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A identidade do homem que morreu em um acidente de trabalho envolvendo equipamentos de confeitaria em Miami foi divulgada neste fim de semana. Mordehay Grunberger, de 71 anos, morreu após ficar preso em uma masseira industrial no South Florida Kosher Market, segundo informações das autoridades locais.
Avalanches matam cinco esquiadores fora de pista nos Alpes da Áustria
De acordo com investigadores ouvidos pela emissora Local10, o acidente ocorreu por volta das 4h da manhã (horário local) de sexta-feira (16). Grunberger não resistiu aos ferimentos. Funcionários do mercado se recusaram a comentar o caso, conforme noticiou a CBS Miami, e a explicação exata para a morte ainda não foi divulgada oficialmente.
Investigação e apuração das causas
A polícia informou que não há indícios de crime e que a morte aparenta ter sido acidental. A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (OSHA) foi acionada e conduz uma investigação no local. Peritos e o médico-legista permaneceram no mercado por horas após o ocorrido, que foi isolado com fitas de segurança e contou com forte presença policial.
Grunberger trabalhava havia muitos anos como padeiro no estabelecimento e era descrito, em um perfil público em rede social, como chef de confeitaria. A polícia de North Miami Beach afirmou que, até o momento, não há novas informações sobre as circunstâncias do acidente.
Em uma homenagem publicada nas redes sociais, a esposa, Inna Gastman Maor, expressou a dor pela perda do marido. “Hoje, meu amado marido Miki, a pessoa mais próxima da minha vida, meu melhor amigo e pai dos meus dois lindos filhos, faleceu tragicamente”, escreveu. Em outra mensagem, acrescentou: “Eu me perdi. Eu o amo muito. Ele é o amor da minha vida”.
Moradora de Cooper City, a cerca de 24 quilômetros do mercado, Inna compartilhava com frequência fotos e vídeos do casal, incluindo viagens pelo mundo. Menos de uma semana antes do acidente, ela publicou uma montagem com imagens ao lado do marido, embalada pela música Enjoy Every Moment, de Noa Belle.
Amigos e conhecidos também prestaram homenagens nas redes sociais, destacando a proximidade da família e o legado deixado por Grunberger.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca inicia neste domingo uma turnê pela Noruega, Reino Unido e Suécia, três aliados próximos e membros da OTAN, com o objetivo de reforçar a coordenação sobre a segurança na região do Ártico, informou sua pasta ministerial.
Lars Lokke Rasmussen chegará a Oslo neste domingo, antes de viajar na segunda-feira a Londres e na quinta-feira a Estocolmo.
A visita ocorre em um contexto de crescente tensão, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a vários países europeus por sua recusa às suas aspirações de assumir o controle da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês.
Trump também acusou esses Estados — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia — de participar de um “jogo muito perigoso” após o envio de um pequeno contingente militar à ilha para preparar futuros exercícios em condições de frio extremo.
Em um comunicado, Rasmussen ressaltou que, “em um mundo instável e imprevisível, a Dinamarca precisa de aliados próximos” e destacou que os países nórdicos e europeus compartilham a convicção de que a OTAN deve reforçar seu papel no Ártico.
Enquanto isso, os embaixadores da União Europeia estão previstos para se reunir com caráter de urgência neste domingo em Bruxelas, e o presidente francês, Emmanuel Macron, manterá conversas com outros líderes europeus diante de uma crise sem precedentes entre membros da Aliança.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, decretou na madrugada deste domingo estado de catástrofe em duas regiões do sul do país devido aos incêndios florestais que afetam a zona e provocaram a evacuação de cerca de 20 mil pessoas.
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Brigadistas florestais combatem 19 incêndios em todo o país, 12 deles nas regiões de Ñuble e Biobío, a aproximadamente 500 quilômetros ao sul de Santiago.
“Diante dos graves incêndios em andamento, decidi declarar estado de catástrofe nas regiões de Ñuble e Biobío. Todos os recursos estão disponíveis”, informou o mandatário em uma publicação no X.
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Ainda não há um informe sobre possíveis vítimas ou residências afetadas. Vídeos nas redes sociais mostram o avanço das chamas nas regiões de Ñuble e Biobío.
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De acordo com imagens divulgadas pela televisão local, as chamas atingiram zonas povoadas, especialmente nos municípios de Penco e Lirquén, na região de Biobío, onde vivem cerca de 60 mil pessoas. Também foram registrados carros queimados nas ruas.
“A zona de Penco e todo o setor de Lirquén é a mais crítica e onde foram realizadas mais evacuações. Calculamos que cerca de 20 mil pessoas foram evacuadas”, declarou Alicia Cebrián, diretora do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred), em entrevista ao canal Mega.
Nos últimos anos, os incêndios florestais têm afetado fortemente o país, especialmente na zona centro-sul.
Em 2 de fevereiro de 2024, vários incêndios eclodiram simultaneamente nos arredores da cidade de Viña del Mar, 110 km a noroeste de Santiago. O sinistro causou 138 mortes, segundo dados atualizados do Ministério Público. Além disso, 16 mil pessoas foram afetadas pelos incêndios, de acordo com números oficiais.
Cinco esquiadores que praticavam off-piste — fora das áreas sinalizadas — morreram após duas avalanches registradas nos Alpes Austríacos, em meio a fortes nevascas que atingem a região. Os acidentes ocorreram no distrito de Pongau, próximo a Salzburgo, segundo autoridades locais de resgate em montanha.
No episódio mais grave, uma avalanche atingiu um grupo de sete esquiadores na tarde de sábado. Quatro pessoas morreram no local e uma ficou gravemente ferida. O serviço de resgate foi acionado por volta das 14h no horário local (13h em Brasília). As vítimas foram encontradas soterradas pela neve, e as equipes enfrentaram condições adversas para o resgate.
Cerca de uma hora e meia antes, outra avalanche na mesma região havia soterrado uma esquiadora em terreno alpino aberto. Ela não resistiu aos ferimentos, elevando para cinco o número de mortos apenas neste sábado.
— Nossas mais profundas condolências às famílias. Essa tragédia demonstra de forma dolorosa o quão grave é a atual situação de risco de avalanches — afirmou Gerhard Kremser, chefe distrital do serviço de resgate em montanha de Pongau.
Segundo as autoridades, outras avalanches foram registradas ao longo do dia na região, mas sem deixar feridos. Ainda assim, o alerta permanece elevado devido à combinação de neve recente, vento forte e instabilidade do terreno.
Os acidentes se somam a uma série de ocorrências fatais nos Alpes nos últimos dias. Na terça-feira, um adolescente tcheco de 13 anos morreu ao ser atingido por uma avalanche enquanto esquiava em Bad Gastein. No domingo anterior, um esquiador de 58 anos morreu em Weerberg, no oeste da Áustria.
Os restos de um raro “super navio” medieval foram descobertos na costa da Dinamarca e já são considerados um marco da arqueologia marítima. Trata-se da maior coca — principal embarcação de carga da Idade Média — já encontrada no mundo, com cerca de 28 metros de comprimento, nove metros de largura e capacidade estimada para transportar até 300 toneladas de mercadorias. O navio tem aproximadamente 600 anos e data do início do século XV.
Batizado de Svælget 2, em referência ao canal onde foi localizado, o naufrágio está excepcionalmente bem preservado graças a uma camada de areia que o manteve protegido das correntes e da ação do tempo, a uma profundidade de 13 metros. A conservação permitiu identificar detalhes estruturais raramente observados, como vestígios do cordame e as extensas ruínas de um castelo de popa — uma espécie de convés coberto que oferecia abrigo à tripulação.
Vida a bordo e avanços tecnológicos
Durante as escavações, mergulhadores encontraram objetos pessoais como pratos de madeira pintados, sapatos, pentes e terços, além de utensílios domésticos, oferecendo um retrato direto do cotidiano dos marinheiros no século XV. Também foram identificados restos de provisões, como peixe e carne, e peças de madeira finamente cortadas que podem ter sido usadas na preparação de bacalhau seco.
Uma das descobertas mais surpreendentes foi a cozinha de tijolos do navio, considerada a mais antiga desse tipo já encontrada em águas dinamarquesas. Composta por cerca de 200 tijolos e 15 telhas, a estrutura permitia cozinhar em fogo aberto. No local, arqueólogos localizaram panelas de bronze, tigelas de cerâmica e utensílios de mesa. Segundo o líder da escavação, Otto Uldum, do Museu de Navios Vikings, a presença da galera indica um nível de conforto e organização incomum para a época, aproximando a alimentação a bordo da rotina em terra firme.
Uma panela encontrada nos destroços de um navio medieval. Especialistas descreveram a descoberta como um “marco para a arqueologia marítima”
Divulgação/Viking Ship Museum
“A descoberta é um marco para a arqueologia marítima. É a maior coca que conhecemos e nos dá uma oportunidade única de entender tanto a construção quanto a vida a bordo dos maiores navios mercantes da Idade Média”, afirmou Uldum. Ele destacou ainda que os castelos — plataformas de madeira nas extremidades do navio — eram conhecidos apenas por ilustrações históricas e nunca haviam sido documentados arqueologicamente.
Especialistas explicam que as cocas eram embarcações eficientes, capazes de transportar grandes volumes de carga com tripulações relativamente pequenas. Esses navios eram fundamentais nas rotas comerciais que ligavam a atual Holanda, contornavam a região de Skagen e seguiam pelo Estreito de Øresund até as cidades do Mar Báltico.
Mergulhadores descobriram até mesmo pratos de madeira pintados, sapatos, pentes e terços, oferecendo um vislumbre da vida da tripulação a bordo
Divulgação/Viking Ship Museum
Apesar da dimensão do navio, nenhum vestígio direto da carga foi encontrado. Os pesquisadores acreditam que mercadorias como sal, tecidos ou madeira teriam se dispersado no momento do naufrágio, já que o porão não era coberto. A ausência de lastro sugere que o Svælget 2 estava carregado até o limite, reforçando sua função estritamente mercante, sem indícios de uso militar.
Os componentes do navio passam agora por um processo de conservação no Museu Nacional de Brede. Para Uldum, o achado confirma que as cocas podiam atingir proporções muito maiores do que se imaginava. “O Svælget 2 nos oferece uma peça tangível do quebra-cabeça e ajuda a entender como tecnologia e sociedade evoluíram juntas em uma época em que o transporte marítimo era a espinha dorsal do comércio internacional”, concluiu.
A União Europeia fará uma reunião de emergência neste domingo (18) para discutir as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os países que apoiaram a Groenlândia diante das ameaças americanas.
No sábado, Trump anunciou que vai taxar em 10%, a partir de 1º de fevereiro, produtos de países europeus que se uniram em apoio à Groenlândia diante das ameaças do republicano de anexar o território semiautônomo dinamarquês. Trump acrescentou que as tarifas aumentariam para 25% a menos que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia”.
“Integridade territorial e soberania são princípios fundamentais da lei internacional. Eles são essenciais para a Europa e para a comunidade internacional como um todo”, afirmaram António Costa e Ursula von der Leyen, líderes do Conselho Europeu, em um comunicado oficial. “As tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma espiral descendente perigosa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida com a defesa de sua soberania.”
A reunião entre os representantes dos 27 países da União Europeia vai acontecer no Chipre, às 17h (12h, no horário de Brasília).
Em seu retorno ao poder, Donald Trump investiu muito mais na redefinição da política externa dos Estados Unidos do que o previsto. Eleito por uma coalizão conservadora com base isolacionista, no primeiro ano do Trump 2.0 o republicano bombardeou o Irã e alvos do Estado Islâmico. Na América Latina, pairou em pleitos na Argentina, Chile, Bolívia e Honduras, questionou decisões do Judiciário brasileiro, atacou embarcações no Caribe e no Pacífico que causaram a morte de ao menos 107 pessoas e, no último dia 3, ordenou a captura cinematográfica do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, presos em Nova York, acusados de narcoterrorismo.
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O ataque inédito de Washington a um país sul-americano não foi precedido por consultas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas ou ao Capitólio. Após comunicar que gerenciaria Caracas de Washington, Trump já ameaçou Cuba, Colômbia, México, Groenlândia e Irã. Ao New York Times, o presidente dos EUA, que na terça-feira completa um ano de seu segundo mandato e acaba de anunciar a retirada do país de 66 organismos internacionais, sintetizou seu desdém pelo multilateralismo: “Não preciso do direito internacional”.
Pesquisador-chefe da ONG Centro de Ética e Políticas Públicas, Henry Olsen destacou ao The Guardian o peso das movimentações além-fronteira de Washington: “Não esperava que o Trump 2.0 fosse mais definido pela seara externa do que pela interna. Foi o caso.” Ao GLOBO, Michael Montgomery, catedrático da Universidade de Michigan-Dearborn, destacou o maior protagonismo do secretário de Estado, Marco Rubio, com consequências diretas para a América Latina.
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Foi o ex-senador descendente de cubanos, defende Montgomery, quem avançou mais casas no Trump 2.0, com força consolidada após o anúncio, mês passado, da nova Estratégia de Segurança Nacional. Com o corolário Trump à Doutrina Monroe, a da “América para os americanos”, o documento, apelidado de Doutrina Donroe, redireciona a atenção militar e econômica dos EUA para o Hemisfério Ocidental, o que foi posto à prova com sucesso, pela ótica da Casa Branca, na captura de Maduro e Flores.
Rubio, que acumula o comando da diplomacia americana com o Conselho de Segurança Nacional, foi central na argumentação, sem provas, de que os ataques na região são respostas ao tráfico de drogas e à imigração ilegal para os EUA, demandas da Justiça americana. A apresentação de um esboço de plano pós-Maduro que prioriza a exploração econômica, com o chavismo no poder, e deixa como coadjuvante a redemocratização da Venezuela, enfatiza o contraste entre o realismo predador trumpista e as custosas ocupações de Iraque e Afeganistão, condenadas pelo movimento Façam os EUA Grandes Novamente (Maga, na sigla em inglês).
– Se alguém saiu mais forte no primeiro ano do Trump 2.0, foi Rubio — afirmou o acadêmico.
Veja, abaixo, as principais características da política externa do republicano no primeiro ano do segundo mandato.
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UM ANO DE TRUMP 2.0 NO MUNDO

UNILITERALISMO E ZONAS DE INFLUÊNCIA
A política externa do Trump 2.0 abandonou a ordem global cristalizada após o fim da Segunda Guerra Mundial, da qual os EUA foram os principais beneficiários. A maior potência militar do planeta estende o conceito de “America first” para o Hemisfério Ocidental e favorece o estabelecimento de zonas de influência globais, com China e Rússia menos pressionadas em suas vizinhanças. Multiplicam-se riscos de conflitos sem mediação da ONU.

DOUTRINA DONROE
Washington busca impedir potências rivais de controlar “ativos estratégicos”, “infraestrutura crítica” e “militar” nas Américas, em recado à China. Os planejamentos militar e econômico para a região foram reestruturados e a formulação posta em prática, com ataques no Caribe, no Pacífico e à Venezuela, com legalidade contestada internamente e no direito internacional. A queda de Maduro e o controle do país por coerção, com a manutenção do comando chavista, explicitou o método encontrado para justificar a intervenção aos eleitores americanos. Sai a construção da democracia, bandeira neoconservadora, entram a exploração do petróleo e demais riquezas em benefício dos americanos e o combate à entrada de drogas e imigrantes em situação irregular nos EUA. Assume-se a posição de xerife das Américas, com adversários locais, como Cuba e Nicarágua, e países com a presença do narcotráfico, entre eles México e Colômbia, como alvos prioritários.
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BRASIL E TARIFAÇOS
Brasília penou para estabelecer diálogo com a diplomacia pouco convencional do Trump 2.0 e levar a discussão dos tarifaços para a realidade econômica, com o superávit americano na balança comercial. Para driblar a tentativa de interferência de Washington em decisões do Supremo Tribunal Federal que puniram o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e as que miram a regulamentação das big tech americanas, foram centrais as movimentações de ministros e empresários dos dois países. Para se reverter a penalização, que chegou a 50%, também ajudou o encontro “com química” entre os presidentes Trump e Lula na Assembleia-Geral da ONU. Mas o ataque à Venezuela e o dar de ombros ao multilateralismo, que incluiu o boicote à COP30, sediada em Belém, foram condenados pelo Brasil, que só tem a perder em um mundo regido pela lei do mais forte.
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EUROPA E OTAN
Apresentada como “continente em decadência” na Estratégia de Segurança Nacional, a Europa termina o primeiro ano do Trump 2.0 com outra dor de cabeça — a obsessão de Washington em anexar a Groenlândia, território associado à Dinamarca, membro da Otan, rico em minerais e terras raras. Escanteada pelo republicano nas negociações sobre a invasão russa da Ucrânia, que completará quatro anos em fevereiro, coagida em diminuir a dependência militar dos EUA, a União Europeia teve como ponto positivo o avanço, após 25 anos, do Tratado de Livre Comércio com o Mercosul, respiro ao unilateralismo trumpista.

UCRÂNIA E RÚSSIA
As negociações entre Kiev e Moscou intermediadas por Washington tiveram como efeito prático o reposicionamento de Vladimir Putin no tabuleiro global. O russo foi recebido com tapete vermelho no Alasca e o plano de paz elaborado pelo Trump 2.0 favorece os invasores, com perda territorial da Ucrânia, indefinição sobre a segurança do país após o cessar-fogo e desatenção aos 20 mil menores capturados pela Rússia. Humilhado publicamente por Trump em reunião na Casa Branca, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelesnky, quer debate direto com Putin sobre temas delicados, entre eles a administração da usina nuclear de Zaporíjia.

ORIENTE MÉDIO
Maior tento diplomático do Trump 2.0, que lhe fez demandar o Prêmio Nobel da Paz, o cessar-fogo em Gaza foi assinado em outubro do ano passado após a devastação do enclave. Desde o ataque do Hamas, que deixou quase matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 em outubro de 2023, mais de 71 mil palestinos padeceram na investida israelense. Milhares ainda passam fome. O governo Trump conseguiu, após o ataque de Israel a líderes do Hamas no Catar, agilizar a troca de reféns, prisioneiros e restos mortais, diminuir a intensidade do conflito e aumentar a ajuda humanitária. Mas não houve avanço para uma paz duradoura. Em junho, Washington ajudou Israel na guerra do aliado com o Irã e bombardeou o país, em ataque celebrado pela Casa Branca como cirúrgico, com a alegada destruição do aparato nuclear do rival. Trump ameaça intervir novamente para apoiar os manifestantes antigoverno.
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CHINA
Maior competidor do Trump 2.0, Pequim enfrentou o tarifaço sem baixar a cabeça e aproveitou o vácuo global do “America first” para aprovar tratados de livre comércio e defender a globalização, apresentando-se como parceira confiável em oposição à imprevisibilidade de Washington. Os EUA disputam com a China os avanços em tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, mas, com a lupa posicionada para o controle do mercado de petróleo, oferecem ao rival a liderança na transformação energética, crucial para a América Latina. O ataque à Venezuela abriu precedente perigoso para eventual invasão chinesa a Taiwan, estratégica por sua dominação na fabricação de semicondutores avançados.

Embora os atuais protestos no Irã venham sendo tratados como o maior desafio interno ao regime dos aiatolás em anos, a professora iraniana Sara Bazoobandi aponta as manifestações como o episódio mais recente de um movimento de insatisfação mais longo e com raízes profundas no país. Em entrevista ao GLOBO, a doutora em Economia Política do Oriente Médio pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, e pesquisadora não-residente do Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha, afirmou que a insatisfação doméstica é uma ameaça real à Revolução Islâmica, mas que a expertise de repressão do regime teocrático — enfraquecido pelos golpes desferidos por EUA e Israel no ano passado — ainda é uma barreira para a população civil. Leia a entrevista:
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O regime iraniano corre risco real de cair com os protestos?
O regime corre risco de ser deposto, mas talvez não imediatamente. Quando eu falo com iranianos que estão nas ruas agora, e estiveram nas ruas em 2019, eles me dizem que todo mundo está contando os dias desde aquele levante, e que já percorreram um longo caminho. Tem sido uma longa batalha. Esse pode não ser o último episódio, mas se a República Islâmica permanecer como está, com todas as suas estratégias domésticas e internacionais, certamente é uma bomba-relógio prestes a explodir. Quando isso vai acontecer? Não faço ideia.
O que torna o regime iraniano tão resistente a contestações internas e por que é tão difícil vermos deserções entre forças de segurança e no governo?
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Violência e morte. Se você analisar o histórico do regime, não há um único meio violento que eles [líderes iranianos] não tenham explorado. Eles atiraram nos olhos de pessoas, torturaram, prenderam, executaram, estupraram, mataram, fizeram de tudo. Enquanto estiverem dispostos a usar todos esses meios indefinidamente e sem limites, provavelmente permanecerão no poder. Foi assim que Bashar al-Assad e seu pai se mantiveram no poder na Síria por muito tempo.
Qual foi o impacto dos ataques americanos e israelenses no ano passado sobre o regime? É possível dizer que eles enfraqueceram o Irã internamente e externamente?
O impacto da guerra entre Israel, EUA e Irã em junho foi realmente imenso. Muitas das pessoas que estão nas ruas protestando contra o governo agora, acreditaram na época dos ataques que eles iriam derrubar o regime. Os bombardeios expuseram a fragilidade do regime: Embora se mantenha “poderoso” frente a civis desarmados, regime é extremamente fraco contra potências globais. Portanto, esse episódio realmente destacou a fragilidade do regime e encorajou os dissidentes iranianos a irem às ruas desta vez.
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Alguns analistas argumentam que o nível da repressão é uma tentativa de um regime enfraquecido demonstrar força. Você concorda com essa linha de raciocínio?
Sim, eu concordo totalmente. Eu acredito que o regime é consciente de suas fragilidades e que está a par de que perdeu completamente sua legitimidade. Entretanto, o regime tem 14 anos de experiência na Síria. Bashar al-Assad controlou metade do país e incendiou a outra metade. A República Islâmica está disposta a matar até o último manifestante, o último iraniano que se oponha a ela dentro e fora do Irã. E enquanto estiver disposta a fazer isso, derrubá-la sem qualquer tipo de poder externo será muito difícil.
Sara Bazoobandi, pesquisadora não-residente do Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha
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O presidente dos EUA, Donald Trump, está ameaçando tomar medidas contra o Irã. Existe alguma possibilidade real de ele impor uma mudança de regime ou reformas?
É muito difícil entender o que Trump realmente pretende fazer. Ele é um mestre em dar sinais contraditórios. O que posso dizer é que não consigo prever se haverá alguma ação militar aprovada pelo governo dos EUA nos próximos dias, algo que muitas pessoas começaram a especular. Por outro lado, Trump parece muito determinado a pressionar o governo iraniano, e parece estar funcionando. Em uma entrevista recente concedida pelo ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, ele basicamente afirmou que não haverá execuções. É um sinal do impacto real e rápido da estratégia de Trump. O que vem depois disso não está claro. Os EUA têm algum plano para algum grupo específico dentro da oposição iraniana ou estão abertos a todas as possibilidades? Eu realmente não sei.
Qual seria o impacto para o Irã se os EUA lançassem uma operação similar a que ocorreu na Venezuela contra Nicolás Maduro, mas tendo o aiatolá Ali Khamenei como alvo?
Para ser honesta, [o cenário] Maduro é o meu maior pesadelo, pessoalmente, porque mesmo que ele tenha sido capturado e a operação que levou à captura seja impressionante ao extremo, qual foi o impacto para os venezuelanos comuns? Qual foi o impacto para a economia ou para o sistema político da Venezuela? Isso levou ou está levando o país para uma democracia? Tudo isso ainda está para ser visto, mas se os EUA fizerem no Irã o mesmo que na Venezuela e levarem o Líder Supremo, o presidente ou mesmo alguns líderes da Guarda Revolucionária, se o sistema permanecer intacto, isso não vai ser uma vitória para o povo do Irã.
Por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022?
Por que alguns rivais regionais do Irã, como a Arábia Saudita, temem uma ação contra o Irã neste momento?
Eles fizeram o mesmo da última vez. Os cataris salvaram o governo iraniano em junho, intermediaram o fim da crise entre Teerã e Washington. Há várias razões para isso, mas se você perguntar a cidadãos iranianos comuns porque os sauditas, os emiratis e os cataris estão intermediando para manter a República Islâmica no Irã, eles dirão que é porque não querem ver um Irã próspero e livre. Se você perguntar aos próprios formuladores de políticas no Golfo, eles dirão: “Não precisamos de mais crises, não precisamos de mais desestabilização”. Acontece que o que está completamente ausente em tudo isso é a atuação do povo iraniano. Foram eles que iniciaram esta revolta, e são eles que querem ver a República Islâmica desaparecer. Infelizmente, parece que chegaram a mais um beco sem saída, e a decisão final está fora de seu alcance.
Alguma facção da oposição ou ramo do governo tem capacidade para assumir o poder após um possível colapso e mudar a estrutura do regime?
Sim. Há uma luta interna pelo poder há muito tempo, ao longo dos últimos anos. As partes têm capacidade para assumir o poder político, mas nenhuma das pessoas do atual governo inspira confiança nos manifestantes, e nenhuma delas parece disposta a promover mudanças ou reformas significativas. Se alguém de dentro do sistema assumisse o poder, teríamos uma República Islâmica 2.0. Seria a mesma coisa de sempre, apenas com um grupo de pessoas ligeiramente diferente, e não é isso que os manifestantes querem.
Fósseis revelam que o acasalamento entre algumas espécies de dinossauros era tão violento que resultava em fraturas ósseas. É o que aponta um estudo publicado na revista científica iScience, segundo o qual as evidências deixadas por esses animais pré-históricos indicam relações literalmente de quebrar ossos.
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O foco da pesquisa é o Olorotitan, dinossauro herbívoro de bico de pato que podia alcançar cerca de oito metros de comprimento e pesar aproximadamente três toneladas. Ao analisar restos esqueléticos da espécie, paleontólogos encontraram repetidamente um número elevado de ossos quebrados e vértebras fraturadas sobrepostas à região da cauda.
Esses grandes herbívoros, conhecidos por mandíbulas potentes e dentes próprios para triturar plantas, eram comuns no período Cretáceo Superior, entre 66 milhões e 100 milhões de anos atrás. Também exibiam cristas chamativas na cabeça, que, segundo especialistas, funcionavam como adornos para atrair parceiros.
Estrutura óssea do Olorotitan
Reprodução: Acta Palaentologica Polonica
Inicialmente, os cientistas levantaram a hipótese de que as fraturas seriam resultado de brigas ou do deslocamento em grandes bandos. Com o surgimento de novas evidências, porém, a equipe concluiu que os danos compartilhavam uma origem diferente — e ligada ao comportamento reprodutivo.
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Em 2019, o paleontólogo Filippo Bertozzo, do Instituto de Ciências Naturais de Bruxelas, viajou ao Museu Paleontológico de Blagoveshchensk, na Rússia, para examinar ossos do dinossauro quando notou lesões incomuns, segundo a revista National Geographic. “Quando percebi o que tinha diante de mim, dei um grito de alegria”, afirmou Bertozzo, autor principal do estudo.
Ele já havia observado fraturas semelhantes em outras pesquisas e na literatura científica, especialmente vértebras quebradas próximas aos quadris dos hadrossauros. A análise detalhada confirmou uma teoria que já circulava entre os pesquisadores: as fraturas teriam sido causadas pelos métodos brutais de acasalamento, quando um animal montava o outro.
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A forma como os dinossauros conseguiam se reproduzir sempre foi um enigma para a ciência. “Não existem outros animais vivos com uma cauda como a dos hadrossauros, uma cauda grande, longa e musculosa, mantida alta e horizontal em relação ao solo”, explicou Bertozzo.
Esses animais possuíam uma única abertura reprodutiva, chamada cloaca, usada para digestão, eliminação de resíduos e reprodução — uma estrutura ainda presente nos répteis atuais. Para copular, macho e fêmea precisavam alinhar perfeitamente essas aberturas, o que exigia contato corporal intenso. Com as caudas rígidas e erguidas, o peso e a pressão envolvidos tornavam o ato propenso a causar traumas severos em um ou em ambos os indivíduos.
Os ossos se regeneravam naturalmente com o teAcasalamento à força: fósseis indicam que dinossauros quebravam ossos durante o sexompo — até a temporada seguinte de acasalamento. Segundo especialistas, esses dinossauros viviam entre 10 e 20 anos.
Apesar da violência do ato em si, os pesquisadores destacam que o ritual de cortejo era elaborado. De acordo com a National Geographic, os animais realizavam danças complexas para impressionar possíveis parceiros. Arranhões preservados em rochas antigas indicam que eles se reuniam em arenas de cortejo, raspando o solo em exibições rituais — uma espécie de pista de dança pré-histórica.
Os parlamentares da União Europeia estão prestes a suspender a aprovação do acordo comercial da UE com os EUA devido à promessa do presidente Donald Trump de impor tarifas aos países que apoiaram a Groenlândia diante das ameaças americanas.
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Manfred Weber, presidente do Partido Popular da Europa (PPE), o maior grupo político do Parlamento Europeu, afirmou neste sábado que um acordo com os EUA já não é mais possível.
“O PPE é a favor do acordo comercial UE-EUA, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível nesta fase”, publicou Weber nas redes sociais, acrescentando que o acordo para reduzir as tarifas sobre “produtos americanos deve ser suspenso”.
O acordo comercial entre a UE e os EUA, que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, firmou com Trump no verão passado, já foi parcialmente implementado, mas ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. Se os representantes do PPE se unirem a grupos políticos de esquerda, é provável que tenham votos suficientes para atrasar ou bloquear a aprovação.
O acordo comercial estabeleceu uma tarifa americana de 15% para a maioria dos produtos da UE em troca da promessa europeia de eliminar as tarifas sobre produtos industriais americanos e alguns produtos agrícolas. Von der Leyen, que supervisiona as negociações comerciais para a UE, fechou o acordo na esperança de evitar uma guerra comercial declarada com Trump.
Uma ala vocal de parlamentares da UE há muito critica o acordo, argumentando que ele era demasiadamente desequilibrado a favor dos EUA. Essa indignação aumentou depois que os EUA ampliaram a tarifa de 50% sobre aço e alumínio para centenas de outros produtos da UE após o acordo de julho.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, criticou a UE no mês passado por não cumprir certos aspectos do acordo, particularmente no que diz respeito à regulamentação das empresas de tecnologia pelo bloco.
No sábado, Trump anunciou que vai taxar em 10%, a partir de 1º de fevereiro, produtos de países europeus que se uniram em apoio à Groenlândia diante das ameaças do republicano de anexar o território semiautônomo dinamarquês. Trump acrescentou que as tarifas aumentariam para 25% a menos que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia”.
O anúncio provocou uma rápida repreensão dos líderes europeus, que estão definindo os próximos passos. Von der Leyen afirmou em comunicado que “as tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou as ameaças de Trump como “inaceitáveis”.
Em consequência das últimas medidas, a aprovação do acordo comercial UE-EUA tornou-se mais complicada.
“É evidente que a soberania nacional de qualquer país precisa ser respeitada por todos os parceiros do acordo comercial”, disse Bernd Lange, presidente de longa data da comissão de comércio do Parlamento Europeu, que ajuda a supervisionar a discussão sobre a ratificação do acordo comercial, em entrevista esta semana.
Após o anúncio de Trump, Lange publicou nas redes sociais que o trabalho de implementação do acordo comercial com os EUA deveria ser suspenso até que as ameaças de Trump cessassem. Ele também pediu que a UE utilizasse seu instrumento anticoerção (ACI), a ferramenta retaliatória comercial mais poderosa do bloco.
O ACI, que nunca foi utilizado, foi concebido principalmente como um mecanismo de dissuasão e, se necessário, para responder a ações coercitivas deliberadas de países terceiros que utilizam medidas comerciais como meio de pressionar as escolhas políticas da UE ou dos seus membros.
Essas medidas podem incluir tarifas, novos impostos sobre empresas de tecnologia ou restrições específicas a investimentos na UE. Também podem envolver a limitação do acesso a certas partes do mercado da UE ou a restrição da participação de empresas em licitações para contratos públicos na Europa.
O parlamento está em compasso de espera há dias. Os membros da comissão de comércio de Lange reuniram-se na quarta-feira para uma discussão inicial sobre a possibilidade de vincular a soberania da Groenlândia ao acordo comercial com os EUA e decidiram voltar a reunir-se na próxima semana.
Per Clausen, eurodeputado dinamarquês do partido A Esquerda, reuniu 30 assinaturas para uma carta enviada na quarta-feira aos líderes do Parlamento instando-os a “congelar” o acordo comercial “enquanto as reivindicações sobre a Groenlândia e as ameaças continuarem por parte da administração dos EUA”.
“Seria extremamente estranho se celebrássemos um acordo com os EUA agora”, disse Clausen em entrevista. “Isso seria um sinal claro de que, da parte da UE, estamos preparados para usar os instrumentos que temos em relação aos EUA, caso eles continuem com sua agressão.

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