê da destruição, que a gente vê de forma cada vez mais explícita. É importante ver isso a partir de uma lógica da naturalização do sacrifício, que é própria do que a gente vê no interior de situações tipicamente fascistas.

Agência Brasil: Considerando que se trata de uma ameaça interna, o que precisa ser feito por partidos, grupos ou organizações sociais para suprimir a disposição fascista das democracias liberais?

Vladimir Safatle: Primeiro, entender mais claramente o que é o fenômeno e não ter medo de nomear o fenômeno. Dar nome correto às coisas é a primeira condição para conseguir resolver os problemas.

Segundo, lembrar que essa opção fascista não é uma regressão psicológica, não é fruto de algum tipo de déficit cognitivo, déficit moral, [nem] que as pessoas estão envolvidas num ódio eterno ou são tão burras que acreditam que a Terra é plana, acreditam em fake news ou qualquer coisa parecida. Na verdade, é uma escolha racional do fascismo.

É importante entender esse cálculo racional. Acho que é um elemento mais desafiador hoje para a nossa perspectiva analítica. Na verdade, quem escolhe isso, escolhe fazendo um cálculo que é mais ou menos o seguinte: “não tem mais sociedade para todo mundo, não tem mais espaço para todo mundo, alguém vai ter que sair e alguém vai ficar. E é melhor que esse alguém que vai ficar seja eu. Se for você que tiver que sair, desculpe, mas é você ou sou eu”. Tem uma dinâmica de dessensibilização social fundamental aí.

Eu não posso sentir que o seu destino diz respeito a mim também, eu não posso imaginar que o que acontecer com você e que a sua tragédia também seja uma tragédia minha. Então, a indiferença tem que ser o afeto central da sociedade. Essa é uma transformação enorme, porque implica você decompor todas as estruturas de solidariedade social que ainda restavam.

Agora, o que os partidos políticos podem fazer, o que os atores políticos podem fazer, é compreender como a gente chegou até aqui, primeira coisa. Como é que a gente chegou numa época em que a coisa mais racional é ser fascista.

Ou seja, tem um fracasso nosso, muito importante. Até agora, parece que a gente não consegue mais convencer a sociedade de que há uma outra alternativa, de que não estamos destinados a aceitar que não há mais sociedade para todo mundo. Isso não é só uma questão de discurso, é uma questão de ação, então, tem toda uma discussão sobre o tipo de ação que a gente fez nesses últimos tempos, para que a gente chegasse até esse ponto.

 


Brasília - Df - 03/06/2026 - Filósofo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Vladimir Safatle. Foto: Facebook/Vladimir Safatle

Filósofo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Vladimir Safatle. Foto: Facebook/Vladimir Safatle

Agência Brasil: Entre intelectuais e pesquisadores, há uma resistência para usar o termo fascismo para caracterizar as relações sociopolíticas do país. O que pode estar na base dessa resistência? O que explica essa resistência?

Vladimir Safatle: A gente está falando de um país, principalmente no que diz respeito à resistência de pesquisadores brasileiros, que teve o maior partido fascista fora da Europa, que é a Ação Integralista Nacional, que teve 1,2 milhão de membros nos anos 1930. O Integralismo teve uma influência fundamental no golpe, na ditadura militar. Lembrando que o integralista Augusto Rademaker era vice-presidente do [Emílio Garrastazu] Médici. A junta militar [na época] era composta por três militares, dois eram integralistas. Essa junta que vai fazer inflexão da linha dura no regime militar.

A gente teve um presidente que, em setembro de 2021, depois de tentar desestabilizar a República em 7 de setembro, com os seus apoiadores, foi obrigado a fazer uma carta à nação, e ele assina com o lema integralista “Deus, Pátria e Família”. Ou seja, a história do fascismo nacional é uma história constituinte do Brasil.

A universidade deveria começar fazendo uma profunda autocrítica sobre como é que foi capaz de não enxergar essa história por tanto tempo, até que ponto a gente foi ensinado a não vê-la.

Talvez para não perceber que nós não estávamos dentro de um processo de aprofundamento das nossas democracias, a gente estava num processo de preservação de uma estrutura de violência e de precarização das vidas que nunca mudou um centímetro, nunca mudou uma linha.

Eu diria que uma boa parte dos intelectuais que hoje se recusam a sequer pensar na possibilidade de que há mesmo um fascismo que é um elemento constituinte da nossa história, da nossa realidade, eles acabam sendo cúmplices desse processo. E cumplicidade intelectual em relação ao que há de pior na sociedade brasileira não vai ser nenhuma novidade.

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A água potável em Cumaná, cidade no leste da Venezuela, está em níveis extremamente baixos. Apagões diários assolam a cidade. O vento uiva pelos restos saqueados de sua outrora ilustre universidade. Catadores vasculham lixões em busca de restos de comida. Grande parte de Cumaná, que já foi uma joia da coroa da base industrial do país, tem a atmosfera de uma zona de guerra devastada. Esta cidade litorânea é um mundo completamente diferente de Caracas, a capital, que está prestes a vivenciar uma recuperação em grande parte isolada da decadência que assola grande parte do país. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um novo estudo sobre o derretimento do permafrost, o solo que fica permanentemente congelado no planeta em altas latitudes, eleva o grau de preocupação sobre o que vai acontecer com as terras do hemisfério Norte à medida que a mudança climática avança. Esse fenômeno provocará emissões maciças de carbono antes do esperado, diz a pesquisa.
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A previsão sobre o que vai acontecer com essas áreas de terra firme sempre desafiou os cientistas porque um outro fenômeno, o crescimento acelerado de florestas boreais, poderia atuar como compensador. Entretanto, o novo trabalho, liderado pelo Laboratório de Ciências Ambientais e do Clima da Universidade de Paris, reduz as esperanças de que isso ocorra.
— Por um lado, temperaturas mais altas e estações de crescimento mais longas podem estimular o crescimento das plantas, permitindo que a vegetação absorva mais CO₂ da atmosfera — explica a autora principal do estudo, Yi Xi. — Por outro, o aquecimento também acelera a decomposição da matéria orgânica do solo, liberando carbono de volta para a atmosfera.
O que a cientista especializada em biogeoquímica fez com seus colegas para entender melhor o que acontecerá com o permafrost foi um modelo de simulação matemática que busca prever quanto desse solo derreterá diante de cenários relativamente pessimistas do aquecimento global (acima de 3.5°C graus de acréscimo até 2100).
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Seu projeto foi o primeiro a levar em conta dados sobre o que está acontecendo com o solo abaixo de três metros da superfície, e gerou previsões mais preocupantes do que a literatura científica tem até agora.
— Muitas projeções de modelos anteriores sugeriam que o aumento da produtividade vegetal poderia compensar ou mesmo exceder as perdas de carbono do solo durante este século, resultando em um ganho líquido de carbono para as terras do norte — diz. — Nosso estudo mostra que essa conclusão se torna muito menos certa quando o carbono do permafrost profundo é incluído. O carbono adicional liberado dos solos profundos enfraquece substancialmente o sumidouro de carbono terrestre projetado e pode até mesmo revertê-lo nos cenários de aquecimento mais intenso.
A dificuldade de cientistas em avaliar reservatórios profundos de carbono é que eles se formaram ao longo de dezenas de milhares de anos e, para representá-los de forma realista, os modelos devem simular não só o ciclo do carbono atual, mas também o histórico de longo prazo de acumulação, sedimentação, congelamento e soterramento do carbono.
O que o grupo de Yi Xi conseguiu fazer foi desenvolver uma nova estrutura que reconstrói a formação e a acumulação de carbono do permafrost profundo em escala de tempo milenar, permitindo que esses estoques de carbono sejam representados de forma mais realista.
Levando isso em conta, o estudo da cientista, publicado nesta semana na revista Science Advances, mostra uma situação inversa ao que modelos anteriores haviam apontado para o período entre 1900 e 2100. Enquanto estudos feitos previamente apontavam que nesse intervalo o solo gelado absorveria entre 43 e 65 bilhões de toneladas de carbono, seu novo modelo aponta que ele vai na verdade emitir entre 3 e 32 bilhões de toneladas.
Como o derretimento do permafrost agrava o próprio fenômeno que o provoca, cria-se um ciclo de retroalimentação que contribui para agravá-lo.
Metano e gás carbônico
Um outro ponto preocupante do estudo é que todo o balanço de carbono que ele avaliou se refere apenas ao CO₂, o gás de efeito estufa mais comum em ação no fenômeno do aquecimento global. Além dessa substância, porém, o permafrost possui grandes reservas de metano (CH4), um gás-estufa muito mais potente, que apesar de ser menos abundante pode agravar de maneira significativa a crise do clima.
— O metano é um gás que origina de uma decomposição sem presença do oxigênio, enquanto a geração de CO₂ precisa de oxigênio. Então, o metano em geral se solta do fundo de reservatórios ou de áreas com muita matéria orgânica, como é o caso do permafrost — explica o biogeoquímico João Ometto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A preocupação maior com o metano, talvez, tenha feito a comunidade científica ter se dedicado menos a entender a dinâmica do CO₂ nos solos congelados. Apesar de o CH4 ser mais potente, ele se degrada mais rápido na atmosfera, e no longo prazo o CO₂ se torna um problema muito maior.
O estudo de Yi Xi não aborda a questão de por que o solo do Norte está emitindo mais CO₂ do que se esperava. Ometto acredita que isso pode ter, talvez, relação com o crescimento de florestas boreais.
— Uma coisa interessante é que a respiração de raízes das plantas pode contribuir no processo de decomposição oxidativa de matéria orgânica no solo, pelas bactérias e pela microfauna, porque o crescimento de raízes provoca entrada de mais oxigênio no solo — afirma. — É um processo de dinâmica biológica que é potencializado pelo aumento da temperatura no planeta.
O estudo de Yi Xi não incluiu o metano na conta geral do equilíbrio de entrada e saída de carbono, mas ela afirma que fazê-lo provavelmente reforçaria, em vez de atenuar, o impacto climático do degelo do permafrost.
IPCC em alerta
Essa nova pesquisa vem num contexto preocupante para o clima, porque a literatura científica sobre outros fenômenos de retroalimentação do clima mostram que esse tipo de fenômeno perturbam o sistema mais do que se esperava. É o caso, por exemplo, do enfraquecimento das correntes do Atlântico, e da transição de florestas para savanas na Amazônia.
Todas essas novas pesquisas podem incorrer em ajustes no consenso sobre a ciência da mudança climática construída painel de cientistas do clima da ONU, o IPCC. O grupo deve voltar a se reunir no final do ano para começar a elaborar um novo relatório de avaliação, que pode dar um prognóstico mais grave para o futuro do planeta.
— Eu tenho receio em fazer previsões sobre futuras avaliações do IPCC, mas posso afirmar é que as pesquisas estão se concentrando cada vez mais em processos que antes eram simplificados ou omitidos dos modelos, incluindo o carbono do permafrost — diz Yi Xi. — Em muitos casos, a incorporação desses processos reduz a capacidade de amortecimento do sistema terrestre e revela riscos adicionais sob o aquecimento contínuo. Ao mesmo tempo, ainda existem incertezas em ambas as direções. O objetivo desta pesquisa não é necessariamente tornar as projeções mais pessimistas, mas sim torná-las mais realistas e fisicamente completas.
A projeção feita pela cientista, de todo modo, leva em conta apenas os dois cenários mais graves possíveis de aquecimento futuro, com aumento de 3,6°C e 4,4°C até 2100. Caso o planeta consiga conter a elevação de temperatura a no máximo 1,5°C (objetivo do Acordo de Paris), o destino do permfrost talvez seja outro. A marca dos 1,5°C, porém, pode ser atingida já na próxima década, o que torna os cenários pessimistas mais realistas do que eram antes.
Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora e um ícone da luta pelos direitos humanos na Argentina, faleceu neste domingo, aos 95 anos, após mais de quatro décadas como uma das vozes mais reconhecidas contra os crimes da última ditadura. “Com profunda tristeza, compartilhamos a triste notícia: hoje, nossa querida Taty Almeida, presidente da Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora, faleceu”, afirmou um comunicado da organização de direitos humanos.
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Com seu lenço branco sempre amarrado ao pescoço, Almeida foi uma figura incansável nas mobilizações que exigiam memória, verdade e justiça pelos crimes da ditadura, mas também acompanhou sempre os movimentos operário e estudantil com sua presença e sua voz inconfundível.
“Obrigada por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta perdida é a abandonada e que não há força maior que o amor”, declarou a organização que ela liderava.
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A vida de Almeida deu uma guinada dramática após o desaparecimento de seu filho de 20 anos, Alejandro, em 1975. Assim como ele, cerca de 30 mil outros dissidentes desapareceram pelas mãos das milícias de direita da chamada Triplo A, ou ditadura que governou a Argentina entre 1976 e 1983.
Sua filha, Fabiana Almeida, contou a repórteres que ela e seu irmão, Jorge, perceberam que ela “não estava bem” na manhã deste domingo: “Dissemos a ela: ‘Mãe, vamos lá, se entregue. Vamos, Alejandro está esperando por você lá em cima. Se abracem, nos olhem lá de cima'”, relatou, com a voz embargada pela emoção.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Eitan Abramovich/AFP
Almeida estava hospitalizada em Buenos Aires havia três semanas. Seus restos mortais serão velados nesta segunda-feira na sede de um sindicato na cidade, informou sua família. Sua morte foi lamentada por diversas figuras dos direitos humanos, da política e da cultura na Argentina.
“Ela era uma lutadora”, disse uma emocionada Estela de Carlotto, ícone das Avós da Praça de Maio, ao canal C5N após a notícia. “Continuamos a luta, uma luta com mais dor, mas não podemos desistir”, acrescentou. “Uma lutadora incansável que honrou a vida. Adeus, querida Taty”, escreveu a ex-presidente argentina de centro-esquerda Cristina Kirchner (2007-2015) no X.
Lutadora Incansável
Taty Almeida nasceu Lidia Stella Mercedes Miy Uranga em 28 de junho de 1930. Ela era professora e teve três filhos com seu colega Jorge Almeida. Seu filho, Alejandro, era membro do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário Popular (ERP) quando foi sequestrado em 1975 pela organização paramilitar de direita Triple A.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Eitan Abramovich/AFP
Alejandro, estudante do primeiro ano de medicina, está desaparecido desde então, e Taty nunca recuperou seus restos mortais.
“Transformamos essa raiva em amor, em luta pacífica”, disse Almeida à AFP em 2017. Filha e irmã de militares, Taty Almeida só se juntou às Mães da Praça de Maio em 1979. “Eu não ousava ir; com a minha origem, eu poderia ser considerada uma espiã. Uma vez dentro da organização, revelei tudo a eles”, disse Almeida.
Nos últimos anos, ela manteve uma postura abertamente confrontativa com o governo de Javier Milei em relação às suas políticas sobre memória, verdade e justiça, e foi uma voz central nos eventos que comemoraram o 50º aniversário do golpe militar em março de 2026.
“Só restam três mães e duas avós”, disse Almeida em abril, ao receber um prêmio na Universidade de Buenos Aires, acrescentando: “Já passamos o bastão. Aos poucos, porque, apesar das bengalas e cadeiras de rodas, nós, as ‘loucas’, ainda estamos de pé.”
O petróleo recuou após Estados Unidos e Irã fecharem acordo de paz para encerrar guerra no Oriente Médio, abrindo caminho para a possível reabertura do Estreito de Ormuz. O Brent para entrega em agosto caiu 3,4%, para US$ 84,32 por barril, após ter encerrado a semana anterior no menor nível em mais de três meses. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) era negociado a US$ 81,46, com queda de 4%.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em publicações nas redes sociais que autorizaria a “reabertura sem pedágio” do Estreito de Ormuz e também o fim do bloqueio imposto à República Islâmica. Segundo ele, a passagem será reaberta quando o acordo for assinado na sexta-feira.
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O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que um acordo foi alcançado e disse que o texto será divulgado após a cerimônia de assinatura, prevista para ocorrer na Suíça.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que “certamente” pretende participar da cerimônia e que também existe a possibilidade de Trump comparecer.
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Os mercados globais de energia vêm sendo fortemente impactados pela guerra desde o início do conflito, no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã com o objetivo de conter seu programa nuclear.
A resposta de Teerã incluiu ataques em diversas áreas do Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde, em tempos de normalidade, transitava cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Paralelamente, forças americanas também impuseram um bloqueio a embarcações ligadas ao Irã.
Após dispararem no início da guerra, os preços do petróleo perderam força nas últimas semanas diante dos sinais de aproximação entre Washington e Teerã e de indícios de retomada parcial dos fluxos de petróleo pelo estreito.
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Embora o acordo represente um importante alívio para os produtores de energia do Golfo, para a indústria global de transporte marítimo e para os consumidores, ainda existem obstáculos para a normalização completa do tráfego em Ormuz.
Entre eles estão a remoção de minas navais e a definição das novas exigências do Irã para o controle das embarcações que atravessam a região.
Os contratos futuros de gás natural na Europa também registraram forte queda, chegando a recuar até 5,8%.
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O Paquistão, país que atua como mediador no conflito entre EUA e Irã anunciou neste domingo que os dois países chegaram a um entendimento para um cessar-fogo no Oriente Médio, que inclui Líbano. A assinatura do memorando estaria marcada para 19 de junho na Suíça. O Irã ainda não se manifestou.
Também neste domingo, o presidente Donald Trump afirmou que um acordo de paz “agora está concluído” e que o Estreito de Ormuz está aberto e que os Estados Unidos suspenderão seu bloqueio naval.
“O acordo com a República Islâmica do Irã agora está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social, pouco depois de o Paquistão, que atuou como mediador, informar que as duas partes haviam chegado a um entendimento.
“Por meio desta, autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, deem partida em seus motores. Que o petróleo volte a fluir!” escreveu ele.
Um avião de pequeno porte utilizado para paraquedismo caiu neste domingo (14) no estado do Missouri, na região central dos Estados Unidos, deixando 12 mortos. O acidente ocorreu a cerca de 96 km ao sul de Kansas City, cidade que receberá na terça-feira (16) a estreia da Argentina, atual campeã do mundo, contra a Argélia pela Copa do Mundo. As informações foram passadas por Dennis Jacobs, diretor da agência de gestão de emergências do condado de Bates, à agência de notícias AFP.
Kansas City também é a base da seleção da Inglaterra, outra candidata ao título. A região também recebeu alerta de tornado, o que fez os jogadores serem orientados a ficarem nos quartos. A imprensa local não informou se as condições meteorológicas interferiram no acidente aéreo.
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Segundo os serviços de emergência locais, a aeronave transportava 11 paraquedistas e um piloto. O avião havia decolado do Aeroporto Memorial Butler, mas retornou por motivos ainda desconhecidos antes de cair nas proximidades de uma rodovia.
A queda mobilizou equipes de resgate e levou ao fechamento dos dois sentidos da estrada próxima ao local do acidente. Não houve sobreviventes.
De acordo com Dennis Jacobs, as autoridades foram acionadas logo após a queda da aeronave. Equipes da patrulha rodoviária do Missouri, da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) participaram do atendimento da ocorrência.
As causas do acidente ainda são desconhecidas. A emissora local FOX4 informou que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias da tragédia.
O acidente acontece dois dias antes de Kansas City receber uma das partidas mais aguardadas da primeira rodada da Copa do Mundo. Na terça-feira, a Argentina fará sua estreia no torneio diante da Argélia, às 22h (horário de Brasília), em busca do bicampeonato consecutivo e do quarto título mundial de sua história.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, a lei que institui o Marco Legal do Transporte Público Coletivo. O objetivo do texto é modernizar a política desse tipo de transporte no país, com a diversificação do financiamento e a melhoria da regulação e da operação dos transportes públicos urbanos.

Um dos avanços estruturais do novo marco é a ruptura com o modelo predominante no Brasil, no qual o financiamento do transporte coletivo recaía quase exclusivamente sobre a tarifa paga pelo usuário. A Lei nº 15.432/2026 foi publicada, neste domingo (14), em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

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A medida abre caminho para a discussão da tarifa zero e autoriza o uso de novas fontes de custeio para subsidiar as tarifas, como publicidade, exploração comercial de espaços e recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Combustíveis).

A Cide é um tributo federal cobrado na importação e comercialização de petróleo, gás natural, álcool combustível e seus derivados. Criada por uma lei de 2001, tem seus recursos destinados à infraestrutura de transportes, projetos ambientais e subsídios ao preço de combustíveis.

O texto foi aprovado em maio pelo Congresso Nacional e também trata do fortalecimento da integração física e tarifária dos sistemas de transporte, da ampliação da transparência na gestão pública, da transição para fontes renováveis de energia e da criação de mecanismos nacionais para compartilhamento de dados e monitoramento da qualidade dos serviços.

Outro ponto de destaque é a definição de parâmetros mínimos de qualidade para os sistemas de transporte público, incluindo critérios como regularidade, pontualidade, acessibilidade, segurança, conforto e satisfação dos passageiros. O texto também prevê que a remuneração das operadoras possa ser vinculada ao desempenho e à qualidade do serviço prestado.

Vetos

Em comunicado, a Presidência de República informou que os vetos presidenciais ao Marco Legal do Transporte Público Coletivo tiveram como objetivo preservar a sustentabilidade fiscal e evitar impactos sobre políticas de gratuidade já existentes.

Foram retirados trechos que obrigavam estados e municípios a custear integralmente gratuidades e descontos tarifários com recursos do orçamento público, além de dispositivos que vinculavam subsídios públicos à remuneração das operadoras.

“A avaliação foi de que essas exigências poderiam gerar despesas sem previsão de recursos e colocar em risco benefícios já concedidos à população”, diz o comunicado, ao acrescentar que os vetos não impedem a concessão de subsídios para financiar gratuidades e descontos tarifários.

“O que foi retirado foi a obrigatoriedade desse custeio e o prazo para adequação, medidas que poderiam inviabilizar o modelo atualmente adotado por diversos entes federativos e gerar instabilidade no sistema”, reforçou a Presidência.

Também foram vetados dispositivos relacionados às competências dos entes federativos, como a obrigatoriedade de isenção de pedágio para ônibus em rodovias estaduais e municipais e a previsão de subsídios federais para tarifas de transporte local. A justificativa foi preservar a autonomia de estados e municípios, evitar novas despesas obrigatórias para a União e garantir segurança jurídica na gestão dos sistemas de transporte.

Outros vetos se aplicam à criação de novas estruturas administrativas, regras de indenização a concessionárias e a vinculação obrigatória de 60% dos recursos da Cide Combustíveis para áreas urbanas. Segundo o governo, as medidas buscam evitar aumento de gastos permanentes, reduzir riscos fiscais para o poder público e preservar a flexibilidade do orçamento para atender às diferentes necessidades e prioridades do país.

Caroline von Rantzau era herdeira da multimilionária empresa alemã de navegação Deutsche Afrika-Linien/DAL. Aos 26 anos, a jovem foi assassinada com um tiro de rifle, na luxuosa propriedade da família em Leeuwfontein (província de Limpopo, África do Sul), um dia depois do gerente financeiro da família ter sido morto na mesma reserva.
De acordo com informações da polícia, fornecidas ao jornal alemão “Bild”, Caroline foi encontrada morta no seu quarto em 1º de junho. Antes de Caroline ser encontrada com um ferimento de bala, disparos foram ouvidos na propriedade, que oferece a visitantes a experiência de caça na “principal região de safári da África do Sul”.
A polícia acredita que a vítima tenha sido atingida por um rifle de caça calibre .357. Seu pai, Eberhart von Rantzau, diretor administrativo da DAL, com sede em Hamburgo (Alemanha), guardava uma arma do mesmo calibre em seu armário. A morte da jovem aconteceu menos de 24 horas após um sócio do negócio da família, o gerente financeiro Arno Koën, de 44 anos, ter sido morto por arma de fogo no mesmo local.
Informações iniciais divulgadas pela empresa do pai, a Deutsche Afrika-Linien (DAL), afirmavam que von Rantzau havia morrido em um acidente de carro, o que foi desmentido pela polícia local posteriormente.
De acordo com o jornal alemão Bild, relatos também sugerem que ela tinha uma relação particularmente próxima de Koën, como uma espécie de “pai adotivo” e “mentor”.
Segundo Malesela Ledwaba, porta-voz da polícia sul-africana, “os resultados da autópsia fornecerão aos investigadores informações sobre as causas reais da morte e determinarão se serão abertas investigações contra outras pessoas”.
“Vamos ter uma luta do UFC nos jardins da Casa Branca”, disse o presidente americano, Donald Trump, em julho passado. A ideia, inicialmente vista como uma brincadeira, vai acontecer neste domingo no gramado sul da residência presidencial. O local foi transformado em uma arena de artes marciais mistas para sediar um evento inédito do UFC neste 14 de junho, data que coincide com o Dia da Bandeira dos Estados Unidos e com o aniversário de 80 anos do líder republicano.
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O chamado “UFC Freedom 250”, promovido como parte das comemorações pelos 250 anos da independência americana, será realizado a partir das 21h deste domingo. Foi no fim de maio que começou a construção da imponente superestrutura em formato de garras que agora está concluída no Gramado Sul da Casa Branca, pronta para sediar lutas do Ultimate Fighting Championship (UFC) neste domingo, aniversário de 80 anos do presidente Trump.
O espetáculo tem um custo estimado de mais de US$ 60 milhões, segundo Mark Shapiro, presidente da TKO Group Holdings, empresa controladora do UFC. (Trump comprou entre US$ 15 mil e US$ 50 mil em ações da TKO algumas semanas antes deste evento na Casa Branca, que ele vem promovendo há meses.)
A estrutura é acompanhada por uma gigantesca grade de iluminação arqueada conhecida como “The Claw” (“A Garra”), que passou a dominar a paisagem ao redor da Casa Branca e pode ser vista a vários quarteirões de distância. Segundo o presidente do UFC, o americano Dana White, a estrutura foi fabricada por uma empresa na Bélgica, enviada para a Filadélfia para montagem e testes e, posteriormente, transportada para Washington.
— É uma grade de iluminação que parece quase uma nave espacial e fica sobre o Octógono — afirmou White em entrevista ao programa “The Jim Rome Show”, referindo-se à arena de oito lados utilizada pela organização. — Ela foi enviada da Bélgica para a Filadélfia. Foi montada e testada na Filadélfia. Depois foi desmontada novamente, colocada em caminhões e enviada para Washington.
The Claw pesa 600 toneladas e foi decorada com motivos patrióticos dos Estados Unidos, com enormes telas de televisão penduradas em todos os lados e se ergue acima da própria Casa Branca. Os espectadores sentados na seção mais alta da arquibancada na noite de domingo estarão na mesma altura da Varanda Truman.
Estruturas são montadas no Gramado Sul da Casa Branca para evento do UFC que integra as celebrações pelos 250 anos dos EUA
Doug Mills/The New York Times
Já o octógono, onde de fato acontecem as lutas é uma engenhosa estrutura de marketing com oito lados, cada um deles exibindo de forma destacada o nome de um patrocinador que pagou milhões para associar sua marca a esse cenário de enorme visibilidade.
A Garra comporta pouco mais de 4 mil pessoas, por isso foi montado um espaço para uma festa de transmissão com capacidade para receber mais de 70 mil pessoas na The Ellipse, o parque localizado logo ao sul dos portões da Casa Branca.
Brasileiro na programação e ingressos
O principal combate da noite colocará frente a frente o brasileiro Alex Pereira e o francês Ciryl Gane na luta pelo cinturão interino dos pesos pesados. O card ainda inclui o georgiano Ilia Topuria e o americano Justin Gaethje na disputa do cinturão dos pesos leves.
Todos os eventos são gratuitos, mas exigem ingresso. O prazo para solicitar entradas para o UFC Freedom terminou em 22 de maio, segundo a CNN americana. Um funcionário da Casa Branca disse ao veículo no mês passado que a procura por ingressos era intensa. Um terço dos bilhetes foi reservado para militares e seus familiares, outro terço para funcionários da residência presidencial e suas famílias, e o restante para convidados VIP.
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À Fox News, White afirmou que cerca de 4,3 mil pessoas estarão efetivamente no gramado sul durante as lutas, e que a maioria dos presentes será composta por militares. Líderes do Pentágono estão elaborando listas de integrantes das Forças Armadas que poderão receber ingressos. Segundo memorandos analisados pela CNN, os convites serão oferecidos apenas a militares que atendam aos padrões físicos exigidos pelas Forças Armadas.
Também foram disponibilizados cerca de 85 mil ingressos para o público geral, que acompanhará o evento na Ellipse. O UFC ainda reservou 200 ingressos adicionais para distribuição no Gramado Sul. Em entrevista recente à revista TIME, White afirmou ter convidado atletas e celebridades para o evento, incluindo Tom Brady, Dwayne “The Rock” Johnson, Jared Leto, Guy Ritchie, Adam Sandler, Mario Lopez e Jason Statham.
Quem paga a conta?
O custo da operação chamou atenção nas redes sociais, levando a Casa Branca a responder diretamente aos questionamentos sobre quem financiaria a iniciativa, indicando que as contas serão de responsabilidade do UFC. White afirmou anteriormente ao Sports Business Journal que a organização assumirá integralmente os custos do evento, acrescentando que a estrutura de iluminação representa uma das despesas mais elevadas da operação.
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Mark Shapiro, presidente da TKO Holdings Group, empresa proprietária do UFC, afirmou que, apesar do custo estimado em US$ 60 milhões, a realização do evento na Casa Branca representa uma oportunidade de exposição para a marca devido à repercussão gerada.
E se chover?
Como a luta ocorrerá ao ar livre, as condições meteorológicas estão sendo monitoradas de perto. Um funcionário da Casa Branca afirmou à CNN que o clima é um fator relevante para a organização, embora a expectativa seja de tempo estável. White disse que não gosta de realizar eventos ao ar livre por causa da imprevisibilidade das condições meteorológicas, mas destacou que a equipe está trabalhando em conjunto com os militares americanos para acompanhar as previsões meteorológicas em tempo real.
— Se chover, vamos realizar o evento. Se nevar, vamos realizar o evento. A única coisa que pode nos parar são os raios. Mas estamos trabalhando com os militares, então eles conseguem prever o tempo com dez dias de antecedência e vão nos atualizar a cada duas horas quando estivermos a dez dias do evento. A sete dias do evento, eles nos atualizarão a cada hora — afirmou White. — A única coisa que realmente nos impede é a ocorrência de raios. Nesse caso, poderíamos antecipar o evento em duas horas ou adiá-lo em duas horas.
White também observou que apenas um outro evento do UFC foi realizado ao ar livre, em Abu Dhabi, em 2010.
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‘Pesadelo de segurança’
A realização das lutas na Casa Branca provocou críticas de alguns democratas. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, publicou nas redes sociais uma mensagem dirigida ao presidente afirmando que a população quer “preços mais baixos para a gasolina”.
O presidente Donald Trump exibe uma imagem do UFC Freedom 250 no Salão Oval da Casa Branca, em Washington
Tierney L. Cross/The New York Times
A senadora Elizabeth Warren também comentou a construção da arena, escrevendo no X em tom irônico: “Talvez seja difícil perceber por esta foto da Casa Branca, mas Donald Trump está muito focado em reduzir os custos”. O comentarista do UFC e apresentador de podcast Joe Rogan, por sua vez, classificou a iniciativa como “uma espécie de espetáculo” e um “pesadelo de segurança”, embora tenha confirmado presença no evento.
— Eu vou estar lá, mas não estou entusiasmado com isso. Simplesmente não me parece uma ideia muito sensata — disse.
Trump respondeu às críticas em entrevista à revista TIME:
— No começo pensei: “Isso não foi muito gentil”. Depois percebi que é mesmo um espetáculo. A vida é um espetáculo, se você pensar bem. Mas é um bom espetáculo. É algo que nunca mais vai acontecer.

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