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“No momento do incidente, eu estava conversando com meus colegas de trabalho porque ainda não era meu turno. Eu estava nos fundos [da loja] quando ouvi um barulho alto, como se um pacote de batatas fritas tivesse caído. Vi meus colegas correrem em direção à porta e eu corri também. Quando cheguei lá, vi o homem sentado, coberto de sangue”, disse Lisandro López, de 19 anos, funcionário da Candela Mate y Café, onde o incidente ocorreu, ao jornal La Nacion.
Conforme mostram as imagens capturadas pela câmera de segurança do mesmo prédio de onde o painel se desprendeu, a vítima foi atingida por um painel de vidro temperado que caiu de uma altura de vários metros.
“Eu queria sair para colocar o vidro debaixo da varanda, pelo menos, mas um colega da cozinha me disse para não sair, por precaução, porque outro painel de vidro poderia cair”, contou López. “O homem ficou mais ou menos inconsciente por alguns segundos e depois se levantou sozinho para ajeitar a mesa. Quando ele se levantou, nós o seguramos e o trouxemos para cá. Ele tinha um corte bastante grande no braço e estava perdendo muito sangue. Eu fui trazendo tudo o que eles pediam: papel, gaze, para fazer os primeiros curativos”, acrescentou.
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Após alguns minutos, a equipe de saúde chegou ao local e, após prestar os primeiros socorros, transferiu o homem para o Hospital Pirovano, onde foi constatado que ele estava fora de perigo e recebeu mais de 20 pontos. Fontes do Sistema de Atendimento Médico de Emergência (SAME) informaram ao jornal La Nacion que o homem sofreu uma fratura no crânio e lacerações na cabeça e em parte do braço esquerdo, onde três tendões foram rompidos.
“Os bombeiros chegaram em cinco ou dez minutos. Depois, a polícia chegou cerca de cinco minutos depois e, finalmente, os paramédicos. Em menos de 20 minutos, todos estavam lá”, lembrou López.
Muitas pessoas não presenciaram a cena dramática, mas só souberam dela depois. “Percebemos que algo tinha acontecido quando os bombeiros chegaram. Depois vimos uma ambulância chegar”, disse Sol, de 32 anos, funcionário do supermercado Carrefour localizado a poucos metros do café, ao jornal La Nacion.
“Um amigo e eu saímos para ver o que tinha acontecido e os vizinhos nos disseram que um painel de vidro havia caído de cima de uma pessoa sentada na única mesa ocupada na calçada. Quando saímos, o homem havia sumido; alguém o tinha levado embora. Alguns disseram que ele tinha morrido, outros que ele tinha saído andando, outros que havia muito sangue e outros que nada tinha acontecido com ele. Havia muitas versões diferentes”, lembrou Sol.
Fontes da Secretaria de Segurança da Cidade de Buenos Aires detalharam que agentes da 14ª Delegacia B foram enviados ao café onde o homem de 50 anos sofreu o incidente. Indicaram também que bombeiros da cidade foram até o apartamento de onde o painel de vidro se desprendeu. O apartamento estava desocupado e a chave estava em posse do zelador do prédio, já que o proprietário reside na província de Córdoba.
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Por precaução, os agentes removeram o outro painel de vidro que havia permanecido no parapeito da varanda. A Unidade de Flagrantes da Zona Norte, chefiada por Amanda Bernstein, assumiu o caso. O homem de 50 anos é um morador conhecido da região, identificado por muitos como “o vizinho da jaqueta de couro”, e mora na esquina das ruas Ciudad de la Paz e Jorge Newbery.
“Ele é uma pessoa muito gentil. Está sempre sozinho. Entra, compra suas bebidas e vai embora; é um cliente assíduo. É muito quieto”, disse Sol. Ele sempre compra refrigerante. Nós o identificamos porque ele sempre usa uma jaqueta de couro. Eu não sabia quem era a pessoa que havia se machucado, então falei com os caras da Candela. Eles me disseram: ‘É o homem da jaqueta de couro’. Foi aí que eu entendi quem ele era”, acrescentou.
O vizinho recebeu alta e gradualmente retomou sua rotina. “Ele voltou para Candela anteontem e está melhor. Nós o vimos com boa aparência, embora toda a mão esteja enfaixada. Pelo que sei, ele não tem mobilidade no dedo mínimo”, disse López. “Quando o vi novamente pela primeira vez após o incidente, ele estava lá fora fumando um cigarro. Eu disse aos meus colegas: ‘É o homem do acidente’. Eu não conseguia acreditar; não sabia se ele estava bem ou a gravidade dos ferimentos”, relatou Sol.
Segundo vários vizinhos, esta não seria a primeira vez que um incidente como este ocorre no prédio. “Pelo que sei e pelo que me disseram, não é a primeira vez que algo assim acontece. Outra janela já havia caído antes, devido ao vento. Estou aqui há oito meses, mas esse incidente foi anterior”, explicou Sol.
A lei
Questionado sobre o incidente, o governo da cidade de Buenos Aires destacou que “a Lei 6116 (antiga 257) exige que proprietários e condomínios mantenham as fachadas em bom estado para a segurança de terceiros. O condomínio é responsável pelas áreas comuns, e o proprietário de sua unidade também, mas ambos devem responder por danos causados por queda de detritos.
Esta lei destaca ainda que “o condomínio é responsável por garantir o cumprimento da lei e as inspeções técnicas periódicas obrigatórias, especialmente em prédios mais antigos. A responsabilidade é compartilhada, e o administrador do prédio deve garantir o cumprimento da lei e das decisões da assembleia”.
O jornal La Nacion perguntou se, além da responsabilidade privada, a Prefeitura visitou o local em Palermo para verificar o cumprimento das normas vigentes e, em caso de descumprimento, se alguma advertência foi emitida. Representantes da Agência de Controle Governamental (AGC) responderam que não, visto que o alvará de construção recente ainda não contempla a exigência de inspeções técnicas periódicas. Essas inspeções são obrigatórias após o prédio completar 15 anos, esclareceram, o que, neste caso, ocorrerá em 2028.







