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Cinco leões que viviam sob o risco constante de ataques russos na Ucrânia foram retirados de uma zona de guerra graças a uma operação liderada pelo ativista britânico Cam Whitnall. A missão resgatou os felinos Yuna, Rori, Vanda, Amani e Lira, animais que sofriam os efeitos físicos e psicológicos dos bombardeios e que agora vivem em segurança no Reino Unido.
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A iniciativa se tornou um dos episódios mais marcantes da trajetória de Whitnall, diretor do Paradise Wildlife Park, em Hertfordshire, na Inglaterra. Em 2024, ele lançou uma campanha para retirar os animais de Kiev, onde estavam expostos aos ataques de mísseis e drones em meio à guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia.
Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Whitnall contou que os leões apresentavam sinais de choque e até concussões provocadas pelas explosões próximas aos recintos onde eram mantidos. Ele acompanhava a situação por vídeos enviados por WhatsApp, que mostravam bombardeios e ataques aéreos nas proximidades dos animais.
Os cinco leões haviam chegado à Ucrânia após serem comprados ilegalmente como animais de estimação exóticos. O conservacionista alerta que muitas pessoas adquirem grandes felinos ainda filhotes sem compreender os riscos envolvidos.
— Um deslize, um momento de complacência, e tudo muda — afirma Whitnall ao periódico, ao destacar o perigo de manter predadores selvagens em ambientes domésticos.
Para viabilizar o resgate, ele criou a instituição de caridade Big Cats in Crisis, responsável por arrecadar recursos para a operação. A meta era levantar pelo menos 750 mil libras esterlinas para transportar os animais e construir uma estrutura adequada para recebê-los.
A campanha resultou na criação do Centro de Resgate de Leões, próximo à cidade de Ashford, no condado de Kent. O espaço foi inaugurado oficialmente pela ministra britânica do Bem-Estar Animal, Baronesa Hayman, e pelo embaixador da Ucrânia no Reino Unido, Valerii Zaluzhnyi.
Em um dos vídeos publicados nas suas redes sociais, ele mostra como foi o regate de Ursa.
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Ao comentar a recuperação de Yuna, uma das leoas resgatadas, Whitnall destacou a transformação observada após sua chegada ao novo lar. Ele celebrou, em um dos seus vídeos, a primeira vez que ela pisou na grama, depois de viver uma vida inteira em cativeiro.
— Resgatar Yuna da guerra na Ucrânia, dar a ela uma segunda chance de vida e agora vê-la sentir o ar fresco e a grama pela primeira vez é algo incrivelmente especial e bonito. Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, mas ela está demonstrando uma coragem incrível e até um pouco de irreverência, e não poderíamos estar mais felizes — celebrou Whitnall .
Filho de uma família ligada à administração do Paradise Wildlife Park, Whitnall cresceu cercado por animais. Na infância, conviveu com suricatas, porcos-espinhos, pumas, lobos e macacos. Aos 11 anos, tornou-se o tratador de zoológico mais jovem do Reino Unido a participar do programa infantil Blue Peter.
Sua família reformulou o zoológico ao longo dos anos, ampliando recintos, melhorando a infraestrutura e acolhendo animais resgatados de circos. A experiência ajudou a consolidar sua atuação na conservação da vida selvagem.
Whitnall também denuncia os impactos do tráfico de animais, que classifica como uma das maiores atividades criminosas do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas. Segundo ele, espécies são frequentemente capturadas em armadilhas e submetidas a sofrimento extremo para abastecer o comércio ilegal de animais exóticos.
Apesar dos desafios, o conservacionista afirma que programas de reprodução controlada, proteção de habitats e resgates como o realizado na Ucrânia oferecem esperança para espécies ameaçadas. O objetivo final, defende, é garantir que os animais possam viver em ambientes protegidos e seguros, mesmo que esse processo leve décadas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o programa Move Motos, lançado nesta sexta-feira (12), fará com que os motociclistas de aplicativo deixem de ser “a última força de trabalho considerada invisível” neste país.

Ao lado de outras políticas voltadas à garantia de direitos para esses profissionais, disse Lula, eles passarão a ser tratados como cidadãos e cidadãs.

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O Move Motos é uma linha de crédito para motociclistas de aplicativos que desejam financiar ciclomotores, motonetas, motocicletas e bicicletas elétricas produzidas no Brasil ou com projeto de investimento voltado à produção no país.

Ele segue os mesmos moldes do Move Aplicativos, que tem como público-alvo motoristas de aplicativos e taxistas interessados em financiar carros.

Essas linhas de crédito são uma expansão do Move Brasil, criado para viabilizar a renovação de frotas no país, por meio de facilidades de financiamento.

Outros benefícios

O financiamento inclui a possibilidade de aquisição de seguro para garantir o pagamento da dívida, para o caso de imprevistos que impeçam o contratante de continuar pagando o financiamento (seguro prestamista).

Também está previsto financiamento de capacetes, bem como para a aquisição de baterias pontos de carga elétrica. Tudo será disponibilizado a partir da plataforma oficial gov.br/movebrasil.

Durante o evento, no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a presença dos trabalhadores simboliza uma mudança de reconhecimento.

“Hoje, pela presença de vocês aqui no Palácio, nós estamos completando possivelmente a última força de trabalho considerada invisível neste país, que agora está deixando de ser invisível e passa a ser tratada como cidadã e cidadão de primeira classe”, disse o presidente.

Durante a cerimônia, Lula demandou ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal que, no prazo de 30 dias, se organizem de forma a preparar seus funcionários para atenderem, de forma proativa e sem burocracia, os interessados em obter financiamentos para adquirir seus veículos.

Lula incentivou os trabalhadores a acompanharem a implementação do programa.

“Vocês agora têm que andar de cabeça erguida e dizer que não são mais invisíveis. Estão aqui para serem enxergados. Se não estiver dando certo, procurem o governo, procurem os bancos”, afirmou.

O presidente defendeu também campanhas de educação no trânsito para melhorar o relacionamento entre motoristas e motociclistas.

Juros

Segundo o Planalto, a taxa a ser cobrada para financiamento dos veículos será de 12,5% ao ano, o que corresponde a 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres.

O financiamento será de 100% do valor do veículo, o que possibilita a aquisição sem necessidade de pagamento de entrada.

Para acessar o financiamento, estão previstos alguns requisitos mínimos, como seis meses de cadastro na plataforma oficial, e no mínimo, 100 corridas realizadas. Para os profissionais celetistas, são necessários seis meses de exercício na atividade.

Após o cadastro, o trabalhador será informado se atende às condições de participação. A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação poderão procurar a Caixa, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.

Está prevista também que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal criem um calendário de feirões a partir de 13 de julho, em polos específicos, com a participação de concessionárias e instituições financeiras interessadas em fazer negócios.

Boulos

Mais cedo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, havia antecipado alguns pontos do Move Motos. Ele lembrou que a linha oferece condições mais vantajosas que as praticadas no mercado.

“Hoje o juro médio para comprar moto está em 27% ao ano, mas conseguimos chegar a 12,5% ao ano, que é menos da metade do juro na concessionária”, disse o ministro.

Além disso, acrescentou, haverá período de carência de dois meses, que na prática pode chegar a três. “Quem comprar a moto em julho, por exemplo, começa a pagar apenas em outubro”, explicou.

Boulos ressaltou que motoristas com restrição de crédito não poderão aderir inicialmente, mas poderão recorrer ao programa Desenrola para regularizar a situação e, assim, se habilitar ao financiamento.

Ele lembrou que, durante a pandemia, esses trabalhadores que faziam entregas nas residências eram considerados heróis. No entanto, passaram a ser discriminados. “Inclusive deixaram de ter seus direitos garantidos”.

Move Brasil

No primeiro dia de operações, R$ 3,2 bilhões em crédito foram contratados pelo Move Brasil, dos R$ 21,2 bilhões colocados à disposição pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operar os recursos. No caso do Move Máquinas Agrícolas, R$ 10 bilhões estão à disposição para micro e pequenos empreendedores.

Move Aplicativos

No caso do Move Aplicativos, 740 mil profissionais já atenderam aos requisitos para acessar a linha de financiamento com as condições mais favoráveis. A análise do crédito e contratação com os bancos começa em 19 de junho.

O governo federal abriu crédito extraordinário de R$ 30 bilhões para a compra de veículos por motoristas de táxi e de aplicativo. Os recursos serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, que também vai operacionalizar a medida.

Para se habilitar, o motorista precisa preencher cadastro na plataforma gov.br/movebrasil. Em um prazo de até cinco dias após o cadastro, o trabalhador será informado se poderá participar do programa.

 

Nos últimos cinco dias, os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques com mísseis após a queda de um helicóptero americano. Israel bombardeou o Líbano, provocando retaliação do Irã. E os houthis, apoiados pelo Irã, juntaram-se à represália no Iêmen. Em questão de horas na quinta-feira, após fazer novas ameaças públicas, o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou outro grande ataque contra a República Islâmica e voltou a apresentar a possibilidade de um acordo de paz, que Teerã minimizou.
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Nos dois meses desde que os EUA e o Irã declararam nominalmente um cessar-fogo, a linha entre paz e guerra praticamente desapareceu no Oriente Médio, com ataques e contra-ataques acompanhados de promessas de fim das hostilidades que nunca se concretizam. É menos um cessar-fogo do que um “fogo menor”, nas palavras do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Mesmo que os combatentes consigam chegar a um acordo preliminar desta vez, essa zona cinzenta de “nem guerra nem paz” pode persistir por semanas ou meses, dizem analistas e diplomatas. Nem Trump nem o Irã parecem dispostos a fazer concessões significativas nas negociações para uma trégua de longo prazo, com muitos detalhes complexos a serem resolvidos — principalmente em relação ao futuro do programa nuclear iraniano.
Tal impasse condenaria o Oriente Médio a um purgatório de violência esporádica e ansiedade constante. E forçaria o resto do mundo a confrontar uma nova e dura realidade econômica. A interrupção prolongada do fornecimento de petróleo e gás proveniente do Golfo Pérsico, diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, teria um efeito cascata nas cadeias de suprimentos globais, causando escassez de alimentos e elevando os preços nos postos de gasolina e nos supermercados.
— Há uma boa chance de que o equilíbrio atual, ou algo semelhante, persista — disse Caitlin Talmadge, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) especializada em questões de segurança do Golfo Pérsico. — Nem toda guerra tem um fim limpo.
O que torna este conflito particularmente complexo são seus múltiplos combatentes, cada um com suas próprias agendas, muitas vezes conflitantes. Trump, enfrentando eleições de meio de mandato e dificuldades políticas internas, sinalizou que está ansioso para virar a página.
O Irã, tendo sofrido baixas terríveis, incluindo a morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, vê este confronto como uma guerra de sobrevivência e dificilmente limitará seu programa nuclear em troca de uma trégua de curto prazo. Israel, por sua vez, considera o Irã uma ameaça existencial — suas instalações nucleares estão soterradas sob escombros, mas não destruídas, e seus aliados estão se reagrupando no Líbano, em Gaza e no Iêmen.
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Enquanto o presidente americano se confronta com o Irã, ele conduz negociações paralelas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ora implorando que ele suspenda os ataques no Líbano, ora defendendo o direito de Israel de retaliar. Já Netanyahu enfrenta sua própria eleição, com o Irã representando uma importante questão pendente.
— Se houver um cessar-fogo, mas não uma paz duradoura, será preciso ficar de olho no Irã — afirmou Charles A. Kupchan, que trabalhou no Conselho de Segurança Nacional dos EUA durante o governo do ex-presidente Barack Obama. — Também podemos ver a continuidade de guerras por procuração relacionadas ao Hamas, ao Hezbollah e aos Houthis (aliados iranianos espalhados pela região).
Kupchan, agora professor de relações internacionais na Universidade de Georgetown, comparou o desafio para os Estados Unidos e Israel a “cortar a grama”, uma expressão que se refere às ofensivas militares que Israel realizava periodicamente em Gaza para enfraquecer o Hamas antes do ataque do grupo em 7 de outubro de 2023.
Tal situação não é inédita no Oriente Médio. Durante vários anos antes da guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque, Washington impôs sanções e zonas de exclusão aérea a Bagdá. Guerras por procuração eclodiram e instalações militares americanas foram atacadas, mais dramaticamente em 2000, quando o porta-aviões USS Cole foi destruído em um atentado suicida realizado por terroristas da Al-Qaeda em Aden, no Iêmen.
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Ponto-chave
O que diferencia este conflito dos anteriores é o Estreito de Ormuz. Ao bloqueá-lo, o Irã exerceu uma nova e devastadora forma de pressão, mesmo que ainda não tenha forçado Trump a um acordo de paz.
A navegação comercial permanece amplamente suspensa. O recente abate do helicóptero Apache, pelo qual os Estados Unidos culparam o Irã, serve como um lembrete dos riscos de um plano da Marinha americana para ajudar a garantir a passagem de navios pelo estreito.
— Esta é mais uma medida temporária do que uma situação duradoura — destacou Martin Kelly, chefe de consultoria do EOS Risk Group, uma empresa de consultoria com sede no Reino Unido.
Os preços do petróleo dispararam na quinta-feira em meio a temores de um retorno à guerra total, enquanto nos Estados Unidos a taxa de inflação ultrapassou os 4%. As preocupações com as consequências econômicas da guerra provavelmente dominarão a reunião dos líderes do G7 na próxima semana, na França.
Os líderes europeus propuseram uma missão para garantir a segurança da navegação comercial, mas isso depende de um acordo entre Trump e Teerã para uma resolução de paz mais duradoura. O Irã também está sob pressão, com suas exportações de petróleo praticamente paralisadas pelo bloqueio retaliatório da Marinha dos EUA no estreito.
— Essa situação de “nem guerra, nem paz” não é sustentável — pontuou Vali R. Nasr, especialista em Irã da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins. — A economia iraniana, assim como a economia global, não consegue sustentar isso ao máximo por mais de quatro ou cinco meses.
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Por essas razões, Nasr disse esperar que cada lado tente forçar o outro a recalcular a estratégia.
— É exatamente isso que estamos presenciando — declarou, referindo-se aos ataques dos EUA contra bases de drones iranianas perto do estreito, que, segundo ele, foram calculados para romper o controle iraniano sobre a hidrovia.
O impasse está criando suas próprias circunstâncias no terreno, muitas das quais são perigosas para os Estados Unidos, de acordo com analistas. Um grande número de tropas americanas está mobilizado na região, reduzindo sua capacidade de exercer influência em outros lugares, principalmente contra a China. Uma escalada significativa esgotaria ainda mais os estoques de defesa aérea e outras armas, que já estão baixos.
— Você está reduzindo os estoques e mobilizando recursos, o que significa que está afetando a prontidão das Forças Armadas — ressaltou Seth G. Jones, presidente do departamento de defesa e segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington. — Isso cria um risco enorme no Pacífico.
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Foco concentrado
A guerra também está minando a capacidade da Casa Branca de lidar com outras crises. O presidente Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, que está em guerra com a Rússia, conflito que Trump prometeu encerrar em 24 horas, disse recentemente:
— Vemos que os Estados Unidos estão totalmente focados na questão do Irã. Ele instou o presidente Vladimir Putin, da Rússia, em uma carta aberta provocativa, a negociar diretamente com ele. Putin, no entanto, recusou.
Mesmo no Oriente Médio, a influência dos EUA tem demonstrado ter limites. Os ataques com mísseis e drones do Irã tornaram mais perigoso para os militares americanos operarem a partir de suas bases, enquanto a Marinha tem evitado, em grande parte, enviar grandes navios para o Golfo Pérsico, aparentemente por medo de serem alvejados.
— Há novas realidades militares — salientou Talmadge, a professora do MIT. — Por muito tempo, presumimos que nossas forças de superfície e nossas bases teriam um ambiente seguro, e não têm.
Uma situação mais otimista do que o atual limbo, segundo analistas, seria um acordo de cessar-fogo duradouro, no qual os Estados Unidos e o Irã concordassem em reabrir o Estreito de Ormuz, adiando a espinhosa questão do programa nuclear iraniano para uma negociação posterior. Isso poderia silenciar os ataques com mísseis do Irã contra os países do Golfo. Mas não está claro se tal movimento impediria Israel de atacar o Hezbollah, aliado do Irã no Líbano, já que o grupo xiita rejeitou um cessar-fogo e Israel alega que precisa se defender.
— Quanto mais essa guerra persistir, mais fissuras provavelmente surgirão entre Israel e os Estados Unidos — disse Jones.
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Em certa medida, Trump está numa situação delicada que ele mesmo criou. O presidente americano parece relutante em fechar um acordo com o Irã que críticos linha-dura do Partido Republicano poderiam rotular como uma repetição do acordo nuclear de 2015 do presidente Barack Obama com a República Islâmica. “Nenhum acordo é melhor do que um mau acordo”, é o refrão do grupo de aliados de Trump.
No entanto, a retomada de uma guerra de alta intensidade agravaria o caos econômico, além de colocar as tropas americanas em risco, cinco meses antes das eleições de meio de mandato, nas quais os republicanos já enfrentam uma batalha árdua.
— Fazer com que essa guerra se transforme em um conflito ainda maior às vésperas da eleição não será politicamente vantajoso para os republicanos — avaliou Talmadge. — Mas o status quo também é ruim.
A União Europeia (UE) dará na próxima segunda-feira um novo passo no processo de adesão da Ucrânia e da Moldávia ao bloco. Os embaixadores dos 27 países-membros aprovaram nesta sexta-feira uma posição comum que permite a abertura formal do primeiro bloco de negociações com os dois candidatos, destravando um processo que havia permanecido paralisado por quase dois anos devido à oposição da Hungria.
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A decisão será formalizada em Luxemburgo, onde a UE realizará conferências intergovernamentais separadas com Ucrânia e Moldávia. O avanço ocorre poucos dias após Budapeste retirar o veto que impedia o andamento das negociações, depois de alcançar um acordo com Kiev sobre os direitos da minoria húngara que vive em território ucraniano.
A posição aprovada pelos embaixadores inclui um roteiro para o fortalecimento do Estado de Direito e um plano de ação voltado aos direitos das minorias. Este último foi atualizado para refletir o resultado das consultas realizadas entre os governos da Hungria e da Ucrânia, tema que havia se tornado o principal ponto de atrito entre os dois países.
O processo de adesão à UE é dividido em 33 capítulos, agrupados em seis áreas temáticas. O primeiro, chamado de “fundamentos”, reúne temas ligados ao Estado de Direito, direitos humanos e ao funcionamento do sistema judiciário. Trata-se da primeira etapa formal das negociações e também da última a ser encerrada antes da adesão efetiva.
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A abertura desse agrupamento vinha sendo buscada pela Ucrânia e pela Moldávia desde que os dois países receberam o status de candidatos à adesão. O veto imposto pelo então premier húngaro Viktor Orbán, porém, bloqueou qualquer avanço. Durante o período, autoridades europeias tentaram diversas alternativas para superar o impasse, sem sucesso, e a questão tornou-se um dos principais pontos de atrito entre Budapeste e Kiev. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou repetidamente o bloqueio húngaro e defendeu que a adesão à UE representa uma garantia de segurança para o futuro do país.
Mudança de posição
A mudança de posição da Hungria ocorreu após a eleição do primeiro-ministro Peter Magyar, que assumiu o governo prometendo reconstruir as relações com a Ucrânia. Na semana passada, Magyar afirmou que os dois países alcançaram um acordo sobre os direitos da minoria húngara que vive na região ucraniana da Transcarpátia, tema que há anos está no centro das divergências bilaterais.
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Segundo o premier húngaro, o entendimento prevê a ampliação dos direitos linguísticos, educacionais, culturais e políticos da comunidade húngara na Ucrânia, estimada em cerca de 100 mil pessoas. Entre as medidas anunciadas estão a restauração de um sistema escolar voltado para minorias étnicas, a possibilidade de uso da língua materna em todos os ambientes escolares e a realização de provas em húngaro.
Magyar afirmou ainda que a Ucrânia concordou em incorporar os compromissos assumidos tanto à sua legislação quanto ao plano de ação apresentado a Bruxelas como parte do processo de adesão. Segundo ele, caso essas medidas sejam implementadas, a Hungria apoiará a abertura do primeiro agrupamento das negociações.
Apesar do avanço, o governo húngaro mantém reservas sobre uma eventual aceleração do processo de entrada da Ucrânia no bloco. Magyar declarou que não apoia uma adesão acelerada e afirmou que, se Kiev concluir os 33 capítulos de negociação nos próximos 10 a 15 anos, a questão será submetida a um referendo vinculante na Hungria.
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A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, por sua vez, comemorou a decisão e afirmou que Ucrânia e Moldávia já estão cumprindo os requisitos relacionados ao Estado de Direito exigidos pelos países-membros. O momento, disse, é de “acelerar o caminho dos dois países rumo à adesão à União Europeia”.
Em publicação nas redes sociais, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a decisão representa um “apoio político e moral significativo” para os ucranianos. Segundo ele, a Ucrânia está defendendo não apenas seu próprio território, mas também a ideia de uma Europa formada por nações livres, unidas e em paz.
A meta de Kiev é avançar rapidamente nas negociações e abrir todos os seis blocos temáticos ainda entre junho e setembro. O objetivo é demonstrar à população, desgastada pela guerra, que a perspectiva de adesão ao bloco permanece concreta. A estratégia tem o apoio da Comissão Europeia e de vários Estados-membros.
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“Ao aproximar nossas nações, fortalecemos a paz, a segurança e a prosperidade em todo o nosso continente”, afirmaram em comunicado conjunto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Os dois líderes classificaram a decisão desta sexta como um reconhecimento da “determinação, coragem e trabalho árduo” demonstrados por Ucrânia e Moldávia na implementação de reformas, apesar dos desafios.
(Com AFP)
Por dias, os iranianos foram dormir ouvindo sons de explosões ou notícias de que o país e os Estados Unidos estavam trocando ataques, e acordaram com relatos de que os ataques tinham terminado e que as negociações de um acordo de paz estavam em andamento. Na quinta-feira, o pêndulo voltou a oscilar de forma extrema — tudo em questão de poucas horas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma aliança de oposição da Armênia contestou, nesta sexta-feira, o resultado das eleições parlamentares realizadas no último domingo e pediu a anulação da votação, vencida pelo partido do primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian. A legenda pró-Rússia Armênia Forte protocolou uma petição junto à Comissão Eleitoral Central do país alegando irregularidades no processo eleitoral, segundo informações da agência Reuters.
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O pedido foi apresentado após lideranças oposicionistas denunciarem supostas falhas na votação e uma série de medidas que, segundo elas, prejudicaram a campanha de seus candidatos. A aliança afirma que os resultados oficiais não refletem adequadamente a vontade dos eleitores.
Nas eleições de 7 de junho, o partido governista Contrato Civil, liderado por Pashinian, conquistou 49,8% dos votos. O resultado garantiu ampla vantagem sobre os principais grupos oposicionistas, em sua maioria alinhados à Rússia.
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A Armênia Forte, principal coalizão de oposição, recebeu 23,2% dos votos. Durante a campanha, o grupo defendeu políticas favoráveis ao setor privado e a manutenção das tradicionais relações econômicas e estratégicas entre a Armênia e a Rússia, principal fornecedora de energia para o país do sul do Cáucaso.
Por sua vez, a aliança Armênia, liderada pelo ex-presidente Robert Kocharian, recebeu 9,9% dos votos, e o partido Armênia Próspera, recebeu 4%. A participação eleitoral foi de 59%, segundo a Comissão Eleitoral Central.
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Desde que chegou ao poder em 2018, Pashinian vem tentando reduzir a dependência da Armênia em relação à Rússia e aprofundar as relações com os Estados Unidos e a União Europeia, movimento que gerou críticas de setores políticos favoráveis à manutenção da influência de Moscou no país.
A disputa eleitoral ganhou novos contornos na quinta-feira, quando a Comissão Eleitoral Central invalidou os votos registrados em duas seções eleitorais. Segundo relatos da imprensa local, a decisão foi tomada após a identificação de uma concentração incomum de militares nos locais de votação depois do encerramento das urnas.
A medida afetou diretamente o partido Armênia Próspera. Segundo a legenda, a anulação dos votos reduziu seu desempenho para abaixo dos 4% necessários para obter representação parlamentar.
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Além das contestações sobre a apuração, partidos de oposição denunciaram uma série de prisões realizadas antes da votação. Segundo os grupos, as ações tiveram como alvo candidatos e apoiadores da oposição.
O líder da Armênia Forte, o empresário russo-armênio Samvel Karapetian, classificou a eleição como “vergonhosa” e denunciou irregularidades e repressão contra sua campanha. O Comitê de Investigação da Armênia informou ter aberto 59 processos criminais por supostas violações eleitorais, incluindo casos de voto múltiplo, e anunciou a prisão de nove pessoas.
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Observadores internacionais que acompanharam o processo eleitoral reconheceram a existência de denúncias de compra de votos e outras possíveis violações das regras eleitorais. Ainda assim, afirmaram que a votação ocorreu de forma tranquila na maior parte dos locais visitados.
A Comissão Eleitoral Central deverá divulgar os resultados finais da eleição no próximo domingo.
Aproximação com o Ocidente
Após a divulgação dos resultados preliminares, Pashinian celebrou o que chamou de “vitória histórica” de seu partido e afirmou que o resultado garantirá “a eternidade e o desenvolvimento da Armênia”. O premier prometeu manter o processo de aproximação com os países ocidentais, ao mesmo tempo em que buscará preservar as relações com Moscou.
O reposicionamento geopolítico da Armênia se intensificou nos últimos anos. Embora o país continue oficialmente aliado da Rússia, Pashinian passou a criticar Moscou após a derrota armênia para o Azerbaijão em 2020 e a retomada de Nagorno-Karabakh pelos azeris em 2023, episódio que provocou o deslocamento de dezenas de milhares de armênios.
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O governo armênio acusa a Rússia de não ter protegido adequadamente os interesses do país no conflito. Desde então, Erevan congelou sua participação em uma aliança regional liderada por Moscou e passou a aprofundar laços com Bruxelas e Washington, chegando a mencionar uma eventual adesão à UE.
A aproximação com o Ocidente foi elogiada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou que a UE está “ao lado da Armênia”. O presidente francês, Emmanuel Macron, também manifestou apoio ao fortalecimento das relações entre Erevan e a Europa.
(Com AFP)
O Pentágono divulgou nesta sexta-feira (12) um terceiro lote de arquivos de supostos avistamentos de OVNIs ocorridos no nordeste dos Estados Unidos. O material inclui imagens, representações em vídeo desenvolvidas após descrições e relatos sobre orbes brilhantes, que por vezem aparecem com uma tonalidade vermelha.
O material foi divulgado por meio do Departamento de Guerra, o Departamento de Defesa renomeado por Donald Trump, dos Estados Unidos. São 72 arquivos do FBI, da CIA e do próprio Pentágono sobre os chamados “fenômenos anômalos não identificados”, os Unidentified Anomalous Phenomena (UAP, na sigla em inglês). Esses materiais datam dos últimos anos.
Um deles, de fevereiro deste ano, cita entrevistas do FBI com duas pessoas que relataram ter visto uma luz intensa e brilhante no meio do quintal de sua casa em uma noite, destaca a Reuters. A arquivo divulgado tem trechos omitidos. Porém é possível ver como o objeto não identificado que supostamente foi avistado é descrito, sendo de cor vermelha “brilhante e bonita”, como “nunca tinha visto”. Essa esfera ainda continha um “sol de plasma branco”.
Em julho de 2025, por volta das 22h, horário locl no nordeste dos Estados Unidos, uma testemunha observou uma luz intensa e brilhante de seu quintal; imagem consta no terceiro lote de documentos sobre OVINs liberados pelo Pentágono
Reprodução / Departamento de Guerra dos EUA
No mesmo local, semanas depois, teriam sido avistados alguns orbes brancos sobrevoando a casa a uma altitude muito maior. A informação consta em um relatório do FBI que foi divulgado nesta nova leva.
De acordo com um documento do FBI de 2024, um ex-oficial de inteligência do Exército dos EUA e quatro membros de sua unidade observaram um UAP sobre as Montanhas Cheyenne, no Colorado. O objeto que paira no ar tem formas bem definidas, aponta o site The Washington Times.
Entre o material divulgado estão videos que, na verdade, tratam-se de representações do que foi narrado por testemunhas dos supostos avistamentos.
Os dois primeiros lotes de arquivos de supostos avistamentos de OVNIs foram divulgados em 8 e 22 de maio. A divulgação tem sido estimulada pelo governo de Donald Trump, sem um objetivo claro.
Autoridades dos Estados Unidos investigam o aparecimento de uma grande inscrição com os números “8647” no gramado do National Mall, em Washington, poucos dias antes de uma série de eventos programados para a região. O Departamento do Interior informou na quinta-feira que apura as circunstâncias em que a marca surgiu em uma área próxima ao Memorial da Segunda Guerra Mundial.
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A inscrição foi observada por um fotógrafo da Reuters que estava no topo do Monumento a Washington pouco antes da chegada das autoridades ao local. Imagens de webcams instaladas no monumento também mostraram os números em uma extensa faixa do National Mall. Embora os números 8, 6 e 7 sejam visíveis, o 4 não aparece de forma definida.
Não está claro quando as marcas surgiram. Fotos do National Mall feitas pela Getty Images em 5 de junho não mostravam a inscrição. Imagens registradas pela EarthCam indicam que os números foram aparecendo gradualmente ao longo de alguns dias. Na tarde de quinta-feira, as marcas não pareciam facilmente distinguíveis a partir do nível do solo.
Testemunhas relataram que vários veículos de emergência bloquearam a área por volta das 13h, no horário local (14h em Brasília), enquanto a equipe de paraquedismo do Exército dos EUA, os Golden Knights, realizava um salto no National Mall. Agentes da Polícia de Parques dos EUA e integrantes da Guarda Nacional também estiveram no local.
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O Departamento do Interior classificou o episódio como um “vandalismo insano”. Em comunicado, um porta-voz afirmou que “qualquer ameaça contra o presidente é levada muito a sério pelo Departamento” e que a Polícia de Parques investigará o caso e responsabilizará os envolvidos.
A Polícia de Parques informou que a causa da descoloração da grama ainda não foi determinada. Segundo a corporação, amostras foram coletadas para análise e a investigação permanece em andamento. Em alguns trechos, a grama adquiriu uma coloração marrom que formava o desenho dos números em contraste com o verde do entorno.
A Casa Branca encaminhou perguntas sobre o caso ao Departamento do Interior. Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca, disse que “qualquer pessoa que participe ou endosse violência política ou uma cultura de assassinato deve ser condenada nos termos mais severos possíveis”.
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O Serviço Secreto e o FBI também remeteram questionamentos à Polícia de Parques, responsável pela investigação. Uma fonte das forças de segurança afirmou à CNN que o Serviço Secreto atuará em parceria com a Polícia de Parques caso um suspeito seja identificado.
Entenda a expressão
A expressão “8647” tem sido utilizada por opositores do presidente Donald Trump como forma de protesto contra seu governo. Aliados do presidente e o Departamento de Justiça afirmam que a combinação numérica pode ser interpretada como um chamado à violência.
O número “86” é uma gíria originada no setor de restaurantes, usada com o sentido de expulsar, retirar ou se livrar de algo, enquanto Trump é o 47º presidente dos Estados Unidos.
A sequência numérica está no centro de pelo menos um caso criminal de grande repercussão. Em abril, promotores federais acusaram o ex-diretor do FBI James Comey de ameaçar Trump após ele publicar nas redes sociais, em 2025, uma fotografia de conchas organizadas na areia de uma praia para formar os números “8647”.
Comey removeu a publicação e afirmou que desconhecia a possibilidade de a imagem ser interpretada como um incentivo à violência. O ex-diretor do FBI declarou que pretende contestar as acusações, inclusive com base em argumentos relacionados à liberdade de expressão.
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No início deste mês, um juiz federal decidiu que o Serviço Nacional de Parques não poderia impedir que um grupo de manifestantes anti-Trump exibisse uma bandeira com a inscrição “8647” nas proximidades do National Mall. O episódio ocorre enquanto a área se prepara para receber eventos de comemorações dos 250 anos da independência dos EUA.
O National Mall também deve sediar uma feira de 16 dias chamada “Great American State Fair”, com início previsto para 25 de junho. Trump tem acompanhado de perto intervenções realizadas no local, incluindo trabalhos de revitalização e pintura do Espelho d’Água.
A cidade de Herat, no oeste do Afeganistão, amanheceu nesta sexta-feira sob forte esquema de segurança após uma semana marcada por prisões, protestos e confrontos. Veículos militares foram posicionados em diferentes pontos da cidade, enquanto agentes patrulhavam a área onde uma nova manifestação havia sido convocada em resposta à detenção de dezenas de mulheres acusadas de descumprir as rigorosas regras de vestimenta impostas pelo Talibã. Diante dos esforços de repressão, o protesto acabou cancelado.
— As pessoas desistiram da manifestação hoje para evitar mais derramamento de sangue — disse uma professora de 34 anos, que não foi identificada por razões de segurança.
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A tensão mais recente teve início no sábado, quando a polícia da moralidade prendeu dezenas de mulheres por não usarem o chador ou a burca, vestimentas que cobrem todo o corpo. A Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA, na sigla em inglês) documentou a detenção de pelo menos 30 mulheres em Herat apenas no fim de semana. Em resposta, moradores foram às ruas para protestar contra as prisões.
Uma manifestação realizada por dezenas de homens na terça-feira, no distrito de Injil, foi dispersada com tiros de munição real, segundo duas testemunhas ouvidas pela AFP. A polícia local negou o uso de armas e acusou os manifestantes de tentarem perturbar a ordem pública. Segundo dez especialistas independentes nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, no entanto, ao menos dez pessoas, incluindo um menor de idade, foram mortas. Outras 20 ficaram feridas.
Na quinta-feira, o grupo divulgou uma nota em que condenava tanto as detenções quanto a repressão das manifestações. O comunicado classificou as prisões por violação do código de vestimenta como potencialmente arbitrárias e ilegais, citando o exercício da liberdade de expressão e o direito de não discriminação baseada no gênero.
“Igualdade, reunião pacífica, liberdade de expressão e de circulação, além da proteção contra detenções arbitrárias, são direitos fundamentais”, diz o texto. Enquanto isso, a ONU Mulheres afirmou que o caso “aumentou o medo e apreensão entre mulheres e meninas” em todo o país.
Entre as mulheres detidas em Herat estava uma profissional de saúde empregada pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Ela estava a caminho do trabalho na ala pediátrica do Hospital Regional de Herat no sábado quando foi abordada pela polícia da moralidade e acusada de descumprir o código de vestimenta. Segundo a MSF, ela ficou detida por dois dias e foi liberada após assinar, junto de seu marido e familiares, um compromisso por escrito de usar as roupas exigidas pelo Ministério para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício (PVPV).
“Este incidente não é isolado. As mulheres no Afeganistão já enfrentam restrições extremamente severas à liberdade de circulação e ao acesso à vida pública”, escreveu a organização. O PVPV não comentou as detenções de mulheres em Herat por supostas violações do código de vestimenta, apesar dos pedidos de esclarecimento feitos pela imprensa.
Já na quarta-feira, o braço local do PVPV em Herat publicou uma lista de novas regulamentações que inclui a proibição do uso de maquiagem, a vedação à exposição de qualquer parte do cabelo e a obrigatoriedade do uso de meias e máscaras faciais. O aviso deixa explícito que o descumprimento das normas pode resultar em detenção e prisão.
Em todo o país, as mulheres devem estar quase totalmente cobertas quando saem de casa. Muitas usam a abaya, uma túnica longa, combinada com um véu islâmico e uma cobertura facial, em vez do chador ou da burca.O acesso a parques, academias e outros espaços públicos já é proibido às mulheres, enquanto a educação das meninas é interrompida aos 12 anos.
Nesta sexta-feira, um jornalista da AFP observou veículos militares posicionados em diferentes áreas de Herat patrulhando a região onde a manifestação estava prevista para ocorrer. Policiais armados circulavam em motocicletas, enquanto novos postos de controle foram instalados com a presença de agentes de inteligência. Segundo moradores, a presença das forças de segurança na região aumentou significativamente desde quinta-feira.
— Havia muitas forças armadas circulando por toda parte. Foi horrível. Em cada rua há um carro particular suspeito com pessoas em roupas comuns sentadas observando os moradores — disse uma testemunha, acrescentando que agentes também passaram a verificar celulares da população, dificultando qualquer tentativa de mobilização. — Até mesmo o deslocamento de um pequeno grupo de pessoas de uma área para outra ficou difícil. O clima está muito ruim.
(Com AFP)
A partida do Papa Leão XIV de Tenerife, ao final de uma visita de uma semana à Espanha, foi adiada nesta sexta-feira devido a um problema técnico na aeronave, o que levou o pontífice a desembarcar, segundo um repórter da AFP presente no local.
O rei Felipe VI da Espanha, que havia acabado de se despedir do Papa na pista do aeroporto, embarcou na aeronave da companhia Iberia. Em seguida, ambos desembarcaram e retornaram ao terminal.

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