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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem intensificado declarações e gestos que indicam seu interesse em assumir o controle da Groenlândia, a maior ilha do mundo, coberta em grande parte por gelo e localizada no Ártico. Nos últimos meses, Trump ridicularizou equipes dinamarquesas que utilizam trenós puxados por cães para patrulhamento no território e mencionou a presença de navios chineses e russos “misteriosos” operando próximos à costa. Há poucos dias, afirmou: “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”.
Contexto: O que faz Trump querer a Groenlândia e quais entraves há para uma eventual ofensiva dos EUA
Plano atualizado: Secretário de Estado dos EUA diz a parlamentares que Trump quer comprar a Groenlândia
Mas a questão é: os EUA realmente precisam comprar a Groenlândia — ou fazer algo ainda mais drástico — para alcançar os objetivos de Trump? Sob um acordo pouco conhecido da Guerra Fria, os americanos já desfrutam de amplo acesso militar à ilha, onde têm uma base em um canto remoto. Mas o acordo lhes permite “construir, instalar, manter e operar” bases militares em toda a Groenlândia, “abrigar pessoal” e “controlar pousos, decolagens, fundeadouros, ancoragens, movimentos e a operação de navios, aeronaves e embarcações aquáticas”.
O acordo foi assinado em 1951 pelos Estados Unidos e pela Dinamarca, que colonizou a Groenlândia há mais de 300 anos e ainda controla alguns de seus assuntos. Para Mikkel Runge Olesen, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, em Copenhague, o acordo dá aos EUA liberdade quase total de ação.
— Os EUA têm tanta liberdade de ação na Groenlândia que podem, basicamente, fazer o que quiserem — disse. — Tenho muita dificuldade em imaginar que os EUA não conseguiriam praticamente tudo o que quisessem se simplesmente pedissem educadamente.
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Mas comprar o território — algo que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse aos parlamentares na terça ser o plano mais recente de Trump — é outra questão. A Groenlândia não quer ser comprada por ninguém, especialmente não pelos Estados Unidos. E a Dinamarca não tem autoridade para vendê-la, disse Olesen.
No passado, a Dinamarca teria sido a decisora. Em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, Copenhague rejeitou uma oferta do governo do então presidente Harry Truman, que propôs pagar US$ 100 milhões em ouro pelo território. Hoje, o cenário é distinto. Os groenlandeses têm o direito de convocar um referendo sobre independência, e autoridades dinamarquesas afirmam que cabe aos cerca de 57 mil habitantes da ilha decidir seu futuro. Uma pesquisa realizada no ano passado indicou que 85% da população é contrária a uma tomada de controle pelos EUA.
— Nosso país não está à venda — disse o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, voltando a descartar a hipótese nesta semana.
O acordo de defesa entre Estados Unidos e Dinamarca, considerado relativamente curto e direto, foi atualizado em 2004 para incluir o governo semiautônomo da Groenlândia, garantindo-lhe participação nas discussões sobre o impacto das operações militares americanas sobre a população local.
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As origens do pacto remontam à Segunda Guerra Mundial. Naquele período, a Dinamarca estava ocupada pela Alemanha nazista. Seu embaixador em Washington, isolado de Copenhague, decidiu firmar por conta própria um acordo de defesa da Groenlândia com os Estados Unidos. O temor era que a ilha fosse usada pelos nazistas como trampolim para um ataque ao território americano. Os alemães haviam instalado pequenas bases meteorológicas na costa leste da Groenlândia e transmitiam dados usados em operações militares na Europa.
Tropas americanas acabaram expulsando os alemães e instalaram mais de uma dúzia de bases na ilha, com milhares de soldados, pistas de pouso e outras estruturas militares. Após a guerra, os Estados Unidos mantiveram algumas dessas instalações e uma rede de radares de alerta antecipado. Com o fim da Guerra Fria, quase todas foram desativadas, restando apenas uma, hoje chamada Base Espacial de Pittufik, usada para rastrear mísseis que cruzam o Polo Norte.
A presença dinamarquesa na Groenlândia, por sua vez, é limitada a algumas centenas de militares, incluindo forças especiais que utilizam trenós puxados por cães em patrulhas de longa distância. Nos últimos meses, o governo da Dinamarca prometeu modernizar suas bases e ampliar a vigilância no território.
Novo impulso
O debate ganhou novo impulso após forças especiais dos Estados Unidos capturarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em um esconderijo. Segundo analistas, o episódio deixou Trump mais confiante. Stephen Miller, um de seus principais assessores, afirmou então que a Groenlândia deveria pertencer aos EUA e que “ninguém vai lutar contra os Estados Unidos” por ela, o que elevou a apreensão entre autoridades dinamarquesas e groenlandesas. Na noite de terça-feira, líderes da Dinamarca e da Groenlândia solicitaram uma reunião com Rubio, segundo informou o ministro das Relações Exteriores da Groenlândia.
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As tensões entre Trump e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também vêm crescendo. Enquanto o americano insiste na necessidade de “conseguir” a Groenlândia, ela tem rejeitado qualquer concessão. Recentemente, ela citou o acordo de 1951 para afirmar que os EUA já dispõem de amplo acesso ao território e pediu que Washington “cesse as ameaças”. Segundo a premier, um ataque americano à Groenlândia significaria o fim da ordem internacional. Na terça, líderes europeus divulgaram uma declaração conjunta reiterando os termos do acordo de 1951 e afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo”.
Especialistas em defesa avaliam que uma eventual tentativa dos Estados Unidos de usar o pacto como justificativa para enviar grande número de tropas e ocupar a ilha também seria ilegal. A emenda de 2004 determina que Washington deve consultar Dinamarca e Groenlândia antes de promover “quaisquer mudanças significativas” em suas operações militares. O texto, assinado pelo então secretário de Estado americano Colin Powell (2001-2005), reconhece explicitamente a Groenlândia como “parte igual do reino da Dinamarca”.
Na prática, porém, analistas afirmam que pedidos razoáveis dos EUA costumam ser atendidos. Para o analista de defesa Peter Ernstved Rasmussen, trata-se de uma formalidade diplomática.
— É uma fórmula de cortesia — disse. — Se os Estados Unidos quisessem agir sem pedir, poderiam simplesmente informar à Dinamarca que estão construindo uma base, um aeródromo ou um porto.
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Esse cenário provoca críticas entre especialistas dinamarqueses. Jens Adser Sorensen, ex-alto funcionário do Parlamento da Dinamarca, afirmou que, se Trump quisesse reforçar a segurança da Groenlândia, poderia fazê-lo dentro do marco legal existente.
— Por que não usar o mecanismo do acordo de defesa se há tanta preocupação com a situação de segurança? — questionou. — A estrutura existe. Está em vigor.
Mas a localização estratégica da Groenlândia não é a única coisa que atraiu o círculo íntimo de Trump. A enorme ilha tem outro atrativo: minerais críticos — muitos deles — enterrados sob o gelo. Também aqui, dizem analistas, os Estados Unidos não precisam assumir o controle da ilha para obtê-los. Autoridades locais afirmam que os groenlandeses estão abertos a fazer negócios com praticamente qualquer país.
Um funcionário de uma unidade do Kentucky Fried Chicken (KFC) em Las Vegas, no estado de Nevada, foi esfaqueado múltiplas vezes durante uma confusão com clientes que teria começado por causa de um pedido de molho gravy. Dois homens foram presos e acusados de tentativa de homicídio pelo ataque ocorrido em 27 de dezembro, segundo a polícia local.
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De acordo com a emissora KSNV, James Carter, de 48 anos, e Gerald Carter, de 32, foram detidos após agentes atenderem a uma ocorrência de agressão dentro da rede de fast food. No local, os policiais abordaram quatro pessoas e encontraram um grande canivete no bolso de Gerald, conforme o relato.
Um dos detidos afirmou em depoimento que havia comprado comida no KFC e deixado o restaurante depois que Gerald “ficou chateado com seu molho”, segundo um relatório policial obtido pela imprensa. Ainda de acordo com o documento, o cliente irritado teria se exaltado ainda mais após ir e voltar ao restaurante várias vezes, alegando que os funcionários “o desrespeitaram”.
Imagens de câmeras de segurança mostram que Gerald retornou ao local acompanhado do tio, James, e que ambos passaram para trás do balcão. No vídeo, Gerald aparece esfaqueando o funcionário diversas vezes enquanto James o coloca “em um estrangulamento severo por vários segundos”, segundo o relatório.
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A vítima foi levada a um hospital da região para atendimento médico, mas seu estado de saúde não foi divulgado até o momento. Posteriormente, Gerald admitiu à polícia que se envolveu em uma briga com o funcionário, mas afirmou que a faca permaneceu em seu bolso. Ele também alegou que o empregado estaria “chamando-o de nomes e desrespeitando-o”, o que teria provocado a confusão.
A Justiça de Las Vegas determinou fiança de US$ 100 mil para Gerald Carter e de US$ 10 mil para James Carter. Caso sejam soltos mediante pagamento, ambos terão de usar tornozeleira eletrônica, segundo a emissora 8newsnow.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta quinta-feira (8) que crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito são “imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia, sobretudo quando envolvem grupos civis e militares armados”.

Ao participar de ato oficial, no Palácio do Planalto, que marca os 3 anos dos ataques perpetrados por manifestantes apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro às sedes dos Três Poderes, em Brasília, o ministro alertou ainda que é preciso manter a vigilância em relação a atos que ameacem a democracia.

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“Embora entre nós, as próprias instituições republicanas tenham, a muito custo, conseguido debelar a intentona, é preciso ter sempre em mente a célebre advertência de Thomas Jefferson: ‘O preço da liberdade é a eterna vigilância’”, disse.

“A solenidade hoje [quinta-feira], que vem sendo repetida todos os anos, tem justamente esse propósito, de recordar a todos que é preciso permanecer unidos e vigilantes em defesa da nossa liberdade, a duras penas resgatada”, completou Lewandowski.

Durante o ato, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu que aqueles que cometeram crimes devem sofrer punições com rigor. “Se, perdendo as eleições, tentaram um golpe de Estado, imagine o que não teriam feito se tivessem vencido as eleições”, afirmou.

Ao citar o ex-governador de São Paulo Mário Covas, Alckmin declarou que “homens e mulheres públicos podem ser um pouco mais à direita, um pouco mais à esquerda, um pouco mais altos, um pouco mais baixos, um pouco mais fortes, um pouco mais fracos. O que diferencia é quem tem apreço pela democracia e quem não o tem”.

“Três anos depois do fatídico 8 de janeiro, esse encontro mostra a pujança das instituições brasileiras. Os Três Poderes reagiram de maneira uníssona ao 8 de janeiro. O Poder Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Boas instituições fazem a diferença. As pessoas passam. As instituições ficam. E as boas instituições ajudam o país para que ele possa avançar”, afirmou Alckmin.

Nos Estados Unidos, as consultas de empresários interessados em investir na Venezuela se multiplicaram nos últimos dias. Os mais especuladores “querem entrar já”, mas muitos outros, confirmou ao GLOBO o ex-diplomata americano Ricardo Zuñiga, que foi o número 2 da divisão das Américas do Departamento de Estado americano durante o governo do democrata Joe Biden, “querem ter mais certezas jurídicas e políticas”. A grande expectativa entre os empresários que consideram a Venezuela um bom negócio são as licenças para operar no país que deve liberar o governo de Donald Trump nos próximos dias e semanas.
— Não sabemos ainda que tipo de licenças serão aprovadas, mas acreditamos que serão individuais, para favorecer, num primeiro momento, empresas próximas do governo americano — explica Zuñiga, que foi enviado especial de Biden para a América Central, e hoje trabalha com consultor privado.
Para ele, que foi conselheiro político na embaixada americana em Brasília entre 2010 e 2012, e cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, entre 2015 e 2018, “reconstruir a indústria venezuelana pode demorar de três a quatro anos, e custará em torno de US$ 60 bilhões de dólares”.
— Estamos recebendo muitas consultas, as pessoas querem entender o contexto político e e jurídico. Diria que a maioria das empresas sérias quer esperar ter essas certezas — afirma o ex-diplomata.
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Além de empresas do setor petroleiro, acrescentou Zuñiga, credores da dívida venezuelana e empresários que venceram arbitragens internacionais em disputa com o regime chavista querem saber qual é o horizonte de pagamento. Estimativas privadas apontam que a dívida externa da Venezuela atinge cerca de US$ 200 bilhões.
— A presidente interina, Delcy Rodríguez, é vista como uma pessoa capaz dentro do chavismo. Ela e seu irmão [Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional] entenderam como sobreviver — afirma o consultor americano, confirmando informações de que os irmãos Rodríguez foram alvo de sondagens por parte dos EUA — incluindo o setor privado americano — antes do ataque da madrugada de 3 de janeiro.
Zuñiga lembrou, ainda, a importância, nessas sondagens, do governo do Catar. Muitas das reuniões entre Jorge Rodríguez e Delcy ocorreram justamente no Catar.
— O Catar tem interesse econômicos e políticos. Quer investir na Venezuela e quer ser um sócio confiável para Trump — conclui o ex-diplomata.
Mesmo sem petróleo, o navio apreendido pelos Estados Unidos no Atlântico Norte, na quarta-feira, tornou-se um ativo estratégico na relação entre Washington e Moscou. Sob bandeira russa e perseguido por semanas pela Marinha americana, o petroleiro de 300 metros — rebatizado de Marinera após ser sancionado pelos EUA como Bella 1, em 2024 — é suspeito de integrar a chamada “frota fantasma” usada por Rússia, Irã e Venezuela para driblar sanções internacionais. A interceptação, realizada enquanto forças russas se deslocavam para a região, levanta teorias que variam desde a especulação de que armas russas de alto valor estejam escondidas no casco, até o potencial do navio para se tornar um troféu simbólico em uma disputa de poder transatlântica entre a Casa Branca e o Kremlin. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Manifestantes que protestavam contra a morte de uma mulher pelas mãos de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis na quarta-feira, entraram em confronto com forças de segurança nesta quinta-feira, em meio à crescente indignação com o caso — 9º envolvendo um agente da força federal disparando com arma de fogo contra um civil nos últimos quatro meses, em cinco estados diferentes e na capital Washington, em meio à ofensiva do presidente americano, Donald Trump, contra a imigração, que rivais políticos denunciam como uma ingerência sobre a segurança.
Pelo menos um manifestante foi preso nesta quinta-feira, enquanto agentes federais usavam spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra uma grande multidão em Saint Paul, cidade próxima a Minneapolis. Um dos manifestantes carregava uma placa com os dizeres “ICE = assassino”.
A morte da mulher ocorreu na quarta-feira, durante um protesto contra as políticas de imigração de Trump. A vítima, identificada pela mídia local como Renee Nicole Good, de 37 anos, tentou fugir quando agentes se aproximaram do veículo que ela dirigia e tentaram abrir a porta.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Trump acusou a mulher de tentar atropelar o agente, embora imagens filmadas no local e no momento do incidente tenham provocado interpretações variadas sobre o caso. Ao menos por um ângulo, o agente parece estar fora da trajetória do veículo, no momento em que saca a arma e dispara a queima-roupa contra a motorista.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou a postura do governo federal como “uma grande besteira” e exigiu que os agentes do ICE deixassem a cidade após dois dias de operações. (Com AFP)
*Matéria em atualização
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos estão “desrespeitando as normas internacionais” e “se distanciando progressivamente” de alguns aliados, em um contexto diplomático de crescente “agressividade neocolonial”. Macron fez essas declarações durante seu tradicional discurso aos embaixadores franceses em todo o mundo, que este ano ocorre após o ataque dos EUA e a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, além de suas ameaças de anexação da Groenlândia.
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“Os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados e desrespeitando as normas internacionais que ainda promoviam até recentemente”, disse Macron no Palácio do Eliseu, residência presidencial.
“As instituições multilaterais funcionam de forma cada vez pior. Estamos evoluindo para um mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo”, acrescentou o presidente francês, que disse “rejeitar o novo colonialismo, o novo imperialismo”.
Embora a França tenha comemorado o fim da “ditadura de Maduro”, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou na terça-feira que a operação militar dos EUA é “ilegal” e “contraria a Carta das Nações Unidas”.
Nesse contexto, Macron afirmou que a UE deve proteger seus interesses e defendeu a “consolidação” da regulamentação europeia do setor tecnológico, que tem sido alvo de críticas nos Estados Unidos, e a aceleração da agenda de preferências comerciais europeias. A França, que detém a presidência do G7 este ano, também buscará promover uma “reforma da governança global”, assegurou aos embaixadores.
O presidente francês fez um apelo para que “os grandes países emergentes que desejam participar” também se unam a esse objetivo. Macron já havia defendido uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir as potências emergentes e expressou seu apoio à inclusão do Brasil como membro permanente desse órgão.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira (8) veto integral ao Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O texto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.

O anúncio foi feito durante ato, no Palácio do Planalto, que marca os três anos dos ataques perpetrados por manifestantes apoiadores de Bolsonaro que, inconformados com o resultado das eleições, invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou [apresentações de] Powerpoint fajutas”, disse Lula.

“Quero parabenizar a Suprema Corte pela conduta irrepreensível ao longo de todo esse processo. Julgou e condenou no estrito cumprimento da lei. Não se rendeu às pressões, não se amedrontou diante das ameaças. Não se deixou levar por revanchismo. Saiu fortalecida. Sua conduta certamente será lembrada pela história”, completou.

Ao citar o poeta hispano-americano George Santayana, Lula concluiu: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. Em nome do futuro, não temos hoje o direito de esquecer o passado. Por isso, não aceitamos nem ditadura civil nem ditadura militar. O que queremos é democracia emanada do povo e para ser exercida em nome do povo”.     

Entenda

O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”. O texto reduz também o tempo para progressão do regime de prisão de fechado para semiaberto ou aberto.

Tais mudanças poderiam beneficiar réus como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Com uma imagem gerada por IA de uma onça-pintada posando para uma foto ao lado de uma águia, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, deu detalhes sobre a conversa telefônica que manteve com o presidente americano, Donald Trump, na quarta-feira — considerada por observadores uma tentativa de arrefecer a retórica utilizada entre os dois países e desescalar as tensões entre as lideranças, após semanas de trocas de acusações que chegaram a ameaças de ações militares.
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“Entre os assuntos que discutimos, o presidente Trump e eu, estava a discordância que tínhamos em relação à sua visão sobre o relacionamento dos EUA com a América Latina”, escreveu Petro em uma publicação nas redes sociais, descrevendo sua proposta para o desenvolvimento de energia limpa na região, em substituição aos combustíveis fósseis, uma pauta avessa às ideias de Trump. “A exploração petrolífera da América Latina só levaria à destruição do direito internacional e, consequentemente, à barbárie e a uma terceira guerra mundial. A paz mundial estaria seriamente ameaçada e caminharíamos para um colapso climático irreversível com a extinção da vida”.
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Embora não tenha dado qualquer sinal sobre as impressões de Trump ao seu projeto, a publicação foi feita após Petro recuar de aprofundar ainda mais medidas de condenação ao presidente americano, em meio a disputa entre os dois sobre a interferência americana na região — sobretudo na Venezuela —, e declarações do republicano sobre “não ter problema” em realizar uma incursão militar em solo colombiano.
Ao se dirigir a uma multidão reunida na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, que atenderam a marchas convocadas pelo líder de esquerda, em repúdio às ameaças de Trump, Petro assegurou que pensava em fazer um discurso “muito duro”, mas mudou de ideia após o telefonema com Trump, que durou pelo menos uma hora.
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O dirigente colombiano assegurou que pediu a americano que “se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes” de ambas as nações, e que eles trataram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela.
— Se não se dialoga, há guerra — disse Petro em meio à ovação do público.
Também em uma publicação nas redes sociais, Trump também adotou um tom cordial. Ele convidou o líder colombiano para uma visita à Casa Branca. O republicano sugeriu que a ligação teria sido uma iniciativa de Bogotá, e que eles falaram trataram sobre “desacordos” entre ambos.
“Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo”, escreveu Trump em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social. “Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca”.
Escalada de tensões: Petro diz estar disposto a ‘pegar em armas’ após ameaças de Trump contra a Colômbia
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Em uma entrevista dada à AFP na quarta, o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo, advertiu que uma escalada das tensões poderia levar a uma “catástrofe” humanitária sem precedentes na América Latina.
Petro também informou durante o seu discurso que falou há dois dias com a presidente interina Delcy Rodríguez, a convidou a visitar a Colômbia e lhe propôs um diálogo “mundial” para “estabilizar” a Venezuela. O dirigente colombiano não reconhece a questionada vitória de Maduro nas eleições de 2024, mas acusa Washington de sequestrá-lo e se posicionou contra a operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
Segundo o presidente colombiano, o diálogo foi proposto a Delcy com o objetivo de evitar “violência” na sociedade venezuelana. (Com AFP)
Um piloto da Alaska Airlines responsável por conduzir em segurança um pouso de emergência após a explosão de um painel da cabine em pleno voo entrou com uma ação judicial contra a Boeing, acusando a fabricante de aeronaves de tentar transferir para ele a culpa pelo incidente. O capitão Brandon Fisher pede uma indenização de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) por danos morais e emocionais.
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Parada cardíaca interrompe descida e mata esquiador britânico nos Alpes italianos
A ação foi protocolada em 30 de dezembro no estado do Oregon e tem como base o episódio envolvendo o voo 1282 da Alaska Airlines, operado por um Boeing 737 Max 9. Pouco depois de decolar de Portland, em 5 de janeiro de 2024, um tampão da porta da cabine se soltou durante o voo, forçando a tripulação a realizar um pouso de emergência. As 177 pessoas a bordo sobreviveram.
De acordo com o processo, a Boeing teria tentado fazer de Fisher um “bode expiatório” após o acidente, ao negar responsabilidade enquanto se defendia de uma ação coletiva relacionada ao caso. Na ocasião, a empresa afirmou que seus produtos teriam sido “mantidos de forma inadequada ou usados indevidamente por pessoas e/ou entidades que não a Boeing”.
Boeing da Alaska Airlines que perdeu a porta logo após decolar de Portland, em 5 de janeiro
NTSB
“A Boeing sabia que essa afirmação era falsa no momento em que foi feita, mas mesmo assim a divulgou como parte de sua estratégia frequentemente usada após acidentes para culpar pilotos por incidentes causados exclusivamente por suas próprias ações”, afirma a ação. Em outro trecho, os advogados sustentam que “ficou claro que as palavras da Boeing eram direcionadas ao capitão Fisher, numa tentativa de pintá-lo como o bode expiatório pelos inúmeros fracassos da empresa”.
Segundo o processo, o piloto sofreu intenso abalo emocional, e as declarações da fabricante teriam “exacerbado dramaticamente os impactos transformadores de vida” decorrentes do incidente.
Em junho, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) concluiu que “múltiplas falhas de sistema” da Boeing e da Administração Federal de Aviação (FAA) contribuíram para o episódio. Em agosto, quatro comissários de bordo do mesmo voo também entraram com ações judiciais separadas contra a Boeing, alegando danos físicos e emocionais, segundo a agência Reuters.
Apesar da disputa judicial, autoridades da aviação e executivos da própria Boeing já haviam elogiado publicamente a atuação da tripulação do voo 1282 durante a emergência.
Procurada, a Boeing afirmou, em nota enviada à Fox Business, que continua implementando um “plano abrangente de segurança e qualidade”, desenvolvido com a participação de funcionários e sob supervisão regulatória. “Nos últimos dois anos, analisamos de forma rigorosa todos os aspectos de nossas operações de produção”, disse um porta-voz. “Desenvolvemos um plano abrangente para fortalecer a gestão de segurança, a garantia de qualidade e a cultura de segurança da Boeing — e estamos vendo os benefícios dessas ações.”
A Alaska Airlines informou que não comentaria o processo, mas voltou a elogiar a tripulação do voo 1282 pela “bravura e rapidez de raciocínio” que garantiram a segurança de todos a bordo.

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