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Embora os atuais protestos no Irã venham sendo tratados como o maior desafio interno ao regime dos aiatolás em anos, a professora iraniana Sara Bazoobandi aponta as manifestações como o episódio mais recente de um movimento de insatisfação mais longo e com raízes profundas no país. Em entrevista ao GLOBO, a doutora em Economia Política do Oriente Médio pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, e pesquisadora não-residente do Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha, afirmou que a insatisfação doméstica é uma ameaça real à Revolução Islâmica, mas que a expertise de repressão do regime teocrático — enfraquecido pelos golpes desferidos por EUA e Israel no ano passado — ainda é uma barreira para a população civil. Leia a entrevista:
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O regime iraniano corre risco real de cair com os protestos?
O regime corre risco de ser deposto, mas talvez não imediatamente. Quando eu falo com iranianos que estão nas ruas agora, e estiveram nas ruas em 2019, eles me dizem que todo mundo está contando os dias desde aquele levante, e que já percorreram um longo caminho. Tem sido uma longa batalha. Esse pode não ser o último episódio, mas se a República Islâmica permanecer como está, com todas as suas estratégias domésticas e internacionais, certamente é uma bomba-relógio prestes a explodir. Quando isso vai acontecer? Não faço ideia.
O que torna o regime iraniano tão resistente a contestações internas e por que é tão difícil vermos deserções entre forças de segurança e no governo?
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Violência e morte. Se você analisar o histórico do regime, não há um único meio violento que eles [líderes iranianos] não tenham explorado. Eles atiraram nos olhos de pessoas, torturaram, prenderam, executaram, estupraram, mataram, fizeram de tudo. Enquanto estiverem dispostos a usar todos esses meios indefinidamente e sem limites, provavelmente permanecerão no poder. Foi assim que Bashar al-Assad e seu pai se mantiveram no poder na Síria por muito tempo.
Qual foi o impacto dos ataques americanos e israelenses no ano passado sobre o regime? É possível dizer que eles enfraqueceram o Irã internamente e externamente?
O impacto da guerra entre Israel, EUA e Irã em junho foi realmente imenso. Muitas das pessoas que estão nas ruas protestando contra o governo agora, acreditaram na época dos ataques que eles iriam derrubar o regime. Os bombardeios expuseram a fragilidade do regime: Embora se mantenha “poderoso” frente a civis desarmados, regime é extremamente fraco contra potências globais. Portanto, esse episódio realmente destacou a fragilidade do regime e encorajou os dissidentes iranianos a irem às ruas desta vez.
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Alguns analistas argumentam que o nível da repressão é uma tentativa de um regime enfraquecido demonstrar força. Você concorda com essa linha de raciocínio?
Sim, eu concordo totalmente. Eu acredito que o regime é consciente de suas fragilidades e que está a par de que perdeu completamente sua legitimidade. Entretanto, o regime tem 14 anos de experiência na Síria. Bashar al-Assad controlou metade do país e incendiou a outra metade. A República Islâmica está disposta a matar até o último manifestante, o último iraniano que se oponha a ela dentro e fora do Irã. E enquanto estiver disposta a fazer isso, derrubá-la sem qualquer tipo de poder externo será muito difícil.
Sara Bazoobandi, pesquisadora não-residente do Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha
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O presidente dos EUA, Donald Trump, está ameaçando tomar medidas contra o Irã. Existe alguma possibilidade real de ele impor uma mudança de regime ou reformas?
É muito difícil entender o que Trump realmente pretende fazer. Ele é um mestre em dar sinais contraditórios. O que posso dizer é que não consigo prever se haverá alguma ação militar aprovada pelo governo dos EUA nos próximos dias, algo que muitas pessoas começaram a especular. Por outro lado, Trump parece muito determinado a pressionar o governo iraniano, e parece estar funcionando. Em uma entrevista recente concedida pelo ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, ele basicamente afirmou que não haverá execuções. É um sinal do impacto real e rápido da estratégia de Trump. O que vem depois disso não está claro. Os EUA têm algum plano para algum grupo específico dentro da oposição iraniana ou estão abertos a todas as possibilidades? Eu realmente não sei.
Qual seria o impacto para o Irã se os EUA lançassem uma operação similar a que ocorreu na Venezuela contra Nicolás Maduro, mas tendo o aiatolá Ali Khamenei como alvo?
Para ser honesta, [o cenário] Maduro é o meu maior pesadelo, pessoalmente, porque mesmo que ele tenha sido capturado e a operação que levou à captura seja impressionante ao extremo, qual foi o impacto para os venezuelanos comuns? Qual foi o impacto para a economia ou para o sistema político da Venezuela? Isso levou ou está levando o país para uma democracia? Tudo isso ainda está para ser visto, mas se os EUA fizerem no Irã o mesmo que na Venezuela e levarem o Líder Supremo, o presidente ou mesmo alguns líderes da Guarda Revolucionária, se o sistema permanecer intacto, isso não vai ser uma vitória para o povo do Irã.
Por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022?
Por que alguns rivais regionais do Irã, como a Arábia Saudita, temem uma ação contra o Irã neste momento?
Eles fizeram o mesmo da última vez. Os cataris salvaram o governo iraniano em junho, intermediaram o fim da crise entre Teerã e Washington. Há várias razões para isso, mas se você perguntar a cidadãos iranianos comuns porque os sauditas, os emiratis e os cataris estão intermediando para manter a República Islâmica no Irã, eles dirão que é porque não querem ver um Irã próspero e livre. Se você perguntar aos próprios formuladores de políticas no Golfo, eles dirão: “Não precisamos de mais crises, não precisamos de mais desestabilização”. Acontece que o que está completamente ausente em tudo isso é a atuação do povo iraniano. Foram eles que iniciaram esta revolta, e são eles que querem ver a República Islâmica desaparecer. Infelizmente, parece que chegaram a mais um beco sem saída, e a decisão final está fora de seu alcance.
Alguma facção da oposição ou ramo do governo tem capacidade para assumir o poder após um possível colapso e mudar a estrutura do regime?
Sim. Há uma luta interna pelo poder há muito tempo, ao longo dos últimos anos. As partes têm capacidade para assumir o poder político, mas nenhuma das pessoas do atual governo inspira confiança nos manifestantes, e nenhuma delas parece disposta a promover mudanças ou reformas significativas. Se alguém de dentro do sistema assumisse o poder, teríamos uma República Islâmica 2.0. Seria a mesma coisa de sempre, apenas com um grupo de pessoas ligeiramente diferente, e não é isso que os manifestantes querem.

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A Rússia atacou a Ucrânia com 600 drones e 90 mísseis em uma grande ofensiva noturna, incluindo um míssil balístico de médio alcance, informou a Força Aérea Ucraniana neste domingo (24).
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A historiadora e jornalista americana Anne Applebaum, de 61 anos, escreveu, nas últimas três décadas, obras centrais para entender tanto o totalitarismo soviético quanto o atual retrocesso democrático no mundo ocidental. Recebeu o Pulitzer em 2004 por “Gulag” e sublinhou um padrão no avanço autocrático, com a instrumentalização da Justiça para sufocar as oposições e facilitar o enriquecimento pessoal de autocratas e seus aliados. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A menos de três meses da celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, e em meio ao conflito com o Irã, Donald Trump tenta colocar sua marca sobre alguns dos símbolos mais reconhecíveis do país. O presidente americano já terá sua imagem em passaportes comemorativos, sua assinatura em futuras cédulas de dólar e seu governo disputa, ao mesmo tempo, arquivos presidenciais, monumentos em Washington e a moldura política da festa nacional. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, evocou o passado da nação persa em um primeiro comentário após a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que um acordo entre Washington e Teerã havia sido “em grande parte negociado” neste sábado. Em uma referência a disputas entre a Pérsia e o Império Romano, Baghaei afirmou que “o imperador teve que chegar a um acordo” — em uma possível mensagem indireta a Trump.
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“Na mente romana, Roma era o centro indiscutível do mundo. No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Felipe, o Árabe) marchou para o leste contra a Pérsia, a campanha não resultou em vitória romana — terminou em uma paz estabelecida nos termos sassânidas: o imperador teve que chegar a um acordo!”, escreveu Baghaei em uma publicação na rede social X.
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O contexto narrado pelo porta-voz faz referência a uma guerra do século III entre o Império Romano e a Pérsia, na qual o imperador romano encerrou uma campanha militar com um acordo com os persas. A publicação parece ter sido a única declaração pública de um alto funcionário iraniano desde o anúncio de Trump.
Analistas pró-Irã e apoiadores do governo comemoraram o potencial acordo de paz com os EUA como uma vitória diplomática em publicações nas redes sociais, embora não haja confirmação de que tenha sido finalizado — e poucos detalhes tenham sido divulgados. Ainda assim, alguns iranianos elogiaram a liderança do país por sobreviver à guerra e evitar um conflito maior. Outros consideraram o acordo uma derrota para Trump.
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“Mantenham a cabeça erguida e orgulhem-se de fazer parte da nação Khamenei”, escreveu Eshan Salehi em uma publicação no X. “Aquele mesmo que disse que o Irã deveria se render esta noite, declarou com entusiasmo que está chegando a um acordo com a ‘República Islâmica do Irã’.”
Muitos iranianos comuns, incluindo críticos do governo, ficaram aliviados ao saber que uma nova guerra com os EUA e Israel pode ter sido evitada.
— Estávamos tentando decidir se deveríamos sair de Teerã caso as bombas caíssem novamente e comprando água e baterias — disse Nazanin, uma engenheira de 56 anos em Teerã. — Dei um grande suspiro de alívio. (Com NYT)
Uma forte mobilização policial e de segurança foi registrada na noite deste sábado nas proximidades da Casa Branca, em Washington, após relatos de disparos na região, segundo autoridades americanas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava na residência oficial no momento do incidente, enquanto participava de negociações sobre um possível acordo com o Irã.
A polícia isolou os acessos ao complexo da Casa Branca, enquanto tropas da Guarda Nacional bloquearam a entrada de áreas próximas no centro da capital americana. Em publicação na rede X, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que agentes da agência estavam no local para apoiar o Serviço Secreto na resposta aos disparos registrados perto da sede do governo americano.
Jornalistas que estavam no gramado norte da Casa Branca relataram ter sido orientados a correr e buscar abrigo na sala de imprensa após ouvirem uma sequência de tiros. A correspondente da ABC News Selina Wang gravava um vídeo para as redes sociais quando os disparos começaram e registrou o momento em que se joga no chão. “Pareciam dezenas de tiros”, escreveu a jornalista em sua conta nas redes sociais.
Um turista canadense que estava na região relatou à AFP ter ouvido entre 20 e 25 estampidos. “No começo parecia fogos de artifício, mas eram tiros, e então todo mundo começou a correr”, disse. Até o momento, não há relatos imediatos de feridos, e o Serviço Secreto informou que ainda reunia informações sobre o incidente.
O episódio ocorre em meio a um contexto de reforço da segurança em torno de Trump, que já foi alvo de outras ameaças recentes, enquanto autoridades seguem investigando as circunstâncias dos disparos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio havia sido “em grande parte negociado”, citando entre os termos acertados a reabertura do Estreito de Ormuz — principal rota naval para o escoamento da produção de petróleo e gás dos países produtores da região. A reabertura da via marítima estratégica não foi confirmada por fontes iranianas, que ainda não se pronunciaram oficialmente. Não há anuncio oficial até o momento.
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Autoridades americanas e iranianas se referiram mais cedo a negociações sobre um memorando de entendimento entre as partes, mediado pelo Paquistão. Trump afirmou que Ormuz seria reaberto, mas que os detalhes finais ainda estavam sendo definidos, e que portanto poderiam mudar. A mídia estatal iraniana classificou a declaração sobre o estreito como “falsas”, apontando que a concordância teria sido com a retomada de um tráfego naval compatível com o pré-guerra — o que não significa “livre passagem” como existia antes do conflito.
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Fontes ouvidas pela rede americana CNN apontaram que versões recentes do memorando discutido pelas partes incluíam entre seus pontos o fim das hostilidades com o Irã, uma reabertura gradual de Ormuz — incluindo o bloqueio americano aos portos iranianos — e o desbloqueio de parte dos bens de Teerã congelados em bancos no exterior. Fontes iranianas disseram que o valor chegaria a US$ 25 bilhões. Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o programa nuclear iraniano não estava nos termos.
O memorando também foi descrito por fontes com conhecimento das negociações como um ponto de partida, que daria início a um prazo de pelo menos 30 dias para a continuidade das negociações — enquanto três altos funcionários iranianos ouvidos pelo New York Times disseram que o prazo para discussões sobre os pontos de discórdia seria de até 60 dias.
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As fontes iranianas afirmaram que o Irã concordou com um memorando de entendimento que cessaria as hostilidades, reabriria Ormuz e interromperia os combates em todas as frentes, inclusive no Líbano. Trump disse ter conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e se referiu ao diálogo como “muito bom”. O premier já afirmou publicamente ser contra o encerramento do conflito antes do fim da ameaça regional iraniana, mas autoridades do país não se manifestaram após os comentários do presidente americano.
Os funcionários, que falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações, disseram que mediadores paquistaneses e cataris facilitaram a elaboração do rascunho do acordo, mas não disseram se os termos aos quais se referiram eram o mesmo comentado por Trump. (Com NYT)
*Matéria em atualização

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