Entenda: Número de mortos em colisão de trens na Espanha sobe para 39
O acidente ocorreu no domingo (18), pouco depois das 19h30, quando um trem de longa distância da operadora Iryo, que fazia o trajeto Málaga–Madri, descarrilou ao acessar uma via auxiliar na estação de Adamuz e invadiu o trilho adjacente. Minutos depois, um trem de alta velocidade da Alvia, que havia partido de Madri com destino a Huelva, colidiu com os vagões tombados e também descarrilou. Segundo o ministro dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, os maiores danos se concentraram nos dois primeiros vagões do Alvia, que transportavam 53 pessoas.
Veja imagens:
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Vagões lançados em um barranco
De acordo com Puente, os vagões um e dois do trem da Alvia foram “arremessados para fora” após o impacto e caíram em um barranco de cerca de quatro metros, concentrando a maior parte das vítimas fatais e dos feridos graves. Fontes oficiais informaram que, no momento da colisão, o Alvia trafegava a aproximadamente 200 km/h em um trecho reto da linha férrea, circunstância que reforçou o caráter incomum do acidente. O maquinista do trem da Alvia, de 27 anos, está entre as vítimas fatais, segundo o jornal El País.
A operadora Iryo informou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira e citado pela AFP, que o trem envolvido foi construído em 2022 e passou por inspeção técnica no dia 15 de janeiro, apenas três dias antes do acidente. A empresa afirmou ainda que o trem “desviou para o trilho adjacente por razões ainda desconhecidas”. O ministro classificou o episódio como “extremamente estranho”, ao destacar que a composição era praticamente nova e que o trecho da linha havia sido recentemente reformado.
Esta captura de vídeo, feita a partir de imagens geradas por usuários em redes sociais e verificadas pelas equipes da AFPTV em Madri, mostra equipes de emergência trabalhando após um acidente ferroviário em Adamuz, no sul da Espanha
AFP Photo/@eleanorinthesky via X
As causas do descarrilamento seguem sob investigação. A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), órgão técnico independente vinculado ao Ministério dos Transportes, assumiu a apuração nesta segunda-feira, conforme noticiado pelo El País. Criada em 2007, a comissão conta com engenheiros e especialistas em segurança ferroviária e poderá recorrer a laboratórios externos para determinar responsabilidades e elaborar um relatório oficial.
Enquanto isso, a resposta de emergência mobilizou dezenas de equipes médicas, unidades de terapia intensiva, ambulâncias e a Unidade Militar de Emergência (UME), segundo informações do governo da Andaluzia e da Europa Press. Um hospital de campanha foi instalado em Adamuz, e grupos de apoio psicológico foram ativados em Madri, Córdoba, Huelva e Sevilha. A Adif disponibilizou um telefone gratuito (900 10 10 20) para informações às famílias, enquanto a Iryo abriu uma linha direta própria.
O impacto do acidente também se estendeu ao tráfego ferroviário. A Adif suspendeu todas as conexões de alta velocidade entre Madri e cidades da Andaluzia, como Málaga, Córdoba, Huelva e Sevilha, “até novo aviso”, e a Renfe autorizou cancelamentos e remarcações gratuitas. Em meio ao luto, líderes europeus, como Ursula von der Leyen, Roberta Metsola e Emmanuel Macron, manifestaram solidariedade às vítimas e elogiaram o trabalho das equipes de resgate, reforçando a dimensão internacional da tragédia que ainda levanta mais perguntas do que respostas.








