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A detecção de microplásticos nos oceanos a partir de imagens de satélite pode inaugurar uma nova fase na gestão ambiental global e na proteção dos ecossistemas marinhos. A proposta é liderada pelo professor Karl Kaiser, da Faculdade de Ciências Marinhas e Estudos Marinhos da Universidade Texas A&M, em Galveston, e investiga como a presença desses fragmentos altera a cor da água e a luz refletida pela superfície do mar, sinais que podem ser captados do espaço.
A técnica se baseia na espectroscopia, método que analisa a interação da luz com a matéria para identificar sua composição. Segundo Kaiser, as propriedades ópticas da água superficial são determinadas pelos materiais presentes nela, o que faz da luz refletida um indicador direto dos componentes em suspensão, incluindo sedimentos e microplásticos, como explicou em declarações divulgadas pela própria universidade.
Do espaço para políticas públicas e produção de alimentos
Caso o método seja consolidado, os cientistas poderão rastrear e quantificar a distribuição global de microplásticos sem depender exclusivamente de coletas em campo. Um dos principais avanços seria o acesso a séries históricas de imagens de satélite, permitindo revisitar cerca de uma década de registros e reconstruir a evolução da poluição ao longo do tempo. “O interessante seria que poderíamos voltar no tempo para aprender muito sobre os níveis de poluição rapidamente”, afirmou Kaiser.
O impacto prático pode ser imediato em áreas como a aquicultura. O pesquisador destacou que os dados poderão orientar piscicultores sobre onde instalar tanques e gaiolas para reduzir riscos de contaminação. Além disso, os resultados devem ser apresentados a agências federais e estaduais dos Estados Unidos, com potencial de embasar regulações ambientais mais rigorosas. Kaiser afirma que, no futuro, o método poderá medir não apenas microplásticos, mas também outros poluentes químicos, como AMPS e PCBs.
Os microplásticos são considerados uma ameaça crescente à vida marinha e humana. Resultantes da degradação de plásticos maiores, esses fragmentos têm tamanho comparável ao de bactérias e glóbulos vermelhos, o que facilita sua incorporação aos tecidos de organismos e sua dispersão por correntes oceânicas. “Seu tamanho os torna extremamente difíceis de filtrar e medir, especialmente em um ambiente oceânico dinâmico”, alertou o pesquisador.
A Baía de Galveston, no Texas, concentra uma das maiores cargas de microplásticos dos Estados Unidos, devido à proximidade com um grande polo de fabricação de plástico, e funciona como laboratório natural do estudo. Ali, a equipe analisa a relação direta entre sedimentos em suspensão e a densidade de microplásticos, premissa central do modelo proposto.
O procedimento envolve o desenvolvimento e a calibração de um algoritmo capaz de associar a cor do oceano registrada por satélites à composição da água. Para isso, são combinadas medições simultâneas da luz incidente, da luz refletida e da concentração de materiais no mesmo local e momento. Embora já existam ferramentas para estimar sedimentos em suspensão via satélite, Kaiser destaca que elas ainda não foram aplicadas especificamente à identificação de microplásticos.
A prova de conceito busca demonstrar que, onde quer que os sedimentos sejam transportados pelas correntes, os microplásticos seguem o mesmo caminho. Se validado, o modelo permitirá monitorar a poluição por plástico em grandes áreas, quase em tempo real, superando limitações históricas dos métodos tradicionais e abrindo caminho para decisões mais rápidas e embasadas na proteção dos oceanos.
Um buraco negro supermassivo vem intrigando astrônomos ao apresentar um comportamento sem precedentes: quatro anos depois de destruir uma estrela, ele passou a expelir enormes quantidades de energia na forma de ondas de rádio. O fenômeno, classificado como um caso extremo de “indigestão cósmica”, pode estar entre os eventos individuais mais energéticos já registrados, segundo estudo publicado no Astrophysical Journal.
O objeto, localizado em uma galáxia a cerca de 665 milhões de anos-luz da Terra, é conhecido oficialmente como AT2018hyz. O episódio inicial ocorreu em 2018, quando uma estrela de pequeno porte se aproximou demais do buraco negro e foi despedaçada por sua intensa força gravitacional — um processo chamado de evento de ruptura de maré (TDE, na sigla em inglês), relativamente comum nas observações astronômicas.
Uma explosão tardia e inesperada
O que torna o AT2018hyz excepcional é o atraso na emissão de energia. Após a destruição da estrela, os radiotelescópios registraram silêncio por quase três anos. Em seguida, de forma abrupta, o buraco negro começou a liberar um poderoso jato de ondas de rádio, cuja intensidade continua crescendo. De acordo com os cálculos mais recentes, o objeto hoje é cerca de 50 vezes mais brilhante do que quando foi detectado originalmente nesse comprimento de onda.
“Isso é realmente incomum. É difícil imaginar algo crescendo dessa forma por um período tão longo”, afirmou Yvette Cendes, astrofísica da Universidade de Oregon e líder do estudo. A equipe projeta que o fluxo de energia seguirá aumentando exponencialmente antes de atingir o pico no próximo ano.
As estimativas indicam que a energia liberada pode se comparar à de uma explosão de raios gama, figurando entre os eventos mais poderosos já observados. Em uma analogia com a cultura pop, os pesquisadores calcularam que o fluxo atual equivale a pelo menos um trilhão — possivelmente até 100 trilhões — de vezes a energia atribuída à fictícia Estrela da Morte, do universo Star Wars.
Durante a aproximação fatal, a estrela sofreu o processo conhecido como “espaguetificação”, no qual o campo gravitacional extremo alonga o objeto na direção do buraco negro e o comprime lateralmente, transformando-o em filamentos longos e finos. Parte desse material é engolida, enquanto outra pode ser lançada de volta ao espaço.
Buracos negros costumam ser descritos como “comedores desordenados”, pois nem toda a matéria capturada permanece presa. Ainda assim, essas ejeções geralmente ocorrem logo após a destruição da estrela. “É como se esse buraco negro tivesse começado abruptamente a expelir uma grande quantidade de material anos depois de ter devorado a estrela”, disse Cendes. “Isso nos pegou completamente de surpresa — ninguém nunca viu nada parecido antes.”
Em 2022, quando os primeiros sinais anômalos foram anunciados, o astrônomo Edo Berger, da Universidade de Harvard, já destacava a singularidade do caso. Segundo ele, embora alguns TDEs emitam ondas de rádio enquanto a estrela está sendo consumida, o AT2018hyz permaneceu silencioso por anos antes de se tornar um dos mais luminosos já observados nesse espectro.
Os pesquisadores pretendem continuar monitorando o objeto para entender como esse fluxo tardio de energia evolui e o que ele revela sobre a física dos buracos negros supermassivos — estruturas cuja gravidade é tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar e que habitam o centro de praticamente todas as galáxias massivas conhecidas.
Uma rara água-viva-fantasma gigante foi registrada por cientistas do Schmidt Ocean Institute durante uma expedição científica em águas profundas ao longo da costa da Argentina. O animal, da espécie Stygiomedusa gigantea, foi documentado nesta quarta-feira (4) a cerca de 250 metros de profundidade, durante a exploração de um recife de coral de águas frias no Atlântico Sul, a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor (too).
Conhecida como uma das maiores águas-vivas do mundo, a Stygiomedusa gigantea pode atingir até um metro de diâmetro e apresentar quatro braços que chegam a dez metros de comprimento, dimensões comparáveis às de um ônibus escolar. Segundo o instituto, a espécie não possui tentáculos urticantes e utiliza seus longos braços para capturar presas, comportamento pouco observado devido ao habitat profundo em que vive.
Assista:
Água-viva fantasma gigante é filmada em águas profundas da Argentina
Expedição revela ecossistemas pouco conhecidos
A missão científica percorreu a margem continental argentina, do litoral da província de Buenos Aires até regiões profundas próximas à Terra do Fogo. Para registrar imagens do fundo do mar, os pesquisadores utilizaram o ROV SuBastian, veículo operado remotamente, capaz de alcançar grandes profundidades e explorar áreas raramente acessadas por humanos.
Ao longo da expedição, que ocorre durante fevereiro de 2026, a equipe identificou extensos recifes de corais de águas frias, formados principalmente pela espécie Bathelia candida. Esses corais crescem lentamente e podem viver por centenas de anos, criando estruturas rígidas que servem de abrigo e área de alimentação para peixes, crustáceos, estrelas-do-mar e outros organismos marinhos. Pela alta vulnerabilidade a impactos humanos, esses ambientes são classificados como ecossistemas marinhos vulneráveis.
Os cientistas também estabeleceram um marco ao documentar o maior recife de Bathelia candida já registrado no oceano. Além disso, foram identificadas exsudações frias — áreas onde compostos químicos liberados pelos sedimentos do fundo marinho sustentam comunidades de microrganismos e cadeias alimentares completas, mesmo na ausência de luz solar. Outro destaque da missão foi o registro de uma lula-de-vidro a 1.725 metros de profundidade em um cânion submarino.
De acordo com os pesquisadores do Schmidt Ocean Institute, a extensão total dos ecossistemas descobertos e o número de espécies que habitam essas regiões do Atlântico Sul ainda são desconhecidos, o que reforça a necessidade de novas expedições científicas. Os dados coletados serão analisados em estudos voltados à biodiversidade, à conservação marinha e à avaliação dos impactos das atividades humanas nos oceanos profundos.
Uma píton-reticulada fêmea descoberta na região de Maros, na ilha de Sulawesi, Indonésia, foi oficialmente medida com 7,22 metros de comprimento, o que a torna a cobra selvagem mais longa já documentada, conforme confirmado pelo Guinness World Records (GWR).
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A espécime, identificada como Malayopython reticulatus, foi medida em 18 de janeiro, após ter sido encontrada no final de 2025. Segundo o GWR, a medida da cabeça à ponta da cauda atingiu 7,22 metros, um comprimento comparável à largura total de um gol oficial da FIFA ou a mais de seis carrinhos de supermercado enfileirados.
O GWR observou que, sob anestesia, quando o corpo da cobra relaxa completamente, seu comprimento pode ser pelo menos 10% maior. No entanto, a organização esclareceu que a anestesia só deve ser usada por razões médicas ou de segurança, portanto essa estimativa não foi testada.
Avaliação e resgate da espécime
A píton foi avaliada pelo guia e socorrista de animais selvagens Diaz Nugraha, de Kalimantan (Bornéu), juntamente com o explorador e fotógrafo de natureza Radu Frentiu, radicado em Bali. Segundo o GWR, os dois organizaram uma viagem a Sulawesi depois de ouvirem rumores sobre a existência de uma cobra excepcionalmente grande, com o objetivo de documentá-la adequadamente.
Ibu Baron com o conservacionista local de cobras do Condado de Maros, Budi Purwanto
Divulgação / Guinness World Records
O animal foi colocado sob os cuidados do ambientalista local Budi Purwanto, que o resgatou em dezembro de 2025 para evitar que sofresse maus-tratos. Atualmente, ela está em um grande recinto em uma propriedade no Condado de Maros, onde Purwanto mantém outras cobras resgatadas.
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Peso e características
Além de medir seu comprimento, a píton foi pesada usando balanças comuns para sacos de arroz. O recorde foi de 96,5 quilos, equivalente ao peso aproximado de um panda-gigante adulto, conforme detalhado pelo GWR.
Os avaliadores indicaram que o animal não havia se alimentado recentemente e que, após uma grande refeição, poderia ter pesado mais de 100 quilos.
A espécime foi batizada de “Ibu Baron”, que significa “A Baronesa”. Segundo Frentiu, citado pelo GWR, a característica mais marcante do animal é a força de sua musculatura e sua capacidade de se expandir ao ingerir grandes presas.
Contexto científico e registros anteriores
As pítons-reticuladas são consideradas, em média, as serpentes mais longas do mundo, com tamanhos geralmente entre três e seis metros, embora já tenham sido documentados indivíduos com mais de seis metros.
Píton de 7,22 metros é encontrada na Indonésia e bate recorde mundial
Divulgação / Guinness World Records
O registro científico anterior de uma píton-reticulada selvagem media 6,95 metros e foi documentado em 1999 em Kalimantan Oriental, Bornéu, de acordo com um estudo publicado em 2005 no Raffles Bulletin of Zoology.
O GWR destacou que, embora existam inúmeros relatos históricos de cobras ainda maiores, a maioria carece de documentação verificável. Em contraste, o caso de Ibu Baron possui um processo formal de medição e evidências revisadas.
Conservação e conflito com humanos
Conforme Nugraha explicou ao GWR, os encontros entre humanos e pítons gigantes estão aumentando devido à redução dos habitats naturais e ao declínio das presas selvagens, o que empurra esses animais para mais perto de áreas habitadas.
Isso intensificou os conflitos, já que as pítons-reticuladas são consideradas uma ameaça para o gado, animais de estimação e, em alguns casos, para as pessoas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, pediu “respeito mútuo” na sexta-feira, antes do início das conversas programadas para Omã com enviados do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o programa nuclear da República Islâmica.
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“O Irã está entrando na diplomacia de olhos bem abertos e com uma memória indelével do ano passado. Estamos participando de boa-fé e defendendo firmemente nossos direitos”, escreveu o ministro na plataforma de mídia social X.
“Os compromissos devem ser honrados. Igualdade, respeito mútuo e interesse recíproco não são apenas retórica; são essenciais e constituem os pilares de um acordo duradouro”, acrescentou.
O sangue encontrado na casa de Nancy Guthrie, mãe da jornalista Savannah Guthrie, personalidade conhecida na TV norte-americana, pertence à idosa, de 84 anos. Nancy desapareceu entre a noite de sábado e a manhã do domingo, supostamente sequestrada. As informações foram passadas por autoridades responsáveis ​​pelo caso, que chocou o público nos EUA.
O xerife do Condado de Pima, Chris Nanos, que tem jurisdição sobre o caso, detalhou que os resultados iniciais do teste de DNA mostraram que o sangue encontrado na entrada da casa de Nancy é dela. Mas quatro dias após seu desaparecimento, nenhum suspeito foi identificado.
– Todos são suspeitos aos nossos olhos – disse Nanos, esclarecendo que as autoridades acreditam que a mulher ainda esteja viva.
– Neste momento, acreditamos que Nancy ainda esteja por aí – disse Nanos a repórteres. – Queremos que ela volte para casa.
O filho de Nancy Guthrie fez um novo apelo, após a coletiva de imprensa de quinta-feira, dizendo que a família não tinha novas informações sobre o paradeiro dela.
“Quem estiver com nossa mãe, por favor, entre em contato”, disse Cameron Guthrie em um vídeo publicado no Instagram. “Não recebemos nenhuma informação direta. Precisamos que você entre em contato e precisamos de uma forma de nos comunicarmos para que possamos prosseguir. Mas primeiro precisamos saber se encontraram nossa mãe”, acrescentou.
O xerife detalhou a cronologia do desaparecimento de Nancy Guthrie, que teria chegado em casa por volta das 21h48, horário local, no sábado, após passar um tempo com a família.
– À 1h47 (de domingo), a câmera da entrada da garagem desconectou – disse Nanos. Às 2h12, o software da câmera identificou uma pessoa, mas não havia vídeo disponível. As autoridades reconheceram que também poderia ter sido um animal.
Às 2h28, o marca-passo de Nancy Guthrie desconectou-se do aplicativo em seu celular.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, abriu sua coletiva de imprensa diária com o caso, que também chamou a atenção do presidente Donald Trump.
O presidente, disse Leavitt, falou “diretamente com Savannah, ontem, e disse a ela que o governo federal está aqui para ajudar”.
O diretor do FBI, Kash Patel, está sendo pessoalmente informado sobre a investigação, disse o agente especial encarregado do FBI no Arizona, Heith Janke, na quinta-feira.
O FBI também anunciou uma recompensa de US$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro de Nancy.
– Ela precisa de medicação diária, e já estamos no quarto ou quinto dia, e não sabemos se ela está recebendo a medicação, o que pode ser fatal – disse Nanos.
Savannah Guthrie postou um vídeo na quarta-feira no qual, acompanhada por seus dois irmãos, implorou em lágrimas por provas de que sua mãe estava viva e disse estar disposta a discutir os termos para sua libertação.
“Queremos ouvir vocês e estamos prontos para ouvir”, disse a co-apresentadora do programa “Today” da NBC News.
Várias cartas de resgate foram enviadas a veículos de imprensa locais, uma delas com prazo até a tarde de quinta-feira.
Janke esclareceu que a decisão sobre o assunto cabe exclusivamente à família.
A China ultrapassou mais uma vez os limites entre a engenharia e a ficção científica. Desta vez, fez isso com a apresentação do Luanniao, um suposto “porta-aviões espacial” de proporções colossais, parte do chamado Projeto Nantianmen (“Portão Celestial do Sul”), uma iniciativa conceitual do complexo militar-industrial chinês para projetar poder na fronteira da atmosfera e apresentada publicamente com uma estética semelhante à de Star Wars.
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Imagens divulgadas pela mídia estatal mostram uma nave triangular, cinza e com aparência futurista. Mas por trás do impacto visual, reside uma questão mais relevante: será este o prenúncio de uma nova era de militarização do espaço próximo ou, por ora, apenas uma peça de propaganda?
O conceito Luanniao está associado à Corporação da Indústria de Aviação da China (AVIC), a gigante estatal que controla grande parte do desenvolvimento aeronáutico e militar do país. A ideia não é nova: circula há mais de uma década em fóruns técnicos e apresentações da indústria, mas ganhou destaque nos últimos meses após a divulgação de vídeos institucionais mostrando a aeronave em uma operação simulada.
Luanniao tem uma estética que lembra mais ‘Star Wars’ do que a realidade operacional
Reprodução / Governo da China
De acordo com o material divulgado, o Luanniao teria 242 metros de comprimento, uma envergadura de aproximadamente 684 metros e um peso máximo de decolagem estimado em 120.000 toneladas.
Se for concretizado, ultrapassará em escala qualquer aeronave existente e chegará a competir com os maiores navios de guerra em termos de massa.
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Sua missão declarada seria operar no “espaço próximo”, ou seja, no limite superior da atmosfera terrestre. De lá, poderia lançar veículos não tripulados e mísseis, além do alcance da maioria dos sistemas de defesa convencionais.
O projeto conceitual do Luanniao o apresenta como uma plataforma-mãe (ou seja, capaz de fornecer combustível a outras) com capacidade para implantar até 88 caças não tripulados Xuan Nu, concebidos como drones furtivos com alta manobrabilidade e significativa capacidade de carga útil.
A função desses veículos seria lançar mísseis hipersônicos, armas que viajam a velocidades superiores a Mach 5 e cuja trajetória manobrável dificulta a interceptação. Nos últimos anos, a tecnologia hipersônica tornou-se um foco central da competição estratégica entre as potências mundiais.
Luanniao tem uma estética que lembra mais ‘Star Wars’ do que a realidade operacional
Reprodução / Governo da China
Operar acima do alcance típico de mísseis terra-ar e caças convencionais ofereceria, em teoria, uma posição de vantagem. Dessa altitude, a aeronave poderia se posicionar sobre alvos estratégicos e lançar projéteis — uma imagem que resume a ambição do projeto: dominar não apenas o mar e o ar, mas também a fronteira com o espaço.
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Ceticismo
No entanto, a diferença entre a representação e a realidade é grande. Analistas ocidentais, incluindo o especialista em defesa Peter Layton, apontaram que atualmente não existe tecnologia operacional capaz de sustentar uma plataforma desse porte na borda da atmosfera por períodos prolongados.
Um veículo de 120.000 toneladas exigiria sistemas de propulsão completamente novos e quantidades enormes de combustível ou fontes de energia que ainda não estão disponíveis. Além disso, a infraestrutura necessária — foguetes reutilizáveis ​​de grande capacidade e logística de apoio — ainda está em desenvolvimento.
Sugeriu-se na China que o Luanniao poderia estar operacional dentro de 20 a 30 anos, embora vários especialistas estimem que apenas a indispensável base tecnológica exigiria pelo menos mais uma década e meia.
O Luanniao não surgiu do nada. Faz parte de uma estratégia mais ampla de inovação militar que combina avanços reais com uma forte dimensão simbólica.
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Em novembro de 2024, pesquisadores chineses confirmaram o desenvolvimento de um sistema de energia direcionada capaz de concentrar múltiplos feixes de micro-ondas em um único feixe de alta potência. O dispositivo, apelidado informalmente de “Estrela da Morte” de micro-ondas por alguns analistas, teria sido projetado para interferir em sinais de satélite e desativar componentes eletrônicos por meio de uma temporização extremamente precisa.
Um ano depois, a empresa aeroespacial Lingkong Tianxing apresentou o míssil hipersônico YKJ-1000, capaz de atingir Mach 7. O vídeo promocional do sistema incluía referências explícitas a cenários no nordeste da Ásia, o que foi interpretado como uma mensagem geopolítica direta.
O Projeto Nantianmen também inclui o desenvolvimento do caça Baidi de sexta geração, projetado para operar em condições próximas ao espaço, cujo modelo em escala foi exibido em 2024.
Para muitos analistas, esses anúncios têm uma dupla função. Internamente, reforçam a narrativa do progresso tecnológico e da liderança científica do Partido Comunista. Externamente, servem como um alerta: a China está investindo em tecnologias que visam alterar o equilíbrio militar na Ásia e em outras regiões.
A história recente demonstra que algumas capacidades que pareciam inatingíveis (como mísseis hipersônicos operacionais) acabaram se tornando realidade.
Atire primeiro, pergunte depois. Essa tem sido a máxima nas operações dos Estados Unidos no Caribe, sob a desculpe de travar uma guerra contra narcotraficantes. Desta vez, as Forças Armadas dos EUA informaram terem matado dois suspeitos de tráfico de drogas, em um ataque a uma embarcação no Pacífico Leste, elevando o número de mortos na campanha de Washington para pelo menos 128 desde seu início em setembro.
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“Informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava navegando por rotas conhecidas de tráfico de drogas no Pacífico Leste e estava envolvida em operações de narcotráfico”, afirmou o Comando Sul dos EUA em um comunicado. Acrescentou ainda que “nenhum militar americano ficou ferido” na operação.
* Matéria em apuração
A cientista brasileira Amália Bastos, da Universidade de St. Andrews (Escócia) conviveu com o macaco bonobo Kanzi em seus últimos meses de vida, durante os quais fez um estudo de destaque internacional. Fascinada por bichos desde criança, ela contou ao GLOBO como se aproximou daquele que era considerado o “Einstein” entre os símios.
Desde seus primeiros anos de vida, Kanzi, que morreu no ano passado, exibia habilidades linguísticas fora do comum para sua espécie. Amália demonstrou em um estudo publicado nesta quinta-feira (5) que ele também era capaz de lidar com objetos imaginários em sua mente, uma capacidade tida como exclusiva dos humanos.
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Para ganhar acesso um animal que já tinha status de superstar na comunidade de cientistas cognitivos, a jovem pesquisadora traçou um longo caminho, que começou antes mesmo da faculdade.
— Eu nasci no Rio, morei até os 18 anos lá, e desde muito cedo tive interesse em animais — conta ela, descrevendo sua infância como um pouco ‘estranha’. — Quando eu falava para minha mãe que eu queria ter algum tipo de bicho, ela dizia: ‘desde que você consiga o animal de graça, você pode ter’. Então, dentro de casa eu tive chinchila, hamster, cachorro, papagaio, calopsita…
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O fascínio de Amália pelas suas criaturas, porém, era mais pelo comportamento do que pela imagem delas.
— Eu sempre me interessei pelo que está passando na cabeça desses animais. Eu observava eles o dia inteiro, ficava imaginando o que eles estariam pensando, e isso acabou depois me levando para caminho de estudar comportamento animal — diz.
Ao concluir o ensino médio, ela já queria fazer graduação para seguir essa área de pesquisa bastante específica, mas não havia opções no Rio. A estudante cogitou procurar a Universidade de São Paulo (USP), que faz estudos sobre inteligência animal no Instituto de Psicologia, mas uma oportunidade diferente surgiu.
Amália se qualificou logo na graduação para uma bolsa do CNPq que lhe permitiu fazer o curso de biologia na Universidade de Oxford, centro de referência mundial na área de pesquisas cognitivas.
— Então fui para a Inglaterra com 18 anos, e dali fui pulando de um lugar para outro — disse. — Fiz a graduação em Oxford, depois um doutorado na Nova Zelândia, na qual trabalhei com papagaios quia, que são endêmicos da ilha Sul do país.
Nessa etapa de sua carreira, Bastos publicou com colegas um estudo mostrando como essas aves de inteligência excepcional uma noção rudimentar de probabilidade e a usam para tomar suas decisões.
Teoria da mente
Tendo publicado também estudos com corvos e muitos artigos sobre comportamento de cães, a pesquisadora fez um pós-doutorado na Califórnia e entrou para o mundo dos primatas quando conheceu o cientista Christopher Krupenye, que já possuía grande reputação em estudos com macacos.
Tendo demonstrado a capacidade extraordinária de chimpanzés de conseguirem intuir o que outras pessoas e animais estão pensando (a habilidade conhecida como “teoria da mente”), o pesquisador americano se interessou pelos trabalhos da colega brasileira.
— Numa conferência, a gente começou a falar sobre primatologia e cognição em primatas, e depois ele me convidou para vir para o laboratório dele na Universidade Johns Hopkins (em Baltimore, EUA) e fazer outro pós-doutorado — conta. — Foi aí que eu comecei a trabalhar com bonobos, uma espécie com a qual eu nunca tinha lidado.
Em termos evolutivos, os bonobos são tão próximos dos humanos quanto os chimpanzés. Em outras palavras, são os nosso parentes mais próximos no reino animal. Apesar do enorme interesse da ciência em conhecê-los para estudos comparativos com a inteligência humana, são poucos os centros de pesquisa no mundo com recursos para estudá-los, seja na natureza ou em cativeiro.
Com sua experiência diversificada na área, Bastos conseguiu como cientista acesso a uma espécie de alto valor para compreender a evolução humana. Mais que isso, desenhou-se a oportunidade de entrar em contato com o indivíduo não humano com a maior capacidade de comunicação conhecida no planeta.
Cócegas fingidas
Kanzi já havia demonstrado em pesquisas anteriores saber diferenciar mais de 300 símbolos desenhados. Sue Savage-Rumbaugh, a cientista que descobriu essa capacidade excepcional do bonobo, estimava que ele sabia reconhecer mais de 3.000 palavras faladas em inglês.
— A gente visitou o Kanzi pela primeira vez em 2023, no centro de pesquisas Ape Initiative, em Iowa, só para entender como ele e os outros bonobos viviam ali — conta. — Quando você vai trabalhar com uma espécie nova, o mais importante é a observação. Só depois é que você começa a criar suas hipóteses, para saber o que vai testar de forma científica.
A ideia de estudar a capacidade de imaginação abstrata veio literalmente de uma brincadeira protagonizada pelo macaco, em um de seus primeiros contatos com ele.
— Eu e um aluno de doutorado estávamos de frente para o Kanzi, atrás de um vidro, e a primeira coisa que ele fez foi apontar para nós, depois apontar para o símbolo que significava ‘cócegas’ num quadro de símbolo que ele tinha — relata. — Então eu e o outro aluno fingimos que estávamos fazendo cosquinha um no outro, e o Kanzi achou isso engraçadíssimo.
Esse episódio semeou a ideia de fazer um experimento para investigar se, de fato, o bonobo entendia quando humanos estavam fingindo um comportamento. Esse trabalho foi coroado nesta semana com destaque na revista Science, a mais disputada do mundo, por Bastos e Krupenye terem demonstrado que a hipótese era verdadeira.
Vida e obra
O estudo publicado agora foi baseado em experimentos que terminaram menos de um ano antes de Kanzi morrer, em março de 2025. Com 44 anos, uma idade bastante avançada para sua espécie, ele estava passando por um tratamento para doença cardíaca que não deu conta de salvá-lo. Sua vida foi celebrada por ter sido um indivíduo que deixou enorme contribuição para a ciência cognitiva.
— Foi muito interessante conviver com ele. Ele sempre queria trabalhar, sempre estava feliz em estar ali — relata a pesquisadora. — Você chamava ele para fazer o estudo, ele vinha correndo, sentava e ficava prestando atenção.
Bastos diz que se sentiu bastante abalada quando soube da morte de Kanzi.
— Todo animal com quem você trabalha vira um colega seu. Você conhece os hábitos peculiares dele e o comportamento dele. Então, para mim, foi como perder um colega de trabalho — conta. — No caso dele foi uma perda muito especial porque não existe, e eu nem acho vai existir, um outro bonobo como o Kanzi.
Os protestos no Irã estão praticamente encerrados, esmagados pela mão pesada do governo, mas a retaliação está apenas começando. Médicos que trataram manifestantes feridos foram presos em massa, comércios importantes foram confiscados e fechados, e a mídia crítica ao regime foi silenciada — tudo para sufocar a possibilidade de novos distúrbios. Até mesmo famílias que realizam funerais para entes queridos mortos durante a repressão foram proibidas de chorar em público. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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