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A Otan enfrenta a maior crise de sua história com as ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia, disse o ex-chefe da aliança Anders Fogh Rasmussen à AFP nesta terça-feira, pedindo o fim das “bajulações” ao presidente americano.
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“Não é apenas uma crise para a Otan, é uma crise para a comunidade transatlântica em geral e um desafio à ordem mundial como a conhecemos desde a Segunda Guerra Mundial”, declarou o ex-primeiro-ministro dinamarquês em entrevista no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. “É o futuro da Otan e o futuro da ordem mundial que estão em jogo”, acrescentou.
Rasmussen, que liderou a Otan de 2009 a 2014, pediu que o atual secretário-geral da aliança, Mark Rutte, e outros líderes europeus adotem uma postura firme com o presidente americano em resposta às suas ameaças de tarifas.
“Temos que mudar de estratégia e chegar à conclusão de que as únicas coisas que Trump respeita são força, firmeza e unidade”, disse Rasmussen. “É exatamente isso que a Europa deveria demonstrar. A época da bajulação acabou. Chega!”, enfatizou.
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No Fórum Econômico Mundial, vários líderes europeus, incluindo o próprio Rutte, se preparam para se reunir com Trump nesta semana. Rasmussen, que foi primeiro-ministro da Dinamarca de 2001 a 2009 antes de liderar a aliança, insistiu que a atual crise em torno da Otan ainda pode ser “resolvida” e que a aliança poderia sair mais fortalecida na região ártica.
No entanto, ele também alertou que as ações de Trump causaram um “colapso mental” entre Washington e seus aliados europeus de longa data, o que beneficia Rússia e China.
“Esta é uma situação nova, diferente de todas as outras disputas que vimos na história da Otan”, afirmou Rasmussen. “Se Trump atacar a Groenlândia e tomar medidas militares contra ela, isso significaria, na prática, o fim da Otan”, argumentou.
Desviar a atenção da guerra na Ucrânia
Para o dinamarquês, de 72 anos, a questão da Groenlândia tornou-se uma “arma de distração poderosa”, que desvia a atenção da invasão russa da Ucrânia.
“Todos estão falando da Groenlândia agora, que não representa uma ameaça real à segurança do Atlântico Norte”, destacou. “O ataque da Rússia à Ucrânia é a verdadeira ameaça, e a atenção não deve ser desviada dessa ameaça real”, afirmou.
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Rasmussen defendeu um “diálogo construtivo” entre os Estados Unidos e a Groenlândia. Na sua visão, Copenhague e Washington poderiam atualizar o acordo que assinaram em 1951 sobre a mobilização de tropas na Groenlândia, abrir o território para empresas de mineração americanas e concordar em manter China e Rússia afastadas. Mas, em hipótese alguma, o território deve ser cedido a Trump.
“Podemos atender a todos os seus desejos, exceto um”, disse o dinamarquês. “A Groenlândia não está à venda e, como especialista imobiliário, ele deveria saber que se uma propriedade não está à venda, não se pode comprá-la”, acrescentou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que evitou que a Otan acabasse “na lata do lixo da História” e que nenhum presidente fez mais pela aliança militar transatlântica do que ele, enquanto líderes europeus reunidos no Fórum Econômico de Davos prometeram uma resposta “inflexível” às suas ameaças de anexar a Groenlândia. O presidente convocou uma coletiva de imprensa na Casa Branca às 18h (15h em Brasília), antes de embarcar para a Suíça.
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“Nenhuma pessoa, ou presidente, fez mais pela Otan do que o presidente Donald J. Trump. Se eu não tivesse aparecido, não haveria Otan agora!!! Ela estaria na lata do lixo da História. Triste, mas VERDADE!!!”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social, enquanto a questão da Groenlândia agitava a aliança de defesa transatlântica.
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A declaração do presidente foi a mais recente de uma série de manifestações hostis à parte europeia da Otan, que se manifestou diretamente contra os planos expansionistas do republicano, sobre anexar a Groenlândia. Vários líderes ocidentais que discursaram nesta terça-feira em Davos reservaram ao menos parte de seus discursos para defenderem a soberania e a integridade territorial como valores centrais, e criticaram as ameaças tarifárias — em alguns casos citando Washington de forma expressa.
Durante a madrugada, o perfil oficial do presidente na rede social Truth Social já havia feito publicações provocativas. Entre elas, vazou mensagens pessoais trocadas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e com o presidente da França, Emmanuel Macron; publicou fotos geradas por IA que pareciam mostrar cenários em que a anexação da Groenlândia estava concluída; e voltou a dizer que apenas os EUA podem garantir as próprias demandas de segurança na região.
Montagem publicada pelo Trump
Reprodução/Truth
“Não há como voltar atrás — nisso, todos concordam!”, escreveu Trump, que continuou: “Os Estados Unidos da América são, de longe, o país mais poderoso do planeta. Grande parte disso se deve à reconstrução de nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato, reconstrução essa que continua em ritmo ainda mais acelerado. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ no mundo todo — e isso se faz, simplesmente, através da FORÇA!”.
Ao longo do dia, em Davos, uma série de líderes europeus — e também o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney — afirmaram que a entrega da Groenlândia não era um tema passível de negociação. Muitos condenaram as pressões econômicas e tentativas de imposição pela força. O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou diretamente os EUA de tentarem subordinar a Europa por meio de uma política de tarifas que classificou como “inaceitáveis”.
(AFP)
*Matéria em atualização
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar o norte-americano quer “governar o mundo pelo Twitter”. Em Rio Grande (RS), Lula voltou a fazer críticas ao chefe da Casa Branca ao afirmar que “todo o dia o mundo fala” do que o Trump escreve nas redes sociais.
— Vocês já perceberam uma coisa, que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou. Vocês acham que é possível? É possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês, se eu achar que vocês são objetos, e não um ser humano — afirmou em durante cerimônia de entregas de unidades habitacionais em Rio Grande (RS).
Essa é primeira crítica que Lula faz citando Trump desde o presidente brasileiro e o líder americano passaram a ter diálogo diplomático formal, a partir de outubro do ano passado. Nem mesmo durante a invasão da Venezuela para captura do Nicolas Maduro, Lula fez críticas citando o presidente americano.
No episódio, o governo braseiro optou por direcionar críticas ao governo americano. Lula disse que a iniciativa americana sobre a Venezuela ultrapassava “uma linha aceitável” e cobrou uma reação da comunidade internacional. Porém, no comunicado de 153 palavras, Lula não citou diretamente nem Trump nem os Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, nesta terça-feira (20), 1.276 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O empreendimento Junção contou com investimento total de R$ 123,6 milhões, provenientes do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS) com contrapartida do governo do estado.

“A construção de casas, quando nós resolvemos fazer o Minha Casa, Minha Vida, é mais do que entregar uma casa, é a gente deixar ao povo brasileiro um legado de respeito, um legado de dignidade como está escrito na nossa Constituição”, disse Lula.

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Ele destacou que as moradias foram construídas em local com infraestrutura urbana para atender aos novos moradores, como transporte público e serviços de saúde e educação. A meta do governo é contratar 3 milhões de habitações até o final de 2026, em todo o país.

O complexo habitacional Junção é composto por seis empreendimentos distintos, com casas e apartamentos: Loteamento Cootrahab I e II, Residencial Cooparroio, Residencial Cooperlar, Residencial Coopernova e Residencial Uniperffil.

 


Entidades (RS), 20/01/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de entrega de 1.276 unidades habitacionais do Empreendimento Junção Rio Grande, no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de entrega de 1.276 unidades habitacionais do Empreendimento Junção Rio Grande, no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Entidades

As novas moradias beneficiarão 5.104 pessoas e integram a modalidade Entidades do Minha Casa, Minha Vida. Destinado a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850 (Faixa 1 do programa), essa modalidade permite que os próprios beneficiários participem de forma ativa da organização e execução dos projetos, junto a cooperativas e entidades sem fins lucrativos da sociedade civil.

O presidente Lula destacou as vantagens e o bom trabalho dessas organizações junto ao programa. Segundo ele, alguns empreendimentos da modalidade Entidades possuem, inclusive, elevador e varanda com churrasqueira.

“Quando nós começamos a discutir a construção de casas pelas entidades, havia muita gente que dizia […] que elas não teriam competência para administrar as casas. O que eu posso constatar hoje é que as entidades não só aprenderam a fazer conjuntos habitacionais, como eles conseguem fazer maior e melhor do que as outras casas que a gente contrata de empresas”, disse Lula.

As entidades também realizam o trabalho social de mobilização e orientação das famílias, inclusive no pós-entrega, para garantir a boa convivência comunitária e manutenção dos espaços. No caso do complexo Junção, em Rio Grande, a organização e execução dos projetos ficaram sob a responsabilidade de cinco cooperativas e entidades.

Desde o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, a Groenlândia, ilha pertencente à Dinamarca localizada entre os Estados Unidos e a Europa, entrou no radar de Donald Trump. O presidente do EUA tem gerado preocupação não só no velho continente quanto a seus próximos passos que, segundo ele, incluem a anexação do território. Esse cenário de tensão tem se espalhado e, no último fim de semana, chegou também à quadra. Durante um jogo da NBA em Londres, na Inglaterra, enquanto o hino do EUA era cantado, um torcedor gritou: “Deixe a Groenlândia em paz”. A iniciativa foi aplaudida por parte do público.
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O hino era cantado pela atriz Vanessa Williams, na apresentação do Star-Spangled Banner antes da partida entre Memphis Grizzlies e Orlando Magic, na O2 Arena, no último domingo (18). Em dado momento, uma pessoa gritou a frase a favor da ilha que foi arrastada para o centro de uma disputa. Vanessa continuou a cantar, mesmo com a reação do público de apoio ao torcedor. O momento foi gravado por pessoas nas arquibancadas, e uma delas compartilhou o vídeo nas redes sociais (veja abaixo).
A iniciativa elevou a preocupação de parte dos norte-americanos, que aguardavam o início do jogo. Muitos usaram as redes sociais para culpar Trump por reações como esta, destacou o Daily Mail.
Um comentou: ‘Trump transformou nosso país em um completo desastre’.
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E esta não foi a primeira vez que torcedores aproveitaram competições para reagir às ameaças feitas por Trump, lembrou o The Gardian. No Canadá houve vaia no Star-Spangled Banner em jogos de basquete e hóquei no gelo no ano passado assim que o presidente do EUA passou a afirmar que transformaria o país vizinho em um “51º estado”, além de ter aumentado as tarifas sobre produtos canadenses.
Mesmo em casa Trump foi vaiado por fãs de esportes, como aconteceu em um jogo do Washington Commanders nesta temporada.
Ameaças continuam
Donald Trump afirmou que líderes europeus não oferecerão muita resistência à sua tentativa de anexar a Groenlândia, em meio à crise aberta com aliados ocidentais pelo avanço do republicano em direção ao território no Ártico. Em uma série de publicações antes de viajar ao Fórum Econômico de Davos, o presidente do EUA fez provocações aos parceiros europeus, e voltou a afirmar textualmente que Washington acredita que apenas uma abordagem pela força pode conter adversários estratégicos.
Montagem publicada pelo Trump
Reprodução/Truth
“Eles não oferecerão muita resistência. Temos que conseguir. Eles têm que aceitar”, disse Trump a um repórter na Flórida que lhe perguntou o que ele planejava dizer aos líderes do Velho Continente que se opõem aos seus planos.
Durante a madrugada, o presidente americano voltou a se manifestar sobre a celeuma com os aliados na Europa, em publicações nas redes sociais. Trump disse ter conversado com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, por telefone, e que concordou com uma reunião à margem do encontro econômico em Davos, com diversas partes. O republicano disse ter “deixado claro” que o território semiautônomo da Dinamarca é “imprescindível para a segurança nacional e mundial” — um argumento que tem reiterado.
Imagem gerada por IA mostra líderes europeus enfileirados, ouvindo Trump; ao fundo, mapa mostra Groenlândia, Canadá e Venezuela como territórios americanos
Reprodução
Ainda durante a madrugada, o presidente americano publicou duas imagens geradas por IA. Em uma delas, líderes europeus — incluindo Macron e Rutte — aparecem em volta de uma mesa, olhando para Trump, enquanto ele discursa e gesticula ao lado de um mapa, que mostra a Groenlândia, o Canadá e a Venezuela com a bandeira americana.
Escavadeiras israelenses iniciaram nesta terça-feira a demolição da sede da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental, o que levou a organização a classificar o episódio como um “ataque sem precedentes”. Israel, por sua vez, acusa a UNRWA de servir de fachada para membros do Hamas e afirma que alguns de seus funcionários participaram do ataque terrorista em Israel, em 7 de outubro de 2023.
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Várias investigações — incluindo uma conduzida pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna — identificaram alguns “problemas relacionados à neutralidade” na UNRWA, mas consideram que Israel não apresentou provas conclusivas.
Escavadeiras israelenses demoliram edifícios da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental
ILIA YEFIMOVICH / AFP
“UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações naquele local e não mantinha mais pessoal da ONU nem realizava atividades ali. O recinto não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua apreensão pelas autoridades foi realizada de acordo com a legislação israelense e o direito internacional”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel, em comunicado.
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— A demolição é uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas — afirmou Roland Friedrich, diretor da UNRWA na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Segundo Jonathan Fowler, porta-voz da agência, forças israelenses “invadiram” o local e expulsaram os seguranças antes da entrada das escavadeiras, que iniciaram a demolição dos prédios.
— Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da [organização] — afirmou Fowler. — Isso deveria servir como um alerta. O que acontece hoje com a UNRWA pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática em qualquer lugar do mundo.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, fez uma breve visita ao local. Em comunicado, o ministro afirmou que “este é um dia histórico” e que os “apoiadores do terrorismo estão sendo removidos daqui”.
UNRWA em Israel e Gaza
O complexo em Jerusalém Oriental — parte da cidade de maioria árabe anexada por Israel — estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei que proibiu suas operações após meses de embate sobre o trabalho da agência na Faixa de Gaza. A proibição se aplica a Jerusalém Oriental, mas a UNRWA ainda opera na Cisjordânia ocupada e em Gaza.
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No início de dezembro, o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens do complexo pelas autoridades israelenses. Na ocasião, a polícia afirmou que a ação fazia parte de uma operação de cobrança de dívidas.
Em uma publicação no X, Lazzarini disse que as autoridades confiscaram “móveis, equipamentos de informática e outras propriedades”, e que a bandeira da ONU foi substituída por uma israelense.
À época, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a “entrada não autorizada” em “instalações das Nações Unidas”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou os Estados Unidos de tentar subordinar a Europa por meio de uma política de tarifas que classificou como “inaceitáveis” nesta terça-feira, durante a sua participação no Fórum Econômico de Davos, que reúne os principais líderes mundiais anualmente na Suíça. O discurso de Macron acontece em meio a uma disputa aberta com o presidente americano, Donald Trump, que ameaçou novas tarifas sobre a França, no contexto da discordância com os aliados europeus sobre a Groenlândia.
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— A competição dos EUA por meio de acordos comerciais que prejudicam nossos interesses de exportação exigem concessões máximas e visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa —disse Macron, que falou às autoridades reunidas na cidade suíça usando um óculos escuro espelhado. — [Essas tarifas] somadas a um acúmulo interminável de novas tarifas são fundamentalmente inaceitáveis, ainda mais quando usadas como forma de pressionar a soberania territorial.
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O discurso do presidente francês aconteceu horas após Trump voltar a provocar os aliados europeus, que se opõem às tentativas americanas de anexar a Groenlândia — território semiautônimo do Reino da Dinamarca no Ártico. Em uma série de mensagens na Truth Social, o presidente americano voltou a dizer que a aquisição do território é “imprescindível para a segurança nacional e mundial” e publicou imagens provocativas feitas por IA — uma delas, em que Macron aparece ao lado de uma fileira de líderes europeus, que ouvem Trump falar diante de um mapa em que Groenlândia, Canadá e Venezuela aparecem como territórios americanos.
Uma publicação em particular pareceu uma provocação ainda mais direcionada a Macron. Trump divulgou trechos de mensagens privadas enviadas pelo presidente francês, que em tom cordial parece tentar uma aproximação com o republicano, em meio às tensões entre os dois. O presidente dos EUA também publicou uma mensagem enviada pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, com quem anunciou ter falado.
Imagem gerada por IA mostra líderes europeus enfileirados, ouvindo Trump; ao fundo, mapa mostra Groenlândia, Canadá e Venezuela como territórios americanos
Reprodução
“Meu amigo, nós estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Nós podemos fazer grandes coisas no Irã. Eu não entendo o que você está fazendo na Groenlândia. Deixe-nos tentar construir grandes coisas”, diz um dos trechos das mensagens atribuídas a Macron, que também teria sugerido uma reunião do G7 e um jantar com Trump na quinta-feira, em Paris.
Em Davos, Macron disse que nenhuma reunião do G7 estava marcada para a quinta-feira, mas que a Presidência francesa estaria disposta a organizar um encontro.
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As tensões diretas entre Macron e Trump começaram com os novos avanços americanos em direção à Groenlândia, pouco depois do ataque à Venezuela. O líder francês atendeu a uma iniciativa europeia e enviou soldados para um treinamento no território ártico, em um momento em que o presidente dos EUA já havia retomado a retórica sobre anexação da região. Em resposta, Paris foi incluída em um novo tarifaço americano, direcionado aos oito países que enviaram militares para a ilha.
Macron foi um dos líderes europeus a reagir com mais intensidade — dentro de uma resposta ainda tímida e limitada ao campo retórico. Ele foi um dos principais defensores de que a União Europeia, em resposta, utilizasse o instrumento anticoerção (ACI, na sigla em inglês, apelidado de “bazuca” comercial da Europa), para restringir o acesso de companhias americanas ao mercado do bloco.
Em meio ao imbróglio, Trump ainda adicionou mais pressão sobre a França — e sobre Macron pessoalmente — e sugeriu que poderia impor uma tarifa de 200% sobre as exportações de vinho e champanhe franceses para os EUA, pela recusa de Macron em participar do Conselho da Paz em Gaza — uma medida vista por alguns líderes internacionais e meios diplomáticos como uma forma de contornar a ONU.
Em Davos, o presidente francês disse que prefere “o respeito do que os valentões” e “o Estado de Direito à brutalidade”.
— A França e a Europa estão ligadas à soberania e independência nacionais, às Nações Unidas e à sua carta — disse Macron. (Com AFP)
O governo brasileiro acompanha os sinais dos líderes dos demais países convidados antes de qualquer decisão sobre o convite feito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo mandatário americano, Donald Trump, para integrar um novo conselho internacional de paz. Segundo interlocutores que acompanham o tema em Brasília, a maior parte dos países tem adotado uma postura de espera, avaliando o conteúdo da proposta e observando como outros atores relevantes irão se posicionar.
O conselho foi apresentado pela gestão Trump como um foro voltado à discussão de temas ligados à paz internacional, com foco em Gaza. A proposta prevê a reunião de líderes e representantes internacionais com o objetivo de supervisionar a reconstrução e a governança do território, hoje destruído após anos de conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas.
De acordo com diplomatas ouvidos pelo GLOBO, o texto encaminhado por Trump não foi apresentado como base para negociação, mas como uma proposta fechada, o que levou diferentes países a ganhar tempo para analisar seus termos, considerados complexos. Nos bastidores, a avaliação é que os principais convidados estão “testando” o cenário para entender se haverá espaço para mudanças no desenho original da iniciativa. A impressão é que, embora a proposta não tenha sido apresentada como negociável, isso não significa, segundo esses diplomatas, que ajustes estejam descartados ao longo do processo.
Esses interlocutores citam a Argentina como um caso à parte, por avaliarem que o governo do presidente Javier Milei tem demonstrado disposição para aderir às iniciativas propostas por Washington, enquanto a maior parte dos demais países prefere aguardar e analisar o conteúdo do texto antes de se posicionar.
Além de Lula e Milei, estão entre os convidados o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o genro de Trump, Jared Kushner; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, indicado para o cargo de diretor-geral do colegiado. A lista completa de convidados, assim como a composição final do conselho, ainda não está plenamente esclarecida.
Faltam detalhes
Auxiliares do presidente afirmam que a decisão ainda não foi tomada, diante da necessidade de analisar com profundidade os objetivos do grupo, os custos potenciais e a relação da proposta com as instituições multilaterais existentes, como a Organização das Nações Unidas, que tradicionalmente lidera esforços de paz e que, segundo críticos, estaria sendo em parte ofuscada pela iniciativa americana. O modelo de governança proposto, com forte concentração de poder sob a presidência vitalícia de Trump e mecanismos específicos de financiamento, tem suscitado cautela no Palácio do Planalto quanto às implicações políticas e diplomáticas.
Outro ponto de preocupação na análise brasileira é a composição dos convidados e o papel de atores centrais no conflito. Embora a administração americana tenha estendido convites a diversos líderes e figuras internacionais — e tenha convidado formalmente Israel para participar do conselho, segundo autoridades israelenses — não há representantes palestinos entre os membros anunciados. Essa ausência tem sido apontada por observadores e críticos como uma lacuna relevante da proposta e alimenta dúvidas no Itamaraty sobre o alinhamento da iniciativa com os princípios do multilateralismo e da inclusão de todas as partes envolvidas.
Dúvidas sobre o alcance do novo órgão também pesam na análise feita no Itamaraty. Ainda não está claro se a iniciativa foi concebida para tratar especificamente da situação na Faixa de Gaza ou se há a pretensão de criar uma instância internacional mais ampla, com atribuições que extrapolem esse conflito.
Segundo integrantes do governo Lula, ainda faltam informações consideradas essenciais, como os procedimentos formais de adesão e a definição de prazos para resposta. Diante desse quadro, a avaliação é de que a decisão exige cautela e uma leitura atenta do movimento dos demais países.
O desenho do conselho prevê mandatos de três anos, renováveis, e uma estrutura com forte concentração de poder na presidência do órgão, que ficaria com Trump. O texto, com quatro páginas, também menciona a possibilidade de participação permanente mediante o pagamento de US$ 1 bilhão, alternativa associada a mandatos vitalícios. A representação, nesses casos, seria dos países, e não de seus presidentes individualmente.
A facilidade encontrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em avançar com os pontos mais polêmicos de sua agenda política no primeiro ano de governo, interna e externamente, fomentou a imagem de um líder despreocupado com a oposição e confiante no apoio de uma base de fidelidade inquestionável. A projeção de um conjunto de apoiadores homogêneo e alinhado aos ideais mais radicais do republicano, porém, não corresponde à realidade, segundo um relatório publicado nesta terça-feira. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou nesta semana 12 minutas com propostas de alterações nas regras para as Eleições 2026. As mudanças tratam de calendário eleitoral, manifestações na pré-campanha, pesquisas eleitorais, critérios para distribuição de recursos eleitorais e responsabilidade pela remoção de conteúdos digitais com ataques ao processo eleitoral, entre outros temas. 

Desde segunda-feira (19), qualquer cidadão ou entidade que queira opinar sobre as regras para as Eleições 2026 pode usar um formulário eletrônico para enviar contribuições. As sugestões serão recebidas até 30 de janeiro. 

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Terminado o prazo, o TSE deverá selecionar as melhores propostas para serem apresentadas em uma série de audiências públicas marcadas entre os dias 3 e 5 de fevereiro. Pela Lei das Eleições, o plenário do TSE tem até 5 de março do ano eleitoral para debater e aprovar todas as normas. 

Conforme determinado pela Constituição, o primeiro turno das Eleições 2026 ocorrerá em 3 de outubro, primeiro domingo do mês, e o segundo turno, em 31 de outubro, último domingo. Neste ano, os eleitores devem votar para presidente, governador e senador, além de deputados federal, estadual e distrital. 

>> Confira as 12 minutas de resolução eleitoral para 2026 no portal do TSE.

Redes sociais e IA

Como de praxe, as minutas de resolução eleitoral foram assinadas pelo vice-presidente do TSE, posto atualmente ocupado pelo ministro Nunes Marques. 

Entre as principais sugestões está o aumento da responsabilidade das plataformas de redes sociais por conteúdos que promovam ataques ao processo eleitoral. O ministro propôs que as empresas provedoras sejam obrigadas a retirar do ar as publicações mesmo sem autorização judicial. 

Pela regra vigente, que valeu para as últimas eleições municipais, os provedores de serviços de redes sociais somente poderiam ser responsabilizados caso descumprissem alguma decisão judicial. Nunes Marques propôs aumentar o rigor contra esse tipo de conteúdo. 

O ministro, contudo, deixou inalteradas as regras sobre a utilização de inteligência artificial durante a campanha. Em 2024, o TSE aprovou uma série de normas para o uso de IA na propaganda eleitoral, incluindo a vedação do chamado deep fake ─ conteúdo fabricado em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos e que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia. 

>> Entenda as regras para utilização de IA nas eleições.

Pré-campanha

O ministro também incluiu novas exceções para o comportamento de candidatos na pré-campanha. Ele propôs, por exemplo, liberar as lives em perfis nas redes sociais de pré-candidatos não configura campanha antecipada, embora deixando claro que as transmissões ao vivo não podem ter pedido de votos ou menção à própria candidatura. 

Ele também propôs regras mais claras para isentar pessoas naturais por críticas feitas à administração pública atual, mesmo se feita com a contratação de impulsionamento na internet, “desde que ausentes elementos relacionados à disputa eleitoral”, escreveu o ministro.  

A proposta assinada por Nunes Marques libera as manifestações espontâneas “em ambientes universitários, escolares, comunitários ou de movimentos sociais, respondendo os responsáveis por eventuais abusos nos termos da lei”. A exceção seria válida somente se a presença do pré-candidato no local ou o evento não tiverem sido financiados, direta ou indiretamente, por pré-candidatas, pré-candidatos, partidos ou federações.

Em relação ao financiamento de campanha, Nunes Marques sugeriu, por exemplo, que os partidos possam alterar os critérios de distribuição dos recursos até o 30 de agosto, desde que a mudança seja justificada. Tais critérios devem ser aprovados pela maioria do diretório nacional das siglas. 

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