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A aprovação, na terça-feira, de um dos mapas congressionais mais agressivamente redesenhados dos Estados Unidos, na Virgínia, marcou o mais recente sinal de que os democratas estão dispostos a abandonar a cautela para tentar retomar o controle do Congresso e bloquear a agenda do presidente Donald Trump.
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A mudança representa uma guinada significativa para um partido que, por anos, denunciou o redesenho partidário de distritos eleitorais. Democratas argumentam, no entanto, que o novo mapa — capaz de transformar até quatro cadeiras atualmente ocupadas por republicanos em assentos democratas — é necessário para contrabalançar iniciativas semelhantes do Partido Republicano no Texas e em outros estados. O novo lema, resumem aliados, é jogar duro.
“Enquanto muitos esperavam que os democratas se rendessem, fizemos o oposto”, disse Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara, em comunicado divulgado após a projeção do resultado. “Não recuamos. Reagimos. Quando eles descem o nível, revidamos com força”.
Com o aumento da urgência para recuperar poder em Washington, democratas têm flexibilizado posições antigas. Apesar das reservas quanto ao chamado “dark money” (doações de origem não revelada), hoje dependem mais desse tipo de financiamento do que os republicanos. No Capitólio, adotaram a linha dura nas negociações orçamentárias, chegando a provocar a paralisação parcial do governo ao se recusarem a financiar operações de fiscalização migratória sem novas restrições às táticas de agentes federais.
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O conjunto dessas decisões reflete a nova disposição no partido — estimulada por eleitores irritados que exigem oposição mais firme a Trump — de rever táticas que antes consideravam prejudiciais à governança. Nenhuma mudança, porém, foi tão abrupta quanto a ocorrida na Virgínia, onde uma delegação congressual de 11 membros, antes quase equilibrada, pode se transformar em outra com apenas um assento republicano praticamente garantido.
Defensores da medida afirmam que ela é uma resposta imperfeita, mas necessária, à “guerra” de manipulação distrital iniciada pelos republicanos. O plano prevê que o novo mapa seja temporário, devolvendo o controle do processo a uma comissão independente em 2031.
— Não podemos levar um pedaço de pau para uma luta de facas — disse Kelly Hall, diretora executiva do Fairness Project, grupo que gastou mais de US$ 12 milhões (R$ 59 milhões) apoiando o referendo. — Com os republicanos atacando a integridade da representação no Congresso, precisamos responder com todas as ferramentas disponíveis.
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Até a inclusão da proposta na cédula eleitoral exigiu manobras parlamentares. Sem os dois terços necessários em cada casa legislativa para convocar uma sessão especial no ano passado, democratas aproveitaram uma sessão orçamentária convocada por Glenn Youngkin, então governador republicano, para agendar o referendo.
A estratégia marca uma reversão em relação ao discurso adotado pelos democratas durante a era Trump, quando o partido se apresentava como defensor das instituições democráticas. Em um cenário ideal, dizem, a decisão Citizens United — que, em 2010, removeu limites para gastos políticos independentes por corporações — seria revertida, e haveria proibição nacional do redesenho partidário de distritos.
— Gostaríamos de acabar com isso — afirmou Tim Persico, estrategista democrata veterano. — Mas, enquanto um lado continuar engajado nisso de forma aberta e sem escrúpulos, não podemos nos dar ao luxo de não jogar pelas mesmas regras.
Críticas republicanas
A mudança abriu espaço para ataques dos republicanos, que não tiveram dificuldade em encontrar declarações passadas de democratas contra o redesenho partidário. Durante a campanha na Virgínia, que atraiu mais de US$ 80 milhões (R$ 398 milhões) em gastos, anúncios em vídeo com o ex-presidente democrata Barack Obama ilustraram a evolução do debate: republicanos exibiram declarações antigas do líder democrata contra o redesenho partidário, enquanto democratas destacaram seu apoio atual à medida.
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O resultado apertado — inferior a três pontos percentuais — sugere que a questão dividiu eleitores. No ano passado, a governadora democrata Abigail Spanberger venceu com margem de 15 pontos, e Kamala Harris ganhou a eleição presidencial de 2024 na Virgínia por quase seis pontos.
— Trata-se de garantir igualdade de condições — disse o deputado Eugene Vindman, democrata da Virgínia, acrescentando que Trump não deveria sentir que pode se vingar de estados inclinados aos democratas e esperar que o partido sempre adote a posição moral mais elevada.
A flexibilidade não é exclusividade democrata. Na véspera da votação, Trump disse a um radialista local que “não sabia se você sabe o que é gerrymandering (manipulação deliberada dos limites dos distritos eleitorais para favorecer um partido, grupo ou candidato), mas não é algo bom”. Foi o próprio presidente, porém, quem impulsionou a disputa ao pedir no ano passado que o Texas redesenhasse seus mapas para favorecer republicanos.
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Ainda assim, há divisões internas sobre até onde ir para conter a administração Trump. O debate tem se estendido por assembleias estaduais, primárias federais e reuniões nacionais do partido. Em Maryland, uma tentativa semelhante de modificar uma cadeira republicana por meio de redesenho distrital fracassou neste mês, após o presidente democrata do Senado estadual se recusar a levar a proposta à votação final.
O argumento contrário foi mais tático do que ético. O líder sugeriu que um novo mapa poderia gerar efeito contrário ou enfrentar desafios judiciais, mas também apontou “preocupações pessoais” com os efeitos de longo prazo de um redesenho no meio do ciclo eleitoral. A delegação de Maryland tem oito membros e apenas um republicano. O novo mapa eliminaria qualquer representação republicana, embora cerca de um terço dos eleitores do estado tenha votado em Trump em 2024.
‘Dark Money’
As divergências também aparecem na discussão sobre financiamento. Muitos democratas consideram moralmente condenável o “dark money” e criticam a influência de interesses corporativos, como grupos ligados a criptomoedas e inteligência artificial, além de organizações financiadas por grandes doadores, como o American Israel Public Affairs Committee (AIPAC).
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O tema foi debatido em reunião do Comitê Nacional Democrata em Nova Orleans. Uma resolução contra o “dark money” avançou, mas teve removidas referências específicas a recursos ligados a inteligência artificial e criptomoedas. Outra, direcionada ao AIPAC, não foi aprovada, refletindo a dificuldade do partido em decidir quão duramente criticar o grupo e se deve desencorajar candidatos a aceitar grandes contribuições.
Melissa Bean, que venceu uma primária em Illinois com apoio de milhões de dólares de um grupo ligado ao AIPAC, afirmou que os democratas não deveriam “amarrar as próprias mãos” recusando doações.
— As apostas são incrivelmente altas, e precisamos garantir que temos recursos para conquistar ao menos um dos poderes — disse Rusty Hicks, presidente do Partido Democrata da Califórnia.
Outros defendem posição mais dura.
— Há tanta indignação pública que temo que, se não rejeitarmos isso, mais pessoas deixarão de participar porque pensarão que todos são iguais — afirmou Francesca Hong, candidata democrata ao governo de Wisconsin.
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Apesar das divergências, democratas continuam recebendo centenas de milhões de dólares de grupos de interesse e doadores ricos cada vez mais opacos.
Um teste importante dessa nova disposição ocorreu na Califórnia, onde o governador Gavin Newsom convenceu eleitores a aprovar a Proposição 50, contornando uma comissão independente e redesenhando o mapa para mudar cinco cadeiras republicanas. Segundo Paul Mitchell, estrategista encarregado do novo mapa, a iniciativa foi apresentada como resposta limitada ao redesenho republicano no Texas e como medida temporária, válida por apenas três ciclos eleitorais.
— Não foi uma adesão total à ideia de que, se eles descem o nível, nós vamos descer ainda mais — disse. — Foi mais: se eles descem, vamos descer por um tempo curto e depois voltar imediatamente a subir.
Um avião de pequeno porte caiu no Paraguai transportando cerca de R$ 15 milhões em dinheiro vivo, além de cerca de US$ 5 milhões e notas em guaranis paraguaios. Após a queda, moradores da região correram até o local e recolheram parte das cédulas que ficaram espalhadas com o impacto. O piloto morreu e três pessoas ficaram feridas no acidente.
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A aeronave caiu em uma área rural do país, o assentamento San Isidro, em Minga Guazú, perto de Ciudad del Este, que faz fronteira com o Brasil. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pessoas recolhendo maços de dinheiro no entorno dos destroços do bimotor. O comissário Carlos Duré, à frente da unidade policial responsável pela apuração do episódio, relatou que cerca de US$ 2 milhões foram saqueados.
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Ações criminosas paralelas foram identificadas por policiais na região de fronteira. Segundo as autoridades, grupos estariam usando uniformes falsos para se passar por policiais e promotores, numa tentativa de extorquir moradores e localizar parte do dinheiro desaparecido.
As circunstâncias da queda ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias. Segundo comunicado da Direção Nacional de Aeronáutica Civil do Paraguai, as investigações preliminares apontam que a aeronave sofreu uma falha no motor esquerdo durante o voo. O avião Cessna, modelo 4020B, pertencia à empresa Aerotax e havia sido fretado pela Prosegur para o transporte das cédulas.
Equipes policiais foram deslocadas para o local após o acidente e tentam recuperar os valores saqueados. Também foram iniciadas perícias para esclarecer se houve falha mecânica, erro operacional ou outro fator que tenha provocado a queda.
Quando a Polônia buscava uma base militar dos EUA em 2018, apresentou a ideia como “Fort Trump”. Quando Armênia e Azerbaijão assinaram um compromisso de paz na Casa Branca no ano passado, chamaram a via de transporte criada de “Trump Route for International Peace and Prosperity” (Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional, em tradução livre). Mas o exemplo mais improvável do nome do presidente americano, Donald Trump, sendo associado a um ponto crítico geopolítico pode ser um que permaneceu fora da vista do público até agora. Nas negociações de paz na Ucrânia nos últimos meses, autoridades ucranianas sugeriram que a parte da região de Donbass, que a Rússia ainda tenta conquistar, poderia se chamar “Donnyland”. O apelido, uma referência a “Donbass” e “Donald”, foi descrito por quatro pessoas familiarizadas com as negociações, que falaram sob condição de anonimato devido ao sigilo em torno delas.
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Quando um negociador ucraniano mencionou o termo pela primeira vez, em parte como brincadeira, foi como parte de uma tentativa de convencer o governo Trump a se posicionar mais contra exigências territoriais da Rússia, segundo três pessoas com conhecimento das conversas. O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu continuar lutando até que suas forças alcancem um limite administrativo importante na borda do Donbass, a região industrial no leste da Ucrânia onde o Kremlin iniciou a guerra em 2014.
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Que um nome evocando a Disneylândia tenha sido associado a uma faixa despovoada e devastada do território ucraniano pode parecer chocante, enquanto os combates mais mortais da Europa desde a Segunda Guerra Mundial continuam. Mas isso também reflete uma realidade global na qual governos apelam à vaidade de Trump para obter o poder americano ao seu lado.
Para a Ucrânia, o esforço ainda não deu resultado. O termo continua a ser usado nas negociações, embora não se saiba que tenha sido incluído em documentos oficiais. Os negociadores também sugeriram a possibilidade do Conselho da Paz de Trump — criado no contexto da negociação na Faixa de Gaza — desempenhar um papel na administração da área, embora nem a Rússia nem a Ucrânia tenham aderido a ele até agora, segundo quatro pessoas familiarizadas com as conversas.
Moscou não concordou com um arranjo aceitável para a Ucrânia até o momento. Isso deixou o destino da área que os ucranianos propuseram chamar de Donnyland — de cerca de 80 km de comprimento por 64 km de largura — como um dos principais impasses nas negociações.
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As conversas sobre a Ucrânia avançaram discretamente nas últimas semanas, mesmo enquanto os principais negociadores dos EUA — Steve Witkoff, amigo próximo de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente — concentravam-se na guerra com o Irã. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse neste mês que esperava a visita de Witkoff e Kushner em breve, enquanto uma pessoa familiarizada com as negociações afirmou que os americanos ainda aguardavam progresso suficiente para justificar a viagem, e que também pretendiam visitar a Rússia novamente.
— A Ucrânia está avançando. Eu gostaria que eles se entendessem — disse Trump a repórteres na semana passada. — Vamos ver o que acontece. Há coisas acontecendo lá.
O republicano prometeu durante sua campanha presidencial que encerraria a guerra na Ucrânia em 24 horas. Ele e seus principais negociadores já passaram mais de um ano tentando fechar um acordo de paz, realizando horas de conversas com Putin e frustrando autoridades ucranianas com a impressão de que estavam agindo como mediadores, em vez de defender a Ucrânia.
Tentativa de aproximação
“Donnyland” foi uma das maneiras pelas quais os ucranianos tentaram fazer Trump se alinhar mais a Kiev. Desde que o presidente se encontrou com Putin no Alasca, em agosto passado, o governo Trump sinalizou que poderia apoiar um acordo de paz no qual a Ucrânia recuasse até a fronteira da região de Donetsk, uma das províncias do Donbass — medida que críticos consideraram uma grande concessão ao Kremlin.
Autoridades ucranianas afirmam que cerca de 190 mil pessoas vivem atualmente nesse território. Outros próximos às negociações dizem que o número real pode ser cerca da metade. A área é tão próxima da linha de frente que a principal rodovia de acesso está coberta por redes para proteção contra drones.
Redes antidrone sobre uma estrada em Izium, na região de Donbass, em 29 de janeiro de 2026
Lynsey Addario/New York Times
Pouco resta da economia local além de uma mina de carvão em funcionamento e negócios que atendem os soldados estacionados na região, incluindo lojas que vendem balões e flores para que soldados comprem para esposas ou namoradas em visita.
A Ucrânia insiste que pode defender essa área e que não a cederá. Mas, em dezembro, Zelensky sinalizou abertura para um compromisso que criaria uma zona desmilitarizada ou uma zona econômica livre, sem controle pleno de nenhum dos lados em guerra.
Os ucranianos consideraram, mas não endossaram, propostas de um administrador neutro ou de um órgão de governo com representantes russos e ucranianos, desde que a Rússia não reivindicasse a área após a guerra. O Kremlin disse que poderia aceitar a formação de uma zona desmilitarizada se policiais russos ou soldados da Guarda Nacional pudessem patrulhá-la — uma medida inaceitável para Kiev.
O presidente americano, Donald Trump, cumprimenta o presidente russo, Vladimir Putin, em Anchorage, no Alasca, em agosto do ano passado
Doug Mills/New York Times
A Ucrânia queria que o governo Trump pressionasse Moscou a suavizar ainda mais sua posição. Os negociadores ucranianos passaram a chamar a zona proposta de Donnyland, uma área que não seria totalmente controlada por nenhum dos lados e que poderia ser apresentada como uma conquista de Trump.
Samuel Charap, pesquisador da RAND Corporation que acompanha de perto as negociações, argumentou que tanto Moscou quanto Kiev demonstraram alguma flexibilidade quanto ao futuro dessa parte do Donbass ainda sob controle ucraniano.
Para a Ucrânia, uma preocupação central é o risco de que ceder esse território, junto às fortificações construídas lá, facilite uma futura retomada da invasão pela Rússia. Charap disse que a Ucrânia parece ver um benefício de segurança em associar o nome de Trump à área.
— Ter um selo de Trump em uma zona econômica livre provavelmente seria visto como algum tipo de dissuasão — afirmou Charap, referindo-se à Ucrânia.
Trump e Zelensky em Mar-a-Lago, em dezembro de 2025
Tierney L. Cross/New York Times
Outra sugestão chamou o arranjo pós-guerra de “modelo Mônaco”, referência ao principado na costa mediterrânea da França — um miniestado semiautônomo que se beneficiaria do status de zona econômica offshore. A expressão “modelo Mônaco” apareceu em rascunhos de tratados, enquanto Donnyland surgiu apenas em discussões, segundo uma pessoa com conhecimento direto das estratégias de negociação da Ucrânia.
Mas as negociações estagnaram no fim de fevereiro na questão territorial, justamente quando a guerra com o Irã desviou a atenção da equipe de negociação dos EUA. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que o país aceitaria apenas o controle legal total do Donbass. E Zelensky minimizou a possibilidade de trocar território por paz, dizendo que isso seria um “grande erro”.
Rússia e Ucrânia não avançaram desde então na questão do controle territorial, embora as negociações continuem em outros pontos, incluindo compromissos dos EUA de garantir a segurança da Ucrânia no pós-guerra, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.
Um negociador ucraniano chegou a criar uma bandeira para Donnyland — nas cores verde e dourado — e um hino nacional, usando o ChatGPT, segundo a pessoa com conhecimento das estratégias ucranianas. Não está claro se o lado americano chegou a vê-los.

O ex-deputado mineiro Gerardo Renault morreu no último domingo (19), aos 96 anos, em Belo Horizonte (MG). Ele estava internado desde o início do mês, após apresentar quadro de confusão mental associado a desidratação e infecção urinária. A causa da morte não foi divulgada.

Renault exerceu dois mandatos na Câmara dos Deputados (1979-1983 e 1983-1987).

Antes disso, havia sido vereador em Belo Horizonte por quatro mandatos consecutivos e deputado estadual por três legislaturas.

A recorrência dos episódios de calor extremo está levando a agricultura “ao limite” em todo o mundo e ameaça a saúde e os meios de subsistência de mais de um bilhão de pessoas, alertam nesta quarta-feira a Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial. O fenômeno, vinculado ao aquecimento climático gerado pelas atividades humanas, provoca a perda de 500 bilhões de horas de trabalho na agricultura a cada ano. Destinado a se intensificar, ameaça a segurança alimentar mundial, destaca o relatório “Calor extremo e agricultura”.
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O calor extremo refere-se a temperaturas “excepcionalmente altas” em comparação com o normal, tanto de dia quanto de noite. Sua intensidade pode dobrar se o mundo atingir +2 °C em relação à era pré-industrial (e quadruplicar a +4 °C), alertam os cientistas. O calor extremo também atua sobre a umidade ou a radiação solar, gerando chuvas torrenciais ou secas “repentinas”.
“É o principal detonador”, explica Kaveh Zahedi, diretor do Escritório de Mudança Climática da FAO à AFP, que citou o Brasil como exemplo:
— O vimos há dois anos no Brasil. Um calor extremo prolongado, combinado com seca, provocou incêndios na Amazônia e o secamento de afluentes do Amazonas, com um impacto imediato em todo o sistema alimentar, incluindo a pesca e a aquicultura. Mais ao sul gerou chuvas anormalmente intensas.
Os casos se acumulam nos Estados Unidos, Rússia, China e todos os setores são afetados. Para o gado, quando o calor extremo não provoca falhas digestivas ou cardiovasculares, reduz a produção de leite e seu conteúdo de proteínas.
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Os peixes podem sofrer falhas cardíacas em águas cujo nível de oxigênio se reduz devido às altas temperaturas. Em 2024, 91% do oceano em nível global experimentou ao menos uma onda de calor, das quais a metade foi considerada “forte”, assinala o relatório.
Para a maioria dos cultivos, os rendimentos começam a diminuir acima dos 30 °C, inclusive antes no caso das batatas ou da cevada. O desaparecimento de polinizadores, as doenças ou a falta de alimento aumentam os riscos, agravados pela uniformidade das variedades.
‘Construir resiliência mas sem substituir uma ação climática decidida’
No Marrocos, seis anos de seca provocados por duas ondas de calor históricas, em 2023 e 2024, reduziram os rendimentos dos cereais em 40% e arruinaram as colheitas de azeitonas e cítricos, recorda Zahedi.
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Isso também ocorre em zonas montanhosas, como na primavera de 2025, quando temperaturas superiores a 30°C (10 °C acima do normal) na cordilheira de Ferganá, no Quirguistão, submeteram frutas e cereais a um choque térmico e a uma invasão de gafanhotos. Resultado: 25% menos colheitas.
Por último, no leste do Mar de Bering, uma onda de calor marinha em 2018–2019 provocou a morte de 90% dos caranguejos-das-neves, o que levou ao fechamento de uma das pescarias “mais rentáveis” do Ártico, assinala o relatório.
Diante dessa situação “vemos exemplos de ações inovadoras”, destaca Zahedi, que menciona a Índia, onde os agricultores testam variedades de arroz mais precoces. Grande desafio para um país que obtém desse cultivo 70% de suas calorias e onde a agricultura sustenta milhões de trabalhadores.
Os picos de calor já afetam mais de um bilhão de pessoas: em primeiro lugar os agricultores e suas famílias (em quesitos como saúde e produtividade) e também enfraquecem uma segurança alimentar já muito incerta (em 2024, 2,3 bilhões de pessoas sofriam algum tipo de insegurança alimentar).
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O relatório aconselha a adotar sementes e raças adaptadas às novas condições e a colocar sistemas de alerta à disposição dos agricultores, já que o calor extremo é um dos fenômenos meteorológicos mais previsíveis.
“Vemos ações, mas são insuficientes”, insiste o responsável da FAO, sublinhando a importância “crítica” dos sistemas de alerta.
Mas, sem uma redução “ambiciosa” dos gases de efeito estufa, “a gravidade dos calores extremos superará cada vez mais a capacidade de adaptação”, assinala o relatório. “Construir resiliência é essencial, mas não pode substituir uma ação climática decidida”, destaca.

As novas regras para financiamento de imóveis por meio do programa Minha Casa, Minha Vida começam a valer a partir desta quarta-feira (22). Com as mudanças, os limites de renda passam a ser:

O valor máximo dos imóveis também foi atualizado – para a faixa 3, passa a ser R$ 400 mil e, para a faixa 4, R$ 600 mil.

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As mudanças foram aprovadas em março pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A ampliação contará com recursos do Fundo Social, com cerca de R$ 31 bilhões destinados ao programa.

Segundo o governo, as mudanças devem ampliar o acesso ao programa, totalizando 87,5 mil famílias com juros menores; 31,3 mil novas famílias na faixa 3; e 8,2 mil famílias incluídas na faixa 4.

A equipe técnica estima impacto de R$ 500 milhões em subsídios e de R$ 3,6 bilhões em crédito habitacional.

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O dispositivo utilizava muitos dos mesmos componentes eletrônicos das armas mais letais da guerra moderna. Era operado remotamente. Podia reconhecer imagens. Disparava um laser.
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Bem, um apontador laser. O dispositivo, Petcube, foi criado por um empreendedor ucraniano, Yaroslav Azhnyuk, e sua equipe. Trata-se de um aparelho controlado por smartphone para observar e entreter cães e gatos remotamente quando estão sozinhos em casa. Quando Azhnyuk o testou pela primeira vez no cachorro solitário e incessantemente latindo de um colega, o animal pulou freneticamente perseguindo o laser, contou ele.
A Petcube já é vendida em dezenas de países. Mas os fundadores da empresa partiram para uma nova ideia, que reflete uma transformação mais ampla da indústria de tecnologia civil da Ucrânia em um polo de contratos militares.
A virada para drones de combate
Após inicialmente brincar sobre a criação de um Petcube militar, com lasers mais potentes para atingir tropas russas, Azhnyuk e sua equipe voltaram-se para drones com visão em primeira pessoa (FPV). Esses pequenos quadricópteros, que transportam explosivos, tornaram-se onipresentes no campo de batalha na Ucrânia.
A equipe, agora atuando em duas novas empresas chamadas Odd Systems e The Fourth Law, integrou um sistema de reconhecimento de imagem baseado em inteligência artificial ao drone. Em vez de identificar um cachorro ou um gato, o sistema pode ser instruído a detectar veículos militares, peças de artilharia ou soldados inimigos.
O reconhecimento de imagem está integrado a um programa de piloto automático usado para ataques. Os operadores utilizam uma abordagem de mira chamada YOLO, ou “você só olha uma vez”. Após identificarem um alvo, acionam o sistema automatizado, e o drone percorre os últimos 400 metros de forma autônoma, tornando-se imune a interferências russas.
Interceptadores e novas tecnologias
A Odd Systems também produz um interceptor de drones projetado para neutralizar os drones Shahed, de fabricação iraniana. A Rússia vem lançando esses drones baratos, triangulares e explosivos, contra a Ucrânia há anos, e o Irã os utilizou recentemente para atacar bases e interesses americanos no Oriente Médio.
O interceptor da empresa, chamado Zerov, é uma aeronave veloz, com formato de foguete e quatro hélices, programada para identificar os drones Shahed, voar em sua direção e explodir.
Os ataques do Irã despertaram interesse nas tecnologias ucranianas anti-Shahed. A Odd Systems não divulga se exporta ou pretende exportar seus produtos para o Oriente Médio.
Na Ucrânia, drones FPV com reconhecimento de imagem já são usados regularmente na linha de frente. Versões que voam de forma autônoma ao longo de rotas programadas e atacam alvos identificados em bancos de dados estão em fase de testes.
Debate sobre o uso de IA em ataques
A Cruz Vermelha e outros grupos que monitoram as leis da guerra se opõem ao uso de inteligência artificial para realizar ataques sem controle humano completo. Azhnyuk, por sua vez, afirma que esses avanços são necessários para enfrentar um adversário implacável e que devem se tornar comuns em conflitos futuros.
A Odd Systems e a Fourth Law são exemplos do crescimento de startups de armamentos na Ucrânia. Investidores enxergam oportunidades tanto durante o conflito quanto em um cenário pós-guerra, com possibilidade de exportação.
Ideias antes consideradas exóticas já chegaram ao campo de batalha: balões de hélio que lançam drones, armas que disparam redes, embarcações explosivas controladas remotamente, robôs de resgate e drones subaquáticos.
Esses últimos, descritos como estruturas pretas e lisas com hélices, já foram usados para atingir um submarino russo atracado, segundo o exército ucraniano, evidenciando vulnerabilidades de equipamentos navais.
Investimentos e disputa tecnológica
Drones FPV são hoje uma das principais prioridades tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia, sendo responsáveis pela maioria das baixas militares. Enquanto Moscou aposta na produção em larga escala, Kiev investe em diversidade de projetos, embora enfrente dificuldades industriais.
Segundo a Brave1, fundo ligado ao Ministério da Transformação Digital, mais de 2.000 startups de tecnologia militar estão ativas no país.
O investimento estrangeiro direto no setor chegou a cerca de US$ 100 milhões no ano passado, ante US$ 40 milhões no anterior. Entre os negócios recentes, a Swarmer captou US$ 15 milhões para desenvolver IA de enxames de drones, enquanto o consórcio U-Force levantou US$ 50 milhões, atingindo avaliação superior a US$ 1 bilhão.
Parcerias e sigilo
Além do capital privado, países europeus também financiam empresas ucranianas, muitas vezes com contrapartidas industriais. Em outro modelo, empresas estrangeiras trocam tecnologia por acesso ao campo de batalha para testes.
A discrição é regra: fábricas são alvos frequentes de ataques russos, o que leva empresas a evitar publicidade sobre investimentos.
Da tecnologia civil à guerra
Antes da guerra, o setor tecnológico ucraniano já tinha projeção global, com empresas como Grammarly e Ring. A tecnologia da informação era o terceiro maior produto de exportação do país até 2022.
Azhnyuk, que dividia seu tempo entre Kiev e São Francisco, deixou o comando da Petcube no início da invasão russa para se dedicar à defesa do país. Em 2023, fundou as novas empresas focadas em tecnologia militar.
Automação e riscos
Cerca de 90% dos drones não atingem seus alvos, devido a interferências ou perda de sinal. O sistema de mira automática busca resolver esse problema.
Segundo Azhnyuk, retirar parcialmente os humanos da operação “não é tão assustador quanto parece”. Os drones operam dentro de zonas georreferenciadas para evitar atingir civis ou retornar ao operador.
A empresa já recebeu investimentos iniciais, incluindo um aporte da Axon Enterprises, fabricante de armas de eletrochoque, cujo valor não foi divulgado.
Sem arrependimentos
Azhnyuk afirma não se arrepender de desenvolver tecnologia capaz de tomar decisões de vida ou morte.
Segundo ele, o atraso na adoção de inteligência artificial em armamentos poderia colocar países em desvantagem frente a rivais como Rússia e China.
Ele diz que se sente obrigado a continuar o trabalho: “Fiz um juramento de defender meu país quando estava nos escoteiros”.
A União Europeia aprovou de forma preliminar nesta quarta-feira a liberação de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 524,4 bilhões no câmbio atual) para a Ucrânia, destravando um esperado recurso para Kiev, que havia sido bloqueado pela Hungria, quando ainda sob comando absoluto do líder de extrema direita Viktor Orbán. O avanço acontece após o governo ucraniano liberar o bombeamento de petróleo russo para Hungria e Eslováquia — um movimento estratégico que pode ter aberto caminho para a quebra do impasse. A decisão final sobre o empréstimo deve ser anunciada na quinta-feira.
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O Chipre, que ocupa a Presidência rotativa da UE, disse que embaixadores dos 27 Estados-membros do bloco concordaram em iniciar um “procedimento escrito” para a aprovação do empréstimo até o final da tarde de quinta. A decisão ainda está nas mãos de Budapeste, que tem 24 horas para dar sua aprovação definitiva, e disse estar aguardando a chegada de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que corta o território ucraniano.
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Acordado inicialmente em dezembro, o empréstimo foi bloqueado em fevereiro por Orbán, que alegou que a Ucrânia estaria propositalmente impedindo a chegada de petróleo russo ao país e à Eslováquia, que ainda importam combustível de Moscou. Kiev afirmou que o oleoduto foi danificada por ataques russos em janeiro, mas Orbán acusou o o governo ucraniano de atrasar deliberadamente os reparos.
A compra de petróleo e gás russos pelos aliados europeus é um ponto de tensão na delicada relação entre Kiev e o bloco, que desempenha um papel substancial na resistência do país à invasão russa. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nunca escondeu a oposição à manutenção da relação comercial, que oferece alívio econômico a Moscou — enquanto líderes vistos dentro do bloco como pró-Rússia apontam motivos estratégicos para manter o fornecimento.
Com a confirmação das autoridades ucranianas do retorno das operações do oleoduto, fontes ligadas aos setores energéticos e aos governos em Bratislava e Budapeste anunciaram que as previsões são de que o combustível chegue aos destinos finais a partir de quinta-feira. Ainda assim, há desconfiança sobre o funcionamento regular da estrutura autorizada por Kiev.
O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, que tem entrado repetidamente em conflito com Kiev e Bruxelas sobre a guerra com a Rússia, afirmou nesta quarta-feira que não ficaria surpreso se o empréstimo de 90 bilhões fosse liberado e então “o fornecimento de petróleo fosse cortado novamente”.
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Termos do empréstimo
Embora autoridades europeias tenham encontrado maneiras de manter o financiamento a Kiev nos últimos meses, o empréstimo atual proporcionará um apoio financeiro substancial à medida que a invasão em grande escala de Moscou entra em seu quinto ano e continua a fazer vítimas em solo. Bombardeios russos deixaram dois mortos nesta quarta-feira na Ucrânia, incluindo em um ataque a uma instalação de transporte no distrito de Zaporíjia. A Rússia denunciou as mortes de uma mulher e de uma criança em um ataque ucraniano com drone em seu território.
Apesar da Hungria ter bloqueado o empréstimo por meses, o valor não terá impacto orçamentário no país, que optou — ao lado de República Tcheca e Eslováquia —, por não participar do financiamento como condição para permitir a aprovação. O valor sairá do orçamento comum da União Europeia.
Estrategicamente, as condições do empréstimo são vistas com otimismo pela Ucrânia. O país só precisará reembolsar o valor, sem juros, caso a Rússia pague reparações no fim da guerra. Em contrapartida, o dinheiro é extremamente necessário para compras em sistemas de defesa aérea e equipamentos militares, que vem se esgotando rapidamente.
O premier da Hungria, Viktor Orbán, admite derrota em discurso em Budapeste
Attila KISBENEDEK / AFP
Peso de Budapeste
Além da reabertura de Druzhba, a derrota de Orbán nas eleições deste mês foi apontada por observadores como um fator que contribuiu para o avanço da medida — embora autoridades acreditassem que seria necessário esperar até que o novo governo húngaro eleito assuma de fato o Parlamento em maio.
Autoridades ucranianas e da União Europeia viram a oposição de Orbán ao empréstimo como um exemplo de posicionamento eleitoral antes da votação de 12 de abril, e suas campanhas publicitárias tinham tom anti-Ucrânia e cético em relação à União Europeia.
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Mas a derrota contundente para Péter Magyar, que rapidamente indicou que suspenderia o veto da Hungria ao empréstimo assim que assumisse o cargo no próximo mês antecipou o processo. Em poucos dias, Zelensky anunciou que o oleoduto estaria operacional.
Orbán publicou nas redes sociais em 19 de abril que o oleoduto poderia ser consertado em breve, e que isso destravaria a pauta europeia.
“Assim que as entregas de petróleo forem restabelecidas, não mais nos colocaremos no caminho da aprovação do empréstimo”, acrescentou.
Na Hungria, além de sinalizar que desbloquearia o empréstimo, Magyar adotou um tom mais amigável em relação à União Europeia do que Orbán. No entanto, ainda não está claro o quanto ele mudará a abordagem mais ampla da Hungria em relação à Ucrânia. Ele evitou apoiar ajuda financeira adicional a Kiev e deixou claro que se opõe a um cronograma acelerado para a integração da Ucrânia ao bloco. (Com NYT e AFP)
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ordenou na terça-feira uma investigação sobre o papel desempenhado por dois funcionários dos Estados Unidos que, segundo relatos à imprensa, trabalhavam para a CIA em uma operação antidrogas no estado de Chihuahua, no norte do país. Os dois morreram em um acidente de carro no fim de semana, ao lado de outros dois investigadores mexicanos, após uma ação para destruir laboratórios clandestinos de drogas. De acordo com autoridades locais, o veículo saiu da pista, caiu em um barranco e explodiu na manhã de domingo.
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Versões divergentes, no entanto, foram apresentadas por autoridades dos dois países. Inicialmente, o embaixador dos EUA no México, Ronald Johnson, afirmou que os americanos eram “funcionários da embaixada”, versão endossada pelo procurador-geral do estado de Chihuahua, César Jáuregui. Segundo ele, ambos eram “oficiais instrutores” que realizavam o “trabalho de treinamento como parte do intercâmbio geral e normal” do país “com as autoridades americanas”.
A embaixada dos EUA, por sua vez, se recusou a identificar os indivíduos ou a entidade do governo para a qual trabalhavam, embora tenha afirmado que os dois estavam “apoiando os esforços das autoridades do estado de Chihuahua para combater as operações dos cartéis”. O Departamento de Estado americano e a CIA também se recusaram a comentar, enquanto Sheinbaum afirmou, na segunda-feira, que nem ela e nem integrantes de alto escalão da equipe federal de segurança foram informados sobre qualquer operação conjunta entre EUA e México.
A líder mexicana, que tem enfrentado pressão de seu homólogo americano, o presidente Donald Trump, para fazer mais a fim de conter o fluxo de drogas do México para os EUA, tem sido enfática ao dizer que autoridades estrangeiras só podem atuar em solo mexicano se houver autorização prévia em nível federal, insistindo que a soberania de seu país não pode ser violada. Sheinbaum afirmou que seu governo precisava “entender as circunstâncias em que” o caso aconteceu e, depois, “avaliar as implicações legais”.
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Segundo ela, membros de seu governo pediram informações tanto à embaixada dos EUA quanto às autoridades do estado de Chihuahua para determinar se a operação pode ter violado a lei de segurança nacional do México. A presidente ressaltou que, embora sua administração trabalhe com Washington, incluindo no compartilhamento de inteligência, “não há operações conjuntas em terra ou no ar”. A falta de clareza, no entanto, reacendeu o debate sobre a extensão do envolvimento americano nas operações de segurança do país.
Trump tem adotado uma postura mais agressiva em relação à América Latina, capturando o presidente da Venezuela, bloqueando remessas de petróleo para Cuba e lançando operações militares conjuntas no Equador, país também marcado pela violência criminal. Sobre vizinho mexicano, o líder republicano tem reiteradamente se oferecido para agir contra cartéis, uma intervenção que Sheinbaum classifica como “desnecessária”. O tema é sensível para ela, que busca manter equilíbrio com o governo Trump — preservando a relação bilateral para evitar ameaças de intervenção contra cartéis e possíveis tarifas comerciais, ao mesmo tempo em que enfatiza a soberania mexicana.
No ano passado, Sheinbaum afirmou que os Estados Unidos realizaram voos de vigilância com drones a pedido do México, após declarações públicas contraditórias sobre o tema. Outra controvérsia recente ocorreu em janeiro, com a detenção do ex-atleta canadense Ryan Wedding, um dos fugitivos mais procurados pelos EUA sob acusação de narcotráfico. Autoridades mexicanas disseram que ele se entregou na embaixada americana, enquanto autoridades dos EUA afirmaram que a captura foi resultado de uma operação binacional.
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Em setembro, uma investigação da Reuters concluiu que a CIA vinha conduzindo operações encobertas no México há anos para rastrear os traficantes mais procurados do país. A apuração também constatou que a agência trabalhava de perto com unidades especiais de caça ao narcotráfico dentro das Forças Armadas mexicanas. Com a aprovação do governo, a CIA forneceu a unidades selecionadas do México treinamento, equipamentos e apoio financeiro para operações, incluindo viagens.
Pelo menos duas unidades militares avaliadas pela CIA estão atualmente ativas, incluindo o grupo do Exército mexicano que capturou Ovidio Guzmán-López — filho do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán e um dos líderes do Cartel de Sinaloa — e uma unidade especializada de inteligência da Marinha mexicana, informou a Reuters.
— Há um aumento de operações ocultas dos Estados Unidos no México sob Trump — disse à Associated Press o analista de segurança David Saucedo. — Elas são ocultas porque o governo mexicano sustenta o discurso de que não pode permitir a presença de agentes americanos armados, o que seria uma violação da soberania. O governo mexicano sempre tentou esconder essa colaboração.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019 que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1) será analisada, nesta quarta-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Além do fim da escala 6×1, a proposta prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em um prazo de dez anos. A sessão está marcada para começar às 14h30. 

A PEC volta à pauta da CCJ depois que a oposição pediu vista da matéria na semana passada. O relator da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), votou pela admissibilidade da PEC, ou seja, defendeu que a redução da jornada é constitucional. 

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Se aprovada na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), promete criar comissão especial para analisar o texto. A comissão tem entre 10 e 40 sessões do plenário da Câmara para aprovar ou rejeitar um parecer sobre a PEC. Em seguida, o texto pode ir para apreciação do plenário.

Como essa tramitação pode se estender por meses, e diante de falas de lideranças da oposição de que tentariam barrar a PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na semana passada, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. 

O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.

Motta comentou que é prerrogativa do governo federal enviar um PL com urgência constitucional, mas a Câmara vai seguir com a tramitação da PEC. A Proposta de Emenda à Constituição unificou as propostas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) com a da deputada Erika Hilton (PSOL-RJ).

O governo tem defendido que a proposta do Executivo não compete com a PEC em tramitação na Câmara, segundo explicou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

“Se a PEC for aprovada nesse prazo, evidentemente que o PL está prejudicado, não há mais necessidade. Mas o rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC para impedir eventuais aventureiros do futuro quererem aumentar a jornada como aconteceu na Argentina”, explicou Marinho.

 

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