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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a lista de líderes internacionais convidados a integrar o chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, órgão criado por Washington para conduzir a transição política, a reconstrução e a segurança do território palestino. Entre os convidados anunciados neste sábado estão os presidentes da Argentina, Javier Milei, da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
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Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu nas redes sociais que seria “uma honra” participar do conselho. No Canadá, um assessor sênior de Mark Carney indicou que o premier pretende aceitar o convite. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo está “estudando” a solicitação para que al-Sisi se junte ao grupo. Um porta-voz do governo turco disse que Erdogan foi convidado a atuar como “membro fundador”.
Na sexta-feira, Trump já havia nomeado para o conselho o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores. O republicano também incluiu seu enviado especial, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, entre os membros do “conselho executivo fundador”, composto por sete pessoas. O próprio Trump presidirá o órgão, e espera-se que mais nomeações sejam anunciadas nas próximas semanas, segundo comunicado.
A iniciativa faz parte da visão de Trump para o pós-guerra em Gaza. Na quarta, três meses após a implementação da trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os Estados Unidos já haviam determinado o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos do americano para o enclave. O anúncio, por sua vez, foi feito após o Egito anunciar que foi alcançado um consenso sobre a formação de uma comissão palestina de 15 tecnocratas para administrar o território.
A comissão deverá assumir, por exemplo, a gestão da vida cotidiana e dos serviços essenciais no enclave. O grupo terrorista Hamas, a Jihad Islâmica e outras facções declararam apoio à iniciativa, assim como a Presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia. Como parte da nova etapa do plano americano, os Estados Unidos devem anunciar formalmente a composição da comissão tecnocrática, que será chefiada por Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Nacional Palestina, natural de Gaza e atualmente na Cisjordânia.
A governança tecnocrática será supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump e composto pelos líderes internacionais anunciados. Com cerca de 12 integrantes, o órgão fornecerá orientações estratégicas de alto nível sobre os assuntos relacionados a Gaza. O ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e ex-chanceler da Bulgária Nickolay Mladenov foi indicado como alto representante do conselho e deverá atuar como elo entre a comissão e a instância internacional.
Até agora, porém, a lista de nomes pouco faz para dissipar as críticas, vindas de alguns setores, de que o plano do presidente dos Estados Unidos se assemelha, em sua essência, a uma solução colonial imposta aos palestinos sem que eles tenham voz. Ainda há vários pontos em aberto, incluindo quem mais poderá ser incluído e qual será a estrutura exata do que, por ora, é um arranjo bastante complexo. Nenhum nome palestino aparece nos conselhos superiores que foram apresentados.
Impasses permanecem
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado na segunda, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
— [Anunciar a comissão] pode refletir um desejo de mostrar progresso, dado que o avanço em outras frentes tem sido difícil — disse ao New York Times Michael Koplow, analista do Israel Policy Forum, um centro de pesquisa com sede em Nova York. — Parece, para mim, que muito disso é apenas para mostrar que estão fazendo alguma coisa.
Pós-cessar-fogo
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
Desde então, o Hamas intensificou a repressão a opositores e avançou para reforçar seu controle sobre Gaza. O grupo vem nomeando novos comandantes para substituir os que foram mortos e vem recompondo seus cofres com acesso a dinheiro armazenado em túneis, arrecadação de impostos e um novo fluxo de recursos do Irã, disseram as autoridades. Caso decida atacar novamente, analistas de segurança israelenses dizem que Israel pode optar por uma invasão em grande escala da Cidade de Gaza numa tentativa de forçar uma rendição rápida do Hamas, ou avançar de forma gradual, tomando o controle do território aos poucos.
Embora autoridades israelenses digam que não há previsões imediatas para uma incursão militar em Gaza sob controle do Hamas e que Israel está disposto a dar tempo para que o plano americano avance, os planos antecipados ao WSJ indicam a possibilidade de retomada dos combates. O movimento ocorre no momento em que o Estado judeu avalia uma nova rodada de confrontos com o grupo libanês Hezbollah e com o Irã, que estaria buscando reconstruir seu programa de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias em junho passado.
Analistas de segurança israelenses observam, no entanto, que Israel terá de decidir a quais frentes de batalha dará prioridade. Combater o Hamas agora seria mais fácil para Israel porque não há mais a preocupação com a segurança de reféns, afirmou ao WSJ Erez Winner, que ocupou um cargo sênior de planejamento nas Forças Armadas israelenses durante a maior parte da guerra em Gaza e hoje é pesquisador no Israel Centre for Grand Strategy. Israel também poderia oferecer segurança aos palestinos no lado de Gaza controlado pelo governo israelense.
O Hamas concordou, em princípio, com o desarmamento no âmbito do plano de paz de Trump, e caberá ao Conselho de Paz e ao governo tecnocrático palestino decidir o que constitui esse desarmamento — se ele inclui, por exemplo, armas leves — e como ele será implementado, segundo uma fonte familiarizada com o tema. Este não é, no entanto, o único ponto que deveria ter sido resolvido antes do avanço para a segunda etapa da proposta americana: Israel ainda não abriu a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, para permitir a entrada e saída de palestinos do enclave, e o corpo do último refém israelense morto que permanece em Gaza ainda não foi devolvido.
— Enquanto o Hamas continuar mantendo o controle da segurança, há limites para o que a comissão pode fazer — disse Ghaith al-Omari, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, acrescentando que os tecnocratas enfrentarão enorme pressão dos palestinos por avanços, que podem depender do afrouxamento, por Israel, das restrições à entrada de suprimentos no enclave. — Para que a comissão opere e ganhe alguma credibilidade, ele precisa entregar resultados. Não está claro para mim se os israelenses vão colaborar.
(Com agências internacionais)

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“Na mente romana, Roma era o centro indiscutível do mundo. No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Felipe, o Árabe) marchou para o leste contra a Pérsia, a campanha não resultou em vitória romana — terminou em uma paz estabelecida nos termos sassânidas: o imperador teve que chegar a um acordo!”, escreveu Baghaei em uma publicação na rede social X.
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O contexto narrado pelo porta-voz faz referência a uma guerra do século III entre o Império Romano e a Pérsia, na qual o imperador romano encerrou uma campanha militar com um acordo com os persas. A publicação parece ter sido a única declaração pública de um alto funcionário iraniano desde o anúncio de Trump.
Analistas pró-Irã e apoiadores do governo comemoraram o potencial acordo de paz com os EUA como uma vitória diplomática em publicações nas redes sociais, embora não haja confirmação de que tenha sido finalizado — e poucos detalhes tenham sido divulgados. Ainda assim, alguns iranianos elogiaram a liderança do país por sobreviver à guerra e evitar um conflito maior. Outros consideraram o acordo uma derrota para Trump.
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“Mantenham a cabeça erguida e orgulhem-se de fazer parte da nação Khamenei”, escreveu Eshan Salehi em uma publicação no X. “Aquele mesmo que disse que o Irã deveria se render esta noite, declarou com entusiasmo que está chegando a um acordo com a ‘República Islâmica do Irã’.”
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— Estávamos tentando decidir se deveríamos sair de Teerã caso as bombas caíssem novamente e comprando água e baterias — disse Nazanin, uma engenheira de 56 anos em Teerã. — Dei um grande suspiro de alívio. (Com NYT)
Uma forte mobilização policial e de segurança foi registrada na noite deste sábado nas proximidades da Casa Branca, em Washington, após relatos de disparos na região, segundo autoridades americanas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava na residência oficial no momento do incidente, enquanto participava de negociações sobre um possível acordo com o Irã.
A polícia isolou os acessos ao complexo da Casa Branca, enquanto tropas da Guarda Nacional bloquearam a entrada de áreas próximas no centro da capital americana. Em publicação na rede X, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que agentes da agência estavam no local para apoiar o Serviço Secreto na resposta aos disparos registrados perto da sede do governo americano.
Jornalistas que estavam no gramado norte da Casa Branca relataram ter sido orientados a correr e buscar abrigo na sala de imprensa após ouvirem uma sequência de tiros. A correspondente da ABC News Selina Wang gravava um vídeo para as redes sociais quando os disparos começaram e registrou o momento em que se joga no chão. “Pareciam dezenas de tiros”, escreveu a jornalista em sua conta nas redes sociais.
Um turista canadense que estava na região relatou à AFP ter ouvido entre 20 e 25 estampidos. “No começo parecia fogos de artifício, mas eram tiros, e então todo mundo começou a correr”, disse. Até o momento, não há relatos imediatos de feridos, e o Serviço Secreto informou que ainda reunia informações sobre o incidente.
O episódio ocorre em meio a um contexto de reforço da segurança em torno de Trump, que já foi alvo de outras ameaças recentes, enquanto autoridades seguem investigando as circunstâncias dos disparos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio havia sido “em grande parte negociado”, citando entre os termos acertados a reabertura do Estreito de Ormuz — principal rota naval para o escoamento da produção de petróleo e gás dos países produtores da região. A reabertura da via marítima estratégica não foi confirmada por fontes iranianas, que ainda não se pronunciaram oficialmente. Não há anuncio oficial até o momento.
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‘Imperador teve que chegar a um acordo!’: Porta-voz do Irã evoca história persa após fala de Trump sobre avanço em negociação
Autoridades americanas e iranianas se referiram mais cedo a negociações sobre um memorando de entendimento entre as partes, mediado pelo Paquistão. Trump afirmou que Ormuz seria reaberto, mas que os detalhes finais ainda estavam sendo definidos, e que portanto poderiam mudar. A mídia estatal iraniana classificou a declaração sobre o estreito como “falsas”, apontando que a concordância teria sido com a retomada de um tráfego naval compatível com o pré-guerra — o que não significa “livre passagem” como existia antes do conflito.
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Fontes ouvidas pela rede americana CNN apontaram que versões recentes do memorando discutido pelas partes incluíam entre seus pontos o fim das hostilidades com o Irã, uma reabertura gradual de Ormuz — incluindo o bloqueio americano aos portos iranianos — e o desbloqueio de parte dos bens de Teerã congelados em bancos no exterior. Fontes iranianas disseram que o valor chegaria a US$ 25 bilhões. Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o programa nuclear iraniano não estava nos termos.
O memorando também foi descrito por fontes com conhecimento das negociações como um ponto de partida, que daria início a um prazo de pelo menos 30 dias para a continuidade das negociações — enquanto três altos funcionários iranianos ouvidos pelo New York Times disseram que o prazo para discussões sobre os pontos de discórdia seria de até 60 dias.
Em meio a trégua: Irã acelera produção de drones e reconstrução de base industrial militar, aponta rede americana
As fontes iranianas afirmaram que o Irã concordou com um memorando de entendimento que cessaria as hostilidades, reabriria Ormuz e interromperia os combates em todas as frentes, inclusive no Líbano. Trump disse ter conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e se referiu ao diálogo como “muito bom”. O premier já afirmou publicamente ser contra o encerramento do conflito antes do fim da ameaça regional iraniana, mas autoridades do país não se manifestaram após os comentários do presidente americano.
Os funcionários, que falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações, disseram que mediadores paquistaneses e cataris facilitaram a elaboração do rascunho do acordo, mas não disseram se os termos aos quais se referiram eram o mesmo comentado por Trump. (Com NYT)
*Matéria em atualização

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