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Dez mil soldados foram enviados na sexta-feira a três províncias costeiras do Equador para reforçar a luta contra a violência de grupos do narcotráfico. O governo do presidente Daniel Noboa está determinado a agir com rigor contra esses grupos, no momento em que o país registra recordes de homicídios e outros crimes.
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Centenas de soldados de forças especiais chegaram ao aeroporto de Guayaquil para “reforçar as operações de segurança” nas províncias vizinhas de Guayas, Manabí e Los Ríos, informou o general Mauro Bedoya, da Força Aérea Equatoriana. Ali se intensificou a guerra entre organizações do narcotráfico ligadas a cartéis internacionais, que disputam entre si o negócio das drogas.
Bedoya informou que militares também desembarcaram em Manta, onde fica o principal porto pesqueiro do país, e que registra níveis elevados de violência.
Devido ao pico de homicídios nos últimos dias, Noboa suspendeu suas férias e se reuniu com ministros da área de segurança e comandantes militares e policiais na sede da Presidência.
O centro colonial de Quito permanece sob forte vigilância. “A prisão ou o inferno para quem ameaçar a segurança”, diz um comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa, cujo titular, Gian Carlo Loffredo, ordenou que o comando militar opere por tempo indefinido a partir de Guayaquil, onde militares inspecionam os portos, estratégicos para o narcotráfico.
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O Equador está localizado entre a Colômbia e o Peru, maiores produtores mundiais de cocaína. Até uma década atrás, o Equador era um país tranquilo, mas se tornou o mais violento da região, com 52 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2025, ou um por hora, segundo o Observatório Equatoriano de Crime Organizado.
Em novembro, um novo relatório da consultoria International Crisis Group (ICG) revelou que o Equador vive sua pior crise de segurança em décadas, consolidando-se como um dos principais centros do narcotráfico para a Europa. A publicação, intitulada “Paradise Lost? Ecuador’s Battle with Organised Crime” (Paraíso Perdido? A batalha do Equador contra o crime organizado, em tradução livre), mostra que, sem sinais de diminuição da violência, o governo pretende intensificar sua postura repressiva, ampliando a cooperação com as Forças Armadas dos Estados Unidos e empresas de segurança privada. A relação do presidente equatoriano, Daniel Noboa, com o americano, Donald Trump, isenta-o da pressão militar de Washington, como a exercida sobre a vizinha Venezuela, ou ainda de sanções, como as aplicadas sobre o chefe de Estado colombiano, Gustavo Petro.
Segundo a ICG, o país tornou-se o mais violento da América do Sul em menos de uma década. O relatório associa a explosão da criminalidade à reconfiguração das rotas do tráfico após o acordo de paz na Colômbia em 2016, que “favoreceram a transformação do Equador em uma plataforma de exportação de drogas” — especialmente dos portos do Pacífico, como Guayaquil, hoje um dos principais pontos de saída dos traficantes rumo à Europa e aos Estados Unidos.
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O documento descreveu um cenário de colapso institucional e corrupção generalizada em portos, forças de segurança e no sistema prisional, que se transformou em um dos principais centros de comando das facções. Massacres dentro das penitenciárias — mais de 500 mortos desde 2021 — revelam, segundo a ICG, o domínio de gangues como Los Choneros e Los Lobos, que controlam alas inteiras e administram extorsões e tráfico a partir das celas.
O relatório reconheceu que o governo Noboa conseguiu reduzir brevemente os homicídios em 2024, mas alerta que a violência voltou a crescer neste ano, alcançando níveis recordes. A estratégia de recorrer às Forças Armadas em comunidades e presídios, afirma a ICG, tem tido efeitos efêmeros e colaterais graves, como denúncias de detenções arbitrárias e execuções extrajudiciais.
O texto ainda apontou que a militarização, somada ao enfraquecimento de instituições civis e cortes em programas sociais desde 2017, deixou comunidades pobres vulneráveis ao recrutamento por gangues. A organização recomenda que Quito “deveria fazer mais para levar serviços públicos e oportunidades econômicas lícitas aos bairros afetados pela criminalidade, ao mesmo tempo que combate a corrupção, que contribui para a onda de crimes”. (Com AFP)
Uma mulher de 70 anos morreu após andar na montanha-russa Revenge of the Mummy, no parque temático Universal Orlando, na Flórida, segundo registros oficiais divulgados nesta sexta-feira (16). A vítima, que não teve o nome revelado, foi encontrada inconsciente logo após completar o percurso da atração, em 25 de novembro, e levada às pressas para um hospital, onde não resistiu.
De acordo com o relatório, a causa da morte não foi informada. No entanto, documentos apontam que, entre outubro e dezembro, ao menos outros oito ferimentos ou episódios médicos foram registrados no parque. A Revenge of the Mummy, inaugurada em 2004, atinge velocidades de até 72 km/h e já esteve associada a 21 incidentes ao longo de sua operação, incluindo relatos de convulsão, fratura vertebral, além de casos de náusea e tontura.
Histórico recente de ocorrências
De acordo com o The Sun, o episódio ocorre meses após a morte de Kevin Zavala, de 32 anos, que passou mal após andar na montanha-russa Stardust Racers, no Epic Universe, novo parque da Universal. Zavala foi encontrado inconsciente em 17 de setembro e morreu no hospital em decorrência de “múltiplos traumatismos contundentes”, segundo legistas, que classificaram o caso como acidente. Ainda assim, a polícia do Condado de Orange abriu uma investigação por homicídio culposo para apurar possível negligência. Em nota, a corporação afirmou que esse tipo de inquérito é padrão em mortes não naturais, mesmo quando inicialmente tratadas como acidentais.
Casos semelhantes também foram registrados fora dos Estados Unidos. Na Suécia, uma mulher de cerca de 30 anos morreu após cair de uma montanha-russa com defeito no parque Gröna Lund, acidente que deixou outras oito pessoas feridas. Imagens de câmeras de segurança mostraram a vítima despencando durante o trajeto, a cerca de 96 km/h, enquanto visitantes reagiam em choque. Já na Alemanha, em 2024, um operário de 20 anos morreu durante testes da montanha-russa Olympia Looping na Oktoberfest. Segundo as autoridades locais, o jovem foi atingido na cabeça quando o brinquedo alcançou velocidade máxima, e a investigação não identificou falhas técnicas.
Especialistas em segurança de parques destacam que, apesar de estatisticamente raros, episódios desse tipo reforçam a necessidade de avaliações médicas prévias, manutenção rigorosa das atrações e protocolos claros para resposta rápida a emergências.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, culpou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas na recente onda de protestos no país, duramente reprimida pelas forças de segurança, segundo várias ONGs.
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“Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, afirmou o aiatolá perante uma multidão de apoiadores reunidos para uma festividade religiosa.
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“Tudo isto foi uma conspiração americana”, declarou, acrescentando que “o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (…) é submeter o Irã militar, política e economicamente”, enfatizou.
Julgamento de manifestantes
Em meio à onda de protestos que ocorrem há duas semanas no Irã — e a violenta repressão promovida pelo governo —, uma organização de direitos humanos alertou nesta quarta-feira que pode haver “muitos outros casos” semelhantes ao de Erfan Soltani, o jovem iraniano de 26 anos condenado à morte e cuja execução foi marcada para ocorrer ainda hoje. Segundo a ONG curda Hengaw, o apagão quase total da internet imposto pelas autoridades tem dificultado a obtenção de informações sobre outros manifestantes que possam ter recebido sentenças capitais.
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Em meio à onda de protestos que ocorrem há duas semanas no Irã — e a violenta repressão promovida pelo governo —, uma organização de direitos humanos alertou nesta quarta-feira que pode haver “muitos outros casos” semelhantes ao de Erfan Soltani, o jovem iraniano de 26 anos condenado à morte e cuja execução foi marcada para ocorrer ainda hoje. Segundo a ONG curda Hengaw, o apagão quase total da internet imposto pelas autoridades tem dificultado a obtenção de informações sobre outros manifestantes que possam ter recebido sentenças capitais.
— Tememos que existam muitos casos como o de Erfan — disse à BBC Awyer Shekhi, da Hengaw, acrescentando que a falta de comunicação torna “praticamente impossível” saber quantas pessoas já foram condenadas à morte nos bastidores do sistema judicial iraniano.
Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declarou ter sido informado que as “execuções” pararam no Irã, em meio a informes de grupos de defesa dos direitos humanos de que as autoridades iranianas reprimiram brutalmente os protestos contra o regime. Durante um evento na Casa Branca, Trump disse que soube por “fonte segura” que “o massacre no Irã está parando. Parou… E não há plano para execuções”, acrescentou, sem dar mais detalhes.
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também afirmou que seu governo tem controle total da situação no país, em um momento em que as autoridades conduzem a repressão mais severa a protestos em anos.
— Após três dias de operação terrorista, agora há calma. Temos o controle total — disse Araghchi ao programa “Special Report”, da emissora americana Fox News.
A Nasa está a poucas semanas de realizar um dos passos mais ambiciosos de sua história. A missão Artemis II levará astronautas mais longe da Terra do que qualquer tripulação humana já esteve, inaugurando uma nova fase da exploração espacial tripulada.
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— A Artemis II será um passo histórico e decisivo para o voo espacial tripulado. Esta missão sem precedentes levará seres humanos mais longe da Terra do que nunca e fornecerá os conhecimentos necessários para regressarmos à Lua — afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman.
A tripulação será formada pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da agência americana, além de Jeremy Hansen, representando a Agência Espacial Canadiana. Eles viajarão a bordo da nave Orion.
Dentro da campanha Artemis, a missão tem como objetivo principal validar todos os sistemas necessários para voos tripulados de longa duração no espaço profundo. Os dados obtidos serão fundamentais não apenas para o retorno sustentável à Lua, mas também para futuras missões humanas a Marte.
Segundo o plano da missão, após alcançar a órbita lunar, a Orion executará uma manobra conhecida como injeção translunar. Nesse momento, o módulo de serviço da nave fornecerá o impulso final que colocará a cápsula em uma trajetória de aproximadamente quatro dias rumo ao espaço profundo. A nave contornará o lado oculto da Lua e seguirá uma rota em forma de oito, alcançando mais de 370 mil quilômetros de distância da Terra antes de iniciar o retorno.
Uma investigação jornalística holandesa revelou a gravidade das denúncias de violência sexual, ameaças e comportamentos perturbadores ocorridos en um complexo residencial chamado Stek Oost, em Amsterdã, colocando em xeque um projeto criado em 2018 para promover a integração entre estudantes holandeses e refugiados com status legal reconhecido. Segundo a reconstituição feita pelo programa de TV Zembla, os problemas de segurança surgiram desde o início da iniciativa e atingiram sobretudo os estudantes, em especial mulheres.
De acordo com a reportagem, apesar das denúncias sérias, a prefeitura de Amsterdã impediu o encerramento do projeto, mesmo após a empresa habitacional Stadgenoot tentar colocá-lo em fim. Essa decisão do poder público é apresentada como um ponto central da investigação, que mostra que, até hoje, moradores relatam sensação de medo e insegurança no local.
Assédio, perseguição e ameaças
O Stek Oost fica próximo à estação de trem Science Park e abriga cerca de 250 pessoas, entre jovens holandeses e refugiados reconhecidos, ligados por um sistema de “padrinhos” (buddy system). A proposta de convivência e integração, no entanto, teria sido marcada por uma sucessão de incidentes graves, incluindo assédio, perseguição, ameaças com facas e violência sexual contra mulheres.
De acordo com o programa Zembla, embora ocorrências tenham sido registradas na polícia e comunicadas a serviços de assistência, estudantes relatam que suas queixas não receberam resposta adequada.
Um dos casos centrais da reportagem é o de Amanda, ex-moradora do complexo. No documentário, ela relata ter conhecido um jovem sírio em um momento cotidiano e inicialmente amistoso, Segundo seu relato, o homem demonstrava interesse em aprender holandês e se integrar à sociedade, o que a levou a tentar ajudá-lo. A interação, porém, evoluiu para um episódio traumático. Após insistências para que ela fosse ao quarto dele, Amanda acabou aceitando. No local, ela se sentiu desconfortável, tentou sair e foi impedida. A reportagem afirma que, naquela noite, ela foi estuprada.
O Zembla deixa claro que o episódio não foi isolado.
Em março de 2019, Amanda formalizou uma denúncia, e a polícia iniciou uma investigação, posteriormente arquivada por falta de provas. Seis meses depois, outra moradora apresentou denúncia, relatando em um e-mail grande preocupação com a própria segurança e com a de outras mulheres do corredor, apontando o mesmo homem. Ainda assim, segundo a prefeitura, não foi possível expulsá-lo do imóvel naquele momento. Apenas em março de 2022 ele foi preso e, em 2024, condenado a três anos de prisão pelo estupro de Amanda e de outra moradora.
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A reportagem questionou, no programa, as autoridades por que as instituições envolvidas não intervieram antes, sobretudo em um projeto experimental que reunia jovens adultos e pessoas que frequentemente carregam traumas profundos. No próprio documentário, a presidente do distrito Leste, Carolien de Heer, tenta explicar os limites enfrentados pelas autoridades.
— Você vê comportamentos que ultrapassam limites e as pessoas ficam com medo. Mas, juridicamente, isso muitas vezes não é suficiente para retirar alguém da moradia ou impor cuidados obrigatórios. É contra essas mesmas barreiras que sempre esbarramos.
Encerramento em 2028
Outro ponto destacado é a decisão de manter o Stek Oost em funcionamento apesar das críticas. A Stadgenoot queria encerrar o projeto já em 2023, mas a prefeitura não concordou, alegando que não seria possível desalojar 250 pessoas de uma só vez. Mesmo assim, ficou definido que o complexo será encerrado definitivamente em 2028. O Zembla mostra que, até hoje, moradores continuam relatando episódios de insegurança, inclusive com imagens de um residente quebrando uma porta de vidro com um extintor de incêndio.
Em resposta às acusações, a Stadgenoot afirmou ter adotado medidas de segurança, como a redução da proporção de refugiados reconhecidos no prédio de 50% para 30% e a designação, pela prefeitura, de um administrador presente diariamente no local para intervir rapidamente em situações de tensão. Segundo a empresa, essas ações trouxeram mais tranquilidade ao complexo.
A reportagem também cita dados da polícia, que informou ao jornal De Telegraaf ter recebido sete denúncias e/ou registros de ocorrência relacionados à violência sexual. Ao mesmo tempo, declarou não ter conhecimento de um estupro coletivo mencionado pelo Zembla com base em documentos, algo que a Stadgenoot também diz desconhecer.
Uma equipe internacional de cientistas identificou restos mumificados de guepardos em cavernas próximas à cidade de Arar, no norte da Arábia Saudita. Segundo a Associated Press, os espécimes apresentam um estado de conservação excepcional e datam de períodos que vão de cerca de 130 a mais de 1.800 anos atrás. A descoberta é inédita na região e amplia o conhecimento sobre a distribuição histórica de grandes felinos na Península Arábica.
As cavernas estão situadas em uma área desértica marcada por baixa umidade, pouca chuva e temperaturas relativamente estáveis. Essas condições ambientais favoreceram a mumificação natural, permitindo a preservação de tecidos, ossos e características anatômicas ao longo de séculos, algo considerado raro fora de ambientes congelados ou de processos artificiais.
A mumificação natural é extremamente rara em mamíferos de grande porte devido à rápida decomposição em ambientes pouco ideais
Divulgação/Ahmed Boug/Communications Earth and Environment
Preservação rara e hipóteses sobre o local
Durante as escavações, os pesquisadores recuperaram sete múmias completas e ossos atribuídos a outros 54 guepardos. Os restos incluem membros ressecados, pele endurecida e olhos opacos, mantendo uma forma surpreendentemente intacta para mamíferos de grande porte. De acordo com os cientistas, as cavernas funcionaram como uma espécie de câmara natural de preservação, protegendo os corpos da ação de bactérias, insetos e animais necrófagos.
Ainda não há uma explicação definitiva para a concentração de tantos indivíduos no mesmo sistema de cavernas. O estudo, publicado na revista Communications Earth and Environment, nesta quinta-feira (15), levanta a hipótese de que o local tenha sido usado repetidamente como refúgio para o nascimento e a criação de filhotes, o que explicaria a presença de guepardos ao longo de diferentes períodos históricos.
A descoberta de guepardos mumificados em cavernas na Arábia Saudita revela uma preservação excepcional de até 1.800 anos
Divulgação/Ahmed Boug/Communications Earth and Environment
A descoberta também tem implicações diretas para a conservação da espécie. Extintos localmente na Península Arábica há décadas, os guepardos hoje ocupam apenas cerca de 9% de sua área de distribuição histórica na África e na Ásia, segundo dados citados pela Associated Press. A análise de DNA extraído dos espécimes mumificados — algo inédito em casos de mumificação natural — revelou semelhanças genéticas com populações atuais do sul da Ásia e do noroeste da África.
Esses resultados ajudam a reconstruir a história evolutiva da espécie, identificar gargalos genéticos e avaliar, em tese, a viabilidade de futuros projetos de reintrodução em áreas onde o guepardo desapareceu, desde que existam condições ecológicas e proteção legal adequadas. Para Joan Madurell-Malapeira, da Universidade de Florença, o estado de conservação dos achados é surpreendente. Já Ahmed Boug, autor principal do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Vida Selvagem da Arábia Saudita, destacou o valor científico e histórico de evidências físicas tão bem preservadas de animais que habitaram a região no passado.
Em 2022, o jornalista russo Dmitry Muratov leiloou seu Prêmio Nobel da Paz por um valor recorde de US$ 103,5 milhões para arrecadar recursos destinados a crianças refugiadas da Ucrânia. Em 2014, James Watson vendeu o seu por mais de US$ 4 milhões (R$ 21,5 milhões, na cotação atual), décadas depois de ter recebido a medalha pela co-descoberta da estrutura do DNA.
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O Prêmio Nobel tornou-se recentemente o centro de um debate ético sobre quem pode reivindicá-lo, depois que María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela, ofereceu-se para compartilhar o prêmio com o presidente Donald Trump, apesar da determinação do Comitê Nobel de que a honraria não pode ser revogada, compartilhada ou transferida.
Ela pode, no entanto, ser vendida por milhões de dólares.
Desde a década de 1980, a medalha do Nobel é produzida com ouro reciclado de 18 quilates, segundo o Comitê Nobel. E, em alguns leilões ao longo da história do prêmio, ela alcançou uma ampla variação de valores.
Francis Crick, que recebeu o prêmio junto com Watson, obteve mais de US$ 2 milhões (R$ 10,7 milhões) por sua medalha. Já o Prêmio Nobel da Paz de 1936, concedido a Carlos Saavedra Lamas, ex-ministro das Relações Exteriores da Argentina, foi vendido por US$ 1,1 milhão (R$ 5,91 milhão) em 2014. Mas nem todas as tentativas de venda renderam cifras impressionantes.
A medalha concedida em 1994 a John Nash por seu trabalho em teoria dos jogos foi vendida por menos de US$ 1 milhão (R$ 5,37 milhões) em 2019. O prêmio de 1982 dado ao físico Kenneth Wilson não alcançou o lance mínimo de US$ 450 mil (R$ 2,4 milhões) em 2016. E a medalha de William Faulkner não encontrou comprador em 2013, depois que os lances pararam em US$ 425 mil (R$ 2,3 milhões), abaixo do valor mínimo exigido.
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Reprodução / redes sociais
Trump manifestou abertamente o desejo de receber o prêmio, e Machado o dedicou a ele quando o recebeu, em outubro.
Na quinta-feira, Machado afirmou ter “apresentado ao presidente dos Estados Unidos a medalha do Prêmio Nobel da Paz”, descrevendo um momento ocorrido durante um almoço privado realizado mais cedo naquele dia. No entanto, não ficou imediatamente claro se ela entregou a Trump a medalha original e se ele a aceitou.
O ex-presidente colombiano e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Juan Manuel Santos, afirmou que Donald Trump levantou a possibilidade de uma “invasão” na Venezuela em uma reunião com líderes latino-americanos em 2017, durante seu primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos. Em entrevista ao Financial Times publicada nesta sexta-feira, o ex-presidente que concordou com o desarmamento das guerrilhas das Farc em 2016 afirmou que o ataque dos EUA à Venezuela e a captura do presidente deposto, Nicolás Maduro, são “terríveis” para a “estabilidade global”.
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Segundo Santos, Trump mencionou a ideia pela primeira vez em uma reunião em Nova York, em setembro de 2017.
“Ele disse, meio brincando, meio falando sério: ‘Olha a Venezuela, acho que ela poderia ser resolvida rapidamente com uma invasão'”, relatou Santos na entrevista. “Nós, latino-americanos, ficamos bastante surpresos”, e eu lhe disse que era a “pior solução possível”, acrescentou o ex-presidente.
Trump deixou claro que tem interesse no petróleo e em outros recursos naturais da Venezuela e reconhece a presidente interina, Delcy Rodríguez. Para Santos, a postura dos EUA após o ataque não faz sentido. Ele acredita que a tentativa de Trump de governar a Venezuela remotamente fracassará e aposta em eleições democráticas.
“Minha reação à saída dele [Maduro] foi positiva, mas negativa devido às consequências que isso teria para a região e para o mundo. […] É o dilema que ainda tenho: um crime deve ser resolvido com outro?”, questionou ele. “Eles removeram Maduro sob o pretexto de que ele é um traficante de drogas. […] Mas o substituíram por seu segundo em comando, que também é ilegítimo”, acrescentou.
Trump não considera a líder da oposição, María Corina Machado, apta para governar o país. A política venezuelana presenteou-o ontem com sua medalha do Prêmio Nobel da Paz em agradecimento pelos seus esforços na Venezuela.
Uma juíza federal de Minnesota determinou nesta sexta-feira que o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) interrompa as táticas agressivas adotadas durante as operações no estado. O texto proíbe a prisão ou detenção de ativistas pacíficos e de motoristas, além do uso de spray de pimenta contra manifestações protegidas pela liberdade de expressão.
A liminar foi assinada pela juíza Kate M. Menendez e também estabelece que os agentes não devem retaliar pessoas “participando de atividades de protesto pacíficas e sem obstrução”, nem utilizear spray de pimenta ou outras “ferramentas de dispersão de multidões” contra manifestações pacíficas.
Moradores de Minnesota têm entrado em confronto com agentes do ICE desde o final do mês passado, quando o governo federal iniciou uma campanha de fiscalização migratória chamada Operação Metro Surge. A ordem assinada por Menendez se aplica apenas aos agentes federais em Minnesota que participam dessa operação.
Advogados do governo de Donald Trump argumentaram contra a liminar no tribunal, afirmando que ela “colocaria este tribunal na posição de microgerenciar a conduta dos agentes do Departamento de Segurança Interna em todo o estado de Minnesota”. Autoridades federais disseram que o aumento do número de agentes no estado, que é governado por democratas, é necessário para combater a imigração ilegal e erradicar fraudes em programas de assistência social.
A decisão de Menendez é em resposta a um processo movido pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) de Minnesota e por escritórios de advocacia em nome dos ativistas, os autores alegaram que agentes federais violaram os direitos constitucionais dos manifestantes ao usar força excessiva, incluindo gás lacrimogêneo e balas de borracha. Eles afirmaram que os agentes intimidaram, assediaram ou prenderam manifestantes que, de outra forma, não haviam interferido nas ações dos agentes.
A ação foi protocolada antes de um agente de imigração atirar e matar Renee Good em Minneapolis, no último dia 7. Good, de 37 anos, havia bloqueado parcialmente uma via onde os agentes trabalhavam e não obedeceu às ordens para sair de seu SUV. Quando ela começou a dirigir, um agente próximo à frente do veículo abriu fogo.
Montagem com Renee Nicole Good ao lado do momento em que os disparos ocorreram
Divulgação/GoFundMe / Captura de tela/Redes sociais
O caso teve repercussão global e desencadeou uma onda de protestos em várias capitais dos EUA. Desde então, a tensão entre agentes de imigração e a população de Minnesota tem escalado. Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump e membros da sua administração têm criticado publicamente a resposta das autoridades estaduais e locais aos protestos na cidade de Minneapolis e em outros pontos do estado.
Segundo a imprensa americana, o Departamento de Justiça começou a investigar o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, sobre uma possível obstrução da aplicação da lei federal. A investigação, que representa uma escalada no confronto entre Trump e os líderes democratas da região, é fruto de declarações de Walz e Frey sobre os milhares de agentes do ICE e da patrulha de fronteira dos EUA que atuam na região desde as últimas semanas, afirmou um funcionário americano à CBS.
Quase 3.000 agentes federais de imigração foram enviados para Minneapolis, segundo o órgão, com o objetivo de prender pessoas suspeitas de estarem nos EUA ilegalmente e investigar alegações de fraude no estado. O Departamento de Segurança Interna chamou a implantação massiva de a maior operação de sua história. A presença em larga escala de agentes federais na região desencadeou uma reação local generalizada, provocando protestos e confrontos, que escalaram após o assassinato de Good.
Os países do Golfo, assim como Turquia e Paquistão, temem as consequências de um eventual ataque dos Estados Unidos ao regime iraniano dos aiatolás, desde uma onda migratória à crise do petróleo, até mesmo uma espiral de violência na região. Por este motivo, vários vizinhos da República Islâmica, sobretudo Arábia Saudita, Catar e Omã, alertaram ao presidente americano, Donald Trump, que atacar o Irã poderia abrir uma “caixa de Pandora”.
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Medo de uma resposta iraniana
Este é o principal temor dos países aliados de Washington no Golfo porque, embora se suponha que contem com a proteção americana, estariam na linha de frente. O Irã, apesar de enfraquecido durante a guerra de 12 dias travada em junho com Israel — à qual se somou o bombardeio americano de suas usinas nucleares —, continua sendo uma potência capaz de atacá-los.
Os países do Golfo “sabem que são vulneráveis, porque os iranianos têm mísseis básicos de alcance médio suficientes que lhes permitem atingir pontos vitais destes países: as usinas de dessalinização de água do mar, os centros de hidrocarbonetos, as usinas elétricas”, explicou à AFP Pierre Razoux, da Fundação Mediterrânea de Estudos Estratégicos.
“E sem estas infraestruturas, estes países quentes e desérticos correm o risco de se tornarem inabitáveis”, ressalta Razoux.
Crise petrolífera
Estas nações petrolíferas “estão preocupadas com os ataques às infraestruturas de energia e por um possível bloqueio dos fluxos” no gargalo do estreito de Ormuz, recorda Cinzia Bianco, pesquisadora sobre o Golfo no European Council on Foreign Relations. O cenário ocorre no momento em que os países do Golfo estão imersos em ambiciosas agendas políticas (mudança de modelo econômico, grandes obras, transições energéticas, etc.).
“Tudo seria mais complicado com uma crise petrolífera, e ter de gerir as consequências de segurança de uma mudança de regime no Irã acrescentaria complexidade”, explica Bianco.
Segundo Razoux, este cenário correria o risco de empurrar a China, grande compradora de petróleo do Golfo, a reduzir seus laços com a região, algo preocupante para países que tentam reequilibrar sua dependência dos EUA.
Conflitos desproporcionais
Atacar o Irã representa um risco de reviver conflitos caso Teerã os reative em represália, por meio dos houthis no Iêmen ou do Hezbollah no Líbano. Seu enfraquecimento também poderia dar maior espaço a grupos hostis em países como Turquia e Paquistão. Em caso de queda do regime, “os grupos ligados (aos combatentes do movimento curdo) PKK se tornariam mais ativos”, afirmou à AFP Gönül Tol, do Middle East Institute.
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Em protestos anteriores, Ancara “temia que, se o regime caísse, os grupos curdos aproveitariam para criar problemas na Turquia”, insistiu. O Paquistão também lembrou, na quinta-feira, que lhe convém um “Irã estável e pacífico, sem distúrbios internos”. Os ataques americanos “teriam consequências desestabilizadoras para toda a região, e o Paquistão corre o risco de ser particularmente afetado”, explica à AFP a ex-diplomata e analista Maleeha Lodhi.
“Qualquer espaço não governado próximo às fronteiras fortaleceria os militantes de sua instável província do Baluchistão e constituiria uma grave ameaça à sua segurança”, acrescenta.
Ondas migratórias
Se os ataques derrubarem o governo e o Irã entrar em uma guerra civil, alguns vizinhos temem ondas migratórias em massa, como ocorreu na Turquia durante a guerra civil síria. Segundo Sinan Ülgen, do think tank Carnegie Europe, “o impacto seria sem dúvida muito maior, dada a extensão do país, sua população, a heterogeneidade” do Irã, um gigante de 92 milhões de habitantes com múltiplas etnias.
“Turquia, Azerbaijão e Armênia temem isso particularmente porque seriam países de destino”, argumenta o analista russo Nikita Smagin.
Para estes dois últimos Estados, as consequências de uma grande afluência de refugiados “poderiam ameaçar facilmente sua estabilidade”, adverte.

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