Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Três crianças ficaram gravemente feridas após caírem do andar superior de um ônibus escolar na tarde desta quarta-feira (7) em Ashton-in-Makerfield, na região metropolitana de Manchester, no Reino Unido. Segundo a Polícia Metropolitana de Manchester (GMP), os alunos do ensino médio caíram por uma janela do último andar do veículo no período da tarde.
Auxiliar médica morre em trilha nos EUA após ataque de puma no Ano Novo
Menino morto por ataque de três cães no Canadá é homenageado; polícia investiga circunstâncias
De acordo com as autoridades, os ferimentos foram classificados como “potencialmente graves”, embora não haja, até o momento, indicação de risco de morte. As vítimas foram socorridas por equipes de emergência e levadas ao Hospital Infantil de Manchester; uma ambulância aérea chegou a pousar nas proximidades do local do acidente.
Investigação e atendimento às vítimas
O inspetor Simon Barrie, do distrito de Wigan da GMP, afirmou que a prioridade é garantir o atendimento adequado às crianças. “Este é um incidente grave que causará transtornos. Felizmente, não acreditamos que os ferimentos sejam fatais”, disse. Segundo ele, tudo indica, neste estágio inicial, tratar-se de “um acidente lamentável”, embora as circunstâncias ainda estejam sob investigação.
Em comunicado, a GMP informou que a apuração está em fase inicial e busca esclarecer todos os detalhes do ocorrido. A Bolton Road chegou a ser interditada, provocando congestionamentos, especialmente no cruzamento com a Golborne Road, mas foi reaberta após as diligências iniciais dos agentes.
O vereador Danny Fletcher, do distrito de Ashton-in-Makerfield South, disse ter conversado com a polícia e relatou que algumas das crianças sofreram ferimentos que “podem mudar suas vidas”. Ele afirmou ainda ter entrado em contato com as escolas envolvidas para garantir apoio da prefeitura às famílias. “Meus pensamentos estão com as crianças e seus familiares”, declarou.
Moradores relataram a movimentação intensa de viaturas e ambulâncias no local. Uma vizinha disse ao Manchester Evening News que crianças contaram que a janela do último andar teria cedido antes da queda. A Transport for Greater Manchester (TfGM) confirmou o incidente, informou que três crianças foram levadas ao hospital e afirmou estar colaborando com a empresa de ônibus e com a polícia na investigação.
Uma auxiliar médica foi identificada como a excursionista morta após um ataque de puma no Colorado, nos Estados Unidos. Kristen Marie Kovatch, de 46 anos, caminhava nas proximidades de Glen Haven quando foi atacada pelo animal selvagem na trilha Crosier Mountain, na quinta-feira (1). A informação foi confirmada por autoridades locais na última semana.
Menino morto por ataque de três cães no Canadá é homenageado; polícia investiga circunstâncias
Entenda: Homem que abandonou criança para morrer entre jacarés volta a enfrentar pena de morte na Flórida
Segundo o Gabinete do Médico Legista do Condado de Larimer, a autópsia apontou que a causa da morte foi asfixia provocada pela compressão do pescoço. Dois pumas — um macho e uma fêmea jovens — foram encontrados nas imediações do corpo e acabaram sacrificados pelo Colorado Parks and Wildlife (CPW). A necropsia indicou a presença de DNA humano nas quatro patas do macho, enquanto a fêmea não apresentou vestígios. Ambos testaram negativo para raiva, de acordo com a porta-voz da agência, Kara Can Hoose.
Homenagens e trajetória profissional
O irmão da vítima, Jeffrey Kovatch, prestou homenagem nas redes sociais e afirmou que Kristen “morreu fazendo algo que amava profundamente”, ao caminhar e apreciar a natureza do Colorado. Em outra publicação, ele disse manter a esperança de que a tragédia seja “apenas um pesadelo”. Segundo ele, a irmã tinha diversos hobbies, era muito ligada à família e atuava como cuidadora dos pais idosos.
Kristen trabalhou como assistente médica em Fort Collins entre 2011 e 2021 e já havia atuado na Clínica Cardíaca e Vascular da UCHealth. Em nota à 9News, a instituição lamentou a morte e expressou solidariedade aos familiares. De acordo com a CBS News, ela também era corredora de ultramaratonas e gostava de cuidar de animais.
O CPW informou que dois excursionistas encontraram o puma sobre o corpo da vítima por volta do meio-dia do Ano Novo. Eles atiraram pedras para afastar o animal e, em seguida, constataram a morte. Um dos caminhantes era médico e não encontrou pulso. As três trilhas da região foram fechadas temporariamente para o trabalho das equipes de emergência e reabertas dias depois, com a manutenção de placas educativas sobre a presença de pumas.
As autoridades chegaram a procurar um terceiro animal, mas a operação foi encerrada. Segundo o CPW, este foi o primeiro ataque fatal de puma a um ser humano no Colorado em um século. Nos últimos 36 anos, foram registrados 28 ataques no estado. Nativos da região, os pumas podem se tornar mais visíveis no inverno. As orientações oficiais recomendam que caminhantes façam barulho, aparentem maior tamanho e se afastem lentamente caso encontrem o animal.
A morte de Drew Nickerson, de 13 anos, após um ataque de cães em Welshtown, na província canadense da Nova Escócia, provocou comoção na comunidade local e mobilizou homenagens nas redes sociais, nos últimos dias. O adolescente andava de bicicleta perto de uma residência quando foi atacado por dois cães da raça Cane Corso e um Rottweiler. Gravemente ferido, ele foi levado de helicóptero para um hospital em Halifax, mas não resistiu. Os três animais foram sacrificados após o episódio.
Entenda: Homem que abandonou criança para morrer entre jacarés volta a enfrentar pena de morte na Flórida
Amigos e moradores organizaram uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar a mãe do menino, Dawn Nickerson. A iniciativa foi criada por Trish Harris, amiga da família, na plataforma GoFundMe, com o objetivo de aliviar os custos financeiros e permitir que a mãe se concentre no luto. Até esta semana, a campanha havia ultrapassado 73 mil dólares em doações.
Mensagens de despedida e mobilização da comunidade
Desde a morte do filho, Dawn Nickerson tem compartilhado mensagens emocionantes nas redes sociais. Em uma das publicações, divulgou uma foto em que Drew beija sua bochecha, acompanhada da frase “Para sempre meu bebê”. Em outra, mostrou uma lata de refrigerante com um bilhete deixado pelo menino: “Oi mãe, eu te amo, tenha um bom dia”. Antes da tragédia, a mãe costumava publicar homenagens ao filho, descrevendo-o como respeitoso, atencioso e orgulhando-se do jovem que ele estava se tornando.
Na página da arrecadação, Harris descreveu Drew como um aluno popular e apaixonado por atividades ao ar livre. Segundo ela, o garoto compartilhava com a mãe o gosto por cavalos, corridas de caminhão, quadriciclos e esportes em contato com a natureza.
A polícia canadense informou que segue investigando o caso. De acordo com o sargento Mark Macpherson, as equipes analisam imagens de vídeo do dia do ataque, fazem buscas porta a porta e entrevistam moradores da região para compreender plenamente o que aconteceu. Em comunicado, ele afirmou que os donos dos cães têm cooperado com as autoridades, mas ainda não está definido se enfrentarão acusações criminais.
A morte de Drew abalou profundamente a pequena comunidade. O município do distrito de Shelburne declarou estar “profundamente consternado” com a perda e ofereceu condolências à família, amigos e colegas de classe. O Centro Regional de Educação dos Três Condados também se manifestou e informou que serviços de apoio psicológico e saúde mental serão disponibilizados aos estudantes e à comunidade escolar nos próximos dias.

Há três anos, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro – exigindo um golpe militar – invadiram e depredaram prédios dos poderes na capital federal. O movimento começou logo após a divulgação do resultado das eleições de 2022, no intuito de impedir que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva assumisse o cargo.

Houve fechamento de rodovias e acampamentos foram montados em frente a quartéis de diversas cidades do país. Também marcaram o período de escalada de atos a implantação de uma bomba próxima ao Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão da sede da Polícia Federal, também em Brasília.

Notícias relacionadas:

Em setembro do ano passado, por 4 votos a 1, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro e sete aliados na ação penal da trama golpista. A condenação inédita de um ex-presidente da República por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito repercutiu na imprensa internacional.

O jornal estadunidense The New York Times estampou a notícia na página principal de sua edição online: “Corte suprema do Brasil condenou ex-presidente por tentar se agarrar ao poder após perder a eleição de 2022, incluindo um plano para assassinar o oponente”, escreveu o periódico.

O jornal inglês The Guardian também destacou, em sua página principal, o resultado da condenação do ex-presidente brasileiro. “Ex-presidente de extrema-direita do Brasil Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por planejar um golpe militar e tentar ‘aniquilar’ a democracia do país sul-americano”.

O francês Le Monde também publicou, em sua edição online: “Ex-líder da extrema-direita considerado culpado de liderar uma ‘organização criminosa’ que conspirou para garantir a continuidade de ‘governo autoritário’, apesar de derrota em 2022. Defesa entrará com recursos, ‘inclusive em nível internacional’”.

Outro jornal norte-americano a dar destaque à condenação foi o The Washington Post, em matéria publicada na capa de sua versão digital. “O Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu que o ex-presidente tentou reverter derrota nas eleições de 2022 com um plano que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

O jornal El País, um dos maiores diários em língua espanhola do planeta, estampou com destaque a decisão do STF. “Brasil dá passo transcendental contra a impunidade”, mencionando que o “ultradireitista Jair Messias Bolsonaro, capitão reformado do Exército, de 70 anos, foi condenado em Brasília por liderar uma conspiração golpista para não entregar o poder”.

Na Argentina, o Clarín escreveu: “O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi condenado nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por conspiração contra a ordem democrática, após sua derrota nas eleições de 2022 para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

No Oriente Médio, a rede Al-Jazeera também deu destaque à condenação de Bolsonaro e seus aliados, citando o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia, ao noticiar a formação da maioria. “A juíza Cármen Lúcia afirmou haver ampla evidência de que Bolsonaro agiu ‘com o propósito de corroer a democracia e as instituições’”.

As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes da República, em 8 de janeiro de 2023, que completa três anos nesta quinta-feira (8), correram o mundo e entraram para a história como uma das páginas mais dramáticas e sombrias da trajetória da democracia brasileira.

Naquela tarde nublada de domingo, em Brasília, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, cruzaram um bloqueio policial e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), destruindo tudo o que viam pela frente.

Notícias relacionadas:

Ali, eles reafirmavam um pedido que ecoava em segmentos extremistas da sociedade: queriam um golpe de Estado para depor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente, e naquela altura empossado havia apenas uma semana no cargo.

 


RETROSPECTIVA_2023 - Atos golpistas de 8 de janeiro. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apoiadores de Bolsonaro invadem e depredam as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 – Foto: Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

Esse momento é o marco culminante da chamada trama golpista, um conjunto de atos e movimentações, alguns bem coordenados entre si, outros mais isolados, que buscavam, em última instância, romper com a ordem democrática e manter o grupo bolsonarista no poder.

O plano de ruptura, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que levou à condenação de Jair Bolsonaro e aliados no STF, começou a ser esboçado ainda em 2021, poucos dias depois de Lula ter recuperado sua elegibilidade. Foi naquele momento que o núcleo da organização criminosa passou a cogitar de o então presidente da República passar a afrontar e a desobedecer a decisões do STF e defender a ideia de deslegitimar o processo eleitoral brasileiro em caso de vitória do adversário de Bolsonaro.

Quando o cenário da derrota eleitoral bolsonarista se materializou no pleito de 30 de outubro de 2022, uma série de ocorrências, incluindo episódios de violência, atos terroristas e protestos golpistas, passou a se suceder pelo país. A seguir, a Agência Brasil reconstitui esses fatos, de forma cronológica, ocorridos no intervalo entre o fim das eleições e o fatídico 8 de janeiro.

Bloqueios de rodovias


Bloqueio de caminhões em rodovias federais em Curitiba.

Caminhoneiros bloqueiam rodovia no Paraná em protesto contra a derrota de Bolsonaro no segundo turno das eleições – Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Reuters/Direitos reservados

Em uma das eleições presidenciais mais acirradas da história brasileira, Lula venceu Jair Bolsonaro com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1%. O resultado não foi bem digerido pelos apoiadores do então presidente – nem por ele próprio, que demorou dois dias para se manifestar, e o fez de forma ambígua, alimentando as especulações golpistas.

Naquela mesma noite de domingo, enquanto apoiadores de Lula festejavam pelo país, grupos de caminhoneiros e apoiadores de Jair Bolsonaro iniciaram bloqueios de rodovias em diversos estados. Foram mais de mil interdições totais ou parciais em estradas federais, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) mapeou na época. Os bloqueios atingiram o auge nos primeiros dias de novembro, fazendo com que Bolsonaro viesse a público pedir pela desobstrução das rodovias, marcando sua primeira manifestação pública após o resultado das urnas. Naquela declaração, ele agradeceu aos votos, mas não parabenizou o adversário pela derrota.

Os bloqueios, que chegaram a causar alguns problemas pontuais de desabastecimento e cancelamento de voos em aeroportos, foram perdendo força ao longo dias posteriores ao segundo turno, até serem encerrados ainda no fim da primeira semana de novembro.

Acampamentos em quartéis

Após os bloqueios rodoviários se enfraquecerem, grupos bolsonaristas começaram a montar acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas em cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Recife e municípios do interior, exigindo intervenção militar e questionando a legitimidade das eleições.


Polícia e Exército se concentram na frente do QG do Exército para  desmobilizar acampamento

Polícia e Exército se concentram em frente ao QG do Exército, em Brasília, para desmobilização de acampamento bolsonarista, em 9 de janeiro de 2023 – Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil

Foram mais de 100 acampamentos, incluindo o que se tornou o mais importante deles, montado em frente ao Quartel-General (QG) do Exército, na capital federal, de onde partiriam os manifestantes que depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Diferentemente dos bloqueios em rodovias, em que Bolsonaro veio a público pedir que os apoiadores parassem com essas intervenções, os acampamentos golpistas, como ficaram conhecidos, tiveram aval direto do então presidente da República, segundo consta na denúncia da PGR que acabou prevalecendo no julgamento do STF. De acordo com a denúncia, a estratégia seria usada como justificativa para uma eventual intervenção. Uma das provas teria sido a própria nota dos comandantes das três forças autorizando a manutenção da permanência das pessoas na frente dos quartéis por ordem de Jair Bolsonaro.

A estratégia dos acampamentos em quartéis deu fôlego para o movimento golpista. Esses locais se transformaram em verdadeiros centros de conspiração e contaram com a indiferença e mesmo conivência de autoridades. A logística para a manutenção desses espaços, que contavam com estruturas de alimentação e alojamento para milhares de pessoas, foi depois objeto de processo judicial no STF que condenou envolvidos diretos nessas montagens.

Atos terroristas e violência política


Demonstrations erupt in Brasilia

Manifestantes apoiadores de Bolsonaro colocam fogo em carros e ônibus na capital federal na noite de 12 de dezembro de 2022 – Foto: Adriano Machado/Arquivo Reuters/Direitos Reservados

A tensão nos acampamentos golpistas, a negativa de reconhecimento da derrota e até uma ação do PL, partido de Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para invalidar votos de parte das urnas eletrônicas foram engrossando o caldo golpista ao longo de novembro e início de dezembro de 2022. No último mês daquele ano, as ações começaram a escalar para a violência política explícita.

No dia 12 de dezembro, data em que Lula foi diplomado no TSE para assumir o cargo de presidente da República, em posse que ocorreria poucas semanas depois, Brasília viveu uma de suas noites mais violentas em décadas. Manifestantes apoiadores de Bolsonaro tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF) na cidade e iniciaram um protesto que, por volta das 22h, chegou a fechar o Setor Hoteleiro Norte e parte do Eixo Monumental, zona central da capital. Foram incendiados diversos carros e ônibus, em cenas que chocaram o país pelo grau de vandalismo e violência política.

Na véspera de Natal, no dia 24 de dezembro, o motorista de um caminhão-tanque de combustível, parado nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, percebeu um artefato explosivo no veículo e alertou policiais da área, no que se revelou uma tentativa de atentado a bomba organizado por apoiadores de Bolsonaro que também estavam no acampamento golpista do QG do Exército. A tragédia só não foi consumada porque o explosivo falhou.

Dois dos envolvidos foram condenados pela Justiça do Distrito Federal ainda em 2023, por crimes de explosão, incêndio e posse de arma de fogo. De acordo com as investigações, eles pretendiam causar um episódio de grande comoção social e precipitar uma intervenção militar no país.


Security forces work as a robot of the federal police bomb squad is seen near what is believed to be an explosive artifact in Brasilia, Brazil, December 24, 2022. REUTERS/Adriano Machado

Bomba é encontrado em caminhão-tanque nas proximidades do Aeroporto de Brasília, em 24 de dezembro de 2022 – Foto: Adriano Machado/Arquivo Reuters/Proibida reprodução

No fim de do ano passado, George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza, os três envolvidos na tentativa de atendado no aeroporto, se tornaram réus no STF pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e atentado contra a segurança de transporte aéreo.

Os episódios de violência de dezembro de 2022 elevaram ainda mais o nível de tensão, e as autoridades prepararam um forte esquema de segurança para a posse de Lula, no dia 1º de janeiro de 2023. O evento popular, no entanto, ocorreu sem intercorrências, o que, naquele momento, pode ter passado uma sensação de tranquilidade, que iria ser quebrada exatamente uma semana depois, nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Por memória e democracia

Para observar a data, eventos especiais em favor da democracia marcam os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro. No Palácio do Planalto, o presidente Lula participa de uma cerimônia com autoridades e representantes da sociedade civil ainda pela manhã. O evento ocorre todos os anos para reforçar os valores democráticos após a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

O Supremo Tribunal Federal também preparou uma programação especial dentro da campanha Democracia Inabalada.

Os julgamentos de civis e militares acusados pela trama de golpe de Estado que culminaram em 8 de janeiro de 2023, representam um marco histórico para o Brasil. E a responsabilização daqueles que tiveram participação, tanto nos atos como em seu planejamento, representa, segundo juristas e historiadores, algo relevante para a retomada da democracia, em um país com uma história tão repleta de golpes.

Historiador da Universidade de Brasília (UnB), o professor Mateus Gamba Torres avalia o julgamento de golpistas como algo inédito na história do Brasil, país repleto não apenas de tentativas, mas de golpes efetivos contra o Estado Democrático de Direito.

Notícias relacionadas:

Segundo o professor, existe uma questão de prática política e jurídica na república brasileira, no sentido de absolver tentativas ou efetivações de golpes de Estado. Em muitos casos, lembra o historiador, “nem a julgamento os golpistas foram”.

De acordo com Mateus Gamba, o recente processo contra aqueles que atentaram contra a democracia do país representa, portanto, a quebra de uma prática histórica, política e jurídica, em um país com longo histórico de rompimentos institucionais.

“Tentativas de golpe na história brasileira são realmente muito comuns, e vêm desde a fundação da nossa República, o que, inclusive, foi também um golpe de Estado, em 15 de novembro de 1889”, disse o professor da UnB.

Desde então, acrescenta, os militares brasileiros “se arvoram no direito de, quando consideram necessário, intervir na vida política do país”. 

“Fazem isso como se fossem um poder moderador; um pêndulo da República. Só que nunca houve, na legislação brasileira, qualquer tipo de deliberação para isso”, diz.

Marco histórico

Criminalista e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, Fernando Hideo diz não ter dúvida de que o julgamento daqueles que planejaram e executaram os atos golpistas culminados no 8 de janeiro de 2023 representa um marco histórico para o país.

Segundo o jurista, ao julgar civis e militares envolvidos na trama golpista, o Brasil rompeu a tradição histórica de impunidade seletiva que sempre acompanhou os episódios autoritários no país.

“Pela primeira vez, de forma clara e institucional, o Estado brasileiro enfrentou uma tentativa organizada de ruptura democrática. Sem concessões corporativas, sem anistias prévias e sem pactos de esquecimento”, diz o professor.

Ele reitera a posição do historiador Mateus Gamba, no sentido de que o Brasil é um país marcado por golpes, quarteladas e transições negociadas. “Mas esse julgamento afirmou algo essencial: a democracia não é apenas um discurso, mas um regime protegido pela Constituição Federal e pelas instituições”, afirmou Hideo.

Ditadura militar


Brasília (DF), 07/01/2026 – Lenio Sterck - Especial 8 de janeiro ato golpista.
Foto: Gabriel/Divulgação

Jurista Lenio Sterck. Foto: Gabriel/Divulgação

O constitucionalista e professor de Direito Constitucional da Unisinos Lenio Streck lembra que “não faz muito que o Brasil passou por uma ditadura militar”, acrescentando que, em termos históricos, 30 ou 40 anos é um tempo bem curto.

“Nosso país já contabiliza 14 golpes e tentativas de golpes desde a implantação da República. A grande questão agora é ver se sabemos interpretar o passado, compreendê-lo e, assim, olhar para o futuro”, acrescenta.

Aprender com a História é exatamente a expertise de Gamba Torres, pesquisador que desenvolveu diversos trabalhos sobre ditaduras civis e militares.

“A gente sabe que, quando os militares intervieram, nunca foi pelo bem do Brasil. Seria muito ingênuo dizer que isso teria sido feito pelo bem do Brasil. É apenas discurso. Não é nem foi pelo bem do Brasil, nem pelo bem da pátria”, afirma o historiador.

“Na verdade, todo golpe dado no Brasil foi para impedir uma mudança necessária de algum tipo de governo, como foi o caso agora após serem derrotados nas eleições”, explica, referindo-se ao pleito que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente pela terceira vez.

O resultado do julgamento que condenou civis e militares pela tentativa de golpe fortaleceu, segundo o historiador, as instituições brasileiras, além de mostrar que autoridades ou simples cidadãos que atentam contra a democracia serão punidos.

“A importância de a gente levar militares e civis aos tribunais é justamente para mostrar que ninguém está acima da Constituição. Seja ex-presidente, seja general, ministro ou alguém que tenha muito poder, ninguém pode atentar contra a Constituição”, disse à Agência Brasil o professor da UnB.

Responsabilização

Para o criminalista Fernando Hideo, a responsabilização dessas pessoas que “tentaram subverter a ordem democrática e depor um governo legitimamente eleito” é algo que reafirma dois pilares democráticos fundamentais: a igualdade perante a lei e a submissão das Forças Armadas ao poder civil, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito.

“Quando agentes armados, financiadores, articuladores políticos e executores materiais respondem judicialmente por seus atos, o sistema jurídico envia uma mensagem inequívoca, de que rupturas institucionais não são divergências políticas. São crimes contra a democracia”, avalia.


Brasília (DF), 07/01/2026 – Fernando Hideo, criminalista - Especial 8 de janeiro ato golpista.
Foto: Marcos Silva/Divulgação

Criminalista Fernando Hideo. Foto: Marcos Silva/Divulgação

Ele acrescenta que, ao levar adiante esses julgamentos, o Estado brasileiro “rompeu com a tradição de impunidade que sempre acompanhou ataques à ordem democrática, além de afirmar, de modo claro, que cargos, patentes, influência política ou poder econômico não funcionam como escudos contra a responsabilização”.

“Talvez o ponto mais importante seja compreender que esses julgamentos não são movidos por vingança, mas por memória institucional, responsabilidade e compromisso com o futuro”, complementou ao lembrar que democracias não vivem apenas de eleições, mas sobrevivem e se fortalecem quando reagem institucionalmente a tentativas de ruptura e responsabilizam quem tentou destruí-las.

Recado

Segundo Hideo, a condenação dos envolvidos na trama golpista envia um recado inequívoco à atual e às futuras classes políticas: “a democracia brasileira deixou de ser um espaço de experimentações autoritárias toleradas pelo tempo ou pelo esquecimento institucional”.

Para o constitucionalista Lenio Streck o recado dado às classes políticas ainda não está finalizado, apesar da importância simbólica desse processo contra as aventuras golpistas.

“A travessia não está completa. É lamentável o que vou dizer, mas, olhando o comportamento do Parlamento brasileiro nos últimos meses, constatamos que vivemos uma espécie de estado permanente de golpismo”, alerta o jurista.

“A cada dia surgem novas tentativas de mudança da legislação, seja com diminuição de penas, dosimetria ou anistia, seja com as tentativas de impeachment de ministros do STF e coisas desse gênero”, acrescentou.

Nesse sentido, segundo ele, o Supremo está sendo muito mais criticado pelos seus acertos do que por seus erros.

“Quando alguém faz uma crítica forte ao Supremo, há de se perguntar se o Parlamento tem cumprido seu papel na defesa da democracia. Quem tem defendido a democracia é o STF. Enquanto o STF tiver de fazer esse papel, como o fez em relação ao 8 de janeiro, ele será muito mais criticado por seus acertos do que por seus erros”, diz.

Parlamento

Na avaliação de Mateus Gamba Torres, ao viabilizar qualquer diminuição de pena ou anistia de condenados pelo 8 de janeiro, o Congresso Nacional dará uma demonstração de fraqueza das instituições brasileiras, inclusive do próprio Parlamento.

“Espero realmente que o Congresso Nacional não viabilize a anistia enrustida principalmente para os líderes da tentativa de golpe, caso o presidente Lula vete o projeto da dosimetria. Espero que o Congresso Nacional recobre o juízo, até porque isso atenta contra o próprio Congresso Nacional, que sempre é um dos primeiros a serem fechados em aventuras antidemocráticas”, disse à Agência Brasil o historiador.

Julgamento no STM

Para Lenio Streck, o grande desafio, a partir de agora, é fazer com que os militares condenados percam suas patentes. “Essa caminhada longa ainda não terminou. Ainda falta o julgamento do Superior Tribunal Militar”.

O jurista se diz “muito preocupado” com a possibilidade desse julgamento ficar para 2027. “Isso faria com que população e sociedade civil fiquem pensando na possibilidade de haver, ali, uma espécie de arrego ou um ‘passapanismo’, poupando os altos oficiais da perda da patente. Não quero acreditar nisso”.

A Justiça da Flórida retomou nesta semana o julgamento da pena de Harrel Braddy, de 76 anos, condenado pelo sequestro e assassinato de uma menina de cinco anos deixada em uma área infestada por jacarés nos Everglades. A seleção do júri começou nesta segunda-feira (5) no Tribunal do Circuito de Miami-Dade, após alterações recentes na lei estadual reabrirem a possibilidade de aplicação da pena de morte.
Policial morre esfaqueado durante protestos no Irã, diz agência
Ex-ministro das Finanças de Gana é preso por agentes de imigração dos EUA
Braddy foi condenado em 2007 por homicídio em primeiro grau e sentenciado à morte pelo assassinato de Quatisha Maycock, ocorrido em novembro de 1998. Segundo o Miami Herald, o caso voltou à Justiça porque decisões posteriores da Suprema Corte dos Estados Unidos e da Suprema Corte da Flórida invalidaram sentenças impostas sem unanimidade do júri, exigindo um novo julgamento apenas sobre a pena.
Crime brutal nos Everglades
De acordo com os autos, Braddy conheceu Quatisha e a mãe da criança, Shandelle Maycock, em uma igreja. Após ter investidas românticas rejeitadas, ele sequestrou mãe e filha. Shandelle foi levada a um canavial isolado, onde foi estrangulada até perder a consciência e abandonada; ela sobreviveu ao conseguir pedir ajuda a um motorista.
A menina foi deixada viva nas proximidades da Interestadual 75, em um trecho conhecido como Alligator Alley, no condado de Broward. Braddy afirmou aos detetives que temia que a criança o identificasse e admitiu, segundo documentos judiciais, que “sabia” que ela provavelmente morreria. O corpo de Quatisha foi encontrado dois dias depois em um canal por pescadores.
A autópsia indicou que a criança sofreu mordidas de jacaré no peito e na cabeça enquanto ainda estava viva, embora possivelmente inconsciente. O braço esquerdo, ausente quando o corpo foi localizado, teria sido arrancado após a morte. O laudo concluiu que a causa do óbito foi traumatismo craniano contuso no lado esquerdo da cabeça.
No julgamento original, o então juiz Leonard E. Glick descreveu o crime como “uma traição às responsabilidades mais básicas dos adultos”, afirmando que “os adultos devem proteger as crianças dos monstros — não ser os monstros”.
Agora, Braddy pode novamente enfrentar a pena capital com base na lei estadual de 2023, que permite a condenação à morte com o voto de ao menos oito dos 12 jurados.
O ex-ministro das Finanças de Gana, Ken Ofori-Atta, considerado foragido pela Justiça ganesa, foi preso e colocado em detenção pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). A informação foi confirmada nesta quarta-feira por seus advogados em Gana.
Segundo comunicado do escritório Menka-Premo, Osei-Bonsu, Bruce-Cathline and Partners, Ofori-Atta foi detido na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, em razão do status de sua permanência nos Estados Unidos. A defesa informou que a equipe jurídica americana do ex-ministro já está em contato com o ICE e espera que a situação seja resolvida “de forma expedita”.
Ele é alvo de 28 acusações de corrupção e crimes relacionados, apresentadas à revelia pelo Office of the Special Prosecutor. Ele vinha evitando a prisão em Gana e chegou a ser oficialmente declarado procurado pelas autoridades do país.
O Ministério Público de Gana já entrou com um pedido formal de extradição junto ao governo dos Estados Unidos, que aguarda resposta das autoridades americanas. Paralelamente, Ofori-Atta teve o nome incluído em um alerta vermelho da Interpol, medida que ele contesta judicialmente.
De acordo com seus advogados, o ex-ministro possui um pedido pendente de ajuste de status migratório, mecanismo que, pela legislação americana, permite a permanência legal no país mesmo após o vencimento do visto original. A defesa sustenta que esse procedimento é comum nos Estados Unidos.
Uma consulta ao sistema oficial de localização de detidos do ICE indica que Kenneth Nana Yaw Ofori-Atta está custodiado no ICE Caroline Detention Facility, localizado em Bowling Green, no estado da Virgínia.
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, ficaram feridos durante a incursão militar realizada pelos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro com o objetivo de capturá-los, afirmou nesta quarta-feira o ministro do Interior, Justiça e Paz venezuelano.
Entenda: EUA pressionam Venezuela a expulsar assessores oficiais de China, Cuba, Irã e Rússia, dizem autoridades
Estruturas destruídas, vítimas e mudanças no governo pós-Maduro: Os resultados dos ataques dos EUA na Venezuela
De acordo com Diosdado Cabello, os dois sofreram ferimentos durante a operação.
“Naquele momento, Cilia foi ferida na cabeça e sofreu uma pancada no corpo, [e] o irmão Nicolás foi ferido em uma perna. Felizmente, eles estão se recuperando, mas as consequências do ataque traiçoeiro permanecem: 100 pessoas” mortas, disse o ministro em seu programa semanal de televisão.
Ministro ameaçado
Após a captura de Maduro, o governo dos Estados Unidos avisou a Cabello, que ele poderia estar no topo da lista de alvos de Washington caso não coopere com a presidente interina Delcy Rodríguez e não a ajude manter a ordem no país. A informação foi confirmada à agência Reuters por três pessoas familiarizadas com o assunto.
Considerado um dos principais nomes da ala dura do chavismo, Cabello controla as forças de segurança acusadas de abusos generalizados de direitos humanos. Apesar de ter sido acusado pela Justiça dos EUA de conspiração para o narcoterrorismo e de uso de armas para proteger o tráfico, o venezuelano ainda é um dos poucos leais a Maduro nos quais o presidente Donald Trump decidiu se apoiar para manter a estabilidade durante um período de transição.
Diosdado Cabello, número dois do chavismo e novo ministro do Interior da Venezuela
Raul ARBOLEDA / AFP
No entanto, autoridades americanas estariam especialmente preocupadas com a possibilidade de Cabello sabotar o processo, dado seu histórico de repressão e rivalidade com Delcy. Ao mesmo tempo, o governo americano também estaria avaliando maneiras de, mais adiante, afastá-lo do poder e empurrá-lo para o exílio, acrescentou a fonte. Cabello teria sido avisado que, se desafiar os EUA, poderá ter um destino semelhante ao de Maduro — levado às pressas para Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo — ou correr risco de vida.
A eventual neutralização de Cabello, porém, é vista como arriscada porque poderia motivar grupos pró-governo a ir às ruas, desencadeando o caos que Washington deseja evitar. Dias após a detenção de Maduro, manifestantes já se reuniram na Venezuela exibindo bandeiras e símbolos da propaganda do governo. Na segunda, apoiadores do chavista marcharam até os arredores do Parlamento, onde Delcy era empossada como interina, para exigir a libertação dele.
Segurança pessoal: Captura de Maduro na Venezuela põe em xeque status de ‘invencibilidade’ da inteligência cubana
Cabello, de 62 anos, até agora sinalizou unidade, participando da cerimônia de posse de Delcy, que reuniu diferentes facções do partido socialista governista da Venezuela. Mas, naquela noite, Cabello apareceu empunhando um fuzil e incitando forças de segurança de uniforme preto antes de elas patrulharem Caracas para impedir que cidadãos protestassem. Ao grupo armado, o venezuelano afirmou: “Duvidar é traição. Agora, à batalha nas ruas pela vitória!”.
Sob o estado de emergência declarado pelo governo após a captura de Maduro, as forças de segurança receberam ordens para caçar simpatizantes dos EUA, segundo o Diário Oficial, onde o governo venezuelano publica novas leis e decretos. Segundo o Wall Street Journal, moradores da capital relataram novos bloqueios nas vias da cidade, nos quais homens armados e mascarados checavam os celulares de venezuelanos comuns em busca de mensagens antigoverno.
Autoridades da Cidade do México apreenderam, nesta quarta-feira, mais de 900 animais — a maioria cães — durante uma operação de grande porte em um estabelecimento que funcionava como abrigo. Segundo a Promotoria local, os animais viviam amontoados, com pouca ventilação e sem acesso à luz natural.
Erro médico: Família é indenizada em R$ 17,5 milhões após jovem ser declarada morta ainda viva nos EUA
Desfecho aguardado: Polícia dos EUA soluciona caso de desaparecimento aberto desde 1973; ‘Esperei 52 anos por esta ligação’
O resgate mobilizou ao menos 200 policiais e integra um plano do governo da capital mexicana voltado à proteção animal, que inclui medidas como a proibição da morte de touros em touradas e a limitação da venda de animais de estimação em mercados populares.
Dos 936 animais encontrados no local, 708 “apresentavam condições compatíveis com maus-tratos”, afirmou, em entrevista coletiva, a promotora da Cidade do México, Bertha Alcalde.
“As inspeções permitiram constatar condições de superlotação extrema, com espaços reduzidos, gaiolas sem ventilação ou sem cobertura, acúmulo de fezes e urina, falta de luz natural”, informou a Promotoria em comunicado.
Os responsáveis pelo Refúgio Franciscano, onde os animais estavam, tentaram impedir a entrada da polícia, posicionando-se na porta do imóvel por várias horas. Simpatizantes do abrigo chegaram a bloquear a avenida Reforma, uma das principais vias do centro da capital.
Às 21h30 (horário local; 03h30 GMT), o traslado dos animais ainda estava em andamento.
“A narrativa de maus-tratos é falsa”, afirmou o abrigo em um comunicado publicado em sua conta na plataforma X, no qual também classificou a operação como “totalmente desproporcional”.
O imóvel já havia sido alvo de intervenção em meados de dezembro, quando a Justiça local determinou sua entrega a uma fundação que reivindicava a propriedade.
Desde então, 21 animais morreram “em consequência do grave estado de saúde em que se encontravam”, acrescentou a Promotoria.
A instituição informou ainda que, “devido à gravidade de seu estado de saúde”, 20 animais permaneciam hospitalizados na terça-feira. Após a operação, o número subiu para 57.
Segundo Bertha Alcalde, a investigação contra o abrigo teve início a partir de “múltiplas denúncias de cidadãos” sobre as condições em que os animais eram mantidos.
Entre as ações adotadas pela prefeitura da capital para proteger a fauna está a proibição da venda de animais no Mercado de Sonora, tradicional centro de comércio de animais de estimação da cidade. Legisladores locais também reformaram o Código Civil para regulamentar a guarda de animais de estimação em casos de divórcio.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress