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Os parlamentares da União Europeia estão prestes a suspender a aprovação do acordo comercial da UE com os EUA devido à promessa do presidente Donald Trump de impor tarifas aos países que apoiaram a Groenlândia diante das ameaças americanas.
Comércio: Mercosul e UE firmam acordo comercial histórico e defendem o multilateralismo
EUA: Trump ameaça processar maior banco americano por suposta ‘discriminação política’
Manfred Weber, presidente do Partido Popular da Europa (PPE), o maior grupo político do Parlamento Europeu, afirmou neste sábado que um acordo com os EUA já não é mais possível.
“O PPE é a favor do acordo comercial UE-EUA, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível nesta fase”, publicou Weber nas redes sociais, acrescentando que o acordo para reduzir as tarifas sobre “produtos americanos deve ser suspenso”.
O acordo comercial entre a UE e os EUA, que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, firmou com Trump no verão passado, já foi parcialmente implementado, mas ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. Se os representantes do PPE se unirem a grupos políticos de esquerda, é provável que tenham votos suficientes para atrasar ou bloquear a aprovação.
O acordo comercial estabeleceu uma tarifa americana de 15% para a maioria dos produtos da UE em troca da promessa europeia de eliminar as tarifas sobre produtos industriais americanos e alguns produtos agrícolas. Von der Leyen, que supervisiona as negociações comerciais para a UE, fechou o acordo na esperança de evitar uma guerra comercial declarada com Trump.
Uma ala vocal de parlamentares da UE há muito critica o acordo, argumentando que ele era demasiadamente desequilibrado a favor dos EUA. Essa indignação aumentou depois que os EUA ampliaram a tarifa de 50% sobre aço e alumínio para centenas de outros produtos da UE após o acordo de julho.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, criticou a UE no mês passado por não cumprir certos aspectos do acordo, particularmente no que diz respeito à regulamentação das empresas de tecnologia pelo bloco.
No sábado, Trump anunciou que vai taxar em 10%, a partir de 1º de fevereiro, produtos de países europeus que se uniram em apoio à Groenlândia diante das ameaças do republicano de anexar o território semiautônomo dinamarquês. Trump acrescentou que as tarifas aumentariam para 25% a menos que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia”.
O anúncio provocou uma rápida repreensão dos líderes europeus, que estão definindo os próximos passos. Von der Leyen afirmou em comunicado que “as tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou as ameaças de Trump como “inaceitáveis”.
Em consequência das últimas medidas, a aprovação do acordo comercial UE-EUA tornou-se mais complicada.
“É evidente que a soberania nacional de qualquer país precisa ser respeitada por todos os parceiros do acordo comercial”, disse Bernd Lange, presidente de longa data da comissão de comércio do Parlamento Europeu, que ajuda a supervisionar a discussão sobre a ratificação do acordo comercial, em entrevista esta semana.
Após o anúncio de Trump, Lange publicou nas redes sociais que o trabalho de implementação do acordo comercial com os EUA deveria ser suspenso até que as ameaças de Trump cessassem. Ele também pediu que a UE utilizasse seu instrumento anticoerção (ACI), a ferramenta retaliatória comercial mais poderosa do bloco.
O ACI, que nunca foi utilizado, foi concebido principalmente como um mecanismo de dissuasão e, se necessário, para responder a ações coercitivas deliberadas de países terceiros que utilizam medidas comerciais como meio de pressionar as escolhas políticas da UE ou dos seus membros.
Essas medidas podem incluir tarifas, novos impostos sobre empresas de tecnologia ou restrições específicas a investimentos na UE. Também podem envolver a limitação do acesso a certas partes do mercado da UE ou a restrição da participação de empresas em licitações para contratos públicos na Europa.
O parlamento está em compasso de espera há dias. Os membros da comissão de comércio de Lange reuniram-se na quarta-feira para uma discussão inicial sobre a possibilidade de vincular a soberania da Groenlândia ao acordo comercial com os EUA e decidiram voltar a reunir-se na próxima semana.
Per Clausen, eurodeputado dinamarquês do partido A Esquerda, reuniu 30 assinaturas para uma carta enviada na quarta-feira aos líderes do Parlamento instando-os a “congelar” o acordo comercial “enquanto as reivindicações sobre a Groenlândia e as ameaças continuarem por parte da administração dos EUA”.
“Seria extremamente estranho se celebrássemos um acordo com os EUA agora”, disse Clausen em entrevista. “Isso seria um sinal claro de que, da parte da UE, estamos preparados para usar os instrumentos que temos em relação aos EUA, caso eles continuem com sua agressão.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o JPMorgan Chase, maior banco do país, e seu CEO, Jamie Dimon. Trump afirmou que foi vítima de discriminação política e ameaçou entrar com um processo contra a instituição por ter, segundo ele, perdido acesso a serviços bancários após o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
Sábado de ameaças: Trump sinaliza que pode taxar Europa com tarifa de até 25% e condiciona recuo à venda da Groenlândia
Acordo UE-Mercosul: Governo Lula diz que assinatura de tratado é ‘emblemática’ e ‘marco histórico’
Em uma publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o banco solicitou o fechamento de contas que ele mantinha havia décadas. Segundo o presidente, a decisão teria sido motivada por suas posições políticas e pelo episódio de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores seus invadiram o Congresso, no chamado ataque ao Capitólio, para tentar impedir a confirmação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial de 2020.
Trump afirmou que pretende processar o JPMorgan nas próximas semanas, alegando que foi tratado de forma injusta e discriminatória. Ele não apresentou detalhes sobre como teria ocorrido essa exclusão do sistema bancário. Procurado pela Bloomberg, o banco não comentou o assunto até o momento.
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O episódio ganhou repercussão depois que uma reportagem do Wall Street Journal informou que Trump teria feito, meses atrás, um comentário sobre indicar Jamie Dimon para presidir o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Trump negou a informação e usou o episódio para reforçar as críticas ao JPMorgan.
Jamie Dimon, por sua vez, já declarou publicamente que não aceitaria comandar o Federal Reserve e negou que o banco tome decisões com base em preferências políticas.
— Nós não encerramos contas nem retiramos serviços de clientes por motivos religiosos ou políticos — afirmou o executivo em entrevista recente.
Trump ainda não anunciou quem pretende indicar para substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve, cujo mandato termina em maio.
Leia abaixo a postagem traduzida na íntegra:
“Uma reportagem de capa do Fake News Wall Street Journal afirma, sem qualquer verificação, que eu teria oferecido a Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, o cargo de presidente do Fed. Essa afirmação é totalmente falsa: nunca houve tal oferta e, na verdade, estarei processando o JPMorgan Chase nas próximas duas semanas por ter me retirado, de forma incorreta e inadequada, do sistema bancário (“DEBANKING”) após o protesto de 6 de janeiro — um protesto que acabou se mostrando correto para aqueles que protestavam — a eleição foi FRAUDADA!
Por que o Wall Street Journal não me ligou para perguntar se essa oferta foi feita ou não? Eu teria respondido muito rapidamente “NÃO”, e isso teria encerrado a história.
Também deu a entender que eu teria oferecido a Jamie Dimon o cargo de secretário do Tesouro, algo que, sim, o interessaria muito. O problema é que eu tenho Scott Bessent fazendo um trabalho fantástico, UM SUPERASTRO — por que eu daria o cargo a Jamie? Nenhuma oferta desse tipo foi feita, nem sequer cogitada.
O Wall Street Journal deveria fazer uma checagem de fatos melhor, ou sua credibilidade, que já está abalada, continuará a DESPENCAR.
Obrigado pela atenção a este assunto!”
Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que a decisão de aceitar ou não o convite dos Estados Unidos para integrar o chamado Conselho da Paz em Gaza precisa ser tomada com extrema cautela.
Um interlocutor do governo declarou que não há como dar uma resposta “sem entender as consequências” e que “essa decisão não pode ser tomada de forma açodada”. Esse mesmo interlocutor ressalta a necessidade de avaliação detalhada dos impactos diplomáticos e geopolíticos antes de qualquer posicionamento definitivo.
Procurado, o Itamaraty ainda não se manifestou.
O convite foi feito pelo presidente Donald Trump a diversos líderes globais, incluindo o argentino Javier Milei, o turco Recep Tayyip Erdogan, o egípcio Abdel Fattah al‑Sisi e o canadense Mark Carney.
A proposta do Conselho da Paz visa supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política na Faixa de Gaza após o cessar‑fogo mediado pelos EUA, em meio a mais de dois anos de conflito entre Israel e o Hamas.
A iniciativa americana, anunciada como parte de sua estratégia de estabilização do território palestino, tem sido alvo de críticas internacionais, sobretudo pela ausência de representantes palestinos no núcleo decisório e pelo protagonismo explícito dos Estados Unidos.
A composição do conselho inclui ainda figuras controversas pçara o governo brasileiro, o que levanta dúvidas sobre a legitimidade e eficácia prática do órgão.
Até o momento, o governo brasileiro não confirmou oficialmente a aceitação do convite, e os auxiliares de Lula reforçam que a decisão será tomada apenas após análise cuidadosa das implicações para a diplomacia brasileira e o histórico de atuação do país no conflito do Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão diplomática e econômica sobre o continente europeu. Em uma publicação em sua rede social, a Truth Social, na tarde deste sábado, Trump condicionou a estabilidade comercial da região à venda da Groenlândia. O republicano anunciou a intenção de impor tarifas progressivas a produtos de oito nações europeias a partir de fevereiro de 2026, com alíquotas que podem atingir 25% em junho do mesmo ano.
Segundo a postagem, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia enfrentariam uma tarifa inicial de 10% sobre todos os bens exportados para os EUA. O cronograma de escalada tarifária funcionaria da seguinte forma:
Fevereiro de 2026: Início das taxas em 10%.
Junho de 2026: Elevação para 25% caso não haja progresso nas tratativas.
Duração: As taxas permaneceriam em vigor até a ratificação de um acordo para a “compra completa e total” do território.
Trump fundamentou a proposta em pilares de segurança nacional e defesa estratégica. Segundo o presidente, a soberania dinamarquesa sobre a ilha é “vulnerável” diante de supostas “ambições de Rússia e China no Ártico”.
O presidente americano chegou a ironizar a capacidade militar local, afirmando que a defesa da ilha se limita a “dois trenós puxados por cães”. Ele também classificou visitas recentes de líderes europeus ao território como “movimentações por motivos desconhecidos”, tratando-as como uma ameaça à estabilidade internacional.
Um dos pontos centrais da nova argumentação é a integração da Groenlândia ao “Domo Dourado”, o ambicioso sistema de defesa antimísseis de última geração dos EUA.
“O projeto, que prevê investimentos de centenas de bilhões de dólares e a possível extensão da cobertura ao Canadá, só atingiria sua eficiência máxima com o controle territorial e estratégico da Groenlândia”, afirmou o presidente.
Agora, Trump argumenta que os EUA tentam essa aquisição há mais de 150 anos (referindo-se a propostas históricas de 1867 e 1946) e que o momento exige uma “resolução definitiva”.
Apesar das ameaças, o presidente declarou estar “imediatamente aberto à negociação”, embora tenha ressaltado que Washington não aceitará mais manter a “proteção máxima” à Europa sem contrapartidas estratégicas. Até o fechamento desta edição, a União Europeia e o governo dinamarquês não haviam emitido uma resposta oficial às ameaças.
Leia abaixo o texto da postagem na íntegra:
“Nós subsidiamos a Dinamarca, e todos os países da União Europeia, além de outros, por muitos anos ao não cobrar tarifas, nem qualquer outra forma de remuneração. Agora, depois de séculos, chegou a hora de a Dinamarca retribuir — a paz mundial está em jogo! China e Rússia querem a Groenlândia, e não há absolutamente nada que a Dinamarca possa fazer a respeito. Atualmente, eles contam com dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um foi acrescentado recentemente.
Somente os Estados Unidos da América, sob o PRESIDENTE DONALD J. TRUMP, podem entrar nesse jogo — e com grande sucesso! Ninguém tocará nesse pedaço sagrado de terra, especialmente porque a segurança nacional dos Estados Unidos e do mundo como um todo está em risco.
Além de tudo isso, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia viajaram à Groenlândia por motivos desconhecidos. Trata-se de uma situação extremamente perigosa para a segurança, a estabilidade e a sobrevivência do nosso planeta. Esses países, ao entrarem nesse jogo altamente arriscado, colocaram em cena um nível de risco que não é aceitável nem sustentável.
Portanto, para proteger a paz e a segurança globais, é imperativo que sejam adotadas medidas firmes para que essa situação potencialmente perigosa termine rapidamente e sem questionamentos. A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países mencionados acima (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia) serão taxados em 10% sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será elevada para 25%. Essa tarifa será devida e exigível até que seja fechado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
Os Estados Unidos vêm tentando realizar essa transação há mais de 150 anos. Muitos presidentes tentaram — e por bons motivos —, mas a Dinamarca sempre se recusou. Agora, por causa do Domo Dourado e dos sistemas modernos de armamentos, tanto ofensivos quanto defensivos, a necessidade de adquirir esse território tornou-se especialmente importante. Centenas de bilhões de dólares estão sendo gastos atualmente em programas de segurança relacionados ao “Domo”, incluindo a possível proteção do Canadá, e esse sistema extremamente sofisticado, embora altamente complexo, só pode operar em seu máximo potencial e eficiência, por razões de ângulos, limites e delimitações territoriais, se essa terra estiver incluída.
Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos à negociação com a Dinamarca e/ou com qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, inclusive oferecendo proteção máxima ao longo de muitas décadas.
Obrigado pela atenção a este assunto!
DONALD J. TRUMP
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a lista de líderes internacionais convidados a integrar o chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, órgão criado por Washington para conduzir a transição política, a reconstrução e a segurança do território palestino. Entre os convidados anunciados neste sábado estão os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina, Javier Milei, da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Contexto: Trump nomeia secretário de Estado dos EUA e ex-premier britânico para conselho de paz de Gaza
Ameaça de Trump: Entenda como guerra em Gaza enfraqueceu Irã e por que Venezuela alimenta vulnerabilidade do regime
Lula ainda não aceitou o convite. Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu nas redes sociais que seria “uma honra” participar do conselho. No Canadá, um assessor sênior de Mark Carney indicou que o premier pretende aceitar o convite. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo está “estudando” a solicitação para que al-Sisi se junte ao grupo. Um porta-voz do governo turco disse que Erdogan foi convidado a atuar como “membro fundador”.
Na sexta-feira, Trump já havia nomeado para o conselho o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores. O republicano também incluiu seu enviado especial, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, entre os membros do “conselho executivo fundador”, composto por sete pessoas. O próprio Trump presidirá o órgão, e espera-se que mais nomeações sejam anunciadas nas próximas semanas, segundo comunicado.
A iniciativa faz parte da visão de Trump para o pós-guerra em Gaza. Na quarta, três meses após a implementação da trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os Estados Unidos já haviam determinado o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos do americano para o enclave. O anúncio, por sua vez, foi feito após o Egito anunciar que foi alcançado um consenso sobre a formação de uma comissão palestina de 15 tecnocratas para administrar o território.
A comissão deverá assumir, por exemplo, a gestão da vida cotidiana e dos serviços essenciais no enclave. O grupo terrorista Hamas, a Jihad Islâmica e outras facções declararam apoio à iniciativa, assim como a Presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia. Como parte da nova etapa do plano americano, os Estados Unidos devem anunciar formalmente a composição da comissão tecnocrática, que será chefiada por Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Nacional Palestina, natural de Gaza e atualmente na Cisjordânia.
A governança tecnocrática será supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump e composto pelos líderes internacionais anunciados. Com cerca de 12 integrantes, o órgão fornecerá orientações estratégicas de alto nível sobre os assuntos relacionados a Gaza. O ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e ex-chanceler da Bulgária Nickolay Mladenov foi indicado como alto representante do conselho e deverá atuar como elo entre a comissão e a instância internacional.
Até agora, porém, a lista de nomes pouco faz para dissipar as críticas, vindas de alguns setores, de que o plano do presidente dos Estados Unidos se assemelha, em sua essência, a uma solução colonial imposta aos palestinos sem que eles tenham voz. Ainda há vários pontos em aberto, incluindo quem mais poderá ser incluído e qual será a estrutura exata do que, por ora, é um arranjo bastante complexo. Nenhum nome palestino aparece nos conselhos superiores que foram apresentados.
Impasses permanecem
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado na segunda, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
— [Anunciar a comissão] pode refletir um desejo de mostrar progresso, dado que o avanço em outras frentes tem sido difícil — disse ao New York Times Michael Koplow, analista do Israel Policy Forum, um centro de pesquisa com sede em Nova York. — Parece, para mim, que muito disso é apenas para mostrar que estão fazendo alguma coisa.
Pós-cessar-fogo
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
Desde então, o Hamas intensificou a repressão a opositores e avançou para reforçar seu controle sobre Gaza. O grupo vem nomeando novos comandantes para substituir os que foram mortos e vem recompondo seus cofres com acesso a dinheiro armazenado em túneis, arrecadação de impostos e um novo fluxo de recursos do Irã, disseram as autoridades. Caso decida atacar novamente, analistas de segurança israelenses dizem que Israel pode optar por uma invasão em grande escala da Cidade de Gaza numa tentativa de forçar uma rendição rápida do Hamas, ou avançar de forma gradual, tomando o controle do território aos poucos.
Embora autoridades israelenses digam que não há previsões imediatas para uma incursão militar em Gaza sob controle do Hamas e que Israel está disposto a dar tempo para que o plano americano avance, os planos antecipados ao WSJ indicam a possibilidade de retomada dos combates. O movimento ocorre no momento em que o Estado judeu avalia uma nova rodada de confrontos com o grupo libanês Hezbollah e com o Irã, que estaria buscando reconstruir seu programa de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias em junho passado.
Analistas de segurança israelenses observam, no entanto, que Israel terá de decidir a quais frentes de batalha dará prioridade. Combater o Hamas agora seria mais fácil para Israel porque não há mais a preocupação com a segurança de reféns, afirmou ao WSJ Erez Winner, que ocupou um cargo sênior de planejamento nas Forças Armadas israelenses durante a maior parte da guerra em Gaza e hoje é pesquisador no Israel Centre for Grand Strategy. Israel também poderia oferecer segurança aos palestinos no lado de Gaza controlado pelo governo israelense.
O Hamas concordou, em princípio, com o desarmamento no âmbito do plano de paz de Trump, e caberá ao Conselho de Paz e ao governo tecnocrático palestino decidir o que constitui esse desarmamento — se ele inclui, por exemplo, armas leves — e como ele será implementado, segundo uma fonte familiarizada com o tema. Este não é, no entanto, o único ponto que deveria ter sido resolvido antes do avanço para a segunda etapa da proposta americana: Israel ainda não abriu a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, para permitir a entrada e saída de palestinos do enclave, e o corpo do último refém israelense morto que permanece em Gaza ainda não foi devolvido.
— Enquanto o Hamas continuar mantendo o controle da segurança, há limites para o que a comissão pode fazer — disse Ghaith al-Omari, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, acrescentando que os tecnocratas enfrentarão enorme pressão dos palestinos por avanços, que podem depender do afrouxamento, por Israel, das restrições à entrada de suprimentos no enclave. — Para que a comissão opere e ganhe alguma credibilidade, ele precisa entregar resultados. Não está claro para mim se os israelenses vão colaborar.
(Com agências internacionais)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou neste sábado uma nota em que comemora o avanço do Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia. Em nota, o Poder Executivo disse que o acordo “representa marco histórico para as relações entre os dois blocos”.
Lula foi o único chefe de Estado do bloco sul-americano que não esteve presente no ato de assinatura do acordo, realizado mais cedo neste sábado, em Assunção, capital do Paraguai. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil.
“A assinatura do Acordo de Parceria MERCOSUL-União Europeia, realizada hoje (17/1) em Assunção, representa marco histórico para as relações entre os dois blocos. Fruto de mais de 26 anos de negociações, o Acordo criará uma área de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões”, disse em nota o governo brasileiro.
O texto é assinado pelos ministérios de Relações Exteriores, de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e pelo de Agricultura e Pecuária.
“O Acordo de Parceria MERCOSUL – União Europeia é emblemático do esforço empreendido pelo governo do Presidente Lula para ampliar e diversificar mercados e gerar emprego, renda e desenvolvimento para o país”, diz ainda o texto.
Nessa sexta-feira, Lula foi ao Rio de Janeiro receber a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um encontro simbólico para antecipar politicamente o desfecho do acordo e reforçar o protagonismo brasileiro na negociação. Ao lado da dirigente europeia, o presidente classificou o processo como resultado de “mais de 25 anos de sofrimento e tentativa” e destacou o alcance do tratado.
A União Europeia manteve, em 2025, a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 14,3% das exportações brasileiras e 17,9% das importações, segundo dados compilados pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
A entrada em vigor do tratado deverá ocorrer em etapas. A parte estritamente comercial poderá ser aplicada provisoriamente após aprovação do Parlamento Europeu e decisão do Conselho da União Europeia.
No Mercosul, sua vigência dependerá da ratificação pelos respectivos parlamentos nacionais.
Já o pilar político do acordo, que abrange temas como democracia, multilateralismo e cooperação institucional, precisará ser submetido aos legislativos dos 27 países da União Europeia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a lista de líderes internacionais convidados a integrar o chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, órgão criado por Washington para conduzir a transição política, a reconstrução e a segurança do território palestino. Entre os convidados anunciados neste sábado estão os presidentes da Argentina, Javier Milei, da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Contexto: Trump nomeia secretário de Estado dos EUA e ex-premier britânico para conselho de paz de Gaza
Ameaça de Trump: Entenda como guerra em Gaza enfraqueceu Irã e por que Venezuela alimenta vulnerabilidade do regime
Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu nas redes sociais que seria “uma honra” participar do conselho. No Canadá, um assessor sênior de Mark Carney indicou que o premier pretende aceitar o convite. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo está “estudando” a solicitação para que al-Sisi se junte ao grupo. Um porta-voz do governo turco disse que Erdogan foi convidado a atuar como “membro fundador”.
Na sexta-feira, Trump já havia nomeado para o conselho o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores. O republicano também incluiu seu enviado especial, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, entre os membros do “conselho executivo fundador”, composto por sete pessoas. O próprio Trump presidirá o órgão, e espera-se que mais nomeações sejam anunciadas nas próximas semanas, segundo comunicado.
A iniciativa faz parte da visão de Trump para o pós-guerra em Gaza. Na quarta, três meses após a implementação da trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os Estados Unidos já haviam determinado o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos do americano para o enclave. O anúncio, por sua vez, foi feito após o Egito anunciar que foi alcançado um consenso sobre a formação de uma comissão palestina de 15 tecnocratas para administrar o território.
A comissão deverá assumir, por exemplo, a gestão da vida cotidiana e dos serviços essenciais no enclave. O grupo terrorista Hamas, a Jihad Islâmica e outras facções declararam apoio à iniciativa, assim como a Presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia. Como parte da nova etapa do plano americano, os Estados Unidos devem anunciar formalmente a composição da comissão tecnocrática, que será chefiada por Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Nacional Palestina, natural de Gaza e atualmente na Cisjordânia.
A governança tecnocrática será supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump e composto pelos líderes internacionais anunciados. Com cerca de 12 integrantes, o órgão fornecerá orientações estratégicas de alto nível sobre os assuntos relacionados a Gaza. O ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e ex-chanceler da Bulgária Nickolay Mladenov foi indicado como alto representante do conselho e deverá atuar como elo entre a comissão e a instância internacional.
Até agora, porém, a lista de nomes pouco faz para dissipar as críticas, vindas de alguns setores, de que o plano do presidente dos Estados Unidos se assemelha, em sua essência, a uma solução colonial imposta aos palestinos sem que eles tenham voz. Ainda há vários pontos em aberto, incluindo quem mais poderá ser incluído e qual será a estrutura exata do que, por ora, é um arranjo bastante complexo. Nenhum nome palestino aparece nos conselhos superiores que foram apresentados.
Impasses permanecem
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado na segunda, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
— [Anunciar a comissão] pode refletir um desejo de mostrar progresso, dado que o avanço em outras frentes tem sido difícil — disse ao New York Times Michael Koplow, analista do Israel Policy Forum, um centro de pesquisa com sede em Nova York. — Parece, para mim, que muito disso é apenas para mostrar que estão fazendo alguma coisa.
Pós-cessar-fogo
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
Desde então, o Hamas intensificou a repressão a opositores e avançou para reforçar seu controle sobre Gaza. O grupo vem nomeando novos comandantes para substituir os que foram mortos e vem recompondo seus cofres com acesso a dinheiro armazenado em túneis, arrecadação de impostos e um novo fluxo de recursos do Irã, disseram as autoridades. Caso decida atacar novamente, analistas de segurança israelenses dizem que Israel pode optar por uma invasão em grande escala da Cidade de Gaza numa tentativa de forçar uma rendição rápida do Hamas, ou avançar de forma gradual, tomando o controle do território aos poucos.
Embora autoridades israelenses digam que não há previsões imediatas para uma incursão militar em Gaza sob controle do Hamas e que Israel está disposto a dar tempo para que o plano americano avance, os planos antecipados ao WSJ indicam a possibilidade de retomada dos combates. O movimento ocorre no momento em que o Estado judeu avalia uma nova rodada de confrontos com o grupo libanês Hezbollah e com o Irã, que estaria buscando reconstruir seu programa de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias em junho passado.
Analistas de segurança israelenses observam, no entanto, que Israel terá de decidir a quais frentes de batalha dará prioridade. Combater o Hamas agora seria mais fácil para Israel porque não há mais a preocupação com a segurança de reféns, afirmou ao WSJ Erez Winner, que ocupou um cargo sênior de planejamento nas Forças Armadas israelenses durante a maior parte da guerra em Gaza e hoje é pesquisador no Israel Centre for Grand Strategy. Israel também poderia oferecer segurança aos palestinos no lado de Gaza controlado pelo governo israelense.
O Hamas concordou, em princípio, com o desarmamento no âmbito do plano de paz de Trump, e caberá ao Conselho de Paz e ao governo tecnocrático palestino decidir o que constitui esse desarmamento — se ele inclui, por exemplo, armas leves — e como ele será implementado, segundo uma fonte familiarizada com o tema. Este não é, no entanto, o único ponto que deveria ter sido resolvido antes do avanço para a segunda etapa da proposta americana: Israel ainda não abriu a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, para permitir a entrada e saída de palestinos do enclave, e o corpo do último refém israelense morto que permanece em Gaza ainda não foi devolvido.
— Enquanto o Hamas continuar mantendo o controle da segurança, há limites para o que a comissão pode fazer — disse Ghaith al-Omari, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, acrescentando que os tecnocratas enfrentarão enorme pressão dos palestinos por avanços, que podem depender do afrouxamento, por Israel, das restrições à entrada de suprimentos no enclave. — Para que a comissão opere e ganhe alguma credibilidade, ele precisa entregar resultados. Não está claro para mim se os israelenses vão colaborar.
(Com agências internacionais)
As autoridades da Indonésia iniciaram, neste sábado (17), as buscas por um avião de pequeno porte com 10 pessoas a bordo após a perda de contato enquanto a aeronave sobrevoava o leste do país, informaram à AFP os responsáveis pelas equipes de resgate.
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O avião, pertencente à companhia Indonesia Air Transport, seguia para Makassar, no sul da ilha de Celebes, depois de ter decolado de Yogyakarta, na ilha de Java. A bordo estavam três passageiros e sete tripulantes.
Último registro
O contato com a aeronave foi perdido pouco depois das 13h no horário local (3h da madrugada em Brasília), segundo as autoridades.
A aeronave é um ATR 42-500, de acordo com a ATR, fabricante francesa especializada em aviões regionais turboélice, com sede em Toulouse.
“Os peritos da ATR estão totalmente empenhados em colaborar com as autoridades indonésias e com a companhia aérea”, afirmou a empresa francesa em comunicado oficial.
Operação de busca
O chefe da agência local de busca e resgate, Muhammad Arif Anwar, informou que as equipes foram mobilizadas para uma área montanhosa da região de Maros, a cerca de 42 quilômetros de Makassar, com base na última posição conhecida do avião. Segundo ele, a operação envolve a Força Aérea, a polícia e voluntários.
Devido à sua vasta extensão territorial e ao caráter insular, a Indonésia depende fortemente do transporte aéreo para conectar suas ilhas.
Histórico de segurança
O país, no entanto, apresenta um histórico frágil em segurança aérea. Em setembro de 2025, um helicóptero com seis passageiros e dois tripulantes caiu pouco depois de decolar do sul da ilha de Bornéu, sem sobreviventes.
Menos de duas semanas depois, quatro pessoas morreram na queda de outro helicóptero no distrito de Ilaga, na ilha da Papua.
Uma estudante de 13 anos morreu após um incêndio atingir o quarto onde dormia, em uma casa em Prescot, no Reino Unido. Layla Allen foi encontrada sem vida pelos bombeiros no topo de um beliche, durante a madrugada, depois que o imóvel foi tomado pelas chamas. O caso foi analisado em um inquérito oficial nesta semana, que terminou com conclusão inconclusiva sobre a origem do fogo.
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Os bombeiros foram acionados para a residência e procuraram por Layla, a única integrante da família que ainda estava dentro da casa em chamas. Os pais, Shaun Allen e Michelle McGurry, e os cinco irmãos da adolescente conseguiram escapar. Layla, aluna do 8º ano da St Edmund Arrowsmith School, em Whiston, foi declarada morta no local.
Investigação aponta início do fogo no beliche
Segundo a oficial de investigação do Serviço de Bombeiros e Resgate de Merseyside, Ruth Baller-Wilson, o padrão da queimada indica que o incêndio começou no beliche, mais especificamente na cama superior, espalhando-se pela roupa de cama antes de atingir o colchão. A propagação das chamas teria sido favorecida pelo oxigênio que entrava por uma janela aberta ao lado da cama. Todas as fontes comuns de ignição foram descartadas, com exceção de uma chama exposta, como a de um isqueiro.
Dois isqueiros descartáveis foram encontrados na casa, embora os pais tenham afirmado que não lhes pertenciam. A Polícia de Merseyside informou não haver indícios de envolvimento de terceiros externos à residência. De acordo com Baller-Wilson, Layla foi encontrada deitada de costas, o que reforça a hipótese de que estivesse dormindo quando o fogo começou.
O exame post-mortem apontou que a causa da morte foram os efeitos do incêndio, com altos níveis de monóxido de carbono nos pulmões. A investigadora afirmou que, caso a adolescente estivesse acordada, não haveria um motivo aparente para que não conseguisse sair do beliche e tentar escapar, o que também sustenta a possibilidade de que ela dormia no momento do início do fogo.
A legista Anita Bhardwaj explicou que a apuração foi limitada pela impossibilidade de ouvir as outras crianças que estavam na casa. Segundo ela, entrevistas poderiam causar sofrimento adicional aos menores, posição respaldada pelos pais e pelos serviços de proteção à criança, o que impediu a coleta de novos depoimentos e provas, conforme relatado pelo Liverpool Echo.
Ao encerrar o inquérito, Bhardwaj declarou o veredito como inconclusivo, afirmando que não havia elementos suficientes para apontar quem iniciou o incêndio ou como exatamente ele começou. A legista também destacou a preocupação com o fato de aquele ter sido o segundo incêndio registrado na mesma casa em cerca de um ano, novamente envolvendo isqueiros, desta vez com um desfecho fatal.
Milhares de pessoas foram às ruas de Copenhague neste sábado para protestar contra a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa. Sob um céu cinzento, manifestantes com bandeiras da Dinamarca e da Groenlândia ocuparam a praça da prefeitura da capital, formando uma maré vermelha e branca, segundo jornalistas da AFP.
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Cartazes exibiam frases como “Os Estados Unidos já têm gelo suficiente” e “Make America Go Away” (“Faça os Estados Unidos irem embora”), em alusão ao slogan de campanha de Trump, “Make America Great Again”. Atos semelhantes também foram convocados em outras cidades do país escandinavo.
— É importante estar aqui porque isso diz respeito ao direito do povo groenlandês de decidir seu próprio futuro. Não podemos nos deixar intimidar por um Estado, nem mesmo por um aliado. Trata-se de uma questão de direito internacional — afirmou à AFP Kirsten Hjoernholm, de 52 anos, funcionária da ONG ActionAid Dinamarca, que participou do protesto em Copenhague.
A manifestação foi organizada pelo movimento Uagut, pelo grupo cidadão “Mãos fora da Groenlândia!” e por um coletivo Inuit que reúne associações locais groenlandesas. Os organizadores buscaram aproveitar a presença de uma delegação bipartidária do Congresso americano na capital dinamarquesa para dar visibilidade às reivindicações.
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Desde que voltou ao poder, há um ano, Trump tem reiterado a ambição de assumir o controle da Groenlândia, considerada estratégica no contexto do Ártico e pouco povoada. O presidente afirmou que isso ocorreria “de uma forma ou de outra”, alegando a necessidade de conter a influência da Rússia e da China na região. Na sexta-feira, o assessor da Casa Branca Stephen Miller reafirmou o interesse americano pela ilha.
— A Groenlândia é tão grande quanto um quarto dos Estados Unidos. A Dinamarca, sem querer faltar com respeito, é um país pequeno, com uma economia pequena e um Exército pequeno. Não pode defender a Groenlândia — disse em entrevista à Fox News.
Na quarta-feira, autoridades dinamarquesas se reuniram em Washington e concluíram que, por ora, não há condições para um acordo com o governo americano. Em resposta às declarações de Trump, líderes europeus manifestaram apoio à Dinamarca, membro fundador da Otan, e uma missão militar europeia foi enviada à Groenlândia para atividades de reconhecimento.
Na sexta-feira, Trump voltou a pressionar aliados ao afirmar que pretende impor tarifas a países que não apoiem seus planos em relação ao território.
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“Os acontecimentos recentes colocaram a Groenlândia e os groenlandeses sob pressão, tanto na ilha quanto na Dinamarca”, afirmou Julie Rademacher, presidente do movimento Uagut, em comunicado enviado à AFP. Segundo ela, o aumento das tensões pode gerar mais problemas do que soluções.
Também foi convocado um protesto em Nuuk, capital da Groenlândia. Na página do evento no Facebook, cerca de 900 pessoas confirmaram presença, em um território com aproximadamente 57 mil habitantes. Pesquisa realizada em janeiro de 2025 mostrou que 85% dos groenlandeses rejeitam a ideia de integrar os Estados Unidos.
Neste sábado, último dia da visita da delegação americana a Copenhague, parlamentares do Congresso reafirmaram apoio à Dinamarca e à Groenlândia. O senador democrata Chris Coons, que lidera o grupo, destacou à imprensa os “225 anos” de aliança entre os dois países e afirmou que “não há ameaças imediatas” à segurança da Groenlândia.
— Compartilhamos, no entanto, preocupações reais com a segurança no Ártico no futuro — disse, defendendo a necessidade de ampliar investimentos na proteção da região.

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