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O Irã executou por enforcamento, na quarta-feira, um homem condenado por vínculos com a agência de espionagem israelense Mossad, informou o Judiciário, em meio à guerra contra Israel e os Estados Unidos.
“Mehdi Farid (…) foi enforcado esta manhã por sua ampla cooperação com o serviço terrorista de espionagem Mossad, após o caso ser examinado e a sentença final aprovada”, informou o site Mizan, ligado ao Judiciário iraniano.
Não ficou claro quando Farid foi preso nem quando ocorreu o julgamento, mas o tribunal o considerou culpado de “cooperação de inteligência e espionagem para o regime sionista”.
Execuções e contexto político
Nas últimas semanas, o Irã realizou diversas execuções de pessoas que participaram dos grandes protestos de janeiro, que, segundo as autoridades, foram instigados por Israel, Estados Unidos e grupos de oposição.
O país está em guerra com os Estados Unidos e Israel desde 28 de fevereiro, embora uma trégua esteja em vigor desde 8 de abril.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que o Irã está “colapsando financeiramente” por causa do bloqueio do estreito de Ormuz, uma rota crucial para o trânsito de petróleo.
“O Irã está colapsando financeiramente! Eles querem abrir imediatamente o estreito de Ormuz”, publicou Trump em sua rede Truth Social. Ele acrescentou que a república islâmica tem “fome de dinheiro”.
Trump havia afirmado anteriormente que Teerã declarou apoio ao fechamento da passagem para “salvar a face” diante do bloqueio americano aos portos iranianos.
Um navio porta-contêineres foi atacado por uma lancha patrulha iraniana na quarta-feira, ao largo da costa de Omã, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO. O incidente causou danos à embarcação, mas não deixou vítimas.
Segundo a UKMTO, o cargueiro “foi abordado por uma lancha do Corpo de Guardiões da Revolução, sem aviso prévio por rádio, que posteriormente abriu fogo contra o navio, causando danos significativos na ponte de comando”.
A agência acrescentou que “não foram registrados incêndios nem impactos ambientais” e que a tripulação está “sã e salva”.
Em meio ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos no Oriente Médio, o porta-aviões USS Abraham Lincoln recebeu neste domingo suprimentos no Mar da Arábia durante uma operação de reabastecimento vertical com o navio de apoio USNS Carl Brashear. A ação ocorre dias após relatos viralizarem nas redes sociais alegando escassez de alimentos a bordo de embarcações militares americanas — afirmação negada por autoridades dos EUA.
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As imagens do reabastecimento foram divulgadas pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM, na sigla em inglês), que realizou a ação. Segundo o comando, o porta-aviões está atualmente atuando na região, reforçando o bloqueio naval contra embarcações que tentam entrar ou sair de portos iranianos.
Envio de mantimentos via helicóptero para o porta-aviões USS Abraham Lincoln, da marinha dos EUA
Divulgação: Marinha dos Estados Unidos da América
Em publicação na rede X, o CENTCOM escreveu: “O porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN 72) recebe suprimentos durante um reabastecimento vertical no Mar da Arábia com o navio de suprimentos USNS Carl Brashear (T-AKE 7), em 18 de abril. O Abraham Lincoln está atualmente operando no Oriente Médio, impondo o bloqueio naval dos EUA a embarcações que tentam entrar e sair de portos iranianos.”
Relatos de escassez geram controvérsia
Nos últimos dias, surgiram relatos atribuídos a militares americanos e familiares indicando que as condições a bordo do USS Abraham Lincoln (CVN-72) e do USS Tripoli (LHA-7) estariam se deteriorando, com menções a baixa qualidade das refeições e falta de comida. Tripulantes teriam descrito as condições como precárias, afirmando estarem “com fome o tempo todo”.
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Imagens supostamente mostrando refeições servidas aos militares circularam amplamente em plataformas como Instagram, Facebook, X, Threads, Bluesky e Reddit. Uma das fotos atribuídas ao USS Tripoli mostraria uma tortilla com carne desfiada em uma bandeja quase vazia. Outra, ligada ao USS Abraham Lincoln, exibiria cenouras, um hambúrguer e o que foi descrito como “um bloco cinza de carne processada”.
Refeições supostamente oferecidas a militares do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln
Reprodução: X
Após a publicação das fotos, a informação se espalhou para a internet e gerou piadas e críticas entre perfis de apoiadores e críticos do presidente americano, Donald Trump, nas redes sociais. “Não acredito que é esse lixo que damos para nossos guerreiros”, escreveu um apoiador do mandatário no X. “A aparência é horrível, mas o sabor deve ser ainda pior”, concluiu,
A autenticidade dessas imagens, no entanto, não pôde ser confirmada de forma independente. Os registros foram divulgados de forma anônima, e as fontes teriam temido represálias.
A controvérsia ganhou dimensão internacional após a Embaixada do Irã em Serra Leoa ironizar os Estados Unidos nas redes sociais. Em publicação na sexta-feira, 17 de abril, a representação diplomática compartilhou imagens alegadamente das refeições e escreveu: “Não há nada de bom na mesa para os soldados que se arriscam em nome de Israel… Mas no entanto eles certamente morrem por eles!”
Autoridades americanas reagiram rapidamente às acusações. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, classificou os relatos como “falsos” e afirmou que tanto o USS Abraham Lincoln quanto o USS Tripoli possuem suprimentos alimentares adequados.
Segundo Hegseth, todos os militares recebem refeições nutricionalmente balanceadas, e a Marinha segue rigorosos padrões de saúde e distribuição de alimentos. Ele reiterou que o bem-estar das tropas é uma prioridade e que as alegações que circulam nas redes sociais não correspondem à realidade.
Uma espécie de “bomba tectônica” pode estar desempenhando um papel crucial na sobrevivência e evolução de microrganismos que vivem sob o fundo do mar. A hipótese foi apresentada em 16 de abril de 2026, durante o encontro anual da Sociedade Sismológica da América, e propõe que processos geológicos em zonas de subducção — onde ocorrem alguns dos maiores terremotos do planeta — transportam esses organismos das profundezas de volta a regiões mais superficiais do leito oceânico.
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Esses microrganismos são descritos pelos cientistas como verdadeiras “belas adormecidas”, capazes de permanecer inativos por milhares ou até milhões de anos sob uma camada de sedimentos marinhos que pode ultrapassar um quilômetro de espessura. Durante esse longo período de dormência, sobrevivem graças a adaptações especializadas.
No entanto, para transmitir essas adaptações às próximas gerações, eles precisam eventualmente retornar às camadas mais rasas do fundo do mar, onde há condições para alimentação, crescimento e dispersão. É nesse ponto que entra o mecanismo proposto pelos pesquisadores.
Segundo Zhengze Li, doutorando da Universidade do Sul da Califórnia, o deslizamento de falhas em zonas de subducção pode impulsionar fluxos de fluidos que carregam microrganismos enterrados de volta à superfície. Modelos desenvolvidos pela equipe indicam que esse processo pode movimentar mais de 1 milhão de gigatoneladas de fluidos a cada milhão de anos, transportando até 10³⁰ células microbianas.
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Li explicou que esse “elevador microbiano” funciona em regiões onde uma placa tectônica mergulha sob outra. Nesse processo, camadas de sedimentos são raspadas da placa que desce e se acumulam contra a placa superior, formando uma espécie de cunha. Parte dos microrganismos permanece na placa descendente e segue em direção ao manto — um trajeto que os pesquisadores chamam de “viagem ao inferno”.
Outros, porém, escapam desse destino ao serem transportados para cima por meio de fraturas e falhas na cunha de sedimentos, ou ainda de forma mais difusa através dos próprios sedimentos, impulsionados pelo movimento tectônico.
Ao chegarem novamente ao fundo do mar em regiões rasas, esses microrganismos podem ser reativados. “Agora eles podem ser reativados e podem se reproduzir”, afirmou Li. “O ciclo completo — desde o soterramento e transporte com a placa em subducção até o eventual retorno — pode levar dezenas de milhões de anos ou mais.”
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Evidências diretas desse transporte de fluidos podem ser observadas em áreas conhecidas como exsudações frias no fundo do mar, onde fluidos emergem do subsolo. Esses locais também oferecem oportunidades para coleta de amostras, permitindo investigar a relação entre processos tectônicos e a vida microbiana subterrânea.
“Também podemos examinar como a atividade sísmica se relaciona com a abundância relativa de diferentes grupos microbianos, e encontramos uma correlação positiva entre energia sísmica e a abundância de microrganismos associados ao subsolo”, disse Li.
A equipe analisou essa relação na zona de subducção da Costa Rica e identificou que índices mais elevados de energia sísmica estão associados a uma maior presença de microrganismos típicos de ambientes profundos.
O fenômeno não se limita a grandes terremotos. Eventos sísmicos mais sutis, como deslizamentos lentos, tremores e movimentos assísmicos, também podem gerar perturbações suficientes para mobilizar fluidos e transportar microrganismos.
Pesquisas conduzidas por Karen Lloyd, professora de biogeoquímica microbiana na mesma universidade e coautora do estudo, identificaram diversas adaptações que permitem a sobrevivência desses organismos em longos períodos de dormência, incluindo mecanismos de reparo de DNA e enzimas capazes de degradar matéria orgânica em grandes profundidades.
Estudos genômicos indicam ainda que mutações nesses microrganismos tendem a preservar características ao longo de milhares a milhões de anos. Ainda assim, para transmitir essas adaptações e evoluir geneticamente, eles dependem de um fator essencial: aguardar que o “elevador tectônico” os leve de volta a um ambiente mais favorável à vida.
Um vídeo que voltou a circular nas redes sociais mostra o momento em que a decolagem de um Boeing 747 arrasta turistas na areia de Maho Beach, praia localizada ao lado do Aeroporto Internacional Princess Juliana, em Sint Maarten, no Caribe. Nas imagens, pessoas que acompanhavam a manobra são derrubadas ou lançadas em direção ao mar pela força do deslocamento de ar provocado pelos motores da aeronave.
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O aeroporto é conhecido mundialmente pela curta distância entre a pista e a faixa de areia. Separados apenas por uma rua e por uma cerca, turistas costumam se reunir no local para observar pousos e decolagens de aviões de grande porte a poucos metros de altura.
A cena mostrada no vídeo ocorreu durante a partida de um jumbo da companhia aérea holandesa KLM, modelo que operou por anos na rota entre Amsterdã e Sint Maarten. O Boeing 747 deixou de voar regularmente para o destino em 2016, quando foi substituído por aeronaves menores.
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Apesar da fama turística, a área é alvo frequente de alertas de segurança. Placas instaladas no entorno do aeroporto informam que o jato de ar de aeronaves em movimento pode causar ferimentos graves ou morte.
Em 2017, uma turista de 57 anos, da Nova Zelândia, morreu após ser atingida pelo deslocamento de ar de um avião em decolagem. Segundo relatos da época, ela segurava a cerca próxima à pista, perdeu o apoio e bateu a cabeça ao ser arremessada para trás. O caso ganhou repercussão internacional e reforçou os riscos da prática conhecida como “fence surfing”, quando visitantes se posicionam junto ao alambrado para sentir a força dos motores.
Mesmo após o acidente, Maho Beach segue como um dos pontos turísticos mais visitados da ilha, atraindo curiosos e entusiastas da aviação interessados na experiência de acompanhar aeronaves em baixa altitude.
Uma família dos Estados Unidos transformou a Disney World em endereço fixo e hoje passa entre 60% e 70% do ano vivendo dentro do complexo turístico, em Orlando, a bordo de um trailer de luxo. O casal Adam e Lauren Ewing mora com os dois filhos, de 10 e 12 anos, no veículo estacionado no Fort Wilderness Resort, área de camping da Disney, segundo reportagem da revista People.
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Antes da mudança, os Ewing viviam em uma casa de cerca de 930 metros quadrados nos arredores de Athens, no estado da Geórgia. Durante a pandemia de Covid-19, decidiram comprar um motorhome e iniciar uma rotina de viagens em família pelos Estados Unidos. A vida familiar é frequentemente compartilhada em uma página do Instagram.
Com o tempo, a Disney se tornou a principal base do grupo, que também gosta de se aventurar para “caçar neve” em Utah, esquiar no Canadá e passar o verão em Vermont. Segundo Adam Ewing, o local já era especial para a família: a lua de mel do casal aconteceu no parque. Desde então, eles passaram a retornar com frequência e criaram uma rede de amizades no resort.
Apesar de viverem dentro do complexo, os dias não se resumem às atrações, apesar de possuírem ingressos anuais para os parques. Lauren afirma que a rotina inclui estudos das crianças em casa, exercícios físicos, trabalho remoto e refeições preparadas no trailer. As visitas aos parques costumam acontecer à noite ou quando recebem convidados.
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A experiência, porém, exige planejamento financeiro. De acordo com o casal, as tarifas para estacionar o trailer variam conforme a época do ano. Na última temporada de spring break, o custo chegou a cerca de US$ 300 (R$ 1,5 mil) por noite, superando US$ 8 mil (R$ 40 mil) por um período de 26 dias.
Há ainda uma regra interna do resort: após 26 dias hospedados, os visitantes precisam deixar o local por 24 horas antes de retornar. A família incorporou a exigência à rotina e usa o intervalo para deslocamentos e reorganização.
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Mesmo com os custos elevados, Adam diz que a escolha é motivada pelo desejo de aproveitar o tempo com os filhos enquanto ainda são crianças. Para ele, a prioridade é investir em experiências e memórias familiares agora, e não apenas no futuro.
— Cresci na geração em que você precisa ir para a escola, se formar na faculdade e trabalhar 40 anos para aproveitar 20 anos antes de morrer. E eu penso: ‘Não, cara, meus filhos só são pequenos uma vez. Quero aproveitar a infância deles. Quero colher os frutos do meu sucesso enquanto meus filhos ainda são pequenos o suficiente para desfrutá-lo’ — diz Adam.
Ele acrescenta:
— Não quero chegar aos 70 anos e olhar para trás dizendo: ‘Nossa, eu gostaria de ter ido àquela viagem para a Disney, ou àquela viagem de mergulho, ou àquela viagem de esqui.’ Quero fazer isso agora com meus filhos, quando temos as memórias para construir para eles.
Um crocodilo-do-nilo de aproximadamente quatro metros invadiu na última sexta-feira um hotel próximo às Cataratas Vitória, em Zambeze, no Zimbábue, entrou na área de restaurante e tentou acessar a cozinha do local, assustando hóspedes e funcionários. O animal foi retirado em segurança por equipes da autoridade ambiental do país e devolvido ao rio Zambeze. Ninguém ficou ferido.
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O episódio ocorreu no A’Zambezi River Lodge, empreendimento às margens do rio. Segundo relatos publicados pela imprensa britânica, o crocodilo saiu da água e caminhou até a área interna do hotel, passando pelo restaurante. Em seguida, tentou subir o balcão que dá acesso à cozinha.
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Depois da tentativa frustrada, o animal permaneceu algum tempo sobre o balcão do buffet, descansou em uma poltrona e depois seguiu para uma área externa com espelho d’água, onde aguardou até a chegada das equipes de resgate.
Funcionários do hotel isolaram a área e impediram a aproximação de hóspedes. Agentes da Zimbabwe Parks and Wildlife Management Authority imobilizaram o réptil e o transportaram de volta ao rio Zambeze. John Richards, um turista britânico de Portsmouth que estava hospedado no hotel, disse ao jornal The Times:
— Garçons nos contaram que ele simplesmente entrou andando como se fosse um hóspede pagante e, quando não conseguiu uma mesa, foi até a recepção. Ao não encontrar ninguém ali, ele realmente tentou escalar o balcão para entrar nas cozinhas. Depois foi até uma poltrona e se deitou nela, então saiu tranquilamente para o deque onde ficam todas as mesas e, sem nada para comer no cardápio, acomodou-se em um espelho d’água na frente, onde parecia satisfeito — brincou o hóspede.
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Em nota reproduzida pela imprensa local, representantes do hotel afirmaram que a proximidade com a vida selvagem faz parte da identidade do empreendimento e que equipes são treinadas para lidar com esse tipo de ocorrência. Segundo autoridades ambientais, não é incomum que crocodilos se desloquem por terra dentro de seu habitat natural. Em uma publicação nas redes sociais, o A’Zambezi River Lodge ressaltou o bom humor da situação.
— Na sexta-feira, recebemos uma visita logo pela manhã de um hóspede inesperado no restaurante Amulonga. Ele estava verificando por que o serviço de quarto estava atrasado. Sem regras. Sem convite. Sem reserva. Este é o Zambeze, onde selvagem significa selvagem.
Horas antes do fim do prazo dado por ele mesmo para um cessar-fogo na guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a extensão por tempo indeterminado da trégua, para que os iranianos apresentem uma proposta unificada. Foi o desfecho, ao menos temporário, para um perigoso impasse sobre o futuro do conflito, e que marcou ao menos o sétimo recuo de Trump em uma guerra na qual se declara vencedor.
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Até as primeiras horas da terça-feira, havia a expectativa de que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, embarcaria rumo a Islamabad para chefiar a segunda rodada de negociações com o Irã, tal como o fez há cerca de duas semanas. Nos bastidores, os americanos acreditavam que ao menos uma extensão da trégua seria obtida à mesa.
Segundo iranianos e paquistaneses, a trégua terminaria às 21h desta terça-feira, pelo Horário de Brasília, enquanto os EUA consideravam que a pausa seria válida até a noite de quarta-feira. Não estava claro o que aconteceria se o prazo terminasse sem acerto. Na véspera, Trump disse ser “extremamente improvável” concordar com mais tempo para a diplomacia, e sugeriu que poderia atacar alvos do setor de energia e instalações civis.
Mas no final da tarde de terça, ele estendeu o cessar-fogo por tempo indeterminado.
“Considerando que o governo do Irã está seriamente fragmentado, o que não surpreende, e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada”, escreveu no Truth Social.
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Desde a semana passada, Trump tratava as novas conversas como fato consumado, e chegou a dizer que os iranianos “concordaram com tudo”, se referindo a possíveis concessões em seu programa nuclear, incluindo a suspensão do enriquecimento de urânio e o envio de material enriquecido aos EUA. Ele prometeu um acordo “melhor” do que o assinado em 2015 por Barack Obama, que conseguiu impor limites às atividades nucleares iranianas, até ser rasgado pelo republicano em 2018. Sempre que possível, declarava-se o vencedor da guerra, e travava as críticas como atos de “anti-americanismo”.
“A mídia de notícias falsas anti-americana está torcendo para que o Irã vença, mas isso não vai acontecer, porque eu estou no comando!”, escreveu no Truth Social, na segunda-feira à noite. “Assim como essas pessoas antipatrióticas usaram cada grama de sua força limitada para me combater nas eleições, elas continuam fazendo o mesmo com o Irã.”
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Não se sabe o que foi discutido nos bastidores, mas em público Teerã jamais confirmou sua participação nas conversas em Islamabad. Representantes do regime dizem que não pediram a extensão do prazo.
— Ao longo das negociações, Trump se comportou como se os americanos estivessem vencendo a guerra, e como se isso lhes permitisse extrair concessões do Irã, o que é uma visão muito questionável — afirmou Maurício Santoro, professor de Relações Internacionais e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, ao GLOBO. — Ao menos do ponto de vista econômico, o Irã demonstra uma capacidade maior de influenciar os acontecimentos do que os EUA. Um exemplo é o fechamento do Estreito de Ormuz.
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Editoria de Arte/O Globo
A passagem, por onde em tempos de paz trafegam 20% das exportações globais de petróleo e gás, está praticamente fechada pela Guarda Revolucionária desde o início de março, e nem as ameaças de Trump forçaram sua reabertura. No começo do mês, ele disse que “uma civilização iria morrer” se não houvesse um acordo para reabrir o estreito. A fala, considerada por si só um crime de guerra, angariou críticas até em sua base mais fiel nos EUA, e levou ao cessar-fogo temporário de duas semanas, agora ampliado indefinidamente.
Na semana passada, Trump determinou um bloqueio naval aos portos iranianos e a todas as embarcações de bandeira do Irã, que desviou dezenas de navios e foi além de simples alertas. No domingo, um navio cargueiro no Golfo de Omã foi atacado e capturado, e nesta terça-feira, um petroleiro foi abordado no Oceano Índico. Segundo diplomatas, neste momento o bloqueio é o ponto mais sensível das conversas, e deixou à mostra fissuras na República Islâmica, mencionadas pelo republicano no Truth Social.
A Guarda Revolucionária expôs publicamente a insatisfação com o anúncio feito pelo chanceler, Abbas Araghchi, na sexta-feira passada, de que Ormuz estava “completamente aberto”, apesar do bloqueio naval. Araghchi foi criticado na imprensa oficial, suas declarações retificadas e, no sábado, o estreito voltou a ser fechado a quase todos os navios. Desde então, o país passou a condicionar sua ida a Islamabad ao fim do bloqueio. Segundo o portal Axios, os paquistaneses pediram a pausa para dar tempo ao novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, dar ordens claras e uniformes aos negociadores, o que pode acontecer até quarta-feira. Mas por enquanto, as restrições seguem em vigor
“Ordenei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os outros aspectos, permaneçam prontas e aptas, e, consequentemente, estenderei o cessar-fogo até que sua proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, escreveu no Truth Social.
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O Irã não se pronunciou até a noite de terça-feira. Em despacho, a agência Mehr News disse que o republicano foi “forçado a estender o cessar-fogo”. Em análise, a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, afirma que o recuo mostra que Trump “perdeu a guerra”. Para Mahdi Mohammadi, conselheiro do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher-Ghalibaf, o plano dos EUA é ganhar tempo para um ataque surpresa. Em Washington, assessores da Casa Branca afirmaram privadamente, de acordo com a rede CNN, que os iranianos poderiam usar a ausência de prazos para arrastar as conversas — as negociações para o acordo nuclear de 2015 levaram quase dois anos.
Seja qual for o motivo, uma impressão ficou no ar: a de que o presidente recuou, pela sétima vez, em uma guerra da qual não sabe como sair, quando sua aprovação está no ponto mais baixo do atual mandato, 36%, segundo pesquisa da Reuters. Como escreveu um analista do jornal britânico Guardian, mais um episódio do chamado “Taco”, sigla em inglês para a expressão “Trump sempre amarela”, agora em sua versão persa
— Quando ele inicia esse novo ciclo de guerras contra o Irã, Trump tem problemas para vender isso à sua base eleitoral. As pesquisas mostram que o apoio à guerra é baixo nos EUA, o eleitor está preocupado com a inflação, e isso pode influenciar nas eleições de meio de mandato. — opina Santoro. — Para ele, é complicado equilibrar essas demandas contraditórias, o que ele quer e o que os eleitores esperam dele, e isso leva a um discurso mais descolado da realidade, mais afastado do que acontece no campo de batalha.
Os eleitores do estado americano da Virgínia aprovaram um plano, nesta terça-feira, para alterar o mapa eleitoral do estado que favorece o Partido Democrata, de acordo com a apuração realizada pela agência Associated Press. O novo mapa eliminará quatro dos cinco distritos eleitorais controlados por republicanos antes das eleições de meio de novembro, que renovarão a Câmara e parte do Senado, dando à oposição um impulso considerável em seus planos para retomar ao menos uma das Casas do Congresso.
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A vitória dos democratas faz com que a guerra de alterações dos mapas eleitorais nos EUA fique empatada, eliminando a vantagem construída pelos republicanos desde o ano passado, quando aprovaram alterações no Texas e em outros estados. Além da mudança em si, a votação ajuda os democratas no momento em que tentam aproveitar a baixa aprovação do presidente Donald Trump e a aversão à guerra no Irã.
— Enquanto muitos esperavam que os democratas se rendessem e se fizessem de mortos, fizemos o oposto — disse Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara dos Deputados. — Os democratas não recuaram. Nós lutamos. Quando eles descem ao nível mais baixo, nós revidamos com força.
A rara votação realizada neste período do ano foi marcada pelas dezenas de milhões de dólares gastos em publicidade e por uma surpreendente e alta taxa de comparecimento durante a votação antecipada e nos votos enviados por correio, quando quase 1,4 milhão de pessoas depositaram suas cédulas. Mas no dia da eleição, nesta terça, o comparecimento foi menor do que na eleição para o governo estadual, em 2025.
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Os mapas eleitorais, relativos às cadeiras na Câmara, são modificados normalmente uma vez por década, depois do Censo, para que se adequem às mudanças populacionais. Mas no ano passado, a pedido de Trump, os republicanos no Texas modificaram os distritos para criar cinco novas cadeiras para seu partido. Isso deu início a uma incomum corrida para alterar os mapas, com os dois partidos em busca de uma vantagem. As estimativas são feitas com base no histórico de votação das regiões, e afetam áreas onde o voto em democratas, ou em republicanos, segue um padrão por vezes de décadas.
O referendo deve ser o último impulsionado pelos democratas antes das eleições de novembro, mas o campo republicano promete novas ofensivas.
Na Flórida, o governador Ron DeSantis, republicano, disse que irá modificar seus distritos. Se a Suprema Corte derrubar um trecho da Lei dos Direitos de Voto, de 1965, que veta alterações de mapas eleitorais com base em critérios raciais, vários estados do sul, majoritariamente republicanos, podem seguir pelo mesmo caminho antes de novembro.

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