“Sabemos que Trump bombardeou uma fábrica em Maracaibo; tememos que lá misturem pasta de coca para produzir cocaína e se aproveitem da localização de Maracaibo à beira-mar”, disse Petro na rede social X, em uma publicação na qual também acusava o Exército de Libertação Nacional (ELN), uma guerrilha que atua na Colômbia, de incentivar os americanos a invadir a Venezuela.
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De acordo com a imprensa venezuelana, uma grande explosão foi registrada em uma unidade da empresa de produtos químicos Primazol, nos arredores de Maracaibo, no dia 24 de dezembro. Mas a empresa prontamente negou os relatos de que teria sido atacada pelos EUA, como insinuaram publicações nas redes sociais, dizendo se tratar de um acidente em sua linha de produção. A Primazol apontou ainda que não há registro de feridos ou danos mais graves.
Petro parece ter ignorado as alegações da empresa: além de reiterar que se tratou de um ataque contra um laboratório de produção de drogas, sugeriu que o local era operado pelo ELN, e que o grupo “por meio de suas maquinações e sua mentalidade dogmática, está permitindo a invasão da Venezuela”. Há décadas o ELN é acusado de associação com o tráfico de drogas na Colômbia e na porosa fronteira com a Venezuela.
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Na sexta-feira, Trump afirmou que os EUA atacaram uma instalação usada por narcotraficantes para o transporte de drogas na Venezuela, uma alegação reiterada por ele na segunda-feira, ao lado do premier de Israel, Benjamin Netanyahu. Segundo a imprensa americana, a operação foi realizada pela principal agência de inteligência dos EUA, a CIA, com o uso de drones — há anos, ações do tipo são conduzidas pelas Forças Armadas, e não por agentes de inteligência. O ataque teria ocorrido no começo de dezembro.
Washington não se manifestou sobre as alegações de Petro. Já o governo venezuelano não se pronunciou sobre o ataque citado por Trump e sobre o mencionado por Petro. Uma fonte do partido do governo em Caracas, disse ao jornal colombiano El Tiempo que se trata de “uma mentira”.
Desde meados de setembro, quando os EUA intensificaram sua presença militar no Caribe e passaram a atacar barcos acusados de transportar drogas para o narcotráfico — sem que tenham sido apresentadas evidências — Trump ameaça realizar ataques contra instalações dos cartéis, e deixou claro suas ações não estariam restritas à Venezuela. Em reunião de Gabinete, no começo do mês, citou a Colômbia, acendendo alertas em Bogotá devido às péssimas relações entre Trump e Petro, que lhe renderam a inclusão na lista de sanções dos americanos.
Na publicação no X, Petro disse que que não é “testa de ferro” do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e que não tem provas de que o chavista seja um narcotraficante, ou tampouco que tenha “retirado ilegalmente riquezas da Venezuela” — Caracas afirma que o objetivo da pressão americana é derrubar Maduro, algo também repetido nos corredores da Casa Branca. E destinou algumas críticas ao governo americano.
“Pensei que a inteligência americana era mais profissional, ou que, mesmo que fosse, o presidente dos EUA não a ouve e se cerca de tipos gananciosos da extrema direita que não buscam a verdade”, escreveu Petro, antes de fazer uma promessa. “Alguns dias depois do Ano Novo, relatarei os detalhes da minha relação com o movimento progressista de [Hugo] Chávez [ex-presidente da Venezuela e morto em 2013] e minhas frustrações com o que restou de seu governo após sua morte.”




