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Uma mulher turca entrou com uma ação judicial alegando ser filha biológica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e exigindo a realização de um teste de DNA para comprovar a paternidade. O pedido foi considerado improcedente em primeira instância pela Justiça da Turquia, mas a autora já apresentou recurso.
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De acordo com o jornal inglês Daily Mail, a ação foi movida por Necla Ozmen, de 55 anos, moradora de Ancara. Segundo a imprensa local, o processo foi protocolado em 25 de setembro no 27º Tribunal de Família de Ancara, que rejeitou o pedido por ausência de elementos probatórios mínimos.
Necla afirma ter nascido em 1970 e estar oficialmente registrada como filha de Sati e Dursun Ozmen, casal que a criou. De acordo com seu relato, apenas em 2017 teria descoberto que havia sido adotada. Ela sustenta que sua mãe adotiva lhe contou que houve uma suposta “troca de bebês” em um hospital da capital turca, após Sati ter dado à luz um bebê natimorto.
Segundo a versão apresentada à Justiça, outra mulher que dava à luz no mesmo hospital — identificada apenas como Sophia e descrita como cidadã americana — teria entregue seu recém-nascido à família Ozmen. Necla alega que essa mulher teria dito que a criança era fruto de um relacionamento proibido com Trump e, por isso, não poderia criá-la.
No pedido, a autora solicitou que o tribunal reconhecesse a paternidade e determinasse a realização de um exame genético. A Justiça, no entanto, entendeu que não havia provas documentais ou indícios suficientes para dar prosseguimento ao processo.
Em entrevistas à imprensa turca, Necla afirmou que deseja apenas esclarecer sua origem biológica.
— Não quero causar nenhum problema a ele. Só quero saber a verdade — disse, em declarações à agência DHA. — Se ele concordar com um teste de DNA, posso provar que ele é meu pai — acrescentou.
Após a rejeição inicial, Necla entrou com recurso e também afirmou ter enviado petições à Embaixada dos Estados Unidos na Turquia e a tribunais americanos. Até o momento, não há manifestação pública de Trump ou de seus representantes legais sobre o caso.
O Dia de Reis Magos é celebrado em 6 de janeiro e rememora um dos episódios centrais da tradição cristã: a visita de Melquior, Gaspar e Baltasar ao Menino Jesus, poucos dias após o nascimento, em Belém. A data simboliza a epifania — a manifestação divina — vivenciada pelos três sábios, que reconheceram em Jesus o “Rei dos Reis” e o proclamaram como profeta.
Embora reúna elementos de confraternização, troca de presentes e práticas culturais transmitidas entre gerações, a celebração não integra o calendário de feriados, ao contrário de outras datas do cristianismo, como o Natal e a Semana Santa.
Por que se celebra o Dia de Reis Magos?
A tradição cristã descreve os Reis Magos como homens sábios capazes de interpretar os astros. Segundo a narrativa, Melquior vinha da Europa, Gaspar da Ásia e Baltasar da África, representando diferentes povos. Ao observarem um fenômeno celestial no Oriente, o trio teria vivido uma epifania — entendida como uma manifestação do Espírito Santo — que anunciava o nascimento do Salvador.
Convencidos de que se tratava da vontade de Deus, os três partiram em viagem, guiados pela Estrela de Belém, em busca do recém-nascido. No caminho, passaram pela Judeia e procuraram o rei Herodes para obter informações. Ao serem informados de que um novo rei estava prestes a nascer, o monarca teria reagido com desconfiança, temendo perder o poder, e ordenado que os magos descobrissem o paradeiro da criança.
A jornada prosseguiu até Belém, onde encontraram Maria e José com o Menino Jesus. O episódio é relatado no Evangelho de São Mateus:
“A estrela que tinham visto aparecer voltou a guiá-los até que parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao verem a estrela, ficaram tomados de imensa alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; depois, abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.”
As oferendas carregam forte simbolismo: o ouro representa o reconhecimento da realeza; o incenso, a natureza divina; e a mirra, associada ao sofrimento e à morte, antecipa o destino do Messias.
A Igreja antiga passou a celebrar o Natal em 25 de dezembro. A partir daí, consolidou-se a tradição de contar 12 dias entre o Natal e a Epifania. O 12º dia após 25 de dezembro é 6 de janeiro, que passou a marcar liturgicamente a visita dos Magos.
Tradições mantidas até hoje
Foi na Idade Média, com a expansão do cristianismo entre povos não judeus, que o Dia de Reis Magos ganhou maior projeção. Os três sábios passaram a simbolizar esses povos, reforçando o caráter universal da mensagem cristã.
Atualmente, a data permanece ligada à vivência familiar e religiosa. Em algumas tradições, na noite de 5 de janeiro, crianças deixam sapatos acompanhados de água e pasto, em referência aos camelos dos reis, como forma de acolhimento e pedido por presentes. Entre os costumes gastronômicos, destaca-se a rosca de Reis, pão doce em formato circular, tradicionalmente partilhado entre familiares e amigos.
Trabalhar no Palácio de Buckingham e assinar cartas em nome da Família Real Britânica pode parecer ficção, mas é uma oportunidade real — e está aberta. A Casa Real do Reino Unido anunciou a abertura de uma vaga para oficial sênior de correspondência, com contrato de dois anos e salário anual de 32 mil libras, o equivalente a cerca de R$ 20 mil por mês.
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De acordo com a revista Forbes, o profissional selecionado será responsável por redigir respostas personalizadas a parte das milhares de cartas enviadas anualmente ao Rei Charles III e a outros membros da realeza. As mensagens tratam de temas variados, que vão de questões sociais e comunitárias a assuntos de relevância nacional, exigindo sensibilidade, precisão institucional e domínio da linguagem formal.
Divulgado no canal oficial de empregos civis do governo britânico, o anúncio descreve a função como a chance de “escrever uma carta que alguém jamais esquecerá”. O trabalho é realizado em equipe e envolve contato permanente com outros oficiais seniores de correspondência.
A vaga é baseada em Londres, dentro do Palácio de Buckingham, e oferece benefícios como 25 dias de férias, plano de previdência, licença parental remunerada e almoço gratuito no local de trabalho.
Restrita a cidadãos do Reino Unido, a posição exige experiência administrativa, excelente comunicação escrita e verbal, além de capacidade de organização e liderança. As inscrições ficam abertas até 11 de janeiro.
Na Venezuela, a repressão não terminou com a deposição de Nicolás Maduro. Pelo contrário, intensificou-se. Nas ruas de Petare, em Caracas, há “homens encapuzados e armados patrulhando”, segundo informou a líder comunitária Katiuska Camargo à rede britânica BBC. Além do aumento da presença militar e policial, integrantes de coletivos, grupos leais ao chavismo, estão percorrendo as ruas — sob ordem do governo —, reprimindo qualquer comemoração da megaoperação americana do último sábado que resultou na captura de Maduro.
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O perigo de se manifestar contra Maduro ainda é real na Venezuela, já que a Assembleia Nacional – dominada por apoiadores do líder chavista – aprovou uma lei que declara “traidor” qualquer pessoa que expresse apoio aos bloqueios navais dos EUA.
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Dezenas de postos dos coletivos, de acordo com a BBC, surgiram na capital. Na noite de segunda-feira, o ministro do Interior Diosdado Cabello publicou fotos e vídeos que mostram policiais armados nas ruas de Caracas, como parte das medidas de segurança na cidade. Em um dos vídeos, é possível ver os membros da segurança gritando “leais sempre, traidores nunca”.
Ministro do Interior Diosdado Cabello aparece à direita do centro, usando um boné preto com inscrições em vermelho
Reprodução / Redes sociais
Sem Maduro, o papel de Cabello e do ministro da Defesa Vladimir Padrino determinará, em grande parte, se a Venezuela manterá um nível de estabilidade ou se mergulhará no caos. Eles comandam a polícia e as Forças Armadas da Venezuela, as mesmas instituições que mantiveram Nicolás Maduro no poder por mais de uma década. O país continua repleto de grupos armados, incluindo guerrilheiros colombianos de esquerda que criticaram, agora, a captura do líder chavista.
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Na cidade de Guayana, em Bolívar, uma mulher que concedeu entrevista à BBC sob condição de anonimato contou que nos últimos dois dias viu poucas pessoas nas ruas e nenhum carro.
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— No sábado (dia da megaoperação dos EUA que capturou Maduro), os supermercados estavam lotados e havia filas enormes. Tem militares nas ruas, alguns vigiando supermercados, porque os proprietários têm medo de roubos — afirmou a mulher. — Eu, minha família e meus amigos estamos todos com medo de sair de casa.
Padrino e Cabello
Para Brian Naranjo, ex-diplomata dos Estados Unidos que atuou em Caracas, os ministros do Interior e da Defesa “controlam a Venezuela agora”, após a deposição de Maduro. Embora Delcy Rodríguez tenha sido nomeada como presidente interina — e advertida pelo presidente americano, Donald Trump, de que “pagará um preço muito alto” caso “não faça a coisa certa” —, Naranjo avalia que Cabello e Padrino “poderiam facilmente tomar medidas contra ela e marginalizá-la imediatamente”.
— São esses caras que comandam pessoas armadas — disse o ex-diplomata, em entrevista ao jornal americano Wall Street Journal.
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Cabello e Padrino têm muito a perder se o regime cair após mais de um quarto de século no poder, liderado primeiro pelo falecido Hugo Chávez, que governou de 1999 a 2013, e depois por Maduro. Juntamente com Maduro, Cabello e Padrino são acusados ​​de serem os líderes de uma rede de narcotráfico composta por altos oficiais militares, chamada Cartel de los Soles, que o governo Trump classificou como uma organização terrorista estrangeira.
Sob o regime de Maduro, Cabello era amplamente considerado o segundo homem mais poderoso da Venezuela. Ele é conhecido por seus discursos inflamados contra rivais políticos e os Estados Unidos em seu programa noturno na televisão estatal, “Batendo com uma Marreta”, onde aparece segurando um porrete com pregos.
Entre o alívio e o medo
Assim como muitos venezuelanos, José, um empresário radicado na Cidade do México, votou contra Nicolás Maduro nas eleições de 2024. O homem de 35 anos ficou consternado quando Maduro se manteve no poder, em meio a acusações de fraude e protestos da oposição em todo o país. Ao acordar no último sábado com a notícia de que Maduro havia sido deposto em uma megaoperação militar dos EUA em Caracas, teve uma mistura de sentimentos entre pavor, alegria e incerteza.
— É uma sensação agridoce — classificou José, que preferiu não revelar seu sobrenome por medo de represálias do governo contra sua família na Venezuela. — A primeira coisa que me vem à mente é: “Somos livres e estou muito feliz, mas o que acontecerá amanhã?” Maduro é apenas uma peça de uma máquina muito maior.
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Maduro, de fato, era um líder profundamente impopular e foi acusado de fraudar as eleições de 2024. Na época, uma pesquisa de boca de urna independente e uma apuração dos votos pela oposição pareciam indicar que ele sofreu uma derrota decisiva , com 66% dos votos contra 31%.
Assim como muitos outros venezuelanos, José deseja a saída definitiva de Maduro, mas se preocupa com o futuro político do país. Ele teme que, sem um plano claro dos EUA para a transição de poder, a Venezuela possa mergulhar no caos — com grupos guerrilheiros disputando território e facções rivais lutando entre si.
(Com The New York Times)
A Chevron era a última grande petrolífera dos Estados Unidos ainda produzindo petróleo no país, muitos anos depois de outras, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, terem saído. Durante anos, a empresa seguiu operando com dificuldade graças a isenções de curto prazo às políticas de sanções dos Estados Unidos. Então, no fim de fevereiro, o presidente Donald Trump disse que bloquearia, na prática, a produção da empresa na Venezuela. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A fotografia divulgada por Donald Trump, que mostra o presidente venezuelano Nicolás Maduro sendo detido no último sábado, em Caracas, ganhou repercussão internacional não apenas pelo impacto político, mas também por um detalhe inesperado: o vestuário usado pelo líder venezuelano.
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Na imagem, Maduro aparece com os olhos vendados, algemado e vestindo um conjunto esportivo cinza da Nike. O agasalho, identificado por internautas como o modelo Tech Fleece, rapidamente se tornou tema de conversas nas redes sociais e em fóruns de moda urbana.
De acordo com o jornal português S´C Notícias, dados do Google Trends indicam que, no dia da divulgação da foto, as buscas globais pelo termo “Nike Tech Fleece” registraram um aumento superior a 800%. O pico ocorreu poucas horas após a publicação da imagem por Trump.
Em Portugal, o fenômeno também foi perceptível, com o conjunto esportivo passando a circular em discussões sobre tendências de moda e cultura urbana, evidenciando como imagens de forte carga política podem produzir efeitos colaterais inesperados no consumo e no comportamento digital.
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou nesta terça-feira que a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela “erodiu um princípio fundamental do direito internacional: de que os Estados não devem ameaçar ou usar força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado”.
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Em um comunicado, a porta-voz da entidade, Ravina Shamdasani, rejeitou que uma das justificativas de Washington para lançar a operação — na qual o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, foram capturados em uma operação apoiada por bombardeios — era o antigo histórico de abuso dos direitos humanos cometidos pelo governo venezuelano. Mas, pontuou Shamdasani, a defesa desse princípio não pode ser feita por uma “intervenção militar unilateral”.
“A responsabilização por violações de direitos humanos não pode ser alcançada por uma intervenção militar unilateral em violação ao direito internacional. A população da Venezuela merece uma prestação de contas por meio de um processo justo centrado nas vítimas.”
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Shamdasani também lembrou que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos produz há cerca de dez anos relatórios consistentes sobre a deterioração dos direitos na Venezuela, pontuando temer que a ação americana aprofunde os problemas.
“Tememos que a atual instabilidade e a militarização adicional no país como resultado da intervenção dos EUA só vá piorar a situação.”
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Segundo a Oficina das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de dois milhões de pessoas na Venezuela, ou seja, um quarto da população, necessita de ajuda humanitária.
Por sua parte, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) indicou que, até o momento, não havia observado nenhum indício de novos deslocamentos massivos da Venezuela.
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Mas “seguimos de perto a situação e os movimentos transfronteiriços”, declarou aos jornalistas Eujin Byun, porta-voz de Acnur. As agências das Nações Unidas estão preparadas para “apoiar os esforços de ajuda de emergência e proteger as pessoas deslocadas, se for necessário”, acrescentou.
Mesmo antes de invadir a capital da Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia decidido o que aconteceria depois que o líder do país, Nicolás Maduro, saísse de cena. Trump não daria seu apoio a María Corina Machado, a líder da oposição que comandou uma campanha eleitoral bem-sucedida contra Maduro em 2024 e que tinha maior legitimidade popular para liderar a nação. Nos bastidores, o americano chegou a essa conclusão com base em vários fatores decisivos, incluindo avaliações de inteligência americana, o desgaste da relação entre María Corina e autoridades em Washington e, segundo fontes próximas à Casa Branca, a decisão dela de aceitar o Prêmio Nobel da Paz, honraria que Trump cobiçou abertamente.
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— Se ela tivesse se recusado e dito: ‘não posso aceitar porque [o prêmio] é de Donald Trump’, ela seria hoje a presidente da Venezuela — disse uma das fontes ao Washington Post, acrescentando que, embora María Corina tenha dedicado a honraria a Trump, apenas o fato de tê-la aceitado foi um “pecado capital” para o presidente americano.
Ao invés disso, no fim de semana, após a invasão americana ter terminado com Maduro sob custódia, Trump disse achar que seria “muito difícil” para María Corina ser a líder no país. O americano não mediu palavras: “é uma mulher muito simpática, mas não tem respeito”, destacou ele, que, contrariando às expectativas, deixou no comando a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez. Para María Corina, os comentários de Trump foram um duro golpe — e representaram uma ruptura pública dos EUA com uma líder que passou mais de um ano tentando se aproximar do republicano.
Trump, por sua vez, foi convencido por argumentos de autoridades graduadas, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, que afirmaram que, se os EUA tentassem apoiar a oposição, isso poderia desestabilizar ainda mais o país e exigir uma presença militar mais robusta no território venezuelano. Uma análise sigilosa de inteligência da CIA também refletiu esse entendimento, segundo uma pessoa familiarizada com o documento. Soma-se a isso o fato de que, para Trump, o foco na Venezuela é o petróleo, não a promoção da democracia.
Relação desgastada
Ainda que María Corina tenha se esforçado para agradar Trump, na prática sua relação com a Casa Branca vinha se desgastando havia meses. Autoridades americanas de alto escalão ficaram frustradas com as avaliações dela sobre a força de Maduro, considerando que ela fornecia relatos imprecisos de que ele estava fraco e à beira do colapso. Também passaram a duvidar da capacidade dela de tomar o poder na Venezuela.
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Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, María Corina já era uma fonte de atrito dentro do governo Trump desde pouco depois de o presidente retornar ao cargo, em janeiro passado. Pouco antes de visitar Caracas em janeiro, o enviado de Trump Richard Grenell reuniu-se com representantes da opositora em Washington. Na ocasião, Grenell pediu que organizassem um encontro presencial com María Corina na capital venezuelana, além de uma lista de presos políticos que eles queriam ver libertados. Nada disso foi feito.
María Corina, apesar das garantias da delegação americana de que estaria protegida, recusou-se a se reunir com Grenell. Em vez disso, foi organizada uma ligação telefônica durante a visita dele, segundo várias pessoas informadas sobre a conversa. Na época, o contato foi visto como cordial. Com o tempo, porém, a relação se deteriorou: María Corina e sua equipe ignoraram o pedido da lista de presos políticos, aparentemente para evitar acusações de favorecimento ou de dar a entender que seu movimento participava das negociações.
Grenell também pressionou repetidamente María Corina a detalhar seu plano para levar ao poder seu candidato substituto, Edmundo González, depois que ela foi impedida de concorrer. Ele ficou frustrado quando ela não apresentou ideias concretas de como colocar no poder o governo eleito democraticamente, segundo pessoas informadas sobre as conversas. María Corina, por sua vez, também mostrou estar contrariada porque Grenell, ao contrário de Rubio, não denunciou de forma contundente a ilegitimidade de Maduro. Grenell disse a colegas que declarar algo nesse sentido minaria seus esforços diplomáticos.
‘Realidade imediata’
Por ora, Trump e Rubio dizem estar concentrados em trabalhar com Delcy. No domingo, o secretário de Estado americano disse que Washington está “lidando com a realidade imediata” — e que, “infelizmente, a grande maioria da oposição já não está presente dentro da Venezuela”. Ainda assim, Freddy Guevara, ex-deputado venezuelano que vive exilado em Nova York e é integrante da coalizão de María Corina, disse não entender por que a Casa Branca decidiu avançar com Delcy, mas que seu palpite é que esse tenha sido o caminho mais fácil.
— Acho que os americanos não estão apostando numa revolução, mas em reformas — disse ele, que, assim como outros membros da oposição, tem se concentrado primeiro em pressionar pela libertação de presos políticos na Venezuela e, depois, pela possibilidade de retornar ao país e disputar eleições abertas. — Vamos continuar organizando as pessoas e fazendo o nosso trabalho dentro da Venezuela. Mas quem está com a arma na mão agora é o governo americano. E esperamos que esses caras aprendam que os americanos não estão brincando.
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Em sua primeira entrevista televisionada desde que venceu o Nobel da Paz, em outubro, María Corina afirmou que não fala com Trump há meses. À rede conservadora Fox News, ela disse ter conversado com o americano no dia em que o prêmio foi anunciado, “mas não desde então”. Mesmo diante da postura do republicano, a opositora continuou demonstrando apoio à invasão dos EUA — e, sem provas, acusou Delcy de ser “uma das principais arquitetas da tortura, da perseguição, da corrupção e do narcotráfico” no país.
— Estou planejando voltar para casa o mais rápido possível — ressaltou.
Conexões enfraquecidas
Herdeira de um magnata conservador, María Corina construiu fortes conexões no Partido Republicano ao longo de décadas na política venezuelana, mas parecia pouco preparada para a transformação do partido em uma máquina política transacional e ideologicamente agnóstica sob Trump. A rejeição categórica a qualquer diálogo ou contato com o governo de Maduro é outro fator. Pilar da estratégia política de María Corina, a decisão lhe rendeu respeito e apoio da maioria dos venezuelanos, mas comprometeu sua capacidade de formar uma coalizão mais ampla capaz de viabilizar sua chegada ao poder.
O apoio inequívoco de María Corina às sanções também destruiu suas relações com a elite empresarial venezuelana, que havia construído um modus vivendi com Maduro para continuar operando no país após um quarto de século de domínio de seu governo. Assessores econômicos da opositora argumentaram que cada dólar que entrava na Venezuela era um dólar para Maduro — uma posição radical que afastou muitos integrantes da sociedade civil que atuam para melhorar as condições de vida no país. Sua mensagem passou a refletir cada vez mais as visões da diáspora e a se afastar da realidade de quem permaneceu na Venezuela.
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À medida que Trump apertou as sanções econômicas contra o país nos últimos meses, María Corina permaneceu em grande parte em silêncio, limitando suas declarações a elogios ao americano e à divulgação do sofrimento de centenas de presos políticos venezuelanos. Ela não comentou o cancelamento da maioria dos voos para a Venezuela, a deportação de dezenas de milhares de migrantes venezuelanos dos EUA, a disparada da inflação no país ou o colapso das receitas do petróleo, que financiam a importação de bens básicos.
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Em vez disso, integrantes da equipe de María Corina e aliados no exílio recorreram às redes sociais para atacar e desacreditar figuras públicas cujo trabalho destoava de suas visões. Essas atitudes custaram a ela o apoio de membros do Partido Democrata e de muitos empresários, americanos e venezuelanos, com interesses na Venezuela e influência no entorno de Trump. Para especialistas, o comentário de Trump reflete a inviabilidade de María Corina chegar ao poder sem uma presença militar americana significativa.
— A afirmação de que ela não é respeitada internamente, acho que não é verdadeira à primeira vista — disse ao New York Times Orlando J. Pérez, professor de ciência política na Universidade do Norte do Texas, em Dallas. — Ela é claramente a líder da oposição mais popular. Ela claramente tem a legitimidade que o Prêmio Nobel da Paz lhe confere. [Mas María Corina e Edmundo González] não têm as alavancas do poder. Eles não têm as instituições e, sem uma assistência nossa muito maior, não vão conseguir voltar ao poder na Venezuela.
(Com New York Times)
O julgamento de Paul Caneiro, acusado de matar o irmão Keith Caneiro, a cunhada e os dois sobrinhos, teve início nesta semana no Condado de Monmouth, em Nova Jersey. O caso, que remonta a novembro de 2018, envolve acusações de homicídio qualificado, incêndio criminoso e arrombamento. Aos 59 anos, o réu pode ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional caso seja considerado culpado pelas mortes.
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A seleção do júri abriu um processo que deve se estender por várias semanas, diante do volume de provas e testemunhos. Segundo o ex-promotor do Condado de Monmouth, Christopher J. Gramiccioni, Paul Caneiro teria incendiado a casa do irmão após os assassinatos para simular que toda a família estava sob ameaça. A defesa nega as acusações e afirma que o réu aguarda há mais de sete anos por um julgamento “justo e completo”, no qual as provas possam ser avaliadas em juízo.
Uma sequência de incêndios e mortes
Os fatos começaram na madrugada de 20 de novembro de 2018, quando um incêndio foi registrado na casa de Paul Caneiro, em Ocean Township. No local, bombeiros encontraram um galão de gasolina e uma luva carbonizada; a família do réu conseguiu escapar sem ferimentos.
Cerca de sete horas depois, outro incêndio atingiu a residência de Keith Caneiro, em Colts Neck. Keith foi encontrado morto no jardim, com ferimentos de bala nas costas e na cabeça. Dentro da casa, os filhos Jesse, de 11 anos, e Sophia, de 8, apresentavam múltiplos ferimentos de faca e sinais de inalação de fumaça, segundo as autópsias. A esposa, Jennifer Caneiro, foi localizada na escada, com ferimento de bala na cabeça e lesões por faca no torso. Peritos destacaram a brutalidade da cena.
As investigações apontaram um histórico de conflitos familiares e financeiros. Os irmãos administravam juntos uma empresa de controle de pragas, adquirida em 2011, e uma consultoria de tecnologia fundada por Keith.
De acordo com um processo movido em 2021 pela família de Jennifer, Paul teria mudado de comportamento após um acidente de carro em 2012, com suspeitas de dependência de analgésicos. O mesmo processo relata saques frequentes das empresas e de contas pessoais, estimados em cerca de US$ 11 mil mensais, sob a alegação de reembolsos de seguro.
A tensão teria se intensificado dias antes do crime. Keith começou a afastar o irmão do fundo fiduciário da família e, em 17 de novembro de 2018, informou parentes sobre o suposto desvio de US$ 90 mil destinados à educação universitária dos filhos. No mesmo dia, comunicou a suspensão do salário anual de Paul, de US$ 225 mil. O réu não comentou publicamente essas acusações, afirmando que estão relacionadas ao processo criminal.
Após a prisão de Paul Caneiro, surgiram disputas judiciais sobre o controle do fundo fiduciário e do seguro de vida da família de Keith. Um processo civil alega que o irmão mais novo, Corey Caneiro, assumiu a administração dos recursos e teria usado parte do dinheiro para comprar uma casa de US$ 1,8 milhão em Fair Haven. Corey nega as acusações, e a ação segue em tramitação.
O julgamento também tem sido marcado por debates técnicos. A defesa questiona a validade de provas forenses, como a identificação por DNA obtida por meio do sistema STRmix, e a legalidade da coleta de imagens de câmeras de segurança da casa de Paul.
Embora o juiz Marc Lemieux tenha inicialmente excluído essas gravações por falta de mandado judicial, um tribunal superior reverteu a decisão. As imagens mostram o réu entrando na garagem durante a madrugada, minutos antes de vizinhos relatarem ruídos semelhantes a tiros na casa de Keith; em seguida, o sistema deixou de gravar.
Paul Caneiro foi preso três dias após os crimes e responde como autor direto. Se condenado, poderá cumprir prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.
Um grande vulcão submarino, o Monte Submarino Axial, pode entrar em erupção este ano. Localizado a cerca de 480 quilômetros da costa do Oregon, nos Estados Unidos, este gigante subaquático tem apresentado sinais de atividade que sugerem que um evento eruptivo pode ocorrer entre meados e o final de 2026. Embora a notícia possa causar preocupação no público, especialistas minimizaram sua importância e esclareceram que o risco para a vida humana é baixo.
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O que se sabe sobre o vulcão subaquático?
O Monte Submarino Axial é um dos vulcões submarinos mais ativos, com erupções documentadas em 1998, 2011 e 2015, embora se presuma uma atividade cada vez mais frequente. Ele está localizado no limite divergente da placa tectônica da Dorsal de Juan de Fuca, no meio do Oceano Pacífico Norte-Americano.
A iminente erupção foi confirmada por um pesquisador associado da Universidade Estadual do Oregon, que monitorou um período de alta sismicidade e inflação constante do fundo do mar.
Esses fenômenos, que vêm sendo registrados por especialistas, são resultado direto da ascensão do magma do fundo do mar até a superfície. Bill Chadwick, especialista nesse vulcão, disse à revista especializada Live Science que a erupção “deve ser observada ainda este ano”.
Quando um vulcão submarino entra em erupção, os processos abaixo da superfície são bastante diferentes dos que ocorrem em terra. À medida que a lava emerge, ela flui rapidamente para o fundo do mar, onde o contato com a água mais fria provoca um resfriamento acelerado, criando lavas em almofada e fluxos laminares. Esse processo químico é prejudicial aos organismos marinhos próximos, que sucumbem às altas temperaturas.
Simultaneamente, o calor do vulcão impulsiona a atividade nas fontes hidrotermais, o que pode resultar na liberação de grandes volumes de água quente e saturada de minerais, formando as chamadas “fumarias negras”.
O ciclo eruptivo do Monte Submarino Axial envolve a expansão do vulcão a cada vez que o magma sobe até a câmara magmática sob o leito marinho, formando uma protuberância para cima. Uma vez que uma quantidade significativa de magma tenha entrado em erupção e esfriado, a câmara magmática se esvazia, perdendo seu suporte estrutural.
Essa descompressão da estrutura faz com que a caldeira afunde. Em 1998, a caldeira afundou aproximadamente três metros; em 2011, 2,4 metros; e em 2015, 2,1 metros. A principal preocupação em relação ao risco de colapso do vulcão é a possibilidade de um “colapso catastrófico da encosta”, onde as laterais do vulcão cederiam para dentro.
Felizmente, o risco direto para os seres humanos é considerado extremamente baixo. Os especialistas enfatizam que um colapso lateral do Monte Submarino Axial, capaz de gerar um tsunami com repercussões catastróficas, é um evento “altamente improvável”.
Em resumo, a ameaça à vida humana é praticamente nula, a menos que o vulcão submarino se torne excepcionalmente instável e ocorra um colapso maciço de seus flancos, um cenário que não se prevê. Essa garantia científica baseia-se na compreensão dos mecanismos eruptivos submarinos e na considerável distância da costa dos EUA.
Da mesma forma, o vulcão submarino é constantemente estudado por cientistas para monitorar sua evolução, pois todos os dados coletados ajudam a entender melhor como essas estruturas se comportam no fundo do mar.

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