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O homem condenado por assassinar a tiros o ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, em 2022, recorreu da sentença de prisão perpétua, informou seu advogado nesta quarta-feira.
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Tetsuya Yamagami, de 45 anos, foi considerado culpado há duas semanas pelo Tribunal Distrital de Nara e sentenciado à prisão perpétua por utilizar uma arma de fabricação caseira para matar Abe durante um ato de campanha ao ar livre.
“Hoje apresentei o pedido de apelação”, afirmou o defensor designado pelo tribunal, Masaaki Furukawa.
O advogado destacou que a ação representa “uma oportunidade para corrigir uma decisão injusta do tribunal”.
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Ele se recusou a comentar as intenções de Yamagami com o recurso, incluindo a possibilidade de reversão da condenação ou de redução da pena.
O assassinato de Abe levou um país pouco acostumado à violência armada a uma ampla reflexão e desencadeou escrutínio sobre os supostos vínculos de destacados legisladores conservadores com a Igreja da Unificação, descrita como uma seita discreta.
Tetsuya Yamagami, no flagrante do assassinato do ex-premier japonês
Reprodução
O caso de Yamagami também despertou certa simpatia na opinião pública, já que a defesa sustenta que o ataque foi motivado por grandes doações feitas por sua mãe à Igreja, que teriam levado a família à falência.
Abe havia participado de eventos organizados por alguns dos grupos ligados à seita, que apoiou o Partido Liberal Democrata nas eleições.
O ex-marido da ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Jill Biden, foi detido e acusado de assassinato pela morte de sua atual mulher em sua residência, no estado de Delaware, em dezembro, informou a polícia local nesta terça-feira.
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As autoridades não divulgaram a causa da morte nem apresentaram novos detalhes sobre o andamento das investigações. A mulher era “uma pessoa muito voltada à família e valorizava o tempo que dedicava a criar memórias, especialmente nas férias em família com sua filha e sua neta”, segundo seu obituário.
Quem é o ex-marido de Jill Biden?
William Stevenson, de 77 anos, foi casado com Jill Biden entre 1970 e 1975. Dois anos após o divórcio, ela se casou com o então senador Joe Biden, em 1977.
Ex-primeira-dama dos EUA, Jill Biden
Brendan Smialowski / AFP
Segundo a polícia do condado de New Castle, Stevenson responde por uma acusação de homicídio em primeiro grau relacionada à morte da mulher, Linda Stevenson, de 64 anos, ocorrida em 28 de dezembro. Ele foi preso na segunda-feira e permanece detido após não conseguir pagar a fiança estipulada em US$ 500 mil.
Na ocasião, a polícia afirmou ter encontrado Linda Stevenson inconsciente na sala de estar da casa do casal, em Wilmington, após atender a uma denúncia de disputa doméstica pouco depois da meia-noite. As tentativas de reanimação não tiveram sucesso, e a morte foi posteriormente confirmada.
Pelo menos quatro fortes erupções solares foram registradas entre domingo (1º) e esta segunda-feira (2), segundo informou a Nasa. Os eventos tiveram origem na região da mancha solar AR4366 e foram classificados nas categorias mais severas da escala usada para medir esse tipo de atividade no Sol.
Três dos clarões ocorreram no domingo: o primeiro foi classificado como X1.0, seguido por um evento considerado excepcional, de classe X8.1, e um terceiro de intensidade X2.8. Já nesta segunda-feira, a agência espacial norte-americana registrou uma quarta erupção, de classe X1.6. As erupções do tipo X são as mais intensas e têm potencial para afetar satélites em órbita da Terra.
Explosões no Sol e possíveis impactos
De acordo com a Nasa, erupções solares podem provocar distúrbios em comunicações de rádio, redes elétricas e sistemas de navegação, além de representar riscos para astronautas em missões espaciais. Apesar disso, a agência ressalta que a maioria das partículas liberadas nessas explosões é barrada pela atmosfera terrestre, o que reduz riscos diretos para os seres vivos.
As erupções solares fazem parte da atividade natural do Sol e ocorrem diversas vezes ao longo do ano. No entanto, uma sequência de explosões fortes da classe X concentradas em poucos dias é considerada pouco comum. Esses fenômenos estão ligados ao ciclo solar, que dura em média 11 anos e envolve a inversão do campo magnético do astro, período em que aumentam as manchas solares e a ocorrência de erupções.
Segundo a Nasa, as explosões acontecem quando campos magnéticos do Sol se reconectam de forma abrupta, liberando grandes quantidades de energia e partículas carregadas que podem viajar por milhares de quilômetros no espaço.
O histórico desses eventos inclui episódios extremos. Em 1859, uma erupção deu origem à maior tempestade eletromagnética já registrada, causando falhas em sistemas telegráficos e auroras visíveis em regiões incomuns, como o Havaí e Cuba. Pesquisadores estimam que, se um fenômeno semelhante ocorresse hoje, os prejuízos poderiam chegar a trilhões de dólares, devido à dependência atual de tecnologias sensíveis à atividade solar.
Durante séculos, encontrar o Farol de Alexandria tornou-se uma obsessão para muitos arqueólogos que, guiados por histórias e lendas do Egito Antigo, tentaram descobrir os materiais de que foi construído, sua localização exata e as circunstâncias de seu trágico fim no Mar Mediterrâneo. Em uma expedição recente à área onde se acredita que esse monólito artificial tenha existido, especialistas recuperaram fragmentos que correspondem à estrutura que foi uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
O farol representou uma façanha monumental da engenharia para a sua época, com cerca de 100 metros de altura. Construído no século III a.C., tinha a função de guiar os navios que chegavam ao porto egípcio. A edificação era crucial para o comércio no Mediterrâneo e também servia como símbolo do poder da dinastia ptolomaica.
Ao longo dos séculos, sucessivos terremotos levaram à deterioração do Farol de Alexandria, até sua completa destruição. A elevação do nível do mar contribuiu para que parte de suas ruínas ficasse submersa, enquanto outros blocos foram reaproveitados na construção da Cidadela de Qaitbay. A estrutura permaneceu desaparecida por cerca de 1.600 anos, até que uma expedição internacional, em junho de 2025, conseguiu recuperar 22 fragmentos pertencentes ao monumento.
Por trás da descoberta está o projeto PHAROS, uma iniciativa conjunta do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e da Fundação Dassault Systèmes. Com o apoio de arqueólogos e historiadores especializados, as três instituições exploraram a área ao redor da Ilha de Faros em busca dos vestígios da antiga construção.
O que isso significa para o passado do Ocidente?
Atualmente, os blocos de pedra, que pesam entre 70 e 80 toneladas, foram removidos do local e encaminhados para análise. O objetivo, após cerca de 30 anos de pesquisas na região, é reconstruir o farol para compreender melhor sua história e as técnicas empregadas em sua construção.
A descoberta é considerada de grande importância para as comunidades mediterrâneas, por contribuir para a reconstrução de parte de seu passado histórico. Além de revelar um dos principais ícones da Antiguidade, que combinava estilos arquitetônicos greco-egípcios, os fragmentos poderão permitir aos especialistas decifrar informações técnicas valiosas sobre a engenharia ptolomaica.
O passado que parecia apenas uma “grande aventura” familiar ganha contornos sombrios e profundamente humanos neste livro comovente escrito pela atriz e imitadora britânica Jess Robinson. A obra reconstrói a trajetória de sua avó, Rosi Schul, uma jovem judia alemã que teve a vida brutalmente interrompida pela perseguição nazista, a partir de anotações de diário escritas entre outubro de 1938 e março de 1943, quando ela tinha 23 anos.
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Rosi cresceu em um ambiente afetuoso, cercado por música e cultura. Pianista, violonista e professora, encontrou no trabalho em um orfanato na pequena e idílica Esslingen, perto de Stuttgart, uma rotina que parecia definitiva. A cidade tornou-se para ela uma espécie de parâmetro emocional, frequentemente evocada em comparações com outros lugares, como a Inglaterra. Essa estabilidade, no entanto, foi abruptamente rompida na noite de 28 de outubro de 1938, quando a Gestapo chegou para prendê-la, junto com três crianças sob seus cuidados.
Prisão, deportação e resistência silenciosa
Levadas em vagões de gado e submetidas a humilhações, Rosi e outras mulheres judias foram deportadas para Zbaszyn, na Polônia, onde milhares de pessoas viviam em condições precárias, com escassez de comida e água. Mesmo diante do internamento e da violência, o diário revela uma jovem de notável lucidez e estoicismo. Rosi registra que, frente a um poder “implacável, cruel e terrível”, não havia espaço para indignação ou súplicas. Seu gesto mais emblemático de resistência foi cantar para as companheiras de cela, acompanhada pelo violão que recebera na prisão.
A narrativa ganha outra camada ao ser intercalada com os diários de Jess, escritos a partir de 2006, também aos 23 anos. O contraste entre as experiências — uma jovem tentando sobreviver ao nazismo e outra lidando com trabalho, relacionamentos e violência cotidiana na Londres dos anos 2000 — evidencia paralelos inesperados na vivência feminina, apesar das diferenças históricas e sociais. Em datas que se espelham, questões como exclusão, agressão e identidade atravessam as duas trajetórias.
Após mais de seis meses em Zbaszyn, Rosi encontrou no ensino e no cuidado com crianças uma forma de preservar alguma normalidade. Em agosto de 1939, ela acompanhou um grupo infantil em um Kindertransport para a Inglaterra, onde conseguiu se estabelecer enquanto a guerra avançava pela Europa. A experiência marcou definitivamente sua vida, embora tenha sido mantida em silêncio por décadas dentro da família.
Na parte final do livro, Jess narra a mobilização de mulheres da família — mãe, tia, irmãs e sobrinha — para obter a cidadania alemã. O processo leva à redescoberta de documentos, fotos e diários de Rosi, revelando a verdadeira dimensão da história que ela ocultou por quase 80 anos. Também vêm à tona conflitos familiares, especialmente entre Jackie, mãe de Jess, e Stephie, tia, que tiveram percepções muito distintas da mesma mulher.
O desfecho se dá em tom de reconciliação. A obtenção dos passaportes alemães coincide com uma homenagem a Rosi na Biblioteca Wiener do Holocausto, em Londres, onde ela reencontra crianças que cuidou décadas antes. Entre relatos emocionados e a sensação de retorno simbólico ao lar, o livro se afirma como um retrato sensível da memória, do trauma e da permanência dos vínculos — pessoais e históricos — que atravessam gerações.
A catástrofe que apagou os dinossauros da face da Terra não silenciou os oceanos por tanto tempo quanto se imaginava. Um estudo internacional liderado pelo geólogo Chris Lowery, da Universidade do Texas em Austin, revela que a vida marinha começou a se reconstruir com velocidade inesperada após o impacto do asteroide ocorrido há 66 milhões de anos.
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Publicado em janeiro na revista Geology e divulgado pelo EurekAlert, o trabalho analisou microfósseis marinhos para reavaliar o ritmo de recuperação dos ecossistemas após uma das maiores extinções em massa da história do planeta. Para isso, os cientistas recorreram a uma técnica inovadora de datação baseada no isótopo hélio-3, o que permitiu estimar com maior precisão quando novas espécies passaram a surgir.
Os resultados mostram que foraminíferos marinhos — organismos microscópicos amplamente usados como indicadores ambientais — começaram a se diversificar entre dois mil e onze mil anos após o impacto. O intervalo é significativamente menor do que o proposto por estudos anteriores, que apontavam para escalas de dezenas de milhares ou até milhões de anos para a recuperação biológica.
Um renascimento mais rápido do que o esperado
Entre os achados centrais está o surgimento do foraminífero Parvularugoglobigerina eugubina, considerado um marco da retomada da vida nos oceanos. A espécie apareceu entre 3.500 e 11 mil anos após o impacto, dependendo da região analisada. Em alguns locais, outras espécies emergiram em menos de dois mil anos, indicando um processo de recuperação notavelmente rápido.
Ao todo, a equipe identificou entre dez e vinte novas espécies de foraminíferos em cerca de seis mil anos após a colisão do asteroide que atingiu a região da atual Península de Yucatán, evento que definiu o limite entre o Cretáceo e o Paleógeno. Os microfósseis analisados foram coletados em áreas como Gubbio e Monte Conero, na Itália, Caravaca, na Espanha, El Kef e Aïn Settara, na Tunísia, além da cratera de Chicxulub, no México.
Segundo Lowery, citado pelo EurekAlert, “é incrivelmente rápido”. Para ele, os dados ajudam a compreender não apenas a velocidade com que novas espécies podem evoluir após eventos extremos, mas também a rapidez com que o ambiente começou a se recuperar depois do impacto.
A precisão das conclusões foi possível graças ao uso do hélio-3, isótopo proveniente da poeira interplanetária que se deposita continuamente no fundo do oceano e funciona como um “relógio” natural. Embora os pesquisadores ressaltem variações locais e margens de erro associadas a fatores geológicos, os tempos estimados permanecem muito inferiores aos aceitos até então.
Para o coautor Timothy Bralower, da Universidade Estadual da Pensilvânia, também citado pelo EurekAlert, o estudo evidencia a resiliência dos ecossistemas do passado e pode servir de referência para compreender a capacidade de resposta das espécies atuais diante de crises ambientais. Mesmo após um desastre planetário, concluem os autores, a vida encontrou caminhos para retornar e se diversificar mais cedo do que se supunha.
Diante da polarização política nos Estados Unidos, o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano, optou por críticas discretas e indiretas, mantendo, porém, os canais de comunicação abertos. Desde sua eleição em maio, o prelado nascido em Chicago, que também possui nacionalidade peruana, posicionou-se claramente contra algumas decisões do governo do presidente Donald Trump. Ele denunciou o tratamento “desumano” oferecido aos migrantes, pediu diálogo na Venezuela e lamentou a “diplomacia da força”.
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Mas, nas últimas semanas, Leão XIV tem demonstrado uma inclinação para a moderação. Ele não fez menção à possível intervenção dos EUA no Irã, nem ao interesse de Trump na Groenlândia, nem à situação instável em Minneapolis, onde dois americanos, Renee Good e Alex Pretti, foram mortos por agentes federais.
Ele tem evitado fazer alusão a esses assuntos e suas declarações à imprensa às terças-feiras, em frente à residência em Castel Gandolfo, tornaram-se raras. No domingo, ele quebrou brevemente o silêncio para expressar sua “grande preocupação” com as crescentes tensões entre Cuba e os Estados Unidos, e pediu às partes que “evitem a violência”.
“Leão é muito cauteloso. Ele sabe que sua voz é universal. Como americano, ele é, de certa forma, um opositor natural do trumpismo”, disse uma fonte do Vaticano à AFP sob condição de anonimato. “Quanto aos Estados Unidos, procedam com cautela”, disse ele.
“Ele entende que a igreja americana também é alvo das ações do ICE; as pessoas estão com medo”, disse a fonte, referindo-se à polícia de imigração, que atualmente está em meio a uma ofensiva contra pessoas sem documentos.
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O Papa atua em um “contexto hiperpolarizado, onde a Igreja é alvo de ataques por parte das populações que serve, como os migrantes ou a comunidade hispânica”, acrescentou a fonte.
Bispos na linha de frente
Mas, apesar da crescente preocupação na Santa Sé com as ações do governo Trump, o papa prefere confiar na hierarquia católica americana em vez de entrar na disputa pessoalmente.
“Acho que ele acredita que a primeira resposta deve vir dos próprios bispos”, disse à AFP Christopher White, da Universidade de Georgetown, em Washington, autor do livro “Papa Leão XIV: Por Dentro do Conclave e o Alvorecer de um Novo Papado”.
Na semana passada, o arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, reagiu fortemente às mortes de Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis, denunciando “a incapacidade da nossa sociedade de respeitar a dignidade de toda vida humana”. O arcebispo Anthony Taylor, do Arkansas, destacou os “paralelos óbvios” entre os Estados Unidos de hoje e a Alemanha nazista, embora tenha acrescentado que “Trump não é um Hitler”.
“Estamos condenados a repetir os erros do passado se não estivermos dispostos a nos lembrar deles e aprender com eles”, escreveu ele.
A mesma abordagem é aplicada na política internacional: em uma declaração conjunta, os cardeais Blase Cupich (Chicago), Robert McElroy (Washington) e Joseph Tobin (Newark) condenaram as tendências intervencionistas do país, a erosão do multilateralismo e os riscos à paz mundial. Segundo diversas fontes do Vaticano, o texto recebeu a aprovação tácita de Leão XIV.
Reputação
No final de dezembro, o Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Pietro Parolin, tentou em vão dissuadir Washington de lançar sua operação militar na Venezuela, durante uma reunião com o embaixador dos EUA.
“O objetivo era evitar um banho de sangue e trazer as partes de volta à razão”, disse uma fonte do Vaticano.
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e
Convidado para o novo “Conselho da Paz” de Trump, o Vaticano está agindo com cautela e afirma estar “refletindo” sobre sua resposta, em mais um sinal de moderação. Leão XIV não se encontrou com Trump, embora tenha recebido o vice-presidente JD Vance duas semanas após sua eleição, em maio de 2025. O desafio é evitar exacerbar as divisões de uma Igreja americana polarizada e impedir que suas palavras sejam interpretadas por uma ótica partidária.
Para o Vaticano, o objetivo geral é “impedir que os historiadores escrevam daqui a cinco, dez ou vinte anos que a Igreja americana estava ligada ao trumpismo”, comentou o historiador italiano Massimo Faggioli, professor do Trinity College Dublin e autor do livro “De Deus a Trump: A Crise Católica e a Política Americana”.
“O risco é uma desintegração, até mesmo um colapso, da reputação e do papel histórico da Igreja Americana”, disse ele.
O sistema internacional de direitos humanos atravessa o momento mais crítico desde o fim da Guerra Fria, alerta a Human Rights Watch (HRW) na 36ª edição de seu Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira. Segundo a organização, a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos acelerou um processo já em curso de erosão da democracia e da ordem global regida por leis, em um cenário marcado pela convergência entre Washington, Pequim e Moscou no desprezo a normas internacionais e mecanismos de responsabilização. Como resposta, a ONG defende a criação urgente de uma nova aliança global de países comprometidos com os direitos fundamentais, citando o Brasil como um de seus participantes centrais.
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“O sistema global de direitos humanos está em perigo”, resumiu Philippe Bolopion, diretor-adjunto da HRW, em comunicado. “Sob pressão implacável do presidente Trump, e persistentemente minada pela China e pela Rússia, a ordem internacional baseada em regras está sendo destruída, ameaçando levar consigo a arquitetura na qual os defensores dos direitos humanos passaram a confiar para promover normas e proteger liberdades.”
Embora a organização reconheça que o declínio democrático antecede o atual mandato de Trump, o relatório aponta 2025 como um “ponto de virada”. Segundo o documento, estudos indicam que a democracia global regrediu a patamares de 1985, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. Rússia e China estão menos livres do que há 20 anos. E também os Estados Unidos, que, sob Trump, realizaram um ataque sistemático às bases da democracia americana — e da própria ordem mundial.
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Ataques a pilares democráticos
Em pouco tempo, diz o relatório, o segundo mandato do republicano minou a confiança pública no processo eleitoral, reduziu a responsabilização do governo, destruiu programas de assistência alimentar e os subsídios à saúde, atacou a independência judicial, retrocedeu nos direitos das mulheres, obstruiu o acesso ao aborto, minou as reparações por danos raciais, encerrou programas que determinavam a obrigatoriedade de acessibilidade para pessoas com deficiência, puniu a liberdade de expressão e usou o governo para intimidar opositores políticos, a mídia, escritórios de advocacia, universidades, a sociedade civil e até mesmo comediantes.
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Na política migratória, a HRW também descreve um cenário de graves violações. Segundo a organização, ao alegar um risco de “apagamento da civilização” na Europa e “apoiar-se em estereótipos racistas para classificar populações inteiras como indesejáveis nos EUA”, o governo Trump adotou políticas e retórica alinhadas com a ideologia nacionalista branca. Apenas no último ano, 32 migrantes morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), o maior número desde 2004, ano seguinte à criação da agência. Outros quatro morreram apenas nos primeiros dez dias deste ano.
O relatório destaca que agentes mascarados teriam recorrido à força excessiva, promovido detenções ilegais — inclusive de cidadãos americanos — e cometido “assassinatos injustificados” em Minneapolis. Ainda que o documento afirme que o presidente “tem autoridade para controlar fronteiras”, ele pontua que a administração do líder americano não deve “negar o devido processo legal, praticar maus-tratos ou discriminar ilegalmente”: “Em uma democracia funcional, nenhum governo está acima da Constituição ou do direito internacional”, diz o texto, acrescentando: “A equipe de Trump tem repetidamente ignorado essas salvaguardas.”
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Além das fronteiras
As denúncias se estendem à atuação externa dos EUA. A HRW acusa o governo Trump de usar uma lei de 1798 para deportar centenas de venezuelanos a uma prisão em El Salvador, onde teriam sido torturados e abusados sexualmente. Ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico teriam resultado em mais de 120 mortes extrajudiciais, segundo a ONG. Após a captura em 3 de janeiro do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, Trump afirmou que os EUA passariam a “governar” a Venezuela e controlar suas reservas de petróleo.
“Apesar do discurso crítico a Caracas na ONU, Trump tem trabalhado com o mesmo aparato repressivo venezuelano para promover os interesses dos EUA. Muitos aliados ocidentais optaram por permanecer em silêncio sobre essas medidas ilegais, talvez temendo tarifas erráticas e repercussões negativas para suas alianças”, destaca a HRW, pontuando o que descreveu com uma ruptura deliberada de Washington com o multilateralismo.
Apenas nos últimos 12 meses, Trump se retirou do Conselho de Direitos Humanos da ONU, da Organização Mundial da Saúde e anunciou a saída de dezenas de organismos internacionais. Ele também reduziu drasticamente o financiamento à ONU, encerrou outros programas de ajuda humanitária e se afastou de tratados voltados à preservação do meio ambiente. O americano ainda politizou o relatório anual de direitos humanos do Departamento de Estado e declarou não precisar do direito internacional, apenas de sua “própria moralidade”.
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Ao mesmo tempo, Washington passou a impor sanções contra organizações palestinas de direitos humanos, autoridades do Tribunal Penal Internacional, uma relatora especial da ONU e, por meses, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane. Para a HRW, a postura dos EUA fortalece líderes autoritários e fragiliza aliados democráticos, com Trump demonstrando especial admiração por forças de extrema direita. Como exemplo, o texto menciona o apoio do republicano a líderes como Viktor Orbán (Hungria), Recep Tayyip Erdoğan (Turquia), Nayib Bukele (El Salvador) e Abdel Fattah al-Sisi (Egito).
Em conflitos armados, a ONG acusa os EUA de contribuir para a impunidade. No Sudão, as Forças de Apoio Rápido voltaram a cometer assassinatos e estupros em massa, com indícios de apoio militar dos Emirados Árabes Unidos, aliado de Washington. Nos territórios palestinos, a HRW fala em genocídio, limpeza étnica e crimes contra a Humanidade cometidos por Israel, com mais de 70 mil mortos desde outubro de 2023. Trump manteve apoio quase incondicional a Tel Aviv e chegou a propor transformar Gaza em uma “Riviera do Oriente Médio” sem palestinos.
Na Ucrânia, o relatório acusa Trump de minimizar crimes de guerra russos e pressionar Kiev a ceder território, além de propor anistia ampla a crimes cometidos durante a invasão.
Nova aliança global
É diante desse cenário que a HRW defende a formação de uma aliança global de países engajados com os direitos humanos. Democracias como Brasil, Canadá, Japão, Austrália, África do Sul, Coreia do Sul, Reino Unido e os países da União Europeia são citadas como participantes centrais, ao lado de países menores que historicamente desempenharam papéis relevantes no sistema multilateral. A proposta inclui acordos comerciais e de segurança condicionados ao respeito a direitos, além de atuação coordenada na ONU para proteger mecanismos de responsabilização internacional.
O relatório destaca também sinais de resistência popular: protestos nos EUA contra abusos do ICE, mobilizações estudantis pró-Palestina, a destituição do presidente na Coreia do Sul, redes de ajuda mútua no Sudão e na Ucrânia e manifestações da geração Z contra corrupção e desigualdade em países da Ásia e da África.
“Quebrar a onda autoritária e defender os direitos humanos é um desafio geracional”, diz a HRW. “Em 2026, isso se manifestará de forma mais aguda nos EUA, com consequências de longo alcance para o resto do mundo. A resistência exigirá uma reação determinada, estratégica e coordenada dos eleitores, da sociedade civil, das instituições multilaterais e dos governos que respeitam os direitos humanos em todo o mundo.”
A ONU enviará uma missão ao leste da República Democrática do Congo (RDC) “nos próximos dias”, na expectativa de facilitar a implementação de um cessar-fogo na região, onde a violência continua apesar de vários acordos, segundo um comunicado divulgado nessa terça-feira pelo Catar.
A nação do Golfo tem mediado, há vários meses, o conflito entre o governo da RDC e o grupo armado antigovernamental M23.
O anúncio surge após uma reunião realizada na segunda-feira, em Doha, entre representantes do M23 e enviados de Kinshasa.
Durante essa reunião, ambas as partes concordaram em estabelecer um mecanismo de monitoramento com vistas a um cessar-fogo “permanente”.
Nesse contexto, espera-se que a intervenção da Missão das Nações Unidas na RDC (Monusco) faça parte dos acordos alcançados nos últimos meses para pôr fim ao conflito.
O leste da RDC, devastado pela guerra há 30 anos, tem sido afetado desde o fim de 2021 pelo ressurgimento do M23, apoiado por Ruanda e seu exército.
O grupo armado tomou as principais cidades de Goma, em janeiro de 2025, e Bukavu, em fevereiro do mesmo ano.
Um acordo de cessar-fogo foi assinado em julho e, no início de dezembro, um acordo entre a RDC e Ruanda foi ratificado em Washington. No entanto, nenhum desses pactos pôs fim aos combates.
Integrante da Monusco conversa com oficiais do Exército da República Democrática do Congo, em Goma
Michel Lunanga / AFP
Segundo o Catar, a Monusco deveria iniciar o monitoramento e verificação do cessar-fogo em Uvira.
Essa cidade estratégica, localizada na fronteira com o Burundi, foi tomada em dezembro pelo M23, que se retirou após dez dias. Atualmente, está sob controle do exército congolês.
Em um comunicado, a Monusco declarou-se “pronta” para desempenhar essa função.
Uma jogadora grita de alegria ao se apoderar do “pomo de ouro”: a cena poderia se passar na escola fictícia de Hogwarts, mas acontece em um vilarejo de Uganda, o inesperado berço africano do quadribol, o esporte favorito do icônico personagem Harry Potter.
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A modalidade, oficialmente rebatizada como quadball em 2022 (mas vamos ficar, mesmo, é com o bom e velho quadribol), foi introduzida em 2013 em Katwadde (sudoeste do país) por John Ssentamu, hoje um professor de 47 anos, que descobriu as aventuras do célebre bruxinho ao dar uma olhada no livro de um vizinho de ônibus.
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Luis TATO / AFP
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Luis TATO / AFP
– Então pedi o livro emprestado. A palavra quadribol não me dizia nada, nem em inglês nem em nenhum outro idioma. Aí fui ao Google – explica. – E então pensei: ‘Poxa, é um esporte!’… e depois: ‘Uau, é incrível!’. Achei que poderia apresentá-lo à minha comunidade.
Em 2023, sua equipe organizou e venceu o primeiro torneio nacional de quadribol, na escola Good Shepherd, em uma remota área agrícola coberta de bananeiras.
Falta de recursos
Nos campos, sete jogadoras e jogadores por equipe correm com cabos entre as pernas, tentando lançar uma bola de vôlei (a quaffle) através de aros e capturar o pomo de ouro, uma pequena bola presa a um jogador neutro.
Uganda conta, hoje, com mais de 200 jogadores, alguns no norte do país, comemora o professor, embora aponte a falta de recursos como um entrave a um desenvolvimento maior.
Mas a introdução do esporte no vilarejo, situado a 135 quilômetros da capital ugandesa, Kampala, mudou a vida da comunidade, garante Ssentamu.
Um dos efeitos secundários benéficos do quadribol em Uganda: atraiu mais alunos para as escolas
Luis TATO / AFP
O quadribol “engloba todos os outros esportes imagináveis; encontramos o netball (uma espécie de basquete jogado com uma bola menor), o futebol, o vôlei e o rúgbi”, afirma, acrescentando que a formação mista é obrigatória nas equipes, cujos integrantes aprenderam a “valorizar o papel de cada um em campo”.
O quadribol também atraiu muitas crianças para a escola, em uma região onde muitos centros de ensino são de difícil acesso e onde a educação nem sempre é prioridade para as famílias, afirma o professor.
‘Espetacular’
A filha de Ssentamu, Vicky Edith Nabbanja, atua como batedora, responsável por defender os companheiros.
A jogadora, de 25 anos, conta que o esporte, “espetacular”, se popularizou rapidamente no vilarejo e “reuniu a juventude”.
Além disso, “me permite conhecer pessoas do mundo inteiro”, ressalta, acrescentando que sonha em participar algum dia do Mundial de quadribol.
Nos últimos anos, atletas e órgãos dirigentes da modalidade têm trabalhado para que a modalidade seja reconhecida como uma prática esportiva por direito próprio.
O meio que envolve essa modalidade também buscou se distanciar das posições de J. K. Rowling, criadora de Harry Potter, sobre os direitos das pessoas transgênero e de sua opinião de que o sexo biológico é imutável — uma visão, no entanto, amplamente compartilhada em uma Uganda muito conservadora.
Ssentamu destaca que a equipe ugandesa foi convidada várias vezes para o mundial de quadribol — organizado desde 2012 —, mas nunca pôde comparecer, principalmente por falta de recursos financeiros.
– Mas esse é o meu sonho: ver algum dia uma equipe ugandesa se classificar para a Copa do Mundo, porque isso seria uma revelação para o mundo inteiro.

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