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O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, solicitaram que seu depoimento perante o Congresso sobre seus laços com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein seja prestado em público, para evitar que os republicanos politizem o assunto.
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Bill Clinton: o que novos arquivos do caso Epstein revelam sobre ex-presidente dos EUA?
Os Clintons foram intimados a depor a portas fechadas perante o Comitê de Supervisão da Câmara, que investiga as conexões do falecido financista com figuras poderosas e como as informações sobre seus crimes foram tratadas.
Hillary Clinton irá depôr em 26 de fevereiro e Bill Clinton no dia seguinte, informou o Comitê de Supervisão em um comunicado.
Primeira parte dos documentos do caso Epstein tem destaque para o ex-presidente democrata Bill Clinton
Divulgação / Departamento de Justiça dos EUA
Os democratas afirmam que a investigação está sendo usada como arma para atacar os oponentes políticos do presidente Donald Trump — ele próprio um ex-associado de Epstein que não foi convocado a depor — em vez de realizar uma supervisão legítima.
Os republicanos da Câmara ameaçaram votar por desacato ao tribunal caso o influente casal democrata não comparecesse para depor, o que eles acabaram aceitando. Mas Bill Clinton disse que realizar o depoimento a portas fechadas seria como ser julgado em um “tribunal irregular”.
“Vamos parar de brincar e fazer direito: em uma audiência pública”, disse o ex-presidente democrata no X.
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Hillary Clinton disse que já haviam informado ao Comitê de Supervisão, liderado pelos republicanos, tudo o que sabiam.
— Se eles querem essa briga… que seja em público — disse ela na quinta-feira.
O Departamento de Justiça divulgou na semana passada o último lote dos chamados Epstein Files: mais de três milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação sobre Epstein, que morreu em 2019, em um caso considerado suicídio enquanto estava sob custódia.
Bill Clinton aparece com frequência nos arquivos, mas nenhuma evidência surgiu que implique qualquer um dos Clintons em atividades criminosas.
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O ex-presidente admitiu ter viajado no avião de Epstein no início dos anos 2000 para trabalho humanitário relacionado à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein, onde ele supostamente promovia festas sexuais.
Hillary Clinton, que concorreu contra Trump nas eleições presidenciais de 2016, afirmou que não tinha nenhum relacionamento significativo com Epstein, nunca voou em seu avião e nunca visitou a ilha.
Após uma breve trégua da passagem da tempestade Leonardo, Espanha e Portugal temem os efeitos de um novo temporal, chamado Marta, neste sábado, em regiões já devastadas por fortes inundações. Os serviços meteorológicos de ambos os países já haviam alertado para a chegada da tempestade à Península Ibérica.
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As chuvas extraordinárias que caíram desde terça-feira deixaram uma pessoa morta em Portugal e uma mulher desaparecida após pular em um rio para tentar salvar seu cachorro na região espanhola da Andaluzia. As autoridades encontraram um corpo na sexta-feira e acreditam ser o da mulher. A confirmação forense ainda está pendente.
A Península Ibérica está na linha de frente das mudanças climáticas e vem sofrendo com ondas de calor cada vez mais longas há anos, começando antes mesmo do verão, e episódios cada vez mais frequentes de chuvas intensas.
A vasta região da Andaluzia é atualmente a mais afetada na Espanha, com cerca de 8 mil pessoas evacuadas de suas casas por precaução, inúmeras estradas fechadas e serviços ferroviários interrompidos.
Como sinal da perigosa subida do nível da água, a famosa Ponte Romana de Córdoba, que cruza o rio Guadalquivir perto da sua renomada Mesquita-Catedral, foi fechada ao trânsito de pedestres, já que os carros não conseguiam atravessá-la.
— Estamos todos sobrecarregados por estas chuvas implacáveis ​​e pelo solo, que já não consegue absorver mais água — declarou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante uma visita à área afetada.
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Após sobrevoar a área de helicóptero e conversar com as equipes de resgate, o líder socialista pediu cautela, prevendo “dias complexos” pela frente, com “condições meteorológicas muito adversas, muito perigosas e muito delicadas”.
O porta-voz da agência meteorológica espanhola (Aemet), Rubén del Campo, alertou para a nova tempestade, que trará “muita chuva novamente”, podendo cair “em áreas já severamente afetadas pelas fortes chuvas dos dias anteriores”.
Isso poderá causar “novamente inundações, enchentes repentinas e deslizamentos de terra”, alertou.
Na sexta-feira, o tempo deu uma trégua, como previsto pela Aemet, com ventos fortes, mas sem chuvas “extraordinárias”.
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Mais chuva
Em Portugal, país vizinho, as autoridades trabalhavam para atenuar os efeitos da tempestade Leonardo, enquanto se preparavam para a chegada de Marta. Em três dias, as barragens do país libertaram “um volume de água equivalente ao consumo anual do país”, indicou na sexta-feira à tarde o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado.
A situação registou “uma ligeira melhoria” em termos de precipitação nesse dia, afirmou o comandante da Defesa Civil, Mário Silvestre, numa conferência de imprensa.
Mas a tempestade que se aproxima “trará chuva forte, especialmente na noite de sexta-feira e no sábado”, com “rajadas que poderão atingir os 100 km/h”, especificou.
No município de Alcácer do Sal, no sul do país, um dos mais afetados, o nível da água começou a baixar, permitindo que as equipas de resgate ajudassem os moradores a esvaziar porões e os comércios inundados.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, que visitou a área na sexta-feira, afirmou que os danos “ultrapassaram os 4 mil milhões de euros (4,7 mil milhões de dólares)”, segundo uma estimativa preliminar.
Mais de 26.500 socorristas estão mobilizados em todo o país e cerca de 900 pessoas foram evacuadas em várias regiões, de acordo com as autoridades de proteção civil. Portugal tem vindo a sofrer uma série de fenómenos meteorológicos particularmente intensos. Na semana passada, a tempestade Kristin deixou cinco mortos.
O segundo turno das eleições presidenciais será realizado no domingo, apesar da “crise devastadora” causada pelas chuvas, segundo Luís Montenegro. Contudo, três municípios gravemente afetados, incluindo Alcácer do Sal, irão adiar a votação por uma semana.
Uma equipe de pesquisadores solucionou um enigma histórico que persistia desde o fim do século XVIII na vila de I Casoni, em Montopoli di Sabina, na Itália. A descoberta de um antigo aqueduto e de uma complexa rede de túneis subterrâneos esclareceu como a propriedade era abastecida com água, confirmando referências feitas por estudiosos ao longo de mais de 200 anos.
A pesquisa foi coordenada pela Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio para a área metropolitana de Roma e a província de Rieti, em parceria com o Grupo Espeleológico-Arqueológico Vespertilio. O uso da tecnologia LiDAR foi decisivo para a criação de um mapa tridimensional do sistema subterrâneo e para a compreensão de sua ligação com estruturas ainda visíveis na superfície.
Confirmação de fontes históricas e avanço científico
Desde 1790, autores como Sperandio, Marocco, Guattani e Nardi mencionavam a possível existência de um aqueduto e da chamada Fonte Varrone, citada também por arqueólogos mais recentes, como Lugli. Até agora, porém, a localização exata e o funcionamento do sistema permaneciam incertos. A nova identificação permitiu reconstruir com precisão o método de abastecimento hídrico utilizado pela vila.
Construída durante o período da República Romana, I Casoni era organizada em dois terraços. O inferior abrigava jardins, um ninfeu e uma piscina circular, enquanto o superior concentrava o núcleo residencial, com criptopórtico, cubículos e o tablinum. Novos levantamentos de campo e técnicas avançadas levaram à localização tanto do aqueduto quanto das nascentes originais.
Segundo Cristiano Ranieri, presidente do Grupo Vespertilio, o sistema consiste em túneis escavados a cerca de 300 metros da vila, aproveitando o conglomerado natural da região. A água das nascentes seguia até uma cisterna que funcionava também como tanque de decantação, onde impurezas se depositavam antes da distribuição para banhos, fontes ornamentais e áreas domésticas.
A análise arquitetônica e dos materiais indica que o complexo pode ser anterior à romanização da Sabina, sugerindo ligação com um assentamento sabino mais antigo. Dados obtidos durante a exploração espeleológica reforçam essa hipótese e renovam o interesse pelo desenvolvimento tecnológico desses povos.
“A identificação deste aqueduto constitui uma oportunidade excepcional para entendermos o abastecimento hidráulico de uma das vilas mais importantes da região da Sabina”, afirmou a arqueóloga Nadia Fagiani, da Superintendência, que coordenou o estudo. O projeto contou ainda com especialistas como Giorgio Pintus, Fabrizio Marincola, Riccardo Bertoldi, Vincenzo Ridolfi, Giulia Petroni, Maria Piro, Arianna Armeni e Paola Massardi, cuja atuação foi decisiva para a localização final do sistema.
A cooperação entre instituições de patrimônio, equipes especializadas e a comunidade local foi apontada como fundamental para o avanço da pesquisa, que amplia a compreensão sobre a história, a engenharia e a organização social dos antigos assentamentos da região da Sabina.
As duas fortalezas medievais estão frente a frente, em margens opostas do rio que separa a Estônia da Rússia. Em Narva, uma cidade apreensiva diante de seu poderoso vizinho, a “Ponte da Amizade”, outrora símbolo de cooperação, está hoje repleta de cercas de arame farpado e obstáculos antitanque.
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“O nome é um tanto irônico”, comenta à AFP Eerik Purgel, alto funcionário da guarda de fronteira da Estônia. Segundo ele, talvez fosse preciso mudar o nome da ponte, que hoje aparece como uma metáfora das agudas tensões geopolíticas entre a Rússia e a Otan neste canto da Europa Oriental. Ou “talvez não devesse haver ponte nenhuma”, sugere.
Onde antes se formavam longas filas de veículos para cruzar o rio Narva e fazer compras ou visitar familiares na Rússia, agora nenhum carro passa. Apenas algumas pessoas, a pé e arrastando malas, atravessam a ponte. A poucas semanas do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, Narva vive um clima pesado. Alguns temem que essa cidade russófona da Estônia, com pouco mais de 50 mil habitantes, se torne o próximo alvo do presidente russo, Vladimir Putin.
“Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente”, destaca a prefeita Katri Raik, na Prefeitura da cidade. “Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias” e “todos nos perguntamos o que vai acontecer depois”, afirma.
“Período mais difícil”
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, a Estônia, membro da União Europeia e da Otan, reforçou suas defesas, assim como os outros países bálticos. O Exército da Estônia, ex-república soviética com 1,3 milhão de habitantes, é pequeno. O Ministério da Defesa afirma que, em caso de necessidade, pode mobilizar cerca de 44 mil soldados, além de 2 mil militares de países aliados da Otan estacionados no país.
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As autoridades prometeram reforçar a segurança nacional com medidas legislativas, incluindo a retirada do direito de voto em eleições locais de cidadãos russos e apátridas residentes no país. Além disso, em 2024, o estoniano passou a ser a única língua de ensino nas escolas, uma medida que afetou muitos moradores de Narva.
Essas reformas, combinadas com desemprego, aumento das contas de energia, colapso das relações com a Rússia e temor de um conflito, criaram uma “tempestade perfeita” na cidade.
“Este é o período mais difícil da nossa história em quase 40 anos”, afirma Mihhail Stalnuhhin, presidente do Conselho Municipal. “Vemos como estão nos tratando”, diz o veterano da política local. “A isso se soma o discurso constante sobre guerra, guerra, guerra. As pessoas vivem uma situação moral, econômica e social muito difícil”, explica.
Nacionalidade russa
Ao longo de sua história, Narva esteve sob domínio dinamarquês, alemão, russo, sueco e estoniano. A cidade sofreu danos significativos durante a Segunda Guerra Mundial e tornou-se majoritariamente russófona durante o período soviético. Trinta e cinco anos após a independência da Estônia, Narva ainda busca entender sua identidade. Muitos moradores se sentem presos entre dois mundos, diz Vladimir Aret, gerente de hotel e vereador.
“Sou europeu, mas às vezes brincamos dizendo que não sabemos muito bem o que é uma pátria-mãe”, afirma.
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Embora muitos se declarem patriotas, há também quem exalte Vladimir Putin. Alguns residentes falam apenas russo, assistem à televisão russa e lembram com nostalgia da União Soviética. Cerca de metade da população da cidade tem nacionalidade estoniana, um terço possui cidadania russa e cerca de 7 mil são apátridas desde 1991. Segundo o censo de 2021, 95% da população tem o russo como língua materna.
“Loucura russofóbica”
A Rússia critica com frequência o governo estoniano. Em um relatório publicado em dezembro, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a “crescente loucura russofóbica da Estônia” e políticas “neonazistas”. O grande número de apátridas é apontado como um problema grave. Alguns moradores concordam.
“Nós, russófonos, somos discriminados”, afirma uma mulher de cerca de 50 anos, que pediu anonimato. Mas Olga Kolesnikova, apátrida de 64 anos, discorda. “Não me sinto prejudicada”, diz a padeira aposentada, mãe de quatro filhos. Aleksandr Gruljov, pedreiro de 59 anos, considera renunciar à cidadania russa. “Aqui ninguém oprime ninguém”, garante. Ainda assim, especialistas alertam que algumas reformas carecem de perspectiva.
“Porta de entrada perfeita”
Proibir cidadãos russos de votar em eleições locais seria “uma porta de entrada perfeita para a propaganda russa”, afirma o cientista político Carlo Masala.
“Como no Donbass, a Rússia pode alegar que os direitos de suas minorias no exterior estão ameaçados, o que lhe daria um motivo para protegê-las, inclusive por meios militares, se necessário”, explica.
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Em seu livro “A guerra de depois: Rússia frente ao Ocidente”, Masala imagina um cenário em que tropas russas tomam Narva em 2028 para atacar outros Estados bálticos. Segundo ele, cidades como Kirkenes, na Noruega, ou Daugavpils, na Letônia, também poderiam ser vulneráveis. A invasão da Ucrânia reacendeu o debate sobre a lealdade da minoria russófona.
“Uma das questões fundamentais que os estonianos colocam sobre a minoria russófona é a do patriotismo e da lealdade”, apontava um estudo europeu de 2023.
“Definitivamente patriotas”
Segundo esse estudo, 65% dos russófonos da Estônia se declararam “mais ou definitivamente patriotas da Estônia”, contra 28% que afirmaram o contrário. Jelissei Soloviev, jovem de 18 anos do Kaitseliit, organização de defesa voluntária, não hesita.
“Estamos prontos para defender nosso país, não temos medo”, afirma.
Masala avalia que Narva hoje parece uma “fortaleza”, o que tornaria qualquer ação militar mais difícil. Ainda assim, autoridades fronteiriças descartam que a cidade seja especialmente vulnerável.
“Se você tem um pretexto, também pode invadir Berlim”, comentou Egert Belitsev, chefe do serviço fronteiriço. O agente da guarda de fronteira estoniana Eerik Purgel concorda. “Com as ferramentas certas, é possível explorar qualquer coisa. Não importa se é Narva, Tallin ou os Estados Unidos”, afirma. Mas conclui: “Este é o nosso povo, nós o protegeremos com nossas vidas”.
As duas fortalezas medievais se encaram frente a frente, em margens opostas do rio que separa a Estônia da Rússia. Em Narva, uma cidade apreensiva diante de seu poderoso vizinho, a “Ponte da Amizade”, outrora símbolo de cooperação, está hoje repleta de cercas de arame farpado e obstáculos antitanque.
— O nome é um tanto irônico — comenta à AFP Eerik Purgel, alto funcionário da guarda de fronteira da Estônia.
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Segundo ele, talvez fosse preciso mudar o nome da ponte, que hoje aparece como uma metáfora das agudas tensões geopolíticas entre a Rússia e a principal aliança militar do Ocidente, a Otan, neste canto da Europa Oriental. Ou “talvez não devesse haver ponte nenhuma”, sugere.
Onde antes se formavam longas filas de veículos para cruzar o rio Narva e fazer compras ou visitar familiares na Rússia, agora nenhum carro passa. Apenas algumas pessoas, a pé e arrastando malas, atravessam a ponte. A poucas semanas do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, Narva vive um clima pesado.
Alguns temem que essa cidade russófona da Estônia, com pouco mais de 50.000 habitantes, se torne o próximo alvo do presidente russo, Vladimir Putin.
— Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente — destaca a prefeita Katri Raik, na Prefeitura de Narva. — Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias, Nos perguntamos o que vai acontecer depois..
Pessoas caminham às margens de rio na divisa entre Estônia e Rússia, em Narva
AFP
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Estônia, membro da União Europeia (UE) e da Otan, reforçou suas defesas, assim como os outros países bálticos.
O Exército da Estônia, ex-república soviética com 1,3 milhão de habitantes, é pequeno. O Ministério da Defesa afirma que, em caso de necessidade, pode mobilizar cerca de 44.000 soldados, além de 2 mil militares de países aliados da Otan presentes no país.
As autoridades prometeram reforçar a segurança nacional com medidas legislativas, incluindo a retirada do direito de voto em eleições locais de cidadãos russos e apátridas residentes no país. Além disso, em 2024, o estoniano passou a ser a única língua de ensino nas escolas, uma medida que afetou muitos moradores de Narva.
Essas reformas, combinadas com desemprego, aumento das contas de energia, colapso das relações com a Rússia e temor de um conflito, criaram uma tempestade perfeita.
— Este é o período mais difícil da nossa história em quase 40 anos. Vemos como estão nos tratando — afirma Mihhail Stalnuhhin, presidente do Conselho Municipal. — A isso se soma o discurso constante sobre guerra, guerra, guerra. As pessoas vivem uma situação moral, econômica e social muito difícil.
Posto de fronteira entre Rússia e Estônia em Narva, fechado à travessia de veículos
AFP
Ao longo de sua história, Narva esteve sob domínio dinamarquês, alemão, russo, sueco e estoniano. A cidade sofreu danos significativos durante a Segunda Guerra Mundial e tornou-se majoritariamente russófona durante o período soviético. Trinta e cinco anos após a independência da Estônia, Narva ainda busca entender sua identidade. Muitos moradores se sentem presos entre dois mundos, diz Vladimir Aret, gerente de hotel e vereador.
— Sou europeu, mas às vezes brincamos dizendo que não sabemos muito bem o que é uma pátria-mãe.
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Embora muitos se declarem patriotas, há também quem exalte Vladimir Putin.
Alguns residentes falam apenas russo, assistem à televisão russa e lembram com nostalgia da União Soviética. Cerca de metade da população da cidade tem nacionalidade estoniana, um terço possui cidadania russa e cerca de 7 mil são apátridas desde 1991. Segundo o censo de 2021, 95% têm o russo como língua materna.
A Rússia critica com frequência o governo estoniano. Em um relatório publicado em dezembro, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a “crescente loucura russofóbica da Estônia” e políticas “neonazistas”. O grande número de apátridas é apontado como um problema grave.
Alguns concordam.
— Nós, russófonos, somos discriminados — afirma uma mulher de cerca de 50 anos, que pediu anonimato.
Moscou nega: Alemanha acusa Rússia de ataques cibernéticos para perturbar segurança aérea e interferir nas eleições
Mas Olga Kolesnikova, apátrida de 64 anos, discorda.
— Não me sinto prejudicada — diz a padeira aposentada, mãe de quatro filhos.
Aleksandr Gruljov, pedreiro de 59 anos, considera renunciar à cidadania russa.
— Aqui ninguém oprime ninguém — garante.
Ainda assim, especialistas alertam que algumas reformas carecem de perspectiva. Proibir cidadãos russos de votar em eleições locais seria “uma porta de entrada perfeita para a propaganda russa”, afirma o cientista político Carlo Masala.
— Como no Donbass (região no leste da Ucrânia, com forte presença étnica russa), a Rússia pode alegar que os direitos de suas minorias no exterior estão ameaçados, o que lhe daria um motivo para protegê-las, inclusive por meios militares, se necessário — explica.
Professora dá aulas de estoniano para crianças cuja língua materna é o russo em Narva, na Estônia
AFP
Em seu livro “A guerra de depois: Rússia frente ao Ocidente”, Masala imagina um cenário em que tropas russas tomam Narva em 2028 para atacar outros Estados bálticos. Segundo ele, cidades como Kirkenes, na Noruega, ou Daugavpils, na Letônia, também poderiam ser vulneráveis.
A invasão da Ucrânia reacendeu o debate sobre a lealdade da minoria russófona.
— Uma das questões fundamentais que os estonianos colocam sobre a minoria russófona é a do patriotismo e da lealdade — apontava um estudo europeu de 2023.
Bandeira russa em fortaleza do outro lado da fronteira com a Estônia
AFP
Segundo esse estudo, 65% dos russófonos da Estônia se declararam “mais ou definitivamente patriotas da Estônia”, contra 28% que afirmaram o contrário.
Jelissei Soloviev, jovem de 18 anos do Kaitseliit, organização de defesa voluntária, não hesita.
— Estamos prontos para defender nosso país, não temos medo — afirma.
Masala avalia que Narva hoje parece uma “fortaleza”, o que tornaria qualquer ação militar mais difícil. Ainda assim, autoridades fronteiriças não descartam que a cidade seja especialmente vulnerável.
— Se você tem um pretexto, também pode invadir Berlim — comentou Egert Belitsev, chefe do serviço fronteiriço.
O agente da guarda de fronteira estoniana Eerik Purgel concorda.
— Com as ferramentas certas, é possível explorar qualquer coisa. Não importa se é Narva, Tallinn ou os Estados Unidos — opina.— Este é o nosso povo, nós o protegeremos com nossas vidas.
O cidadão francês Camilo Castro, de 41 anos, descreve como um “calvário” os cinco meses que passou detido em prisões venezuelanas, onde afirma ter sido acusado de espionagem e ameaçado de tortura por agentes do Estado. Em liberdade desde novembro, o professor de ioga relatou à agência AFP as experiências vividas no período em que esteve sob custódia das forças de segurança do país, descrevendo os momentos detido como de “nojo, ódio e rancor”, mas também de “amor, esperança e compaixão por um povo inteiro”. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Rumo ao espaço, a bagagem dos astronautas da Nasa poderá ganhar um item até então inédito de ser levado para o espaço. Trata-se de uma aparelho eletrônico que, ao menos na Terra, tem se mostrado cada vez mais indispensável: os smartphones.
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Até hoje as tripulações não podem embarcar e levar para o espaço telefones celulares, desde missões na Estação Espacial Internacional (EEI), caso da Crew-12, a próxima a embarcar com esse destino, e para a Lua, como na viagem da Artemis II.
Segundo a agência espacial dos Estados Unidos, a mudança ocorre devido a uma necessidade operacional identificada pela Nasa no âmbito de seus voos tripulados. Os smartphones devem ser “de última geração”.
— Estamos equipando nossas equipes com as ferramentas necessárias para capturar momentos especiais para suas famílias e compartilhar imagens e vídeos inspiradores com o mundo — disse o chefe da NASA, Jared Isaacman, ao anunciar a medida.
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O site especializado Ars Technica destaca que a aprovação de cada aparelho não deve ser simples, seguindo padrões rígidos da agência. Entre as etapas constarão testes de radiação, térmicos e mecânicos de chips e baterias. O uso da tecnologia no espaço será possível após a revisão de procedimentos já estabelecidos, conta Isaacman:
— Essa urgência operacional será de grande benefício para a Nasa, à medida que conduzimos pesquisas e ciência de alto valor em órbita e na superfície lunar. Este é um pequeno passo na direção certa.
A Crew-12 é a missão que levará quatro astronautas para a Estação Espacial Internacional, a bordo da espaçonave SpaceX Dragon. O lançamento tem como data prevista 11 de fevereiro.
Já a Artemis II é a primeira missão tripulada de sobrevoo da Lua em mais de 50 anos, que também contará com quatro astronautas. A última com esse destino foi a Apollo 17, em 1972. Por uma série de problemas, o lançamento não deve ocorrer antes de 6 de março deste ano.
A novidade sobre os celulares gerou reações entre ex-astronautas . Clayton Anderson, ex-membro da Nasa, lembrou que, durante o período em que esteve na agência, não lhe foi permitido levar um iPod para a Estação Espacial Internacional.
“Quanta coisa mudou! Não me deixaram levar meu iPod do ônibus espacial para a Estação Espacial porque ‘não era certificado’ para voar lá. É ridículo. Também não pude levar meu traje espacial azul a bordo… não era certificado, então tive que usar a versão russa”, escreveu Anderson em uma publicação na rede social X.
Isaacman respondeu a este comentário com uma palavra: “progresso”.
Com informações de El Tiempo e Agência EF.
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Nas primeiras declarações após a publicação em suas redes sociais de um vídeo racista retratando o ex-presidente dos EUA Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, o atual morador da Casa Branca, Donald Trump, afirmou que viu “apenas o início” do vídeo, e disse que não pedirá desculpas, como exige boa parte do meio político em Washington.
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Em declarações a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump dise que “viu o início do vídeo, e que estava tudo bem”, alegando que se tratava de um conteúdo sobre supostas fraudes em máquinas de votação, jamais comprovadas, mas que alimentam sua retórica política há anos.
— Eu não vi tudo; acho que no final tinha alguma coisa que as pessoas não gostaram. Eu também não gostaria. Mas eu não vi, só dei uma olhada na primeira parte. Aí mostrei para o pessoal. Geralmente eles veem tudo, mas acho que alguém não viu e postou, e a gente tirou do ar — disse. — Ninguém sabia que aquilo estava no final. Certamente, se tivessem prestado atenção, teriam visto e provavelmente teriam tido a sensatez de removê-lo.
O presidente disse que não fará demissões relacionadas ao caso — segundo a Casa Branca, um funcionário fez a publicação “de maneira errônea” — e que não se desculpará.
— Não, eu não cometi nenhum erro — disse a um jornalista.
O vídeo, com cerca de um minuto, promovia teorias da conspiração sobre a eleição presidencial de 2020 e incluía imagens em que os rostos de Barack e Michelle Obama eram sobrepostos a corpos de macacos, ao som da música “The Lion Sleeps Tonight” — da banda “The Tokens”, popularizada no filme “O Rei Leão”.
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A peça audiovisual fazia parte de uma blitz de mais de 30 postagens do presidente, entre a noite de quinta e a madrugada desta sexta, que reiteravam falsas alegações de que o pleito em que ele foi derrotado por Joe Biden em 2020 foi roubado.
Inicialmente, a Casa Branca, através da porta-voz, Karoline Leavitt, disse se tratar de “um vídeo viral da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens do Rei Leão”, e sugeriu aos jornalistas que “parem com essa indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano”.
Mas pouco depois, quando as críticas eram numerosas, a publicação foi deletada, e surgiu a versão “final” para o caso: um representante da Casa Branca explicou que a publicação do conteúdo ocorreu “erroneamente”, culpando um funcionário. Não houve maior explicação sobre a defesa prévia da secretária de Imprensa e tampouco um pedido de desculpas — como Trump disse que não haverá.
‘A coisa mais racista que já vi’
A publicação do vídeo com uma das expressões mais antigas e repudiadas do racismo pelo presidente dos Estados Unidos a milhões de seguidores não recebeu as mesmas palmas que outras de suas ações questionáveis receberam em Washington. Dentro do Partido Republicano, deputados e senadores pediram que se retratasse publicamente o quanto antes — em menos de 9 meses, muitos enfrentarão as urnas, defendendo um presidente que já enfrenta problemas ligados à economia e à repressão migratória que deixou dois cidadãos americanos mortos em Minnesota
“Rezo para que seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca. O presidente deveria remover isso”, afirmou Tim Scott, o único senador repúblicano negro, em suas redes sociais.
Com esse tom bem-humorado, Barack Obama rebateu, de forma irônica, os insistentes rumores de crise em seu casamento com Michelle Obama.
Getty Images/AFP
Brian Fitzpatrick, deputado pela Pensilvânia, disse que “seja intencional ou por descuido, esta publicação representa uma grave falha de julgamento e é absolutamente inaceitável vinda de qualquer pessoa — especialmente do presidente dos Estados Unidos”. Katie Britt, senadora republicana do Alabama e trumpista de primeira linha, declarou que o vídeo foi “removido corretamente” e “nunca deveria ter sido publicado”.
Entre os democratas, o tom das críticas foi ainda mais duro. Gavin Newsom, apontado como possível candidato democrata à Presidência em 2028 e um dos críticos mais proeminentes de Trump, escreveu em suas redes que esse foi um “comportamento asqueroso por parte do presidente”, e que “cada republicano deve denunciá-lo”. Outros foram especialmente incisivos.
— F…-se Donald Trump e seu comportamento vil, racista e maligno — disse o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, um parlamentar negro. — Esse cara é um verme desequilibrado.
Quatro astronautas voarão na próxima semana para repor o pessoal da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), informou a Nasa nesta sexta-feira (6), após a evacuação médica de emergência da tripulação anterior.
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A Nasa anunciou que a nova missão, Crew-12, decolará a bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX na manhã de quarta-feira, 11, com o lançamento “previsto para não antes das 6h01” locais (8h01 em Brasília).
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A confirmação traz um pouco de certeza para a Crew-12, que teve problemas de última hora com o foguete e mudanças de pessoal.
No início da semana, a SpaceX manteve em terra seus foguetes Falcon 9 enquanto investigava o que a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) descreveu como uma “falha de ignição do motor no segundo estágio”.
“O veículo Falcon 9 está autorizado a voltar a voar”, disse um porta-voz da FAA à AFP nesta sexta.
A pausa temporária por parte da SpaceX causou preocupação de que o voo da Crew-12 tivesse que ser adiado.
A missão substituirá a Crew-11, que retornou à Terra em janeiro, um mês antes do previsto, durante a primeira evacuação médica da história da plataforma orbital.
A China revogou a condenação à morte de um cidadão canadense acusado de tráfico de drogas, informou nesta sexta-feira (6) uma fonte governamental do Canadá à AFP, em um possível sinal de distensão diplomática entre os dois países.
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O Canadá “está ciente de uma decisão emitida pelo Supremo Tribunal Popular da República Popular da China no caso do senhor Robert Schellenberg”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Thida Ith, em um comunicado enviado à AFP.
A condenação à morte de Robert Lloyd Schellenberg por suposto tráfico de drogas foi imposta em 2019, durante um período de fortes tensões diplomáticas após a prisão, em Vancouver, da diretora financeira da empresa Huawei, Meng Wanzhou, em cumprimento a um mandado dos Estados Unidos.
A prisão de Wanzhou enfureceu Pequim, que deteve dois canadenses — Michael Spavor e Michael Kovrig — sob acusações de espionagem. Ottawa condenou essas prisões como represália.
Schellenberg foi detido por acusações de narcotráfico em 2014. Posteriormente, as autoridades chinesas o condenaram à morte, considerando branda sua pena inicial de 15 anos de prisão.
Após a revogação da condenação, Ith afirmou que o ministério “continuará prestando serviços consulares ao senhor Schellenberg e à sua família”.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, visitou a China em janeiro como parte de seu esforço global para ampliar os mercados de exportação do Canadá e reduzir a dependência comercial dos Estados Unidos em meio às tensões com o presidente Donald Trump.
O governo canadense não comentou se a diplomacia durante a visita de Carney influenciou a decisão do tribunal chinês no caso de Schellenberg.
Wanzhou, Spavor e Kovrig foram libertados em 2021.

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