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Em carta ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não se sente mais “obrigado a pensar apenas na paz” depois que o Comitê Norueguês não lhe concedeu o Prêmio Nobel da Paz. Støre confirmou, nesta segunda-feira, ter recebido a carta, que chegou pouco depois de ele e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, terem “manifestado oposição às tarifas anunciadas por [Trump] contra” países que rejeitam a ambição do republicano de assumir o “controle total e completo” da Groenlândia.
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“Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas em paz”, disse Trump ao premier norueguês, acrescentando que agora poderia “pensar no que é bom e apropriado” para os EUA.
No ano passado, Trump fez uma campanha intensa para ganhar o prêmio, que foi concedido a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana. Ela recebeu o prêmio em Oslo no mês passado, mas, desde então, o dedicou a Trump. Machado diz que o republicano “merece” o prêmio, apesar de Trump ter apoiado Delcy Rodríguez como sucessora de Nicolás Maduro na Venezuela.
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Na semana passada, em visita à Casa Branca, a líder opositora entregou a medalha da Paz ao republicano, embora o Comitê Norueguês do Nobel tenha afirmado que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado.
Na carta, Trump voltou a insistir em seu desejo de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e relacionou suas reiteradas ameaças de anexação à sua rejeição ao Prêmio Nobel da Paz.
“A Dinamarca não pode proteger aquela terra da Rússia ou da China, e por que eles teriam um ‘direito de propriedade’ afinal? Não existem documentos escritos, apenas se sabe que um barco atracou lá há centenas de anos, mas nós também tínhamos barcos atracados lá”, escreveu Trump. “O mundo não estará seguro a menos que tenhamos o controle completo e total da Groenlândia”.
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Em comunicado, Støre lembrou que não cabe ao governo da Noruega conceder o Prêmio Nobel da Paz, mas sim a um comitê independente. “Expliquei com clareza, inclusive ao presidente Trump, que, como é amplamente conhecido, o prêmio é concedido por um Comitê Nobel independente”, afirmou o primeiro-ministro.
Além disso, o premier afirmou que “a posição da Noruega sobre a Groenlândia é clara: a [ilha] faz parte do Reino da Dinamarca, e [Oslo] apoia integralmente o Reino da Dinamarca nesta questão”.
Nas últimas semanas, Trump intensificou sua retórica contra a Groenlândia, afirmando que os EUA assumiriam o controle do território “de um jeito ou de outro”. No último sábado, o presidente ameaçou impor uma tarifa de 10% sobre as importações da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia a partir de 1º de fevereiro, até que os EUA sejam autorizados a comprar a ilha do Ártico. Os países, aliados na Otan, enviaram tropas à Groenlândia para reforçar a defesa da ilha nos últimos dias.
Em um comunicado conjunto, os oito países ameaçados por Trump reafirmaram apoio mútuo, e criticaram a abordagem americana, afirmando que fragiliza a relação entre os aliados. “As ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e correm o risco de provocar uma perigosa espiral descendente”, afirmaram. “Permaneceremos unidos e coordenados na nossa resposta. Estamos comprometidos com a defesa da nossa soberania”.
(Com AFP)
A taxa de natalidade da China atingiu em 2025 o nível mais baixo já registrado, após quatro anos consecutivos de redução da população, mesmo diante dos esforços do governo para reverter a tendência.
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Há uma década, o país encerrou a rígida política do filho único, em vigor desde 1979-1980, criada para conter o risco de superpopulação, em um período em que a taxa de natalidade era de 17,82 nascimentos por mil habitantes.
Desde 2016, os casais passaram a poder ter um segundo filho. Cinco anos depois, Pequim ampliou ainda mais as regras, autorizando também o nascimento de um terceiro filho.
Ainda assim, a taxa seguiu em trajetória de queda nos últimos anos, com exceção de um pequeno avanço em 2024, quando foram registrados 6,77 nascimentos por mil habitantes.
No ano passado, foram contabilizados 7,92 milhões de nascimentos, o equivalente a uma taxa de 5,63 partos por mil habitantes — 1,62 milhão a menos do que no ano anterior, queda de 17%.
Esse é o nível mais baixo desde o início da série histórica, em 1949, ano em que o líder comunista Mao Zedong fundou a República Popular da China, informou nesta segunda-feira o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).
A população do país, estimada em 1,404 bilhão de habitantes, também encolheu pelo quarto ano consecutivo, com redução de 3,39 milhões de pessoas em 12 meses.
Os casamentos seguem em patamares excepcionalmente baixos.
Os dados demográficos foram divulgados junto com os resultados econômicos de 2025, que indicaram crescimento de 5% da segunda maior economia do mundo — um dos mais modestos das últimas décadas, à exceção do período da pandemia.
As autoridades admitem que a queda da natalidade e o envelhecimento da população representam um desafio estrutural e de longo prazo e, por isso, buscam incentivar tanto os casamentos quanto os nascimentos.
Projeções demográficas das Nações Unidas indicam que a população chinesa pode cair dos atuais 1,4 bilhão para cerca de 633 milhões até 2100.
‘Alto custo da educação’
Especialistas apontam que as incertezas em relação ao futuro, o alto custo da educação, a responsabilidade de cuidar de pais idosos e a prioridade dada à carreira e a novos estilos de vida desestimulam muitos jovens a ter filhos.
O governo tem tentado impulsionar as taxas de casamento e fertilidade com medidas como subsídios para creches e impostos sobre preservativos.
Desde 1º de janeiro, os pais podem receber cerca de 500 dólares (R$ 2.689) por ano por cada filho com menos de três anos para ajudar nos cuidados. Além disso, as taxas das creches públicas foram eliminadas desde o outono passado.
A queda histórica anterior da natalidade ocorreu em 2023, quando a China registrou uma taxa de 6,39 nascimentos por mil habitantes.
De acordo com o Banco Mundial, em 2023 o país figurava entre os de menor fecundidade do planeta, acima apenas da Coreia do Sul e em níveis semelhantes aos da Itália, do Japão e da Ucrânia.
Em 2025, a China também registrou 11,31 milhões de mortes, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 8,04 por mil habitantes.

Com mais de 50 anos de carreira na política, Raul Jungmann, que morreu no último domingo (18), foi de vereador a deputado e também atuou como ministro nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

Por toda essa vivência no universo político, sua morte, provocada por um câncer no pâncreas, gerou grande repercussão entre amigos e políticos das mais diversas correntes ideológicas.

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O ex-presidente Michel Temer, que teve Jungmann como ministro da Defesa e Segurança Pública, escreveu em nota:

“Um brasileiro que soube servir ao país. Por onde passou deixou sua marca. Fosse como ministro da Reforma Agrária, ministro da Defesa e Segurança Pública, fosse como grande parlamentar. Tristeza no plano cívico, saudades no plano pessoal. Descanse em paz, Raul!”

Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do governo Lula postou uma mensagem em suas redes sociais:

“Raul Jungmann teve longa trajetória na política brasileira, desde a luta das Diretas Já até sua passagem pelo PCB e como fundador do PPS, tendo sido deputado federal e ministro do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário nos governos de FHC e da Defesa e Segurança Pública no governo Temer. Enquanto sua saúde permitiu participou, com generosidade e espírito democrático, do conselho dos ex-ministros do Desenvolvimento Agrário que montei como espaço de consulta e reflexão no ministério. Meus agradecimentos e meus sentimentos aos familiares e amigos de Raul Jungmann”.

Ministro do STF, Gilmar Mendes publicou um longo texto sobre Jungmann nas redes sociais. Um trecho:

“A partida de Raul Jungmann me atinge de forma especialmente dolorosa. Perco um amigo querido, cuja presença sempre inspirou confiança e serenidade. Nossa amizade foi construída no diálogo franco e na partilha de uma mesma convicção: a de que a democracia exige coragem e compromisso permanente com a Constituição. Raul foi um homem público de rara integridade e de extraordinária densidade republicana. No exercício de funções centrais no Estado brasileiro, especialmente como ministro no governo de Fernando Henrique, integrou um verdadeiro dream team comprometido com a estabilização institucional, as reformas estruturais e a consolidação da ordem constitucional inaugurada em 1988. (…) O Brasil perde um grande homem público; eu perco um amigo. Minha solidariedade à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com Raul Jungmann”.

Outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, também se manifestou, em nota, sobre a morte de Jungmann:

“Raul Jungmann, um grande democrata, foi exemplo de homem público, que exerceu diversos cargos, sempre com competência, lealdade e eficiência, como presenciei durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, quando trabalhamos juntos na coordenação da inteligência e segurança do evento”.

Randolfe Rodrigues, senador e líder do governo no Congresso Nacional, postou:

“Perdemos Raul Jungmann, um dos mais capacitados e éticos homens públicos que já conheci na vida. A política brasileira perde um grande quadro, um homem de diálogo, firmeza e profundo compromisso com o interesse público. Ficam seu legado, seu exemplo e a saudade entre todos que acreditam na boa política“.

O governador do Rio Grande do Sul, Marcelo Leite, é outro político que lamentou a morte de Raul Jungmann:

“Lamento profundamente a morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, homem público de trajetória marcante e de grande compromisso com o Brasil. Atuou com seriedade e espírito republicano em diferentes momentos da vida nacional, deixando uma contribuição relevante ao serviço público”.

O Cidadania, último partido ao qual Jungmann foi filiado, divulgou nota oficial de seu presidente, Roberto Freire, lamentando e relembrando a trajetória do político:

“O Cidadania recebe com profundo pesar a notícia do falecimento de Raul Jungmann, ex-ministro e homem público de trajetória reconhecida.”

Raul Jungmann foi militante desde a juventude do PCB e integrou o PPS, legenda que deu origem ao Cidadania, fazendo parte da história do partido desde esse período. Construiu uma vida pública dedicada ao Brasil, atuando com seriedade, diálogo e compromisso democrático no Legislativo e no Executivo, sempre orientado pelo interesse público.

Mesmo após sua saída formal do partido, manteve uma relação próxima com o Cidadania. Seguiu sendo parceiro, presente no debate político e disponível para contribuir com ideias e formação. Recentemente, participou de atividades com filiados, especialmente em encontros voltados à segurança pública, área em que era referência.

Sua partida deixa um vazio humano e político. Permanece o legado de coerência, espírito público e compromisso com a democracia.

O Cidadania se solidariza com familiares, amigos e companheiros, com respeito e gratidão por tudo o que Raul Jungmann representou.

Roberto Freire

Presidente Nacional do Cidadania”.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou nesta segunda-feira que irá dissolver o Parlamento na sexta-feira, com o objetivo de convocar eleições antecipadas em 8 de fevereiro e, segundo afirmou, obter um mandato mais sólido.
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“Na qualidade de primeira-ministra, decidi hoje dissolver a Câmara Baixa no dia 23 de janeiro”, disse Takaichi em coletiva de imprensa.
Takaichi assumiu o cargo em outubro, tornando-se a primeira mulher a chefiar o governo do país. Desde então, seu gabinete mantém índices de aprovação próximos de 70%, segundo pesquisas recentes.
Apesar da popularidade, o bloco governista conta com uma maioria estreita na Câmara Baixa do Parlamento, o que tem dificultado o avanço de uma agenda política considerada ambiciosa por analistas.
Na última semana, o jornal Nikkei Shimbun afirmou que a primeira-ministra informaria “altos dirigentes do Partido Liberal Democrata (PLD) de sua intenção de dissolver a Câmara Baixa” em 23 de janeiro, citando fontes anônimas do governo e do partido. A medida abre caminho para eleições antecipadas “com o objetivo de aumentar o número de cadeiras do partido governista”.
Takaichi é a quinta primeira-ministra japonesa em cinco anos e chegou ao cargo à frente de um governo inicialmente minoritário.
O bloco governista obteve maioria na Câmara Baixa em novembro, após a adesão de três parlamentares ao partido da premiê.
Na Câmara Alta, no entanto, a coalizão segue em minoria, o que mantém o cenário político instável e reforça a aposta do governo em uma renovação do mandato popular.
Um menino de 11 anos foi acusado de homicídio doloso na Pensilvânia após, segundo as autoridades, ter atirado e matado o próprio pai enquanto ele dormia, na madrugada de terça-feira (13). O caso ocorreu em Duncannon Borough, cidade próxima a Harrisburg, e é investigado pela Polícia Estadual da Pensilvânia.
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De acordo com os investigadores, o disparo aconteceu pouco depois das 3h dentro da casa da família, na South Market Street. A polícia foi acionada após relatos de um “homem inconsciente” e encontrou Douglas Dietz, de 42 anos, já sem vida no quarto do casal. Ele foi declarado morto no local.
Relato da investigação
Segundo a declaração juramentada citada pela emissora local WGAL, a arma utilizada teria sido retirada de um cofre no quarto dos pais. A mãe da criança relatou à polícia que dormia quando ouviu um barulho alto e, ao tentar acordar o marido, percebeu que ele não respondia. Ao acender a luz, notou que o som que ouvia era de sangue pingando, conforme os autos do processo.
Ainda de acordo com o depoimento, o menino entrou no quarto e disse à mãe que o pai estava morto, além de afirmar posteriormente: “Eu matei o papai”. Os investigadores informaram que o garoto admitiu ter atirado e disse estar com raiva porque seu Nintendo Switch havia sido confiscado após o pai mandar que ele fosse dormir.
A polícia afirma que a criança encontrou a chave do cofre em uma gaveta do pai, destrancou o compartimento enquanto procurava o videogame, carregou a arma e efetuou um único disparo na cabeça da vítima. Questionado sobre o que esperava que acontecesse após apertar o gatilho, o menino teria dito que não pensou nas consequências, segundo os investigadores.
O crime ocorreu no dia do aniversário da criança, após a família ter celebrado a data e ido dormir pouco depois da meia-noite. As autoridades também registraram que o menino havia sido adotado pelo casal em 2018.
Detido pela polícia estadual, o garoto teve a fiança negada e permanece sob custódia no Centro de Detenção do Condado de Perry. Uma audiência judicial está marcada para esta quinta-feira (22).
Moradores da região disseram estar chocados com o episódio. Um vizinho descreveu a família como tranquila e afirmou que a violência era inimaginável. Em nota, o Distrito Escolar de Susquenita reconheceu o impacto do caso sobre alunos e familiares e informou que orientadores e psicólogos estão disponíveis para oferecer apoio. Uma campanha de arrecadação foi criada na plataforma GiveSendGo em apoio à esposa da vítima, Jillian Dietz.
Um homem de 29 anos foi preso após matar a tiros três turistas em Kissimmee, cidade nos arredores de Orlando, na Flórida, durante o fim de semana. Segundo a polícia, o ataque ocorreu de forma aleatória em um bairro popular entre visitantes da Disney World, a cerca de 13 quilômetros do parque temático. As vítimas ficaram presas em uma propriedade alugada ao lado da casa do suspeito depois que o carro em que estavam quebrou.
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Identificado como Ahmad Jihad Bojeh, o suspeito foi acusado de três homicídios premeditados e de resistência à prisão. Ele foi fichado no sábado na Cadeia do Condado de Osceola. O xerife Christopher Blackmon afirmou, em coletiva no domingo, que se tratou de “um ato a sangue frio e premeditado”, ressaltando que não havia qualquer conflito prévio entre o autor e as vítimas. “Foi algo totalmente aleatório. E, por acaso, essa pessoa morava ao lado”, disse.
Investigação e antecedentes do suspeito
De acordo com o Gabinete do Xerife do Condado de Osceola, os agentes receberam chamados sobre o tiroteio por volta das 12h14 e chegaram ao local cerca de cinco minutos depois. Os três homens foram encontrados mortos do lado de fora da propriedade alugada, enquanto Bojeh fugia em direção à própria residência. Um mandado de prisão foi obtido e cumprido no mesmo dia. Duas armas foram apreendidas no imóvel do suspeito, e a polícia investiga se alguma delas foi usada no crime.
As vítimas foram identificadas como Robert Lewis Kraft, de 70 anos, de Holland, Michigan, seu irmão Douglas Joseph Kraft, de 68, de Columbus, Ohio, e James John Puchan, também de 68 anos, morador da mesma cidade. As famílias já foram notificadas, segundo a polícia.
O xerife afirmou ainda que Bojeh “representava uma ameaça constante para a vizinhança” e que já havia recebido diversos chamados envolvendo o suspeito. Um morador da região, Adam Andersen, disse à emissora WESH que o episódio é “preocupante”, especialmente por se tratar de um local aberto e frequentado por famílias.
Andersen citou um episódio anterior, em 2021, quando Bojeh foi preso após atirar contra uma pessoa e veículos em um posto de gasolina Wawa, em Kissimmee. Na ocasião, um homem ficou ferido, mas sobreviveu, e o suspeito acabou absolvido por motivo de insanidade.
Bojeh compareceu ao tribunal nesta domingo (18), e um juiz determinou que ele permaneça detido sem direito a fiança. Na Flórida, homicídio premeditado é considerado crime capital. Caso seja condenado, o réu pode receber pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional ou a pena de morte. A investigação segue em andamento, segundo o gabinete do xerife.
As autoridades espanholas confirmaram nesta segunda-feira que o número de mortos no grave acidente ferroviário em Adamuz, na província de Córdoba, chegou a 39, com ao menos 73 feridos, dos quais 24 permanecem hospitalizados em estado grave, incluindo quatro menores. O balanço foi atualizado pelo Ministério dos Transportes após a conclusão das primeiras operações de resgate durante a madrugada, quando todos os feridos foram transferidos para hospitais da região.
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O acidente ocorreu no domingo (18), pouco depois das 19h30, quando um trem de longa distância da operadora Iryo, que fazia o trajeto Málaga–Madri, descarrilou ao acessar uma via auxiliar na estação de Adamuz e invadiu o trilho adjacente. Minutos depois, um trem de alta velocidade da Alvia, que havia partido de Madri com destino a Huelva, colidiu com os vagões tombados e também descarrilou. Segundo o ministro dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, os maiores danos se concentraram nos dois primeiros vagões do Alvia, que transportavam 53 pessoas.
Veja imagens:
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Vagões lançados em um barranco
De acordo com Puente, os vagões um e dois do trem da Alvia foram “arremessados para fora” após o impacto e caíram em um barranco de cerca de quatro metros, concentrando a maior parte das vítimas fatais e dos feridos graves. Fontes oficiais informaram que, no momento da colisão, o Alvia trafegava a aproximadamente 200 km/h em um trecho reto da linha férrea, circunstância que reforçou o caráter incomum do acidente. O maquinista do trem da Alvia, de 27 anos, está entre as vítimas fatais, segundo o jornal El País.
A operadora Iryo informou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira e citado pela AFP, que o trem envolvido foi construído em 2022 e passou por inspeção técnica no dia 15 de janeiro, apenas três dias antes do acidente. A empresa afirmou ainda que o trem “desviou para o trilho adjacente por razões ainda desconhecidas”. O ministro classificou o episódio como “extremamente estranho”, ao destacar que a composição era praticamente nova e que o trecho da linha havia sido recentemente reformado.
Esta captura de vídeo, feita a partir de imagens geradas por usuários em redes sociais e verificadas pelas equipes da AFPTV em Madri, mostra equipes de emergência trabalhando após um acidente ferroviário em Adamuz, no sul da Espanha
AFP Photo/@eleanorinthesky via X
As causas do descarrilamento seguem sob investigação. A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), órgão técnico independente vinculado ao Ministério dos Transportes, assumiu a apuração nesta segunda-feira, conforme noticiado pelo El País. Criada em 2007, a comissão conta com engenheiros e especialistas em segurança ferroviária e poderá recorrer a laboratórios externos para determinar responsabilidades e elaborar um relatório oficial.
Enquanto isso, a resposta de emergência mobilizou dezenas de equipes médicas, unidades de terapia intensiva, ambulâncias e a Unidade Militar de Emergência (UME), segundo informações do governo da Andaluzia e da Europa Press. Um hospital de campanha foi instalado em Adamuz, e grupos de apoio psicológico foram ativados em Madri, Córdoba, Huelva e Sevilha. A Adif disponibilizou um telefone gratuito (900 10 10 20) para informações às famílias, enquanto a Iryo abriu uma linha direta própria.
O impacto do acidente também se estendeu ao tráfego ferroviário. A Adif suspendeu todas as conexões de alta velocidade entre Madri e cidades da Andaluzia, como Málaga, Córdoba, Huelva e Sevilha, “até novo aviso”, e a Renfe autorizou cancelamentos e remarcações gratuitas. Em meio ao luto, líderes europeus, como Ursula von der Leyen, Roberta Metsola e Emmanuel Macron, manifestaram solidariedade às vítimas e elogiaram o trabalho das equipes de resgate, reforçando a dimensão internacional da tragédia que ainda levanta mais perguntas do que respostas.
Há mais de 20 anos, pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências identificaram um comportamento incomum nos bigodes de ratos: certos neurônios sensoriais permanecem inativos durante o movimento contínuo das vibrissas e só disparam quando ocorre contato com um objeto externo. A descoberta levantou uma questão central da neurociência: como o sistema sensorial distingue estímulos gerados pelo próprio corpo daqueles vindos do ambiente.
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Um novo estudo publicado, em dezembro, na revista Nature Communications apresenta uma explicação para esse fenômeno, ao detalhar a engenharia biológica presente nos folículos vibrissais. A pesquisa foi liderada por Taiga Muramoto, sob orientação da professora Satomi Ebara, da Universidade Meiji de Medicina Integrativa, no Japão, em colaboração com cientistas da Universidade de Osaka e do Instituto Weizmann, incluindo Ehud Ahissar e Knarik Bagdasarian.
Arquitetura do folículo filtra o movimento
Diferentemente dos pelos comuns, os bigodes de roedores estão inseridos em folículos especializados, ricos em mecanorreceptores — neurônios responsáveis por converter estímulos mecânicos em sinais enviados ao cérebro. Estudos anteriores já haviam mostrado que esses receptores se organizam em classes funcionais distintas, com respostas específicas ao movimento ou ao toque.
Entre esses grupos estão os chamados neurônios táteis, que só são ativados quando a vibrissa se flexiona ao tocar um objeto, permanecendo completamente silenciosos durante o movimento no ar. Essa seletividade intrigava os cientistas, que buscavam entender como um neurônio poderia responder apenas a um tipo específico de estímulo mecânico.
O novo trabalho revela que essa função depende de uma combinação de estruturas mecânicas sofisticadas dentro do folículo, como molas de colágeno, compartimentos em camadas, âncoras de membrana e amortecedores inerciais. Esses elementos atuam como filtros físicos, separando o movimento gerado pelo próprio animal do toque externo.
Os pesquisadores identificaram cerca de 50 mecanorreceptores em forma de clava, entre centenas presentes em cada folículo, especializados na detecção do toque ativo. Esses receptores estão embutidos em uma matriz densa de colágeno que funciona como um peso em miniatura, amortecendo as vibrações provocadas pelo batimento dos bigodes.
Além disso, esses mecanorreceptores se concentram em um anel único próximo ao centro de massa do folículo, junto ao ponto de articulação da vibrissa — uma região que se move muito pouco durante o movimento. Essa localização estratégica garante estabilidade mecânica e permite que os neurônios só respondam ao contato real com objetos.
Segundo Ahissar, essa adaptação é vital para a sobrevivência dos ratos, que são mais ativos no escuro e dependem fortemente do tato para explorar o ambiente. O estudo aponta para uma convergência entre biomecânica, arquitetura tecidual e processamento sensório-motor, moldada pela evolução para resolver um desafio fundamental da percepção tátil ativa.
Uma pesquisa inédita mostrou que o ambiente quase sem gravidade do espaço altera profundamente a forma como vírus e bactérias interagem e evoluem — com possíveis impactos diretos na saúde humana. Cientistas enviaram vírus que infectam bactérias para a Estação Espacial Internacional (ISS) e observaram mudanças genéticas surpreendentes, capazes até de aumentar a eficácia desses microrganismos contra bactérias resistentes a antibióticos na Terra.
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O estudo, publicado em 13 de janeiro na revista científica PLOS Biology, analisou o comportamento de bacteriófagos — vírus que infectam bactérias — em condições de microgravidade. A equipe, liderada por Phil Huss, da Universidade de Wisconsin–Madison, comparou amostras do vírus T7 infectando bactérias Escherichia coli tanto na Terra quanto a bordo da ISS.
Os resultados mostraram que, apesar de um atraso inicial, os vírus no espaço conseguiram infectar normalmente as bactérias. No entanto, a dinâmica dessa interação foi bastante diferente da observada em solo terrestre. O sequenciamento completo do genoma revelou mutações genéticas distintas tanto nos vírus quanto nas bactérias cultivadas em microgravidade.
De acordo com os pesquisadores, os fagos no ambiente espacial acumularam mutações específicas que podem aumentar sua capacidade de infectar bactérias ou de se ligar aos receptores das células bacterianas. Já as bactérias E. coli desenvolvidas na ISS apresentaram mutações que podem ajudá-las a se proteger dos vírus e a sobreviver melhor em condições de quase ausência de peso.
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Para aprofundar a análise, os cientistas utilizaram uma técnica de alta precisão chamada varredura mutacional profunda, focada na proteína responsável pela ligação do vírus ao receptor bacteriano — etapa essencial para a infecção. Essa abordagem revelou diferenças ainda mais marcantes entre os vírus evoluídos no espaço e os da Terra.
Experimentos adicionais realizados posteriormente em solo terrestre mostraram que as alterações associadas à microgravidade aumentaram a atividade dos fagos contra cepas de E. coli que causam infecções urinárias em humanos e que normalmente são resistentes ao vírus T7.
O trabalho reforça o potencial das pesquisas com microrganismos na Estação Espacial Internacional não apenas para entender como a vida se adapta fora da Terra, mas também para desenvolver novas estratégias de combate a infecções resistentes a medicamentos.
Os autores do estudo resumem a descoberta: “O espaço muda fundamentalmente a forma como fagos e bactérias interagem: a infecção fica mais lenta, e ambos os organismos evoluem seguindo uma trajetória diferente da observada na Terra. Ao estudar essas adaptações impulsionadas pelo ambiente espacial, identificamos novos insights biológicos que nos permitiram desenvolver fagos com atividade muito superior contra patógenos resistentes a medicamentos aqui na Terra”.
Um mapa sem precedentes da Antártida revelou, com alto nível de detalhe, o relevo escondido sob a espessa camada de gelo que cobre quase 14 milhões de quilômetros quadrados do continente. O levantamento expõe milhares de colinas e vales subglaciais, além de cadeias de montanhas e cânions profundos, oferecendo pistas essenciais sobre o comportamento da maior massa única de gelo da Terra, segundo estudo publicado na revista Science, nesta quinta-feira (15).
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A descoberta resulta da combinação de uma nova técnica de mapeamento com observações de satélite, permitindo aos cientistas enxergar regiões até então pouco conhecidas. “Sabemos menos sobre a paisagem sob a Antártida do que sobre a superfície de Marte ou Vênus”, afirmou a pesquisadora Helen Ockenden, autora principal do estudo, ao destacar a dificuldade histórica de realizar observações diretas através do gelo.
Paisagem esculpida ao longo de milhões de anos
Liderada por pesquisadores da Universidade de Edimburgo, a equipe internacional utilizou a chamada Análise de Perturbação do Fluxo de Gelo (IFPA, na sigla em inglês), que identifica marcas na superfície glacial formadas pelo deslocamento do gelo sobre colinas e depressões. Ao integrar esses dados às medições mais recentes de satélites, os cientistas conseguiram mapear todo o continente, inclusive áreas inexploradas.
Para o estudo, os pesquisadores combinaram uma nova técnica de mapeamento com dados de satélite para fornecer a visão mais detalhada até o momento
Divulgação
“Durante milhões de anos, a camada de gelo esculpiu planícies, planaltos recortados e montanhas íngremes, hoje ocultos por quilômetros de gelo”, explicou o professor Robert Bingham, coautor do trabalho, da Escola de Geociências da Universidade de Edimburgo. Segundo ele, a técnica permite observar pela primeira vez a distribuição dessas paisagens em escala continental.
Pesquisas anteriores já indicavam que terrenos subglaciais mais acidentados podem frear o avanço do gelo em direção ao mar, oferecendo resistência por atrito. O novo mapa, segundo os autores, funciona como um guia para orientar futuras expedições científicas e aprimorar modelos que estimam a contribuição da Antártida para a elevação do nível do mar. “Áreas mais irregulares podem retardar o recuo da camada de gelo”, afirmou Mathieu Morlighem, do Dartmouth College, nos Estados Unidos.
O estudo ganha relevância em meio a projeções preocupantes sobre o nível dos oceanos. Um relatório recente liderado por cientistas da Alemanha alerta que o nível global do mar pode subir entre 0,7 e 1,2 metro até 2300, mesmo que os países cumpram integralmente as metas do Acordo de Paris de 2015. O degelo da Groenlândia e da Antártida é apontado como fator central desse processo, que ameaça cidades costeiras e nações inteiras, como as Maldivas.
“A elevação do nível do mar é frequentemente vista como algo lento, mas os próximos 30 anos são decisivos”, afirmou Matthias Mengel, do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático. Segundo ele, cada atraso de cinco anos no pico das emissões globais pode significar até 20 centímetros adicionais de aumento do nível do mar até 2300. Atualmente, nenhum dos quase 200 países signatários do Acordo de Paris está no caminho para cumprir plenamente seus compromissos climáticos.

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