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Os protestos no Irã estão praticamente encerrados, esmagados pela mão pesada do governo, mas a retaliação está apenas começando. Médicos que trataram manifestantes feridos foram presos em massa, comércios importantes foram confiscados e fechados, e a mídia crítica ao regime foi silenciada — tudo para sufocar a possibilidade de novos distúrbios. Até mesmo famílias que realizam funerais para entes queridos mortos durante a repressão foram proibidas de chorar em público. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A Venezuela avança na aprovação de uma lei de anistia que abrange crimes como “traição” e “terrorismo” — imputados geralmente a presos políticos — e ampara “infrações” de juízes e promotores. O parlamento, de maioria chavista, iniciou nesta quinta-feira o primeiro dos dois debates regulamentares para a sua aprovação. A AFP teve acesso ao projeto de lei, promovido pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a queda de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os Estados Unidos e a Bolívia estão coordenando a reintegração de seus embaixadores “o mais rápido possível”, após 18 anos de rompimento das relações diplomáticas, disse o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo.
Nenhum dos países tem embaixadores desde setembro de 2008. O então presidente de esquerda, Evo Morales, expulsou o principal diplomata americano da Bolívia, acusando-o de conspirar contra seu governo. A Casa Branca fez o mesmo com o representante boliviano.
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“Naturalmente, abordamos a questão da reintegração dos embaixadores”, e “a ideia é concluir essa tarefa o mais rápido possível”, disse Aramayo, em entrevista virtual, da capital americana.
Ao assumir o cargo em novembro, o governo do presidente de centro-direita Rodrigo Paz buscou uma reaproximação com os Estados Unidos e anunciou a restauração das relações diplomáticas.
Aramayo se reuniu na quarta-feira em Washington com o secretário de Estado Marco Rubio e na quinta-feira com o subsecretário de Estado Christopher Landau. Na quinta-feira, o gabinete do Subsecretário Landau declarou em um comunicado à imprensa que a reunião “reafirmou o compromisso dos Estados Unidos com uma parceria sólida” com o país sul-americano.
Durante os governos socialistas de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), os principais aliados da Bolívia foram China, Rússia, Venezuela e Cuba. Houve um distanciamento das principais potências ocidentais.
Aramayo afirmou que o governo de Rodrigo Paz também buscará uma reaproximação semelhante com o Chile, país vizinho com o qual não compartilha embaixadas desde 1978 devido a uma divergência sobre a soberania marítima da Bolívia.
“Temos toda a intenção de fazer isso”, disse ele. Esclareceu, no entanto, que o Estado não abrirá mão de sua reivindicação histórica de acesso ao mar.
O ministro das Relações Exteriores da Bolívia visitou Santiago há algumas semanas e se reuniu com o governo cessante de Gabriel Boric e com o presidente eleito José Antonio Kast, que assumirá o cargo em março.
A Bolívia perdeu seu litoral em uma guerra contra o Chile em 1879.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um novo site para ajudar os americanos a comprar diretamente alguns medicamentos com desconto, numa tentativa de enfrentar as preocupações com o custo de vida e a inflação que ameaçam seu partido nas eleições legislativas de novembro.
— A partir desta noite, dezenas dos medicamentos prescritos mais usados estarão disponíveis com descontos expressivos para todos os consumidores por meio de um novo site, TrumpRx.gov — disse Trump em um evento na Casa Branca, na quinta-feira, para anunciar a iniciativa batizada com seu próprio sobrenome.
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Ele estava acompanhado do administrador dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid, Mehmet Oz, do chefe de design do governo, Joe Gebbia, e do seu secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr.
O governo tem destacado seus esforços para reduzir o custo dos medicamentos, incluindo a negociação de acordos com mais de uma dezena das maiores farmacêuticas do mundo, como Eli Lilly, Novo Nordisk e Pfizer, muitas vezes em troca da redução de tarifas que estavam sendo ameaçadas.
Ozempic a US$ 199
Trump afirmou que os mais de 40 medicamentos disponíveis incluirão remédios para perda de peso, como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, que, segundo ele, serão oferecidos diretamente aos consumidores por US$ 199 (cerca de R$ 1.100).
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O presidente também disse que a EMD Serono “vai reduzir drasticamente o custo de seu principal medicamento de fertilização in vitro”:
— Uma única dose do medicamento de fertilização in vitro mais usado no país, o Gonal-F, vai despencar do preço mais alto do mundo desenvolvido, que pagávamos, os Estados Unidos estavam subsidiando todo mundo.
Campanha para driblar efeito da inflação
O site faz parte de uma campanha mais ampla para responder às preocupações dos americanos com o custo de vida, que prejudicaram a percepção dos eleitores sobre a agenda econômica do presidente.
A iniciativa foi anunciada inicialmente em setembro, como parte dos esforços do governo para reduzir os preços dos medicamentos. Ela permite que os pacientes busquem um remédio específico e sejam direcionados às plataformas das farmacêuticas, onde podem comprá-lo com desconto.
Oz e Gebbia apresentaram uma demonstração do site, explicando como os consumidores podem pesquisar medicamentos e encontrar informações sobre preços.
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista na Casa Branca na segunda-feira: preocupação com a popularidade afetada pelo alto custo de vida
Saul Loeb/AFP
As plataformas de venda direta contornam os administradores de benefícios farmacêuticos (PBMs), intermediários entre seguradoras e fabricantes. Esses agentes ajudam a definir quais remédios são cobertos e quanto as seguradoras — e, no fim, os pacientes — devem pagar. As farmacêuticas afirmam que esse sistema força preços mais altos e prejudica o acesso dos pacientes.
As opções de pagamento direto em dinheiro nos site de Trump podem ser úteis para pessoas com coparticipações ou franquias elevadas, ou cujos planos não cobrem determinados medicamentos. Esse modelo tem sido especialmente popular para remédios da classe GLP-1 usados no tratamento da obesidade, frequentemente excluídos da cobertura.
Ainda não está claro se o site conseguirá reduzir de forma significativa os custos e atrair muitos americanos a pagar diretamente pelos medicamentos, sem usar o seguro. Além disso, a ideia de permitir compras diretas com promessa de maior transparência não é nova. As próprias empresas vêm lançando plataformas desse tipo.
Os custos com saúde são uma fonte constante de frustração para as famílias americanas. Os democratas exploraram o fim de subsídios importantes para planos de saúde no início do ano para criticar o governo.
Em resposta, Trump apresentou no mês passado um “marco” para a área de saúde com o objetivo de reduzir preços de medicamentos e prêmios de seguros, mas a proposta ainda carece de detalhes e enfrenta um caminho incerto no Congresso.
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O senador Jader Barbalho (MDB-PA) foi internado no Hospital Beneficente Portuguesa nesta quinta-feira (5), em Belém, no Pará. Segundo boletim divulgado pela unidade de saúde, Barbalho deu entrada após apresentar episódio de mal-estar.

“O paciente foi admitido com quadro clínico compatível com desidratação, sendo indicada internação hospitalar para reposição volêmica endovenosa com administração medicamentosa e realização de exames complementares”, diz o boletim.

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O informe diz ainda que Barbalho está lúcido, “orientado em tempo e espaço”, sem evidência de déficit motor e em estabilidade clínica.

O senador segue acompanhado por equipe multiprofissional e deve ficar em observação médica nas próximas horas.

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A defesa do fortalecimento do papel dos bancos centrais, a crítica ao uso de sanções unilaterais e a cobrança por reformas na governança financeira internacional estiveram no centro do comunicado conjunto divulgado ao fim da VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada nesta quinta-feira, em Brasília. A reunião foi copresidida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin.
O documento foi divulgado em meio ao declarado desconforto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com os movimentos de nações emergentes, como as do Brics, para reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais dentro do bloco. Brasil e Rússia destacaram o “elevado nível de relações entre os bancos centrais dos dois países” e manifestaram apoio ao aprofundamento do diálogo sobre temas da agenda financeira, especialmente no âmbito do Brics. As partes ressaltaram a importância da “troca de experiências e do compartilhamento de informações na área de instrumentos de pagamento contemporâneos”, sinalizando interesse em avançar em alternativas no sistema financeiro internacional.
Outro ponto de destaque foi a rejeição explícita ao uso de sanções unilaterais. As partes reiteraram sua oposição a “medidas coercitivas unilaterais, particularmente contra países em desenvolvimento”, classificando-as como “ilícitas, ilegítimas e incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas”.
Sem mencionar exemplos específicos, como Venezuela, Cuba, Irã e a própria Rússia — alvos de sanções unilaterais, impostas sobretudo pelos EUA e, em alguns casos, pela União Europeia — , o comunicado afirma que essas ações violam direitos humanos, prejudicam o desenvolvimento sustentável e representam “grave afronta à independência e à soberania dos Estados”.
A declaração também registrou a criação, em 2025, do Diálogo Econômico e Financeiro entre o Ministério da Fazenda do Brasil e o Ministério das Finanças da Rússia, mecanismo voltado à coordenação da cooperação financeira e econômica bilateral. Segundo o texto, a iniciativa tem como objetivo fortalecer a previsibilidade e a coordenação em temas macroeconômicos e financeiros.
No plano multilateral, o documento trouxe uma posição contundente em favor da reforma da arquitetura financeira internacional. Em referência a organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, Brasil e Rússia afirmaram que “as instituições de Bretton Woods devem ser reformadas com urgência para torná-las mais representativas, ágeis, eficazes, críveis e inclusivas”, de forma a refletir o peso crescente das economias emergentes na economia global. O texto acrescenta que os bancos multilaterais de desenvolvimento precisam “modernizar seus instrumentos e ampliar sua capacidade financeira”, inclusive por meio da mobilização de capital privado, sem comprometer seu status de credor preferencial.
Sem citar a guerra na Ucrânia — invadida pela Rússia em 2022 —, a declaração aborda o tema da paz. “Ao reafirmarem a centralidade dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, reiteraram o compromisso dos dois países com a manutenção da paz e da segurança internacionais e com a solução pacífica de controvérsias”, afirma o texto.
As partes coincidiram em que é oportuno e adequado que um nacional de um Estado da América Latina e do Caribe ocupe o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas. Nesse sentido, a Rússia tomou nota do anúncio da candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, indicada conjuntamente por Brasil, Chile e México.
Brasil e Rússia também reafirmaram o papel central do G20 como principal fórum de cooperação econômica internacional e manifestaram preocupação com tentativas de restringir a participação de países em desenvolvimento. O comunicado registra “preocupação diante da tentativa de impedir a participação da África do Sul no G20 em 2026” e defende o restabelecimento pleno da atuação do país, ressaltando que o grupo deve operar com base na governança coletiva, no consenso e na representatividade.
No âmbito das Nações Unidas, o texto reforça a defesa do multilateralismo e do fortalecimento do papel da ONU, além de reiterar a necessidade de avançar na reforma do Conselho de Segurança. O documento afirma ser “imperativo conferir ao Conselho caráter mais representativo”, com a inclusão de países em desenvolvimento da América Latina, da Ásia e da África. A Rússia reiterou, nesse contexto, seu apoio ao Brasil como “forte e natural candidato a membro permanente” de um Conselho reformado.
Mais cedo, em seu discurso de abertura do evento, Geraldo Alckmin defendeu uma parceria estratégica entre os dois países e pediu mais comércio e investimentos bilaterais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um almoço no Itamaraty com Alckmin, o primeiro-ministro russo e seis ministros do país do Leste Europeu.
O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que Estados Unidos e Rússia negociem um novo tratado nuclear “modernizado”, em vez de prorrogar um acordo que expirou nesta quinta-feira, colocando fim a décadas de restrições sobre os arsenais de ogivas. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo Start, na sigla em inglês) — assinado em 2010 pelo ex-presidente americano Barack Obama e pelo ex-presidente russo Dmitri Medvedev — estabelecia que Moscou e Washington concordaram em restringir seus arsenais nucleares a 1.550 ogivas operacionais, com 800 lançadores estratégicos operacionais e não operacionais, e 700 mísseis balísticos, mísseis lançados de submarinos e bombardeiros operacionais.
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“Em vez de estender o ‘Novo Start’ (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, além de tudo, está sendo gravemente violado), deveríamos fazer com que nossos Especialistas em Assuntos Nucleares trabalhem em um tratado novo, melhorado e modernizado, que possa durar muito tempo no futuro”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Na terça-feira, a Rússia afirmou que o mundo estava entrando em seu momento “mais perigoso” com o então iminente fim do Novo Start, último tratado nuclear vigente a limitar o número de armas estratégicas de Moscou e Washington.
A parte russa se ofereceu para estender alguns dos termos do Novo Start, incluindo inspeções para a verificação dos arsenais nucleares, mas o governo americano não avançou com as negociações. Em declarações ao New York Times no mês passado, Trump já havia indicado que deixaria o tratado expirar, mas não respondeu formalmente à proposta de Moscou.
Em viagem a Pequim no início da semana, o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, afirmou que o país está preparado para o fim do limite às armas nucleares e ressaltou que a Rússia não faria nenhum recuo com a aproximação do tratado, acrescentando que a ausência de uma resposta formal americana também era um posicionamento.
— No dia e meio restante antes do vencimento formal do Tratado Novo Start, não tomaremos nenhuma ação ou apelo oficial aos americanos. Fizemos tudo o que era necessário em tempo hábil, e eles tiveram bastante tempo para refletir sobre o assunto. A falta de resposta também é uma resposta — disse.
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Além do estabelecimento de restrições aos arsenais nucleares, o Novo Start criou também um sistema de verificação e transparência, com inspeções de aviso de curto prazo em bases nucleares. Ele determinava a troca de informações constante e estabelecia a Comissão Consultiva Bilateral, que tinha como norma se reunir ao menos duas vezes por ano.
Em seu primeiro mandato (2017-2021), Trump adiou até o limite a extensão do tratado — inicialmente previsto para expirar em fevereiro de 2021 — e exigia a redação de um novo acordo, que incluísse a China. Pequim se negou a aderir, e o democrata Joe Biden, vencedor da eleição de 2020, acertou a continuidade perto do fim do prazo, como queria a Rússia. Embora tenha expressado algum receio com o fim do atual tratado, Trump chegou a dizer recentemente que não desistiu de incluir a China em um futuro texto.
A Rússia e os Estados Unidos concordaram em retomar as negociações militares de alto nível, que haviam sido suspensas pouco antes da invasão russa da Ucrânia, durante as negociações realizadas nesta quinta-feira em Abu Dhabi. Moscou e Kiev também aprovaram uma troca de prisioneiros. Em 2022, o presidente democrata dos EUA, Joe Biden, cortou quase todos os contatos militares com a Rússia, mas seu sucessor republicano, Donald Trump, restabeleceu a comunicação com Moscou após retornar à Casa Branca no ano passado, realizando diversas conversas e uma cúpula com seu homólogo russo, Vladimir Putin.
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O acordo para restabelecer os contatos militares ocorreu ao final de dois dias de negociações trilaterais entre delegados dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em Abu Dhabi, buscando uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia. O acordo também foi anunciado horas depois do vencimento do Tratado Novo Start, o último acordo nuclear entre Moscou e Washington, o que gerou temores de uma corrida armamentista global.
“Os Estados Unidos e a Federação Russa concordaram hoje, em Abu Dhabi, em retomar o diálogo militar de alto nível”, afirmou o Comando Europeu dos EUA em um comunicado. O documento acrescentou ainda que as partes continuam a “trabalhar em prol de uma paz duradoura” e ressaltou que “manter o diálogo entre as forças armadas é um fator importante para a estabilidade e a paz globais”. A Rússia não comentou o anúncio.
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Abu Dhabi foi palco da segunda rodada de negociações diretas com o objetivo de pôr fim à guerra na Ucrânia, o conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos, milhões de pessoas forçadas a fugir de suas casas e grande parte do leste e sul do país devastada.
Durante as negociações, uma grande parcela da capital ucraniana permaneceu sem aquecimento após sucessivos ataques russos. Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, mais de 1.100 prédios residenciais ficarão sem aquecimento, suportando temperaturas extremas, por pelo menos dois meses, porque “a usina termoelétrica sofreu danos críticos”. Na capital dos Emirados Árabes Unidos, as partes concordaram em “trocar 314 prisioneiros”, informou o enviado dos EUA, Steve Witkoff.
“Parabéns. Seu filho foi libertado”, foi a mensagem que Ivan Roman recebeu do exército ucraniano na quinta-feira ao meio-dia. Ele disse que não o via desde 2022. Olga Kurk Malayeva, de 26 anos, também estava “transbordando de emoção”. Depois de “três anos e dez meses”, ela finalmente reencontrou seu marido, Ruslan, que foi libertado em um local secreto na região de Chernihiv, no norte do país.
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Negociações ‘produtivas’
Witkoff descreveu as negociações como “produtivas”, mas moderou as expectativas, dizendo que “ainda há muito trabalho a ser feito”. Kiev e Moscou também indicaram que o diálogo estava progredindo bem, mas omitiram qualquer menção a um possível progresso na questão territorial, principal entrave das negociações pelo fim do conflito. E não há sinais de que a Rússia esteja disposta a fazer concessões.
O principal ponto de discórdia é o destino a longo prazo do território no leste da Ucrânia. Moscou exige que Kiev retire suas tropas de grandes áreas do Donbass e quer que a comunidade internacional reconheça que as terras tomadas durante a invasão pertencem à Rússia. Já Kiev se recusa a deixar a região, mas teme que Washington apoie a posição de Moscou.
O presidente americano, por sua vez, tem pressionado ambos os lados a negociarem o fim da guerra. Zelensky considera o papel de Washington crucial. Em uma entrevista transmitida na quarta-feira pela televisão francesa, ele declarou que “Putin só tem medo de Trump”.
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“Certamente não é fácil, mas a Ucrânia tem sido e continuará sendo o mais construtiva possível”, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em uma coletiva de imprensa em Kiev. “Queremos resultados mais rápidos”.
O negociador-chefe de Kiev, Rustem Umerov, afirmou que as delegações se reunirão novamente “nas próximas semanas”. Na quarta-feira, Zelensky reconheceu pelo menos 55 mil baixas em combate desde a invasão russa em fevereiro de 2022, um número menor do que muitas estimativas independentes.
A Rússia não divulgou quantos de seus soldados morreram. A BBC e o veículo de mídia independente Mediazona, que monitora obituários e comunicados de familiares, identificaram os nomes de mais de 160 mil soldados russos mortos no conflito.
Um grupo de 89 cristãos sequestrados em meados de janeiro, após um ataque de gangues armadas a três igrejas na Nigéria, foi libertado nesta quinta-feira (5). Os fiéis, vestidos com camisetas laranja, chegaram em um ônibus escoltado por forças de segurança e foram recebidos pelo governador do estado de Kaduna, Uba Sani.
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A autoridade deste estado do norte da Nigéria afirmou que um total de 183 pessoas foram sequestradas, 11 conseguiram fugir e 83 retornaram há alguns dias. O sequestro em massa ocorreu em 18 de janeiro, em um ataque a igrejas durante a missa de domingo em uma área remota do estado de Kaduna.
As circunstâncias da libertação não foram divulgadas. O pagamento de resgates é ilegal na Nigéria, mas há suspeitas de que o governo recorra com frequência a essa prática.
Na semana passada, um líder tradicional relatou que metade dos sequestrados conseguiu fugir durante o ataque e se escondeu em outras aldeias.
O país mais populoso da África tem vivenciado um ressurgimento de sequestros em massa desde novembro. Os Estados Unidos acusaram o país de ser incapaz de conter essa violência.
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No final de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou grupos armados nigerianos de perseguirem cristãos, que ele descreveu como vítimas de “genocídio”. No final de dezembro, os Estados Unidos lançaram ataques no estado de Sokoto, no noroeste do país, contra alvos pertencentes ao grupo jihadista Estado Islâmico.
A onda de sequestros no final do ano passado levou o presidente nigeriano, Bola Tinubu, a declarar estado de emergência nacional e a lançar uma campanha de recrutamento de soldados e policiais para combater a insegurança.
A cientista brasileira que trabalhou em laboratório com o macaco bonobo Kanzi, um primata que fascinava especialistas em comportamento animal, mostra em um novo estudo que ele era capaz de raciocinar sobre objetos imaginários, habilidade que se acreditava ser exclusiva dos humanos.
Amália Bastos, da Universidade de St. Andrews (Escócia) descreve seu trabalho em artigo publicado hoje na revista Science, a mais disputada do mundo.
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Num experimento engenhoso em três etapas, ela e seu colega Christopher Krupenye conseguiram mostrar o símio objeto de sua pesquisa era capaz de entender uma brincadeira de faz-de-conta. Num teste, ela despejava uma jarra de suco vazia sobre um copo, da mesma maneira com que crianças brincam com comida “de mentirinha”, e o animal entrava na situação fantasiada.
O trabalho foi feito poucos meses antes da morte de Kanzi, ocorrida em março de 2025, aos 44 anos. Considerado o símio mais inteligente da história, o “Einstein do mundo dos macacos” aprendeu a se comunicar com cientistas reconhecendo mais de 300 símbolos desenhados e 3.000 palavras faladas.
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Tendo passado a vida inteira em centros de conservação pesquisa na Georgia e no Iowa, nos EUA, Kanzi era um macaco “enculturado”, criado fora do contexto selvagem, e suas habilidades cognitivas foram objeto de dezenas de estudo.
O artigo de Bastos na Science, porém, foi o primeiro mostrando de modo convincente que o famoso bonobo tinha capacidade de abstração para imaginar um objeto ausente, a partir de uma simulação que lhe era apresentada.
Suco de mentirinha
— O experimento é com dois copos vazios e uma jarra vazia. Primeiro a gente usava a jarra para despejar suco imaginário dentro dos copos. Depois, a gente ‘derramava’ um dos copos, e no fim perguntávamos ao Kanzi indica qual dos copos ele achava que ainda continha o suco imaginário — conta a cientista.
Com bastante confiança, o bonobo apontava sempre para o copo do qual o suco imaginário não tinha sido derramado, mostrando que entendia a simulação.
O experimento pode demonstrar uma capacidade aparentemente banal, porque crianças humanas de dois anos já conseguem entendê-lo, mas toca em uma questão essencial nos estudos sobre a evolução humana.
A capacidade de abstração necessária para participar dessa brincadeira é um dos pilares da capacidade cognitiva ampliada do Homo sapiens. Cientistas querem, portanto, entender se ela surgiu em primatas ancestrais, milhões de anos atrás ou se é algo mais recente na história evolutiva, tendo emergindo só linhagens mais recentes de hominídeos.
No estudo, Bastos e Krupenye dizem que o experimento ajuda a derrubar o mito de que a capacidade de raciocinar sobre situações imaginárias é hoje exclusividade dos humanos.
“Nossos resultados sugerem que a capacidade de formar representações secundárias de objetos imaginários está dentro do potencial cognitivo de, pelo menos, um primata enculturado e provavelmente remonta aos nossos ancestrais evolutivos comuns de 6 milhões a 9 milhões de anos atrás”, escreveu a dupla de cientistas.
Apesar de o experimento de Bastos e Krupenye ser literalmente parecido com uma brincadeira infantil, eles sabiam que não seria simples convencer um comitê de revisão recrutado pela Science de que o resultado realmente provava a tese que eles defendiam.
Para contornar isso, projetaram também experimentos paralelos, chamados de “testes de sondagem”, para excluir interpretações alternativas sobre a habilidade de raciocínio de Kanzi.
Convencendo os céticos
Nas divisões de elite da pesquisa cognitiva, cientistas tendem a ser extremamente rigorosos e céticos com alegações sobre o que se passa subjetivamente na mente de um animal.
— Uma pessoa que não conhece o Kanzi ou que duvide um pouco do experimento poderia pensar que talvez ele estivesse achando que havia suco de verdade no copo, possivelmente por ele ser um símio já idoso e não enxergar direito — explica a cientista. — Nesse caso, ele estaria seguindo nossos gestos, sem realmente entender a situação.
Nos testes de sondagem, porém, a cientista eliminou duas possíveis explicações alternativas.
Num deles, ela apresentou um copo vazio e outro com suco ao bonobo, depois lhe perguntou qual deles ele queria. Kanzi escolhia sempre o copo cheio, mostrando que ele tinha plena consciência para diferenciar a bebida real da imaginária.
O último teste era essencialmente uma versão modificada do primeiro, mas que simulava potes com uvas em vez de copos com suco. Kanzi foi igualmente capaz de abstrair a presença da fruta.
— Isso mostra que não é que havia alguma coisa específica com o suco em copos que ele tinha aprendido, mas sim que era uma habilidade um pouco mais flexível, que ele consegue aplicar pelo menos nesses dois contextos — diz Bastos.
Papel da linguagem
Apesar do sucesso do estudo, os pesquisadores reconhecem que ainda há uma ponta solta quando sua ambição é responder por que Kanzi era capaz de lidar com situações imaginárias.
Kanzi foi o único símio voluntário possível do experimento, porque era provavelmente o único macaco do mundo com capacidade de comunicação boa o suficiente para interagir de forma sofisticada com os cientistas.
o problema é que muitos especialistas em cognição defendem que a capacidade de abstração tem a capacidade de linguagem como um pré-requisito. Será que Kanzi só conseguia lidar com objetos imaginários porque antes foi treinado em reconhecer palavras e símbolos? Ou essa é uma capacidade inata dos macacos de sua espécie?
— Ambas essas opiniões existem na literatura científica, mas a minha intuição pessoal é que isso é uma coisa que existe também em outros bonobos e outros chimpanzés, sem precisar da linguagem — diz Bastos. — Existem casos relatados de chimpanzés selvagens fazendo coisas que parecem ser ‘fingidas’. Já foi documentado comportamento de fêmeas que carregam galhos como se fossem filhotes.
Qualquer semelhança com meninas humanas que brincam de embalar bonecas, ela diz, provavelmente não é mera coincidência.
Desde que pesquisas nos anos 1960 mostraram que os chimpanzés e bonobos são capazes de fazer ferramentas e manter relações sociais complexas, a exclusividade de humanos em várias habilidades cognitivas tem sido desafiada.
— Cada vez que a gente coloca uma barreira dessas, a gente encontra alguma forma de mostrar que talvez os animais estejam mais próximos da gente do que a gente imaginava — diz Bastos.

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