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Quem eram os gigantes que moldavam a paisagem terrestre antes mesmo de existirem árvores? Há cerca de 400 milhões de anos, quando a vida fora da água ainda dava seus primeiros passos, estruturas com até oito metros de altura se erguiam em vastas regiões do planeta. Conhecidos como prototaxitos, esses organismos dominaram ecossistemas primitivos e, por mais de um século, desafiaram as tentativas de classificação da ciência.
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Em um mundo sem florestas ou animais terrestres complexos, musgos e pequenos insetos cobriam o solo enquanto os prototaxitos se destacavam como verdadeiras torres vivas. Seu tamanho e abundância fizeram deles as maiores estruturas do período Devoniano, funcionando como uma espécie de antecessor das florestas modernas — embora sua natureza biológica permanecesse incerta.
O enigma começou no século XIX, quando o geólogo John William Dawson descreveu os primeiros fósseis encontrados no Canadá, na década de 1850, como restos de árvores primitivas, chegando a chamá-los de “primeira conífera”. A interpretação parecia plausível, mas esbarrava em um problema central: naquela época, árvores ainda não existiam. Desde então, os prototaxitos já foram classificados como plantas, algas, líquens e, mais recentemente, fungos gigantes.
Um fóssil que não se encaixa
Agora, um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Edimburgo reacende o debate ao analisar fósseis excepcionalmente preservados de Prototaxites taiti, encontrados no sílex de Rhynie, na Escócia. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (21) na revista Science Advances e se baseia em um depósito formado próximo ao equador há cerca de 400 milhões de anos, famoso por conservar organismos com detalhes microscópicos.
A análise revelou uma estrutura interna inesperada: redes complexas de tubos de diferentes tamanhos e formatos, alguns ramificados, outros curvos, com paredes que exibiam padrões de crescimento. Segundo Alexander “Sandy” Hetherington, um dos autores, essas características não correspondem às de fungos ou plantas primitivas conhecidas. “Em todos os livros de anatomia sobre fungos vivos, nunca encontramos estruturas como essas”, afirmou.
A equipe também realizou análises químicas em busca de quitina, componente típico das paredes celulares dos fungos, mas não encontrou vestígios nos prototaxitos. O contraste foi claro: outros fungos preservados no mesmo depósito apresentaram sinais químicos dessa substância. Técnicas de aprendizado de máquina reforçaram o resultado, identificando os fósseis como pertencentes a um grupo distinto de plantas, fungos e outros eucariotos conhecidos.
A conclusão, destacada no próprio artigo, é direta: nenhum grupo existente reúne todas as características observadas nos prototaxitos. Para os autores, a hipótese mais consistente é a de que esses organismos representem uma linhagem completamente nova e hoje extinta da árvore da vida.
Especialistas independentes acolheram as evidências com cautela e curiosidade. A paleobióloga Vivi Vajda, do Museu Sueco de História Natural, concordou que os dados não sustentam a hipótese fúngica e sugeriu que a busca por fósseis com assinaturas químicas semelhantes pode ajudar a rastrear essa linhagem perdida. Já Matthew Nelsen, do Museu Field, destacou que o caso reforça a ideia de que a diversidade da vida terrestre primitiva era muito maior do que se supunha.
Durante milhões de anos, os prototaxitos alteraram a dinâmica da luz, da umidade e dos nutrientes em paisagens sem árvores. Seu desaparecimento completo, sem descendentes identificáveis, lembra que a evolução não seguiu um caminho linear até as formas atuais, mas foi marcada por experimentos que prosperaram e se extinguiram. Hoje, esses colossos silenciosos deixam de ser apenas uma curiosidade fóssil e passam a questionar os limites das categorias com que a ciência tenta organizar a história da vida na Terra.
Um novo estudo da Universidade de Cambridge coloca os seres humanos entre os mamíferos com maiores níveis de monogamia, mais próximos de espécies como suricatos e castores do que da maioria dos outros primatas. A pesquisa apresenta um ranking comparativo de monogamia baseado na proporção de irmãos completos e meio-irmãos em diferentes espécies animais e em populações humanas ao longo de milhares de anos.
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Durante décadas, a compreensão sobre o comportamento reprodutivo humano se apoiou sobretudo em fósseis e em estudos antropológicos de campo, enquanto, nos animais, observações prolongadas e testes genéticos de paternidade ajudaram a revelar padrões de acasalamento. O novo trabalho, liderado por Mark Dyble, do Departamento de Arqueologia de Cambridge, e publicado na revista Proceedings of the Royal Society: Biological Sciences, segue outro caminho: usa a relação entre irmãos completos — que compartilham pai e mãe — e meio-irmãos como um indicador do grau de exclusividade reprodutiva.
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Segundo Dyble, sociedades e espécies mais monogâmicas tendem a produzir uma proporção maior de irmãos completos, enquanto sistemas poligâmicos ou promíscuos resultam em mais meio-irmãos. Com base nisso, o pesquisador desenvolveu um modelo computacional que associa dados genéticos recentes a estratégias reprodutivas conhecidas, permitindo comparar humanos e outros mamíferos.
“Existe uma primeira divisão da monogamia, na qual os humanos se encaixam confortavelmente, enquanto a vasta maioria dos outros mamíferos adota uma abordagem muito mais promíscua do acasalamento”, afirmou Dyble. “A constatação de que as taxas humanas de irmãos completos se sobrepõem às observadas em mamíferos socialmente monogâmicos reforça a visão de que a monogamia é o padrão dominante da nossa espécie”.
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O debate sobre se os humanos são naturalmente monogâmicos atravessa séculos. Muitos estudiosos defendem que vínculos duradouros entre pares favoreceram a cooperação e o sucesso evolutivo da espécie. Ao mesmo tempo, antropólogos registraram grande diversidade nos sistemas de casamento: pesquisas anteriores indicam que 85% das sociedades pré-industriais permitiam a poliginia, em que um homem se casa simultaneamente com várias mulheres.
Para estimar os níveis humanos de monogamia, Dyble analisou dados genéticos de sítios arqueológicos — como sepultamentos da Idade do Bronze na Europa e assentamentos neolíticos na Anatólia — e os combinou com informações etnográficas de 94 sociedades atuais, de caçadores-coletores Hadza, na Tanzânia, a agricultores de arroz Toraja, na Indonésia.
“Há uma enorme diversidade intercultural nas práticas humanas de acasalamento e casamento, mas mesmo os extremos do espectro ainda ficam acima do que vemos na maioria das espécies não monogâmicas”, disse o pesquisador.
O estudo aponta que os humanos apresentam uma taxa média de 66% de irmãos completos. Isso coloca a espécie na sétima posição entre 11 analisadas e firmemente no grupo considerado socialmente monogâmico, com preferência por vínculos de longo prazo.
Entre os animais, os suricatos têm 60% de irmãos completos, enquanto os castores superam ligeiramente os humanos, com 73%. O primata mais próximo é o gibão-de-mãos-brancas, com 63,5%. Já o tamarim-bigodudo, da Amazônia, alcança quase 78%, sendo o único outro primata no grupo superior. Em contraste, gorilas-das-montanhas apresentam apenas 6%, chimpanzés 4% — nível semelhante ao dos golfinhos — e macacos do gênero macaque ficam abaixo de 3%.
Dyble destaca que a monogamia humana representa uma mudança evolutiva incomum: “Com base nos padrões de acasalamento dos nossos parentes vivos mais próximos, como chimpanzés e gorilas, a monogamia humana provavelmente evoluiu a partir de uma vida em grupo não monogâmica, uma transição altamente incomum entre os mamíferos”.
No topo do ranking está o rato-cervo da Califórnia, com 100% de irmãos completos, enquanto, no extremo oposto, a ovelha Soay, da Escócia, registra apenas 0,6%. Para Dyble, o diferencial humano está no fato de viver em grandes grupos sociais com múltiplos casais exclusivos e várias fêmeas reproduzindo simultaneamente.
“Este estudo mede a monogamia reprodutiva, não o comportamento sexual”, ressaltou. “Nos humanos, métodos contraceptivos e práticas culturais quebram o vínculo direto entre sexo e reprodução. Temos uma gama de arranjos — da monogamia serial à poligamia estável — que gera uma mistura de irmãos completos e meio-irmãos com forte investimento parental”.
Uma nova regulamentação na cidade de The Dalles, cidade americana localizada no estado de Oregon, limita quantos cães adultos cada domicílio pode ter e obriga que todos estejam licenciados, vacinados contra a raiva e com coleira em espaços públicos.
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A medida, que busca reduzir conflitos entre vizinhos e melhorar o controle animal, acendeu o debate entre famílias que veem seus cães como parte da família e temem que esses limites mudem para sempre a forma de convivência com seus animais de estimação.
A nova lei estabelece um teto claro para o número de cães adultos por residência: até quatro em casas unifamiliares e apenas dois em apartamentos ou edifícios multifamiliares, além de permitir somente uma fêmea destinada à reprodução por domicílio. Essa regulamentação, que pode soar exagerada para muitas famílias latinas nos Estados Unidos, abre um debate que envolve tanto o afeto pelos animais quanto o peso das normas locais no cotidiano.
Em um país onde milhões de hispânicos transformaram seus cães em parte central da dinâmica familiar, qualquer tentativa de regular quantos podem viver sob o mesmo teto é percebida quase como uma interferência na intimidade do lar.
As autoridades insistem que a medida busca prevenir superlotação, conflitos com vizinhos e situações de negligência, em um contexto de convivência urbana cada vez mais tensa, no qual governos locais tentam impor ordem sem romper completamente o vínculo emocional entre a comunidade e seus animais.
Como é a nova lei no Oregon?
A nova lei atualiza o código municipal de controle de cães, e vigora desde 7 de janeiro de 2026. Na prática, estabelece uma distinção clara entre tipos de moradia: em casas unifamiliares, são permitidos até quatro cães adultos; já em duplex, prédios e outras residências multifamiliares, o limite cai para dois cães adultos por unidade, com apenas uma cadela destinada à reprodução em cada endereço.
O que acontece com quem já ultrapassa o limite?
Um dos pontos mais delicados diz respeito aos donos que, antes da vigência da norma, já conviviam com mais cães do que o permitido atualmente. A cidade criou uma regulamentação especial para esses casos, semelhante ao que nos Estados Unidos é conhecido como “grandfathering”, que permite manter os animais existentes sem sanções imediatas, desde que sejam cumpridos prazos e condições específicas.
Os proprietários devem informar formalmente sua situação ao serviço de controle animal dentro de 60 dias após o início da ordenança, com prazo final em 8 de março de 2026, e depois obter uma licença para cada cão até, no máximo, 1º de julho de 2026. Há um detalhe central: os cães registrados nesse regime não podem ser substituídos; à medida que morram, sejam doados ou deixem o domicílio por qualquer motivo, o número total deverá diminuir até se adequar ao limite legal. Para famílias que costumam resgatar cães de rua ou de abrigos, essa cláusula funciona como um freio, mesmo que, por ora, possam manter toda a “matilha”.
Licenças, vacinas e obrigações
A norma também reforça o sistema de licenciamento obrigatório de cães dentro da cidade. Para obter a licença, os donos precisam apresentar comprovante de vacinação antirrábica válida e pagar uma taxa definida na tabela municipal, em linha com o que já ocorre em outros condados do Oregon. Concluído o processo, cada cão recebe uma placa de identificação, que deve estar presa à coleira sempre que o animal não estiver sob supervisão direta do tutor, servindo como prova de registro e vacinação.
A lei não se limita ao ambiente doméstico e endurece as regras para cães nas ruas e em outros espaços públicos. A partir de agora, os animais devem estar sempre com coleira quando estiverem fora da propriedade do dono, exceto em áreas específicas destinadas a cães soltos. Aqueles que estiverem sem controle podem ser considerados “em circulação”, o que permite sua apreensão pelas autoridades.
Além disso, a lei prevê a apreensão de cães sem licença ou que fiquem sem supervisão. Esse ponto gerou críticas de defensores dos direitos dos animais, que temem que alguns acabem em abrigos superlotados ou até sejam sacrificados caso não encontrem adotantes a tempo.
Tendência em outras cidades e debate cultural
A atualização do código em The Dalles faz parte de uma tendência mais ampla nos Estados Unidos: um número crescente de cidades vem regulamentando de forma mais rigorosa a posse responsável de animais, com limites de quantidade, exigências de licenças e regras estritas sobre uso de coleira e circulação em espaços públicos. Entre moradores e organizações, as opiniões se dividem. Há quem comemore o combate à superlotação, aos maus-tratos e aos cães soltos que colocam pedestres e outros animais em risco; outros veem a medida como uma interferência na vida privada de famílias que cuidam bem de vários cães, mas não se enquadram no novo modelo.
A Rússia lançou ataques aéreos contra as duas maiores cidades da Ucrânia, Kiev e Kharkiv, na madrugada deste sábado (24), deixando ao menos um morto e 23 feridos, segundo autoridades ucranianas. Um hospital, uma maternidade e um centro de alojamento para pessoas também foram atingidos.
Em Kiev, o prefeito Vitali Klitschko informou que uma pessoa morreu vítima do bombardeio. Os ataques provocaram incêndios em distritos localizados em ambos os lados do rio Dnipro, que corta a capital. De acordo com Klitschko, o fornecimento de água e de energia elétrica foi interrompido em áreas da cidade situadas a leste do rio.
A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a ofensiva contra a capital envolveu o uso de drones e mísseis. Já o chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, relatou que ao menos quatro distritos foram atingidos, incluindo uma unidade de saúde entre os prédios danificados.
Desde o início do ano, Kiev foi alvo de dois ataques noturnos de grande escala que deixaram milhares de edifícios residenciais sem energia elétrica e aquecimento em meio a um inverno rigoroso, com temperaturas chegando a -15 ºC. Equipes de emergência ainda trabalhavam na restauração dos serviços neste sábado, quando o ataque provocou novos incêndios.
Em Kharkiv, cidade que fica a cerca de 30 quilômetros da fronteira com a Rússia e também é alvo frequente de bombardeios, o prefeito Ihor Terekhov informou que 25 drones atingiram diferentes distritos ao longo de duas horas e meia. De acordo com os relatos iniciais, pelo menos 11 pessoas ficaram feridas. Uum hospital, uma maternidade e um centro de acolhimento para pessoas desabrigadas estão entre os prédios danificados.
O ataque começou horas depois do primeiro encontro trilateral entre representantes da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos desde o início da guerra, em 2022. Na tarde desta sexta-feira, delegações dos três países se reuniram sob a mediação dos Emirados Árabes Unidos para tentar uma negociação de cessar-fogo. Inicialmente, as conversas estão previstas para continuar ao longo do fim de semana.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, contou a influenciadores digitais venezuelanos que ela e outros líderes chavistas foram ameaçados de morte por autoridades americanas no dia da captura de Nicolás Maduro, e que tiveram 15 minutos para escolher entre a colaboração ou a morte. As declarações de Delcy vieram à tona após o vazamento de uma gravação em vídeo de uma reunião presidida pelo então ministro das Comunicações e Informação venezuelano, Freddy Ñáñez, com influenciadores simpáticos ao regime — em um indicativo de que o governo tenta manter a narrativa interna, enquanto estabiliza a situação com os EUA. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma forte tempestade de inverno, com “temperaturas congelantes”, começa a se formar nesta sexta-feira e deve afetar cerca de dois terços dos Estados Unidos continentais nos próximos dias. O fenômeno deve levar uma combinação de neve, granizo e chuva congelante desde o Texas e as Grandes Planícies, no centro do país, até os estados do Meio-Atlântico e do nordeste. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS, na sigla em inglês), mais de 180 milhões de pessoas podem ser impactadas, com riscos como estradas cobertas de gelo, interrupções no fornecimento de energia, cancelamento de milhares de voos, dificuldades no transporte e risco de hipotermia. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira que dois supostos narcotraficantes morreram em um ataque contra uma embarcação no Pacífico oriental, e que a Guarda Costeira procura uma terceira pessoa que sobreviveu.
“A inteligência confirmou que a embarcação transitava por rotas conhecidas do narcotráfico no Pacífico oriental e que estava envolvida em operações de tráfico de drogas”, informou o Comando Sul dos Estados Unidos em uma publicação no X.
O ataque marca a primeira ação registrada após a operação dos Estados Unidos que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, em território venezuelano. Antes disso, a última ofensiva divulgada havia ocorrido em 31 de dezembro, quando dois barcos foram atingidos por bombardeios, deixando cinco mortos.
Desde setembro de 2025, as forças americanas já conduziram ao menos 35 ataques contra embarcações no Pacífico e no Caribe, que somam 117 mortes. As operações têm sido alvo de críticas de especialistas e de questionamentos por parte da ONU.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta sexta-feira que pedirá ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que verifique o número de presos políticos libertados nas últimas semanas, um processo que avança a passos de tartaruga devido à pressão dos Estados Unidos.
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O governo alega que mais de 600 presos foram libertados desde dezembro, mas esse número contrasta com os relatórios de ONGs, em meio a protestos de familiares em frente às prisões, que denunciam a lentidão das libertações.
Nesta sexta-feira, Delcy afirmou que 626 pessoas foram libertadas da prisão até o momento como parte de um processo de soltura em andamento, mas não especificou o cronograma das solturas relatadas.
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A organização venezuelana Foro Penal confirmou a soltura de apenas 154 presos políticos desde 8 de janeiro. Na última atualização publicada em 19 de janeiro, o grupo afirma que ainda há 777 pessoas detidas sob essas condições no país.
Na segunda-feira, “terei uma conversa telefônica com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk”, e “pedirei a ele que seu escritório verifique as listas de pessoas libertadas na Venezuela”, anunciou Rodríguez em um pronunciamento televisionado.
* Matéria em atualização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (23) que a política mundial atravessa um momento crítico, “com o multilateralismo sendo jogado fora pelo unilateralismo”. Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula disse que a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo rasgada e criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

“Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos países [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de México, do Brasil, de países africanos… E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou Lula.

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O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para compor conselho da Paz, que será criado para supervisionar o trabalho de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês). 

Lula disse ainda que está telefonando para vários líderes mundiais para discutir o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

“Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”, pontuou.

O presidente voltou a criticar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama, deputada Cilia Flores.

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”, disse.

Citando os Estados Unidos, Cuba, a Rússia e a China, como exemplos, Lula disse ainda que o Brasil não tem preferência de relação com qualquer país, mas que não vai aceitar “voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”.

O presidente também criticou a postura de Trump, que, segundo ele, toda vez que aparece na televisão se gaba de ter o exército e as armas mais poderosas do mundo. Lula disse querer fazer política na paz, no diálogo e não aceitando imposição de qualquer país.

“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.

Encontro do MST

O 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) terminou com um ato marcando os 42 anos do MST, celebrados no dia 22 de janeiro e que contou com a presença de autoridades, parlamentares, representantes de movimentos sociais e sindicais, além de apoiadores do movimento.

O encontro, que começou na segunda-feira (19), reuniu delegações de todo o Brasil, com mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras sem terra. Durante os cinco dias, membros do MST debateram reforma agrária, produção de alimentos saudáveis, agroecologia, agricultura familiar, a conjuntura política atual, seus desafios e o papel do movimento neste contexto.

Ao final, uma carta do movimento foi entregue ao presidente. No texto, o MST também critica a tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e do imperialismo no continente, citando a invasão da Venezuela e o ataque à soberania dos povos. No documento, o movimento alerta que ações como essa têm como pano de fundo o “saque” de bens comuns da natureza como petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas.

O texto reafirma ainda os princípios do movimento: a luta pela reforma agrária e pelo socialismo; a crítica ao modelo do agronegócio, da exploração mineral e energética; a luta anti-imperialista e o internacionalismo; além da solidariedade, em especial com a Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.

“Assim convocamos toda a sociedade brasileira para: – lutar por melhores condições de vida e trabalho e em defesa da paz e da soberania contra as guerras e as bases militares; avançar na luta em defesa da natureza e contra os agrotóxicos. Contamos com a participação de todos e todas que nos apoiam e à classe trabalhadora a se somarem na luta pela Reforma Agrária Popular, rumo à construção de outro projeto de país”, finaliza o documento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira estar “indignado com o que aconteceu na Venezuela”, em referência à intervenção militar dos Estados Unidos no país caribenho que capturou o então líder do regime venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Nos dias seguintes, o governo de Donald Trump passou a respaldar a presidência da vice de Maduro, Delcy Rodríguez. O ex-ditador está preso em Nova York, onde responde à Justiça americana por suposto envolvimento com o narcotráfico.
— Sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão num forte, que é um quartel, onde morava o Maduro, e levam o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz — disse Lula durante discurso em Salvador.
O presidente falou a uma plateia de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) durante um evento do movimento social, próximo ao PT e simpático ao chavismo.
Logo no início do evento, com Lula no palco, militantes do MST leram uma carta que também condenava o “a agressão à Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores (esposa de Maduro também capturada por militares americanos), foi uma mensagem atroz para os povos de todo o mundo, em especial de nossa América Latina. Seus interesses são os saques dos nossos bens comuns da natureza: petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas, mas também a tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e da soberania dos povos”, afirma o documento.
A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela é amplamente classificada como ilegal por especialistas, entre outros motivos, porque não obteve o respaldo da Organização das Nações Unidas (ONU). Trump tampouco obteve o aval do Congresso americano para conduzir os bombardeios a Carecas, sob o argumento de que a informação poderia vazar.
O governo Lula tem condenado a ação militar americana no país vizinho e o presidente brasileiro tem articulado com demais chefes de Estado na América Latina uma defesa conjunta à soberania nacional dos países e à autodeterminação dos povos.
Apesar de já ter sido próximo de Maduro, a ponto de gravar um vídeo aos venezuelanos pedindo votos ao chavista, em 2013, Lula se distanciou do regime chavista nos últimos anos e o governador brasileiro não reconheceu a reeleição do venezuelano em 2024. A última eleição presidencial na Venezuela foi marcada por denúncias de fraude massiva cometida pelo regime de Maduro.

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