Reza Pahlavi tinha apenas 16 anos quando a Revolução Islâmica de 1979 derrubou o regime secular de seu pai, o xá Mohammad Reza Pahlavi, que governou o Irã por 40 anos com uma monarquia pró-Ocidente, modernização acelerada e controvérsias sobre repressão política e desigualdade social. Filho mais velho do xá, ele era o herdeiro do império milenar rico em petróleo, que se estendia por uma nação estratégica no Oriente Médio, mas exilado desde então, vive nos EUA sem poder formal.
Crise no Irã: Entenda as causas da onda de protestos
‘Atingiremos muito duramente’: Trump volta a ameaçar o Irã com ataque se regime ‘matar pessoas’
Agora, aos 65 anos, quase meio século após perder seu direito de nascimento para a República Islâmica xiita liderada por aiatolás, ele tem esperança que sua longa espera possa estar perto do fim.
“Esta é a batalha final. Pahlavi vai voltar!” foi um dos cânticos mais marcantes nos protestos nacionais que explodiram no Irã nesta semana, paralisando dezenas de cidades como Teerã, Tabriz, Mashhad, Isfahan, Karaj e Yazd desde há quase duas semanas.
Iniciados por queixas econômicas no Grande Bazar de Teerã – inflação galopante, desemprego e crise causada por sanções e corrupção –, os atos evoluíram para um levante anti-regime, com greves de comerciantes, incêndios em veículos e mesquitas, panelaços e confrontos violentos com a Guarda Revolucionária. Na quinta-feira, milhares desafiaram o blecaute total de internet imposto pelo governo, gritando “Morte ao ditador!” e “Morte a Khomeini!”, enquanto Reza Pahlavi, exilado nos EUA, convocou via vídeo os compatriotas às ruas, pedindo união sob a bandeira pré-revolucionária do leão e sol.
“Javid Shah (viva o rei)!” bradavam os manifestantes. “Reza Shah, Deus abençoe sua alma!”
Os protestos desta semana, os maiores em anos e os quintos em uma década contra o regime desde 2017, já duram quase duas semanas, com mais de 100 cidades envolvidas, incluindo áreas curdas como Ilam e Lorestan, onde etnias e pobreza alimentam a fúria.
Autoridades cortaram internet, telefonia e alertaram por “inimigos de Deus”, enquanto Trump ameaçou retaliação “muito dura” se houver repressão violenta, elevando a tensão.
Apoiar a monarquia é crime
Pahlavi, que se posiciona como líder de transição, tem se tornado o rosto da oposição externa. Apoiar a monarquia deposta é tabu no Irã, crime punível com prisão ou morte, e um sentimento há muito rejeitado por uma sociedade que liderou a revolta popular de 1979 contra a ditadura do xá, acusada de corrupção, repressão pela SAVAK (polícia secreta) e desigualdades apesar do boom petrolífero.
Analistas questionam: os iranianos querem mesmo restaurar a monarquia ou só estão exaustos da teocracia repressiva do aiatolá Ali Khamenei, que controla eleições, censura e esmaga dissidentes?
“Reza Pahlavi indubitavelmente aumentou sua influência na oposição iraniana”, disse à CNN Arash Azizi, acadêmico e autor de “What Iranians Want”. “Mas ele é divisivo, não unificador.”
Já Pahlavi explora uma espécie nostalgia pré-islâmica: “Os mais idosos lembram meu nascimento com festa nacional; jovens me chamam pai”, disse a jornais americanos.
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Iniciados por queixas econômicas no Grande Bazar de Teerã – inflação galopante, desemprego e crise causada por sanções e corrupção –, os atos evoluíram para um levante anti-regime, com greves de comerciantes, incêndios em veículos e mesquitas, panelaços e confrontos violentos com a Guarda Revolucionária. Na quinta-feira, milhares desafiaram o blecaute total de internet imposto pelo governo, gritando “Morte ao ditador!” e “Morte a Khomeini!”, enquanto Reza Pahlavi, exilado nos EUA, convocou via vídeo os compatriotas às ruas, pedindo união sob a bandeira pré-revolucionária do leão e sol.
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Pahlavi, que se posiciona como líder de transição, tem se tornado o rosto da oposição externa. Apoiar a monarquia deposta é tabu no Irã, crime punível com prisão ou morte, e um sentimento há muito rejeitado por uma sociedade que liderou a revolta popular de 1979 contra a ditadura do xá, acusada de corrupção, repressão pela SAVAK (polícia secreta) e desigualdades apesar do boom petrolífero.
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Já Pahlavi explora uma espécie nostalgia pré-islâmica: “Os mais idosos lembram meu nascimento com festa nacional; jovens me chamam pai”, disse a jornais americanos.










