Impacto da guerra: Bloqueio e sanções agravam crise e podem forçar concessões do Irã, mas sem a rendição esperada por Trump
Bloqueio rompido?: EUA anunciam tráfego de contratorpedeiros e navios mercantes americanos no Estreito de Ormuz; Irã nega
“A nova equação do Estreito de Ormuz está se consolidando. A segurança da navegação e do trânsito de energia foi colocada em risco pelos Estados Unidos e seus aliados ao violarem o cessar-fogo e imporem um bloqueio; no entanto, seu mal será reduzido”, escreveu Ghalibaf. “Sabemos muito bem que a continuidade da situação atual é insuportável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem sequer começamos”.
A declaração do presidente do Parlamento do Irã ocorre após o início do “Projeto Liberdade”, iniciativa anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, no domingo, para liberar a passagem de navios mercantes presos no estreito desde o início da guerra. O primeiro dia da operação, na segunda-feira, levou a um embate direto entre forças iranianas e americanas, com a confirmação de Washington sobre o afundamento de seis lanchas rápidas da nação persa, além de disparos de projéteis pelo Irã que voltaram a atingir a região.
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O comando militar em Teerã confirmou ter disparado mísseis, foguetes e drones em resposta a violações do bloqueio decretado pela Guarda Revolucionária iraniana por navios dos EUA. Além de tiros de advertência contra embarcações de guerra, disparos atingiram ao menos um navio petroleiro e um porto nos Emirados Árabes Unidos. Um navio sul-coreano também registrou uma explosão na segunda-feira, em um caso que foi colocado em investigação. Seul anunciou nesta terça estar analisando um pedido dos EUA para se unir ao esforço para liberar a rota naval.
Os novos bombardeios contra um país do Golfo Pérsico acenderam um alerta global sobre uma nova escalada do conflito, que levou a um choque no preço do petróleo desde o início da guerra. Líderes de países europeus, como o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenaram os ataques contra Abu Dhabi.
Em um comunicado exibido na TV estatal iraniana, o alto comando militar negou que planejasse atingir os Emirados Árabes, culpando o “aventureirismo militar americano” pelos fatos do dia anterior — uma declaração no mesmo tom adotado por Ghalibaf, que afirmou que os descumprimentos dos EUA colocavam a segurança da navegação e do trânsito de energia “em risco”.
Em Washington, Trump minimizou as consequências dos ataques iranianos na véspera. Em um post na segunda-feira, o presidente americano disse que “além do navio sul-coreano, até este momento não houve danos ao atravessar o estreito”.
Uma fonte israelense ouvida pela CNN afirmou que EUA e Israel mantém estreita coordenação neste momento para uma possível nova rodada de ataques contra o Irã, que teria como alvo a infraestrutura energética e o assassinato de altos funcionários da nação persa. Os planos seriam os mesmos de antes do início da trégua e teriam como objetivo arrancar concessões nas negociações, que não foram alcançados em tratativas diplomáticas.
Escolta naval
Embora a operação militar dos EUA para liberar o tráfego em Ormuz tenha começado na segunda-feira, os detalhes sobre a participação permaneciam incertos. Comunicados do Comando Central dos EUA apontaram que as embarcações civis seriam “guiadas” pelo estreito, o que levantou dúvidas sobre se isso se limitaria a um compartilhamento de informações sobre rotas seguras ou se seria estendido a uma escolta naval de fato.
A empresa de navegação dinamarquesa Maersk anunciou nesta terça-feira que um de seus navios, o Alliance Fairfax, de bandeira americana, atravessou o Estreito de Ormuz escoltado pelas forças de Washington.
O navio estava bloqueado no Golfo desde fevereiro e foi “oferecida a oportunidade” de partir em companhia do Exército americano. “Posteriormente, o navio deixou o Golfo Pérsico acompanhado por meios militares americanos” em 4 de maio, informou a empresa em um comunicado. (Com AFP)










