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Como uma tumba pode atravessar 14 séculos e reaparecer quase intacta? Nos Vales Centrais de Oaxaca, no sul do México, arqueólogos anunciaram, neste mês de janeiro, a descoberta de uma sepultura zapoteca de cerca de 1.400 anos, descrita como “a descoberta arqueológica mais significativa da última década”. A estrutura de pedra havia se perdido na história e agora reaparece com esculturas, murais e símbolos de forte caráter ritual.
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Construída pela cultura zapoteca — que se autodenominava Be’ena’a, ou “O Povo das Nuvens” —, a tumba reflete a crença de que os ancestrais desceram das nuvens e, após a morte, retornavam aos céus como espíritos. Na entrada, uma enorme coruja esculpida, com o bico aberto revelando o rosto de um senhor zapoteca, simboliza morte e poder, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH). O acesso é marcado por verga e limiar de pedra, acima dos quais um friso com placas gravadas exibe antigos nomes calendáricos.
Rituais, símbolos e preservação
Flanqueando a entrada, figuras de um homem e uma mulher com cocares e objetos rituais — possivelmente guardiões do túmulo — conduzem à câmara funerária, onde trechos de um mural vibrante permanecem preservados. A pintura mostra uma procissão de personagens carregando feixes de copal, resina usada em cerimônias, avançando em direção à entrada da tumba. Para a presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, “esta é a descoberta arqueológica mais importante da última década no México, devido ao seu nível de preservação e às informações que fornece”.
A secretária de Cultura, Claudia Curiel de Icaza, atribuiu o caráter “excepcional” da descoberta ao estado de conservação, destacando que o achado revela a organização social e os rituais funerários zapotecas. “É um exemplo fascinante da antiga grandeza do México, que agora está sendo pesquisada, protegida e compartilhada com a sociedade”, afirmou. Uma equipe interdisciplinar do Centro INAH de Oaxaca atua na conservação do sítio, com atenção à pintura mural, considerada frágil devido a raízes, insetos e variações de temperatura e umidade. Paralelamente, estudos cerâmicos, iconográficos e epigráficos, além de análises de antropologia física, buscam ampliar a compreensão das práticas funerárias.
Com mais de 2.500 anos de história, os zapotecas ergueram uma das grandes civilizações pré-colombianas, centrada em Monte Albán, com agricultura e escrita avançadas. A civilização entrou em declínio por volta de 900 d.C., mas não desapareceu: hoje, ao menos 400 mil pessoas se identificam como zapotecas.
A descoberta se soma a outra revelação recente na região. Em 2024, arqueólogos anunciaram a identificação de câmaras e túneis subterrâneos em Mitla — cujo nome significa “lugar dos mortos” — sob uma igreja construída pelos espanhóis no século XVI sobre um antigo templo. Segundo Marco Vigato, fundador do Projeto ARX, alguns túneis “se estendem a uma profundidade considerável, superior a 15 metros”. As estruturas foram detectadas por métodos não invasivos, como radar de penetração no solo e tomografias elétrica e sísmica, mas a idade exata ainda é desconhecida. “Podem ter sido criadas pelos zapotecas, ou podem ser muito mais antigas”, disse Vigato, ressaltando que os resultados precisam ser confirmados por escavações arqueológicas.
Uma investigação que se estendeu por quase uma década teve um avanço decisivo na Flórida com a identificação dos restos mortais de Jacob Lyon, jovem desaparecido desde 2015. Segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Walton (WCSO), na Flórida, fragmentos de esqueleto encontrados em 20 de outubro de 2022, na praia de Miramar, foram confirmados como sendo de Lyon nesta segunda-feira (26).
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Jacob Lyon tinha 19 anos quando foi dado como desaparecido pela mãe, em fevereiro de 2016, após cerca de três meses sem contato. Os restos mortais foram localizados por um homem que fazia a limpeza de uma área arborizada próxima a um antigo hotel. Durante dois anos, o médico-legista do Distrito 1 tentou identificar a quem pertenciam os ossos, sem sucesso.
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No fim de 2024, o médico-legista solicitou o envio de amostras ao Departamento de Polícia da Flórida (FDLE) para análise genética. O WCSO explicou que exames de DNA em restos mortais antigos são especialmente complexos, devido à degradação do material genético e à exposição ambiental, o que torna o processo longo e tecnicamente desafiador. No início deste ano, a FDLE informou que a ossada pertencia a Jacob Lyon.
“Este não é o desfecho que nossa comunidade esperava”, escreveu o gabinete do xerife, em nota. “Para a família, esperamos que haja algum conforto em saber que Jacob foi encontrado.” As autoridades informaram que a investigação continuará em conjunto com o Departamento de Polícia de Niceville.
A causa da morte permanece desconhecida. De acordo com o major Dustin Cosson, do WCSO, o local onde os restos mortais foram encontrados mudou completamente ao longo dos anos, o que dificulta a reconstituição dos fatos. A área ficava atrás de um hotel que já não existe mais, e os investigadores agora revisitam relatórios antigos em busca de pistas e possíveis conexões.
Em uma publicação nas redes sociais, Judith, mãe de Jacob, pediu orações e falou sobre o impacto da confirmação para a família. “Sempre amado e jamais esquecido. Eu te amo e sinto sua falta, filho”, escreveu. Segundo o Charley Project, Lyon vivia entre Niceville e Mossy Head com parentes e havia sido internado involuntariamente em um hospital psiquiátrico em outubro de 2015, informação citada pela revista People. Cartazes divulgados por familiares também mencionavam histórico de doença mental.
A Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica no Espaço, em português) se prepara para o lançamento da missão Artemis II, primeiro voo tripulado do novo programa de exploração lunar da agência. A aposta é o foguete Space Launch System (SLS), de 98,3 metros de altura — pouco maior que a Estátua da Liberdade, em Nova York, por exemplo. O lançamento da nave está previsto para o dia 6 de fevereiro deste ano, marcando o início da abertura da janela de lançamentos da missão.
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O programa ocorre cerca de 54 anos depois da última vez que o homem pisou na Lua, em 14 de dezembro de 1972, durante a Apollo 17. O mesmo programa também foi responsável por levar os humanos à superfície lunar pela primeira vez em 1969, quando Neil Armstrong comandou a Apollo 11. Junto com Buzz Aldrin e Michael Collins, Armstrong concluiu com sucesso o primeiro pouso tripulado na Lua em 20 de julho daquele ano.
Composta por quatro membros, a tripulação da Artemis II vai decolar a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo SLS, em um voo com duração de aproximadamente 10 dias. A expectativa é que eles verifiquem os sistemas da Orion e realizem testes de demonstração de mira relativamente próximo à Terra antes de iniciar a jornada em direção à Lua, segundo informações da CNN Brasil.
A equipe parte do Complexo de Lançamento 39B, no Centro Especial Kenndy da Nasa, na Flórida. O objetivo por enquanto é sobrevoar o satélite natural, testar sistemas e garantir que toda a infraestrutura humana e tecnológica esteja pronta para as próximas fases do programa. Entre os convocados para a missão estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Conheça abaixo os quatro integrantes:
Reid Wiseman
Reid Wiseman
Divulgação/Administração Nacional da Aeronáutica no Espaço (Nasa)
Selecionado como astronauta da Nasa em 2009, Gregory Reid Wiseman foi designado como comandante da missão Artemis II. Natural de Baltimore, no estado de Maryland, ele é formado em Engenharia de Computação e tem mestrado em Engenharia de Sistemas. Wiseman serviu como engenheiro de voo a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) para a Expedição 41, de maio a novembro de 2014. Ele também atuou como chefe do Escritório de Astronautas da Nasa entre 2020 e 2022.
Victor J. Glover
Victor J. Glover
Divulgação/Administração Nacional da Aeronáutica no Espaço (Nasa)
Definido como piloto da missão Artemis II, Victor J. Glover foi selecionado como astronauta da Nasa em 2013. Nascido em Pomona, na Califórnia, ele é formado em Engenharia Geral, com mestrados em Engenharia de Testes de Voo, Engenharia de Sistemas e Arte e Ciências Operacionais Militares. Antes, Glover atuou como piloto da missão SpaceX Crew-1, integrando a Expedição 64 da Estação Espacial Internacional. Nessa nova missão, ele se tornará a pessoa negra a voar mais longe no espaço.
Christina Koch
Divulgação/Administração Nacional da Aeronáutica no Espaço (Nasa)
Única mulher da tripulação, Christina Koch foi indicada como especialista de missão da Artemis II. Assim como Glover, ela foi selecionada como astronauta da Nasa em 2013 e, mais recentemente, atuou como engenheira de voo a bordo a ISS, participando das Expedições 59, 60 e 61. Com graduação em Engenharia Elétrica e Física, Koch possui o recorde de voo espacial único mais longo realizado por uma mulher, com 328 dias consecutivos no espaço. A engenheira também participou das primeiras caminhadas espaciais realizadas exclusivamente por mulheres.
Jeremy Hansen
Jeremy Hansen
Divulgação/Administração Nacional da Aeronáutica no Espaço (Nasa)
Astronauta da Agência Espacial Canadense (CSA), Jeremy Hansen será o primeiro canadense a participar de uma missão tripulada à Lua. Ele foi recrutado pela CSA durante a terceira Campanha Canadense de Recrutamento de Astronautas, em 2009. Passados dois anos, Hansen integrou o programa CAVES, da Agência Espacial Europeia, na Sardenha, na Itália, onde permaneceu seis dias em ambiente subterrâneo. Já em 2017, ele se tornou o primeiro canadense a liderar uma turma de astronautas da Nasa, sendo responsável pelo treinamento de candidatos dos Estados Unidos e do Canadá.
* Estagiária sob supervisão
A polícia da cidade de Nova York está investigando um possível crime de ódio, após um carro invadir um centro judaico ortodoxo, nessa quarta-feira, segundo comunicou a comissária de polícia Jessica Tisch.
Os policiais prenderam um homem depois que ele bateu repetidamente na porta dos fundos da sede mundial do Chabad-Lubavitch no Brooklyn, disse Tisch a repórteres.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o motorista batendo na entrada do prédio antes de dar ré e bater novamente (veja abaixo).
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Ninguém ficou ferido, de acordo com Tisch. A polícia “aumentou significativamente a segurança” em torno de locais de culto, incluindo o envio de unidades antiterroristas e de desativação de bombas, acrescentou ela.
A cidade de Nova York, lar da maior população judaica fora de Israel, está em alerta máximo após um aumento nos relatos de ataques antissemitas.
O prefeito da cidade, Zohran Mamdani, disse que o ataque foi “profundamente alarmante”.
“Qualquer ameaça a uma instituição judaica ou local de culto deve ser levada a sério. O antissemitismo não tem lugar em nossa cidade, e a violência ou intimidação contra judeus nova-iorquinos é inaceitável”, escreveu ele no Twitter.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer; e o presidente chinês, Xi Jinping, enfatizaram a necessidade de fortalecer as relações entre seus países para lidar com a turbulência geopolítica global, durante uma reunião em Pequim, nesta quinta-feira.
A viagem de Starmer à China é a primeira de um primeiro-ministro britânico desde 2018 e segue uma série de visitas de líderes ocidentais que buscam laços mais estreitos com Pequim, em contraste com os Estados Unidos cada vez mais imprevisíveis.
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Os líderes se encontraram no opulento Grande Salão do Povo, e Starmer disse a Xi durante a reunião que a China é um “ator-chave no cenário mundial”.
– É vital construir um relacionamento mais sofisticado, no qual identifiquemos oportunidades de colaboração, mas que também permita um diálogo significativo em áreas onde discordamos – disse o primeiro-ministro britânico a Xi.
O presidente chinês também enfatizou a necessidade de fortalecer os laços com uma “visão de longo prazo”, no contexto do que descreveu como uma situação internacional “complexa”.
– A China e o Reino Unido devem fortalecer o diálogo e a cooperação, seja para manter a paz e a estabilidade globais, seja para promover as economias e os meios de subsistência de ambos os países – disse Xi a Starmer.
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Ele também observou que teriam que superar dificuldades para avançar, mas que a cooperação abriria um “novo capítulo” em suas relações.
Starmer, que permanecerá na China até sábado, também se reuniu pela manhã com o terceiro funcionário de mais alto escalão do país, Zhao Leji, e deverá se encontrar com o primeiro-ministro Li Qiang em seguida.
De acordo com o governo britânico, o Reino Unido e a China assinarão um acordo de cooperação focado nas cadeias de suprimentos usadas por traficantes de migrantes.
O líder britânico também viajará para a próspera cidade de Xangai, na sexta-feira, antes de fazer uma breve parada no Japão para se encontrar com a primeira-ministra Sanae Takaichi.
Londres e Pequim desfrutaram do que descreveram como uma “era de ouro” há uma década, mas as relações deterioraram-se após 2020, quando Pequim impôs uma lei de segurança nacional a Hong Kong e reprimiu ativistas pró-democracia na antiga colônia britânica.
Abusos de direitos humanos, acusações de espionagem e ciberataques, e o aparente apoio da China à guerra da Rússia na Ucrânia também tensionaram as relações.
O menino equatoriano Liam Conejo Ramos, de 5 anos, detido em Minneapolis por autoridades de imigração dos EUA “está deprimido e triste”, relatou o parlamentar democrata Joaquin Castro, na quarta-feira, após visitá-lo no centro de detenção onde a criança está presa com o pai.
Imagens do menino, usando um gorro azul com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha, quando foi detido por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), viralizaram no mundo todo.
Liam Conejo Ramos, de 5 anos, foi detido por um agente do ICE em Minneapolis, Minnesota
Divulgação / Escolas Públicas de Columbia Heights / AFP
O menino e seu pai foram detidos em 20 de janeiro durante operações anti-imigração em Minnesota, ordenadas pelo governo Trump. Como parte dessas operações, dois americanos foram mortos a tiros por agentes federais nas últimas semanas.
Castro visitou o menino e seu pai, Adrián Conejo Arias, na quarta-feira, no Centro de Detenção Familiar de Dilley, no centro-sul do Texas.
– O pai dele diz que (o menino) não é o mesmo, que está dormindo muito, porque está deprimido e triste – disse o deputado democrata do Texas, em um vídeo que postou nas redes sociais.
O legislador afirma que a família está no país legalmente e que ambos devem ser libertados.
– Estou preocupado com a saúde mental deles – acrescentou o legislador.
Na terça-feira, um juiz federal bloqueou temporariamente a possibilidade de Liam e seu pai serem deportados.
Segundo relatos da imprensa, ambos têm um processo pendente no tribunal de imigração.
O juiz também impediu a transferência deles do centro de detenção em Dilley, onde estão detidos. Essa instalação abriga famílias migrantes com filhos menores que estão detidas sob a acusação de violar as leis de imigração.
Segundo jornalistas da AFP, cem pessoas protestaram em frente ao local na quarta-feira, antes de serem dispersadas com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.
A China executou, nesta quinta-feira, 11 pessoas ligadas a gangues criminosas de Mianmar, incluindo “membros-chave” envolvidos com centros de fraude cibernética, informou a mídia estatal.
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“As execuções foram realizadas por um tribunal na cidade de Wenzhou, na província de Zhejiang, no leste da China, após receber a aprovação do Supremo Tribunal Popular”, disse a agência de notícias estatal Xinhua.
* Matéria em apuração
O presidente colombiano, Gustavo Petro, ofereceu ao seu homólogo equatoriano, Daniel Noboa, abrir um diálogo sobre a crise de segurança e comércio entre os dois países, durante um fórum no Panamá que contou com a presença de ambos os líderes.
Colômbia e Equador estão envolvidos em uma guerra tarifária iniciada por Noboa, que acusa seu vizinho de não fazer o suficiente para conter os grupos de narcotráfico que operam ao longo da fronteira.
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– Ofereço-lhe a possibilidade de conversar – disse Petro a Noboa, durante discurso na cerimônia de abertura do fórum organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF). Noboa, que falou mais tarde, não respondeu à oferta, mas afirmou que “criminosos devem ser” presos porque conceder-lhes liberdade afeta os direitos de “todos nós que lutamos para fazer as coisas corretamente”.
– Devemos lutar para que nossas nações não sejam tomadas pelo narcotráfico (…) Devemos lutar para sermos verdadeiramente livres, e isso só pode ser alcançado através da força de vontade – acrescentou.
A Presidência equatoriana anunciou, horas depois, que Noboa, que tinha uma reunião pública marcada para quinta-feira com o presidente panamenho José Raúl Mulino, “antecipou seu retorno” ao Equador.
O governo colombiano já havia proposto uma reunião para reduzir a tensão no conflito, mas Quito manifestou sua discordância com as datas sugeridas.
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O presidente equatoriano impôs uma tarifa de 30% sobre os produtos colombianos, medida que foi replicada na mesma proporção por Bogotá, que também suspendeu a venda de energia elétrica para o Equador.
Posteriormente, o governo Noboa aumentou em 900% a tarifa para o transporte de petróleo colombiano pelo seu principal oleoduto. Noboa defende as tarifas como “compensação” pelo dinheiro que seu país investe na segurança da fronteira compartilhada, porosa e com quase 600 quilômetros de extensão, onde grupos armados atuam há anos.
O Equador tem a maior taxa de homicídios da América Latina, com um recorde de 52 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.
Enquanto isso, a Colômbia é a maior produtora mundial de cocaína. A grande maioria da droga passa pelo Equador antes de ser transportada para os Estados Unidos e a Europa.
Petro afirma que apreensões recordes dessa droga foram realizadas durante seu governo.
As postagens fazem referência à literatura neonazista, à limpeza étnica e às teorias da conspiração do QAnon, cogitaram a deportação de quase um terço da população dos Estados Unidos e promoveram trechos de um hino entoado pelos militantes de extrema-direita do grupo Proud Boys. Seus autores não estão à margem da sociedade. Eles trabalham nos escritórios da Casa Branca e nos departamentos de Segurança Interna e do Trabalho, utilizando contas oficiais do governo.
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Para algumas pessoas, as postagens do governo soam patrióticas. Outras podem perceber, no máximo, um leve aceno velado para extremistas. Algumas postagens podem simplesmente parecer estranhas. Mas aqueles versados ​​nos códigos obscuros do extremismo de direita ouvem alarmes soando.
Este mês, a Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna publicaram um anúncio de recrutamento para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) no Instagram, Facebook e X, com a frase “TEREMOS NOSSA CASA NOVAMENTE”. Esse também é o nome de uma música, escrita por membros de uma autodenominada “ordem fraternal pró-branca”, que foi adotada pelos Proud Boys e outros grupos nacionalistas brancos. Desde 2020, centenas de contas explicitamente neonazistas e supremacistas brancas compartilham a música no Telegram.
Publicação do Departamento de Segurança Interna usa título de uma canção escrita por nacionalistas brancos
Reprodução / Redes sociais
— Existem dois tipos de pessoas para quem essas mensagens parecerão rapidamente familiares: supremacistas brancos e aqueles que estudam supremacistas brancos — disse Oren Segal, vice-presidente de combate ao extremismo da Liga Antidifamação.
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse que se a publicação de recrutamento do ICE fosse realmente sobre a música, isso “seria um problema” e “moralmente repugnante”. Mas, segundo ela, a publicação não tinha nenhuma relação com o hino supremacista branco.
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— Há muitas referências a essas palavras em livros e poemas — disse ela, acrescentando que era “responsável por tudo” o que era publicado nas redes sociais do departamento.
Mas quando a publicação foi aberta no Instagram, o áudio do refrão da música tocou ao fundo. Depois que um repórter apontou isso, McLaughlin disse que o New York Times (NYT) estava participando de uma teoria da conspiração de esquerda.
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— Estou lhe dizendo que não está lá — afirmou a porta-voz, dizendo que NYT que “normalizou o racismo” ao associar o cargo da agência ao hino nacionalista branco.
Menos de 40 minutos após a entrevista, a publicação no Instagram — que incluía o áudio da música — desapareceu das redes sociais. Publicações no X e no Facebook, que não continham áudio, continuaram no ar.
‘Qual o caminho’
No último mês, agências governamentais fizeram dezenas de novas postagens em redes sociais que incluem iconografia associada a grupos extremistas de extrema-direita.
Enquanto o presidente americano, Donald Trump, intensificava sua campanha para assumir o controle da Groenlândia neste mês, a conta oficial da Casa Branca no X publicou uma imagem de uma encruzilhada, com Washington banhada de sol à esquerda e a Rússia e a China à direita, representadas em um cenário das trevas. A legenda dizia: “Qual o caminho, homem groenlandês?” No ano passado, uma publicação de recrutamento do ICE na conta oficial do Departamento de Segurança Interna perguntava: “Qual o caminho, homem americano?”
Durante a campanha de Trump para adquirir a Groenlândia, a Casa Branca publicou uma montagem perguntando para os groenlandeses: Qual o caminho?
Reprodução / Redes sociais
Segundo Robert Futrell, sociólogo da Universidade de Nevada, os slogans ecoam o título de um livro de 1978 — “Qual o Caminho, Homem Ocidental? ” —, que grupos supremacistas brancos consideram “fundamental”. O livro afirma que os judeus estão conspirando para destruir a civilização ocidental, que Adolf Hitler estava certo e que a violência contra os judeus é justificada.
Este mês, o Departamento do Trabalho publicou uma imagem em estilo noir com os dizeres “CONFIE NO PLANO”. Essa também é uma frase central do QAnon, uma teoria da conspiração da internet que alega falsamente que o mundo é governado por uma cabala de pedófilos adoradores de Satanás e que Trump foi escolhido para destruí-la.
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Na véspera de Ano Novo, a conta oficial da Casa Branca publicou uma foto de Trump acompanhada da palavra “remigração”. Para Wendy Via, fundadora do Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo, trata-se de um conceito europeu antigo, que se concentra na expulsão de pessoas não brancas e imigrantes considerados “não assimilados”.
Dezenas de milhares de alemães protestaram contra o conceito há dois anos, depois que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) se reuniu secretamente com neonazistas para discutir planos para implementá-lo. Na ocasião, mais de uma dúzia de políticos da AfD republicaram a imagem de Trump sobre a “remigração” no X.
‘Slogan nazista’
Ainda neste mês, o Departamento do Trabalho publicou um vídeo com a legenda “Uma Pátria. Um Povo. Uma Herança.” Essa frase lembrava um slogan alemão usado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial: “Ein Volk, Ein Reich, Ein Führer”, ou “Um Povo, Um Império, Um Líder”.
O Departamento do Trabalho não respondeu a vários pedidos de comentários, mas Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, descartou qualquer ligação entre os cargos governamentais e o extremismo.
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— Parece que a grande mídia se tornou um meme por si só: o esquerdista desvairado que afirma que tudo de que não gosta deve ser propaganda nazista. Se controlem — disse Jackson.
Especialistas no movimento da extrema-direita nas redes sociais afirmaram que uma ou duas postagens isoladas podem ser coincidência. Mas, “quando se analisa tudo em conjunto”, disse William Braniff, diretor do Laboratório de Pesquisa e Inovação sobre Polarização e Extremismo da American University, “fica muito mais difícil ignorar”. Outros especialistas estavam igualmente certos de que as aparentes alusões não eram acidentais.
Publicação do Departamento do Trabalho usa frase que, segundo especialistas, ecoa um slogan nazista
Reprodução / Redes sociais
— Essas pessoas costumavam estar nos cantos obscuros da internet — afirmou Jessie Daniels, socióloga do Hunter College que estuda extremismo online há 30 anos. — Agora, elas ocupam cargos públicos.
Relação com o governo Trump
Durante anos, Trump e sua campanha lidaram com acusações de que membros de seu círculo íntimo estariam apelando secretamente para racistas e antissemitas. Eles as rejeitaram. Uma postagem do então candidato no X, em 2016, mostrando Hillary Clinton ao lado de uma estrela de Davi, diante de pilhas de dinheiro, havia aparecido em um fórum conhecido pelo antissemitismo e supremacia branca.
Naquele ano, o último comercial de campanha de Trump apresentava imagens granuladas de George Soros, o financista liberal americano; Janet L. Yellen, então presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano; e Lloyd C. Blankfein, então presidente do Goldman Sachs — todos eles judeus — enquanto Trump alertava de forma sombria sobre os “interesses especiais globais”.
Publicação da Casa Branca mostra Trump ao lado de um termo usado pela extrema-direita na Europa para pedir a expulsão de estrangeiros
Reprodução / Redes sociais
— É uma relação direta entre essas ideias e o governo Trump moderno — disse Richard Hanania, um cientista político que já escreveu para publicações nacionalistas brancas sob pseudônimo antes de moderar suas opiniões.
Para ele, o governo Trump está “mobilizando essas pessoas e fazendo com que elas inundem o X e criem esse ambiente de vitória”.
Israel vem recorrendo de forma discreta a novas milícias palestinas na Faixa de Gaza como parte de sua estratégia para enfraquecer o Hamas, segundo autoridades israelenses, militares da reserva e relatos de integrantes desses grupos armados. Os combatentes, que vivem em áreas sob controle israelense, atuam contra o Hamas em regiões onde, pelos termos do cessar-fogo, as tropas israelenses não deveriam operar diretamente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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